Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Santos de Robinho só no pay per view ou no piratiew

Globo não transmitirá Santos x XV de Piracicaba

O site da Federação Paulista de Futebol corrigiu a informação de que a TV Globo transmitiria Santos e XV de Piracicaba, domingo, às 16 horas. O jogo poderá ser visto apenas pelo sistema pay per view. A TV Bandeirantes, que não faz jus ao nome, também não transmitirá a partida para São Paulo, preferindo uma corrida de Fórmula Indy. Antes de o santista reclamar, é bom saber se não foi a própria diretoria do Santos que pediu isso, pois o pay per view representa um dinheiro extra para os clubes e o Santos já pediu antes que seus jogos fossem transmitidos por este canal pago. Na prática, muita gente acaba vendo o jogo pela Internet, de graça, já que centenas de endereços piratas transmitem os jogos. De qualquer forma, para um time que precisa de visibilidade para atrair um patrocinador máster, a decisão de sair da tevê aberta e mesmo do canal por assinatura não me parece a melhor. E você, o que acha?

Ponte Preta e Botafogo já foram prejudicados. Se cuida Santos!

Santos de Robinho só no pay per view ou no piratiew

Robinho
Robinho, maior craque brasileiro em atividade, só domingo, na Vila Belmiro, a partir das 16 horas (Foto: Ivan Storti/ Santos FC).

Durante a semana, Thiago Leifert e Caio fizeram o Globoesporte do CT Rei Pelé e pela primeira vez a Globo cobriu o treino de um time de futebol, sem ser a Seleção Brasileira. Pena que Leifert seja uma voz solitária na Globo, que neste domingo não transmitirá Santos e XV de Piracicaba, às 16 horas, preferindo colocar um filme no lugar. Quando falávamos da Espanholização, tinha gente que dava de ombros. Pois já chegou. A Globo só reservará o horário nobre do futebol para times escolhidos.

Mas Leifert chega a admitir, no vídeo do making off do programa (assistir abaixo), que o novo formato do Globoesporte coincidiu com o início do Santos de Neymar, no primeiro semestre de 2010. O jeito descontraído, inteligente e criativo de Leifert combinou com aquele Santos de Meninos que, brincando, enchia de bola todos os adversários. “O Globoesporte também tem o DNA ofensivo”, disse ele.

Hoje, mesmo sem Neymar, Ganso, Wesley, André, o Santos continua mantendo uma imagem jovem, irreverente e verdadeira devido ao temperamento de seus jogadores e ao excelente trabalho da SantosTV, que consegue captar esse estado de espírito, com talento e discrição, colocando o torcedor lá no campo, no vestiário ou no ônibus, ao lado dos jogadores, testemunhando suas brincadeiras, crenças e motivações.

Esse trabalho da SantosTV é único e importantíssimo. Até porque o Youtube é a “tevê’ mais assistida no Brasil e a SantosTV é o canal de esportes mais visto. Talvez nem todos percebam sua relevância, mas Thiago Leifert percebe e ele representa uma nova maneira de ver o futebol dentro da Globo – uma maneira com a qual me identifico, pois tende a valorizar o que deve ser valorizado.

A estratégia, primária, adotada por Marcelo Campos Pinto, de colocar todos os ovos em uma única cesta, privilegiando, em São Paulo, uma única equipe, não é apoiada por muita gente na Globo. Acabar ou mesmo reduzir a histórica competitividade do futebol paulista é reduzir também o universo de pessoas interessadas em futebol, o que é mau negócio para todos.

Agora veja o making off do Globoesporte no CT Rei Pelé e ouça os importantes depoimentos de Thiago Leifert e Caio:

Agora, assista o rachão, com uma rara vitória do time de colete:

Santos jogará completo contra o XV

Dos titulares, apenas David Braz deverá ficar fora, devido a uma fratura no dedo da mão. O Santos para enfrentar o XV de Piracicaba, domingo, às 16 horas, pelas quartas-de-final do Campeonato Paulista, deverá entrar em campo com Vladimir, Vitor Ferraz, Gustavo Henrique, Werley e Chiquinho; Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira.

