Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Caixa Econômica Federal

Hoje Santos x Palmeiras dará mais de 20 pontos. Assista!

Veja como foi o rachão de ontem:

Gabriel
Gabriel marcou no treino de ontem. Repetirá o feito hoje? (Ricardo Saibun/ Santos FC)

elano-thiago reservasMarcelo Fernandes dá os coletes de reservas para Elano e Thiago Ribeiro (Ivan Storti/ Santos FC)

Como foi o jogo no Paulista do ano passado:

Uma matéria do UOL diz que a Globo está correndo risco ao transmitir Santos e Palmeiras, hoje, às 22 horas, direto da Vila Belmiro, pois a audiência pode ser fraca. Assim eu vou cancelar minha assinatura do UOL. É uma bobagem atrás da outra. Pois eu digo que a audiência do clássico será uma dos maiores do ano. Mais de 21 pontos no Ibope. Somadas, as torcidas de Santos e Palmeiras são a terceira do Brasil. E ainda tem muito torcedor de outros times que assistirão ao jogo.

Na disputa entre Oswaldo de Oliveira e o interino Marcelo Fernandes, auxiliado por Serginho Chulapa, fico com a dupla santista. Oswaldo, como conhecemos bem, tem uma dificuldade enorme para montar times em jogos fora de casa. Na Vila, que esperamos esteja lotada, o domínio será do Santos.

Os times se equivalem, mas o ataque do Santos é bem superior. Robinho, o original, voltará; Ricardo Oliveira está começando a fazer gols, Geuvânio é um perigo constante, Lucas Lima está em grande fase e ainda temos Gabriel e Thiago Ribeiro no banco. Renato está bem como volante e a defesa tem sofrido poucos gols. Vanderlei é um bom goleiro.

Santos e Palmeiras é sempre um jogo gostoso de assistir. Os times costumam jogar soltos e há um respeito no ar. Afinal, fizeram o maior clássico paulista na fase de ouro do futebol brasileiro, de 1958 a 1970. Essa tradição pesa.

Desta vez, só para desmentir os que defendem que jogos do Santos não dão Ibope, verei pela Globo e espero que outros santistas o façam. Se a narração for do Cléber Machado, pode crer que os fluidos serão positivos.

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Clássico comemora 100 anos

Neste ano de 2015 Santos e Palmeiras comemoram um século do clássico. No primeiro jogo, em 3 de outubro de 1915, no Campo do Velódromo, na Capital, o Santos goleou por 7 a 0, com três gols de Ary Patusca, dois de Anacleto Ferramenta, um de Arnaldo Silveira e um de Aranha. A torcida do Santos subiu a serra para ver este jogo que representou a maior goleada sofrida pelo time paulistano no confronto. O Palmeiras, ainda denominado Palestra Itália, era formado por italianos ou descendentes. Hoje o Palmeiras leva ampla vantagem no confronto direto, mas está há sete jogos sem vencer o Santos. Nesta noite os dois times jogarão com todos os seus titulares.

Santos x Palmeiras – Vila Belmiro, 11/03/2015, 22 horas

Santos: Vanderlei; Cicinho, Werley, David Braz e Victor Ferraz, Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira. Técnico: Marcelo Fernandes.

Palmeiras: Fernando Prass, Lucas, Tobio, Vitor Hugo e Zé Roberto; Gabriel e Arouca; Allione, Robinho e Dudu; Cristaldo. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Arbitragem: Thiago Duarte Peixoto, auxiliado por Danilo Ricardo Simon Manis e Luis Alexandre Nilsen, todos de São Paulo.

Acho o elenco do Santos bom, e você? Clique na imagem para ampliar
Material de Imprensa - Santos FC X Palmeiras

Quais os critérios da Caixa para patrocinar os clubes?

A Caixa Econômica Federal patrocina 14 cubes brasileiros. A verba é distribuída aleatoriamente, sem nenhum critério visível. Corinthians e Flamengo, os clubes de maior torcida, são os que recebem a maior verba; 30 milhões anuais para o paulista, 25 milhões para o carioca. O Vasco, cuja torcida cai a cada ano, recebe 15 milhões. Mas São Paulo, Palmeiras, Santos, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético/PR, outros clubes de grande torcida, nada recebem.

