Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Conheça a opinião (abalizada) do primeiro leitor do livro do Dossiê

Professor Guilherme Nascimento (camisa azul), conferindo a história do futebol brasileiro com o pesquisador Guilherme Guarche, responsável pelo departamento de Memória e Estatística do Santos.

O professor Guilherme Nascimento, de Mongaguá, estudioso da história do futebol e do Santos, que está preparando para as festividades do Centenário um precioso Almanaque com todos os jogos do Alvinegro Praiano, foi a primeira pessoa a adquirir o Dossiê da Unificação dos Títulos Brasileiros e lê-lo de cabo a rabo. Por isso, seu comentário é muito importante quanto à credibilidade da obra.

Acabo de receber o e-mail do Guilherme e, com sua devida autorização, reproduzo-o abaixo. Lembro, ainda, a importância histórica do confronto de amanhã entre Bahia e Santos. Este clássico, no curto período de cinco anos, se repetiu três vezes na decisão do título brasileiro: em 1959, 1961 e 1963, quando se defrontaram na final da Taça Brasil (vitória do Bahia em 1959 e do Santos nas outras duas oportunidades). Este fato não pode passar despercebido pela imprensa, pelos jogadores e dirigentes destes dois clubes, muito menos pelos sites e blogs dos dois times.

Segue agora a mensagem do Guilherme:

Odir, bom dia

Li o dossiê numa “sentada” só.

Indispensável…

A argumentação é muito, muito sólida (foi uma surpresa acima da expectativa).

Não é um livro para santistas, longe disso… você conseguiu ser muito equidistante das questões clubísticas.

O torcedor de futebol ficará definitivamente convencido de que havia futebol no Brasil antes de 1971…

E aqueles teimosos que após a leitura não se renderem aos fatos e argumentos, resta lamentar tamanha desonestidade intelectual em não aceitar que o Bahia foi o primeiro campeão brasileiro.

Alguns podem achar que ser favorável à unificação é ser favorável a Ricardo Teixeira… são pobres de espírito e míopes politicamente… A unificação significa o fim do individualismo da cartolagem, em que um dirigente (ou casta comandante) escreve o presente como se o passado não existisse. Nada mais democrático que demonstrar que o Regime Militar foi tão pernicioso que conseguiu apagar da memória de alguns a origem das competições nacionais.

É preciso mostrar aos mais jovens (ou “velhos” mal intencionados) que no Brasil democrático de 1959 se transpirava otimismo e o futebol caminhava na mesma trilha. Que no período de ouro do nosso futebol o esporte era tratado como tal… que não foi mera coincidência a presença de militares no futebol a partir de 1970 (vide capitão Cláudio Coutinho, Parreira até chegar ao Almirante Heleno Nunes e os fracassos na Copa da Argentina e o Campeonato de 1979).

A CBD passa a ignorar Taça Brasil e Robertão quando Heleno Nunes assume a presidência… 1975 , ano da “Copa do Brasil”, sintomático, não?

Mas a questão não é política (apenas)… a questão é o mérito esportivo… e isso o dossiê dá uma goleada nos desmemoriados, mal intencionados, desonestos intelectuais e torcedores fanáticos e cegos, ou aos simplesmente teimosos… o que genericamente poderíamos chamar de “pobres de espírito”.

Mesmo sendo repetitivo e nada original, parabéns pelo trabalho.

Forte abraço

Guilherme Nascimento

O professor Guilherme o (a) deixou mais curioso (a) para ler o Dossiê? Pois então clique no banner rotatório localizado na parte superior deste post (acima do título) e garanta o seu exemplar. A etapa de buscar o RECONHECIMENTO da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa foi bem sucedida. Agora, precisamos divulgar o CONHECIMENTO desta história.


Febre de dossiês é bem melhor do que o esquecimento


Eu, a testemunha-chave João Havelange e José Carlos Peres, o mentor da unificação.

Algumas pessoas, estranhamente desesperadas com o inevitável reconhecimento, por parte da CBF, dos títulos brasileiros a partir de 1959, estão atirando para todos os lados. E entre as alegações desses trainees de profetas do apocalipse, está a de que tudo deveria ficar como antes, porque agora uma enxurrada de dossiês será produzida.

