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Que ao menos a arbitragem seja neutra no Maracanã


Preciosidade histórica do pesquisador Wesley Miranda sobre a goleada de 7 a 1 que o Santos impôs ao Flamengo no Maracanã em 11 de março de 1961

O Flamengo quer lotar o Maracanã para o jogo deste domingo, às 16 horas, com tevê aberta, diante do Glorioso Alvinegro Praiano. A atração é o peruano Guerrero. Se o público alcançar 60 mil pessoas será quebrado o recorde deste Brasileiro, repetindo outras grandes audiências do confronto. O que não pode é a arbitragem vestir a camisa rubro-negra.

Digo isso porque o santista, com razão, põe as barbas de molho quando o time precisa enfrentar o Flamengo no Rio. Ele sabe que, na dúvida, o árbitro acompanhará o grito da torcida. Foi assim na final do Campeonato Brasileiro de 1983, dia 25 de maio daquele ano, quando Arnaldo César Coelho marcou obstrução numa jogada em que o zagueiro Marinho jogou Pita para fora do estádio. Daquele dia, aliás, vem o recorde de público do Brasileiro, de 155.523 pagantes.

Esse jogo sempre atrai muita gente. No Brasileiro de 2007, 87.716 pessoas (81.844 pagantes) viram a derrota do Santos por 1 a 0. Em 2013, no estádio Mané Garrincha, 63.502 pagantes testemunharam o empate sem gols, na despedida de Neymar. Mesmo no ano passado, o público não foi ruim: 37.204 pagantes assistiram à vitória santista por 1 a 0, gol de Robinho.

Para quem não sabe, eu lembro que o Santos já comemorou três títulos em jogos contra o Flamengo, no Maracanã: em 27 de março de 1963 tornou-se campeão do Torneio Rio-São Paulo ao bater o rubro-negro por 3 a 0, gols de Coutinho, Dorval e Pelé, diante de 45.988 pagantes; em 19 de dezembro de 1964 sagrou-se tetracampeão brasileiro depois de um empate sem gols assistido por 52.508 pessoas, e em 6 de fevereiro de 1997, com gols de Anderson Lima e Juari, conquistou seu quinto título do Rio-São Paulo ao empatar em 2 a 2 com o Flamengo de Sávio e Romário, para um público de 70.729 pessoas.

Porém, outros confrontos entre Santos e Flamengo atraíram públicos enormes, mesmo sem valer título. Um deles, jogado em 11 de março de 1961, pelo Torneio Rio-São Paulo, tem uma história que merece ser lembrada.

Vivia-se a era de ouro do futebol brasileiro e o Santos de Pelé fazia de cada partida uma exibição inesquecível. Na rodada anterior o time havia vencido o Fluminense por 3 a 1, no mesmo Maracanã, e Pelé tinha marcado o seu Gol de Placa. Aquele Flamengo contava com alguns de seus maiores ídolos, como Carlinhos, Dida, Joel, Gérson, Babá, e uma multidão de 90.218 pessoas foram ao maior estádio do mundo naquele sábado para ver o esperado duelo contra o Santos mágico de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Mal a partida começou, entretanto, e o árbitro paulista, Olten Ayres de Abreu, percebeu que um dos bandeirinhas estava de cochichos com o banco carioca. O homem estava se revelando o maior marcador do ataque santista, pois já tinha assinalado faltas e impedimentos inexistentes de Pelé e seus companheiros. Olten resolveu conversar com o homem:

“Fui lá e o admoestei. Ele me ofendeu, disse que era militar e que se eu o importunasse ele me pegava lá fora. Ele não sabia com quem estava lidando. Eu o expulsei de campo e disse que se fosse homem poderia me esperar lá fora”, contou-me Olten anos depois.

Sem um dos bandeirinhas, Olten teve de se virar, mas, atleta que era, conseguiu acompanhar as jogadas de perto e levar a partida até o fim sem problemas. Sem nenhuma interferência da arbitragem, o jogo seguiu seu curso normal e o Santos goleou por 7 a 1. Isso mesmo, 7 a 1!
O zagueiro Bolero, que dançou sem querer, depois contou sua amarga experiência de marcar o ataque santista:

“Eu ainda não tinha botado o pé na bola e o Santos já estava vencendo por 2 a 0. Teve um gol em que eu caí sentado com o drible que o Pelé me deu. Quando eu virei, a bola já estava na rede. O time do Santos não parava de atacar. No final, não sabia mais quem era Pelé, quem era Coutinho, na velocidade eles se pareciam. Tinha também o Dorval, que ajudava a confundir ainda mais. Só sei que eles não paravam de fazer gol”.