Mais dois do Paraná, Coritiba e Atlético, recebem 6 milhões cada um. Da Bahia, só o Vitória é contemplado, também com 6 milhões. Por que o popular Bahia ficou de fora? De Pernambuco, o felizardo é o Sport, também com 6 milhões por ano. De Goiás, o clube mais conhecido é ignorado. O patrocinado é o Atlético Goianiense, com 2,4 milhões.

Em Santa Catarina, o Figueirense recebe 4,5 milhões e o Chapecoense, 4 milhões. Dois clubes do Rio Grande do Norte – ABC e América – recebem 2 milhões cada um, e mais dois de Alagoas – CRB e ASA – ganham 500 mil por ano. Como se vê, não há critério. Cheque a lista completa:

Corinthians/SP R$ 30.000.000,00
Flamengo/RJ R$ 25.000.000,00
Vasco da Gama/RJ R$ 15.000.000,00
Atlético Paranaense/PR R$ 6.000.000,00
Coritiba FC/PR R$ 6.000.000,00
EC Vitória/ES R$ 6.000.000,00
Sport Club Recife/PE R$ 6.000.000,00
Figueirense FC/SC $ 4.500.000,00
Chapecoense/SC 4.000.000,00
Atlético Goianiense/GO R$ 2.400.000,00
ABC Futebol Clube/RN R$ 2.000.000,00
América FC /RN R$ 2.000.000,00
CRB /AL R$ 500.000,00
ASA de Arapiraca/AL R$ 500.000,00
TOTAL R$ 109.900.000,00

Some esta distribuição maluca de verba de patrocínio da Caixa Econômica Federal à nova determinação da CBF de que clube devedor de salários perderá pontos e poderá até ser rebaixado e entenda como o poder do futebol pode privilegiar uns e prejudicar outros. Logicamente os que recebem verba de empresa estatal têm mais facilidade para pagar os salários e evitar punições. Veja a matéria no link abaixo:

Clube que dever salários perderá pontos – Clique aqui para ler

E você, o que espera do jogo e da audiência de Santos x Palmeiras?


Este jogo sujo acaba com o futebol brasileiro

Minha coluna no jornal Metro: “Moralidade ferida”

Antes que me acusem de alguma coisa, antes que alguma jihad de uma tal torcida me inclua na lista dos antis, deixe-me adiantar que não sou anti nenhum time e não tenho problemas com nenhum torcedor adversário. Como jornalista, fiz matérias de vários times grandes e em todas me dediquei com o mesmo profissionalismo. Procurem por aí e as encontrarão. Agora, o que não suporto é o jogo sujo, o privilégio, a burla das regras. Isso realmente mexe comigo, como, acredito, mexa com todo desportista que tem uma gota de sangue nas veias.

Tudo bem que o mérito esportivo não é valorizado neste País. Já me conformei com isso. Seria mesmo um sonho se tudo o que o Santos fez pelo Brasil fosse reconhecido e valorizado. O fato de ter colocado o Brasil no mapa – já que foi o primeiro time a jogar em todos os continentes e provar que a capital brasileira não era Buenos Aires – eu sei que hoje não vale nada. O que vale é o “marquiti”.

O que vale é o Ibope, que dá grana, dizem. Reconheço que quantidade de torcedores e audiência na tevê, aparentemente, são dados incontestáveis. Mas em tudo é preciso haver limite, ou se perde a sagrada competitividade, como está ocorrendo no futebol brasileiro. Sim, estamos galopando velozmente a caminho da Espanholização e nesta semana tivemos dois episódios que deixaram isso muito claro:

1 – Mesmo com a economia brasileira em crise devido aos incompetentes que estão no governo, a Caixa Econômica Federal, um banco do Estado, renovou, sem licitação, o seu contrato de R$ 30 milhões anuais com o Corinthians. Detalhe: é o maior contrato de patrocínio de um clube brasileiro.

2 – O ex-presidente corintiano Andrés Sanchez sugeriu que o governo comprasse os R$ 420 milhões em Cids (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) que o alvinegro paulistano precisa arrecadar pelo acordo que permitiu a construção de seu estádio. Isso é de um cinismo e de uma imoralidade sem tamanho, pois é o mesmo que pedir para o credor pagar a dívida a que tem o direito de receber.

