Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

film izle

Tag: Campeão Brasileiro

Copete quer a taça. E você?

Empolgante a maneira como o colombiano Jonathan Copete se entregou à luta contra o Vitória. Fez dois gols, sofreu um pênalti e criou muitos lances de perigo. Ele não é um craque, mas é essa garra que pode levar o Santos ao título brasileiro deste ano. Sim, o título brasileiro, acredite!

Contra um Vitória franco atirador, o improvisado sistema defensivo do Santos se mostrou inseguro e errático. Yuri foi mal como zagueiro, Dorival quis dar emoção ao final colocando Elano e Léo Cittadini e por pouco três pontos garantidos viraram um. Porém, com o triunfo santista por 3 a 2 e o empate do Palmeiras, diante do Atlético Mineiro, em 1 a 1, o título ainda está em aberto e ficará com o time que tiver mais frieza, determinação e coragem.

Li comentários de santistas que entregaram a toalha porque o Atlético Mineiro não venceu o Palmeiras. Ora, o Atlético está na final da Copa do Brasil e poderia ter usado reservas no Brasileiro, como o Santos fez no ano passado, e fatalmente teria perdido, aí sim deixando o campeonato à mercê do Palmeiras. Porém, teve hombridade e, com o empate, aproximou mais o Santos do Palmeiras do que se pode imaginar.

Em número de vitórias, Santos e Palmeiras estão empatados, com vinte e uma cada. Em gols sofridos, também empatam, com 31. Nos gols marcados, a vantagem palmeirense é de apenas dois (58 contra 56 do Santos). Em suma, os times têm rendimentos muito parecidos. A maior diferença são esses quatro pontos que, no entanto, não representam uma vantagem definitiva.

Digo isso porque nos jogos mais recentes o Santos vem tendo um rendimento melhor do que seu rival. Enquanto, em suas últimas três partidas, o Santos venceu o próprio Palmeiras, na Vila Belmiro, por 1 a 0, derrotou a forte Ponte Preta, em Campinas, por 2 a 1, e agora passou pelo Vitória por 3 a 2, o Palmeiras perdeu do Santos, ganhou a duras penas do Internacional, por 1 a 0, e agora empatou com o Atlético Mineiro. Há um declínio visível no desempenho palmeirense.

E, por uma má coincidência para o alviverde, seus três últimos compromissos serão contra times que ainda têm o que esperar do campeonato: o Botafogo vem a São Paulo pensando na vitória, pois quer garantir uma vaga na Libertadores; a Chapecoense tem um time arrumadinho, está na melhor fase de sua história e também tem planos de ficar no G6, e, por fim, o Vitória, em sua casa, lutará até o último minuto pela vitória que poderá salvá-lo do rebaixamento.

Não me espantarei se o Palmeiras não conseguir vencer nenhum dos três jogos que lhe restam. O time tem sido o retrato de seu técnico e está à beira de um ataque de nervos. Porém, nem precisará empatar os três jogos. Basta que tenha dois empates e uma vitória para permitir que o Santos, com três vitórias, seja o campeão. E essa não é a única fórmula que pode decidir o título para o Alvinegro Praiano…

Digamos que o Santos vença o Cruzeiro, em Belo Horizonte; empate com o Flamengo, no Rio, e, obviamente, vença o rebaixado América Mineiro na Vila Belmiro. Fará mais sete pontos. Nesse caso, o Palmeiras só poderá marcar três pontos nos três jogos que lhe restam – apenas um a menos do que marcou nos seus três jogos mais recentes.

Não acho impossível que o Palmeiras perca para o Botafogo e, na última rodada, para o desesperado Vitória, vencendo apenas a Chapecoense. Nem acho impossível que a Chapecoense também complique bastante a partida no Allianz Parque. Sei que não falta garra ao alviverde paulistano, mas está devendo em técnica.

