Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Arrogância do negociador ajudou a detonar o Clube dos 13


Até uma criança teria lidado melhor com a situação, pois saberia que a união é sempre mais produtiva.

Hoje ouvi uma longa matéria da rádio Jovem Pan do São Paulo direto do Clube dos 13 e fiquei espantado com o nível de arrogância de um tal Ataíde Gil Guerreiro, escolhido pelo Clube dos 13 para encaminhar as negociações entre os clubes e as tevês.

O homem falou grosso, apertou a CBF, a Globo e chamou os presidentes dos grandes clubes de covardes. Enfim, escolher este senhor para encaminhar conversações tão importantes foi como designar um homem-bomba para mediar as negociações entre israelenses e palestinos.

É óbvio que diante de um tema tão delicado, que envolve paixões e interesses, o perfil do negociador deveria ser outro. Acima de tudo, deveria ser neutro, o que o senhor Ataíde não é. São-paulino, amigo e parceiro de Juvenal Juvêncio, há fortes suspeitas de que o negociador está usando o cargo para favorecer o clube do Morumbi, que se aproveitou da debandada para, por exclusão, assumir um comando do futebol brasileiro que ele nunca teve.

Sei que este senhor, sem citar as fontes, apresentou estudos para propor uma divisão de cotas que favorece o São Paulo. Este foi um dos motivos que fez as negociações perderem a credibilidade. Admiro-me que a velha raposa Fábio Koff tenha confiado o futuro da entidade a alguém sem o mínimo tato para lidar com a questão.

O que faltou fazer

É óbvio que um bom acordo deve contentar todas as partes, e isso inclui:

1 – Garantir à tevê e às diversas mídias o retorno que elas precisam para vender bem os jogos.
2 – Conseguir garantias das tevês e das mídias de que se empenharão para dar a devida visibilidade ao campeonato e aos clubes.
3 – Garantir a todos os clubes participantes da Série A (e por que não também da B?), uma cota que pague suas despesas para disputar a competição.
4 – Reservar uma parte do valor total para os times de maior visibilidade.
5 – Reservar outra parte para os mais bem classificados.

No mais, passaria a ser uma questão de porcentagens. Tira-se mais daqui, põe-se mais ali, até que a maioria concorde.

A estratégia de se criar reservas de mercado para os clubes de mais torcida desestimula a competitividade e, a médio e longo prazos, trabalha contra o nível do espetáculo. Enfim, não é inteligente.

Ainda dá tempo

Como os clubes, as tevês e o Clube dos 13 conseguiram chegar ao fundo do poço – e isto em um ano de Copa do Mundo no Brasil! –, acho que agora não há outro remédio a não ser deixarem as vaidades de lado e buscarem um entendimento. Do contrário, todos perderão e a penúria continuará rondando nosso futebol.

Para começar, que Fábio Koff tenha o bom senso de substituir o líder das negociações por uma pessoa mais sensata, mais respeitosa e a mais neutra possível. Alguém mais sábio e menos guerreiro.

Depois, que não se use apenas o critério da popularidade para dividir as cotas, pois ele costuma provocar tremendas injustiças e, repito, não incentiva a busca da excelência técnica, de um espetáculo mais atraente.

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Minha proposta para uma fórmula boa para todos

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Veremos o próximo passo. Se é que ainda existe algum antes do precipípio. As cotas devem ser distribuidas pela participação no campeonato, pela classificação final e pela visibilidade.


Cotas de tevê: Minha proposta para uma fórmula boa para todos

Para a Globo, vale a pena pagar bem mais para Corinthians e Flamengo, pois são os times que dão maior audiência na tevê. Para a Record, vale a fórmula que já existe, com cinco clubes ganhando mais e o Santos logo abaixo.

As duas emissoras devem pagar ao Santos o equivalente a R$ 70 milhões por ano, mas a diferença é que o esquema da Globo criará um desequilíbrio que, a médio prazo, tornará Flamengo e Corinthians bem mais poderosos do que os demais, prejudicando a competitividade do Campeonato Brasileiro.

A Globo sugere uma estrutura com Corinthians e Flamengo no topo e um grupo de quatro times logo abaixo: Santos, São Paulo, Palmeiras e Vasco. Os do segundo escalação receberiam cerca de R$ 70 milhões cada, enquanto Flamengo e Corinthians teriam, no mínimo, uma verba de R$ 100 milhões.

