Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

film izle

Tag: Brinco de Ouro

Hoje a vitória vale a vice-liderança!

Hoje, a partir das 19h30m, no Brinco de Ouro, em Campinas, o Santos joga por uma vitória sobre o Guarani para assumir a vice-liderança do Campeonato Paulista. Mesmo sem Neymar, Paulo Henrique Ganso e Rafael, que ontem serviram à Seleção Brasileira, o time que Muricy Ramalho pode por em campo é forte o suficiente para obter o sexto triunfo consecutivo. E será uma ótima oportunidade para jogadores como Elano, Íbson e Alan Kardec provarem que merecem ser mais do que meros coadjuvantes (o jogo terá transmissão do Sportv).

Is me esquecendo de outro desfalque, o lateral-direito Fucile, convocado pela Seleção do Uruguai. Ele deverá ser substituído pelo jovem Crystian, que apóia bem, mas defende mal. Aliás, Crystian às vezes é tão errático na marcação que não me surpreenderia se Muricy escalasse Elano ou Arouca na lateral-direita.

Como o Alvinegro Praiano tem jogado cada vez melhor e vem de cinco vitórias consecutivas, não creio que Muricy escalará Anderson Carvalho e Felipe Anderson. A tendência é a de que mantenha o meio-campo com Arouca e Henrique como volantes e ìbson e Elano um pouco mais à frente. No ataque, sem Neymar, Alan Karde deverá fazer dupla com Borges. Porém, se Kardec repetir suas últimas más atuações, é bem provável que Dimba entre no segundo tempo.

A defesa deverá ser composta por Aranha – o ex-goleiro da Ponte Preta que jamais perdeu para o Guarani, Crystian, Edu Dracena, Durval e Juan. Do Guarani, pouco sei. Só posso adiantar que é um time com 100% de aproveitamento em casa e tem um ótimo técnico, o experiente Vadão. Além disso, o time de Campinas tem dois jogadores que já vestiram a camisa alvinegra da Vila: o zagueiro Domingos, que volta de suspensão, e o meia Fumagalli.

Neymar foi aplaudido ao sair de campo!

Estranhei quando li no UOL, na narração de lance a lance do jogo de onterm da Seleção Brasileira, que Neymar tinha saído de campo vaiado. Por que seria? Racismo? Intolerância natural dos torcedores contrários? Alguma provocação do ídolo brasileiro? Como não pude assistir ao jogo ao vivo, peguei o reprise à noite, de cabo a rabo. Para variar, Neymar foi o melhor jogador em campo: o mais habilidoso, corajoso e participativo. E não cometeu nenhuma indisciplina. Prestei atenção em sua saída de campo e só ouvi aplausos. Pois bem, depois ouvi o repórter Marcelo Barreto, correspondente em Londres do Sportv, dizer justamente isso: Que o jogo provou que hoje Neymar é bem mais ídolo do que Ronaldinho Gaúcho, que não tem jogado nada, e terminou afirmando que ao sair de campo, o craque santista foi aplaudido. E Barreto, antes que já insinuem coisas, não é santista. É apenas jornalista!

É suspeito escalar o árbitro Evandro Rogério Roman para Santos e Internacional?

Santistas estão estranhando o fato de a Conmebol escalar o árbitro gaúcho Evandro Rogério Roman para o jogo Santos e Internacional, na Vila Belmiro. Dizem que, mesmo radicado no Paraná, o rapaz não esconde sua preferência pelo colorado. Pesquisando suas atuações, percebi que já foi suspenso por não punir uma infinidade de faltas em Cléber, quando o atacante defendia o Cruzeiro. Mas não encontrei nenhum grande erro do árbitro em jogos do Santos. Porém, seria tão mais fácil se a Conmebol escalasse um árbitro estrangeiro, não?

Confrontos entre Santos e Guarani

Por Wesley Miranda

Santos e Guarani já se enfrentaram 176 vezes, e o Santos tem uma grande vantagem com 94 vitórias contra 44 derrotas e 38 empates. O Peixe marcou 364 gols e sofreu 224. Em Campeonatos Paulistas são 112 jogos com 64 vitórias santistas contra 29 vitórias bugrinas e 19 empates. O alvinegro marcou 232 e o alviverde 134.