Guerrero, Ricardo Oliveira, ou Anderson Daronco?

A imprensa carioca está querendo transformar o Guerrero em um ídolo que ele não é. Faz gol de vez em quando – menos do que Ricardo Oliveira, o santista que lidera a artilharia do Campeonato –, mas está longe de ser um craque. De qualquer forma, o nome do jogo talvez nem seja nenhum dos dois. Pelo retrospecto dessa partida, eu não me surpreenderia se a maior atração fosse Anderson Daronco, o desconhecido árbitro escalado para comandar o espetáculo.

Árbitro Fifa da Federação Gapucha, Daronco será auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho (SP – FIFA) e Rodrigo F Henrique Correa (RJ – FIFA). Como seguidores do futebol e bons brasileiros, todos nós sabemos que em um breve apito sua senhoria e seus auxiliares podem fazer muito mais pelo Flamengo do que o Guerrero nos 90 minutos com acréscimos.

Há um interesse tão grande de que o Flamengo vença e cause alguma comoção no campeonato, que eu não me surpreenderia se o Santos fosse operado mais uma vez. Coincidentemente (?) o presidente Modesto Roma acaba de ser suspenso por 30 dias devido às suas declarações contra a arbitragem de Santos 1 x Grêmio 3, quando Geuvânio foi expulso supostamente por entrar em campo sem a autorização do árbitro.

De qualquer forma, como já preconizou o macaco velho Vanderlei Luxemburgo, há um limite até para a roubalheira. O time que quer vencer contra tudo e contra todos tem de estar disposto a marcar dois gols para valer um. Foi assim com o Santos no Brasileiro de 2004.

O técnico Dorival Junior escalou o Santos com Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, Gustavo Henrique e Zeca; Paulo Ricardo, Renato e Lucas Lima; Gabriel, Ricardo Oliveira e Geuvânio.

Há leitores do blog que sugeriram o recuo de Paulo Ricardo para a zaga, no lugar de Werley, entrando Thiago Maia no meio de campo. Acho factível. Não sei se seria a hora de experimentar essa mudança em um jogo de tanta responsabilidade, em que a falta de experiência pode pesar, mas é uma fórmula a ser testada.

O zagueiro Gustavo Henrique não foi bem na Seleção do Pan e agora volta ao ambiente que lhe é familiar. Vamos ver como se sai. No mais, acho que insistir na fórmula de três atacantes é uma ousadia que seria aplaudida em outras épocas, mas parece temerária nos tempos atuais, em que os adversários enchem o meio de campo com volantes.

O maior perigo de jogar com três atacantes e de ainda ter um meia ofensivo, como Lucas Lima, e mais dois laterais que avançam, é que se o adversário rouba uma bola em sua defesa, provavelmente armará um contra-ataque bastante perigoso.

Mas o Flamengo também jogará com três atacantes. Éverton substituirá Marcelo Cirino, formando o trio ofensivo com Guerrero e Emerson Sheik. Na defesa do time carioca devem voltar o goleiro Paulo Victor, os zagueiros Wallace e Samir, recuperados de lesão, e nosso conhecido Pará deve voltar à lateral direita, no lugar de Ayrton. Por falar em conhecido, no meio-campo Alan Patrick e Márcio Araújo disputam uma vaga para formarem ao lado de Cáceres e Canteros.

O ambiente psicológico será, em princípio, todo favorável ao Flamengo, mas isso poderá ser mudado se o Santos jogar com inteligência, determinação e coragem. A pressão pela vitória pode fazer o time carioca se expor demais, permitindo boas oportunidades aos atacantes santistas. De qualquer forma, espera-se que seja um grande jogo e que o senhor Anderson Daronco e seus auxiliares não interfiram no resultado.

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E você, o que espera de Santos e Flamengo, neste domingo?