O XV de Piracicaba, do técnico Toninho Cecílio, jogará com Roberto; Éder Sciola, Leonardo, Rodrigo e Fabiano; Renan Foguinho, Diego Silva e Tony; Paulinho, Henrique e Roni. Uma vitória sobre o Santos provavelmente classificará o time de Piracicaba para a Série D do Brasileiro. Portanto, aquele ditado de que “todo cuidado é pouco”, mais uma vez está valendo para os santistas.

A arbitragem será de Guilherme Ceretta de Lima, auxiliado por Anderson Jose de Moraes Coelho e Rogerio Pablos Zanardo. O time vitorioso se classificará para enfrentar, na semifinal, o vencedor de São Paulo e Red Bull, que se enfrentarão neste sábado, às 18h30, no Morumbi.

Clique aqui para saber tudo sobre a venda de Ingressos de Santos e XV

Também neste sábado jogarão Corinthians e Ponte Preta, no Itaquerão, às 16h20. Este jogo tem tudo para ser o mais equilibrado das quartas, pois a Ponte já venceu dois times grandes neste campeonato: Palmeiras, em São Paulo, e Santos, em Campinas.

A partida que fecha esta fase será jogada no estádio do Palmeiras, às 11 horas de domingo, entre Palmeiras e Botafogo. Apesar do favoritismo palmeirense, é uma partida perigosa, pois o Botafogo tem jogado bem e o Palmeiras ainda vive de altos e baixos.

Veja agora este vídeo com os bastidores de Santos 2 x 0 Rio Claro. Perceba que o auxiliar técnico Edinho e o técnico Marcelo Fernandes preveniram o time para não dar moleza. Fernandes ainda ressaltou: “Vamos atrás do resultado logo”. Mas o Santos demorou para definir. Só no finzinho David Braz fez o segundo gol e aliviou a torcida. Agora faltam quatro jogos para o título. Cada um será decisivo:

Assista um dos melhores jogos entre Santos e XV, jogado pelo Campeonato Paulista de 1961, em Piracicaba, com show de Pelé e do piracicabano Coutinho:

E você, o que acha dos trabalhos da SantosTV?


Ansiedade por garotos craques e por dinheiro para pagar as contas

O santista vive dias ansiosos. Vê o Santos na Copa São Paulo com a esperança de testemunhar o surgimento de novos Pitas, Juarys, Robinhos, Diegos… E ao mesmo tempo faz as contas para que o clube não fique inadimplente. A primeira parte é com os Meninos e só nos resta torcer. A segunda depende de agilidade, criatividade e trabalho, mas parece que a diretoria está optando pelo caminho mais fácil: o de empurrar com a barriga, ou seja, antecipar cotas de tevê.

No campo, mesmo com um jogador a mais durante a maior parte do tempo, o Santos chegou a estar perdendo por 1 a 0, virou para 3 a 1, sofreu mais um gol, e só no final fechou a vitória em 4 a 2 sobre o voluntarioso, mas limitado, Babaçu.

Alguns jogadores santistas têm habilidade, mas o time se embanana quando se aproxima da meta adversária. Falta decisão e uma finalização melhor. Um time treinado por Pepinho, filho do “Canhão da Vila”, tem a obrigação de ter uma melhor aproveitamento nos arremates.

Infelizmente, tive a impressão de que nenhum desses garotos parece pronto para o profissionalismo, se bem que para alguns parece faltar pouco – casos de Serginho, Caio, Matheus Augusto, Fernando… Talvez seja mais uma questão psicológica, uma falta de orientação, o certo é que dificilmente fazem uma jogada perfeita.

Mas alguns não parecem merecer a camisa de titular do Santos. Esperarei os próximos jogos para ter uma ideia melhor antes de descer a lenha. Na sexta-feira o Santos enfrenta o Linense, o time da casa, e se não vencer com folga poderá perder o primeiro lugar do grupo e talvez até ser eliminado. Não me surpreenderia esse desfecho triste, pois este time é bem mais imaturo do que os que deram o bicampeonato da Copa ao Santos.

Como fazer dinheiro em pouco tempo?

Com as contas se amontoando na mesa do presidente, o Santos está fatiando os passes de seus principais jogadores e tentando antecipar cotas de tevê. Isso condenará o time também nas próximas temporadas. Será que não há outro jeito de fazer dinheiro?