Brasileiros: 13, 13, 6
C. do Brasil: 1, 0, 1
Rio-SP : 1, 0, 1
Paulistão: 64, 19, 29
Amistosos: 15, 12, 7
e outros

E para variar…
O grande artilheiro do confronto é Pelé. O Rei jogou 33 vezes contra o Guarani, vencendo 24, perdendo 4 e empatando 5! Por três vezes o rei marcou 4 gols em uma partida, no 8 a 1 de 1957, no 7 a 1 de 1959 e no 7 a 0 de 1965. E esse jogo que destaco para verem, apesar da imagem não estar muito boa!

O vice artilheiro com 16 gols é o Feitiço, e ele também merece destaque

Aqui se faz aqui se paga I
Em 1927 na estreia de Luis Matoso, o Feitiço, o Santos jogou um amistoso contra o Guarani na Vila Belmiro. O primeiro tempo terminou com uma sonora goleada santista por 5 a 0, até ai tudo ocorria bem. Na volta do intervalo, o Santos tomou uma de suas maiores viradas na história, perdendo por 6 a 5, e com o time campineiro com 1 a menos. Isso não ficaria barato.

Menos de quatro meses depois as equipes se enfrentaram na mesma Vila Belmiro pela estréia do Paulista, e era a hora da vingança. E com 4 de Araken, 3 do agora entrosado Feitiço, 2 de Camarão e 1 de Omar, o Santos aplicou um espetacular 10 a 1!
Nota especial para o 6º gol do Santos: Depois de driblar dois jogadores e o goleiro, Feitiço parou a bola em cima da linha do gol, levantou a mão mostrando cinco dedos, em seguida levantou a outra mão com um dedo e rolou para dentro do gol, fazendo a torcida delirar! Esse era o polêmico Feitiço, um dos maiores goleadores da história do Santos!

Goleadas do Santos
Ao longo desses 87 anos de confrontos o Santos aplicou muitas goleadas no clube campineiro, sendo duas vezes por 10 gols, essa de 1927, e uma de 10 a 2 em um amistoso na Vila, com gols de Coutinho (3), Mengálvio (3), Pelé (2), Dorval e Sormani. Um dos gols de Coutinho foi o de número .5000 da história do Santos!

Seguem as outras sonoras goleadas
8 a 1: 1957, 1958 e 2010
7 a 0: 1965
7 a 1: 1958
7 a 2: 1952
6 a 1: 1957 e 1964

O título do Santos e a entrega das faixas no Brinco
Com uma goleada no Brinco de Ouro da Princesa por 7 a 1 no dia 14/12/1961, com 4 de Pelé, 1 de Pepe, 1 de Dorval e 1 contra, o Santos abria 4 pontos frente ao 2º colocado, o São Paulo e se sagrava campeão Paulista daquele ano. O Santos, que ainda cumpriu tabela contra o vice, terminou o campeonato com 29 vitórias, 6 empates, 3 derrotas e a expressiva marca de 148 gols marcados. De quebra, Pelé foi artilheiro do campeonato com 47 gols marcados!

Após a vitória por 4 a 0 sobre o Juventus, na Vila Belmiro, que lhe garantiu o título paulista de 65 com 3 rodadas de antecedência ,o Santos foi jogar em Campinas contra o Guarani de Dalmo Gaspar e ganhou por 1 a 0 com gol de Pelé. Além da ótima partida destacada em jornais na época, a nota do jogo foi a entrega das faixas para o Santos!

Campeão Brasileiro de 1978 x Meninos da Vila
O futebol campineiro era muito forte no fim dos anos 70, tanto que o Guarani se sagrou campeão Brasileiro em 1978. E foi esse mesmo time que enfrentou os meninos da Vila, na semifinal do Paulistão 78, em jogo realizado no dia 16/06/1979. O Guarani era franco favorito, com Careca, Zenon, Renato pé murcho, contra um Santos desfalcado de Vitor, Neto, Clodoaldo, Nílton Batata e Aílton Lira.