Ao menos neste caso há um promotor público lutando contra a bandalheira. Trata-se de Marcelo Camargo Milani, que entrou com ação contra a emissão dos Cids a favor do Corinthians. Na ação, Milani afirma que o ex-prefeito Gilberto Kassab feriu o princípio da moralidade ao sancionar a lei pela qual a Prefeitura se comprometeu a emitir R$ 420 milhões em Cids para serem negociados pelo clube da zona leste paulistana.

Acho o embate de Marcelo Camargo Milano heróico, pois é sabido que o Governo e a Rede Globo estão emparceirados na missão de catapultar o time de São Paulo, escolhido para dividir com o time do Rio a supremacia do nosso futebol. O movimento é antinatural, antiético, mas é poderoso e resiliente.

Não procure explicação para tamanho privilégio dentro da lógica. É uma decisão, acima de tudo, política. E política, meu caro, só se combate com política. Por isso insisto que os clubes devam se unir em uma Liga Nacional. Ou fazem isso imediatamente, ou viverão só para fazer número e bater palmas.

Há 70 anos começava a era Athié como presidente do Santos

Por Guilherme Guarche, do departamento de Memória do Santos

No dia 27/02/1945, Athié Jorge Coury tomava posse como presidente do Santos FC, tendo como vices Acácio de Paula Leite Sampaio, Ulisses Guimarães, Sílvio Fortunato, Armando Erbisti e Rubens Ferreira Martins.

Athié permaneceu no cargo maior do clube até o dia 23/01/1971 sem interrupção. Anteriormente o presidente do Peixe era Antônio Feliciano e depois quem sucedeu Athié foi Vasco José Faé. Durante os anos em que exerceu o mandato de presidente o Santos conquistou suas maiores glórias esportivas e também patrimoniais.

No ano de 1932, durante a Revolução Constitucionalista, ele foi um dos defensores do Estado de São Paulo, combatendo as tropas federais que invadiram o Estado paulista. Além de ter sido um dos melhores corretores de café de Santos, foi também vereador, deputado estadual e deputado federal em diversas oportunidades.

De 1945 a 1971 o time do Alvinegro mais famoso do mundo jogou 1.696 partidas oficiais e amistosas, tendo vencido 1.042 empatado 291 e perdido 363, marcando 4.665 e sofrendo 2567. O primeiro título conquistado por ele como presidente foi a Taça Cidade de Santos, no dia 18/04/1948 e o último foi a Taça Cidade de São Paulo, em 24/04/1970.

Um pequeno exemplo da personalidade de Athié:

E você, não acha que esse privilégio é jogo sujo?


Como transformar a Timemania em pesquisa científica

Timemania - 1

Digo e repito que a Timemania não pode ser negligenciada como indicador de torcidas de futebol no Brasil. O fato de dar ao apostador a opção de escolher o seu “time do coração” faz com que ela se torne a enquete mais abrangente sobre torcidas já feita no País.

Mas não é pesquisa científica, protestam os pragmáticos sistemáticos. E eu concordo. Realmente, é uma enquete que jamais pode ser desprezada, mas não é pesquisa científica. Por isso, neste post, que ofereço aos pesquisadores do Brasil, estagiários, estudantes, desempregados e à própria Caixa Econômica Federal, dou a fórmula, simples, de se transformar a Timemania em pesquisa científica.

Antes de divulgar a “Fórmula Odiriana para transformar a Timemania em Pesquisa Científica’, explicarei porque não se pode desperdiçar a abrangência nacional de uma enquete como esta.

Muitos já disseram que a única maneira de se fazer uma pesquisa fidedigna sobre torcidas de futebol no Brasil, precavendo-se das armadilhas do método científico por amostragem, seria incluir no censo populacional a pergunta sobre um único time de preferência de cada cidadão ou cidadã brasileiros. Só assim saberíamos exatamente o time para o qual cada brasileiro torce, e saberíamos também quantos não torcem para time nenhum. Como isso não foi feito e nem sequer é cogitado, a Timemania é a única oportunidade de se atingir uma abrangência maior, próxima de um censo.