Por outro lado, sabemos que o Santos tem alguns jogadores muito técnicos, porém é a garra do limitado Copete que está levando o time à frente nessa reta final. E pela forma como luta pela bola e pelas vitórias, o colombiano ainda acredita no título brasileiro. É esse espírito que deve embalar o Glorioso Alvinegro Praiano nesses três jogos que podem lhe dar o título mais espetacular de toda a história do Campeonato Brasileiro. Se ele acredita, por que nós desistiremos? Força Santos!

E você, quer mesmo a taça?


dossie - imprensa

Um dos dois deve ser Eneacampeão Brasileiro!

E com justiça. Boa parte de seus títulos foram conquistados na Era de Ouro do futebol brasileiro, entre 1958 e 1970, quando, em 12 anos, o Brasil foi três vezes campeão mundial.

O trabalho que impediu o “esquecimento” dos campeões nacionais de 1959 a 1970, de José Carlos Peres e meu, virou um livro histórico. Trata-se do Dossiê e está à venda na livraria deste blog. Basta clicar em Comprar Livros, no alto, à direita, na página inicial deste blog.

E para facilitar o Natal de santistas, palmeirenses, botafoguenses e de todos os interessados no “Dossiê Unificação dos Títulos Brasileiros a Partir de 1959”, faço uma promoção de Papai Noel: a compra de um exemplar do Dossiê, por apenas 38 reais, dá direito a mais um, sem nenhuma despesa extra. Compre um que eu envio dois para você.

Os exemplares devem ser encaminhados ao mesmo endereço, ou será impossível segurar o preço do correio. Veja que legal. Você terá o seu exemplar e com o outro poderá presentear um amigo santista, palmeirense, cruzeirense, botafoguense ou torcedor do Bahia ou do Cruzeiro. Que presentão de Natal, hein.

É só clicar em Comprar Livros, adquirir um Dossiê, e o resto fica comigo. E logo que comprar, envie e-mail para blogdoodir@blogdoodir.com.br e diga para quem quer as dedicatórias.

Se preferir, clique aqui para garantir o seu Dossiê e o presente de Natal do seu amigo santista ou palmeirense

Leia “O barqueiro de Paraty”, uma história de virtude e amizade que pode mudar sua vida!

Na livraria deste blog a versão em papel de “O barqueiro de Paraty” está esgotada. Mas é possível adquiri-lo em Ebook, na Amazon, por apenas R$ 15, 64. Essa história, um tanto autobiográfica, é um ótimo presente para quem quer aprender mais sobre a essência da vida simples. No link abaixo é possível ler o primeiro capítulo. Experimente…

Clique aqui para entrar na Amazon, ler uma parte do livro “O barqueiro de Paraty” e, se gostar, adquiri-lo por apenas R$ 15,64.

A promoção do livro Time dos Sonhos continua
Pelé dormindo com os livros Time dos Sonhos
Com apenas 68 reais você adquire um exemplar do livro Time dos Sonhos, a Bíblia do Santista, mas recebe dois, sem despesas de correio, tem direito a dedicatórias em cada um deles (basta enviar e-mail para blogdoodir@blogdoodir.com.br e dizer para quem quer as dedicatórias) e ainda recebe, por e-mail, as versões eletrônicas dos livros Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time.
Já tem o livro? Então compre para os amigos. Um livro com preciosas 535 páginas sobre a rica história do Santos é um presente para toda a vida, você sabe.
Clique aqui para comprar um exemplar do livro Time dos Sonhos e ganhar mais um, com dedicatórias exclusivas e mais as versões eletrônicas de Donos da Terra, Ser Santista e Pedrinho escolheu um time.Tudo por 68 reais, e ainda dá para parcelar!


Hoje tem Santos no Paca! E o melhor Cruzeiro campeão foi o de 1966!

