Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Que tal um pacto?


Sinal dos novos tempos: Independiente del Valle, do Equador, vence, de virada, e elimina Boca Juniors em plena La Bombonera. A mística de nada valeu diante do melhor futebol. Agora o time equatoriano decidirá o título da Copa Libertadores com o Atlético Nacional, da Colômbia, que também ganhou os dois jogos do “copeiro” São Paulo. Mais um exemplo de que estádio não joga.

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Que tal um pacto, como em 2004?

No último Campeonato Brasileiro que o Santos conquistou, em 2004, Vanderlei Luxemburgo teve a melhor atuação de um técnico do Santos em todos os tempos. Confiante e calculista, ele limpou o time dos que estavam com a cabeça na Europa e seguiu rumo ao título com um grupo de abnegados. Sua melhor sacada foi um pacto com os jogadores que não só tirou a equipe da rabeira da tabela, como a levou para as primeiras posições, de onde não saiu até o fim da competição.

Ficou marcada, para mim, a tranquilidade de Luxa depois de o Santos perder para o Palmeiras, na Vila Belmiro, por 4 a 0. O Alvinegro já estava mal, sofreu aquela goleada em casa e, após a partida, o professor disse que logo que o time se arrumasse, lutaria pelo título. Sua maior preocupação eram os jogadores fora de foco.

Alex e Diego estavam de saída, Paulo Almeida já tinha ido embora, assim como Fábio Costa. Luxemburgo disse que só colocaria para jogar os que quisessem ser campeões. Depois de empatar em 3 a 3 com o Atlético Mineiro, no Mineirão, anunciou que tinha feito um pacto com os jogadores para vencerem pelo menos sete partidas consecutivas. Pois, mesmo com um time apenas regular, cuja base era Mauro (Tápia), Paulo César (Flávio), André Luis, Ávalos (Antonio Carlos, Domingos) e Léo; Fabinho, Preto Casagrande, Ricardinho e Elano; Robinho (Basílio) e Deivid (Willians), ele cumpriu o prometido e colocou o Santos no caminho do título.

As sete vitórias consecutivas foram contra o Vitória, em Salvador (2 a 1); Internacional, na Vila Belmiro (3 a 0); Guarani, no Pacaembu (2 a 1); Corinthians, no Pacaembu (3 a 2); Ponte Preta, em Campinas (4 a 0); São Paulo, na Vila Belmiro (2 a 1) e Flamengo, também na Vila Belmiro (2 a 0). Só depois é que veio a derrota para o Fluminense, no Maracanã (0 A 1), mas o time já estava embalado.

Hoje, 12 anos depois, o Santos vive situação similar em um Campeonato Brasileiro nivelado por baixo. Não há nenhum grande time e aqueles que se desgarrarem do pelotão lutarão pelo título até o final. Para completar a analogia, os próximos sete jogos, quatro deles com mando de campo do Santos, são perfeitamente vencíveis:
Ponte Preta, Cruzeiro, Flamengo e Atlético Mineiro na Vila Belmiro; Vitória, América Mineiro e Coritiba fora de casa.

Ora, é o momento de Dorival Junior e sua comissão técnica se acercarem dos jogadores e conseguirem esse comprometimento de dedicação máxima em busca dessas sete vitórias. Na verdade, bem que poderiam ser oito, pois depois do Coritiba, o Santos terá o mando de campo contra o Figueirense.

E em 2004 ainda muitos complicadores, como o sequestro da mãe de Robinho, a proibição de jogar na Vila Belmiro e em São Paulo e tantos gols anulados erradamente (nove!), que Luxemburgo chegou a dizer: “Já avisei os jogadores que temos de fazer dois gols para valer um”. Enfim, foi uma vitória contra tudo e contra todos.

Neste Brasileiro de 2016 o Santos talvez tenha um time até mais equilibrado do que em 2004. Não tem um técnico como Luxemburgo, que vivia o auge de sua carreira, mas quem sabe Dorival não perceba que esta é sua grande chance de ser campeão nacional e faça o time render mais. O certo é que é hora de dar uma desgarrada do pelotão. Para isso, um pacto com os jogadores ia bem, você não acha?


Um Alçapão Maior

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La Bombonera em uma tarde de primavera (Foto: Odir Cunha/ Blog do Odir. O uso desta imagem está liberado, desde que se dê o crédito ao autor).

