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Mangueira e Santos, a união histórica dos ícones do samba e do futebol


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Ritmo, bailado, cadência e frenesi se confundem nas expressões mais importantes da arte popular brasileira, que tem Mangueira e Santos como seus mais nobres representantes. Confira as legendas:

1 – Pelé e Garrincha, quando os gênios do futebol se encontravam no Maracanã. 2 – Bicicleta de Pelé, uma obra de arte para o Rio ver. 3 – Pelé e o Pão de Açúcar, monumentos nacionais. 4 – Como gratidão aos cariocas pelo incentivo nos jogos contra Benfica, Boca e Milan, cada jogador do Santos usou uma camisa de times do Rio. 5 – Placa do Santos em homenagem à torcida carioca. 6 – Placa comemorativa ao gol contra o Fluminense, no Maracanã, em 1961, o primeiro e legítimo “gol de placa”. 7 – Bola com que Pélé fez o milésimo gol, contra o Vasco, em 1969, evento mais assistido na tevê do que a chegada do homem à Lua, meses antes. 8 – Seleção Brasileira campeã sul-americana de 1919, nas Laranjeiras, com os santistas Millon e Arnaldo. 9 – Célebre inauguração de São Januário, em 1927. 10 – Pelé com a camisa do combinado Santos/Vasco, que defendeu em um torneio internacional. 11 – Pelé com a camisa do Flamengo e ao lado de outra lenda, Zico. 12 – Pelé com Almir no vestiário do Santos, cumprimentando-o pela exibição contra o Milan. 13 – Pelé carregado nos ombros, reinando no Maracanã. 14 – Santos dá a volta olímpica após se tornar o primeiro bicampeão mundial da história, impulsionado por 200 mil pessoas no Maracanã. 15 – Neymar mostrando sua ginga, seu ritmo e simpatia na Estação Primeira de Mangueira. 16 – Mangueira e Santos, uma mistura bem brasileira que dá samba. E de altíssimo nível.

Provavelmente no dia 28 deste mês, em que completará 83 anos de história, a tradicional Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira anunciará o seu enredo para o Carnaval de 2012 – e o tema escolhido pode ser o Centenário do Santos Futebol Clube, o time do Rei do Futebol, aquele que encantou o mundo, transformou o Maracanã no maior alçapão do planeta e conquistou o coração dos cariocas.

Santos e Rio têm tudo a ver, assim como a união do melhor futebol e do melhor samba que já pisaram a face da Terra. Mangueira cantando o Santos seria um momento único, mágico, com os astros do futebol lado a lado com os mestres do samba. Algo pra ficar para a história.

Por isso, o gerente de marketing do Santos, Armênio Neto, está correndo contra o tempo para viabilizar o patrocínio do desfile. Há o interesse do presidente da Mangueira, Ivo Mirelles, mas o Santos precisa conseguir uma verba mínima que eu calculo em R$ 5 milhões para garantir o enredo da Verde e Rosa.

Além de tema do desfile, em que a história do Santos e de sua ligação com o Rio de Janeiro será farta e luxuosamente mostrada e cantada para o mundo, o clube terá uma divulgação permanente durante o ano, pois em cada ensaio da Mangueira teria uma participação importante.

A necessidade de parcerias

A parceria com a Mangueira é magnífica e oportuna, com um ganho extraordinário para os dois lados. Imagine os ensaios da grande escola com as presenças de Neymar, Robinho, Ganso, Elano, Carlos Alberto Torres, Zito, Clodoaldo e, é claro, Pelé. Seria algo extraordinário, de repercussão mundial.

Mas o Santos está à cata de parcerias com empresas que queiram dividir esse investimento – e compartilhar desse momento histórico -, pois, do contrário, teria de comprometer toda a verba destinada às comemorações de seu Centenário, idéia que não agrada ao clube.

É difícil avaliar, mas creio que ser tema do enredo da Mangueira equivale, em visibilidade, a dezenas de shows musicais ou outros eventos que possam ser realizados. É a arte popular pura, unindo o melhor do samba e do futebol brasileiros. Torço muito para que essa parceria dê samba.

Santos e Rio, tudo a ver!

A ligação do Santos com o Rio de Janeiro é antiga. Logo na primeira conquista importante do futebol brasileiro, o Sul-americano de 1919, jogado no Estádio das Laranjeiras, campo do Fluminense, o Alvinegro Praiano era o clube que tinha mais jogadores: três. O ponta-direita Adolfo Millon Junior, o primeiro a assinar a ata de fundação do Santos, em 14 de abril de 1912; o ponta-esquerda Arnaldo Silveira, também fundador do Santos e não só titular, mas capitão da Seleção Brasileira, e o meia-direita Haroldo Pires Domingues.