Um prêmio à coragem: 3 a 0 no Bahia

Desta vez, mesmo vencendo por 2 a 0, o Santos não recuou demasiadamente e abdicou de atacar. Ao contrário. Continuou atrapalhando a saída de bola do Bahia e buscando o ataque com consciência. O resultado foi que marcou mais um gol e pela primeira vez em muito tempo ganhou uma partida neste Brasileiro sem passar sufoco no final.

Espero que o jogo tenha convencido o técnico Claudinei Oliveira de que é possível obter mais sucesso jogando no ataque, do que na defesa. Se não tivesse adiantado o seu ataque e marcado a saída de bola do Bahia, dificilmente o Alvinegro Praiano teria conseguido vitória tão elástica.

Os destaques do Santos foram Montillo, que jogou mais avançado; Thiago Ribeiro, que deu passes sensacionais; Cícero, autor de dois gols, e Geuvânio, que pela dedicação, agilidade e ofensividade tem conquistado a torcida.

Alan Santos entrou muito bem e está merecendo um lugar nesse meio-campo. Alison e Arouca que se cuidem. Na defesa, Aranha este bem como sempre. Bruno Peres criou a jogada do primeiro gol e apoiou melhor do que Émerson; Gustavo Henrique, mesmo mais jovem, mostrou-se mais seguro do que Edu Dracena.

O time errou menos passes, ganhou mais bolas divididas, e isso é fundamental para se ter um bom desempenho. É como no tênis: não adianta fazer mais aces e mais winners se o número de erros não forçados é assustador.

Ganhar os quatro jogos que faltam é muito difícil, mas está longe de ser impossível. Os dois em casa não são os maiores problemas. Mas, se jogar longe da torcida com a mesma coragem que demonstra diante dela, quem sabe o Santos não faz mais um de seus pequenos milagres. Não custa nada acreditar.

Ah, ia me esquecendo do público: fantástico, pelas circunstâncias. Quinze para 16 mil pessoas é a lotação completa da Vila Belmiro. E isso em um horário muito cedo para quem enfrenta o trânsito de São Paulo, véspera de feriado e adversário sem grande rivalidade. É óbvio que o Santos tem de jogar, no mínimo, 50% de seus jogos no Pacaembu.

Veja os melhores lances de Santos 3 x 0 Bahia:

http://youtu.be/sA5COatKuf4

O que essa vitória sobre o Bahia representou para você?

Imagens e emoções de uma história inesquecível

dossie - peres na cbf
José Carlos Peres, de pé, dando uma aula de história de futebol brasileiro na CBF.

dossie - no rio
Dossiê: Exposição para a imprensa carioca no salão nobre do Fluminense.

dossie - spdossie - livro
Dossiê: Exposição para a imprensa de São Paulo no salão nobre do Palmeiras.

dossie - idolos
Com os ídolos reconhecidos Edu, Ademir da Guia, Roberto e Dorval.

dossie - peres e eu
José Carlos Peres e eu, uma parceria que não desistiu nunca.

Sabe aquele dia em que não há nada melhor do que ir ao estádio ver um jogo de futebol? Se o Santos não jogasse, eu caçaria um jogo pela cidade. Podia ser na Rua Javari ou no Castelinho, lá em Interlagos. Mas o Santos joga, no Pacaembu, contra o Bahia – em uma reedição do confronto que definiu o primeiro campeão brasileiro, em 1959. Não dá para perder.

Thiago Ribeiro e Cicinho, recuperados, devem voltar ao time, assim como Émerson Palmieri, que substituirá Mena, em serviço na Seleção do Chile. Com 45 pontos, o Alvinegro Praiano terá de vencer seus cinco jogos que faltam para sonhar com uma vaga na Liberadores. O Bahia, por sua vez, tem apenas 39 e luta para escapar do rebaixamento.

É dia de jogar sem medo e tentar recuperar a velha fome de gols que embalou a Vila Belmiro em épocas mais felizes. Mas não se pode prever facilidade, pois o Bahia do técnico Cristóvão Borges fará de tudo para voltar para Salvador ao menos com um pontinho.

