Santos é a atração de São José do Rio Preto
Texto de Carlos Petrocilo, repórter do Diário da Região, de São José do Rio Preto

lucas lima e elano
Lucas Lima volta à cidade em que foi rejeitado por dois clubes “por ser muito magrinho”. Elano retorna ao estádio em que marcou o segundo gol do título brasileiro de 2004 (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC).

Desfalcado de Robinho, que nem viajou com a delegação para Rio Preto, o Santos enfrenta Red Bull de Campinas hoje, às 19h30, no Teixeirão, pela terceira rodada do Paulistão. Será a oportunidade de os torcedores da região se reencontrem com o Peixe, de Elano, Renato e Ricardo Oliveira. Em 2004, o Santos sagrou-se campeão brasileiro, sob clima totalmente atípico, em pleno Teixeirão. Naquela tarde de domingo, dia 19 de dezembro, Robinho voltaria a jogar depois de ficar 41 dias afastado por causa do sequestro de sua mãe. Com show de Robinho e gol de Elano, o Santos venceu o Vasco por 2 a 1 e conquistou o nacional.

Aquele foi o maior público do Teixeirão, com 36.426 pagantes. Hoje, a expectativa é de um Teixeirão novamente lotado. Dessa vez, a Polícia Militar liberou uma carga máxima de 30,7 mil ingressos. “Em 2013, no último jogo do Santos no Teixeirão, o time só cumpria tabela, e trouxe 13 mil pagantes. A nossa esperança é de um público bem maior, porque o Santos trará ídolos, como Renato, Elano e Ricardo Oliveira”, disse o empresário Edvaldo Ferraz, que comprou os direitos de três jogos do Santos e alugou o Teixeirão para sediar a partida de hoje.

Thiago Ribeiro entra no lugar de Robinho e formará dupla ofensiva com Ricardo Oliveira. Elano começará na reserva e, como ocorreu na vitória sobre o Ituano por 3 a 0 e no empate sem gols com o Mogi Mirim, deverá entrar no decorrer do jogo. O movimento nas bilheterias foi intenso ontem. “Acredito que já superamos os 13 mil ingressos vendidos. O preço ajuda e principalmente o fato de o torcedor poder pagar com cartão de crédito e de débito”, disse Ferraz.

Se para o torcedor é uma oportunidade de ver os ídolos de perto, para Santos e América é a chance de lucro em tempos de crise. O próprio técnico do Peixe, Enderson Moreira, deixou claro que a intenção era jogar na Vila Belmiro, porém, entende as dificuldades financeiras e acatou uma ordem da diretoria. “A direção foi clara que precisa abrir mão de jogar na Vila por uma questão financeira. Mesmo que tenhamos um prejuízo na questão técnica, temos que ser parceiros e entender essa situação”, disse o comandante santista.

Enquanto o Santos corre atrás de receitas para quitar salários atrasados, as necessidades do América, na quarta divisão do Paulista e sem patrocínios, são maiores ainda. O Diário da Região não teve acesso ao contrato de locação. Já o vice do Rubro, Luiz Donizete Prieto, o Italiano, diz que o América receberá R$ 10 mil líquidos, descontados 20% destinados à penhora da Justiça do Trabalho e 10% da viúva do empresário Salvador Correia da Silva Filho, Maria Rita de Oliveira, que cobra R$ 1,5 milhão do América. Além da grana, o jogo deixará legados, como gramado e vestiários reformados, e aptos pela Federação Paulista de Futebol para o América receber os seus jogos na Segundona, que começará em abril.

Olha só o Santos chegando a São José do Rio Preto. Tem de fazer mais isso. “Todo artista tem de ir aonde o povo está”:

Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, David Braz, Werley e Chiquinho; Alison, Renato, Lucas Lima e Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho. Técnico: Enderson Moreira.

