Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Falta fundamento para Thiago Ribeiro, Damião e o Brasil

Atenção: Logo mais, às 21h30m, estará no ar o post para este domingo, dia de jogo contra o Cruzeiro, no Mineirão, às 16 horas, com tevê aberta.

damiao e thiago ribeiro
Damião e Thiago Ribeiro, atacantes que não fazem mais gols (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC)

Leandro Damião tem sérias dificuldades para dominar, chutar e cabecear uma bola; Thiago Ribeiro é escalado para fazer gols, ou contribuir para que eles saiam, e perde oportunidades que deixariam minha avó, se estivesse viva e se jogasse futebol, vermelha de vergonha. O que está acontecendo com o Santos e com o futebol brasileiro?

Muito se especula sobre os motivos da decadência de nosso futebol, mas ainda não li ou ouvi alguém se referir ao mal maior e primordial de todos, que é a falta de fundamento dos jogadores, a base de todo o processo.

Por que mesmo atacantes regiamente pagos, como Damião e Thiago Ribeiro, perdem tantos gols feitos? Ora, porque não sabem se posicionar, não usam o pé de apoio na posição correta, não batem na bola com o lado certo do pé, não sabem usar os efeitos e as potências do chute, enfim, são limitados, para não dizer grossos.

E por que são contratados mesmo assim, a peso de ouro? Porque os clubes estão repletos de diretores de futebol que não enxergam um palmo adiante do nariz, não sabem nem de que cor é a bola e fazem negócios em que o aspecto técnico nem sempre é priorizado. Damião veio pelo marketing, por um dinheiro que o Santos não tinha, é se transformou em uma bolha que corrói os cofres santistas.

Mas voltemos a falar de fundamento, ou da falta de. Após um jogo como o da última quinta-feira, em que deu quatro chutes a gol e errou todos, perdendo no mínimo dois gols, o que você acha que o técnico Oswaldo de Oliveira deveria falar para Thiago Ribeiro? Bem, a gente sabe o que Oswaldo disse na coletiva, que atacante é assim mesmo, “vive de lua”, mas, brincadeiras à parte, o que um técnico profissional, de um time profissional, deveria dizer para um atacante que tem uma atuação tão deprimente? Eu imagino algo assim:

– Thiago, esta semana você vai treinar chutes a gol uma hora por dia. Chegue mais cedo aos treinos. O Giovanni, nosso auxiliar especializado em chutes a gol, vai treinar você.

– Mas professor, eu sei chutar.

– Então, por que não fez ao menos um gol nas quatro chances que teve, por que chutou todas para fora?

– Ah, professor, o senhor sabe, atacante é “de lua”. No outro jogo eu desencanto e faço um monte.

– Não podemos depender da sua lua. Não podemos trabalhar a semana inteira para um jogo e você, que está lá para botar a bola pra dentro da rede, perder gols que até a minha bela e delicada mulher faria. E já estou cansado de esperar você desencantar. Você faz uma partida boa e cinco ruins. Assim não dá.

– Ah, assim não dá, professor.

– Assim não dá digo eu. Vai ter de treinar, e muito. Pois se continuar assim, não terei mais espaço pra você no time.

Bem, agora voltando ao nosso post. Você acha que esse tipo de diálogo ocorre? Óbvio que não. Jogadores profissionais brasileiros continuam se julgando os mais habilidosos do mundo, acham que não precisam treinar fundamento, e os técnicos não têm peito de cobrar. Porém, já se foi o tempo em que cada esquina deste País tinha um campinho de terra batida e milhões de crianças passavam o dia todo correndo atrás de uma bola. E é claro que da quantidade saía a qualidade.

A tevê não tinha programação durante o dia (começava às seis da tarde), não havia videogame e a garotada não bebia, não usava droga e nem transava antes dos 18. O futebol era a diversão de 90% dos meninos. Diversão não, era o ritual de passagem, o campo para o amadurecimento físico e moral. Quem não jogasse futebol na infância, ou adolescência, já ficava com fama de veado. Homem para ser homem, tinha de jogar bola.

E com tanto moleque chutando bola, era natural que dessas peladas, que lá pelos lados da Cidade Dutra nós chamávamos de “treininhos”, saíssem Pelés, Garrinchas, Edson Bruxas, Cascavéis e outros craques, reconhecidos ou não.

Hoje, não há terrenos baldios para os campinhos, nem tempo e segurança para um garoto passar horas fora de casa, jogando bola na rua. O treininho passou para as escolinhas. Só que elas existem no mundo inteiro. Se as do Brasil não forem melhores, se não conseguirem conservar e valorizar a habilidade do jogador brasileiro, nosso futebol perderá a técnica, a ginga, o malabarismo que sempre teve. Por isso, o treino de fundamento é essencial.

Já se percebe que o nível de exigência para um jogador profissional vem caindo ano após ano. Sem falsa modéstia, posso dizer que em 1967, aos 14 anos, eu já sabia bater com todos os efeitos, cabeceava mais ou menos, chutava de esquerda, dava uns dribles simples, mas eficientes, sabia como me colocar na área para ter mais chances de concluir e como procurar os espaços vazios para receber o passe. Ainda tinha muito a melhorar, claro, mas se jogasse hoje já poderia ser titular do Santos e ganhar 500 mil reais por mês.