O estádio do Boca Juniors, imensa e vertiginosa caixa de bombons que atordoa e envenena os adversários, é considerado o maior alçapão do futebol. Ainda não conhecia a temida La Bombonera, por isso tirei a tarde dessa terça-feira para me inteirar de seus mistérios, estudar o seu museu, passear por suas arquibancadas. É uma obra que merece respeito.

Com 32 metros de altura, foi idealizada pelo arquiteto José Luiz Deini para aproveitar ao máximo o terreno exíguo que tinha à sua disposição. Para economizar espaço, seu campo tem as menores dimensões permitidas pela FIFA (105 x 68 m) e sua altura chega a 32 metros, para permitir que três lances de arquibancada alcancem uma capacidade de 49 mil pessoas.

Confesso que ao ver pela tevê suas arquibancadas tremendo com a vibração da torcida, imaginei uma estrutura mais precária, carcomida pelo tempo, enfim, ultrapassada. De perto, porém, o concreto pintado de azul e amarelo transparece robustez e longevidade. Fundada em 1938, a impressão que La Bombonera nos dá é de que poderá ficar de pé mais 78, 90, 100 anos, e ainda estará firme para suportar a paixão dos boquenses.

Porém, desde 2012 o clube trabalha em um projeto de construção de um novo estádio, com capacidade para 75 mil pessoas, que seria erguido na Casa Amarilla, área ocupada pelo CT do Boca, ao lado do estádio atual. Segundo o dirigente Daniel Angelini, La Bombonera não será demolida, mas coberta para abrigar shows, outros eventos esportivos, restaurantes, lojas e ainda conservar o seu belos museu.

A Vila Belmiro não pode diminuir

Sabemos que Modesto Roma, presidente do Santos, recentemente se reuniu com o prefeito de Santos, Paulo Alexandre Barbosa, para tratar de um estádio municipal a ser construído com uma parceria entre o Santos, a Prefeitura, o Jabaquara e a Portuguesa Santista. Na falta de dinheiro e de espaço, essa união poderia ser boa para todos os envolvidos. Porém, jamais o Santos deve aceitar o retrocesso de jogar em estádio para apenas 25 mil pessoas.

Hoje a capacidade da quase centenária Vila Belmiro é de apenas 16.798 pessoas, um terço de La Bombonera, mas o velho Alçapão já teve cerca de públicos acima de 25 mil pessoas. Querer ajustar a imensa torcida do Santos a uma casa tão pequena é mais ou menos como querer que o pé caiba num sapato menor. O Santos não pode se contentar com um estádio com capacidade menor de 40 mil pessoas.

O que se percebe nessas novas arenas construídas no Brasil, é que o torcedor, desde que tenha mais conforto e segurança, comparece mais aos jogos. Outro detalhe é o trabalho constante de divulgação dos jogos e de mobilização da torcida – que o Boca faz muito bem, e o Santos ainda não começou a fazer.

O bairro La Boca tem apenas 46 mil habitantes, mas todo ele respira a paixão por seu time. Torcedores de toda a Argentina, e do exterior, vêm conhecer o estádio, seu museu, e ler, ver e ouvir histórias que fortalecem a mística do clube. Pois eu afirmo que o Santos pode fazer igual ou melhor, pois tem uma história mais rica, teve Pelé e tantos craques e tem a receita mágica dos Meninos da Vila.

Assim como as autoridades do bairro La Boca entenderam que La Bombonera e seu histórico clube são a principal fonte de renda para o comércio local, a cidade de Santos precisa assumir a importância do Alvinegro Praiano para o turismo da região. Na verdade, boa parte da Baixada Santista pode manter intercâmbios culturais, esportivos e de lazer com o Santos. É só uma questão de abrir espaço para as ideias e iniciar os contatos.

Sempre haverá a possibilidade de se jogar em São Paulo, e creio que ela é a mais viável nesse momento. Roma e seus assessores agiram muito mal, por exemplo, ao vender para um empresário o mando de campo do jogo contra o Flamengo, expondo o time a uma derrota que poderá ser decisiva na briga por uma vaga no G4. Não era preciso correr esse risco. Era só jogar no Pacaembu e trabalhar bem a divulgação do espetáculo, que o Santos ganharia o mesmo um milhão de reais que ganhará pelo jogo em Manaus e ainda teria mais chances de vitória, pois 95 por cento do estádio estaria torcendo por ele, o inverso do que ocorrerá no Amazonas.

Ricardo Oliveira e Lucas Lima

O Brasil venceu a Venezuela por 3 a 1 e Ricardo Oliveira mostrou o que é ser um centroavante. Lucas Lima também mostrou como se joga um meia e, se Dunga for inteligente, não tira mais nenhum do time. Vi também um Paraguai brigador, que teve mais chances, contra uma Argentina muito limitada sem Messi. O 0 a 0 foi justo.