As arrecadações, as ações de marketing e uma nova campanha de sócios podem remediar a situação, mas não dá tempo para esperar. Os credores querem os pagamentos para ontem. Os últimos milhões emprestados pela Doyen pagaram só um dos quatro meses de atrasos.

O que não se entende é o clube falando em contratar jogadores. Ora, se não tem nem como pagar os jogadores atuais, por que não dar uma boa enxugada no elenco e experimentar uma equipe mais jovem e barata no Campeonato Paulista?

E você, sabe como o Santos deve fazer dinheiro em pouco tempo?


Neste sábado, às 16 horas, a esperança santista entra em campo

Santos estreia sem gols na Copinha

O Santos dominava o jogo diante de um assustado Penapolense, os canhotos Serginho e Caio controlavam o meio de campo e as chances se sucediam. Caio perdeu uma, Serginho outra, mais uma se foi em um contra-ataque desperdiçado, e a primeira etapa chegou ao final em branco. Veio a sensação de que faltou a Pepinho treinar mais chutes a gol. O time rondou a área adversária, mas foi pouco conclusivo. De qualquer forma, o gol santista parecia uma questão de tempo, mas veio uma chuva forte que encharcou o campo e a partida ficou mais para uma pelada de rugby, em que a valentia temerária dos defensores do time do Interior prevaleceu sobre a tentativa de jogar futebol dos Meninos da Vila. No final, um 0 a 0 preocupante que obriga o Santos, se quiser continuar perseguindo o tricampeonato da Copinha, a vencer o Babaçu, do Maranhão, na próxima terça-feira, e provavelmente vencer novamente o anfitrião Linense no jogo decisivo do grupo (ainda pela primeira rodada do grupo, o Linense venceu o Babaçu por 1 a 0). Não deverá ser uma tarefa fácil. E quanto aos garotos, algum destaque? Por enquanto, prefiro não citar nomes. Vejamos as próximas partidas. Esta, literalmente, passou em branco.

Atual bicampeão do torneio, o Santos do técnico Pepinho estreia na prestigiosa Copa São Paulo de juniores neste sábado, às 16 horas, diante do Penapolense, com transmissão do Sportv e narração do pé quente Odinei Ribeiro. Sem dinheiro para grandes contratações nessa temporada, o Alvinegro Praiano mais uma vez voltará seus olhos e sua esperança para seus Meninos da base. Assim, do goleiro João Paulo, ao atacante Matheus Augusto, todos serão analisados com atenção redobrada.

Pepinho comanda a mesma comissão técnica do ano passado e também adotou o mesmo esquema cinco semanas de preparação, divididas em resistência de jogo, trabalhos de força para dar mais potência e velocidade e exercícios específicos para alguns jogadores. O time é bem jovem, pois quase todos os atletas têm menos de 18 anos. Neste ano a Copa São Paulo, ou Copinha, só aceita jogadores com menos de 19 anos.

O Santos deve entrar em campo com João Paulo, Patrick, Lucas, Sabino e Lucas Ybom; Bruno, Fernando Medeiros e Serginho; Caio, Claudinho e Matheus Augusto. Há ótimas expectativas com relação ao goleiro João Paulo, o volante Fernando Medeiros e o meia Caio. Outro destaque, o volante Thiago Maia, desfalcará o time pois foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-20. No seu lugar Pepinho deve improvisar o zagueiro Bruno.

O Santos está no Grupo D, com Penapolense, Linense e Babaçu, do Maranhão. Todos os jogos do grupo serão realizados no estádio Gilberto Siqueira Lopes, o Gilbertão, em Lins. Só um clube se classificará para a fase seguinte.

As muitas maneiras de encarar esse início de ano do Santos

Esse complicado início de ano está dividindo os santistas. Alguns vêem um desígnio dos deuses do futebol nessa dificuldade financeira que obrigará, mais uma vez, o clube a lançar mão de seus Meninos da Vila. Estes são os otimistas, que já adivinham um time jovem e promissor surpreendendo os favoritos, como já ocorreu tantas vezes na história santista.