Red Bull: Juninho, Jonas, Anderson Marques, Fabiano Eller e Romário; Andrade, Jocinei, Everton Silva e Lulinha; Raul e Isac. Técnico: Maurício Barbieri.

Árbitro: Rodrigo Guarizo Ferreira do Amaral. Local: estádio Teixeirão, em Rio Preto, hoje, às 19h30, com transmissão ao vivo pelo canal por assinatura SporTV.

Santos joga pela 41ª vez em Rio Preto


Enfrentar o América em São José do Rio Preto sempre foi difícil, mesmo para o Santos de Pelé. Aqui, um jogo do Paulista de 1967. O estádio é o Mário Alves Mendonça.

Incêndio no estádio Mário Alves Mendonça na despedida do Rei Pelé, recorde de público no Teixeirão com shows de Robinho, estreia de Paulo Henrique Ganso e a conquista do Brasileirão de 2004. As passagens do Santos por Rio Preto, seja no Mário Alves Medonça, no Teixeirão, ou no Riopretão, renderam duelos memoráveis. Ao todo foram 40 jogos da equipe litorânea na cidade.

Mas os confrontos não foram só de glórias para os santistas. Houve tropeços também. O América bateu o Peixe, de Pelé & Cia, por 2 a 1 em 1964, no Mário Alves Mendonça. O Rio Preto, no seu primeiro e único ano de elite no Paulistão, estragou a estreia de Ganso, ao bater o Santos por 2 a 1, no Riopretão, em 2008.

No duelo mais polêmico, na despedida de Pelé dos gramados do Mário Alves Mendonça, no dia 5 de agosto de 1973, um incêndio tomou conta da parte de trás da arquibancada geral e deixou torcedores em pânico. Felizmente, não houve nenhuma fatalidade e apenas poucos torcedores com ferimentos leves, após o empurra-empurra nas arquibancadas do Mário Alves Mendonça.

Do gramado, Pelé e Clodoaldo pediam calma aos torcedores temerosos com as labaredas. Em entrevista exclusiva ao Diário da Região, Pelé recordou esse episódio. “Foi muito triste ter me despedido de Rio Preto com aquelas cenas de desespero da torcida. O acidente poderia ter sido bem mais grave, mas Deus ajudou.”

Em 2004, o último título brasileiro do Santos

Em 2004, com a Vila Belmiro interditada pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o Santos recorreu ao Teixeirão durante o Brasileirão por pontos corridos e recebeu três jogos memoráveis. Duas goleadas: por 5 a 0 sobre o Fluminense e, nesse dia (30 de outubro de 2004), Robinho, autor de dois gols, fez uma de suas melhores partidas com a camisa do Peixe.

A outra foi de 5 a 1 sobre o Grêmio-RS. No entanto, a vitória sobre o Vasco por 2 a 1, válido pela última rodada do Brasileirão, é a que não sai da memória dos santistas. “Foi a maior oportunidade para quem torce para o Santos e mora em Rio Preto, ver o time ser campeão aqui”, recorda o torcedor William Aparecido Garcia Martins.

A vitória sobre o Vasco garantiu ao Santos o título do Brasileirão e ao Teixeirão o seu maior público: 36.426 pagantes foram ao estádio naquela tarde de 19 de dezembro de 2004. Em 2008, o Santos fez o seu último jogo contra um time da cidade. Com a má fase de América e Rio Preto, rebaixados às divisões de acesso do Paulista, as visitas do Peixe foram minadas. Hoje, elas servem apenas como válvula de escape para o América angariar receitas com a locação do Teixeirão.

Em 2013, diante do Atlético-PR pela penúltima rodada do Brasileirão, o Peixe só cumpria tabela – sem chances de título e livre do rebaixamento – e trocou a esvaziada Vila Belmiro pelo Teixeirão. Na ocasião, o Santos teve 11.431 pagantes, o seu melhor público no Brasileirão daquele ano.

