Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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O dia em que não conseguiram roubar o Santos

Geilson, herói de um jogo em que tudo parecia armado para o adversário

As falhas do árbitro Paulo Henrique Godoy Bezerra (SC) e seus auxiliares Carlos Berkenbrock (Fifa/SC) e Marco Antônio Martins (SC) não serão esquecidas tão cedo. O Santos teve um gol anulado e um pênalti claro não marcado contra o Internacional, o que provavelmente teria lhe dado a vitória e o colocado em uma posição melhor para continuar lutando pelo título.

Bem, no Beira-Rio a arbitragem venceu e parou o Santos. É uma sina que acompanha o santista. O consolo, porém, é que nem sempre eles conseguem. Há quatro anos e oito meses bem que eles tentaram…

Era 12 de fevereiro de 2006. Corinthians e Santos se enfrentavam no Morumbi pelo Campeonato Paulista. O Corinthians tinha o mesmo time que tinha sido campeão brasileiro em 2005, ou melhor, campeão do Zveitão 2005. Com a vitória, dada como certa pelos especialistas, o alvinegro da capital passaria a 18 pontos, dois a mais do que o Santos e apenas um a menos do que o líder Noroeste.

O técnico Antonio Lopes, o mesmo que levou o Corinthians ao título do Zveitão 2005, além de poder contar com todos os titulares, ainda tinha à sua disposição o habilidoso Roger, já recuperado de uma contusão.

Na última partida entre ambos, quatro meses antes, o Santos tinha sofrido uma goleada deprimente por 7 a 1. Os destaques daquele jogo, Tevez e Nilmar, assim como Carlos Alberto, estariam de novo em campo para o confronto no Morumbi.

Logo na entrada das equipes, porém, Vanderlei Luxemburgo deixou o técnico Antonio Lopes perdidinho. Colocou mais do que 11 jogadores no gramado e Lopes ficou sem saber como escalar o Corinthians.

Jogo iniciado, porém, ficou evidente que o adversário tinha maior poder ofensivo. O Santos atacava também, mas as maiores chances eram do inimigo. Mesmo assim, o primeiro tempo terminou 0 a 0.

Vários erros, todos contra o Santos

No segundo tempo, mais equilibrado, o árbitro José Henrique de Carvalho e seus auxiliares Ednilson Corona e Nilson de Souza Monção pareciam (pareciam?) estar unidos para construir um resultado, pois cometeram uma sucessão de erros, todos contra o Santos.

Por volta dos 30 minutos, Luiz Alberto foi empurrado na área do Corinthians quando subia para cabecear. Pênalti claro, confirmado pelo comentarista do Sportv, Maurício Noriega. Inconformado, Luiz Alberto reclamou. E foi expulso.

Aos 33 minutos, Geilson, o único atacante do Santos – que entrara no primeiro tempo, no lugar de Reinaldo, machucado – pegou uma bola no contra-ataque, avançou sozinho contra Marinho e Betão e fez um gol de pura raça.

Mesmo com um a menos, o Santos continuou jogando com valentia e numa cobrança de falta Cléber Santana marcou o segundo gol, mas José Henrique de Carvalho decidiu que a bola não tinha entrado.

Antes do final, o árbitro ainda faria vistas grossas a uma falta feia de Carlos Alberto, que merecia expulsão. Enfim, os senhores da arbitragem fizeram de tudo naquele dia, mas o Santos foi maior e conseguiu uma vitória de lavar a alma. Reveja os melhores momentos a partir do pênalti não marcado em Luiz Alberto.

Corinthians 0 x 1 Santos

Local: Estádio Cícero Pompeu de Toledo, Morumbi.
Data: 12 de fevereiro de 2006
Competição: Campeonato Paulista
Público: 33.450
Renda: R$ 444.090,00
Gol: Geílson, aos 33 minutos do segundo tempo

Corinthians: Marcelo; Coelho, Marinho, Betão e Gustavo Nery; Bruno Octávio (Élton), Marcelo Mattos, Ricardinho e Carlos Alberto (Roger); Tevez e Nilmar (Rafael Moura).
Técnico.: Antônio Lopes.

Santos: Fábio Costa; Domingos, Manzur e Luís Alberto; Neto (Wendell), Fabinho, Maldonado, Cléber Santana, Rodrigo Tabata (Léo Lima) e Kléber; Reinaldo (Geílson).
Técico.: Vanderlei Luxemburgo.


O início da decadência do São Paulo

O São Paulo começou a perder a força que tinha quando o presidente Juvenal Juvêncio ironizou o Corinthians pelo fato de o Alvinegro não ter estádio. Isso provocou nos corintianos a determinação de não jogar mais no Morumbi, o que passou a gerar um grande prejuízo ao São Paulo, raiz de todos os males que afligem o clube hoje.