É por isso que um Robinho volta da Europa com 30 anos e mesmo assim é um rei por aqui. O tempo parou na terra de lost, essa é a verdade. Que outro jogador em atividade no Brasil tem essa habilidade que Robinho tem? Tente dar uma pedalada na corrida sem cair de bunda no chão. Perceba que até Cristiano Ronaldo tem dificuldade ao pedalar. A dele sai toda dura, artificial. Ninguém pedala como Robinho e Neymar, isso é fato. A pedalada é um drible Made in Vila Belmiro. Tem de ser muito bom para fazer bem.

Mas é claro que não se pode exigir ou esperar pedaladas de atacantes que nem conseguem acertar, com o pé bom e de frente, a extensão de sete metros do gol. Por isso, se quiser tentar ajudar esses jogadores, o Santos tem de mudar o treinamento do futebol e dar ênfase aos fundamentos. Isso tem de fazer parte da cláusula contratual de todo jogador. “De lua” ou não, todos terão de se submeter a treinamentos específicos da sua posição.

Entre outras coisas, goleiro tem de saber sair do gol, orientar a defesa e repor a bola; zagueiro tem de saber antecipar, cortar sem fazer falta, colocar-se bem, cabecear e sair jogando; volante tem de marcar, mas também tem de acertar passes e chutes a gol; o mesmo serve para os meias, que precisam ainda enfiar passes sob medida, driblar e chutar muito bem a gol. Quanto aos atacantes, é essencial habilidade para dominar a bola, driblar, tabelar, chutar com os dois pés e cabecear. Quem não preencher esses requisitos, que se submeta aos treinos com afinco. Se depois de algum tempo, não tiver mesmo jeito, RUA!

Eu já disse e repito, o futebol brasileiro está pagando salários altos demais para jogadores muito mal qualificados. Isso, em parte, explica as dívidas enormes dos clubes. Dá para montar equipes mais eficientes investindo bem menos – como, aliás, Bragantino e América de Natal provaram esta semana.

Aprenda a chutar com o Higuaín

Treino de crianças no Barcelona

Messi treinando contra um goleiro-robô
http://youtu.be/u7P5QEdJk6o

Garotinho treinando o drible do Kaneko. E do Neymar.

Thiago Ribeiro já fez gol

Imagens de uma paixão, homenagem à torcida do Santos

A torcida é o combustível do Santos. Sem ela, a máquina para. Por isso, essa discussão entre santistas da Baixada e da Capital é a maior burrice que pode haver. Isso só transforma em fraqueza aquilo que deveria ser e é uma força do Santos, um time com torcedores espalhados por todo o País, principalmente nas Regiões Sudeste e Sul, as mais ricas do Brasil.

Há dois anos o Santos comemorava seu Centenário e o Sesc de Santos fez esta bela exposição de fotos em homenagem à torcida santista. Tive o prazer de ser o curador. Dê uma olhada:

As fotos foram impressas em bandeiras alvinegras. Ficou muito bonito. Esse tipo de evento tinha de ser feito mais vezes pelo Santos.

E você, acha que está faltando fundamento ao jogador brasileiro?


Santos segura empate heróico e está na semifinal da Liga Futsal

O clima de guerra anunciado se comprovou e o Santos foi recebido com hostilidade pela torcida de Cascavel, ontem à noite, pelo jogo de volta das quartas-de-final da Liga Futsal. Porém, na quadra, a maior categoria do Alvinegro Praiano superou a garra do time paranaense e com o empate de 2 a 2 o Santos – que havia goleado na Arena Santos por 6 a 1 – se classificou para a semifinal da Liga e agora decidirá uma vaga na decisão com a forte equipe do Florianópolis.

Apesar da larga contagem no primeiro jogo, o Santos seria obrigado a jogar a prorrogação caso perdesse pela diferença mínima. Por isso, tratou de impor sua superioridade e terminou o primeiro tempo com a vantagem de 2 a 0, gols de Jé, encobrindo o goleiro, e Jackson, concluindo bela jogada de Valdin.

Mas o Cascavel não desistiu. Hugo marcou o primeiro gol do time paranaense logo no início do segundo tempo e Caça empatou quando faltava um minuto e meio para o final da partida. Os últimos segundos foram eletrizantes, mas o Santos segurou o empate e agora, em datas a serem definidas, enfrentará o Florianópolis, que eliminou Marechal Rondon.

Atual campeão da Copa Libertadores no futebol profissional, o Santos é bicampeão da Libertadores no futebol feminino e está perto do título da Liga Nacional de futsal, ou o título brasileiro do futebol de salão. Com isso, como era o plano do marketing do clube no início do ano, o Santos poderá fechar o ano como um dos mais destacados praticantes de futebol no planeta.

Como o time de futebol de campo dificilmente brigará pelo título brasileiro, prevejo que o futsal concentrará as atenções do santista nas próximas semanas – principalmente se a devisão da Liga for contra o rival Corinthians, que jogará a outra semifinal. Gostaria de saber se você está disposto a empurrar o time de Falcão & Cia na busca deste título inédito…


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