É só somar as outras vantagens que um clube de grande torcida tem no Brasil – patrocínio, merchandising, marketing, bilheteria, visibilidade, possibilidade de adquirir mais sócios… – e fica fácil constatar que essa diferença enorme nos direitos de tevê será multiplicada por outros fatores e farão com que Flamengo e Corinthians passem a faturar, por ano, cerca de R$ 100 milhões a mais do que seus adversários, tornando a concorrência desigual.

E estamos falando só de cifras, sem levar em conta o que é mais importante no futebol ou em qualquer esporte, que é o mérito, o resultado em campo. Mesmo que percam competições seguidas, ainda assim estas duas equipes estariam ficando cada vez mais ricas. O que, convenhamos, não é moral e nem ético.

A Record, que tem mais dinheiro e certamente ganhará a concorrência, pagará R$ 84 milhões para cinco clubes – Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco –; R$ 72 milhões para o Santos; R$ 60 milhões para Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Atlético-PR. Fluminense, Botafogo e Bahia; e o restante segundo a tabela acima.

Não é justo que o Santos receba menos do que Vasco e Palmeiras, mas, ainda assim, a fórmula da Record, que é a adotada pelo Clube dos 13, ainda é menos desequilibrante e permite que não se perca tanto a competitividade como a sugerida pela Globo, que quer criar no Brasil uma nova Espanha, com apenas dois times grandes.

Minha sugestão para um sistema mais justo

A audiência da tevê é apenas um dos fatores que deve ser levado em conta para a divisão da verba, mas nunca o único. Já ficou provado – e o Santos foi o autor dessa façanha várias vezes – que mesmo um time sem a maior torcida pode dar o maior ibope, desde que pratique um futebol que agrade à maioria dos telespectadores. Um sistema de distribuição de cotas tem de levar isso em conta, ou se tornará odiosamente injusto.

Portanto, uma significativa porcentagem do valor total arrecadado tem de ser distribuído conforme a colocação do time no campeonato, obviamente com a destinação de valores com um peso maior para os mais bem classificados.

Outro detalhe que não pode ser esquecido é que só o fato de participar do Campeonato Brasileiro da Série A, de jogar a mesma quantidade de partidas que os demais e, naturalmente, se envolver em jogos importantes, dá a todo time o direito de receber um valor importante por isso.

Por outro lado, o fator popularidade não pode ser esquecido e os times de maior audiência na tevê realmente devem receber por isso.

Assim, minha sugestão para a divisão de cotas, levando em conta o mérito esportivo, o estímulo à competição e a premiação aos de maior audiência na tevê é a seguinte:

Dos 1,32 bilhão de reais que devem ser arrecadados com todos os direitos de transmissão (tevê aberta e fechada, pay per view, internet, telefonia, naming rights, direitos internacionais de tevê e publicidade estática), eu separaria 120 milhões de reais para a Série B e dividiria o bolo de 1,2 bilhão assim:

Prêmio de participação

1 – 40% do total de R$ 1,2 bilhão iriam, como cota de participação, para os 20 times da Série A. Ou seja, R$ 480 milhões seriam distribuídos igualmente entre os participantes da competição, cabendo R$ 24 milhões a cada um.

Justificativa – Participar da divisão mais importante do futebol brasileiro já é uma vitória. E todos os 20 clubes, como integrantes do espetáculo, estarão envolvidos em jogos importantes, decisivos e de grande interesse. A cota de participação é o mínimo que devem receber pelo trabalho.

Prêmio por mérito técnico

2 – 40% do total dividido pelo critério técnico. R$ 480 milhões serão distribuídos de acordo com a posição final de cada um dos 20 times no campeonato. Obviamente o título e as melhores posições serão valorizadas. A distribuição do prêmio total obedecerá à seguinte ordem:

Campeão – 20% do total, ou R$ 96 milhões
Vice-campeão – 10% do total, ou R$ 48 milhões
Terceiro colocado – 8% do total, ou R$ 38,8 milhões
Quarto – 6% do total, ou 28,8 milhões
Do quinto ao oitavo – 5% para cada um, ou R$ 24 milhões
Do nono ao décimo-segundo – 4% para cada um, ou R$ 19,2 milhões
Do décimo-terceiro ao décimo-sexto – 3% do total, ou R$ 14,4 milhões
Do décimo-sétimo ao vigésimo – 2% do total, ou R$ 9,6 milhões

Justificativa – O estímulo ao mérito esportivo proporcionará jogos mais disputados, espetáculos mais interessantes. Os melhores ganharão mais, o que é e deve ser a essência do espetáculo esportivo. Haverá uma disputa maior mesmo pelas competições secundárias. Por exemplo: a diferença entre a décima-segunda e a décima-terceira posições valerá R$ 4,8 milhões.