O Santos nunca foi campeão com mais volantes do que meias

Sempre que montou um time forte, vencedor, o Santos teve mais meias do que volantes. Isso é histórico. Relembre o Time dos Sonhos e verá que tanto Zito, como Mengálvio, sabiam apoiar como poucos. Passe para osMeninos da Vila de 1978 e veja que no meio campo estavam Clodoaldo, Pita, Ailton Lira e Toninho Vieira, ou Zé Carlos, ou Rubens Feijão. Ou seja, ninguém maltrava a bola.

Passe para os Meninos campeões extraordinários de 2002 e perceba que no meio estavam Renato, aquela que roubava a bola sem fazer falta, mais Elano, Paulo Almeida e Elano. O único que destoava um pouco era Paulo Almeida, mesmo assim chegou a jogar na Seleção Brasileira.

Prossiga mais um pouco e constate que o time campeão brasileiro de 2004 tinha Elano e Ricardinho no meio-campo, além de Preto Casagrande, mais meia do que volante, e Fabinho, o único especializado em destruir as jogadas alheias.

O do ano passado, então, é covardia: de volante mesmo, só Arouca. No mais, Wesley e Paulo Henrique Ganso, pois Robinho, Neymar e André jogavam no ataque. Se precisasse, os atacantes ajudavam no meio-campo, e olhe que ainda roubavam muitas bolas por ali.

Mesmo o Santos não tão maravilhoso, mas campeão brasileiro moral de 1995, tinha um meio-campo com jogadores de categoria, como Robert, Wagner, Carlinhos, Giovanni. Perto desse que jogou contra o Táchira, era um baita meio-campo.

Questão de DNA

Há times que são campeões com um bando de soldados trucidadores de tendões inimigos. E suas torcidas vibram. Mas no Santos é diferente. Santista gosta de praia, da beleza das garotas balançando de encontro ao mar, da música, das artes, enfim. E o futebol, para o santista, é apenas a arte mais popular que existe.

Esse negócio de ser grosseiro com a bola não dá certo na Vila Belmiro. E nunca deu. No Santos, até o filho do presidente, o lendário Araken Patusca, era craque e artilheiro.

Estou dizendo tudo isso para preparar o espírito dos meus leitores para o que vem a seguir. Na verdade, porém, sei que o que vou dizer não é novidade para ninguém que acompanhe um pouco da história do Santos e sabe que o oxigênio do santista é o gol.

Se continuar enchendo o meio-campo de trombadores, Adilson Batista não ganhará nada com o Alvinegro e ainda sairá da Vila mais desacreditado do que chegou. Não é crítica, é conselho.

Danilo, Pará, Adriano? Never, nunca, jamais. Mesmo o Rodrigo Possebon já é uma consesson das maiores. É bonzinho, mas ao aceita-lo percebemos que nos tornamos bem menos exigentes com um setor que já teve tantos mestres.

E para que este post tenha um objetivo concreto, eu sugiro que neste próximo domingo, contra o Corinthians, Adilson Batista mostre que está entendendo a alma do time que orienta e escale o Santos levando em conta os melhores jogadores e não os mais “adaptados taticamente”.

Espero que o técnico se lembre de que foi mandado embora do Corinthians por não ter fechado o time em alguns jogos. Essa sua vocação ofensiva já foi até elogiada por mim neste blog. Agora, só espero que ele não se desgaste com os santistas justamente pelo contrário: por querer retrancar uma equipe que gosta de jogar mais no ataque.

Sabe aquele cara que vai na churrascaria e pede um peixe, e vai em um restaurante especializado em frutos do mar e pede uma picanha? Pois é. Espero que o professor Adilson não seja um desses.

Como diria um amigo: “Sorta a garotada Adirso!”.


O dia em que não conseguiram roubar para o Flamengo

Desde 20 de agosto de 1919, quando a Confederação Brasileira de Desportos foi mais rápida e conseguiu a autorização da Fifa para ser a única entidade oficial representativa do futebol brasileiro, começou a roubalheira a favor dos times cariocas. O gol do Santos, anulado ontem pelo tal de Leandro Vuaden, não é nada perto do que já fizeram para prejudicar os paulistas, que ao longo da história, salvo alguns lapsos de tempo, sempre tiveram um futebol mais eficiente do que as festivas peladas rio-janeirenses.