Tenho dito que a Timemania é apostada em 65% das cidades brasileiras, mas descobri que estou sendo muito modesto. Informação da Caixa Econômica Federal de maio de 2008 dizia que havia 8.870 casas lotéricas em 3.499 cidades brasileiras. Como o Brasil tem 5.565 cidades, isso queria dizer que 62,8% dos municípios do País tinham casas lotéricas. Muito bem…
Quantas cidades tinham casas lotéricas em maio de 2008

Informação mais recente, provinda da Caixa em maio de 2014, diz que havia 13.076 casas lotéricas no Brasil, portanto 49% a mais do que em 2008. A matéria não informa quantas cidades a mais passaram a ter lotéricas desde maio de 2008, mas é natural esperar que destas 4.200 casas lotéricas abertas nos últimos seis anos, a metade, ou no mínimo um quarto, tenham como endereço as mais de duas mil cidades brasileiras que não possuíam casas da Caixa Econômica Federal – que, é bom lembrar, são um ótimo negócio, pois funcionam como agências bancárias.
Número de casas lotéricas aumentou quase 50% em seis anos

Então, não seria nenhum exagero imaginar que, hoje, no mínimo 80% das cidades brasileiras têm casas lotéricas e, conseqüentemente, recebem pessoas que anotam o seu “time do coração” na Timemania. Isso é uma quantidade espantosa, inalcançável para qualquer instituto de pesquisa.

Outro detalhe impressionante é que apesar de um número de apostas cada vez maior, a porcentagem de votos em cada time do pelotão de frente não se altera substancialmente de um ano para outro, assim como a posição de cada um dos dez mais votados. Isso prova que é consistência na enquete, ao contrário de outras pesquisas que apresentam resultados disparatados mesmo quando realizadas em intervalos menores de tempo.

Só para dar uma idéia do crescimento no número das apostas, lembro que o Flamengo terminou o ano de 2010 como o time mais votado da Timemania, com 3.848.273 votos. Agora, sua contagem parcial em 2014 já chegou a 6.468.142 votos. O Palmeiras, quinto colocado neste ano de 2014, já tem mais votos do que o Flamengo teve ao final de 2010. E se a porcentagem do rubro-negro em 2010 era de 6,38%, hoje é de 5,07%, apenas 1,31% menos.

Nesses quatro anos e meio a classificação dos dez primeiros pouco foi alterada. Flamengo e Corinthians continuam primeiro e segundo, respectivamente. O Santos era o terceiro em 2010 e o São Paulo, o quarto, hoje trocaram de posições. O Grêmio era o quinto e o Palmeiras, sexto, e também trocaram de posições. Internacional, sétimo, e Vasco da Gama, oitavo, continuam nas mesmas colocações. O Botafogo era o nono e o Cruzeiro, o décimo, e trocaram de posições.
Cheque os resultados e número de apostas na Timemania

E note que de lá para cá foram feitas cerca de 480 milhões de apostas, em milhares de cidades diferentes, por milhares (ou milhões) de pessoas que escolheram seus times dentre 80 times diferentes. Qual seria a possibilidade matemática de que os 10 mais votados continuassem os mesmos desde o início de 2010 até hoje, sabendo-se ainda que a cada ano a contagem é zerada?

Enfim, é evidente que essa abrangência da Timemania precisa ser aproveitada como pesquisa. E como fazer isso? Simples. Depurando os resultados da própria Timemania. É preciso saber quantas apostas cada apostador faz, em média; qual a porcentagem de apostadores que escolhem o seu próprio time como “time do coração” e qual a porcentagem de apostadores que deixam esse encargo para a “surpresinha”. Sabendo-se isso, teremos mais de um milhão de votos “válidos” a cada teste.

Além dessas informações básicas, seria interessante, também, saber a idade do entrevistado, o que serviria para definir as faixas etárias que mais apostam na Timemania. Nem vou incluir a pergunta sobre sexo, pois presumo que o entrevistador consiga distinguir o dito cujo de cada entrevistado sem precisar perguntar. E as cidades das lotéricas serviriam como indicativos de lugar.

