Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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A presença marcante do Santos e de Pelé no Chile

Luis Urrutia O’Neil, com sua respeitosa barba e seus olhos vivos e inteligentes, se parece com um membro da academia chilena de letras. Tive a honra de compartilhar com ele algumas empanadas e a boa cerveja Austral graças ao convite do amigo jornalista Patrício de la Barra. Premiado jornalista e escritor esportivo do Chile, Luis Urrutia é um dos maiores especialistas em Pelé fora do Brasil. Imagine sobre o que falamos por quase duas horas…

Pelé tinha 1,74m ou 1,71m? Ele chegou a Santos de trem ou ônibus? Quem sabe que ele fez artes marciais para aprender a cair? Quem sabe como ele fez um dos gols mais bonitos de sua carreira, decidindo a espetacular vitória de 6 a 4 sobre a Seleção da Tchecoslováquia?

– Pegou a bola no centro do campo e foi driblando em diagonal, para a direita. O estádio todo ficou de pé para ver o que pretendia. Ao alcançar quase a linha lateral, passou a correr para a esquerda, em direção à área. Seguiu driblando e bateu de canhota para marcar – disse Urrutia em um espanhol certamente mais rico e colorido do que esta minha tradução.

No dia seguinte, os jornais chilenos estamparam manchetes em homenagem ao jogo de futebol mágico que havia acontecido no Estádio Nacional. Um dos títulos dizia: “Em nenhum lugar do mundo se viu um futebol assim”. Urrutia vai me ajudar a encontrar documentos sobre esse jogo histórico e inesquecível.

Urrutia ouviu de Pelé que esta exibição contra os tchecos foi, ao lado daquela diante do Benfica, em Portugal, que decidiu o título mundial de 1962, uma das maiores de sua carreira. Fatos e argumentos não faltam ao experiente jornalista para provar que Pelé, como eu e Patrício de la Barra concordamos, é inigualável.

Sim, no Brasil Urrutia gosta do Santos, assim como Patrício, que seguiu para o nosso País depois que o seu jornal foi fechado com o golpe militar de Pinochet. Creio que o futebol livre, artístico e atrevido do Santos e de Pelé era um contraponto às ditaduras que dominaram a América do Sul a partir de meados dos anos 60.

Como Urrutia e Patrício, o Santos de Pelé cativou muitos chilenos para sempre. Aqui é um país que cultiva a arte, a poesia, o belo. É menor do que o Brasil, bem menos populoso, mas já teve dois Prêmios Nobel de Literatura: Gabriela Mistral e Pablo Neruda. É um orgulho saber que povo de alma tão elevada elegeu o Santos como seu time estrangeiro favorito.

Tenho fotos desse encontro (feitas pela Suzana), do atual Estádio Nacional, terei fotos e documentos de Santos 6 x 4 Tchecoslováquia no tão próximo 16 de janeiro de 1965… A história é preciosa e deve ser preservada. Ou o presente nada poderá aprender com o passado (temos, no Museu Pelé, imagens deste jogo e um gol de Pelé, por cobertura, igualmente genial. Se ainda não foi, vá ver).

O Santos tem de jogar para continuar fazendo história. Você não acha?


Lanche do meio-dia: ver o Santos bi da Libertadores

Maurine, uma estrela do mar entre as Sereias da Vila

Neste domingo, às 12 horas, na Arena Barueri – com entrada gratuita – o Santos joga contra o Everton, do Chile, para conquistar o bicampeonato da Copa Libertadores de futebol feminino.

O jogo será transmitido pelos canais Sportv e FoxSports, mas se você puder, vai lá prestigiar as Sereias da Vila. O futebol feminino está crescendo e este título ficará para a história.

Se vencerem, as Sereias da Vila igualarão o time masculino do Santos, que também deu ao clube a primazia de ser o primeiro do Brasil a se tornar bicampeão sul-americano.

Nas semifinais o Santos venceu o Boca Juniors por 2 a 0, enquanto o Everton passou pelo Deportivo Quito, do Equador, por 5 a 3 na disputa de pênaltis.

O jogo deve ser amarrado e exigir muita paciência das brasileiras, já que as equatorianos costumam se defender bem. Entretanto, a despeito de não ter sofrido nenhum gol até agora na Copa, o Santos é uma equipe que se destaca pelo poder ofensivo.