Parabéns ao Cruzeiro tri! Mas o melhor dos três campeões foi o de 1966

cruzeiro1966

Com uma montagem inteligente, que usou muito do melhor que restou ao desfalcado futebol brasileiro, e dirigido por um técnico simples, direto e eficiente, como Marcelo Oliveira, o Cruzeiro chega ao seu terceiro título brasileiro com toda a justiça. Como já escrevi, é música para meus ouvidos o grito de “tricampeão” dos cruzeirenses, pois significa o triunfo da história real do futebol e a valorização da Taça Brasil, a primeira competição que deu ao seu vencedor o título de campeão brasileiro e representante do Brasil na Copa Libertadores da América.

Tomo a liberdade de reproduzir um trecho do documento que serviu de base para a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959, no caso uma parte do capítulo que fala da conquista do Cruzeiro em 1966, quando um bando de garotos talentosos de Minas Gerais surrou o meu Santos, então considerado o melhor time do mundo:

A reação de Minas e do Brasil à conquista do time dos garotos de Minas Gerais foi das mais entusiásticas que a imprensa esportiva brasileira já teve. Jornais e revistas trouxeram edições especiais com páginas e páginas sobre os heróis e a recepção que tiveram em Belo Horizonte. Mestres da crônica, como Nélson Rodrigues e Armando Nogueira, saudaram efusivamente os novos campeões brasileiros:

O campo enlameado do Pacaembu consagrou, ontem à noite, o grande campeão do Brasil, o Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Natal, e Raul, isto para citar apenas quatro jogadores de uma das melhores equipes que o futebol brasileiro já viu nascer e crescer (Armando Nogueira, Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 8 de dezembro de 1966).

Depois da vergonha e da frustração da Copa do Mundo, nenhum acontecimento teve a importância e a transcendência da vitória de anteontem. Por outro lado, não foi só a beleza da partida, ou seu dramatismo incomparável. É preciso destacar o nobre feito épico que torna inesquecível o feito do Cruzeiro. Não tenhamos medo de fazer a sóbria justiça: aí está, repito, o maior time do mundo (Nelson Rodrigues, Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, 9 de dezembro de 1966).

A importância desse feito para o orgulho nacional, ferido na Inglaterra, foi descrita assim pela revista O Cruzeiro, a mais lida do País, em editorial de sua edição de 24 de dezembro de 1966, escrito por João Martins:

Com o gesto olímpico de vitória, Piazza, o jovem capitão da equipe do Cruzeiro, de Minas gerais, traz grandes esperanças ao coração de todos os torcedores brasileiros. Uma nova geração de craques está florescendo. O nosso futebol mostra que o seu poder de renovação ainda existe, e disso o time de Tostão deu uma prova das mais convincentes nas duas categóricas partidas que disputou contra o todo-poderoso esquadrão de Pelé, nas finais da Taça Brasil. Os estádios voltam a fremir, no clamor das multidões empolgadas diante da fibra e do malabarismo dos antigos e dos recentes ídolos. O grande título que o time mineiro conquistou tem, assim, uma significação mais ampla e um sabor de renascimento. Demonstra, mais do que tudo, que o nosso maior esporte não se estagnou nem se abateu. E justifica, plenamente, a recepção triunfal que os campeões brasileiros de 66 receberam na volta a Belo Horizonte e que divulgamos na detalhada reportagem que fecha esta edição. São os novos valores que despontam, para que, junto aos astros já consagrados, o nosso futebol volte a ocupar o lugar que lhe pertence no esporte mundial.

O título do Cruzeiro mostrou que o futebol brasileiro não se restringia mais aos grandes times de São Paulo e Rio de Janeiro, além de uma ou outra aparição de clubes nordestinos. Minas Gerais e Rio Grande do Sul tinham estrutura, poder econômico e equipes à altura dos melhores do País. Essa constatação acabaria gerando, no ano seguinte, a primeira edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa ampliado, ou Robertão, que deixaria de ter apenas times de Rio de Janeiro e São Paulo.

