O Santos não fez uma boa partida em Bragança Paulista, mas mesmo assim poderia ter saído com a vitória caso já pudesse contar com Marcos Assunção, que dificilmente desperdiçaria tantas cobranças de falta da entrada da área. De qualquer forma, o empate de 2 a 2, conseguido no finalzinho, mantém o time invicto e líder do Campeonato Paulista.

Para resumir o jogo, faltou solidariedade ao Santos e sobrou vontade ao Bragantino, que esteve na frente do marcador por duas vezes. Raphael Andrade fez 1 a 0 aproveitando um escanteio para cabecear no canto, aos 27 minutos do primeiro tempo. O goleiro Rafael pulou atrasado e o Bragantino terminou a primeira etapa na frente.

Logo no início do segundo tempo Montillo dominou a bola no meio do campo, driblou dois adversários e serviu Cícero, que empatou com um chute cruzado. Quanto parecia que o Santos caminharia para a virada, Diego Macedo entortou Guilherme Santos e bateu de fora da área, no canto esquerdo de Rafael, no lance mais bonito do jogo.

Mesmo jogando melhor, o Bragantino recuou para segurar a vitória e cedeu terreno ao Santos, que de tanto pressionar acabou chegando ao empate aos 45 minutos, após arrancada de Neymar pela esquerda e passe para Miralles, que sofreu pênalti. Neymar cobrou, à meia altura, no canto direito, e impediu que o Santos perdesse a liderança.

Neymar não jogou bem, mas foi decisivo

A atuação de Neymar foi um paradoxo completo. Se jogasse por um grande time europeu certamente teria sido substituído. Individualista ao extremo, em várias oportunidades segurou a bola até perde-la, em vez de tocá-la para um companheiro. Egoísta, não deixou ninguém mais cobrar as faltas próximas ao gol do Bragantino e, apesar de bater bem na bola, chutou todas para fora.

No entanto, do mesmo Neymar brotaram cartões amarelos para quatro jogadores do Bragantino e de seus pés saiu o passe para Miralles, no lance do pênalti, e também o gol de empate na cobrança do mesmo pênalti. Ou seja: vale a pena deixar Neymar em campo mesmo quando está jogando mal.

Mas não acho que a mesma regra valha para André, que novamente decepcionou – a ponto de perder dois gols no primeiro tempo –, mas só foi substituído por Miralles aos 20 minutos da segunda etapa. Outro que merecia sair antes era o lateral-esquerdo Guilherme Santos. Com uma incrível dificuldade na marcação, Guilherme levou um baile de Malaquias e depois de Diego Macedo.

O volante Renê Junior, que chegou a ser aplaudido na partida do meio da semana contra o Botafogo, desta vez não foi tão bem e acabou substituído por Pinga, que não teve tempo de mostrar seu futebol.

Regular e versátil, Cícero foi um dos destaques do Santos, seguido por Montillo, que mesmo perdendo algumas bolas bobas começou a mostrar o que vale. Gostei também de Arouca.

Reconheço que Neymar foi decisivo, mas creio que ele precise rever sua forma de atuar. Ele se dá o direito de perder quantas bolas quiser, mas parece impaciente demais quando um jogador não lhe dá o passe em uma jogada de ataque. Esse tipo de comportamento desagrega o grupo e impede que o Santos alcance as vitórias com maior tranqüilidade. Se ele é o mais marcado do Santos, transferir a bola a quem está livre é bem mais inteligente.

Desta vez o santista não pode reclamar da arbitragem. O árbitro Raphael Claus foi muito bem ao marcar o pênalti em Miralles – que deve passar a ser o centroavante titular –, mas pouco antes não viu falta em Lincom, na entrada da área santista.

Enfim, a impressão após a fácil vitória sobre o Botafogo, de que o Santos era um time quase pronto, não se repetiu em Bragança. Ficou evidente que os laterais, principalmente Guilherme Santos, são bem falhos na marcação; que o goleiro Rafael anda meio distraído e que insistir com André é forçar o time a jogar com um a menos.

E você, o que achou de Bragantino 2, Santos 2?