Já que entregar jogo está na moda, não poderia deixar de lembrar uma das maiores entregadas acontecidas no futebol brasileiro nos últimos tempos.

Jogava-se o Campeonato Paulista de 2003, competição que o Santos iniciou como maior favorito, pois no final de 2002 se tornara campeão brasileiro.

Mas no Paulista o Santos foi surpreendido pela Portuguesa Santista, treinada por Pepe, e ficou da dependência do último jogo, entre São Paulo e Santo André, no Morumbi.

Mas as chances do Santos ainda eram boas, pois bastava que um dos times ganhasse a partida e ele se classificaria para as quartas de final. Só o empate desclassificaria o Alvinegro Praiano.

O São Paulo era mais time do que o Santo André e, jogando no Morumbi, fez 2 a 0 ainda no primeiro tempo. O jogo estava tranqüilo para o tricolor.

Mas havia um detalhe que não foi esquecido: o empate classificaria tanto o São Paulo como o Santo André e ainda por cima desclassificaria o Santos.

Então, o que o São Paulo tratou de fazer? Um doce para quem adivinhar. É claro que começou a fazer força para que o Santo André empatasse.

No primeiro gol do Santo André a defesa do São Paulo, propositalmente, colocou-se tão mal, que deixou apenas um defensor contra quatro atacantes do time do ABC.

Mas um gol só não bastava, e por isso a defesa são-paulina continuou trabalhando a favor do adversário.

No gol de empate, um jogador do São Paulo faz um pênalti, mas o juiz não dá. Então, o zagueiro são-paulino dá um passe para o atacante do Santo André (não é força de expressão, não, veja que ele deu um passe mesmo, e no pé).

Na conclusão do lance, Rogério Ceni pula atrasado e só toca na bola quando ela já está dentro do gol.

Depois, é claro, não houve mais jogo e o São Paulo teve o privilégio de ficar tocando a bola até o final, sem ser pressionado pelo adversário.

Para mim, esta entregada, que merece ficar na história – realizada no domingo, 23 de fevereiro de 2003, em partida iniciada às 16 horas, no Morumbi – foi uma das mais vergonhosas do nosso futebol.

O engraçado é que os protestos foram poucos e logo abafados. Lembro-me que Kiko Zambianchi criticou essa entregada no programa “Bem, Amigos”, mas foi cortado abruptamente por Galvão Bueno.

Ou seja: se este tipo de comportamento já tivesse sido criticado com mais veemência no início de 2003, talvez não tivesse se tornado tão comum no futebol brasileiro.

Reveja agora a entregada do São Paulo para o Santo André em 2003. Repare como a defesa são-paulina colabora nos dois gols do time do ABC, só para eliminar o Santos:

O que você acha de entregadas? Acha que são normais, ou deveriam resultar em penas graves para os clubes que agem de maneira tão anti-ética?