O Cruzeiro, uma verdadeira Seleção

A seguir transcrevo as fichas técnicas dos jogos finais da Taça Brasil de 1966 entre Santos e Cruzeiro. Perceba o nível dos jogadores das duas equipes e constate que o Cruzeiro jamais repetiria um elenco de tanto brilho:

Primeiro jogo
30/11/1966
Cruzeiro 6, Santos 2, Mineirão, Belo Horizonte
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira.
Santos: Gylmar; Carlos Alberto, Mauro, Oberdã e Zé Carlos; Zito e Lima; Dorval, Toninho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.
Gols: Gols: Zé Carlos (contra) a um minuto de jogo, Natal aos 5, Dirceu Lopes aos 20 e aos 39 e Tostão aos 42 minutos do primeiro tempo; Toninho aos 6 e aos 9 e Dirceu Lopes aos 27 minutos do segundo.
Árbitro: Armando Marques
Expulsões: Procópio e Pelé.
Renda: Cr$ 222.314.600,00 (recorde).
Público: 77.325.

Segundo jogo
07/12/1966
Santos 2, Cruzeiro 3, Pacaembu, São Paulo
Santos: Cláudio, Lima, Haroldo, Oberdã e Zé Carlos; Zito e Mengálvio; Amauri (Dorval), Toninho, Pelé e Edu. Técnico: Lula.
Cruzeiro: Raul, Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza e Dirceu Lopes; Natal, Evaldo, Tostão e Hilton Oliveira. Técnico: Aírton Moreira.
Gols: Pelé aos 23 e Toninho aos 25 minutos do primeiro tempo; Tostão aos 18, Dirceu Lopes aos 28 e Natal aos 44 minutos do segundo.
Árbitro: Armando Marques.
Renda: Cr$ 65.142.000,00.
Público estimado: 30.000 pessoas.
Como campeão nacional de 1966, o Cruzeiro foi o único representante brasileiro da Libertadores de 1967. Na verdade, em 1967 a Conmebol abriu mais uma vaga por país na Taça Libertadores da América. Assim, o Santos, como vice-campeão nacional de 1966, poderia ter participado da competição. Porém, em comum acordo com a CBD, o clube paulista resolveu ausentar-se da competição sul-americana.

E hoje, contra o Bahia, o que você espera do Santos?


Hoje faz 47 anos que o maior jogo do mundo foi realizado

Quase perdi o maior jogo já disputado no Brasil. Como estudava pela manhã, estava dormindo quando meu pai me chamou: “Não vai ser seu time?!”. Estranho o seu Moacyr, que não ligava pra futebol (e talvez por isso se dissesse são-paulino), me despertar para assistir a uma partida do Santos. Acordei, sonolento, e fui para o sofá da sala. A imagem, linda, mesmo em branco e preto, vinha do Maracanã. Já batiam bola o Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha, que naquela partida, em 2 de abril de 1963, decidiriam a Taça Brasil, válida pelo título brasileiro de 1962.

Era o único acordado em casa e parecia ser o único vivo no mundo. O silencia chegava cedo naqueles lados ainda ermos da Cidade Dutra. Só a voz do locutor e a luz azulada da tevê povoavam a sala. Havia algo de mágico naquilo tudo e hoje eu sei que não era só uma impressão. Eu estava prestes a apreciar jogadores inigualáveis de uma geração iluminada, como se jogassem só pra mim..