Oito anos depois, o Santos participou do evento mais importante de 1927, que foi a inauguração do estádio de São Januário, então o maior do Brasil, com lotação completa e a presença de altas autoridades, entre elas o presidente da república Washington Luis e os seus ministros (vitória do Santos, que tinha o famoso “ataque dos 100 gols”, por 5 a 3).

O Santos preferia jogar seus jogos internacionais mais importantes no Maracanã, pois era mais querido pela torcida carioca do que pela paulista. No maior estádio do mundo o Alvinegro Praiano fez o primeiro jogo da decisão da Copa Libertadores de 1963, contra o Boca Juniors (vitória por 3 a 2), o primeiro jogo da decisão do Mundial de 1962, contra o Benfica (vitória por 3 a 2) e o segundo e o terceiro jogos da lendária final do Mundial de 1963, contra o Milan (vitórias de 4 a 2 e 1 a 0).

Se tivesse de destacar apenas uma partida, seria a da virada espetacular contra o Milan, em que perdia por 2 a 0 no primeiro tempo e virou para 4 a 2 em apenas 22 minutos de jogo na segunda etapa, com muita chuva e desfalcado de Pelé, Calvet e Zito. Nesta partida, em que o Maracanã recebeu cerca de 200 mil pessoas, o herói foi Almir Albuquerque, ídolo do Vasco, que substituiu Pelé.

É impossível contar a história dos times do Rio sem falar do Santos

Os vascaínos têm orgulho de dizer que Pelé torcia para o time quando era criança. E foi a camisa do Vasco que Pelé vestiu, no início da carreira, quando Santos e Vasco formaram um combinado para disputar um torneio internacional no Maracanã.

O Vasco também teve a honra de sofrer o milésimo gol de Pelé, em 1969. E contra o Vasco o Santos comemorou a conquista de três de seus oito títulos brasileiros: a Taça Brasil de 1965 (vitória de 1 a 0, no Maracanã), o Roberto Gomes Pedrosa de 1968 (vitória de 2 a 1, no Maracanã) e o Campeonato Brasileiro de 2004 (vitória de 2 a 1, em São José do Rio Preto).

Contra o Botafogo de Garrincha e Nilton Santos o Alvinegro Praiano fez os grandes duelos dos anos 60 e conquistou o título brasileiro de 1962 (Taça Brasil, ao vencer o notável adversário por 5 a 0 em pleno Maracanã, partida que o jornalista Ney Bianchi definiu como “O maior jogo do mundo”).

O Flamengo foi adversário do Santos na final da Taça Brasil de 1964 e acabou sendo derrotado (4 a 1 no Pacaembu e 0 a 0 no Maracanã). O América, campeão da Guanabara em 1960, disputou com o Santos a semifinal da Taça Brasil de 1961 e só caiu na terceira partida, depois de perder no Maracanã e vencer o Santos na Vila Belmiro.

O Fluminense sofreu o famoso e gol de placa de Pelé no Torneio Rio-São Paulo de 1961, jogo em que o Santos venceu por 3 a 1, no Maracanã. Há uma crônica memorável de Mário Filho sobre o feito, cuja placa foi pedida pelo jornalista de São Paulo, Joelmir Beting.

Enfim, o Santos era tão identificado com o Rio de Janeiro que Nelson Rodrigues escreveu várias crônicas dizendo que o Santos deveria ter nascido no Rio, pois tinha a alma carioca. Nelson foi quem criou e difundiu o bordão de que o Santos era o mais carioca dos paulistas.

Dizem que o futebol solto, artístico, ofensivo, originário das peladas na areia da praia, une o Santos aos times do Rio. Mas há também a forte colonização portuguesa que gerou o sotaque sibilante, a preferência pelo “tu” ao invés do “você”, o jeito mais informal de ser de santistas e cariocas.

Tamanha sintonia fez com que os jogadores do Santos, em retribuição ao carinho que sempre receberam dos torcedores do Rio, posassem para uma foto vestindo, cada um, a camisa de um clube carioca.

Se a Mangueira se decidir pelo enredo do Santos de Pelé, em uma poderosa alquimia que ultrapassará as fronteiras do samba e do futebol, ofereço-me desde já, graciosamente, para fornecer todas as informações para a confecção do enredo, principalmente os feitos históricos que ligam o Santos ao Rio de Janeiro.

E você, o que acha de a Escola de Samba da Mangueira adotar o Centenário do Santos como enredo para o seu desfile de 2012?


Às 21 horas tem Torcida Jovem no Sambódromo. Apoie. Cante. Aplauda.

Vamos dar um tempo na discussão da fórmula de divisão de cotas da tevê e apoiar a Escola de Samba Torcida Jovem, que neste domingo, às 21 horas, entra no Sambódromo para o grande jogo de sua vida, que vale um lugar no Grupo Especial no ano que vem. Força Jovem!

Assista, cante o samba, và à avenida. A Torcida Jovem merece!


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