Prêmio por visibilidade
3 – 20% do total será dividido conforme o critério de audiência. R$ 240 milhões serão distribuídos de acordo com o índice de audiência de tevê ou de média de público de cada equipe na competição. Os critérios de aferição deverão ser analisados e votados pelos clubes. As regras devem ser claras, justas e divulgadas com antecedência pela mídia.

Os prêmios por visibilidade deverão levar em conta ou os índices de audiência na tevê (aberta, fechada e pay per view) ou a média de público, ou uma combinação de todos esses fatores. Assim, a distribuição do prêmio total de visibilidade obedecerá à seguinte ordem:

Campeão – 20% do total, ou R$ 48 milhões
Vice-campeão – 10% do total, ou R$ 24 milhões
Terceiro colocado – 8% do total, ou R$ 19,2 milhões
Quarto – 6% do total, ou 14,4 milhões
Do quinto ao oitavo – 5% para cada um, ou R$ 12 milhões
Do nono ao décimo-segundo – 4% para cada um, ou R$ 9,6 milhões
Do décimo-terceiro ao décimo-sexto – 3% do total, ou R$ 7,2 milhões
Do décimo-sétimo ao vigésimo – 2% do total, ou R$ 4,8 milhões

Justificativa – O índice de popularidade das equipes deve ser levado em conta e devidamente premiado, só não pode ter um peso desproporcional. Os melhores neste quesito serão regiamente premiados por isso.

Melhores ganharão bem mais, piores ainda ganharão bem

Por esta fórmula que sugiro, mesmo os clubes mais populares, como Corinthians e Flamengo, receberão ainda mais do que promete a Rede Globo, desde que tenham boas performances. E mesmo a equipes de pios campanha ainda terão assegurado uma bolsa bem maior do que recebem hoje.

Se Flamengo ou Corinthians vencerem o campeonato e, o que acaba sendo uma consequência do título, tiverem também a maior audiência de tevê, ou a melhor media de público (este critério, repito, deve ser avaliado e definido pelos clubes), receberão um total de R$ 168 milhões, mais de 50% a mais do que se assinarem em separado com a Globo (R$ 24 milhões pela participação, mais R$ 96 milhões pelo título e outros R$ 48 milhões pela visibilidade).

E mesmo que uma delas fique em segundo na classificação final e em segundo em visibilidade, ainda assim terá abiscoitado R$ 96 milhões, um valor bem próximo do máximo que poderá conseguir nessas negociações individuais.

Do lado de baixo da tabela, até os quatro rabeiras, mesmo rebaixados, terão assegurado, ao menos, uma bolsa de R$ 38,4 milhões.

Uma fórmula justa, que estimulará o bom espetáculo

Há uma diferença enorme entre um time iniciar uma competição já sabendo que vai ganhar uma fortuna, qualquer que seja o seu desempenho, e ter a consciência de que dependerá de uma ótima performance para obter tal prêmio.

Haverá um esforço maior dos clubes pela vitória e isso acabará premiando o espectador, que terá espetáculos de melhor nível para assistir.

Sem a valorização do mérito esportivo haverá a consolidação de um nociva reserva de mercado para alguns clubes privilegiados, que não ajudará em nada o desenvolvimento do futebol brasileiro.

Esta fórmula que premia a participação dos clubes, seu desempenho e também sua visibilidade, acredito ser a mais equilibrada e a que seria recebida com mais entusiasmo pelos amantes do futebol.

Ela obrigará os clubes a terem uma administração eficiente, planejarem melhor a temporada, montarem bons elencos e contratarem bons profissionais. Nenhum poderá baixar a guarda, pois quando mais destaque tiverem no campeonato, mais receberão por isso.

