Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Carlos Eugênio Simon

O Santos espera que a CBF não seja o seu maior adversário na Libertadores

A convocação do técnico Mano Menezes de Elano e Neymar para os amistosos que a Seleção Brasileira fará nos dias 4 e 7 de junho, e para a Copa América, que começará em 1º de julho, deixou os santistas de cabelo em pé. É que o Santos está na reta final para conseguir o seu tão sonhado terceiro título na Copa Libertadores e não pode correr nenhum risco de perder seus principais jogadores nesse momento.

É impossível avaliar a importância de mais um título da Libertadores para o Santos e para o futebol brasileiro. Por outro lado, com todo o respeito à Seleção, que valor têm os amistosos contra a Holanda, dia 4 de junho, e contra a Romênia, três dias depois, na despedida do aposentado jogador Ronaldo?

Como a CBF existe para defender os interesses do futebol brasileiro e não só agenciar jogos para a Seleção, é natural esperar-se que não prejudique o único representante do país na principal competição interclubes do continente.

Os jogos contra o Cerro Porteño, pelas semifinais da Libertadores, serão jogados nos dias 25 de maio e 1º de junho. E as finais, provavelmente, em 15 e 22 de junho. Caso chegue até a decisão, é óbvio que o Santos precisará contar com todos os seus melhores jogadores, e em forma.

O Alvinegro Praiano já terá de se dividir entre a Libertadores e o Campeonato Brasileiro. Se tiver de desintegrar-se mais ainda para ajudar a Seleção em jogos inúteis, o que restará da equipe?

Se são jogos-teste, a Seleção não precisa de Elano e Neymar nesses amistosos. O primeiro todo mundo já sabe como joga, e o Menino de Ouro da Vila Belmiro é, simplesmente, a grande sensação do futebol brasileiro no momento. Não precisam provar mais nada. Ou alguém tem dúvida de que serão titulares na Copa América?

Santista não esquece a perfídia de 2005

Nada tira da cabeça do torcedor santista que em 2005 o Santos foi prejudicado por Carlos Alberto Parreira e, por extensão, pela Confederação Brasileira de Futebol. Nem falo do Campeonato Brasileiro, um escândalo que todos conhecem. Refiro-me à forma sórdida como o Santos foi impedido de chegar à decisão da Libertadores daquele ano.

Todos se lembram de que, nas quartas da Libertadores de 2005, o Santos perdeu para o Atlético Paranaense, em Curitiba, por 3 a 2. Jogaria de volta, na Vila Belmiro, precisando apenas de uma vitória por 1 a 0 ou 2 a 1 para passar à semifinal – que seria bem menos difícil, pois o Chivas, do México, já tinha anunciado que usaria só reservas, já que estava mais concentrado em seu campeonato nacional.

Mas aí apareceu a figura sonsa de Parreira, que convocou Robinho, Ricardinho e Léo para um amistoso totalmente inútil contra a Grécia, dia 16 de junho, em Leipzig, na Alemanha. Dos santistas, só Robinho jogou. O Brasil ganhou fácil, por 3 a 0 (gols de Adriano, Robinho e Juninho Pernambucano), em um evento sem a mínima relevância para a história do futebol brasileiro. Porém, no dia anterior…

Em 15 de junho, sem seus três titulares e ainda sem Giovanni, que a Conmebol alegou não ter sido inscrito a tempo, um Santos totalmente improvisado – que chegou a ter o centroavante Douglas jogando como lateral-direito – enfrentou o Atlético Paranaense na Vila e, ainda prejudicado por uma arbitragem desastrosa de Carlos Eugênio Simon, foi derrotado por 2 a 0 e disse adeus à competição.

Nem é preciso lembrar que naquele terrivel 2005, em que o futebol brasileiro, imerso nas trevas, foi dominado pelo inquisidor José Zveiter, o Santos foi a maior vítima das falcatruas extra-campo. Caiu na Libertadores pela ação de Carlos Alberto Parreira/CBF/Conmebol/Eugênio Simon e foi arrasado no Campeonato Brasileiro, também chamado de Zveitão, pela virada de mesa promovida pelo então presidente do Supremo Tribunal de Justiça Desportiva.

Dívida de gratidão ainda não paga

A CBF e a Seleção brasileira têm, em aberto, uma dívida de gratidão com o Santos.Isso foi dito, às lágrimas, por João Havelange, durante sua visita aoCT Rei Pelé, há dois anos. “Nunca poderei pagar a ajuda desses meninos”, disse Havelange referindo-se a Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé, Pepe, Zito, Clodoaldo, Lima e outros que compareceram ao CT Rei Pelé para recepcioná-lo.