Ora, tirando a parte que não respeitam e banalizam o meu trabalho – como se pesquisas históricas pudessem ser feitas como posts de cinco linhas em um blog –, acho que se houver mesmo uma produção contínua de dossiês sobre competições de futebol já realizadas no Brasil, isso será ótimo, pois ao menos evitará que caiam no esquecimento, como muitos queriam que acontecesse com a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Quem diz que tudo deveria ficar como antes desse reconhecimento, na verdade está dizendo que as competições nacionais antes de 1971 deveriam permanecer no limbo, no buraco negro da história.

Pelé, Garrincha, Ademir da Guia, Tostão, enfim, uma geração incomparável de craques que lutou pelo título brasileiro de 1959 a 1971 seria jogada na lixeira de nossa memória esportiva. Era isso que queriam?

Sem o testemunho dos jogadores e do senhor João Havelange, não seria possível produzir um documento irrefutável, como foi feito. Ou seja, com o passar do tempo, a recuperação da era de ouro do futebol brasileiro poderia estar irremediavelmente perdida.

No entanto, por interesses deconhecidos, muitos pediam e ainda pedem – pois têm opinião formada, mesmo sem estarem informados – que se deixasse tudo como estava, ou seja: com as duas primeiras competições nacionais e oficiais, a Taça Brasil e o Robertão, menos conhecidas e valorizadas a cada ano, e um campeonato que começou em 1971 e, sob forte influência do governo militar, tornou-se um monstro deficitário, de nível técnico baixo, muitas viradas de mesa, dez mudanças de nome e troca de regulamentos a cada ano.

É este Nacional que querem que continue como a única referência de “campeonato brasileiro” (oficialmente a competição só se chamou assim em 1989)? Por que tanto rigor, tanta exigência com a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e ao mesmo tempo tanta tolerância com esta competição que, todos sabem, apresentou sérios problemas na maior parte de suas edições?

Regras para um dossiê dar certo

Tenho sido consultado por jornalistas e pesquisadores sobre a possibilidade de se produzir dossiês sobre determinadas competições do passado e enviá-los para a análise da CBF. A todos tenho respondido que para se ter sucesso na empreitada, é preciso que se consiga provar vários aspectos da competição.

O essencial é que ela tenha sido criada para o mesmo objetivo que é proposto no dossiê. Não adianta, por exemplo, pegar um torneio Rio-São Paulo e tentar transformá-lo em Campeonato Brasileiro. Ele foi criado para unir equipes de São Paulo e Rio de Janeiro em um torneio regional, não nacional.

Mesmo sabendo-se que São Paulo e Rio concentravam os melhores times e jogadores do País à época, a competição não tinha abrangência nacional e nem, repito, tinha sido criada com esse objetivo.

Documentos, imprensa, testemunhas

Esta oficialidade do evento tem de ser comprovada com documentos da própria federação ou confederação. Há muitas competições amistosas que podem adquirir prestígio, reunir grandes equipes, atrair ótimo público e ganhar grande espaço na mídia. Mesmo assim, não deixarão de ser amistosas.

É preciso comprovar-se também a finalidade da competição. Dezenas de torneios internacionais – o Hexagonal do Chile é um deles – tiveram um nível técnico superior a qualquer “campeonato” mundial de clubes já realizado. Porém, não tinham como objetivo definir um campeão mundial.

Depois de se cercar da documentação suficiente, é preciso constatar se a imprensa corrobora com essa finalidade. No caso da Taça Brasil, a CBD diz que é oficial e foi criada para definir o campeão brasileiro, e toda a imprensa do País à época concorda com esse objetivo.

Como é impossível que todos os jornalistas esportivos de um período de dez anos tivessem cometido o mesmo equívoco quanto à finalidade da competição, destacando em títulos e nos leads das matérias que elas definiam o campeão brasileiro e único representante do país na Copa Libertadores da América, conclui-se que a imprensa corroborava com a finalidade oficial do evento.