Ofereço esta fórmula para a análise dos leitores deste blog e espero que alcance a cabeça dos homens que dirigem o futebol brasileiro, antes que medidas elitistas eliminem uma das vantagens do nosso futebol, que é a grande e saudável competitividade que existe entre seus grandes clubes.

Você gostou desta fórmula? Tem outra sugestão para um Campeonato Brasileiro mais justo e atraente?


Pode ser o fim do Clube dos 13. Mas pode ser o fim do futebol na Globo

O final pode ser diferente do que se imagina. E clubes que se julgam especiais e por isso querem levar vantagem, saindo do Clube dos 13 e negociando seus direitos de tevê em separado, podem se dar mal. Antes de quaisquer considerações, é preciso considerar que:

Pela primeira vez a Globo corre um risco real de perder a concorrência pelos direitos do Campeonato Brasileiro para a Record, que, dizem, pode chegar ao dobro dos R$ 500 milhões estipulados como valor mínimo para a compra dos direitos de transmissão da tevê aberta.

Há uma evidente parceria entre a Globo e a CBF, provavelmente com acordos futuros, e isso é o que faz a entidade colocar-se frontalmente a favor da empresa carioca nessa negociação.

O Clube dos 13 tem o seu poder. Não pode simplesmente ser extinto pela CBF. Se fosse possível, isso já teria acontecido. A CBF só pode estimular uma rebelião contra a entidade presidida por Fábio Koff, e é isso o que está fazendo.

Um clube que se desligue do Clube dos 13, não pode voltar mais. Se a entidade prosseguir representando os interesses da maioria dos clubes brasileiros, esses dissidentes terão vida dura.

O Clube dos 13 represenfga oficialmente os clubes nas negociações com as tevês. Isso está em contrato. Há cláusulas. Não se pode passar a régua assim. Há implicações.

Os clubes de maior sucesso na última década – Santos, São Paulo e Internacional –, além de Cruzeiro e Atlético Mineiro, devem seguir no Clube dos 13, garantindo a sobrevivência e um ótimo nível técnico para suas competições.

Como o Ministério dos Esportes e a Fifa se pronunciarão a respeito? Defenderão a liga pirata, ou validarão as decisões da instituição que é constituída, oficialmente, há 14 anos?

Especialistas asseguram que acordos em separado com a tevê só são produtivos em poucos casos. Apenas clubes de grande torcida e que se coloquem sempre entre os primeiros das competições, têm chance de conseguir bons acordos. Os demais, provavelmente, ganharão cerca da metade do que recebem através dos contratos com o Clube dos 13.

Negociar direitos de tevê em separado não será simples. Se não houver acordo com o adversário, nada feito. O time desertor correrá o risco de passar alguns jogos sem ganhar um tostão, ou bem menos do que receberia como integrante da liga dos clubes.

A Record tem dinheiro para ganhar a concorrência da Globo, mas não tem uma programação esportiva que dê mais visibilidade aos clubes, o que prejudica na divulgação dos patrocinadores das equipes.

A emissora do bispo, se quiser marcar sua presença também no jornalismo esportivo e desbancar de vez a concorrente, terá de mudar sua grade de programação, contratar bons profissionais da área e tornar-se a emissora aberta número um do futebol brasileiro.

Como não conseguiu com as novelas e nem com o jornalismo, o futebol pode representar para a Record a batalha decisiva para assumir o primeiro lugar na audiência. Por isso, vale a pena para a emissora investir pesado neste briga.

Considerações finais

Nunca o momento foi tão propício para os clubes brasileiros negociarem melhor seus direitos de tevê e receberem um valor mais justo pelo espetáculo que proporcionam. Porém, desde que a negociação seja feito em conjunto.

Pela primeira vez há a possibilidade de receberem cotas bem maiores do que jamais receberam, graças à decisão da Rede Record de entrar com tudo na briga pelos direitos, disposta a pagar até um bilhão de reais pelo Campeonato Brasileiro.

Esta divisão, plantada de fora, só favorece politicamente a CBF, contrária à presidência de Fábio Koff, e cai como uma luva nos interesses da Rede Globo, que não precisará gastar mais para oferecer o mesmo. Como diz a sabedoria popular, estas entidades seguem a filosofia: “Dividir para reinar”.