Havelange lembrou que nos períodos em que a Confederação Brasileira de Desportos era uma entidade pobre e deficitária, o Santos chegou a ceder metade de seus titulares para a Seleção Brasileira (em duas partidas, justamente contra os adversários mais poderosos da época, Alemanha e Inglaterra, oito titulares foram santistas).

É sempre bom lembrar que o Santos não participou da Copa Libertadores em 1966 e 1969 para satisfazer um desejo da CBD, que queria usar o primeiro semestre daqueles anos para preparar a Seleção Brasileira para as Copas de 1966 e 1970 (1967 foi o terceiro ano em que o Santos tinha o direito, mas não participou da Libertadores, desta vez por sua própria vontade).

É importante recordar isso, pois muitos perguntam como aquele Santos maravilhoso da década de 1960 ganhou apenas dois títulos da Libertadores. Parte da resposta está na explicação de que em três oportunidades – 1966, 67 e 69 – o Alvinegro Praiano tinha conquistado o direito de jogar a competição sul-americana, mas não o fez para atender pedidos da CBD.

Cabe um seguro para Neymar e Elano

Caso insista em utilizar os jogadores do Santos nestes amistosos sem nenhuma utilizade, seria justo que a CBF pagasse um seguro que compensasse uma psosível ausência de Elano e Neymar nas finais da Libertadores.

Quanto vale uma Libertadores para o Santos? É algo incomensurável. Afinal de contas, são 48 anos de espera e a possibilidade nunca pareceu tão próxima como agora. Por isso, acredito que uns 100 bilhões de reais devem compensar o fato de o clube perder o título por uma trágica ausência de Elano e/ou Neymar nos jogos decisivos.

Se a CBF achar que vale a pena ter todos os principais jogadores brasileiros nesses amistosos caça-níqueis, que abra seus cofres para um seguro milionário que compense o risco que os santistas correrão.

Escreva para a CBF e, com a educação de todo santista, explique por que é mais importante para o futebol brasileiro que Elano e Neymar sejam dispensados da Seleção para defender o Santos na Libertadores

E você, o que diria à CBF para ela liberar Elano e Neymar desses amistosos?


Quem diria… Até parece sonho…

Obrigado Senhor! Eu sabia que não iria abandonar os seus favoritos!

Estou voltando da Vila Belmiro. Cansado. O trânsito estava terrível. Muita gente subindo a serra! E que toró! Parece que o céu estava desabando! Mas a sensação de chegar em casa, tirar o sapato e procurar a champanhe geladinha que guardamos para esse momento é ótima. Olho pela janela e mesmo de madrugada passa um carro com a bandeira do Santos. Está tudo perfeito. Suzana, cansada, vai dormir logo. Hoje eu não consigo. Tenho de reviver mentalmente toda a trajetória…

Depois da derrota para o Corinthians, na Vila, no jogo em que estava todo mundo de olho no Neymar e a arbitragem do Simon errou nos impedimentos, lembro-me que só o Durval disse que ainda dava para conquistar a tríplice coroa. Aí no sábado veio a partida contra o Cruzeiro, em Barueni…

O Cruzeiro era favorito e para alguns tinha time para ser campeão. Jogo duro. Neymar desequilibrou e Zé Eduardo, que entrou no segundo tempo, fez o gol da vitória. 2 a 1. Fiquei um pouco animado, mas depois veio o Vasco, no Rio, e o time voltou a se mostrar muito amarrado e empatou em 0 a 0.

O próximo adversário foi o Palmeiras, na Vila Belmiro. Acho que ali comecei a ver alguma magia, pois Neymar e Alan Patrick fizeram uma tabelinha desde o meio-campo, que só não terminou em gol devido à ótima saída do Marcos. Por falar em Marcos, Marquinhos, de falta, fez o único gol do jogo. Me animei de novo, mas na rodada seguinte, outro empate, desta vez até heróico, pois com um a menos segurou o 1 a 1 com o Fluminense, no Engenhão.

Depois, ah, que noite linda de sábado, Pacaembu lotado e uma vitória fantástica por 3 a 2 em cima do Atlético Paranaense. Neymar, Alan Patrick, Madson e Zé Eduardo infernizaram a defesa do Furacão. Possebon começou a se firmar como volante, ao lado de Arouca, e Marquinhos voltou a jogar como no primeiro semestre. O jogo começou a fluir.

Nesse ínterim o Santos enfrentou o Internacional, naquele jogo adiado do primeiro turno, e ganhou por 1 a 0, gol do Edu Dracena, de cabeça, já no finzinho. Depois, jogou contra o São Paulo, no Morumbi, e mais uma vez marcou no finzinho, evitando a derrota: 1 a 1.

