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Neymar, Ganso, Felipe Anderson – este é o trio pra Libertadores

Neste sexta-feira os programas esportivos vão dizer e repetir que Neymar ganhou o jogo sozinho, ontem, em Ribeirão Preto, transformando uma derrota vexatória em uma goleada incomum.

Sim, em dois minutos Neymar fez um gol, de cabeça, roubou uma bola, sofreu pênalti e ele mesmo cobrou para virar a partida que o Santos perdia para o Botafogo, um dos piores times do Campeonato Paulista.

Depois, Neymar fez mais um e Felipe Amderson completou a goleada por 4 a 1, um resultado inédito em se tratando do técnico Muricy Ramalho, um adepto do “faz um e segura o resultado”.

Mudanças fundamentais

Porém, o Santos começou a virar o jogo quando Pará ficou no vestiário ao fim do primeiro tempo. Pará num dá! Pará num dá! Pará num dá! O estreante Fucile se esforçou um pouquinho e já foi melhor.

Depois, saiu o lateral-esquerdo Paulo Henrique, por cãibras, e entrou Felipe Anderson. Esta mudança é que realmente mudou a cara do Santos. Com dois jogadores capazes de produzir bons lançamentos – Ganso e Felipe Anderson -, as possibilidades começaram a aparecer.

Neymar decidiu o jogo não só com sua genialidade, mas com sua personalidade. Ele é um vencedor, um guerreiro, um ser humano especial – que não se abate com o insucesso, mas continua tentando, como bem lembrou desta vez o comentarista Mauricio Noriega.

Perto de Neymar, Elano, o eterno deprê, é um garoto chorão, que tem jogado muito pouco e ainda sai de campo reclamando. Perto de Neymar, os outros jogadores de linha do Santos – com exceção de Ganso e Felipe Anderson – não passam de medianos.

Hoje gostei muito de Felipe Anderson. O garoto entrou com personalidade e em 15 minutos mostrou mais futebol do que Elano nas últimas dez partidas. Para mim, Felipe ganhou a posição.

Por sorte, Muricy não tinha Íbson no banco, pois teria colocado o bonde carioca em campo, no lugar de Elano. Por sorte Maranhão também não estava à disposição. E assim surgiu um arremedo de time.

Rafael, Fucile, Bruno Rodrigo, Vinícius Simon e Paulo Henrique; Arouca, Felipe Anderson e Ganso; Neymar, Borges, Alan Kardec (ou Rentería).

Eu sairia com este time na Copa Libertadores. Sei que é preciso ter coragem para colocar Elano, Íbson, Durval e Edu Dracena no banco, e sei que Muricy Ramalho não é afeito a atitudes muito corajosas.

É claro que Muricy voltará com Dracena, Elano e/ou Íbson logo que puder. Porém, se ele impedir que Paulo Henrique Ganso e Felipe Anderson joguem juntos, é porque lhe falta massa encefálica.

Contra o Botafogo ficou evidente, claríssimo, cristalino, que é impossível impedir que tanto Ganso como Felipe Anderson deixem os companheiros na chamada cara do gol. Como marcaram o Ganso, sobrou liberdade para Felipe, que no terceiro gol do Santos, e de Neymar, deu um passe antológico, digno de Ailton Lira, Pita e do próprio Ganso nos seus melhores dias.

Neymar é o cara, o craque que ontem fez muitos jovens virarem santistas e que fez a garotada de Ribeirão ir mais feliz na noite quente. Mas gravem bem o nome de Felipe Anderson. Ele, Ganso e Neymar podem fazer um tripé irresistível. Só espero que o professor tenha prestado atenção nessa aula.

E você, o que achou de Botafogo/SP 1, Santos 4?


História dos confrontos entre Santos e Botafogo/SP

Por Wesley Miranda

Santos e Botafogo SP se enfrentaram 87 vezes na história, e a vantagem é amplamente alvinegra, com 52 vitórias contra 15 vitórias tricolores e 20 empates. O Peixe marcou 194 gols e sofreu 92.

Em Campeonatos Paulistas são 80 jogos, com 49 vitórias do Santos contra 12 do Bota e 19 empates. O Santos balançou as redes adversárias 181 vezes e sofreu 80 gols. Saldo de 101!

Vitórias, empates e derrotas do Santos contra o Botafogo/SP
Paulista: 49,19,12
Brasileiro (1º jogo em 1977): 2,0,2
Amistoso: 1, 1, 1

Primeiro jogo
Amistoso em Ribeirão Preto em 07/05/1950, com empate de 2 a 2.