Dois dos destaques santistas são a centroavante e artilheira Cristiane, titular da Seleção Brasileira, e a meia-atacante Maurine, que abriu o marcador contra o Boca Juniors cobrando falta..

No ano passado, quando contou com Marta, considerada a melhor jogadora do mundo, o Santos foi campeão na Vila Belmiro, após uma goleada histórica de 9 a 0 sobre a Universidad Autonoma, do Chile.

Reveja a final da Libertadores feminina de 2009

Você acha importante o Santos ser bicampeão da Copa Libertadores de futebol feminino? Assistirá ao jogo?


Enfim a primeira goleada?

A física quântica provou que o objeto pode se modificar durante o experimento, ou algo assim. Isso tem tudo a ver com o futebol. Não, não estou ficando maluco, ao menos que eu saiba. O que eu quero dizer é que hoje todo mundo espera que o Brasil desencante e goleie o Chile, que Robinho volte a marcar contra um de seus maiores fregueses e Kaká corra pelo gramado, leve e solto, sem sentir nenhuma dor. Mas sempre fica aquela pergunta: e o Chile, não fará nada para impedir?

Este Chile treinado pelo ladino Bielsa – que além de tudo é argentino – faz do seu lado forte também o seu fraco. É jovem, impetuoso, destemido. Teve boas chances contra a Espanha, antes de ser batido, mas não se sabe o que poderá fazer se marcar o primeiro gol e ganhar moral.

Por outro lado, esta mesma juventude e impetuosidade podem fazer com que não avalie com precisão o poder de fogo do poderoso inimigo, que pode não estar fazendo uma grande Copa, mas tem potencial para derrotar qualquer seleção do mundo.

Bem, podem ser apenas especulações pré-jogo. O que se espera é um Chile recuado, especulando os contra-ataques, marcando mais duro do que o normal, com um marcador colado em Robinho e mais dois na sobra; e a mesma marcação ríga pelo lado direito, onde as investidas de Maicon são um perigo constante.

De qualquer forma, é o teste mais nervoso para o Brasil até agora – mesmo porque está impregnado do “matar ou morrer” dos jogos eliminatórios. Logo mais teremos uma ideia melhor do que esperar do time de Dunga na África do Sul.

Dos adversários, já deu para saber que Argentina, Alemanha e Holanda estão jogando muito bem e têm elencos e estrutura tática para vencer o Brasil.


Tchau Itália! Copa se encaminha para a América

A eliminação de Itália e França não foram surpresas para mim. A coisa poderia ter sido pior para os europeus, pois Inglaterra e Alemanha também passaram sufoco para se classificar. A verdade é que, como se previa, um time das Américas deverá ser campeão na África do Sul.

O mais provável é que seja um sul-americano, claro, mas não se pode descartar totalmente o México e nem esquecer que os emergentes Estados Unidos terminaram em primeiro lugar num grupo que tinha Inglaterra e Eslovênia.

Dos seis grupos já definidos, quatro têm como líderes seleções americanas. E as única exceções, o D e o E, vencidos por Alemanha e Holanda, não tinham nenhum representante do novo continente.

Se Brasil e Chile confirmarem as lideranças nos Grupos G e H, teremos todos os representantes sul-americanos em primeiro lugar nos seus grupos: Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile. Isso, certamente, fará os críticos olharem com mais respeito para o futebol sul-americano e deixarem de babar ovo para o europeu.

Isto, sem contar que Honduras, único time da América Central, ainda nãoe sta matematicamente desclassificada. Se nesta sexta-feira vencer a Suíça e o Chile derrotar a Espanha, o saldo de gols ou o número de gols feitos é que decidirá a vaga entre hondurenhos e espanhóis.

Até agora, dos seis grupos encerrados, as Américas têm cinco das 12 equipes classificadas: duas da América do Norte (Estados Unidos e México) e três da América do Sul (Argentina, Uruguai e Paraguai). A Europa tem qautro (Inglaterra, Alemanha, Holanda e Eslováquia), a África um (Gana) e a Ásia dois (Japão e Coréia do Sul).

Dos grupos ainda abertos, o Brasil já está classificado e o Chile só não continua se perder da Espanha e a Suíça derrotar Honduras por dois gols de diferença. Um empate e os chilenos estarão também nas oitavas e em primeiro no seu grupo.