Bem, os casos de roubos, fraudes e falcatruas em prol dos times do Rio dariam um livro de milhares de páginas. A começar pela arbitragem, passando pelo manjado tribunal de justiça desportiva, até a CBF, há uma teia de manipulações que levam, sempre, ao mesmo caminho: favorecer os representantes da cidade maravilhosa.

Todo time carioca já se beneficiou dessas desonestidades. Alguns mais, outros menos. Vasco (1974), Flamengo (1983) e Botafogo (1995) devem títulos brasileiros espúrios a esta política de levar vantagem a todo custo. Mas nem sempre a coisa deu certo para os malfeitores. Houve um dia, aliás, em que deu muito, mas muiiiiito errado…

O bandeirinha era rubro-negro

Era 11 de março de 1961, um sábado, e o Maracanã recebeu um ótimo público de 87.868 pessoas para ver o Flamengo contra o Santos. O Flamengo jogou com Fernando, Joubert, Bolero, Nelinho (Jadir) e Jordan; Carlinhos e Gérson; Joel, Henrique (Luís Carlos) Dida e Babá (Germano).

Perceba, caro leitor, que este Flamengo tinha alguns dos melhores jogadores que já passaram pelo clube, como Carlinhos, hoje técnico, Gérson, o canhotinha de ouro, e Dida, o ídolo do Zico.

O Santos, que para muitos já era o melhor time do mundo, entrou em campo com Laércio, Dalmo, Mauro (Formiga) e Fiote (Feijó); Zito (Urubatão) e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

O árbitro era o paulista, hoje conselheiro do São Paulo, Olten Ayres de Abreu. Considerado o melhor árbitro brasileiro da época –indicado para ser o representante da arbitragem brasileira na Copa de 1962 –, Olten tinha fama de durão e não era de apitar à moda da casa. Ex-atleta, alto e forte, ele não se intimidava facilmente.

Mal o jogo começou e Olten percebeu que um dos bandeirinhas insistia em marcar o ataque santista, dando impedimentos inexistentes e indicando falta dos jogadores do Santos a cada dividida. Ao prestar atenção no auxiliar, com quem nunca havia trabalhado antes, Olten viu que este se colocava ao lado do banco do Flamengo e ficava de cochichos com o técnico do time carioca.

“Fui lá e o admoestei. Ele me ofendeu, disse que era militar e que se eu o importunasse ele me pegava lá fora. Ele não sabia com quem estava lidando. Eu o expulsei de campo e disse que se fosse homem poderia me esperar lá fora”, contou-me Olten anos depois.

A expulsão inusitada do bandeirinha fez com que o jogo prosseguisse com apenas um auxiliar, mas não houve mais nenhum lance duvidoso. O jogo pôde seguir sem favorecimentos a nenhum time. Que vencesse o melhor…

A maior goleada

E o melhor… bem, era até covardia comparar os dois times. Mesmo sendo uma boa equipe para os padrões cariocas, e mesmo com alguns dos seus ídolos eternos no elenco, em um jogo normal, sem interferência da arbitragem, o Flamengo não era páreo para um time cujo ataque soava como um verso parnasiano: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

E assim, apesar do gol de Henrique para o popular time do Rio, o Santos ganhou por 7 a 1, com três gols de Pelé, dois de Pepe, um de Coutinho e um de Dorval. O zagueiro Bolero contou depois sua amarga experiência de marcar o ataque santista:

“Eu ainda não tinha botado o pé na bola e o Santos já estava vencendo por 2 a 0. Teve um gol em que eu caí sentado com o drible que o Pelé me deu. Quando eu virei, a bola já estava na rede. O time do Santos não parava de atacar. No final, não sabia mais quem era Pelé, quem era Coutinho, na velocidade eles se pareciam. Tinha também o Dorval, que ajudava a confundir ainda mais. Só sei que eles não paravam de fazer gol”.

E assim o time de Gérson, aquele que disse que “a gente tem de levar vantagem em tudo” levou uma entubada histórica em um dia de Maracanã cheio em que não foi possível roubar para o Flamengo.

Não digo que ontem Zezinho, Zé Love & Cia goleariam o rubro-negro no Maracanã novamente. Mas fizeram ao menos um gol válido e por isso mereciam a vitória e os três preciosos pontos. Pena que ninguém expulsou o Vuaden antes.

Você tem alguma sugestão para evitar que o Santos seja roubado quando enfrenta times cariocas no Rio?


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