Então, chegou a vez do Grêmio Prudente, na Vila. Deu dó dos caras. Praticamente rebaixados, até lutaram, mas acabaram sofrendo a maior goleada do Campeonato: 6 a 0. Até o Pará fez gol, dá pra acreditar? Pensei: vai embalar. Mas no domingo foi enfrentar o Internacional, no Beira-Rio, e mesmo saindo na frente duas vezes, acabou cedendo o empate: 2 a 2. Mas aomenos se manteve à frente do Colorado.

O bom é que em seguida voltou a atuar na Vila Belmiro e apesar da resistência do Vitória, ganhou por 2 a 1. Mais dramático foi o adversário da rodada seguinte: o Atlético Mineiro, que lutando para fugir da zona de rebaixamento, se empenhou bastante diante de sua fanática torcida, em Três Lagoas. Porém, mais estruturado, o Santos venceu por 3 a 1, merecidamente.

Chegou o momento do Grêmio, na Vila Belmiro, e o estádio ficou superlotado. Por incrível que pareça, o Santos já estava lutando pela liderança com Corinthians, Fluminense e Cruzeiro, e cada rodada podia ser decisiva. Empolgados, os Meninos correram como nunca e naquele domingo deu tudo certo: 4 a 1, fora as muitas chances perdidas. Marcel, que entrou no final, chegou a driblar o goleiro Vitor e chutar pra fora.

No outro domingo, o Santos foi à Goiânia enfrentar o Goiás, que já estava rebaixado. Não sei como, mas milhares de santistas deram um jeito de ver o jogo e foram maioria nas arquibancadas. O Goiás vencia até 40 minutos do segundo tempo, mas em duas jogadas individuais de Neymar o Alvinegro conseguiu uma vitória empolgante.

Durante a semana só se falou no jogo contra o Avaí. Disseram que o Corinthians mandaria mala preta para o time de Florianópolis, que não corria risco de rebaixamento, mas também não aspirava mais nada no campeonato. Não sei se é verdade, só sei que o árbitro escalado foi o Simon e o time de Santa Catarina correu demais. O Santos teve dois gols anulados erradamente e Simon não deu três pênaltis em cima de Neymar.

Mas o garoto ficou quietinho e esperou sua vez. Quando ela apareceu, driblou dois, sofreu um pênalti, levantou, driblou mais dois, sofreu outro pênalti, levantou, driblou o goleiro e entrou com bola e tudo. Simon ainda olhou para o bandeirinha, mas o auxiliar, meio sem jeito, caminhava cabisbaixo para o centro do campo. 1 a 0, chorado. O estádio era todo alvinegro praiano. Só uma turminha no canto, formado pelo ex-tenista Guga e seus amigos, torciam pelo time da casa.

No último jogo, bem no último jogo, contra o Flamengo, a Globo pressionou para que o Santos jogasse no Morumbi, mas o Laor bateu o pé e manteve a partida para o Alçapão. Andrés e Lula visitaram o Flamengo para dar uma medalha de honra qualquer ao Zico. Ricardo Teixeira disse que o jogo seria anulado se uma folha de papel voasse sobre o gramado da Vila Belmiro.

Sem nenhuma aspiração no campeonato e já classificado para a Sul-americana, o Flamengo correu pelo Corinthians, pois com o empate daria o título ao seu co-irmão paulista e com o prêmio prometido poderia colocar os salários em dia. No sábado, a Globo levou ao ar um especial sobre a participação do povo no futebol, mostrando apenas as torcidas de Corinthians e Flamengo e entrevistando os torcedores símbolos dos dois clubes: Lula e Ricardo Teixeira.

O árbitro escalado para o jogo decisivo, como não poderia deixar de ser, foi o Carlos Eugênio Simon. Fiquei sabendo que um grupo paramilitar escalou um velhinho-bomba para abraçar o simpático Simon no jantar após o jogo caso ele tirasse o título do Santos. Mas não foi preciso. Mesmo com a tevê mostrando que o gaúcho errou na anulação de quatro gols do Alvinegro Praiano; não deu cinco pênaltis no Neymar, dois no Alan Patrick, um no Arouca e dois no Marcel; expulsou erradamente três jogadores santistas e deixou o Flamengo bater à vontade, os Meninos estavam tão determinados que golearam por 8 a 3, fora o baile, e fizeram uma festa incrível, da qual estou chegando agora.

Bem, desta vez foi mais incrível do que em 2004. O Santos foi campeão com 69 pontos, dois a mais do que o Flamengo no ano passado. Só o jogo de hoje daria um livro. Mas agora já estou ficando cansado. Desculpem-me, mas amanhã tenho de acordar cedo, pois certamente o blog vai bombar. Não só sobre o título, mas também sobre a Arena Santista, que a prefeitura de Santos finalmente resolveu construir em parceria com o Santos e a Portuguesa Santista, que cederá o seu terreno. Maravilha. Até parece que estou sonhando acordado…

Você não acha que às vezes acontecem coisas que parecem sonho?


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