Mas, em bela exibição de João Paulo (1 gol e duas assistências) e Juary (2 gols), o Santos contrariou as expectativas e ganhou de 3 a 1 no Morumbi e carimbou o passaporte para a grande decisão frente ao São Paulo FC.

Aqui se faz aqui se paga II
Em partida valida pelo Brasileiro de 1994, Santos e Guarani se enfrentaram no Brinco de Ouro. E impiedosamente o surpreendente Guarani goleou o Santos por 4 a 0, com 2 de Luizão e 2 de Amoroso, um deles um golaço, com um pique do meio campo. Isso não ficaria barato.

Menos de sete meses depois, os times se enfrentariam no mesmo Brinco de Ouro, em partida valida pelo Paulista, e com 1 de Marcelo Passos e 2 do Messias G10vanni o Santos ganhou por 3 a 1. Lembra do gol do Amoroso em 94? O G10vanni pagou com a mesma moeda!

Em 1995, um adversário indigesto
Depois de perder no Barradão por 4 a 0 para o Vitória, o Santos tinha a difícil missão de somar 22 pontos em 24 disputados. Então começou o calvário: Na Vila, Santos 4×1 Grêmio, no Maracanã 3×0 contra o Flamengo, empate 0x0 contra o Paraná fora de casa, 3×0 contra o Corinthians na Vila Belmiro, 1×0 contra o Palmeiras/Parmalat no Pacaembu, 2×1 contra o Paysandu na Vila, 3×1 contra o Botafogo na Vila, e o Santos chegou à ultima rodada precisando de uma vitória simples contra o Guarani. Como o time campineiro não tinha mais chances de título, mandou seu jogo no Pacaembu, mas nem por isso se desinteressou pela partida, já que o “bicho” do Atlético MG, que dependia de pelo menos um empate do Santos, era muito grande.

O jogo foi tenso, amarrado, o goleiro uruguaio Léo, do Guarani, parecia uma muralha. Tudo se encaminhava para a desclassificação santista quando, aos 38 minutos do 2º tempo, Marcelo Passos acertou um de seus belos chutes e levou os 22 mil santistas no Pacaembu ao delírio. Era o gol da classificação! Ainda restou tempo para Giovanni marcar o 2º gol, o seu 13º no certame! O Santos voltava a ser destaque no cenário nacional depois de 12 anos!

A última goleada e um recorde
No dia de aniversário de 98 anos do Santos, nada melhor que comemorar da forma que mais identifica o Peixe; com muitos gols! E o Santos ganhou de 8 a 1, com 2 de Robinho, 1 de Marcel e 5 de Neymar, o que colocou o atual ídolo como o recordista de gols em uma partida contra o Guarani!

Tiago Leifert apresenta: Santos 8 x 1 Guarani. Lembra a festa? Reveja:

E para você, como será Santos e Guarani, logo mais?


Santos rende o máximo sem Neymar e não sai do zero

Sem Neymar, que, suspenso por Dorival Junior, assistiu ao jogo das tribunas do estádio Brinco de Ouro, o Santos empatou com o Guarani em 0 a 0 e perdeu ótima oportunidade de ficar a apenas sete pontos do líder Corinthians – seu próximo adversário, quarta-feira, na Vila Belmiro.

O time só se tornou um pouco mais agressivo a partir dos 15 minutos do segundo tempo, quando Marquinhos foi substituído por Alan Patrick. Dois minutos depois, Zé Eduardo cedeu seu lugar a Tiago Luís. Porém dez minutos depois Dorival tirou Madson para colocar o indefectível Marcel, dando aos santistas a certeza de que dificilmente o time faria ao menos um gol.

O Guarani, que não contou com Mazola, seu principal jogador, valeu-se das arrancadas do lateral-direito Apodi, o único a levar algum perigo à meta de Rafael. Léo e Tiago Luís receberam cartões amarelos justamente por faltas sobre Apodi.

Neymar participou da oração

Conforme o roteiro traçado pela diretoria, Neymar foi a Campinas, entrou no vestiário do Santos, conversou com os colegas e participou da oração antes do jogo. Depois, foi ver a partida dos camarotes. Dorival disse que “isso mostra que ele faz parte do grupo”. Ufa, ainda bem, será que Dorival queria expulsar Neymar do Santos?