Perguntas a serem feitas ao apostador da Timemania

Qual a sua idade?

Quantas apostas você costuma fazer em um teste da Timemania?

Que time você anota como “time do coração”:
( ) O time para qual você torce
( ) Um time qualquer
( ) Deixa a escolha para a surpresinha

Pois bem.A pesquisa é esta. Tem de ser simples, direta, de forma que todos entendam. Com ela saberíamos quantas pessoas efetivamente apostam em cada teste, pois suprimiríamos os volantes dobrados. Saberíamos também quantos votam aleatoriamente e quantos escolhem realmente o time para o qual torcem. Esses dados tabulados com os resultados de cada teste da Timemania seriam suficientes para nos fornecer uma pesquisa ampla e fidedigna.

Quem pode fazer isso? A própria Caixa, ou, o que é mais provável, grupos de estudantes que se proponham a fazer as perguntas nas lotéricas de sua cidade. Garanto que cada entrevista não durará mais do que um minuto. Com alguns grupos de entrevistadores espalhados pelo Brasil, teríamos a melhor pesquisa de torcidas – dentro da faixa etária da Timemania – que já se fez no País.

Se mesmo pesquisas que ouviram duas, três mil pessoas, já devem ser consideradas científicas, então bastaria ouvir 100 apostadores da Timemania em 20 ou 30 cidades brasileiras, espalhadas pelas cinco regiões do País, para termos uma amostragem que, cruzada com as informações dos testes da Timemania, daria uma ideia precisa do volume das maiores torcidas de futebol no Brasil.

O blog está aberto para receber os resultados e divulgá-los, assim como divulgar o nome dos entrevistadores e do professor responsável. Não se perderia muito tempo e poderíamos contribuir para transformar a Timemania em uma pesquisa consistente. O que acham?

E você, não acha possível transformar a Timemania em pesquisa científica?


Patrocínio da Caixa a um clube de futebol não tem explicação lógica

Qualquer trainee de marketing sabe que uma grande marca não patrocina um grande clube de futebol devido à rejeição dos torcedores contrários. A Parmalat sentiu isso na pele quando participou da co-gestão com o Palmeiras e constatou que os torcedores dos outros times – principalmente do rival alvinegro da capital – estavam deixando de comprar seus produtos.

Mesmo que um clube tenha, em hipótese, 15% dos torcedores do Brasil, haverá 85% de opositores, o que é um índice de rejeição impraticável para qualquer plano coerente de marketing.

O anunciado patrocínio da Caixa Econômica Federal se torna ainda mais difícil de entender quando se sabe que o alvinegro de Itaquera já é, dentre os clubes brasileiros, o de maior índice de rejeição – antipatia aumentada com a recente liberação, entre isenção de impostos e empréstimo direto, de 800 milhões de reais de dinheiro público para a construção de um estádio, e da nomeação dos discutidos Andrés Sanchez e Mano Menezes para postos-chave na CBF.

Outro detalhe é que uma empresa estatal não pode, por lei, patrocinar instituições que tenham dívidas com o governo, e o alvinegro da capital deve nada menos do que 50 milhões de reais aos cofres públicos.

Lula cumpriu a promessa

Para o jornalista Lauro Jardim, colunista da revista Veja, o patrocínio da Caixa Econômica Federal foi obtido graças à interferência direta do ex-presidente Lula, que já tinha prometido interceder a favor do clube se este não conseguisse o patrocínio master. Depois de sete meses sem que o marketing corintiano apresentasse resultados, Lula resolveu agir. Assim escreveu Lauro Jardim na Veja que está nas bancas:

No início de outubro, sob o título Lula veste a camisa, foi publicada aqui a seguinte informação:

Depois da eleição, Lula se incumbirá de uma nova tarefa. Comprometeu-se com diretores do Corinthians a procurar grandes empresários e resolver de uma vez por todas o patrocínio das camisas do clube. Este ano, o clube de maior torcida de São Paulo, campeão brasileiro, da Libertadores e candidato ao título mundial, não conseguiu se acertar com ninguém. Pediu 35 milhões de reais por um ano.”

E assim foi feito. Ontem, o Corinthians, que estava há sete meses sem patrocinador master, fechou com a Caixa Econômica Federal.