Lucas Lima foi rejeitado pelos times da cidade

No desembarque do Santos, no começo da noite de ontem no aeroporto Eribelto Manoel Reino, a torcida gritava pelos ídolos Robinho, Neymar, Elano, Ricardo Oliveira e, entre eles, o de Lucas Lima. Natural de Marília, o jovem armador vive a sua melhor fase com a camisa 20 do Peixe.

Depois de poucas oportunidades no Internacional de Porto Alegre-RS e uma boa participação pelo Sport Recife na Série B do Brasileiro de 2013, a diretoria santista resolveu apostar no meia. E deu certo. No entanto, o que pouca gente sabe é que Lucas Lima perambulou pelos dois clubes da cidade, Rio Preto e América, e foi embora aos prantos. “Eu chorei muito quando saí de Rio Preto, fui dispensado e ali pensei que tinha acabado. Fui pego de surpresa e foi o dia que mais chorei na minha vida, mas meu pai me fortaleceu”, disse o meia.

Lucas Lima passou pelo Rio Preto em 2008 e não teve chances com o treinador Dioley Cândido. O diretor das categorias da base do Jacaré, Arino Rodrigues Alves, culpa o técnico pela saída do jogador. “Ele foi indicado por uma pessoa de Votuporanga, disse que era magro demais, mas tinha muita técnica. Ele treinou comigo no Derac, mas o Dioley não deu oportunidades a ele. Estou fazendo um levantamento para saber se o Lucas Lima chegou a ser inscrito na Federação Paulista de Futebol”, disse Arino. Caso tenha sido registrado, o Jacaré poderá levar um percentual em futuras negociações do atleta.

HÁ COISAS QUE A GENTE SÓ DÁ VALOR QUANDO PERDE


Primeira fase do Brasileiro de 1983. Pelé já tinha parado há mais de oito anos. Santos vence o Flamengo por 3 a 2, no Morumbi, diante de 111.111 pagantes e um público total de 116.773 pessoas.

Lembro como se fosse hoje do dia em que o presidente do Juventus da Moóca, o ardiloso José Ferreira Pinto, foi ao programa de esportes da hora do almoço, na TV Tupi, e deu uma longa entrevista a Roberto Petri e Eli Coimbra dizendo que tinha um plano infalível para atrair a torcida do Santos na cidade de São Paulo, fazendo do Juventus, o clube com mais sócios na América Latina, o quarto time grande do Estado.

O homem falou com tanta convicção e foi lhe dado tanto espaço, que fiquei com a pulga atrás da orelha. Pelé tinha parado e o Santos estava uma draga só. Claro que eu jamais deixaria de ser santista, mas como reagiriam os outros torcedores? Seria mesmo possível que se bandeassem para o Juventus?! Por que a Tupi daria trela a um projeto maluco desses? Haveria alguma coisa por trás dessa informação?

Minhas suspeitas foram logo respondidas. Mesmo com Totonho, Toinzinho & Cia, o Santos continuou lotando estádios, enquanto o Juventus prosseguiu acompanhado por uma charanguinha e meia dúzia de abnegados. Para ser sincero, a torcida do Santos até aumentou, a ponto de proporcionar públicos maiores do que São Paulo e Palmeiras.

Depois, naqueles mesmos anos 70, começo dos 80, veio a fase em que Ponte Preta e Guarani estavam melhores do que o Santos. A Ponte não conquistou nenhum título, mas foi vice de três Paulistas e por um gol não disputou a final do Brasileiro de 1981. Perdeu para o Grêmio, em casa, por 3 a 2, e depois ganhou por 1 a 0 em Porto Alegre. Quanto ao Guarani, foi campeão brasileiro em 1978 e vice em 1986, derrotado pelo apito.

O bom momento do futebol de Campinas ficou evidente na Copa de 1978, quando a zaga da Seleção Brasileira foi formada por Oscar, da Ponte, e Amaral, do Guarani. E o goleiro ponte-pretano Carlos era o reserva do Leão. Enquanto isso, nosso Santos, que um dia já tinha cedido oito titulares para a Seleção, não tinha mais nem o massagista.

