Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Borussia Dortmund

A verdade e a politicagem

Em conversa com Tana Blaze, há duas semanas, oportunidade em que o conheci pessoalmente, ele disse que para evitar as desagradáveis reações que geralmente acompanham opiniões sinceras sobre o aspecto administrativo dos clubes, no caso o nosso Santos, não escreverá mais para o blog. Uma pena, claro. Pois o mundo da Internet e o mundo em geral seriam melhores se as pessoas pudessem ser sinceras e, mesmo assim, respeitadas. Evitaria a politicagem, a babação de ovo e também as dores de cotovelo tão comuns nas relações atuais. De qualquer forma, aproveitei nossa conversa e quis extrair dele, um homem experiente, acostumado a acompanhar o bem sucedido futebol europeu, quais seriam as saídas reais para o nosso Santos no quesito estádio.

Mesmo criado em São Vicente, Tana é um homem universal, cujas ideias não estão restritas a limites geográficos. Respondeu que o momento é bom para se comprar um belo terreno no melhor lugar para se erguer um estádio do Santos. Argumentei que o clube tem mais de 400 milhões de reais em dívidas, como poderia fazer isso? Ele explicou que não precisa comprar, mas conseguir uma opção de compra. Com essa opção de compra na mão, o clube atrairia empresas interessadas na parceria, pois quem não quer ser sócio de um estádio do Santos na Capital?

Na Capital?, estranhei, sabendo como essa informação mexeria com os humores de algumas pessoas. Tranquilamente, ele explicou que um investidor quer se envolver em um negócio à espera do maior retorno possível, e em São Paulo o Santos teria um público médio similar ao dos outros três grandes do Estado. Sempre foi assim, por que mudaria agora?

Como Tana mora em Munique e conhece muito bem o futebol alemão, argumentei que a cidade de Dortmund tem 580 mil habitantes, apenas 160 mil a mais do que Santos, e o estádio do Borussia Dortmund, que comporta exatos 81.359 espectadores, está quase sempre lotado. Por que Santos não poderia lotar um estádio com, ao menos, 28 mil pessoas, por exemplo?

Tana explicou, pacientemente, que, na verdade, Dortmund fica em uma região formada por outras cidades que no total somam cinco milhões de habitantes. Lembrou, ainda, que cerca de 15 mil lugares do estádio estão reservados para quem se sujeita a assistir aos jogos de pé. Geralmente os jovens optam por essa alternativa mais barata. Além do mais, cada jogo é muito bem promovido, com muitas facilidades para o torcedor.

Confessei a ele que torci muito para o pré-sal dar certo, pois Santos ganharia milhares de assalariados bem pagos pela Petrobrás e isso, certamente, aumentaria a média de público nos jogos na Vila Belmiro, hoje uma das menores da Série A do Brasileiro. Para complicar, a Usiminas e o Porto estão com dificuldades e aumentou o número de desempregados na cidade, assim como aumentou na Capital. Sem o rodízio de jogos entre Vila e Pacaembu, ressaltei, a média de público das partidas do Santos cairá ainda mais.

Tana só ouviu. Com o pragmatismo de um brasileiro-alemão que agora é, já tinha dito o mais importante que tinha a dizer e se calou. Concordei que o melhor lugar para um novo estádio do Santos, diante do momento econômico que o País atravessa e diante das projeções de crescimento para a metrópole e para a Baixada Santista, seria mesmo a região da Grande São Paulo, mas disse que ainda achava mais econômica a possibilidade de alugar o Pacaembu, quando preciso.

Quanto à formação dos Meninos da Vila, continuaria sendo feita na Vila Belmiro. Assim como a Flórida é a região das academias de tênis, por que Santos não poderia se transformar na cidade do futebol, atraindo jovens de todo o mundo para se aperfeiçoarem ali no esporte mais popular do planeta? Isso geraria empregos para os profissionais do futebol santista e movimentaria ainda mais o turismo da cidade. Tana gostou dessa ideia. A formação de jovens continuaria na aprazível Santos e os jogos seriam na efervescente São Paulo. O clube usufruiria o bom das duas regiões.