Há, também, o tipo de torcedor que pode ser definido como “realista esperançoso”, só para usar um termo popularizado por Ariano Suassuna. Eu me incluo neste time nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Sei de todas as dificuldades, dos equívocos, dos erros – intencionais ou não –, mas, além de ser extremamente enfadonho seguir enumerando-os todos os dias, como se eu fosse um ser perfeito e o dono da verdade, reservo-me o direito de sonhar com dias melhores e de nunca perder, totalmente, a fé nas pessoas.

Por fim, há aqueles – felizmente raríssimos – que só vêem problemas e obstáculos insuperáveis e apostam que o Alvinegro Praiano viverá um ano de sofrimento e vergonha, se tornará um time pequeno e jamais se recuperará… Não consigo entender, aliás, qual o interesse dessas pessoas de continuar torcendo para um time que lhes traz tanto amargor e constrangimento. Que tirem umas férias como torcedores, deixem o Santos para os de caráter mais sólido, e voltem apenas quando o pior passar e ser torcedor de um time de futebol se torne uma tarefa mais agradável.

Porém, como lembra a Suzana, lá no fundo todos tentam fazer o melhor, e se o melhor para esses santistas amargurados é criticar tudo e todos, continuarão agindo assim indefinidamente, pois essa atitude está mais ligada às suas questões internas do que ao Santos ou a qualquer outra coisa. Enquanto não vencerem seus desafios interiores, enquanto não conseguirem sentir paixão pela vida, não conseguirão extrair do futebol a beleza, a emoção e o mistério que perduram, mesmo diante das maiores dificuldades.

Seja como você for, volte aqui para analisar a estréia dos Meninos na Copinha, tá?


Mais um soco na nossa cara


Santos toma mais uma virada depois de estar vencendo por 2 a 0

Saiba tudo sobre a derrota de 3 a 2 para o Avaí, na opinião do analista Pedro Reino

Depois de declarar repetidas vezes durante o primeiro semestre, para todos os meios de comunicação possíveis, que o Santos “vende o espetáculo, e não o artista” e que o time “entra para ganhar até disputa de cara ou coroa”, nosso presidente Luis Álvaro deixou ao menos em mim a esperança de que o Santos de 2010 não era diferente apenas dentro de campo. Havia craques fora dele, afinal! Craques que manteriam o elenco responsável pelo futebol mais bonito e vencedor do primeiro semestre do ano. Craques da gestão, da administração esportiva. Visionários, empreendedores. Vencedores.

Minha esperança foi abalada em diversos momentos. Há muito, acabou. Hoje a derrota do Santos para o Avaí, de virada, após estarmos vencendo por 2 a 0 mesmo na casa do adversário – que com o resultado final da partida escapou matematicamente do rebaixamento para a Série B –, foi mais um soco na minha cara. Não o primeiro do ano, muito menos do semestre, e com boa chance de não ser o último da temporada…

Contra o Atlético-MG, em Minas, comandado pelo nosso ex-técnico Dorival Junior, Marcelo Martelotte, o interino inventivo, armou o Santos em um 7-1-2. Para simplificar: um amontoado de gente atrás, um jogador na ligação, dois atacantes. Esperou sofrermos o empate para mexer. Mexeu mal. Ainda saímos com um pontinho.

Hoje não foi muito diferente. Contra o Avaí, que nos eliminou da Copa Sul-Americana na base do pontapé e sob a vista grossa de uma arbitragem conivente, o Santos entrou em campo armado em mais um esquema inédito, até então: 6-1-2-1!

Com Durval e Bruno Aguiar na zaga, Pará e Léo nas laterais sem ameaçarem em momento algum a subida ao ataque (no primeiro tempo, ao menos) e Rodrigo Possebon e Adriano à frente de nossa área, tínhamos nada menos do que SEIS jogadores fixos na marcação. Arouca, também marcando, era quem tinha a responsabilidade de ligar Felipe Anderson e Neymar, que voltavam para receber, e Keirrison, sempre próximo ou dentro da área adversária.