Lembro-me perfeitamente. No almoço no CT Rei Pelé que gerou o G4 Paulista, no ano passado, Andrés Sanches, presidente do Corinthians, explicava a mim, ao José Carlos Peres e ao presidente Marcelo Teixeira, por que o Corinthians não jogaria mais no Morumbi.

Por ele, Sanches, seria bom voltar a jogar, pois é um estádio que comporta mais pessoas e, conseqüentemente, dá mais lucro, mas, explicava, não podia voltar atrás em sua palavra, depois que a torcida corintiana, revoltada com a arrogância do São Paulo, pressionara o Corinthians para nunca mais jogar no Morumbi.

Quem não tem casa, tem de jogar na casa dos outros e não reclamar, foi o que disse Juvenal Juvêncio depois de um impasse sobre as taxas a serem cobradas pelo São Paulo para abrigar um jogo do seu rival. Até ali, Juvenal dizia o que queria, sem maiores conseqüências, mas naquela vez o Corinthians resolveu reagir, com resultado desastroso para o Tricolor.

Não se perdeu só o aluguel…

Sanches nos contou que o diretor de uma empresa que mantinha painéis de publicidade no Morumbi tinha ligado para ele para saber se o Corinthians não voltaria mesmo a jogar no Morumbi. Diante da confirmação, a empresa resolveu não renovar o contrato com o São Paulo.

Sim, porque o Corinthians, e eventualmente o Santos, não propiciavam ao São Paulo apenas as gordas taxas de aluguel do estádio. O maior valor arrecadado vinha da visibilidade das placas publicitárias – vistas não só pelos torcedores no estádio, mas também pelos espectadores da tevê e, através das fotos, por leitores de jornais, revistas e da Internet.

Com a restrição do uso do estádio apenas para jogos do São Paulo, o clube não pôde mais renovar seus contratos de publicidade nos mesmos valores e passou a perder alguns milhões de reais por ano.

Contratações ruins

Para mim, ficou evidente que o São Paulo estava com problemas quando contratou uma leva de ex-santistas que nem eram cogitados para voltar à Vila Belmiro, como André Luis, Léo Lima, Cléber Santana e depois trocou o sonolento Rodrigo Souto por Arouca.

O centroavante Washington nunca correspondeu no Tricolor, e Fernandão também já estava em má fase quando foi contratado. Ricardo Oliveira, outro ex-santista, não parece ter físico para muitas partidas seguidas.

Especular em cima de jogadores ainda com algum nome, mas decadentes, é típico de clubes que precisam manter a aura de fortes e competitivos, mas estão com “problemas de fluxo de caixa”.

Certamente o torcedor são-paulino preferiria que fossem repatriados Luís Fabiano, Júlio Batista, ou mesmo Josué. Para um clube que diz preocupar-se tanto com o marketing, estes três seriam alternativas mais eficazes e de maior impacto. Acontece que o São Paulo não tem receita suficiente para gestos tão ousados.

A venda de Hernanes, sem que houvesse um jogador do mesmo nível para o seu lugar, foi um exemplo de que de clube comprador, o São Paulo de Juvenal Juvêncio se tornou fornecedor de mão de obra.

Marca desvalorizada

A derrota constrangedora para o Corinthians, ontem, por inapeláveis 3 a 0 – décima partida sem vencer o rival –, que mantém o São Paulo próximo da zona de rebaixamento, foi apenas a ponta do iceberg. É interessante lembrar que além deste desconfortável tabu para o time que não tem estádio, o São Paulo já perdeu quatro vezes para o Santos este ano. Ou seja, não é mais o time vencedor de outras temporadas.

Tudo isso está desvalorizando a marca trabalhada com tanto carinho nos últimos anos. Recentemente o São Paulo tentou fechar um contrato de patrocínio com valores equivalentes aos dos grandes clubes europeus, mas não conseguiu. A alegação da empresa consultada é que o time está sem grandes atrativos – além do veterano Rogério Ceni, perto do aposentadoria, não há um ídolo que atraia a mídia.

A impossibilidade de conseguir parceiros para ser o estádio inaugural da Copa de 2014 também contribuiu para abalar a imagem do São Paulo. Com a constatação de que o clube não é tão organizado como tenta transparecer, de que seu marketing não faz milagres e sua direção tem um sentimento de grandeza e auto-suficiência que não corresponde à realidade, o Tricolor do Morumbi volta a ser um time comum.

Você acha que a fase ruim do São Paulo é transitória, ou o time está em decadência?


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