Sem o Menino de Ouro, como se esperava, o Santos perdeu o toque rápido e a possibilidade do drible que fura a barreira adversária, ou provoca faltas. Diante disso, o máximo que o time poderia conseguir era terminar o jogo como começou, em 0 a 0. Ao menos isso conseguiu.

A impressão que ficou é que com Neymar o Santos ganharia o jogo, pois mesmo sem ele o time teve mais chances do que o Guarani. Marquinhos e Alan Patrick deram bons chutes, bem defendidos por Douglas, e Zé Edurado tentou encobrir o goleiro e jogou a bola para fora.

Contra o Corinthians, juventude e velocidade

Além da volta obrigatória de Neymar, o Santos terá de ser ousado se quiser vencer o Corinthians na quarta-feira e manter vivo o sonho de chegar ao título. Em Campinas ficou evidente que a entrada de Alan Patrick torna o time bem mais criativo e perigoso.

Pelas limitações do elenco, agravadas pelas contusões de Keirrison, Zezinho e Rodriguinho, é de se esperar que, além de escalar os rápidos e habilidosos Neymar e Alan Patrick, Dorival Junior inicie a partida com Madson e Zé Eduardo, ou Tiago Luís.

Só mesmo muita velocidade, aliada à habilidade e determinação, poderão fazer com que o Santos vença o Corinthians, líder e melhor equipe da competição até aqui, que terá a volta de Rolando.

O que você achou do empate de 0 a 0 contra o Guiarani, e como o Santos deverá ser escalado contra o Corinthians, na quarta-feira?


Crônica de uma derrota anunciada

A derrota que o Santos sofreu para ele mesmo, fora dos campos, já estava prevista. O fato de ser um clube que revela muitos jovens e não ter profissionais habilitados para lidar com eles, só pode dar nos incidentes que estamos presenciando. O caso Neymar é apenas o último e mais conhecido. Quem vive o ambiente do clube sabe que Dorival é como um professor em uma classe de alunos rebeldes. A necessidade de um departamento de psicologia esportiva é tão urgente no Santos, que este blog já tratou deste assunto há mais de duas semanas. Veja: http://blogdoodir.com.br/?p=1792

Técnicos não gostam de dividir a ascendência sobre os jogadores com um psicólogo. Costumam desmerecer e desqualificar estes profissionais, que acabam durando pouco nos clubes. Porém, fica a pergunta: Técnicos de futebol são capazes de lidar com a cabeça e o comportamento de atletas, principalmente dos mais jovens e rebeldes?

Este episódio Dorival Junior x Neymar mostra que não. Perdido e sem fazer o que fazer, o técnico recorreu à presidência do clube para dar uma punição exemplar ao garoto que, menos de uma semana antes, ele defendia nas entrevistas.

Ironia: Dorival pedia para que fosse coibida a violência contra Neymar e ele próprio perpetua a maior violência que este garoto já sofreu em sua carreira. Multado, o jovem craque foi obrigado a pedir desculpas publicamente e ainda acabou suspenso. E o pior é que Dorival ainda não está satisfeito.

O que se passa pela cabeça do Dorival?

Muitos se perguntam o que se passa pela cabeça de Neymar, mas por que também não perguntar o que se passa na cabeça de Dorival Junior? Na do garoto é fácil descobrir: quer justificar a fama e o novo salário, quer fazer gols (e por isso insistiu em cobrar o pênalti), quer ver o Santos ganhando e, se possível, ajudar a equipe a conquistar o terceiro título no ano.

Mas o que levou Dorival a pedir essa punição mais dura para Neymar? Cansado de ver sua autoridade desrespeitada, o técnico quer, através do maior craque, dar um recado a todos os outros jogadores de que não tolerará mais qualquer indisciplina? É uma possibilidade.

Mas por que o técnico não se contentou com a multa e o pedido de desculpas? Não sabia que ao insistir na suspensão estaria indo contra o desejo da presidência e os interesses do clube, que fez um esforço supremo para manter seu Menino de Ouro no Brasil?