Imagine, em uma mesma partida, os bicampeões mundiais Garrincha, Pelé, Nilton Santos, Zito, Zagallo, Gylmar, Mauro, Amarildo, todos titulares na Copa do Chile, além dos reservas Mengálvio, Coutinho e Pepe. Lá ainda estavam jogadores que seriam titulares na Copa seguinte, a de 1966, casos de Manga, Rildo e Lima. Para completar, outros craques notáveis que só não se firmaram na Seleção pelo excesso de concorrentes naqueles tempos de ouro do nosso futebol, casos de Quarentinha, Calvet e Dorval.

Anos depois, a pedido do amigo Roberto Avallone, fiz uma musiquinha falando daquela noite e só me lembro dos versos: “A bola era branca, branca como o Santos, e o Santos e a bola se davam tão bem… Me fazia acordar na noite para ve-lo jogar. Me fazia acordar na noite para continuar a sonhar”.

Sim, foi como um sonho, pois naquele jogo que nunca mais se repetirá, entre duas equipes que reuniam quase 80% dos titulares da Seleção Brasileira bicampeã do mundo, o Santos realizou uma das partidas mais deslumbrantes de sua história, e ganhou por esplêndidos 5 a 0.

No primeiro tempo os gols foram de Dorval aos 24 e Pepe aos 39 minutos. Na segunda etapa, Coutinho aos 9 e Pelé aos 30 e 35 minutos completaram o marcador. Sem ter outra forma de reagir, e mostrando uma elegância que só era possível durante o curto reinado do futebol-arte, o público de 70.324 pagantes aplaudiu os santistas.

A imprensa carioca se rendeu àquele que, com aquela vitória incontestável, confirmava sua condição de campeão mundial. O jornalista Ney Bianchi, que viria a se tornar o único a conquistar três vezes o Prêmio Esso de Informação Esportiva, batizou aquele confronto de “O maior jogo do mundo” e o definiu assim na matéria de capa da revista Fatos& Fotos, uma das mais lidas do País:

O Maracanã ainda não tinha visto tamanha exibição de futebol-arte até quando, terça-feira, o Santos provou ser o maior time do mundo, aniquilando, por 5×0, o Botafogo, com Pelé abusando da condição de gênio. Houve de tudo. Principalmente: 1. O Botafogo, glorioso dias antes, passando ao papel de vítima; 2. A estratégia de Lula anulando a de Marinho, que retirou Zagallo, afastou Nilton Santos da área e abandonou Garrincha; 3. cada um dos gols sendo uma obra-prima; 4. Manga devorando um “frango” servido por Pepe; 5. A torcida (caso único na América do Sul) esquecendo a partida para aplaudir o melhor; 6. O Botafogo, que costuma ferir com “olé”, com “olé” sendo ferido. É preciso repetir que jamais o Maracanã viu espetáculo igual. Foi tão perfeita a exibição que, ao terminar, a partida pareceu a todos a mais curta da história do futebol.

Decisão da Taça Brasil de 1962

02/04/1963

Botafogo 0, Santos 5, Maracanã, Rio de Janeiro

Botafogo: Manga, Rildo (Joel), Zé Maria, Nilton Santos (Jadir) e Ivan; Ayrton e Édison; Garrincha, Quarentinha, Amarildo e Zagallo. Técnico: Marinho Rodrigues.

Santos: Gilmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mengálvio; Dorval, Coutinho (Tite), Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Gols: Dorval aos 24 e Pepe aos 39 minutos do primeiro tempo; Coutinho aos 9, Pelé aos 30 e aos 35 minutos do segundo tempo.

Árbitro: Eunápio de Queiroz.

Público: 70.324.

Como campeão da Taça Brasil, o Santos se classificou para a Taça Libertadores da América de 1963. Porém, como foi campeão da Libertadores em 1962 e com isso garantiu vaga na edição seguinte, o Botafogo, vice-campeão da Taça Brasil de 1962, ganhou o direito de ser o segundo representante brasileiro na Libertadores de 1963 (que também seria vencida pelo santos, depois de derrotar o Botafogo, na semifinal, novamente no Maracanã, por 4 as 0).