Na época, a revista Placar publicou uma matéria dizendo que Ponte e Guarani já eram grandes e que o Santos estava aprendendo a ser pequeno. Com essas mesmas palavras. Quando o Guarani, em 1980, ampliou a capacidade do seu estádio para mais de 29 mil pessoas, parecia mesmo que ele caminhava firmemente para ser um dos grandes do Estado.

Porém, o tempo passou e eu, que gostava de contar quantas pessoas com a camisa do Santos eu via no caminho até o Jornal da Tarde, constatei que nunca tinha visto alguém com camisas de Ponte Preta e Guarani pelas ruas da cidade. Muito menos, é claro, do Juventus da Moóca.

Houve um tempo em que, cansado dos jogos deficitários do Campeonato Mineiro, o Cruzeiro ameaçou disputar o Paulista. Obviamente faturaria mais jogando em São Paulo. Lembro-me bem que mesmo o Flamengo, tão popular no Rio, pensou em fazer a mesma coisa. Era evidente que São Paulo era um oásis de prosperidade em meio à penúria do futebol brasileiro.

Imaginei que rara felicidade era torcer para um time que, mesmo sendo de um município menor, como Santos, conquistou tantos torcedores em uma das cidades mais populosas e ricas do planeta. Uma dádiva que já correu alguns riscos, é verdade, mas se manteve firme. A não ser os grandes da Capital, o único time que podia – e ainda pode – lotar estádios na metrópole é o Santos. Isso não é motivo de orgulho?

É maravilhoso saber que mesmo depois de perder Pelé, de perder tantos craques e se tornar um time comum, o Santos continuou carregando multidões para seus jogos no Morumbi e no Pacaembu. É ótimo saber que há mais de um milhão de santistas fieis na cidade mais importante do Brasil. Você não acha?

Robinho será poupado para o clássico contra o São Paulo

A notícia foi dada pelo repórter Ademir Quintino, e como eu confio no que ele apura, já vou analisar e trazer para a roda do blog: ele diz que o técnico Enderson Moreira resolveu poupar Robinho neste domingo e preservá-lo para o clássico do meio da semana, diante do São Paulo. Assim, contra o Red Bull, o ataque terá Geuvânio, Ricardo Oliveira e Thiago Ribeiro. Bem, Robinho nunca mais foi o mesmo depois de sair de campo com uma distensão, mas o estranho é que ele continuará sem jogar fora da Vila Belmiro, com mando de campo do Santos, desde que veio da Europa, há oito meses! (na verdade, como lembrou o amigo Khayat, jogou só uma vez, contra o São Paulo, na Arena Pantanal). Será que isso é cláusula contratual, ou apenas uma infeliz coincidência?

Uma pena, pois seria uma ótima oportunidade de se fazer um belo marketing com sua presença na cidade em que foi campeão brasileiro em 2004. Espero que ao menos viaje com o time. Outras alterações, ainda segundo o amigo Ademir, seriam a entrada de Vanderlei no gol e de Werley na defesa, no lugar de Gustavo Henrique. Com isso, Enderson está envelhecendo perigosamente o time. Será que não era hora de testar Valência ou Lucas Crispim no lugar de Renato?

Com tanto garoto para ser melhor testado neste Campeonato Paulista, não entendo porque encher o time de veteranos. Aliás, entendo. Isso não é nada bom para o futuro do clube, mas é bom para o treinador, que não quer correr riscos com os jogadores jovens. A questão é que o jovem é o futuro, é o que ainda pode se consagrar, ser valorizado, render divisas ao clube. O veterano, no máximo, vai se aguentando até pendurar as chuteiras. Um time conhecido por revelar jogadores precisa correr riscos com os jovens e deveria ter um técnico com um pouco mais de boa vontade com a garotada. Esperemos…