E você, acha que o Santos pode ter um Alçapão bem maior?


Pobre, desorganizado e violento futebol sul-americano

O futebol sul-americano nunca foi um exemplo de organização e jogo limpo. Destruída pela II Guerra, a Europa demorou para reencontrar seu caminho e, por um período que se estendeu até o começo da década de 1970, os clubes sul-americanos puderam rivalizar com os europeus. Depois, as diferenças foram se tornando cada vez mais evidentes. O que se viu ontem em La Bombonera, em que torcedores do Boca Juniors aspergiram spray de pimenta nos jogadores do River Plate que voltavam para o segundo tempo, paralisando a partida por duas horas e provocando o eu adiamento, foi retrato da falência de um esporte, de uma confederação e de uma civilização.

Em qualquer país decente do mundo, do primeiro mundo do futebol, em que regulamentos esportivos e regras de convivência humana são respeitadas, o Boca Juniors deveria perder os pontos, mas a Conmebol é uma entidade política, com dirigentes mais interessados em aproveitar as benesses dos cargos do que criar competições justas e seguras.

Além do mais, lá, como aqui, o Boca é o time “da massa”, o que dá votos, ao qual tudo é permitido. A Conmebol não terá coragem de aplicar suas próprias regras e o segundo tempo deverá ser jogado amanhã, no campo do Racing. Vergonha para um país e para um continente que gosta de trapaças.

“Trampas” era como se chamavam essas tramóias dos times da casa para ganhar os jogos na Libertadores. Se ontem, com transmissão para o mundo todo, os jogadores do River foram agredidos impunemente e se a polícia não interferiu para evitar as ameaças e o vandalismo que durou horas, é fácil imaginar o que passavam os visitantes nos jogos da Libertadores nos anos 60 e 70, quando não havia tevê direta e todo o tipo de sujeira era utilizada para trazer a vitória.

O grande líder Zito me disse que em La Bombonra, com o pretexto de arrumar a fila de jogadores, antes de entrarem em campo, a polícia batia com os cassetetes nas pernas dos santistas, dando uma amostra do que viria. Havia um time, o Estudiantes, que estudava até detalhes íntimos dos adversários para usá-los em campo. Assim, na disputa do Mundial, um jogador da Internazionale que tinha acabado de se separar a mulher, foi chamado de corno o jogo todo, até que perdeu a cabeça.

Em Montevidéu, o Peñarol tinha um jogador, o atacante Sasía, especializado em jogar terra nos olhos dos goleiros na hora de um escanteio, ou uma cobrança de falta. Fez isso na final do Mundial de 1961, contra o Benfica, e voltou a fazer contra o Santos, na final da Libertadores de 1962. Um dos gols uruguaios na Vila Belmiro foi assim.

Mas o Santos também não era nada bonzinho. Nesse jogo de 1962 o juiz Carlos Robles quis paralisar a partida por falta de segurança, mas no vestiário um dirigente do Santos encostou um revólver no peito dele e fez com que terminasse o jogo. Na sequência, o Santos empatou em 3 a 3 e deu a volta olímpica como campeão, mas na súmula Robles já tinha escrito que dera sequência à partida para salvar sua vida.

O que se viu ontem em La Bombonera foi uma imagem que, infelizmente, retrata o pobre, desorganizado e violento futebol sul-americano, em que o time da casa ainda tenta ganhar no grito, com a subserviência das autoridades. Algo próprio dos países sem uma verdadeira democracia, liderados por caudilhos demagogos que usam as crenças e as paixões mais rasteiras do povo a seu favor.

E o pior é que ao olhar a torcida que fez questão de permanecer no estádio, ameaçando os jogadores do River e atirando garrafas em campo, percebia-se que eram pessoas da classe média argentina, senhores, idosos, que deveriam ter um senso de civilidade um pouco mais desenvolvido.

Em pensar que nesta mesma semana vimos as semifinais da Liga dos Campeões da Europa, com os times de casa – Bayern e Real Madrid – eliminados diante de suas torcidas, sem que ninguém fosse ferido e não houvesse nenhuma destruição. Infelizmente, não se trata apenas de futebol. Além de uma confederação, eles têm uma civilização melhor.

O nosso Santos, trapaceando em 1962, na Vila:

O título, contra tudo e contra todos, em La Bombonera:

E pra você, por que o futebol sul-americano ficou tão pra trás do europeu?