Neste post trago as imagens históricas da cobertura deste jogo pela concorrida revista Fatos & Fotos. O consagrado jornalista Ney Bianchi atuava na imprensa carioca. Portanto, não tinha qualquer interesse em enaltecer uma equipe de São Paulo. Seu texto está livre do bairrismo e do passionalismo que tanto turvam as opiniões dos cronistas de hoje.

E você, querido leitor e leitora, acha que ainda veremos um jogo como este Botafogo e Santos, decidindo a Taça Brasil de 1962, ou aqueles tempos nunca mais voltarão?


Há 50 anos o Bahia se tornou o primeiro campeão brasileiro

Beto, capitão do Bahia, ergue a Taça Brasil.

 Ontem, 29 de março de 2010, fez 50 anos que o Esporte Clube Bahia se tornou o primeiro campeão brasileiro e primeiro clube a ganhar o direito de representar o Brasil na Copa Libertadores da América. O feito foi conseguido ao derrotar o Santos por 3 a 1, no Maracanã, e se tornar campeão da Taça Brasil de 1959, criada por João Havelange, presidente da CBD, para definir um campeão nacional de clubes.

 O que disseram sobre a conquista

Salvador hoje completa 411 anos de fundação e o melhor presente foi a grande conquista do Esporte Clube Bahia (Heitor Dias, prefeito de Salvador).

Tivemos de lutar muito, estivemos sempre, em todas as batalhas, com o coração na mão, mas tudo deu certo e conquistamos o maior título do Brasil (Geninho, técnico do Bahia e ex-pracinha da FAB na segunda guerra).

Um dos momentos inesquecíveis da historia do futebol brasileiro, foi arrepiante (Vicente Arenari, zagueiro do Bahia).

Jogamos um futebol vigoroso, vistoso, pratico e bem definido taticamente. O adversário jogou bem, mais soubemos ter calma para sair de um placar adverso e com o apoio da massa aos poucos fomos dominando o jogo e os gols saíram em momentos certos da partida (Léo Briglia, meia do Bahia, artilheiro da Taça Brasil 1959).

Jogamos contra o Vasco e contra o Santos seis partidas e vencemos quatro. São as duas maiores equipes do país, com jogadores campeões mundiais pela Seleção. Muita gente não acreditava, mas o nosso time também não deve nada aos deles (Marito, atacante do Bahia)

Não colocamos somente a Bahia no mapa do futebol do Brasil, colocamos o Nordeste (Biriba, atacante do Bahia).

O jornal O Globo, um dos mais influentes e respeitados do País, publicou um artigo entusiasmado do jornalista Ricardo Serran, no qual saudava o Bahia como o “primeiro campeão brasileiro de todos os tempos”. Dizia, ainda: “… um titulo único e inédito de uma importância sem igual. Uma odisséia fantástica do Esporte Clube Bahia, quase desacreditado depois da derrota em Salvador, vitorioso e inconstante no Rio de Janeiro, no templo do futebol, o Maracanã, contra o maior time do mundo”.

Um título justo, sem dúvida. Este Bahia, lembrado por seus torcedores como um dos melhores times de sua história, era uma equipe entrosada, que ganhou seis títulos estaduais nos anos 50 e se tornaria pentacampeã baiana em 1958/59/60/61/62. 

I Taça Brasil – 1959

Campeão: Esporte Clube Bahia

Vice: Santos Futebol Clube

Período: 23 de agosto de 1959 a 3 de março de 1960

Jogos: 35

Gols: 99 (média de 2,83 por jogo)

Artilheiro: Léo (Bahia), 8 gols

Estados representados: 16

Clubes participantes: CSA (Alagoas), Bahia (Bahia), Ceará (Ceará), Rio Branco (Espírito Santo), Vasco (Guanabara – Estado que oficialmente existiu de 1960 a 1975 e ocupava a área do atual município do Rio de Janeiro), Ferroviário (Maranhão), Atlético (Minas Gerais), Tuna Luso (Pará), Auto Esporte (Paraíba), Atlético (Paraná), Sport (Pernambuco), Manufatura (Rio de Janeiro), ABC (Rio Grande do Norte), Grêmio (Rio Grande do Sul), Hercílio Luz (Santa Catarina) e Santos (São Paulo).