O patrocínio da Caixa

Tenho sido inquirido sobre esse provável patrocínio da Caixa ao Santos, que deve se confirmar no ano que vem. Para ser coerente com tudo o que já expusemos aqui, não sou favorável a que uma empresa estatal, ainda mais em situação financeira difícil, invista em clubes de futebol. Sei que alguns queridinhos pagaram e pagam suas dívidas graças a essas benesses, mas há tantas empresas privadas no mercado, que não vejo necessidade de se buscar dinheiro em uma estatal.

Presidente do Conselho aceitou abaixo-assinado

O presidente do Conselho Deliberativo do Santos, Fernando Gallotti Bonavides, deferiu o documento assinado por 80 conselheiros, pedindo que dê andamento ao processo de rejeição das contas do clube em 2015, o que exigirá as devidas explicações da diretoria presidida por Modesto Roma. Segue abaixo a íntegra do documento:

Santos, 5 de outubro de 2016.

Ofício nº 476/16.

Ilustres Senhores Conselheiros:

Considerando o requerimento assinado por 80 membros do Conselho Deliberativo, encaminhado à Presidência da Mesa Diretiva deste Egrégio Conselho, pelo Nobre Conselheiro Alberto Pfeifer Filho, no dia 30 de setembro p.p., solicitando a reconsideração da decisão da Mesa de se aguardar o trâmite processual da citada ação, em grau de recurso, alusiva as Demonstrações Financeiras do ano de 2.015 e examinado a invocação do “trâmite legal estabelecido no Estatuto Social do Clube”, em consonância a existência do interesse do Santos Futebol Clube na solução do impasse, a Mesa defere esse requerimento, encaminhando para o Conselho Fiscal, nos termos do artigo 93, § 6º; letra “e”, com os esclarecimentos prestados pela Gerência Jurídica do S.F.C., datada de 9 de maio de 2.106, para após, análise do respeitável Conselho Fiscal e expedição de “novo parecer”, conforme previsão Estatutária.

Atenciosamente;

Fernando Gallotti Bonavides
Presidente

Bolívia ou Alemanha?

Quem tem acompanhado as manifestações de júbilo de nossa imprensa esportiva pode até imaginar que o Brasil não goleou a débil Bolívia, mas sim a poderosa Alemanha. Com todo o respeito aos bolivianos, até este Santos, com suas conhecidas limitações, enfiaria um chocolate goela adentro dos nossos queridos vizinhos. Já tem gente comparando o Tite ao Rinus Mitchel. Menos, menos… Como não está dando para falar do alvinegro da capital, falam do Tite, do Renato Augusto e, às vezes, do Gabriel Jesus. Mas quem está arrebentando é o Neymar, como sempre.

Festa na embaixada de São José dos Campos

Alô, alô, santistas de São José dos Campos e região. Neste domingo, dia 9, a partir das 9 horas, a Embaixada do Peixe em São José dos Campos promove a festa “Futebol e Churrasco”, com a exposição da Taça de Campeão Paulista de 2016 e a apresentação da Nova Camisa III.
O evento será realizado na Associação Sabesp, na Travessa Lineu de Moura, 522, próximo ao Clube Santa Rita.
Contribuições para participar da festa:
Futebol: 10 reais.
Churrasco individual: 25 reais. Churrasco dupla: 40 reais. Número da rifa, com diversos prêmios: 10 reais para Sócio e 15 reais para não sócio.

Promoção dos livros Time dos Sonhos e Dossiê acaba neste domingo

Só para lembrar que nesse domingo, às 24 horas, acaba a promoção do livro Time dos Sonhos. Até lá, quem comprar apenas um exemplar do livro que é chamado A Bíblia do Santista, receberá mais um exemplar gratuitamente, ou, se preferir, um exemplar do Dossiê, além de três livros eletrônicos: Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time. Tudo isso por apenas 68 reais, com as despesas de correio incluídas.