Não deu para ser uma empresa privada. Foi de banco estatal mesmo.

Hoje tem Santos e Bahia pela Copa do Brasil Sub-20

Após um empate de 1 a 1 no primeiro jogo, na Bahia, Santos e Bahia voltam a se enfrentar hoje, às 20h30m, na Vila Belmiro, para definir quem vai para a semifinal da Copa do Brasil Sub-20.

Para se classificar o Santos precisa de uma vitória ou do empate em 0 a 0, já que empatou com gols fora de casa. O resultado de 1 a 1 leva para a decisão por tiros diretos.

O jogo será transmitido pela ESPN Brasil. Mas espero que a torcida de Santos compareça. Os Meninos, alguns deles com boas possibilidades de serem aproveitados entre os profissionais em 2013 – casos de Geuvânio, Leandrinho, Pedro Castro e Giva – precisam muito do incentivo dos torcedores.

E você, o que achou de mais uma ajuda de Lula ao Corinthians?


Por que ninguém desconfia que há mutreta na Mega Sena?


Quando a Mega Sena acumula, você aposta e sonha. Mas e se o destino da dinheirama já estiver traçado?

Já ouviu falar em “atitude suspeita”? Pois é. A polícia costuma investigar pessoas em atitude suspeita. Isso não quer dizer que você será preso se for ao banco com um sobretudo em um dia de sol, mas que deixará os seguranças de cabelo em pé, pode ter certeza. E eu estou aqui, de cabelo em pé, com essa notícia de que ontem uma única aposta feita da cidade de Seringueiras, na sortuda Rondônia, ganhou R$ 30.150.521,09 na Mega Sena.

Pesquiso e constato que Seringueiras tem 8.397 habitantes – população menor do que algumas ruas da cidade de São Paulo. Ruas pelas quais se espalham milhares de casas lotéricas, que ficaram cheias esta semana diante da possibilidade de tornar um paulistano milionário. Que habitante da cidade e do estado não queria ganhar esse prêmio?

Com a maior população do país (41,4 milhões de pessoas) e o maior PIB per capita (R$ 19.548,00 por ano), São Paulo é o Estado que mais aposta nas loterias da Caixa Econômica Federal. E o frenesi aumenta quando os prêmios ficam acumulados.

Por outro lado, Rondônia, que tem uma estranha tradição de ganhar prêmios acumulados na Mega Sena, possui uma população de 1,5 milhão de pessoas e PIB per capita de R$ 8.391,00.

Ou seja, Rondônia tem 3,6% da população de São Paulo e cada um de seus cidadãos tem 42% do poder aquisitivo de um paulista. Somando estes dois fatores, diremos, grosso modo, que a cada jogo da Mega Sena São Paulo tem 70 vezes mais chance de ter o ganhador do que Rondônia – proporção que aumenta nos prêmios acumulados.

Porém, no montante de dinheiro distribuído pela Mega Sena para os ganhadores dos estados brasileiros, São Paulo, mesmo tendo mais felizardos, angariou apenas 11 vezes mais do que Rondônia.

Isso porque os prêmios sorteados para Rondônia são sempre polpudos, pois ocorrem quando a Mega Sena está acumulada. Em média, os prêmios que vão para Rondônia alcançam R$ 22 milhões, mais do que o dobro de qualquer outro Estado.

Rondônia, isto é que é Estado de sorte

Até o final do ano passado, os três maiores prêmios distribuídos pela Mega Sena foram:

Concurso 188 – 10/10/1999 (Salvador-BA) R$ 64.905.517,65
Concurso 898 – 01/09/2007 (Joaçaba-SC e Porto Velho/RO) R$ 55.564.107,66
Concurso 990 – 26/07/2008 (Ji Paraná-RO e Belo Horizonte-MG) R$ 53.172.281,02

Em 2005, um outro sortudo, de Rolim de Moura, Rondônia, já havia acertado as seis dezenas e faturado mais de R$ 40 milhões. Agora é a vez do desconhecido da pequena Seringueiras.