O exemplo do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, preocupado tão somente em obter privilégios para o seu clube, tem convencido outras agremiações a seguirem o mesmo caminho. Só que estes dirigentes adesistas se esquecem de que seus clubes não são o Corinthians e não terão o respaldo político e econômico com que poderá contar o alvinegro paulistano.

Líder dos revolucionários, o Corinthians deve cerca de R$ 25 milhões ao Clube dos 13. Para sair, terá de pagar. Será que vale a pena? Quem bancará o risco? O presidente? Outro dissidente, o Flamengo, há poucos dias pegou um empréstimo de R$ 8 milhões no Clube dos 13 para pagar encargos e salários atrasados. Ou seja, os dois maiores símbolos da oposição comem na mão do Clube dos 13. Será que têm moral para dizer que ele não funciona?

Enfim, chegou o momento de os clubes se unirem para conseguir algo melhor para eles e para o futebol brasileiro. A cobiça de uns e a vaidade de outros está gerando esta situação que só é boa para quem quer que tudo permaneça a mesma bagunça deficitária que sempre foi.

E você, já se informou para ter uma opinião formada sobre o imbróglio do Clube dos 13? Que caminho o Santos deve seguir? Prosseguir no Clube dos 13, ou desligar-se e partir para a criação de uma nova liga?


Santista, prepare o bolso: você continuará vendo futebol pelo pay per view


Clube dos 13 anuncia: tevê aberta continuará fechada para a maioria dos clubes

Pouca coisa deverá mudar nas transmissões, pela tevê, dos Campeonatos Brasileiros de 2011 a 2013. Os clubes de maior torcida, mesmo em fase técnica ruim, serão os preferidos da tevê aberta, enquanto os outros – entre eles o Santos – irão para o pay per view. Ou seja: o mérito esportivo continuará cedendo lugar ao ibopismo.

Como se imaginava, de nada adiantou o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) determinar que a Rede Globo não terá mais o direito de cobrir qualquer proposta rival e será obrigada a competir normalmente com as outras emissoras. O canal que ganhar a concorrência poderá adotar critérios similares ao da empresa carioca, ou ainda mais exclusivistas.

A tevê aberta que ganhar a concorrência continuará com a exclusividade sobre todo o campeonato, com direito a transmitir um jogo por rodada. Não será permitida a transmissão, por outra tevê, mesmo de jogos em dias diferentes (quinta-feira ou sábado, por exemplo). E o pay per view crescerá ainda mais como fórmula de transmissão da maioria das partidas.

Ainda não está definido, entretanto, se a exclusividade se estenderá a outras mídias. Há a possibilidade de que tevê por assinatura e internet tenham mais de um contratante. Redes sociais também devem entrar no pacote de produtos oferecidos pelo Clube dos 13.

Quem deu as más notícias é Ataíde Gil Guerreiro, diretor de marketing do Clube dos 13, que participa da Soccerex, feira de futebol no Rio de Janeiro. Ataíde é o responsável pela comissão de televisão que negocia os contratos com as tevês em nome dos clubes.

Fórmula permite a manipulação

Deixar nas mãos de uma emissora comercial o direito de decidir sobre os jogos de futebol a serem transmitidos para um país de 185 milhões de habitantes e em que 95,1% dos lares possuem aparelho de televisão, é dar um poder imenso a uma empresa sem exigir nenhum compromisso ético.

Todos sabem que a Rede Globo fez parceria com o Corinthians em 2008 e privilegiou as transmissões de seus jogos, mesmo na Série B, em detrimento de partidas da Série A, histórica e tecnicamente mais importante. Ou seja: o mérito esportivo foi pro ralo, vencido por claros interesses comerciais.

Ao colocar o retorno financeiro em primeiro plano, o Clube dos 13 novamente entregará o futebol brasileiro de bandeja para a tevê, que poderá se servir dele da maneira que lhe convier – desde estabelecer datas e horários inapropriados para a transmissão das partidas, até selecionar jogos sem levar em conta a importância dos mesmos para a competição.

Será que a tevê não tem outra opção comercial, a não ser priorizar a transmissão de jogos dos times mais populares? Ou alguns times se mantêm mais populares porque seus jogos são mais transmitidos pela tevê?

As pesquisas e a vivência no mundo do futebol comprovam que torcidas não são estáticas e sobem ou descem – às vezes dramaticamente – dependendo basicamente de dois fatores: 1 – Sucesso esportivo (títulos, grandes vitórias, ídolos) e 2 – Exposição na mídia, mesmo “forçada”.