River Plate pode ser rebaixado. Pobre futebol sul-americano…

Ontem o River Plate, que seus torcedores chamam de “Milionário”, jogou em casa e perdeu para o humilde Lanús por 2 a 1. Agora, pela primeira vez em 110 anos de história, o River terá de disputar uma repescagem – que lá chamam de “la promoción” – para se livrar do rebaixamento. A amargura foi demais para um torcedor de 68 anos, que morreu de infarto no imenso e triste Monumental de Nuñez.

A decadência do River, maior vencedor de campeonatos nacionais (34), assim como a do Boca Juniors, que este ano sequer participou da Copa Libertadores, e a do Racing, que de grande virou apenas um time mediano, não são apenas um problema do futebol argentino, mas de todo o continente.

As razões do fracasso lá são as mesmas que, em menor escala, persistem aqui. A má administração dos clubes, a corrupção de dirigentes e árbitros, a politicagem, o jogo de interesses, enfim, a falta de credibilidade que afasta do negócio as empresas e as pessoas sérias.

Tudo isso agravado por um esquema de exploração do talento infanto-juvenil, que consiste em descobrir e revelar jogadores para fornece-los, ainda imberbes, para o rico mercado internacional – em um sistema amparado por uma imprensa que, no geral, tem se revelado parcial e conivente, defensora de interesses particulares e clubísticos.

No Brasil, populismo e injustiças

A economia mais forte diminui no Brasil a crise que já se alastra pelos grandes, ou ex-grandes, do falido futebol argentino. Mas não há motivo para comemorações. Aqui o futebol se baseia em uma injusta divisão de castas, que premia a quantidade e pune a qualidade.

Falando assim, parece brincadeira. Mas, analise comigo: o maior dinheiro que os clubes podem receber, que é o das cotas de televisão, é distribuído, prioritariamente, para aqueles que têm mais torcida, independentemente de seu desempenho em campo.

Enquanto isso, as equipes mais vitoriosas, com jogadores de maior destaque, são obrigadas a se desfalcar para participar de mais de uma competição ao mesmo tempo e para ceder boa parte de seus jogadores às várias seleções nacionais convocadas pela CBF.

Ao invés de estimular a competência e a competitividade, esta reserva de mercado aos grandes clubes, determinada pela tevê, gera a acomodação e o desleixo, que, invariavelmente, levam à decadência que se vê hoje no futebol argentino.

Para complicar, boa parte dos formadores de opinião são para-quedistas que se valeram da não obrigatoriedade do diploma de jornalista para invadir a profissão. Sem serem repórteres e não terem o mínimo comprometimento com a ética, são marqueteiros de terceira categoria e contatos de publicidade que se valem da fachada de jornalista para defender interesses e obter vantagens pessoais.

Dívida dos grandes, um assunto que é tabu…

No Brasil, o torcedor só vai saber o tamanho exato da dívida de seu clube quando este for obrigado a decretar falência. Porém, como isso só acontecerá quando o país tiver um governo sério e viver sob um regime de respeito às leis, por enquanto não há o que temer.

Há alguns anos, no programa Arena Sportv, o ex-jogador Leonardo, ex-técnico da Internazionale que está indo para o PSG, disse que a dívida do Flamengo era “impagável” (no sentido de não se poder pagar). Pouco depois, uma fonte que conhece bem os bastidores do clube carioca, me confidenciou que a dívida do rubro-negro chegava a um bilhão de reais. Uma dívida dessas seria realmente “impagável”, pois só de juros teria um acréscimo mensal de quase 100 milhões de reais.

Pois bem. Há dois meses soube de uma cena diante do caixa do Flamengo, onde Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Assis, brigavam em altos brados pelo não recebimento dos salários do ex-número um do mundo. Todo funcionário do Flamengo sabe disso. Porém, nada se lê sobre caso tão grave.

E é como se ninguém soubesse de nada, mesmo, pois o clube continua contratando jogadores caros e até consegue a primazia de ter vultosos contratos de patrocínio com empresas estatais. Ou seja, eu, você, o contribuinte brasileiro torcedor de outros clubes está ajudando a alimentar uma instituição caótica que virou uma imensa devoradora de dinheiro.

Enquanto isso, a imprensa esportiva prefere gastar mares de tinta para descobrir se Neymar simula faltas ou não. Ora, se o interesse nesse permanente desvio de foco é acobertar esses assuntos “desagradáveis” e não se indispor com os milhões de flamenguistas, o tiro pode sair pela culatra.