A partir de segunda-feira a livraria do blog zerará o seu estoque e só voltará a funcionar em novembro. Se quer receber um livro nesse período, vá à página “Comprar Livros” neste blog, ou clique no link abaixo para comprar apenas um exemplar do livro Time dos Sonhos e receber outros quatro de presente:
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E você, o que acha disso?


Dá pra ser campeão!

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FALTAM MAIS SEIS!

Em um bom jogo, o Santos ganhou da Ponte Preta por 3 a 1 e passou para o quarto lugar no Campeonato Brasileiro, três pontos atrás do líder Palmeiras, que neste domingo enfrenta o Internacional no Rio Grande do Sul. Após essa vitória, faltam mais seis consecutivas – todas perfeitamente possíveis – para o Alvinegro Praiano assumir de vez a luta pelo seu nono título brasileiro.

Emissários do Barcelona e do Borussia Dortmund foram à Vila Belmiro assistir à partida, de olho em Lucas Lima e Gabriel. Um bom público, para o estádio, de quase 12 mil pagantes viu o jogo. Mesmo desfalcada, a Ponte foi um adversário valente e criou boas chances. O Santos também criou e não seria surpreendente se goleasse, por exemplo, por 6 a 2.

Apesar da boa vitória, muitos santistas – entre eles alguns comentaristas deste blog – estranharam o fato de o técnico Dorival Junior não ter colocado Yuri e Copete no time, já que ambos são os prováveis substitutos de Thiago Maia e Gabriel, que fizeram sua última partida antes de se apresentarem à Seleção Olímpica. Dorival preferiu Elano e Vecchio.

De qualquer forma, o time tem elenco para assumir a primeira posição do campeonato nas próximas rodadas. Mesmo sem o trio olímpico, ainda restarão jogadores bons suficientes para fazer a equipe brigar pela liderança de uma competição que é nivelada por baixo.

Santos 3 X 1 Ponte Preta
Vila Belmiro, 16/07/2016, 18h30
Público: 11.979 pagantes. Renda: R$ 364.360,00.
Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, Luiz Felipe, Gustavo Henrique e Zeca; Renato, Thiago Maia, Vitor Bueno e Lucas Lima (Elano); Gabriel (Vecchio) e Ricardo Oliveira (Rodrigão).Técnico: Dorival Júnior.
Ponte Preta: João Carlos, Nino Paraíba, Douglas Grolli, Fábio Ferreira, Reinaldo; Wendel, Maycon, Matheus Jesus (Felipe Menezes); Rhayner, William Pottker (Roger), Clayson (Giva). Técnico: Eduardo Baptista.
Gols: Victor Ferraz aos 21 minutos do primeiro tempo; Vitor Bueno aos 10, Gabriel aos 26 e Roger aos 39 do segundo.
Arbitragem: Marielson Alves Silva (BA – ASP-FIFA), auxiliado por Gustavo Rodrigues de Oliveira (SP – CBF) e Bruno Salgado Rizo (SP – ASP-FIFA).
Cartões amarelos: Zeca, Thiago Maia e Gabriel (Santos); Wendel e Willian Pottker (Ponte Preta).

Lançamento do livro do Guilherme Guarche
O historiador Guilherme Gomez Guarche, responsável pelo Departamento de Memória e Estatística do Santos – aqui ao lado do craque Negreiros – lançou o livro Memória Santista. Ainda não li, mas já gostei e recomendo (Foto: Pedro Ernesto Guerra Azevedo/ Santos FC).

E você, o que acha disso?


Espanha já era. Sigamos o modelo alemão!

estadio borussia
A espantosa fidelidade dos torcedores do Borussia Dortmund é retratada na frequência de seu estádio, cuja capacidade é de 80 mil pessoas e registrou média de 79.151 pessoas na última temporada.