Regulamento

Para participar da Taça Brasil e disputar o título de campeão brasileiro era preciso ser campeão estadual no ano anterior.Competição realizada em jogos eliminatórios, com chaves Norte (Norte e Nordeste) e Sul (Centro e Sul). Os vencedores das chaves se classificavam para as semifinais contra os campeões de Rio de Janeiro e São Paulo.

Semifinais

17/11/1959 

Santos 4, Grêmio 1, Vila Belmiro, Santos

25/11/1959

Grêmio 0, Santos 0, em Porto Alegre

19/11/1959 

Vasco 0, Bahia 1, Maracanã, Rio de Janeiro

24/11/1959

Bahia 1, Vasco 2, em Salvador

26/11/1959

Bahia 1, Vasco 0, em Salvador

Final

Primeiro jogo

Santos 2, Bahia 3

10 de dezembro de 1959

Vila Belmiro, Santos, 21 horas

Santos: Manga, Getúlio, Urubatão e Formiga; Dalmo e Zito; Dorval, Jair da Rosa Pinto, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Bahia: Nadinho, Leone, Henrique e Beto; Flávio e Vicente; Marito, Alencar, Léo, Bombeiro e Biriba. Técnico: Geninho.

Gols: Pelé aos 15 e Biriba aos 26 minutos do primeiro tempo; Alencar aos 12, Pepe aos 32 e Alencar aos 44 do segundo.

Árbitro: Alberto da Gama Macher.

Público: 23.000.

Segundo jogo

Bahia 0, Santos 2

30 de dezembro de 1959

Estádio da Fonte Nova, Salvador, 21 horas

Bahia: Nadinho, Leone, Henrique e Beto; Flávio e Vicente; Marito, Alencar, Léo, Bombeiro e Biriba. Técnico: Geninho.

Santos: Laércio, Feijó, Getúlio e Dalmo; Zito e Formiga; Dorval, Urubatão, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Lula.

Gols: Pelé

Jogo desempate

 

Bahia 3, Santos 1

29 de março de 1960

Maracanã, Rio de Janeiro, 21 horas

Bahia: Nadinho, Beto, Hermínio e Nelsinho; Flávio e Vicente; Marito, Alencar, Léo, Mário e Biriba. Técnico: Carlos Volante.

Santos: Lalá, Getúlio, Mauro e Zé Carlos; Formiga e Zito; Dorval, Mário, Pagão, Coutinho e Pepe. Técnico: Lula.

Gols: Coutinho aos 27 e Vicente aos 37 minutos do primeiro tempo; Léo aos 47 segundos e Alencar aos 31 minutos do segundo.

Expulsões: Getúlio, Formiga, Coutinho e Dorval (Santos); Vicente (Bahia)

Arbitragem: Frederico Lopes (RJ), auxiliado por Wilson Lopes de Souza e Ailton Vieira de Moraes.

Com o título da Taça Brasil o Bahia se tornou campeão brasileiro e se classificou para ser o único representante brasileiro na I Taça Libertadores da América, disputada em 1960.

Como único representante brasileiro na Taça Libertadores de América de 1960, o Bahia enfrentou o San Lorenzo numa série melhor de três: perdeu o primeiro jogo, em Buenos Aires, por 3 a 0, no dia 20 de abril de 1960, e venceu a partida de volta, em Salvador, por 3 a 2, em 3 de maio. Foi eliminado pelo saldo de gols.


© 2017 Blog do Odir Cunha

Theme by Anders NorenUp ↑