Será que Dorival acha que mesmo sem Neymar o Santos pode continuar sonhando com a decantada tríplice coroa? Ou, consciente das limitações do elenco, o treinador já abandonou suas pretensões de título e está mais interessado em salvaguardar seu orgulho e sua imagem profissional?

Os incomodados que de mudem

Se um ambiente o incomoda e você é uma pessoa digna, de caráter, o que faz? Se manda, pega o seu boné e vai embora. A insistência de Dorival nesta punição a Neymar chega a ser estranha e demonstra uma vontade de desafiar não só o jogador, mas a liderança do clube.

Sua entrevista a Ademir Quintino, na sexta-feira, dizendo que não pediu demissão, deixa claro, ao menos pra mim, o que já sei de outros técnicos: se os clubes quiserem demiti-los, que paguem a multa.

Não sei as bases do contrato de Dorival Junior, mas, como a intenção dessa diretoria era manter seu trabalho por longo tempo, imagino que a multa deve ser astronômica. Mandá-lo embora oneraria ainda mais os cofres do clube, que já estão combalidos.

O Santos se comprometeu a pagar rendimentos mensais superiores a 600 mil reais a Neymar. Segundo o ex-presidente Marcelo Teixeira, o clube lhe deve R$ 29 milhões. Portanto, uma onerosa causa trabalhista é tudo que o Santos não quer agora.

Dorival jogou com esta situação para, pela primeira vez, mostrar alguma autoridade como técnico do Santos? Ou, você acredita, ele age simplesmente como um ser humano ferido em seus brios?

Em campo, hoje, o Santos que restou

Além de todos os desfalques que tem tido, hoje, contra o Guarani, ás 16 horas, o Santos não contará com o lateral-direito Pará, que sofreu um acidente de carro e machucou o joelho. Dorival deverá escalar o time com Rafael, Danilo, Edu Dracena, Durval e Léo; Arouca, Roberto Brum, Alex Sandro e Marquinhos; Zé Eduardo (ou Madson) e Marcel.

Engraçado é que o técnico nunca põe os amigos Madson e Zé Eduardo juntos. A boa convivência que têm fora de campo poderia ajudar. Hoje era um dia para escalar os dois mais à frente, com o Alan Patrick no meio, no lugar de Alex Sandro.

Porém, dentro do que restou, não dava mesmo para fazer milagres. Se perder, Dorival responsabilizará as limitações do elenco. Se ganhar, sairá como herói e poderá insistir em manter Neymar afastado também do próximo jogo, contra o Corinthians.

Já li, em outros blogs, santistas dizendo que vão torcer para uma derrota, hoje, para que Neymar volte contra o Corinthians. Mas o melhor mesmo, apesar de muito difícil, seria que o time ganhasse seus próximos cinco jogos, o que o colocaria na primeira ou segunda posição do campeonato.

A lógica, porém, indica que o Santos não conseguirá vencer nem a partida desta tarde, contra o ascendente Guarani dirigido por Wagner Mancini. Recentemente, no mesmo Brinco de Ouro, o time de Campinas venceu Fluminense e Flamengo, ambos de virada.

E você, o que espera do jogo de logo mais, no Brinco de Ouro, contra o Guarani? Mesmo sem Neymar, será que dá uma vitória do Santos?


O futebol brasileiro não precisa mais ser deficitário

A Vila nos tempos em que o Santos vivia só da bilheteria

Poucas marcas são tão conhecidas no Brasil como a do Flamengo. No entanto, nenhum outro clube deve tanto neste país. Há coisa de seis meses, Leonardo, hoje dirigente do Milan, disse que a dívida do rubro-negro era “impagável”. Uma fonte confidenciou-me que chegava a R$ 1 bilhão. Mesmo com os juros bancários mais baixos que se encontrar, é fácil perceber que a estrutura atual do futebol nacional não permite que se quite esse enorme passivo.

Outra agremiação de grande contingente de torcedores é o Corinthians. No entanto, só agora, com uma gestão mais moderna, o Alvinegro da Capital está conseguindo acalmar os credores. E quanto ao Santos? Bem, as últimas análises dão conta de que a dívida está em R$ 177 milhões, dos quais cerca de R$ 100 milhões são de impostos antigos.