Como diria meu amigo e grande texto do jornalismo esportivo Roberto Avallone, futebol é o momento. E o momento é todo alemão, com o Bayern sapecando 7 a 0 em dois jogos contra o decantado Barcelona do machucadinho Messi e o Borussia passando pelo empolado Real Madrid dos vaidosos portugueses Mourinho e Cristiano Ronaldo.

Mas fazer a final da Liga dos Campeões não é todo o mérito que o futebol da Alemanha tem hoje. Rico e organizado, ele é um exemplo em vários aspectos, a começar pela divisão igualitária das cotas de tevê. Lá, todos os 36 times da Primeira e Segunda Divisão recebem em princípio verbas idênticas da tevê, que aumentam de acordo com a classificação do time nos campeonatos.

No fim da temporada passada, o poderoso Bayern de Munique recebeu 29,96 milhões de euros da tevê, enquanto o humilde Saint Pauli, rebaixado para a Segunda Divisão, recebeu 13,2 milhões, ou 44% da cota paga ao Bayern.

Na Espanha, onde se aposta na fórmula que privilegia apenas dois times, Barcelona e Real Madrid recebem mais do que o triplo do terceiro. Real e Barça ganham 140 milhões de euros por temporada, enquanto o Valencia recebe 40 milhões, ou 30% dos dois queridinhos. Essa divisão desigual tirou toda a competitividade do Campeonato Espanhol, que, assim como o Gaúcho ou o Mineiro, ficou restrito à disputa particular entre duas equipes.

No Brasil, em que a Rede Globo, aproveitando-se da implosão do clube dos Treze, adotou a negociação individual com os clubes e passou a destinar as maiores verbas para Corinthians e Flamengo, numa política semelhante à adotada na Espanha, a desigualdade já atinge níveis alarmantes.

Enquanto o Alvinegro de Itaquera recebe 112 milhões de reais por ano, o Fluminense, duas vezes campeão brasileiro nas ultimas três temporadas, fica com apenas 29 milhões, ou 25%; e o Bahia duas vezes campeão brasileiro e primeiro representante do Brasil na Copa Libertadores, recebe 15 milhões, ou 13,3%.

Esse desequilíbrio pode acabar justamente com o que o futebol brasileiro tem de mais precioso, e que é a competitividade, hoje uma dádiva pretendida também pela Espanha, que já percebeu a ineficiência de seu modelo.

Na Alemanha, nove clubes grandes!

Muito diferente dos países cujo futebol vive de uma eterna polarização, na Alemanha há noves clubes considerados grandes. São eles:

Bayern de Munique, 171.345 sócios e média de público em seu estádio de 69 mil pessoas;
FC Schalke, 100.426 sócios e média de público de 61.320;
Hamburgo SV, 70.920 sócios e média de 54.446;
Borussia Dortmund, 60.000 sócios e média de 79.151;
Colônia, 53.987 sócios;
Borussia Mönchengladbach, 50.000 sócios;
VfB Stuttgart, 43.866 sócios;
Werder Bremen, 40.400 sócios e
Hertha BSC, 29.330 sócios.

Para maiores informações sobre o futebol alemão, entre aqui:
http://sinopsedofutebol.blogspot.com.br/2012/04/maiores-da-alemanha.html

Enfim, está mais do que evidente que o modelo espanhol é um equívoco, tanto assim que já está sendo abandonado pela própria Espanha. Jogar todas as fichas em apenas dois clubes é temerário e desanimador, pois prejudica o nível geral das competições e diminui o interesse nacional pelo esporte – o que influi diretamente na queda das arrecadações e na verba de patrocínio.

E na Europa ainda há a vantagem de se jogar competições internacionais de enorme visibilidade e altíssimas premiações, o que não ocorre no Brasil e na América do Sul, em que competições regionais, como os Estaduais de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul pagam mais do que a Libertadores.

E você, acha que a espanholização está com os dias contados?


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