Este Bom Senso Futebol Clube liberado por Paulo André, Rogério Ceni e outros jogadores, toca em um ponto importante ao pedir a revisão do calendário do futebol brasileiro, mas se torna limitado e exclusivista ao deixar de levar em conta os anseios do torcedor, que é aquele que banca o espetáculo.

E ao pensar no torcedor, o próprio jogador profissional terá de fazer a mea culpa e admitir que um dos problemas mais sérios do futebol brasileiro atual é a má qualidade técnica deles próprios e o retranquismo da maioria dos técnicos, o que enfeia os jogos e reduz o público nos estádios, além de diminuir o interesse pelas transmissões de futebol na tevê.

Os melhores jogadores brasileiros estão fora do País e os que ficaram não conseguem praticar um futebol empolgante e nem ao menos são incentivados a isso pelos técnicos, cada vez mais defensivistas. Os grandes times, que já tiveram quatro, ou no mínimo três atacantes em um passado recente, hoje jogam com dois, um, ou nenhum, ao mesmo tempo em que entopem o meio-campo com três ou quatro volantes, escalados apenas marcar, destruir as jogadas adversárias, usando para isso encontrões, carrinhos, bicos na bola, enfim, nada que contribua esteticamente para melhorar o futebol.

Outra verdade é que os jogadores dos times grandes têm ganhado salários altos demais pelo que apresentam. Em 2013, tanto o clube de Paulo André, como o de Rogério Ceni, fizeram campanhas pífias – com riscos de rebaixamento no Brasileiro e um nível técnico e tático de segunda categoria –, apesar de investirem em uma alta folha de pagamentos e estruturas invejáveis. Não dá para culpar o calendário ou a falta de uma boa pré-temporada pelo futebolzinho que apresentaram. Faltou mesmo a decantada “qualidade” (o Corinthians ainda ganhou o Paulista e a Recopa no primeiro semestre, mas o São Paulo passou em branco).

Por outro lado, o suspeito protecionismo da Rede Globo a um time não ajudou nada no quesito credibilidade e fez com que muito torcedor deixasse de acompanhar o futebol pela tevê aberta, derrubando os índices do ibope. O Bom Senso depende de a tevê valorizar o espetáculo e a competitividade, e não estabelecer reserva de mercado a um clube que, mesmo ganhando muito mais dinheiro do que os outros, passou o ano empatando em 0 a 0.

Pedro Rocha, El Verdugo

Quando comecei minha carreira de repórter, no Jornal da Tarde, em 1977, ele ainda desfilava sua classe pelos campos, no meio de campo do São Paulo. Mesmo veterano, era o que puxava a fila nos treinamentos físicos. Alto, elegante, de futebol vistoso, Pedro Rocha era da mesma estirpe de Ademir da Guia, Mengálvio, Didi. Um dia lhe perguntei, já que enfrentou os dois maiores times da época, quem era melhor, o Real Madrid de Puskas e Di Stéfano, ou o Santos de Pelé, Coutinho, Zito & Cia. Ele respondeu: “Os dois eram grandes, mas o Santos era mais criativo”. Ontem, dia 2, Pedro Rocha morreu, aos 70 anos. Uma pena que não exista mais nenhum jogador brasileiro que possa ser comparado a ele.

Pra você, qual é o objetivo deste movimento Bom Senso FC?