Assim conseguimos chegar aos 2 a 0 em dois gols “feitos” pelo Neymar. Poderíamos ter feito o terceiro, também com ele. De qualquer forma, o 2 a 0 deveria ter sido o suficiente para segurarmos o jogo e a pressão do Avaí, temendo pelo rebaixamento, desesperado diante de sua torcida, e matarmos a partida em um eventual contra-ataque certeiro. Não foi o que aconteceu.

Não foi o que aconteceu porque Wesley, um dos principais jogadores do Santos no primeiro semestre, foi vendido. Para ocupar sua posição veio Rodrigo Possebon, jovem revelado pelo Inter que nunca se destacou em clube algum e foi o segundo pior em campo no primeiro tempo.

Não foi o que aconteceu também porque André, um dos responsáveis pela quantidade histórica de gols que o Santos marcou no primeiro semestre, também foi vendido. Para ocupar sua posição veio Keirrison, que só jogou algum futebol no Coritiba, depois irritou os torcedores palmeirenses e seus contratantes europeus e acabou voltando para o Brasil para irritar a nós, santistas.

Não foi o que aconteceu, por fim, porque não temos um técnico. Demitimos o que tínhamos e não contratamos ninguém. E ninguém não sabe escalar time. Mesmo o técnico que tínhamos já falhava, tanto em escalações quanto, em especial, nas substituições. Mas ninguém é ainda PIOR, é claro!

Assim, mesmo abrindo 2 a 0, sofremos dois gols em poucos minutos – como já aconteceu diversas vezes nas últimas partidas. E o Santos, que entraria para vencer até disputa de cara ou coroa, se mostrava postado em campo para levar mais uma virada de um time de menor expressão e alegrar mais uma torcida que nunca comemorou um título relevante…

Primeiro tempo

O amontoado de santistas na marcação atrai o Avaí como um ímã, mas os catarinenses deixam claro por que estão ameaçados de rebaixamento ao insistir nas jogadas pelo meio, onde tem mais gente de branco, de azul, de tudo quanto é cor. O gol do Avaí não sai, apesar de terem maior posse de bola e a torcida a seu favor, e o Santos ameaça nos contra-ataques. Neymar é caçado dentro de campo, como já cansamos de presenciar, e o árbitro, Sandro Meira Ricci, ídolo recente da torcida do Corinthians, não levanta um cartão para o caçadores.

Mas Neymar encontra um espaço na zaga adversária. Na primeira tentativa, sai com bola e tudo pela linha de fundo. Na segunda, cruza na área para Felipe Anderson, que ainda precisa comer muito arroz com feijão, perder um gol feito, e Keirrison, graças ao zagueirão do Avaí, que literalmente entrou com bola e tudo, marcar o primeiro do Santos.

Pouco depois, Neymar, já cansado de apanhar e hostilizado pela torcida adversária, faz o seu em um contra-ataque que é só o que sobrou do Santos do primeiro semestre. O 2 a 0 poderia ter ido para o intervalo conosco…

E teria ido, não fosse a fragilidade da marcação santista na entrada da área, de onde o Avaí ameaçou durante todo o primeiro tempo e chegou aos seus dois gols para empatar a partida. Primeiro em jogada individual de Caio, que passou por meio time do Santos sem que ninguém o derrubasse ou, melhor, roubasse de forma limpa a bola, e depois, de novo com Caio, em chute de fora da área que nosso ótimo goleiro Rafael, o mesmo que cansou de fazer defesas difíceis nos 45 minutos anteriores, não viu, acredito, porque o amontoado de defensores incompetentes que tínhamos atrapalhou sua visão.

O empate só saiu porque a arbitragem deixou seguir um lance em que Keirrison tentava prender a bola justamente para não sofrermos o gol de empate antes de descermos para o vestiário e porque o jogo correu até além do +1 minuto que Sandro Meira Ricci indicou que seria jogado no primeiro tempo. Assim como já havia acontecido na derrota para o Vitória, na Bahia, também pelo Brasileirão, o Santos sofria um gol que não poderia sofrer jogando fora de casa contra um time ameaçado, uma torcida empolgada e uma arbitragem descaradamente caseira.

Segundo tempo

Com a saída de Adriano, pior em campo pelo Santos no primeiro tempo, entra Danilo para sabe-se-lá-o-que. A braçadeira de pior em campo pelo Santos é passada para Rodrigo Possebon, o segundo pior até então.

