Pensei muito para fazer este título, porque, como todo virginiano, não gosto de ser injusto, e também porque, como historiador do clube, alguém que já escreveu dez livros sobre o Santos, tudo o que falo pode ter um peso além do que eu gostaria. Mas é verdade, fazer o quê? Lembrei-me de outros times indigentes que o Alvinegro Praiano já teve, mas não consegui me recordar de tantos jogadores despreparados e de má qualidade juntos; de outra equipe tão baratinada, como se nunca tivesse treinado antes, e de um elenco tão mal montado e tão pouco motivado, além de caro.

Fui fundo, voltei no tempo até 20 de março de 1977 para puxar da memória o dia de sol em que eu, o Júlio, o Paulinho Alemão e meu irmão Marcos carregamos uma bandeira enorme em um fusquinha e fomos ver o time em que atuavam os ironizados Toinzinho e Totonho, e posso assegurar que aquele Santos era muito melhor, ou mais apaixonante, do que este que perdeu da Portuguesa por 3 a 1.

Retornei àquele domingo pela manhã (isto mesmo, o jogo começou às 11 horas), em que Santos e Corinthians jogaram pelo primeiro turno do Campeonato Paulista, no Morumbi, e 166.881 pessoas, metade delas santistas, viram o empate de 1 a 1, gols de Vaguinho e Ailton Lira.

Aquele Santos, orientado pelo saudoso técnico Urubatão Calvo Nunes, jogou com Ricardo, Léo, Ailton Silva, Neto e Fernando; Carlos Roberto, Toinzinho e Ailton Lira; Nilton Batata, Reinaldo (depois Babá) e Rodrigues (depois Totonho). Era uma equipe ruim? Não. Ao menos tinha muito mais recursos técnicos, mais garra e experiência do que esta que enfrentou a Lusa.

A reformulação para 2013 tem de ser geral

É claro que é impraticável mudar todo o time de uma hora para outra, mas a verdade é que este elenco está dividido entre jovens que ainda precisam amadurecer (e talvez para isso devam ser emprestados para outras equipes) e veteranos com defeitos crônicos. Sobram apenas Neymar e, talvez, Arouca.

Se o perfil de Muricy Ramalho fosse o de quem trabalha fundamentos e auxilia no desenvolvimento técnico e tático do jogador – como Telê Santana fazia –, talvez pudéssemos ter esperanças de que Victor Andrade, Patito Rodríguez, Felipe Anderson, Douglas, André e Rafael se tornassem mais completos e confiantes, mas depois da exibição patética contra a Portuguesa, corro o risco de afirmar que não vejo como essa turma chegará no nível que os santistas sonham, ou ao menos no nível que se espera de um bom jogador profissional de futebol.

Por outro lado, os veteranos Bruno Rodrigo, Durval, Juan, Gérson Magrão e Mirales continuam cometendo os mesmos erros jogo após jogo (Léo não jogou, mas está na lista dos pré-aposentados, como Edu Dracena). Quantos passes errados a mais Durval terá de dar para ser substituído? Quantos chapéus da bola Bruno Rodrigo ainda tomará? Quantos buracos nas suas costas Juan deixará? Quantas caneladas ou furadas o novo dez do Santos terá de cometer para ser sacado da equipe?

Aliás, realmente é um acinte dar a 10 que foi de Pelé ao Gérson Magrão. O Pelé deve ter feito alguma coisa ao Muricy ou ao Santos, não é possível… Sugiro que se retire a camisa 10 do time até que surja alguém que, pela vontade da torcida, faça jus a esse manto realmente sagrado.

A culpa é de quem?

Não estou dizendo que os jogadores são culpados, ou que o técnico Muricy Ramalho é culpado, ou que a diretoria é culpada. Estou dizendo que todos são culpados! Foi preciso que se somasse a incompetência de muita gente, ao mesmo tempo, para produzir um time tão esplendorosamente medíocre que, sem Neymar, mostra um futebol digno da Série B.

A propósito, se o Sport vencer o Coritiba amanhã, o Santos ficará a apenas seis pontos da zona de rebaixamento, e nas próximas duas partidas pegará o Grêmio no Olímpico e o Internacional na Vila. Que o pessoal ponha as barbas de molho. Nunca acreditei na história de buscar uma vaga no G4. A luta do Santos é contra o rebaixamento.

Os méritos de Geninho e o público no Pacaembu

Critiquei tanto o Santos que me esqueci de reconhecer os méritos da Portuguesa, que fez uma grande partida, e do seu técnico, Geninho. Não, não quero Geninho como técnico do Santos, mas antes do jogo eu já dizia que, no momento, o treinador da Portuguesa, mesmo com poucos recursos, montou um time que tem padrão e joga melhor do que o Santos quando o Alvinegro Praiano não pode contar com Neymar.

Geninho foi buscar esse Bruno Mineiro que estava encostado no Atlético Paranaense e hoje o rapaz é um dos destaques do Brasileiro. É mais baixo do que Durval, Bruno Rodrigo e Gérson Magrão, mas fez dois gols de cabeça, mostrando um oportunismo que nenhum atacante santista tem.

Geninho ensaia jogadas, como a do escanteio que gerou o primeiro gol da Lusa; é um sujeito simples e sincero, e não deve ganhar um terço do que recebe Muricy. É mais um caso – como o de Gilson Kleina, que estreou com vitória no Palmeiras – que confirma a minha tese de que no Brasil tem técnico ganhando muito e fazendo muito pouco. Está mais do que na hora de os grandes clubes reverem isso.

Para terminar, uma palavrinha sobre o público: com ingressos para sócios praticamente de graça, o Pacaembu receber apenas 18 mil pessoas prova que o santista está ressabiado com esse time, com esse técnico e com essa direção. Está mais do que na hora de se tomarem providências.

E pra você, o que representou Santos 1 x 3 Portuguesa?