CLIQUE AQUI E VEJA Quando o SANTOS era o maior do mundo. Mesmo!

Nos momentos de aperto, em que um clube tradicional é rebaixado para a Segunda Divisão ou, falido, está perto de fechar as portas, seus torcedores se unem dramaticamente, dos anônimos aos famosos, e tentam reerguê-lo. Foi assim com o Racing de Buenos Aires, Fluminense, Grêmio, Atlético/MG, Vasco, Palmeiras…

Perder o time que se ama é como perder uma parte do corpo, da alma, e nesta hora difícil até os jornalistas que se dizem imparciais deixam cair a máscara e assumem sua paixão. Com o Santos também foi assim, nos momentos mais delicados de sua história. Porém, pra que se unir só na desgraça, quando é muito mais produtivo unir-se na prosperidade?

Com o sucesso que conquistou neste primeiro semestre, o Santos mergulhou em um círculo virtuoso: atrai torcedores porque vence e tem uma imagem positiva – jovem, dinâmica, alegre – e tem mais forças para prosseguir vencendo porque sempre que entra em campo está envolvido por esta energia que vem de todos os lados.

A imprensa, outrora indiferente, ou quase inimiga, hoje está ao seu lado. O espetáculo é bom para o ibope. É melhor falar de um time irreverente, que dança após os gols, do que bater na mesma tecla das fofocas e escândalos de sempre. Finalmente perceberam que a unha encravada do Beneditão, o craque que veio da Europa, fora de forma, para o time “de massa” Xis, não é mais interessante do que gols e belas jogadas, que são a essência do futebol.

Até porque, hello!, o Santos também é um time de massa. Esqueça as pesquisas que ouvem meia dúzia de gatos pingados e se concentre em uma que pergunta a milhões de brasileiros, de todos os cantos, qual é o seu time do coração. E nesta pesquisa, chamada Timemania, o Santos acaba de pular para a terceira posição, superando o São Paulo e se aproximando rapidamente de Flamengo e Corinthians, dos quais está separado por menos de 2%.

Nunca desconsiderei que o Santos voltasse a ter a maior torcida do Brasil, como no final dos anos 60, década em que ganhou tudo e foi a base da Seleção Brasileira que conquistou as Copas de 1962 e 70. Por mais que se queira acreditar que algumas torcidas são religiões, seitas, cultos ou o raio que o parta, é sabido que torcida – ao menos as racionais – crescem nas vitórias e decrescem nas derrotas.

Pergunte a uma criança se ele prefere ser gozada pelos amigos, ou prefere torcer para o time que vence os dos outros. Ninguém – a não ser os doentes e desequilibrados – gosta de sofrer. A alegria dos gols, das vitórias e títulos lava a alma, dá força para enfrentar os obstáculos do dia-a-dia, prolonga a vida. A tristeza da derrota gera pessoas amargas, invejosas, mentirosas.

Gosto da história do Santos porque ela se baseia apenas em fatos reais. Nunca precisei, nem precisarei, escrever um livro com metade verdade, metade mentira. Não preciso inventar que o Santos foi o melhor time de todos os tempos, que Pelé foi o melhor jogador que já pisou em um campo de futebol, que o Santos é o time que fez mais gols na história ou o que conquistou as vitórias mais fantásticas. Tudo pode ser provado, documentado. Quantos pesquisadores têm essa felicidade?

A hora de apoiar é agora

O melhor momento para se apoiar um time não é quando ele está na Segunda Divisão ou prestes a falir. É quando ele está no auge. Sei que esta afirmação pode gerar alguma polêmica, por isso trato de explicá-la com argumentos científicos:

Pensemos em termos numéricos. Se o normal de um time grande é variar próximo da média de 100 pontos, caso ele esteja em decadência essa média cairá para 40, 30, talvez menos, certo? Isso quer dizer que terá de haver um grande esforço para que ele volte aos 100 pontos, pois uma equipe, uma empresa, uma marca qualquer, quando cai em desgraça, deixa de ser atraente, desvaloriza-se, e só é mesmo apoiada por quem a ama.