Como era de se esperar, o time do Avaí, empolgado com o empate ainda no primeiro tempo e empurrado por sua torcida, pressionou o Santos desde que a bola voltou a rolar. O que não era de se esperar era que o Santos fosse ficar satisfeito com isso, com o resultado e com a forma como a partida se desenhava para mais uma virada sofrida.

Danilo, perdido em campo, nada acrescentou. Logo Rodrigo Possebon também foi substituído para a entrada de Alex Sandro. O Santos deixava de ter seis homens parados à frente de Rafael para ter “apenas” quatro – a dupla de zaga, Durval e Bruno Aguiar, e os laterais fixos atrás, Pará e Léo – com Arouca mais à frente para, como sempre, ter sozinho a responsabilidade de promover a saída de bola e distribuição.

Alex Sandro e Danilo, como alas, nada fizeram. Acabaram tendo de ajudar na marcação, já que o Avaí pressionava todo o tempo, e deixaram Neymar, Felipe Anderson e Keirrison lá na frente. O que fizeram, na verdade, foi um bom tanto de faltas, já que não sabem marcar na bola. Assim como também fizeram um bom tanto de faltas todos os outros marcadores do Santos. A maioria recebeu amarelos por isso.

O que poderia ter sido uma reestruturação de disposição tática do time com o jogo correndo, com as saídas de dois volantes – Adriano e Rodrigo Possebon – que não sabem dar um passe para as entradas de dois alas – Danilo e Alex Sandro – que não sabem marcar nem fazer um cruzamento, acabou não acontecendo. O Santos continuou com seis atrás. Continuou no sufuco. Continuou sendo pressionado. Até que permitiu a virada – que estava na cara que viria.

Pará ainda saiu para a entrada de um Zé Eduardo que mal tocou na bola e que vem demonstrando não ter a capacidade técnica mínima para vestir a camisa do Santos em uma competição como a Libertadores. Mas nada mudou.

Mesmo com campo e bola entregues pelo time do Avaí, que já havia conseguido o que queria, a virada, e só esperava um contra-ataque para poder matar o jogo, o Santos não ameaçou. Não criou mais nada. Neymar, bem marcado, não teve com quem jogar… mais uma vez – como vem sendo durante todo este segundo semestre.

Sem André para tabelar com Neymar e atrair a marcação, e sem Wesley para, com Arouca, distribuir jogo e subir para o ataque, o Santos foi previsível como vem sendo durante todo o final deste ano que começou lindo e mais uma vez deu alegrias para o torcedor rival. E mais uma vez me deixou com vergonha. E mais uma vez me fez lembrar do primeiro semestre como se este tivesse sido só um sonho, uma partida de videogame ou passado distante.

Avaliações individuais

RAFAEL – Não falhou. Como sempre. Fez mais de um milagre no primeiro tempo. Pegou tudo o que pode também no segundo. Mas o que não pode, entrou… e foram três. Uma pena.

Rafael não merece a defesa que tem à sua frente. Rafael merece muito mais. O Santos deveria poder mais para ele. Muda Adriano, Roberto Brum, Rodrigo Possebon, Rodriguinho… e o Rafael segue levando gols que não deveria. Mas todos os outros ele pega, e por isso será nosso titular na Libertadores 2011. Espero – e acredito que o Rafael também – que não com marcadores como esses à sua frente…

DURVAL e BRUNO AGUIAR – Foram bem. Não tiveram culpa em nenhum dos gols que sofremos. Isso porque todos os três gols que sofremos aconteceram em jogadas de fora da área. Todos eles deveriam ter sido evitados pelos volantes que estavam incumbidos de ficar plantados justamente à frente de nossa área para que nada disso acontecesse. Mas aconteceu. Foi a consagração de um jogador do time adversário, que teve espaços de sobra para, com sua velocidade e precisão, explorar nossas falhas… mas falhas de fora da área. Durval e Bruno Aguiar não têm culpa nisso.

PARÁ e LÉO – Não subiram. Só ficaram atrás a maior parte do jogo. Quando subiram, nada fizeram. E mesmo atrás, falharam algumas vezes (cada um). Portanto, não foram bem.