As sujeiras, mesmo as escondidas sob os mais grossos tapetes, um dia aparecem. Se a imprensa esportiva carioca, ao longo do tempo, tivesse sido mais crítica e menos conivente com os desmandos da maioria dos dirigentes de futebol do Estado, certamente as administrações teriam se aprimorado e hoje os torcedores dos grandes do Rio não sofreriam tanto.

Ao contrário do que muitos pensam, o oba-oba, a exaltação inconseqüente, leva pra baixo, pois impede a detectação de problemas e atrapalha o aperfeiçoamento. A crítica, exercida com isenção e coragem, se revela bem mais eficiente.

Usados, durante anos, para enriquecer oportunistas, desocupados e desonestos, a maioria dos clubes de futebol do Brasil padece dos mesmos males que estão levando o River Plate a passar a maior vergonha de sua história. Não precisava ser assim. Nenhum torcedor merece isso. Se é para morrer no estádio, que seja por um motivo nobre, em um momento sublime de orgulho e alegria…

Reveja lances do jogo que levou o River para a repescagem:

Você acha que o que está acontecendo com o futebol argentino pode acontecer no Brasil? O que os grandes clubes podem fazer para evitar a tragédia?


A diferença entre cornetar e prevenir. E os exemplos de 1995 e 2003

Quando um time tem um potencial técnico maior do que o adversário, como deve acontecer nesta final de Libertadores, o seu principal adversário passa a ser ele mesmo. Se achar que será campeão “naturalmente”, sem se dedicar física e espiritualmente ao combate, dificilmente sairá com o troféu.

Isso aconteceu com o Santos no Brasileiro de 1995, quando os torcedores santistas que foram ao Maracanã puxaram o coro de “É Campeão!” mesmo depois de o time perder para o Botafogo por 2 a 1.

Como o Santos estava imbatível em São Paulo e vinha de uma virada histórica sobre o Fluminense na semifinal, nenhum santista poderia imaginar que a equipe não venceria o limitado Botafogo no Pacaembu. Porém, essa empáfia só motivou o adversário que, apesar de auxiliado pelos erros lamentáveis do árbitro Márcio Rezende de Freitas, mostrou muita disposição e comemorou o título em São Paulo.

Eu diria, ainda, que a mesma prepotência, ou um pouco menor, acompanhou os Meninos da Vila no jogo contra o Boca Juniors, em La Bombonera, o primeiro da decisão da Libertadores de 2003. Toda a imprensa brasileira dizia que a vitória era certa. O time chegou a dominar o primeiro tempo, mas faltou determinação, faltou a volúpia do gol que sobrou aos avdersários.

O Boca jogou feio, mas ganhou por 2 a 0 em casa e depois se aproveitou do regulamento para atuar nos contra-ataques e vencer por 3 a 1 no Morumbi. Foi a vitória da maturidade, da garra, da aplicação, contra o talento que se imaginou insuperável.

Vejo nessas críticas ao Santos e a alguns de seus jogadores que estiveram em campo, ontem, não meras “cornetadas”, mas alertas de que será difícil ser campeão jogando assim. E o que todos os santistas querem, mais do que comemorar a passagem para uma final, é buscar um caneco que é esperado há 48 anos.

Creio que as críticas são positivas, pois alertam para a possibilidade real de fracasso que acomete alguns times, principalmente na Libertadores. Trata-se de uma competição atípica, em que já vi equipes perderem jogos ganhos ao sofrer dois, três gols, em poucos minutos. Portanto, mesmo boas vantagens não podem ser consideradas definitivas.

Vamos sair com a camisa do Santos nas ruas, vamos pendurar bandeiras do Santos nas janelas, mas não vamos comemorar nada, ainda. Outros times se contentam em jogar finais, mas o Santos nasceu para ser campeão. Vamos continuar atentos, pois se o time relaxar, como fez no segundo tempo, ontem, o título e uma oportunidade única de, mais uma vez, fazer história, escorrerá pelas mãos.

Para que essas tristezas não voltem mais…

Só para perceber como é bom ficar esperto, reveja duas decisões em que o Santos era o favorito, perdeu o primeiro jogo fora de casa e acabou ficando sem o título.

Botafogo 1, Santos 2
Primeiro jogo da decisão do Brasileiro de 1995

Boca Juniors 2, Santos 0
Primeiro jogo da decisão da Libertadores de 2003

Você ainda acha que já se deve comemorar, ou é melhor esperar pela taça?


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