Porém, se um time está no seu momento máximo, digamos em um patamar de 140 pontos, o interesse de estar ligado a ele é maior, e não só de seus torcedores, mas de todos que podem lucrar com os reflexos de sua imagem. Quem não quer estar por perto, usufruir também do sucesso alheio? Para explicar melhor, volto aos números:

Se você aplica 40 mil reais, tem um certo rendimento, mas se aplica 140 mil tem um outro bem maior. Óbvio, não? A porcentagem pode ser a mesma, mas o valor absoluto será maior. Se o banco lhe pagar 1% de rendimento líquido mensal em cada investimento, o primeiro lhe dará 400 reais, mas o segundo, 1.400. Até uma criança entende essa relação. Mas o que isso quer dizer?

Isso quer dizer que agora que está por cima é que o Santos deve investir mais em seu crescimento e não esperar para fazer isso na época das vacas magras. Há uma tendência do mercado de olhar o Santos de forma positiva, há milhares, milhões de crianças deste País precisando só de mais um argumentozinho para se declararem santistas. E é este argumento a mais que o Santos precisa lhes dar.

O título do Brasileiro? O título da Copa Sul-americana? Mais uma contratação de renome para substituir a ausência de Robinho? A descoberta de outro garoto fantástico de suas divisões de base? Goleadas fantásticas? Filmes? Livros? Exposições? Não sei dizer ao certo. Talvez um pouco de tudo. O certo é que o Santos está se aproximando rapidamente de romper um limiar e não pode negligenciar esta oportunidade.

Como foi no Real Madrid e no próprio Santos

O Real Madrid começou a ser um dos maiores do mundo depois de um ano ruim, em que foi superado pelo rival Barcelona. Foi naquele momento que Santiago Bernabeu, presidente do clube madrilhenho, resolveu que faria ao menos uma grande contratação por ano – que manteria o clube em destaque e o time com um elenco invejável. Perceba que o Real continua a usar esta política até hoje, mesmo 32 anos depois da morte de seu amado presidente.

No Santos, a grandeza começou não com Pelé, Coutinho, Pagão e toda aquela geração de ouro, mas com a determinação do presidente Athié Jorge Cury de quebrar o círculo vicioso no qual o time vivia e não vender mais os seus melhores jogadores. Só mesmo sua convicção e teimosia mantiveram Pelé no Santos por toda a carreira. O clube chegou a recusar fortunas por Pelé que seriam suficientes para erguer um novo estádio.

Quando vendia alguém – Walter, Formiga, Sormani, Pagão… – era porque já havia um outro jogador melhor, ou tão bom quanto, para ser lançado. Foi por isso, e não pela sorte, que o Santos se manteve por 15 anos – de 1955 a 1969 – como um dos melhores times do mundo.

E antes não havia tantas fontes de renda para um clube como hoje. Só as arrecadações dos estádios, nada mais. Agora há a cota milionária da tevê, os patrocínios do uniforme, os camarotes e placas no estádio, as campanhas de associados, as vendas de produtos licenciados – além das arrecadações.

Perceba que nem citei a maior fonte de arrecadação dos clubes brasileiros, que é a venda de jogadores. Não citei porque considero uma vergonha, um sinal da má organização e da má administração de nossos clubes. Entendo que a disparidade monetária entre o Brasil e os países da Europa e do Oriente, aliada ao interesse do próprio jogador e seu agente, às vezes tornam essas negociações inevitáveis. Mesmo assim, é vergonhoso abrir mão das estrelas do espetáculo por um punhado de dinheiro que, por maior que seja, não compensará a perda da beleza e do encanto que só um craque pode proporcionar.

Por isso, mesmo feliz com os títulos do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil, não estou satisfeito – no sentido de saciado, realizado. Se o Santos se comentasse com pouco, não teria chegado onde chegou. Por isso, e acho que posso falar pela maioria dos santistas que conheço, sonho com o dia em que o Real Madrid convidará o Santos para um jogo especial, um torneio milionário com os maiores times do mundo, e o Santos responderá que antes precisará consultar a sua agenda.

E você, o que acha que o Santos tem de fazer para ficar no mesmo nível dos maiores times do mundo?