Fifa terá de mudar a distribuição de vagas

Somando-se os representantes de todas as três Américas, chega-se a oito equipes nesta Copa, contra 13 da Europa, quase 50% a mais. Pelo desempenho dos times neste Mundial, ficou evidente que a divisão acabou não sendo justa. Os resultados dos times americanos até aqui tem sido bem superiores aos de qualquer outro continente e isso certamente será usado pelas federações locais para conseguir mais vagas para a próxima Copa, disputada justamente no Brasil, coração da América.

É evidente que tudo ainda dependerá do desenrolar do Mundial. Porém, se os americanos fizerem a maioria dos quadrifinalistas e semifinalistas, o que é bem provável, e ainda saírem campeões, terão muita força para reivindicar uma representatividade maior em 2014.

E você, acha que as seleções européias são supervalorizadas pela mídia, ou são realmente, no conjunto, as melhores do mundo?


Quem se classifica? Faça as suas contas…

A MÃE DE TODAS AS ZEBRAS
Coréia do Norte 1, Itália (eliminada) 0 – Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra

Quem não gosta de números deve estar sofrendo para fazer os cálculos antes desta última rodada da fase de grupos, pois a combinação de resultados pode gerar muitas dúvidas e surpresas quanto às possibilidades de classificação das equipes.

O fato de os jogos do mesmo grupo serem disputados no mesmo horário dará um toque a mais de emoção à última rodada desta fase de grupos. Todo cuidado será pouco e nem os maiores favoritos poderão jogar sossegados, pois um gol aqui ou ali poderá mudar tudo de um instante para o outro.

Estranhei quando ouvi em mais de uma emissora que após a derrota de hoje – 2 a 0 para a Espanha – a equipe de Honduras já estava desclassificada no Grupo H. Ora, matematicamente os hondurenhos ainda têm chances. Vejamos em que situações eles podem se classificar:

1 – Honduras vence a Suíça por três gols de diferença e o Chile derrota a Espanha por dois gols de vantagem. Honduras, Espanha e Suíça empatariam com três pontos ganhos, mas os hondurenhos seriam os únicos a não ter saldo negativo.
2 – Honduras vence a Suíça por dois gols de diferença e o Chile passa pela Espanha com três gols de vantagem. Mesmo com um gol de saldo negativo, Honduras ficaria à frente de Espanha e Suíça, com déficit de dois gols.
3 – Honduras vence a Suíça por três gols de diferença e a Espanha também vence o Chile por três gols de vantagem. Neste caso quem ficaria fora seria o Chile.

Por outro lado, se a Suíça vencer Honduras, que é o resultado mais lógico, a Espanha precisará vencer o Chile, pois com o empate só chegaria a quatro pontos, dois a menos do que a Suíça e três a menos do que o Chile.

França ainda pode conseguir o milagre

Poucos países estão vivendo um inferno astral tão grande nesta Copa como a França, que empatou com o Uruguai (0 a 0) e perdeu do México (2 a 0) no Grupo A. Porém, se juntar os cacos e conseguir uma goleada histórica sobre a África do Sul, os franceses ainda poderão seguir em frente. Vejamos.

1 – Se a França vencer a África do Sul por cinco gols de diferença, o único resultado da partida entre México e Uruguai que a tiraria da Copa seria o empate. E não interessaria a México e Uruguai fazerem um jogo de compadres para empatar, pois o segundo colocado do grupo pegará provavelmente a Argentina (virtual líder do Grupo B) nas oitavas-de-final.
2 – Por outro lado, se for a África do Sul quem golear a França por no mínimo cinco gols de diferença, o time de Parreira se classificará desde que haja um vencedor entre México e Uruguai.

Como a Argentina seria desclassificada

1 – Mesmo com duas vitórias, a Argentina não pode jogar tão despreocupada contra a Grécia, em seu terceiro e último jogo no Grupo B. Se for derrotada por três gols ou mais de diferença, será desclassificada se na outra partida a Coreia do Sul vencer a Nigéria por quatro gols ou mais. Na verdade, os gregos terão mesmo de lutar pela vitória, pois se empatarem com a Argentina só conseguirão o segundo lugar do grupo se a Coreia do Sul perder para a Nigéria.