Nenhum time deixa de perder torcedores após um longo período sem títulos. O único fator que pode alterar isso é uma exposição injustificada e desmesurada na mídia. O torcedor já percebeu quando a pauta jornalística força a barra apenas para mostrar um time popular. O mesmo ocorre com a transmissão de partidas de futebol.

No Brasil é comum o espectador da tevê aberta ser obrigado a assistir a um jogo de times em posição inferior na tabela, ou então pagar pay per view para ver o líder do campeonato jogar. Isso porque, repito, o mérito esportivo é colocado em segundo plano.

Ao Santos só resta vencer, vencer, vencer…

Não é segredo para ninguém que a quantidade de torcedores é um dos maiores instrumentos de marketing que um clube de futebol pode ter. Grandes contratos de patrocínio e uma cota maior nos direitos de tevê dependem da porcentagem de aficionados de uma equipe – e ela é calculada na média de algumas pesquisas e nos índices de audiência da tevê.

Em 2010, graças ao primeiro semestre maravilhoso e vencedor, e ao fato de ter mantido Neymar e Paulo Henrique Ganso no time também no segundo semestre, o Santos – somando-se programas de tevê e transmissões de jogos – é o time brasileiro que até hoje teve a maior visibilidade, superando o próprio Corinthians e bem à frente do Flamengo.

Todos sabemos, porém, que o Santos só conseguiu isso devido a um período espetacular e incomum. Assim como, para o árbitro tendencioso, lance duvidoso é sempre apitado a favor de determinada equipe, para a tevê esportiva brasileira Corinthians e Flamengo são as “bolas de segurança”.

Para os homens da tevê, o Santos só é notícia quando faz algo maravilhoso. Se estiver no mesmo nível técnico de Corinthians e Flamengo, por exemplo, naturalmente terá menos espaço na mídia. Isso tem um lado bom: o Alvinegro Praiano tem de estar sempre um passo à frente de seus rivais.

Santista, torcedor de pay per view

As características da torcida do Santos tornaram-na uma das maiores, se não a maior, assinante de jogos por pay per view. Como o Santos só tem jogado na Vila Belmiro, a grande maioria dos seus torcedores não mora em Santos e mesmo os que moram preferem ver o jogo pela tevê, é evidente que este sistema se transmissão é o mais adotado pelos santistas.

Sei que o pay per view rende algum dinheiro a mais para os clubes, porém diminui a visibilidade desses clubes por não mostrá-los na tevê aberta. Acho que para um projeto a médio e longo prazos, não é interessante virar time de pay per view, pois isso diminui a possibilidade de se aumentar substancialmente a torcida, que deve ser o principal objetivo de marketing de um time grande brasileiro.

Fale com o Ministério de Esportes

Você concorda que a tevê ganhadora da concorrência do Clube dos 13 tenha exclusividade na transmissão dos jogos, ou gostaria que mais emissoras de participassem do bolo, o que daria a ais equipes a possibilidade de serem transmitidas pela tevê aberta?

Você acha que deveria haver uma cláusula para que a partida do líder do campeonato tivesse de ser obrigatoriamente transmitida ao menos durante um terço das vezes? Isso ao menos garantiria um certo mérito esportivo nas transmissões de futebol pela tevê.

Se tem algo a dizer sobre o assunto e quer enviar a sua sugestão para Orlando Silva, o Ministro dos Esportes, fique à vontade:

Envie ao Ministro Orlando Silva sua opinião sobre a transmissão do futebol pela tevê


O verdadeiro pentacampeão

Ontem Ricardo Teixeira, presidente da CBF, disse que a Taça das Bolinhas, premiação ao clube cinco vezes campeão brasileiro, será entregue ao São Paulo. É uma clara retaliação contra o Flamengo, pelo fato de o clube carioca não ter votado na chapa de Kleber Leite, apoiada pela CBF, no Clube dos Treze.

O verdadeiro pentacampeão brasileiro, como todo o Brasil sabia nos anos 60 (e boa parte ainda sabe) é o Santos, campeão da Taça Brasil de 1961 a 1965.

Quem não teve a oportunidade de acompanhar o período pode conferir aqui:

No Canal 100, Cid Moreira também testemunhou (aos 3 minutos e 20 segundos):


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