Neste ponto, provada a finalidade da competição e sua confirmação pela imprensa, talvez o dossiê já seja bem-sucedido. Mas, ainda é preciso ouvir as testemunhas. No meu caso, os jogadores foram muito importantes. Porém, mais do que eles, a testemunha-chave era o senhor João Havelange, presidente da CBD, que criou não só a Taça Brasil, como o Torneio Roberto Gomes Pedrosa e o Campeonato Nacional.

E Havelange foi enfático. Em carta e, principalmente, em depoimento para mim e o Peres, em Santos, deixou claro que a Taça Brasil e o Robertão tinham o objetivo de definir o campeão brasileiro. “Se foram disputados, foram oficiais, e se foram oficiais, tem de ser respeitados”, concluiu (seu depoimento está no vídeo entregue à CBF, junto com o Dossiê).

Quem ganha é a história

Desta forma, mesmo que o sucesso do “Dossiê pela Unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959” desencadeie uma onda de dossiês, isso não quer dizer que todos serão aprovados. Há exigências para que sejam aceitos e a maior delas, obviamente, é a de que expressem, rigorosamente, a verdade.

Porém, aprovados ou não, estes dossiês acabarão preenchendo uma lacuna importante na história do futebol brasileiro, pois jogarão luzes sobre competições e períodos hoje pouco ou nada conhecidos.

Trabalhar para recuperar a história não é uma loucura. A loucura é esquecê-la.

E você, tem se informado sobre Taça brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa para poder defender a causa justa do reconhecimento?


“É factível”, diz Ricardo Teixeira sobre a Unificação dos Títulos Brasileiros


José Carlos Peres fala a Ricardo Teixeira. Luis Álvaro (esq) observa

Hoje, finalmente, o “Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros” pôde ser entregue a Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol. E pós recebê-lo, assim como a um vídeo onde se destaca um pronunciamento de João Havelange, ex-presidente da CBD, reafirmando que Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa eram competições oficiais e definiam o campeão brasileiro, Teixeira disse que o pedido dos clubes é FACTÍVEL (que pode ser feito, exequível).

Do encontro, realizado na sede da CBF, participaram José Carlos Peres, gerente executivo do G4 – Aliança Paulista; o presidente do Santos Futebol Clube, Luis Álvaro Ribeiro; o vice-presidente do Botafogo, Antonio Carlos Mantuano; o diretor de futebol do Cruzeiro, Dimas Fonseca, além do diretor de comunicações do clube mineiro, Guilherme Mendes. Eles representaram também Palmeiras, Fluminense e Bahia, os outros clubes que foram campeões nacionais de 1959 a 1970.

Na entrevista que deu após a reunião – e que pode ser vista no vídeo abaixo – ao se referir aos campeões da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Teixeira disse “… que, no conceito deles, foram campeões brasileiros”. Aí devo fazer uma pequena correção.

Não foi no conceito dos próprios clubes que eles ganharam o título de campeão brasileiro. Foi no campo, referendado pela Confederação Brasileira de Desportos e pela imprensa de todo o país.

Que é oficial todo mundo que, mesmo superficialmente, estudou a questão, está careca de saber. O que se pede não é a oficialização, mas a ratificação, ou a homologação dos títulos pela CBF. Particularmente, considero essa atitude uma obrigação da entidade que dirige o futebol brasileiro, já que ela foi criada em setembro de 1979, quando estas competições já tinham sido realizadas e já estavam consagradas como definidoras dos campeões brasileiros de 1959 a 1970.

Outro descuido do presidente da CBF é referir-se aos títulos em questão como “antes do Campeonato Brasileiro”. Na verdade, a designação oficial de Campeonato Brasileiro” só começou a ser utilizada a partir de 1989. Antes, a competição teve diversas denominações, tais como Taça Brasil, Torneio Roberto Gomes Pedrosa, Taça de Prata, Campeonato Nacional,Copa de Ouro, Taça de Ouro, Copa União etc. Ou seja, a Taça Brasil é o primeiro elo da competição que desembocou hoje no Campeonato Brasileiro.

