Baixada Santista, nove cidades, 1,663 milhão de habitantes. Um mercado bem maior para o Santos.

Esta semana o presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro, voltou a falar dos planos de se construir um estádio, em Santos, para 40 mil pessoas. Acho que este estádio só teria sentido econômico se não fosse apenas da cidade de Santos, mas sim da Baixada Santista. Explico…

Segundo o Censo do IBGE do ano passado, Santos tem apenas 419.577 habitantes e é a décima cidade paulista em população. Tem 1/25 dos habitantes de São Paulo, 1/3 de Guarulhos, menos da metade de Campinas e foi superada até por Sorocaba, que tem 586.311 moradores.

Um estádio para substituir a Vila Belmiro só terá sucesso se não incorrer no mesmo erro da Vila Belmiro, ou seja: ser um estádio apenas da cidade de Santos. O ideal é que seja planejado para ser o estádio da Baixada Santista, não só pela localização, mas também pelos aspectos político e de marketing.

O empreendimento será viável desde que o clube consiga o apoio das nove prefeituras da região, integradas, desde julho de 1996, na “Região Metropolitana da Baixada Santista”. Com 1.663.082 habitantes, a região é a terceira mais habitada do Estado e recebe mais 1,6 milhão de pessoas nos meses de férias. Sem contar, é claro, o desenvolvimento previsto com o decantado pré-sal…

E sem contar que, se o sonhado estádio for erguido na descida da serra, estará ainda mais próximo da região mais rica e populosa do Estado, que é o ABC e a Grande São Paulo. Porém, só localização não basta. Será preciso um trabalho permanente integrado com as cidades da Baixada Santista.

Relação com as prefeituras

Luis Álvaro disse que o clube precisa de um estádio maior, pois a Vila Belmiro não comporta nem metade dos seus sócios. Concordo. Mas não se pode construir um estádio maior só por esse motivo. Os santistas estão apoiando o time porque ele está na fase final da Libertadores e pode ganhar um título que não conquista há 48 anos. A procura por ingressos não será sempre tão intensa, infelizmente.

É óbvio que se construísse o seu estádio em São Paulo, maior cidade e maior mercado do país e também o maior aglomerado de santistas no planeta (mais de 1,6 milhão), o Santos teria uma média de público maior. Mas o Santos é de Santos e quer ter a sua casa perto do mar, o que é legítimo.

Porém, a Vila Belmiro e a cidade de Santos têm se mostrado acanhadas demais para os sonhos do Alvinegro. Isso mudaria se, repito, toda a Baixada Santista encarasse o Santos como o time da região e o amparasse – em um trabalho recíproco entre o clube e as prefeituras.

A associação do Santos com as praias de São Paulo já existe e é forte, mas ainda não foi explorada suficientemente. O time pode promover a região divulgando seu turismo, participando de ações sociais – ajudando na educação esportiva dos jovens, por exemplo – e em troca teria um apoio maior das prefeituras locais, que divulgariam os jogos do Santos, as campanhas de sócios e se encarregariam de incrementar o transporte para o estádio nos dias de jogos.

Nem seriam necessários grandes movimentos, mas seria imprescindível que fosse constante, que se criasse um vínculo permanente entre o Santos e os habitantes da Baixada santista.

Só para relembrar, a Baixada santista é formada pela seguintes cidades: Bertioga (47.572 habitantes), Cubatão (118.797), Guarujá (290.607), Itanhaém (87.053), Mongaguá (46.310), Peruíbe (57.686), Praia Grande (260.769), Santos (419.757) e São Vicente (332.424).

A partir do momento em que deixe de ser encarado apenas como o time da cidade de Santos e passe a representar toda a Baixada Santista, o Alvinegro Praiano ampliará o seu mercado, o seu campo de marketing e a possibilidade de captar mais torcedores e sócios na região, onde já é o clube com o maior número de aficionados.

O que você acha da idéia de transformar o Santos no time da Baixada Santista? Isso não aumentaria as chances de sucesso do novo estádio?