Eu já tinha escrito que a Nigéria estava desclassificada, quando o leitor Guilherme Costa me alertou que não está não. Ao contrário. Tem muita chance de se classificar. Para isso, precisa vencer a Coreia do Sul e torcer para a Argentina ganhar da Grécia. Interessante que mesmo um time com duas derrotas pode conseguir a vaga vencendo uma única vez, enquanto outros com duas vitórias ainda podem cair fora…

Costa do Marfim, missão quase impossível

Com a goleada de 7 a 0 sobre a Coreia do Norte, hoje, Portugal só não ficará com uma das vagas do Grupo G se perder para o Brasil, Costa do Marfim golear a Coréia do Norte e a soma dos dois jogos der uma diferença de dez gols. Por exemplo: o Brasil venceria Portugal por dois gols de vantagem e os marfinenses imporiam uma goleada de oito gols sobre os norte-coreanos. Isso daria um gol de saldo a mais para a Costa do Marfim (há também a possibilidade de que a soma das diferenças seja nove, mas desde que os perdedores façam gols. Neste caso, Portugal e Costa do marfim ficariam empatados no saldo, mas o número de gols marcados seria favorável aos africanos).

Itália: empate não basta

Já ouvi por aí que a Itália só precisa de mais um empate para se classificar no Grupo F (como em 1982). Mas não é bem assim. Caso empate com a Eslováquia, na última partida, e a Nova Zelândia ganhe do Paraguai, a Nova Zelândia seria a líder do grupo, com cinco pontos, e o Paraguai ficaria em segundo, com quatro.

Uma coisa muito curiosa neste grupo é que se Itália e Nova Zelândia vencerem seus jogos por placares idênticos, será preciso um sorteio para definir o primeiro e o segundo lugar do grupo, já que ficarão empatados em todos os critérios, até mesmo no confronto direto.

Por outro lado, se a Itália vencer a Eslováquia por dois gols de diferença e o Paraguai empatar com a Nova Zelândia, os italianos terminarão em primeiro do grupo desde que marquem dois gols a mais do que os paraguaios (Exemplo: Itália vence por 2 a 0 e Paraguai empata em 0 a 0. O saldo de ambos será de dois gols, mas a Itália terá marcado quatro vezes nos três jogos, uma vez mais que o Paraguai).

Empate pode eliminar Alemanha

A Alemanha, quem diria, que estreou tão bem, goleando a Austrália por 4 a 0, pode ficar de fora da Copa se ao menos empatar com Gana. O empate levaria os alemães a quatro pontos, um a menos do que a seleção africana. E se na outra partida a Sérvia bater a Austrália, então os sérvios iriam a seis pontos e liderariam o grupo.

O curioso é que a Austrália poderá se classificar com uma vitória mínima sobre a Sérvia, desde que na outra partida do Grupo D Gana vença a Alemanha. Mesmo com saldo negativo de três gols, os australianos teriam quatro pontos, um a mais do que alemães e sérvios.

No Grupo C, até a Argélia depende só dela

No Grupo C, como já expliquei em outro post, todos os times se classificam com vitórias. A única diferença é que a Argélia se garante com um triunfo de dois gols de diferença sobre os Estados Unidos. Se os argelinos venceram por apenas um gol, terão de torcer para a Inglaterra perder da Eslovênia.

Quanto aos Estados Unidos, talvez não baste empatar com a Argélia, pois se der este resultado o time será eliminado se a Inglaterra vencer a Eslovênia. Mas se vencer a Argélia pela mesma diferença que a Inglaterra bater a Eslovênia, os norte-americanos serão os primeiros do grupo (na verdade, com exceção da Argélia, as outras três equipes podem alcançar a liderança).

Para finalizar, o Grupo E é o menos complicado. Holanda, já classificada, enfrenta Camarões, eliminado. No outro jogo, Japão e Dinamarca decidem a outra vaga, com a vantagem do empate para os japoneses. A única surpresa que poderia acontecer é a Holanda ser derrotada por Camarões e acabar perdendo as liderança do grupo para Japão ou Dinamarca no saldo de gols.

E você, já fez as suas contas? Acha que teremos surpresas nessa reta final da fase de grupos?


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