Finalmente, Teixeira disse que o pedido “em princípio é factível” e deve ser analisado pelos setores envolvidos. Ótimo, mas a CBF, que eu saiba, não tem um departamento de estudos da história do futebol brasileiro. Não há profissionais especializados em pesquisa histórica trabalhando nisso, criteriosamente, por lá. Coloco-me desde já à disposição da CBF para ajudar nessa análise com todos os recursos que tiver e com os documentos que já colecionei.

Não esperemos que esta decisão venha antes de dois meses. Se a CBF realmente tivesse um departamento de história e estatística, já teria homologado esses títulos.Talvez a decisão seja mesmo política, e aí exigirá novos esforços da comissão executiva do Dossiê, que jamais descansará enquanto este período do futebol brasileiro não for devidamente valorizado.

Em vídeo, João Havelange diz que CBF tem obrigação de reconhecer os títulos

Além do Dossiê – um livro capa dura com 204 páginas que traz fatos, provas e argumentos que justificam a reivindicação dos clubes –, hoje o presidente Ricardo Teixeira recebeu um vídeo com depoimentos de dirigentes, ex-jogadores campeões brasileiros (como Pelé, Ademir da Guia, Raul Plasmann, Marito, Paulo César Caju, Mickey) e, especialmente, de João Havelange, presidente da CBD responsável pela criação da Taça Brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, além de ex-sogro de Ricardo Teixeira.

Na sua fala, Havelange foi incisivo e disse que o reconhecimento desses títulos pela CBF “é uma obrigação”. Leia agora, na íntegra, o que diz Havelange no vídeo entregue a Ricardo Teixeira:

Quanto eu cheguei à CBD nós tínhamos um campeonato que era importante e valioso: o Rio-São Paulo. Mas o Brasil foi se desenvolvendo. O senhor não poderia se esquecer dos outros estados, dos outros clubes, dos outros jogadores, e assim criamos a Taça Brasil.

Reconhecer o que foi feito não é desdouro. É uma obrigação. Se os títulos existiram, é porque as competições foram oficiais. Se eles são oficiais, me perdoe, são para serem respeitados.

E se a CBF puder levar adiante e reconhecer os títulos daqueles que já foram campeões também nas condições de hoje, eu acho que fazemos justiça, e fazemos mais do que isso: fazemos uma homenagem ao futebol do passado, que é o responsável do futebol que temos hoje. Obrigado.

Depois de ouvir João Havelange, o presidente da CBD que criou as competições, fica alguma dúvida de que Taça Brasil e Roberto Gomes Pedrosa eram oficiais e davam aos seus vencedores os títulos de campeões brasileiros?


Sim, a CBF receberá o Dossiê. Mas é apenas um passo…


Jornal da Tarde, Gazeta Esportiva e o próprio Boletim Oficial da CBD tratam Cruzeiro (1966), Santos (1961/62/63/64/65/68) e Fluminense (1970) como campeões brasileiros

Ontem surgiu a notícia, divulgada equivocadamente pelo diretor de futebol do Cruzeiro, Dimas Fonseca, de que na próxima quarta-feira a CBF anunciará a unificação dos títulos brasileiros a partir de 1959, ratificando o que já é oficial pela CBD, ou seja, que os campeões da Taça Brasil (1959 a 1968) e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1967 a 1970) são tão campeões brasileiros como os que vieram a partir de 1971. Mas não é bem assim…

O que haverá na próxima quarta-feira, às 11 horas, na sede da CBF, é um encontro, seguido de almoço, entre o presidente da entidade, Ricardo Teixeira, e os presidentes de três clubes campeões brasileiros antes de 1971 e o coordenador do projeto pela unificação dos títulos, o ex-superintendente do Santos na Capital, hoje gerente executivo do G4 Paulista, José Carlos Peres.

Na oportunidade, Teixeira receberá oficialmente o Dossiê e ouvirá dos presentes alguns dos sólidos argumentos que confirmam a legalidade e legitimidade do que pleiteiam.