Por mais que eu goste dos dois, fico imaginando uma falha de qualquer um deles em um momento decisivo da Libertadores… e isso me dá uma sensação ruim. Talvez não tenham condições de seguir como titulares em 2011. Pelo menos não como vêm jogando neste segundo semestre de 2010. Certamente não como jogaram hoje: muito aquém do que esperamos, do que precisamos e do que já vimos os dois jogando com a camisa do Santos.

ADRIANO e RODRIGO POSSEBON – Os responsáveis diretos pela entregada no primeiro tempo, que no final das contas nos custou o resultado. Dois jogadores lentos, que não sabem marcar sem fazer faltas, que nem acompanham como deveriam, já que foram colocados em campo com a única e exclusiva função de marcar, e que não sabem dar um passe.

Não têm condições de vestir a camisa do Santos em 2011. Adriano foi sacado no intervalo da partida levando consigo um cartão amarelo e, mesmo substituído por Danilo, uma negação na marcação, não fez falta alguma dentro de campo. Rodrigo Possebon, que o juiz deixou de amarelar em uma chegada pesada e atrasada por trás, que derrubou o jogador do Avaí, saiu para a entrada de Alex Sandro, outro péssimo marcador, e também não sentimos sua ausência. Não só não sentimos como eu comemorei, na verdade, as saídas dos dois. Quem quer que entrasse, seria melhor. Quaisquer outros dois. Menos Adriano e Rodrigo Possebon. Que não podem ficar para 2011, repito. Não têm quaisquer condições.

AROUCA – Dispensa uma análise mais completa. É o segundo melhor jogador de linha do Santos em atividade, atrás apenas de Neymar. Tem atuações tão regulares que muitas vezes supera o Neymar em produção. Hoje, não superou, mas mais uma vez foi nossa única válvula de escape do amontoado de marcadores lá detrás que não sabem tocar uma bola no pé de um companheiro, ou sair jogando.

Arouca deu ótimos passes durante toda a partida, não me lembro de ter errado algum – grave, ao menos – e levou o time ao ataque quando não havia mais ninguém para armar as jogadas. Funcionou mais como um meia-armador do que Felipe Anderson, que ainda é bastante jovem, inexperiente (na categoria principal) e sente o peso da partida e, mais do que isso, da marcação.

FELIPE ANDERSON – Já falei sobre ele durante toda a análise, acredito. Sente muito o jogo. Não aparece tanto, recebe passes e não tem a tranquilidade de matar a bola, olhar o jogo, ligar um companheiro. Não consegue usar de sua velocidade porque para na força bruta da marcação. Ainda tem muito o que melhorar e o que se soltar, mas precisa continuar tendo chances para tanto.

Não tem condições de entrar como titular, como foi hoje (por falta de opções, acredito), mas precisa continuar tendo chances, sim, sem dúvida nenhuma. Ainda não mostrou quase nada pelo time principal, mas quem conhece a base do Santos sabe que esse garoto tem futuro. E, independentemente disso, ao menos não deixa o time com um a menos como acontece quando temos Marquinhos em campo. Espero que entre na próxima partida e que continue entrando em 2011. Torço por ele, porque este garoto é, junto com alguns companheiros da base, o futuro do Santos!

NEYMAR – É gênio. Pena que não tem com quem jogar. Conseguiu fazer um dos três gols que faltam para alcançar o Serginho Chulapa na artilharia santista pós-Pelé. Perdeu um tentando encobrir o goleiro. Mas deu um feito para Felipe Anderson perder e Keirrison, junto com o zagueiro do Avaí, empurrar para dentro. Portanto, fez tudo por nós, como costuma ser. Pena que o momento seria de nós, ou o resto do time, fazermos por ele. Assim Neymar chegaria a seus objetivos individuais, que é só o que o Santos pode obter de glória neste segundo semestre. O que obtivemos no primeiro foi pelos pés dele. Retribuir não seria mais do que obrigação. Mas faltam companheiros…

Neymar não tem com quem jogar, diretoria.

