Paulo Henrique Ganso, Elano e Borges já fizeram grandes partidas e ajudaram muito ao Santos. Mas neste ano vinham jogando mal na maior parte do tempo, até chegarem ao ponto de serem quase nulos. Raríssimos gols, poucos passes decisivos, quase nenhum empenho. Mas o técnico Muricy Ramalho não tinha coragem de tirá-los do time. Ontem, felizmente, depois de muita pressão dos santistas, os três foram substituidos por jogadores vindos da base, e o Santos, de alma nova, bateu o Grêmio por 4 a 2, na Vila Belmiro, conquistou sua primeira vitória neste Brasileiro e saiu da zona de rebaixamento.

Parece incrível, mas a partida só foi 4 a 2 porque o Santos tirou o pé no final e deu ao time do Sul a oportunidade de marcar duas vezes.

Espero que as circunstâncias tenham feito Muricy e a diretoria de futebol do clube aprenderem que não adianta prestigiar jogadores que podem até ter um bom currículo, mas não estão mais com vontade de pagar o preço que se exige de um jogador profissional. Sem afinco nos treinos e nos jogos, não há porque manter um jogador no Santos. Se Pelé era um exemplo de dedicação nos treinamentos, quem tem o direito de ser desleixado? Ontem ficou evidente que sem Ganso, Elano e Borges o Santos volta a ser um adversário difícil de ser batido, pois passa a atuar novamente com 11 jogadores.

Os três garotos

Com a entrada do garoto Bruno Feres na lateral-direita, Henrique foi para o meio, no lugar que seria de Elano. Quanto a Ganso, foi substituido, naturalmente, por Felipe Anderson, enquanto Victor Andrade se tornou mais um atacante, no lugar de Borges. Mesmo não tão experientes como os titulares, o trio de garotos deu novo entusiasmo ao time, que mesmo sem realizar uma partida brilhante, foi ofensivo, corajoso e ousado, como deve ser todo time do Alvinegro Praiano.

Felipe Anderson fez um golaço de fora da área e cobrou os escanteios que geraram os outros três gols santistas. Todos nós já dissemos que o rapaz tem categoria. Seu problema são os nervos, sempre estraçalhados pelo ranzina Muricy. Quem sabe se agora, com a perspectiva de ser o titular, Felipe não jogue com mais personalidade, como fez ontem. Fica provado também que manter Elano no time só para bater as chamadas “bolas paradas” é um desperdício. Felipe ou Neymar podem fazer isso com propriedade.

Quanto a Victor Andrade, é mais um Menino da Vila muito promissor. Bom de bola, atrevido e carismático, merece o apoio e a compreensão dos santistas. É claro que ainda tem muito o que aprender, mas sua presença lá na frente incomoda os zagueiros, pois é hábil e esperto. É o tipo de atacante que a qualquer momento pode fazer uma grande jogada. O santista adora quando há alguém assim no time.

O período sem os olímpicos

Estava voltando de Paraty, onde fui participar da Flip com os autores brasileiros da Editora Novo Conceito, e ouvi um comentarista de rádio dizer que o Santos estava saindo da zona de rebaixamento com a vitória sobre o Grêmio, mas deverá voltar a ela, pois nas próximas rodadas não terá Neymar, Ganso e Rafael. Eu já acho que a única perda real será Neymar, e ficar sem ele deve ser encarado pelos outros jogadores do time e pelo técnico Muricy Ramalho como uma ótima oportunidade de provar que o Santos tem um elenco e um sistema tático que não dependem exclusivamente de um jogador.

No gol, por mais que eu goste de Rafael, estou certo de que Aranha dará conta do recado. Quanto a Ganso, não tem jogado bem e nem sei se voltará ao time. Correm rumores de que o Internacional está interessado nele. Ótimo. Que nos deem D’Alessandro e mais algum em dinheiro e podem levar. Ou nos deem Oscar. Nada menos do que um dos dois. Que o Ganso seja feliz onde for, mas no Santos não dá mais. Machucou demais o coração do santista, esnobou o torcedor e a diretoria.

A única falta real será a de Neymar. Este é insubstituível, pois além de ser um craque, é um cara que dá o sangue pelo Alvinegro Praiano. O único defeito de Neymar é que às vezes ele joga demais para ele mesmo e se esquece de passar a bola para os companheiros. Quem sabe se com atacantes mais solidários o Santos não consiga superar a ausência do Menino de Ouro…

Mais do que o resultado, a vitória sobre o Grêmio, a mais convincente de um time paulista na rodada, mostra que ao menos o Santos está readquirindo a alegria de jogar futebol. Com mais dois ou três moleques entre os titulares e o time estará perto da receita ideal, que deve mesclar experiência e juventude. Mais uma vez a pressão do santista joga no colo do técnico a fórmula do Santos perfeito. Que Muricy tenha a humildade de obedecer o coração do torcedor.

Técnico e diretoria têm de ouvir o torcedor

Acho que isso de o Santos ser dirigido por um conselho gestor é positivo. É algo que deve continuar, mesmo que uma outra chapa vença as próximas eleições. Mas é preciso também ouvir o torcedor, ouvir quem conhece mais de futebol e de Santos. A vitória sobre o Grêmio foi mais um exemplo de que o melhor Santos é aquele que tem garotos no time e se baseia em um esquema tático solidário e ofensivo.

Que me desculpe Muricy, mas ele teve pouquíssimo mérito nessa vitória, já que por ele o time seria escalado com Ganso, Elano e Borges. Percebi nas suas entrevistas após o jogo que ele mais uma vez quis puxar os méritos apenas para si, o que é feio e não corresponde à verdade. Foi uma vitória dos santistas, como os mais de 50 mil que frequentam este blog. Uma coisa é certa: se Muricy e a diretoria de futebol não tiverem a humildade para perceber isso, não ficarão muito tempo no Santos.

Reveja os gols de Santos 4 x 2 Grêmio

http://youtu.be/vnoqBt-zS3o

Para você, o que a vitória sobre o Grêmio provou?