Os três presidentes de clubes presentes ao encontro serão José Perrella de Oliveira Costa, do Cruzeiro Esporte Clube; Maurício Assumpção, do Botafogo Futebol e Regatas, e Luís Álvaro Ribeiro, do Santos Futebol Clube.

Eles representarão os outros três presidentes da comissão executiva, que são Marcelo Guimarães Filho, do Esporte Clube Bahia; Luiz Gonzaga Pelluzzo, da Sociedade Esportiva Palmeiras, e Roberto Horcades, do Fluminense Futebol Clube. Completam a comissão executiva este blogueiro que vos escreve, autor da pesquisa e do texto do Dossiê, e o publicitário Marcos Magno de Souza Cunha.

Não espere decisão rápida

Não há qualquer dúvida de que o Brasil já tem clubes campeões nacionais oficiais desde 1959. Já falei e escrevi muito sobre isso e estou à disposição para responder a quaisquer dúvidas sobre o assunto.

A Taça Brasil decidia o campeão brasileiro do ano, assim como o Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o Campeonato Nacional (com suas várias denominações) e o Campeonato Brasileiro, que só teve este nome a partir de 1989.

Desconfio que até na CBF ninguém duvide disso. A documentação comprobatória é farta, assim como os testemunhos e os arquivos de imprensa. A virada de mesa começou em 1971, quando o regime militar se apossou do futebol brasileiro como forma de se aproximar das massas. Porém, agora, felizmente, isto pode e deve ser revisto.

No entanto, o mais sensato, neste momento, é simplesmente esperar pela decisão da CBF. Há uma grande expectativa de que a recuperação desta verdade histórica finalmente virá, para iluminar um período de ouro do nosso futebol e fazer justiça aos grandes craques do passado. Mas não há data para que isso aconteça.

Uma visão mesquinha da questão – mas que certamente será usada pela mídia sensacionalista – é levá-la para o lado dos rankings e como eles podem ser modificados com a incorporação dos “novos” títulos brasileiros. Ora, isso é bobagem. Para quem não sabe, o Santos já garantiu o primeiro lugar no ranking brasileiro de 2010 e nem os santistas vibram com isso, pois sabem que os critérios da CBF para elaborar o seu ranking anual são absurdos.

O que se quer, de verdade, é fechar este ciclo histórico que acabou ficando incompleto, repito, devido à intervenção do governo militar no futebol brasileiro. A decisão pode demorar e talvez exija novos e novos esforços. Entretanto, a causa é legítima e legal, portanto justíssima. Vale a pena brigar por ela até o fim.

Tem alguma dúvida sobre o assunto? Vá aos comentários e deixe sua pergunta.


Episódio Taça das Bolinhas mostra a precariedade da CBF

Patético. Este é o adjetivo apropriado para definir o caso da taça das bolinhas. Alguém acreditou que a CBF fez um estudo sério para decidir que ela pertence ao São Paulo? Como este blog já afirmou ontem – informação comprovada depois pelas declarações da presidente do Flamengo, Patrícia Amorium –, o anúncio intempestivo de Ricardo Teixeira de que a taça irá para o Morumbi é apenas uma retaliação contra o clube carioca pelo fato de ter votado contra a dupla Teixeira-Kléber Leite na eleição do Clube dos Treze.

Será que doeu para Teixeira e Leite decidirem contra o clube de seu coração? Bem, acho que há muito a paixão por um time de futebol deixou de ser a mais intensa professada por estes senhores. Há valore$ na vida que certamente seduzem mais algum tipo de gente do que esta bobagem de se alegrar e sofrer por onze marmanjos correndo atrás de uma bola.

Sou testemunha de que a CBF não tem não apenas um departamento de pesquisa, como sequer uma pessoa escalada para este serviço, e muito menos um arquivo sobre a memória do futebol brasileiro. Os únicos papéis valorizados na entidade que dirige o futebol de história mais rica do planeta devem ser notas fiscais, recibos e contra-cheques.

Quando pesquisei para elaborar o Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959, não consegui uma única informação oficial da CBF sobre Taça Brasil e Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Só ouvi desculpas do assessor de imprensa Antonio Carlos Napoleão.

