Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Campeonato Brasileiro de 2010

Carta aberta ao sr. Paulo Schmitt e auditores do STJD

Antes de mais nada, devo preveni-los de que não sou torcedor da Portuguesa e nada tenho contra o Fluminense. Ao contrário. Clube simpaticíssimo, de história riquíssima, o tricolor carioca abriu suas portas para que eu e o amigo José Carlos Peres expuséssemos os motivos que acabariam levando a CBF a referendar a Unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959, unificação que proporcionou aos torcedores do Flu comemorarem também o mui justo título brasileiro de 1970.

Tomo a liberdade de escrever-lhes porque, creio, o que estará em jogo esta tarde, a partir das 17 horas, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, não será apenas um caso jurídico que decidirá pelo rebaixamento de um time ou outro para a Série B do Campeonato Brasileiro, não se trata de clubismo ou bairrismo, mas sim a moralidade ou não deste futebol. Moralidade da qual os senhores são, ou devem ser, os maiores guardiões, principalmente agora, em que os olhos do mundo se voltam para o País da Copa.

Animei-me outro dia com uma entrevista do sr., procurador Paulo Schmitt, sobre um caso similar ocorrido com o Fluminense em 2010. O jogador Tartá jogou uma partida sem estar em condição legal e o episódio só foi descoberto depois que o tricolor já tinha comemorado o título. Argüido sobre o episódio, o sr. disse que não acreditava que havia “condição moral” para rever o resultado do campeonato, admitia que poderia haver uma ação “com base em uma jurisprudência”, mas enfatizava, usando novamente o termo, que não haveria “moralidade” para isso.

“… Rediscutir o título que foi conquistado no campo de jogo, da forma como foi, e agora abrindo precedente para não só para o Cruzeiro, mas para vários clubes rediscutirem tudo isso… Eu prefiro acreditar que a decisão poderia ser revista, mas isso seria um caos”, o sr. completou.

Concordo, sr. Paulo, que a moralidade deve prevalecer sobre e fria e técnica versão da lei, pois esta última nem sempre é moral, e é justamente essa respeitabilidade, que só a moralidade dá, que tem feito falta ao nosso combalido futebol.

Assim como a punição ou não a Tartá não influiu na conquista do Fluminense, estou certo de que a entrada do jogador Héverton, da Portuguesa, nos últimos 13 minutos do empate em 0 a o com o Grêmio, na última rodada do Campeonato Brasileiro de 2013, não influiu e nem poderia alterar, usando suas próprias palavras, uma classificação “conquistada no campo de jogo”.

A sorte já foi lançada, os 20 times da Série A demonstraram, em 38 partidas, suas competências e habilidades, assim como suas fraquezas. O Brasil tem o campeão de 2013, classificados para a Copa Libertadores, para a Copa Sul-americana e rebaixados para a Série B. Qualquer medida que altere a classificação ou o conhecimento já consagrado da opinião pública, será olhada, sim, como um golpe, dignos daqueles que por muitos anos já mancharam a história de nosso futebol.

Mais até do que a moralidade, de um tribunal, de pessoas que julgam, espera-se coerência. Pois quando ela se ausenta das decisões, fica sempre a impressão de que este tribunal e estes julgadores adotam critérios flexíveis, que se adaptam ao momento e aos envolvidos, privilegiando ou punindo de acordo com interesses indefinidos. Uma hora não pode prevalecer a técnica, e na outra a moral. Concordo plenamente com o procurador Paulo Schmitt quando ele defende a prioridade da moral, como demonstrou isso de maneira tão efusiva no episódio do mesmo Fluminense em 2010. Estou certo de que os senhores farão com que a moralidade do futebol brasileiro prevaleça hoje, senhores. Bom trabalho!

A estranha atuação do advogado Osvaldo Sestário

Instruções técnicas à parte, gostaria de continuar abordando o aspecto ético do caso, em particular a atuação do advogado Osvaldo Sestário. Este senhor alega que serve a Portuguesa de Desportos há nove anos. Pois bem. Não é estranho que justo nesse momento decisivo tenha havido esse problema de comunicação entre ele e o clube que é seu cliente há tanto tempo?

Sestário diz que sua única testemunha da ligação que fez à Portuguesa era uma mulher que trabalha com ele. Ora, não seria ela a sua mulher, advogada e sócia Renata Oliveira, por coincidência torcedora fanática do Fluminense? Por ser tão interessada no caso, teria valor legal uma testemunha assim?