“Santos” e “dívida” são duas palavras que há anos se relacionam – com alguma turbulência no começo, mas agora sob o acomodado clima de tolerância mútua. Parece uma praga, um gripe que volta todo ano, um mal que quase chega a ser necessário. Clube de futebol no Brasil e “problemas de fluxo de caixa” não se desgrudam. Mas será que tem de ser assim?

Confesso que quando Pelé parou e o clube não era mais capaz de pagar altos salários e manter um elenco forte, temi pelo pior. Estava começando a carreira jornalística e nas idas à Vila Belmiro, em meados dos anos 70, a visão era desoladora. O campo esburacado e o estádio caindo aos pedaços me faziam ter inveja, por exemplo, do Brinco de Ouro da Princesa, do orgulhoso Guarani, que em 1978 tornou-se campeão brasileiro.

Como a Ponte Preta foi vice-campeã paulista em 1977 e 79, o título brasileiro do Guarani marcou uma época em que muitos diziam que o futebol de Campinas ultrapassaria o de Santos, onde o Jabaquara já estava nas últimas, a Portuguesa Santista se contentava em não ser rebaixada e o Alvinegro Praiano claudicava a cada competição.

A revista Placar chegou a publicar que o Santos teria de se acostumar a ser pequeno e que Guarani e Ponte eram os novos grandes de São Paulo. O presidente do Juventus, José Ferreira Pinto, foi a um programa de tevê para mostrar o plano que tornaria o seu clube o novo grande da Capital. Pelos cálculos do dirigente, a torcida santista debandaria toda para o time da Moóca com a ausência de Pelé.

Em uma de minhas primeiras entrevistas, perguntei a Zito, então dirigente do clube, como sanar as dívidas do Santos. Ele, naquele jeitão tranqüilo, respondeu apenas que sempre ouviu falar de dívidas no Santos, mas isso nunca impediu o time de ganhar títulos e revelar grandes jogadores.    

De fato. Como do nada, surgiram os Meninos da Vila que, com algumas modificações, deram alegrias e esperanças aos santistas de 1978 a 84. Percebi, ali, ao ver Pita, João Paulo, Juary, Nilton Batata e Ailton Lira, entre outros, que grandes times não se formam só com dinheiro, mas com paixão, com carisma, com a força da camisa, coisas que o Santos tem de sobra. 

Antes, até o sucesso gerava o fracasso

Parece brincadeira o que vou dizer agora, mas durante muitos anos a verdade é que a estrutura do futebol brasileiro fazia com que o sucesso trouxesse o fracasso… Explico:

Imagine um time grande qualquer, com um elenco razoável, um técnico compatível com a equipe, torcida numerosa e quer ainda assim conseguia manter suas finanças em dia. Ótimo. Se fosse uma equipe que só almejasse não ser rebaixada, talvez pudesse viver dessa maneira anos e anos sem maiores problemas. Mas time grande quer ser campeão. Eternamente. E aí começava o problema.

Se o título demorasse a vir, certamente a despesa com o elenco seria maior a cada temporada – atendendo aos apelos cada vez mais desesperados da torcida – o ponto de equilíbrio financeiro seria atropelado, os presidentes e seus planos mirabolantes se sucederiam e em menos de uma década a orgulhosa agremiação, além de continuar na fila, estaria falida. 

Se um ótimo time fosse formado e os títulos viessem, obviamente tudo ficaria melhor no começo, mas seria apenas uma questão de tempo para que os problemas ressurgissem. Vejamos:

Jogadores campeões querem aumento, sem contar que alguns se tornam ídolos e mui justamente exigem receber como tais. A folha de pagamentos é a maior despesa de um clube de futebol e logo o seu inchaço jogava o balanço no vermelho. Ainda não havia patrocínio de camisa ou a verba milionária da tevê. A única saída era negociar os melhores jogadores, às vezes a preço de banana, pois até pagar os seus salários se tornava impossível.