KEIRRISON – Um ex-jogador. Tão jovem e já perdeu seu futebol. Será que tem volta? Não sei. Gostaria que fosse descobrir em outro clube. Não pode ficar no Santos para 2011. Já imaginaram dependermos do Keirrison para matar um jogo decisivo na Libertadores?!

DANILO e ALEX SANDRO – Substituíram Adriano e Rodrigo Possebon, respectivamente, os volantes que não sabem nem marcar, nem dar um passe, e não nos deixaram com saudades deles. Mas também, imagine se tivessem! Aí era melhor colocar quaisquer dois leitores aqui do blog como alas e tenho certeza de que o desempenho não seria tão pior.

Danilo e Alex Sandro são jovens equivalentes e com defeitos em comum. Não sabem marcar, não sabem finalizar (salvo raríssimas exceções em que acertaram um chute, como Alex Sandro contra o Cruzeiro e Danilo contra o Goiás) e não sabem jogar para o time. Não têm visão de jogo, não me parecem inteligentes e não me parecem dedicados a melhorar seus fundamentos. Como não são jogadores do Santos, mas sim de empresários que os trouxeram para nós, penso que poderiam ser dispensados. Não consigo imaginar que qualquer um desses dois seja útil para nós em 2011. Não foram úteis para nós em praticamente momento algum de 2010.

Será que vale a pena continuar apostando em garotos de fora, de empresários, quando estamos disputando a competição mais importante que um clube brasileiro pode disputar? E se a aposta se mostrar, tarde demais, um erro grave?

Sem experiência, fracos nos fundamentos básicos que um bom lateral deve ter – saber marcar, saber quando subir, saber cruzar e saber finalizar – e erráticos mesmo quando jogando onde e como preferem, não vejo futuro para esses dois. Gostaria que não tivessem futuro no Santos. Porque, penso, o Santos não tem muito futuro se depender deles…

ZÉ EDUARDO – Já me agradou mais. Hoje penso que é um jogador muito limitado, muito acomodado e que não está aproveitando – ou já não aproveitou – o momento em que a vaga no time titular caiu no seu colo para alegrar a torcida santista com gols e garantir seu espaço no elenco para 2011.

Todo jogador tem defeitos, e nós sabemos que quem quer que venha para 2011 também trará os seus, mas saber identificar e corrigir seus defeitos é o que difere os jogadores comuns, ou ordinários, dos jogadores raros, os extraordinários. Zé Eduardo é um atacante comum, ordinário, que na maioria das vezes não acrescenta nem prejudica. Algumas vezes acrescenta, como quando fez três (bonitos) gols contra o Fluminense, no Rio. Outras, prejudica, como quando entrou e foi expulso, contra o Cruzeiro.

A questão é que jogadores comuns, ordinários, precisam compensar sua limitação com raça e com vontade de jogo, e com raça e com vontade de melhorar. E o Zé Eduardo não vem mostrando nada disso. Bem agora, que tem a chance em suas mãos…

Eu já não manteria o Zé no meu Santos para 2011.

MARCELO MARTELOTTE – Sempre inventivo. Hoje, um Santos armado em uma variação do já clássico 7-1-2 daquela partida contra o Atlético-MG. Uma pena que não empatamos de novo, como daquela vez. O empate fora de casa é sempre bom, não? Mas estamos empatando sempre em casa… e perdendo fora. O Goiás, 99% rebaixado e pensando no Palmeiras pela Sul-Americana, foi a exceção dessa condição que estamos mantendo há várias rodadas. E nada muda…

Marcelo Martelotte está satisfeito. Vem fazendo o trabalho que tem de fazer. Trabalha para o Santos, a favor do clube. Pensa no melhor para todos. Escala quem é indicado a escalar. Monta o time da forma que dá, tentando não chatear ninguém. São muitos fatores a levar em consideração, na hora de escalar o time: diretoria, empresários, amizades dentro do elenco… é tudo muito complicado. Eu entendo. Como torcedor do Santos, sei que essa sequência final de partidas no ano, em que mais perdemos e empatamos do que qualquer coisa, é o melhor para o Santos agora. Afinal, estamos nos preparando para uma Libertadores!

ADVERSÁRIO – Não caiu para a Série B graças a nós. Parabéns para nós!

(E o ano de 2010, que não acaba…!)


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