Logo mais o Brasil poderá ser eliminado da Copa. Enfrentará um pequeno país de menos de 17 milhões de habitantes que desde 1974 está entre os melhores do futebol. Um time sólido na defesa e com um ataque rápido e eficiente, com ótimo jogo de conjunto, mas também com jogadores que, no mundo pouco exigente de hoje, podem ser chamados de craques.

Nesta hora, diante de um adversário formidável e um risco real de voltar pra casa mais cedo, caem as máscaras e mesmo os muitos que se diziam contra a Seleção de Dunga, torcerão para que o país siga em frente em busca do seu sexto título em Copas do Mundo.

Eu já estou de camisa amarela. Minha mulher teve a idéia de estender uma bandeira na janela do nosso 13º andar no jogo contra Portugal e ela continua lá, tremulando para testemunhar nosso apoio aos rapazes que, de uma forma ou outra, representam a pátria.

Nem precisam me lembrar de todas as negociatas da CBF ou da olímpica antipatia de seu presidente, o paraquedista Ricardo Teixeira. Não torço por eles, claro. Torço pelo torcedor brasileiro, que quer apenas viver mais um sonho, mais uma grande alegria para guardar e se lembrar dela sempre que puder. São esses momentos que, para muitos, dão sentido à vida.

De novo, a individualidade poderá nos salvar

Pelos conceitos do football association, esta Holanda é melhor do que o Brasil. Joga com harmonia e solidariedade. Passou pelas eliminatórias ao vencer todos os oito jogos, marcar 17 gols e só sofrer dois. Continua jogando com a mesma eficiência nesta Copa.

A grande qualidade da Holanda está no seu ataque, com Wesley Sneijder começando as jogadas, com Robben e Robin van Persie e mais à frente. Aliás, prevê-se grande duelo entre Lúcio e Robin. Hoje, entretanto, não creio que a Holanda tomará tanto a iniciativa do jogo. O técnico Bert van Marwijk sabe que o Brasil gosta de contra-atacar e deverá tomar cuidado.

Do nosso lado, penso, principalmente, em Robinho e Kaká, que poderão despedirem-se da Copa hoje sem terem jogado em Mundiais o que se esperava deles. Por isso, por esta motivação que deverão levar a campo, é que tenho esperanças de que o Brasil se supere mais uma vez contra os holandeses.

Os três jogos que a Seleção fez contra a Holanda em Copas do Mundo foram extremamente equilibrados, com exceção do primeiro, vencido até com alguma facilidade pelos holandeses, por 2 a 0, eles que precisavam apenas do empate para se classificarem para a final.

A Holanda era a inacreditável Laranja Mecânica, que vinha arrasando todos os adversários (Argentina e Uruguai, entre eles) e entrou naquela partida contra o Brasil como franco favorita. Em 1994, a esperteza de Romário e Bebeto e, principalmente, aquela cobrança de falta enviesada de Branco nos salvou. E em 1998 a salvação veio das mãos de Taffarel, após um empate de 1 a 1.

E, com exceção de 1974, nas outras duas oportunidades o Brasil era um time mais forte do que hoje. Portanto, se apenas a lógica servir como parâmetro para uma previsão para hoje, será impossível não admitir que os holandeses levam vantagem e poderão eliminar a Seleção Brasileira.

Entretanto, a alma, o talento e a rebeldia do jogador brasileiro – que luta como um leão contra a dor das derrotas – é que podem decidir o jogo mais uma vez. Como? Não sei. Provavelmente em uma cabeçada de Juan ou Lúcio, uma arrancada de Kaká ou Robinho, uma forçada de barra de Luís Fabiano, um chute de Daniel Alves, ou alguma coisa que nunca foi feita, mas acontecerá hoje, só porque os deuses do futebol querem.

REVEJA AS TRÊS VEZES QUE BRASIL E HOLANDA JOGARAM NA COPA

Em 1998, 1 a 1. Vitória só veio nos pênaltis. Ronaldo e Taffarel decidiram.

1994, 3 a 2, Romário, Bebeto e, principalmente, Branco, acabaram com o drama.

1974, 2 a 0 para a Laranja Mecânica. Eles tinham Cruijf, Neeskens e Van Hanegem.