Mas o que me causou mais estranheza na atuação do sr. Sestário foi ele saber com antecedência que a Portuguesa, seu cliente, tinha relacionado o jogador Héverton para o jogo contra o Grêmio, e não se dignar a pegar o telefone e prevenir o clube de que o jogador não poderia atuar. “Quando eu soube que ele estava relacionado para a partida, tomei um susto”, disse ele ao repórter Marcelo Pinto, do site Consultor Jurídico, em matéria publicada em 14 de dezembro, último sábado.

Ora, se um advogado tem um cliente há nove anos e fica sabendo que este incorrerá em um erro grave, por que não passar a mão no telefone e ligar para alguém do clube, advertindo do erro? Que advogado é esse que não parece interessado na sorte de quem lhe paga os honorários?

E por que não providenciou o pedido de efeito suspensivo logo que a pena foi decidida? Como a competição estava indo para sua última rodada, o efeito suspensivo faria com que novo julgamento de Héverton fosse marcado para só depois do campeonato, permitindo que jogasse contra o Grêmio (no mesmo dia o diretor do Fluminense, Rodrigo Caetano, reincidente em agressões verbais e ameaças a árbitros, pegou 30 dias de suspensão, mas o clube anunciou imediatamente que entraria com efeito suspensivo).

Você acha que a moralidade prevalecerá no STJD?


Se o Brasileiro 2010 fosse mata-mata, Santos seria o campeão!

O blog Jornalismo Esporte Clube, do jovem jornalista Maurício Vargas, fez um post interessante em 7 de dezembro, calculando como seria o Campeonato Brasileiro deste ano se fosse decidido em um hipotético mata-mata entre os oito times mais bem classificados, como em 2002.

Maurício usou as posições finais dos times para fazer os cruzamentos e se utilizou dos jogos dos dois turnos para o mata-mata. Em caso de empate, valeu a melhor campanha. Veja como ficou:

Quartas-de-finais

Fluminense (1º) X Santos (8º)
Santos 0x1 Fluminense
Fluminense 0x3 Santos
Classificado: Santos

Cruzeiro (2º) X Internacional (7º)
Internacional 1×2 Cruzeiro
Cruzeiro 1×0 Internacional
Classificado: Cruzeiro

Corinthians (3º) x Botafogo (6º)
Botafogo 2×2 Corinthians
Corinthians 1×1 Botafogo
Classificado: Corinthians (melhor campanha)

Grêmio (4º) x Atlético-PR (5º)
Atlético-PR 1×1 Grêmio
Grêmio 3×1 Atlético-PR
Classificado: Grêmio

Semifinais

Grêmio (4º) x Santos (8º)
Grêmio 1×2 Santos
Santos 0x0 Grêmio
Classificado: Santos

Cruzeiro (2º) x Corinthians (3º)
Cruzeiro 1×0 Corinthians
Corinthians 1×0 Cruzeiro
Classificado: Cruzeiro (melhor campanha)

Final

Cruzeiro (2º) x Santos (8º)
Cruzeiro 0x0 Santos
Santos 4×1 Cruzeiro
Campeão: Santos Futebol Clube

Veja que eu não estava tão errado quando disse que Santos e Cruzeiro fizeram a final antecipada do Campeonato Brasileiro.

Clique aqui para ver a matéria no blog Jornalismo Esporte Clube

Reveja agora os melhores lances da final do Brasileiro de 2010 Mata-Mata:

Pensando bem, que tal anular o Brasileiro por pontos corridos e validar este Mata-Mata? Rsss.


Brasil tem campeões desde 1959. A quem interessa esconder esta verdade?


O clube assumiu o tricampeonato e lançou camisa comemorativa. Precedente está aberto…

Grande parte dos males deste país se deve à ignorância do povo. Ignorância que gera submissão e que costuma colocar as determinações dos “doutores” acima dos direitos da população.

Quantos imóveis não foram roubados, quando dinheiro não foi desviado, enfim, quantos golpes já não foram executados contra as pessoas humildes usando apenas uma folha de papel batida à máquina com um selo qualquer?

O povo aceita o papel impresso como lei. Uma simples intimação judicial, sem nenhum julgamento de mérito, já deixa o homem comum apavorado.

O medo de ser punido sem saber porquê é fator importante que faz o povo respeitar as autoridades, mas o que mais o inibe é sua falta de conhecimento das leis e das normas que devem reger uma sociedade justa.

Sem entender o que se passa à sua volta e qual o seu papel como cidadão, ele se torna passivo e pode ser facilmente manipulado por quem detém o poder.

O único antídoto contra essa prostração intelectual é o conhecimento em forma de educação que vem de casa, da escola, ou mesmo da imprensa. Sim, a imprensa tem papel relevante na tarefa de jogar luz sobre muitos buracos negros do entendimento coletivo.