Assim, em um período máximo de cinco anos, um clube que tivesse encantado o Brasil voltava novamente à estaca zero, à espera do imponderável surgimento de novos craques, que ganhariam títulos, seriam ídolos e depois iriam embora. Naquela realidade, não havia como impedir isso. 

Fontes de renda x despesas

Segundo José Carlos Peres, ex-superintendente do Santos em São Paulo, hoje executivo do G4 Paulista, um clube como o Santos, sem parque esportivo e social, voltado exclusivamente para o futebol, pode ser mantido com uma verba de R$ 3 milhões mensais. “Com este valor você mantém um time top”, diz ele.

Bem, isso dá R$ 36 milhões por ano. Como os orçamentos nunca batem,  arredondemos para R$ 40 milhões anuais de despesas. Muito bem, agora vamos às receitas estimadas do Santos em 2010:

TV – R$ 7,6 milhões pelo Campeonato Paulista e R$ 20 milhões pelo Campeonato Brasileiro. Com Copa do Brasil e Copa Sul Americana, fechamos conta em R$ 29 milhões.

Camisa – Com os calções deve-se chegar a R$ 15 milhões.  

Bilheteria – Líquido de R$ 10 milhões por ano (revezando Pacaembu e Vila Belmiro).

G4 Paulista – Já entrou R$ 3 milhões e há a possibilidade de se entrar mais R$ 10 milhões para cada um dos quatro grandes de São Paulo.

Marketing (Licenciamento) – Por enquanto tem dado cerca de R$ 900 mil.

Veja, leitor e leitora, que mesmo sem conseguir a meta estabelecida para a camisa e ainda sem o contrato assinado pelo G4, que pode dar mais R$ 10 milhões ao clube ainda este ano, o Santos deve arrecadar R$ 57,9 milhões em 2010, R$ 17,9 milhões a mais do que seria o suficiente para se manter um time de ponta no Brasil.

Claro que boa parte dos direitos de tevê já devem ter sido antecipada e que os juros das dívidas comem uma fatia generosa da receita, de forma que este cálculo deve ser visto apenas como um exemplo de que é possível, sim, um clube com a estrutura enxuta do Santos conservar-se competitivo e extremamente saudável financeiramente.

Como os valores da TV, do patrocínio de camisa, das arrecadações e do marketing só tendem a crescer, é impossível não ficar otimista com o futuro do Santos, apesar desta dívida anunciada de R$ 177 milhões.

E note que, de propósito, eu nem citei o que para os grandes clubes do Brasil já é o principal item de receita, que é a venda de seus melhores jogadores para o exterior. Porque o ideal seria faturar o suficiente para manter os seus astros, o que aceleraria não só o crescimento do Santos, mas do mercado brasileiro de futebol.

Tanto no passional, como no profissional…

Minhas duas últimas entrevistas para a seção Cara a Cara da revista FourFourTwo – João Paulo Rosenberg, diretor de marketing do Corinthians, e J Hawilla, diretor-presidente da Traffic, parceira do Palmeiras – trazem, basicamente, a mesma mensagem: para crescer e marcar presença no mundo competitivo do futebol moderno, os clubes não podem mais contar com amadores em cargos importantes.

A mesma paixão que é importante em campo, pois costuma levar a equipe a vitórias empolgantes, pode ser extremamente prejudicial fora dele, quando a vaidade pueril de alguns diretores pode afastar pessoas essenciais para o crescimento do clube. Quantos técnicos e jogadores de prestígio e alto salário já não foram marginalizados ou demitidos após uma discussão à toa com um dirigente não remunerado, que ambiciona o cargo apenas para exibi-lo como um troféu?

Felizmente, os grandes clubes de São Paulo parecem estar, a cada dia, mais alertas para esta armadilha que é deixar uma fortuna nas mãos de pessoas que mal sabem cuidar das finanças pessoais. A profissionalização chega decididamente aos clubes e aquele que não a adotar, que preferir continuar montando suas equipes de trabalho pela amizade e camaradagem, ficará para trás.

E você, leitor e leitora, acha que há remédio para a terna penúria dos clubes brasileiros? Tem alguma idéia que pode aumentar o faturamento de seu time? Vá aos comentários e mande ver.


© 2017 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