Jornal da Tarde, Gazeta Esportiva e o próprio Boletim Oficial da CBD tratam Cruzeiro (1966), Santos (1961/62/63/64/65/68) e Fluminense (1970) como campeões brasileiros

Ontem surgiu a notícia, divulgada equivocadamente pelo diretor de futebol do Cruzeiro, Dimas Fonseca, de que na próxima quarta-feira a CBF anunciará a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959, ratificando o que já é oficial pela CBD, ou seja, que os campeões da Taça Brasil (1959 a 1968) e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 a 1970) são tão campeões brasileiros como os que vieram a partir de 1971. Mas não é bem assim…

O que haverá na próxima quarta-feira, às 11 horas, na sede da CBF, é um encontro, seguido de almoço, entre o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, e os presidentes de três clubes campeões brasileiros antes de 1971 e o coordenador do projeto pela unificação dos títulos, o ex-superintendente do Santos na Capital, hoje gerente executivo do G4 Paulista, José Carlos Peres.

Na oportunidade, Teixeira receberá oficialmente o Dossiê e ouvirá dos presentes alguns dos sólidos argumentos que confirmam a legalidade e legitimidade do que pleiteiam.

Os três presidentes de clubes presentes ao encontro serão José Perrella de Oliveira Costa, do Cruzeiro Esporte Clube; Maurício Assumpção, do Botafogo Futebol e Regatas, e Luís Álvaro Ribeiro, do Santos Futebol Clube.

Eles representarão os outros três presidentes da comissão executiva, que são Marcelo Guimarães Filho, do Esporte Clube Bahia; Luiz Gonzaga Pelluzzo, da Sociedade Esportiva Palmeiras, e Roberto Horcades, do Fluminense Futebol Clube. Completam a comissão executiva este blogueiro que vos escreve, autor da pesquisa e do texto do Dossiê, e o publicitário Marcos Magno de Souza Cunha.

Não espere decisão rápida

Não há qualquer dúvida de que o Brasil já tem clubes campeões nacionais oficiais desde 1959. Já falei e escrevi muito sobre isso e estou à disposição para responder a quaisquer dúvidas sobre o assunto.

A Taça Brasil decidia o campeão brasileiro do ano, assim como o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Campeonato Nacional (com suas várias denominações) e o Campeonato Brasileiro, que só teve este nome a partir de 1989.

Desconfio que até na CBF ninguém duvide disso. A documentação comprobatória é farta, assim como os testemunhos e os arquivos de imprensa. A virada de mesa começou em 1971, quando o regime militar se apossou do futebol brasileiro como forma de se aproximar das massas. Porém, agora, felizmente, isto pode e deve ser revisto.

No entanto, o mais sensato, neste momento, é simplesmente esperar pela decisão da CBF. Há uma grande expectativa de que a recuperação desta verdade histórica finalmente virá, para iluminar um período de ouro do nosso futebol e fazer justiça aos grandes craques do passado. Mas não há data para que isso aconteça.

Uma visão mesquinha da questão – mas que certamente será usada pela mídia sensacionalista – é levá-la para o lado dos rankings e como eles podem ser modificados com a incorporação dos “novos” títulos brasileiros. Ora, isso é bobagem. Para quem não sabe, o Santos já garantiu o primeiro lugar no ranking brasileiro de 2010 e nem os santistas vibram com isso, pois sabem que os critérios da CBF para elaborar o seu ranking anual são absurdos.

O que se quer, de verdade, é fechar este ciclo histórico que acabou ficando incompleto, repito, devido à intervenção do governo militar no futebol brasileiro. A decisão pode demorar e talvez exija novos e novos esforços. Entretanto, a causa é legítima e legal, portanto justíssima. Vale a pena brigar por ela até o fim.

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