Primeiro, de que os documentos estavam na Granja Comary… Depois, que o responsável pelo setor estava de férias… Depois, que tudo estava encaixotado e não se sabia que caixa tinha o quê… Enfim, era evidente a má vontade para esclarecer o passado. Os campeonatos nacionais, oficiais, antecessores de 1971, são assunto maldito na CBF.

O jornalista, escritor e historiador Loris Baena Cunha, que pesquisou nos arquivos da CBD – a confederação original, que colocou o futebol brasileiro no mapa mundi -, confirmou-me que as pastas relativas à Taça Brasil estão identificadas com o título “Campeonato Brasileiro de Clubes”. A revelação destas pastas deixaria claro que a Taça Brasil, como todo mundo que acompanha o futebol há menos de um dia sabe, dava ao vencedor o título de campeão brasileiro e o direito de ser o representante do País na Copa dos Campeões da América, hoje chamada de Copa Libertadores.

Como para a CBF a revelação desta verdade histórica poderia alterar o jogo de forças do futebol brasileiro atual (o que é uma bobagem), ela faz todo o possível para esconder as pastas, se é que já não foram destruídas. O curioso é que querem apagar dos anais justo a era de ouro do futebol brasileiro, em que o País ganhou três Copas em quatro disputadas e com todos os jogadores, titulares e reservas, em atividade nos clubes brasileiros.

Uma coisa tem de ficar bem clara: o fato de ser chamada, ou ser de fato, uma copa ou taça, não tira do vencedor o direito de ser campeão brasileiro. Da mesma forma que o campeão da Libertadores é o campeão da América do Sul e o da Liga dos Campeões o campeão europeu.

No trabalho para o Dossiê – que será transformado em livro – identifiquei todos os jogos de palavras e as confusões que são plantadas na opinião pública para confundir o torcedor sobre a real dimensão das competições que definiam o campeão brasileiro nos anos 60. Obviamente e infelizmente torcedores de clubes que não foram campeões naquele período geralmente aceitam qualquer argumento, por mais imbecil que seja, para diminuir as conquistas de seus adversários.

Se a CBF fosse uma entidade séria, preocupada em preservar a história do futebol nacional, há muito teria anunciado o Santos como o único pentacampeão brasileiro, assim como daria aos vencedores nacionais de 1959 a 1970 o seu devido e merecido mérito. O fato de ela não anunciar, entretanto, não muda a realidade. A história não precisa do aval da CBF, nem de qualquer outro. Ao contrário. O episódio dessa taça das bolinhas deixa claro que não há qualquer critério técnico nas bajulações ou punições da entidade que, desgraçadamente, dirige nosso futebol.

É tudo feito à esmo, ao Deus-dará, decidido nas coxas. Não há historiador ou pesquisador contratado pela CBF, que deve restringir sua folha de pagamentos a agentes comerciais, lobistas, contatos de publicidade e marqueteiros.

Declaração oficial das pessoas sérias que respeitam a história do futebol brasileiro

Em meu nome, que me dedico há décadas à pesquisa do futebol brasileiro; no nome de Loris Baena Cunha, mestre dos historiadores de futebol deste País; em nome do imparcial Celso Unzelte, o escritor mais preciso nos detalhes históricos do futebol; em nome de Guilherme Guarche, alguém que vive a cada minuto os fatos da vida do Santos; em nome de Joelmir Beting, um jornalista esportivo situado em um outro patamar da nossa profissão, e em nome de tantos outros que não me ocorrem agora, mas que são, todos, sérios e dignos, eu declaro o Santos Futebol Clube o único pentacampeão brasileiro de clubes e campeões brasileiros todos os vencedores da Taça brasil e do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, no período de 1959 a 1970.

Ah, que inveja da Itália

Enquanto no Brasil usa-se a preciosa história do futebol como réles instrumento político entre clubes e entidades, na Itália valoriza-se as origens de uma forma exemplar e comovente. Assim, o primeiro campeão italiano, o Genoa, que conquistou o título jogando contra apenas dois adversários em um único dia, no longínquo 1898, é lembrado e homenageado até hoje.


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