Quando, em 2007, um apostador de Santa Catarina e um de Rondônia dividiram o prêmio de R$ 55,5 milhões, o jornalista Humberto Mesquita escreveu a seguinte crônica no site Vote Brasil:

Ganhador da Mega-Sena é de Rondônia. Que dá para desconfiar, isso dá
Humberto Mesquita

Mais de cinqüenta por cento dos apostadores da Mega Sena são de São Paulo, mais de setenta por cento são dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Rondônia representa menos de 1 por cento das apostas, mas um dos dois ganhadores da última Mega-Sena é do pequeno Estado de Rondônia. O outro é de Santa Catarina.

Tudo isso pode ser verdade, mas que dá para desconfiar, isso dá. Quase todas as vezes em que o prêmio acumula, o sortudo aparece lá de uma cidadezinha do interior do Norte ou Nordeste do Brasil. Pode ser verdade, mas que dá para desconfiar, isso dá.

Antigamente havia mais visibilidade nesses sorteios e os ganhadores eram conhecidos. Aí alguém ou alguns decidiram que a Caixa Econômica Federal não divulgaria mais os nomes dos vencedores, para protegê-los contra a ganância de assaltantes. Encobrindo os nomes dos ganhadores, que antes apareciam sempre nos lugares de maior densidade demográfica, os ganhadores começaram a aparecer nos lugares mais distantes, nas regiões mais inóspitas, nas pequenas cidades do interior do Brasil.

As coisas no Brasil não acontecem às claras. Já houve denúncia contra possíveis manipulações no sorteio da Mega Sena. Parte da imprensa, uma ou duas emissoras de televisão falaram do assunto, mas logo se calaram. A Caixa Econômia Federal é um grande anunciante e os órgãos da imprensa falada ou escrita não querem se indispor com um grande anunciante.

Alguns políticos falaram. O senador Álvaro Dias denunciou mais de uma vez possíveis fraudes nos sorteios da Mega-Sena, mas as denúncias não levaram a nada. Noticiou-se igualmente que a Polícia Federal havia descoberto uma rede de fraudadores que estariam utilizando pesos nas bolinhas para sempre dar os números que eles quisessem.

As informações aparecem e rapidamente desaparecem da mídia, e os milhares de brasileiros que sonham em ganhar um prêmio grande, enfrentam filas e gastam seu rico dinheirinho na esperança de se tornarem milionários, mas quem sabe eles estão fazendo outros milionários ou enriquecendo mais determinados milionários.

Isso pode não ser verdadeiro, mas que faz a gente desconfiar, isso faz.

Entre os comentários deste artigo, há um, de 05/09/2010, de José Alfredo Junqueira, de Leopoldina, Minas Gerais, que diz:

Caro Humberto, tive informações que o esquema de fraudes nos jogos da CEF é o seguinte: uma máfia comandada por um ex-presidente da CEF e atual manda-chuva em Minas faz milhões de apostas em lotéricas, orientada por matemáticos. Fingem que pagam e a CEF finge que recebe. Só a Polícia Federal pode desbaratar esta quadrilha, se quiser, é claro. Claro que pequenos prêmios e eventuais sortudos são contemplados. Mas as Mega Senas acumuladas têm dono: esta turma de mafiosos.

Falamos de Santos, mas não somos alienados

Este blog fala, preferencialmente do Santos. Mas não dá para fechar os olhos ao que ocorre à nossa volta. Esta semana percebi as filas nas casas lotéricas e pensei: “Coitada dessa gente… Talvez o ganhador já esteja programado, e o prêmio saia lá para Rondônia”. Não deu outra.

Talvez seja mesmo questão de sorte. Mas, que é no mínimo suspeito tantos prêmios para um dos estados menos habitados e mais pobres do país, isso é. E se é suspeito, e se envolve fortunas, além de, principalmente, o sonho e a esperança de dezenas de milhões de brasileiros, então deve ser investigado. E se deve ser investigado, esta função é da Polícia Federal.

Filme mostra o mesmo auditor em dois sorteios da Mega Sena

Senador Álvaro Dias fala sobre fraudes nas loterias da Caixa

Você acha que estou imaginando coisas, ou também sente que há fatores estranhos agindo sobre os sorteios da Mega Sena, principalmente quando o prêmio está acumulado?


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