Artilheiro do duelo
Para variar o artilheiro do confronto é Pelé, com 40 gols. O Botafogo é o 4º time que mais sofreu gols do Rei do futebol. Em 25 jogos, foram 22 vitórias de Pelé, contra apenas 2 derrotas e 1 empate. Como sempre trago uma história sobre o artilheiro do confronto, lá vai ela:

Pelé, literalmente, em dia de fúria
Manhã de 21 de novembro de 1964. Santos e Botafogo se enfrentariam à tarde, na Vila Belmiro, e para espairecer um pouco a cabeça da concentração, Pelé e Lima pediram para o técnico Lula para dar uma volta. Aceito o pedido, Pelé resolveu pegar emprestado o carro do torcedor Jorge Abdula. Importado, o carro era um Cadillac Eldorado automático. Só havia cinco desses no Brasil.

Com um carro tão possante nas mãos, Pelé resolveu testar a velocidade da máquina e engatou a marcha mais rápida. Só que, na verdade, o Rei engatou a marcha à ré, fazendo a caixa de cambio estourar. Quando o proprietário do veículo chegou, nem quis ouvir as explicações do Rei e providenciou logo outro carro para eles voltarem para a concentração. Irritado, Pelé não aceitou nenhum tipo de gozação. Para ele, o carro era diferente, o carro é que tinha problemas.

O Santos entrou em campo e Pelé, enfurecido ou inspirado, descontou tudo no Botinha, marcando oito gols da vitória de 11 a 0. Pepe, Coutinho e Toninho Guerreiro fecharam o placar. Pobre Botafogo. Os oito gols marcados por Pelé quebraram um recorde que pertencia a Araken Patusca, que havia marcado sete gols na vitória de 12 a 1 diante do Ypiranga em 1927.

Recorde nacional de gols em um único jogo, a marca de Pelé só foi superada 12 anos depois, por Dario, o Dadá Maravilha, que marcou dez vezes na goleada do Sport sobre o Santo Amaro por 14 a 0. Mas Pelé ainda detém o recorde do futebol paulista e do Santos. E tudo começou com uma voltinha de Cadillac pela manhã….

Um lance histórico
Na série lances que serão eternamente lembrados e imitados, temos a magnifica carretilha de Kaneko que saiu em um Santos 5 x 1 Botafogo na Vila Belmiro em 09/03/68, com gols de Toninho(3) Pelé e Negreiros.

Kaneko que jogou apenas 19 partidas no Santos marcando um gol, gravou seu nome na história do futebol ao criar o lance que de início foi batizado pela imprensa como “lençol psicodélico!”

Gol número 100, artilharia e despedida
Pela última rodada do Paulistão de 1996, o Santos estreava seu terceiro calção diferente no certame contra o Botafogo, em partida realizada em 6 de junho. Apesar do campeonato já decidido, o Santos lutava pelo segundo lugar no segundo turno e pela artilharia isolada de G10vanni, que empatava com Luizão, 22 gols.

O primeiro gol do Messias, o 23º no campeonato, foi também o centésimo na carreira do ídolo paraense. E o camisa 10 marcou também o segundo tento, chegando a 24 gols no campeonato. Com isso, Giovanni quebrou um jejum de 12 anos sem artilheiros santistas no Paulistão. A nota triste foi que alguns dias depois foi revelado que o meia tinha sido negociado com o Barcelona, pela quantia recorde de 9,6 milhões de dólares. Esses foram os últimos gols do craque nessa brilhante primeira passagem de 104 jogos, 69 gols e lances geniais que ficaram na memória do torcedor santista.

Últimos confrontos
No dia 22/02/2009, véspera de Carnaval, mais de 20 mil pessoas foram ao Pacaembu e viram o Santos bater o Botafogo por 1 a 0, com gol do zagueiro Fabão cobrando falta de longa distância. Esse jogo também marcou a aposentadoria da camisa azul, que foi usada apenas duas vezes (em 2012 o azul voltará a ser uniforme do Santos).

Em 25/03/2010 o Santos goleou o Botafogo por 4 a 2, jogando em Ribeirão Preto, e se classificou antecipadamente para as semifinais do Paulistão. Os gols foram de Marquinho(2) Ganso e Zé Eduardo.

Na última partida entre ambos, em 12/03/2011, na Vila Belmiro, o Santos venceu por 2 a 1. Os gols foram de Elano – que marcava seu nono gol no Estadual e assumia a artilharia – e Ganso, que voltava a jogar depois de 199 dias recuperando-se de uma grave contusão.

E hoje, será que o time de Muricy alucina e goleia o Botinha?


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