Falei tudo isso para lembrar que os títulos brasileiros desde a primeira Taça Brasil, em 1959, nem precisariam ser homologados pela CBF caso este país tivesse uma imprensa esportiva comprometida, em primeiro lugar, com a verdade, e só depois com interesses pessoais.

Usar a imprensa para confundir é uma forma de opressão

Manter um povo na ignorância é a pior forma de opressão, pois impede que ele possa decidir sobre o seu destino. E jornalistas esportivos que usam o seu prestígio e seus seguidores para negar que o Brasil tem campeões brasileiros desde 1959, estão fazendo exatamente isso.

Acredito que, por falta de conhecimento, por dificuldade de ver o caso com isenção, por anacronismo ou qualquer outro defeito, sei que há jornalistas que acreditam estar fazendo o certo ao se declararem contra a unificação dos títulos brasileiros desde 1959.

Mas sei também que muitos, alguns mais velhos do que eu, que acompanham o futebol desde o surgimento da Taça Brasil, e que no íntimo não têm qualquer dúvida de que ela foi a primeira competição oficial que elegeu um campeão brasileiro, fingem desconhecer a verdade e plantam informações falsas para confundir as pessoas e com isso evitar a homologação.

Por que fariam isso? Ora, por um motivo tão prosaico que dá vergonha de citar, mas por que, em sua maioria, são torcedores de equipes que nada ganharam nos anos de ouro do futebol brasileiro e agora vislumbram na negligência da CBF e na ignorância do torcedor a oportunidade de contribuir para a cristalização de uma injustiça odiosa.

O curioso é que as mesmas pessoas que criticam a desorganização e a politicagem da CBF, mostram-se a favor da entidade nesse “esquecimento” de um período incomparável do nosso futebol, em que o país tinha os melhores times e os melhores jogadores do planeta.

As mesmas pessoas que menosprezam os integrantes de torcidas organizadas, servem-se do fanatismo e do baixo nível intelectual da maioria dessas pessoas para espalhar mentiras sobre as duas primeiras competições nacionais de clubes chanceladas pela CBD.

Enfim, são jornalistas que não estão cumprindo sua missão de esclarecer sobre os fatos. Estão apenas tentando confundir mais e mais, com o objetivo de que a unificação não se conclua. Pois eu lhes digo: vocês estão perdendo a oportunidade de se mostrarem profissionais éticos. Eu sei quem vocês são e não esquecerei dessa postura oportunista e hipócrita que estão tendo.

Mas ainda há tempo de se mostrarem dignos da profissão. Estudem, revejam a história do futebol brasileiro, procurem ler aspectos do Dossiê entregue à CBF e tentem analisar a questão de uma forma isenta e, repito, profissional. Não chutem, por favor.

O belo exemplo da torcida do Fluminense

Não sou um profundo conhecedor do Direito. Tento manter, apenas, um razoável senso de justiça. Baseado nele, pergunto: Se um evento idealizado para definir o campeão brasileiro de futebol foi efetivamente realizado, cumpriu seu objetivo, foi e é oficial, está nos anais, foi consagrado pela imprensa e pelo público da época – leia-se toda a população brasileira que acompanhava o futebol –, que argumento jurídico a CBF teria para desoficializar o que é oficial?

Se fosse eu um advogado, ao conhecer todos os autos do processo, como eu fiz, eu diria que não há a mínima possibilidade de que a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa deixem de ser oficiais e deixem de dar aos seus vencedores o título de campeão brasileiro. Ponto.

Por isso, fiquei feliz com a manifestação de alegria e coragem da torcida do Fluminense, ontem, no Engenhão, que não deu bola para a morosa burocracia da CBF ou para a má vontade de parte da imrpensa e já passou a tratar o seu time como legítimo tricampeão brasileiro.

Será que isso só aconteceu por que a torcida do tricolor carioca é mais esclarecida do que as outras? Talvez, mas acredito que este fenômeno se repetirá sempre que um time campeão de 1959 a 1970 voltar a conquistar um título brasileiro. É uma verdade que não dá mais para segurar.

Um papel batido à maquina, selado e carimbado da CBF, não pode anular nem um minuto de uma partida de futebol entre os melhores times brasileiros de 1959 a 1970. Ou seja, a verdade não depende da autorização de ninguém, muito menos de uma entidade que nunca se preocupou em preservar a história do futebol brasileiro. Salve os campeões brasileiros de 1959 a 1970!

Jornal dos Sports saúda o tricampeão brasileiro

Veja a torcida do Flu preparando-se para comemorar o tricampeonato:

O que você achou da torcida do Fluminense considerar o time tricampeão brasileiro? Você acha que as torcidas dos outros times campeões de 1959 a 1970 devem seguir o exemplo?


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