Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Para o presidente Modesto Roma pensar no Carnaval

Com um gol de David Braz, de cabeça, aos 9 minutos do segundo tempo, o Santos bateu o São Bernardo, no Estádio 1º de Maio, em São Bernardo, e disparou na liderança do Grupo D. Agora tem oito pontos a mais do que o Bragantino, que foi goleado pelo São Paulo. Desta vez não houve pênalti não marcado para o Santos. Os erros crassos de arbitragem ocorreram em um estádio da capital, favorecendo o mesmo time de sempre.

São Bernardo 0 x 1 Santos
São Bernardo: Daniel, Rafael Cruz, Luciano Castán, Diego Jussani e Vicente; Daniel Pereira (Vanger), Marino, Carlinhos (Jean Carlos), Magal e Cañete (Maikon); Lúcio Flávio. Técnico: Edson Boaro.
Santos: Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Leandrinho (Elano), Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Lucas Otávio), Robinho e Ricardo Oliveira (Marquinhos Gabriel). Técnico: Enderson Moreira.
Gol: David Braz, aos 9 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Flavio Rodrigues de Souza, auxiliado por Vicente Romano Neto e Fausto Augusto Viana Moretti.
Cartões amarelos: Lúcio Flavio, Renato e Robinho.

Público pagante e renda dos quatro grandes

Santos jogou no ABCD, reduto santista, e teve o segundo público da rodada. Confira:

Corinthians 2 x 1 Botafogo
27.060 pessoas, R$ 1.203.003,70

São Bernardo 0 x 1 Santos
9.959 pessoas, R$ 252.095,00

São Bento 0 x 1 Palmeiras
7.809 pessoas, R$ 524.360,00

Bragantino 0 x 5 São Paulo
5.626 pessoas, R$ 189.750,00

Para o presidente Modesto Roma pensar no Carnaval

Falei sobre isso na último reunião do Conselho Deliberativo, mas como o presidente Modesto Roma não estava presente, toco de novo nestes assuntos e espero que ele ou algum seu assessor leia. Considero os temas vitais para o futuro do Santos. Quais são eles? A criação de uma Liga Nacional de Clubes de Futebol e uma campanha permanente de sócios.

Sabemos que a pressão contra a fundação de uma Liga será enorme, pois quase todos os grandes clubes brasileiros devem à Rede Globo, que já distribuiu cala-bocas a torto e a direito. A própria Globo e seus filhotes tratarão de desestabilizar a ideia. Mas sem a criação de uma Liga que defenda os interesses dos clubes como um todo, prevalecerá o privilégio a dois deles, o que, em curto prazo, acabará com a competitividade do nosso futebol.

Isso, aliás, já ocorreu na Espanha e agora, em um gesto desesperado, os outros clubes estão ameaçando entrar em uma greve geral para impedir que sejam eternos coadjuvantes dos milionários Real Madrid e Barcelona. O Brasil está indo no mesmo caminho. Enquanto em países de futebol mais rico e organizado, como Alemanha e Inglaterra, a diferença entre o time que mais recebe e o que menos recebe da televisão é de 50%, no Brasil alcança 500%.

Há vários clubes interessados em refazer o Clube dos Treze, ou algo semelhante. Não estou suficientemente a par para garantir quais seriam as adesões imediatas, mas penso que Vasco, Palmeiras, Botafogo, Fluminense, Atlético/MG, Atlético/PR, Bahia, Internacional, Grêmio e outros ao menos se proporiam a analisar e conversar sobre o assunto.

Com a criação de uma Liga Nacional de Clubes de Futebol, poderá ser restabelecida a ordem natural das coisas, que é o futebol brasileiro ser dirigido pelos clubes e não por uma emissora de tevê ou por entidades que pouco os representam, no caso a CBF e as federações estaduais.

Lembro que para se criar a Liga não é necessária a autorização da CBF, que também não teria o poder de proibir os clubes da Liga de participar de suas competições (no caso, competições da CBF). Em outras palavras, os clubes podem criar suas próprias competições sem necessidade de aprovação da CBF e também estão protegidos por lei de sofrer retaliações por isso.

Assim, em termos práticos, os clubes da Liga podem criar competições e estabelecer regras próprias para elas, incluindo direitos de tevê, entre outros. Quem não concordar com a decisão da maioria, simplesmente ficará de fora.

Sinceramente, não sei o que o Santos espera para tomar essa iniciativa e iniciar os contatos nesse sentido. O sistema atual do futebol, baseado na política populista do “Pão & Circo”, obviamente jamais valorizará um time que não tem uma das maiores torcidas do Brasil e não pertence a uma grande capital.

Campanha permanente de sócios

Este é outro assunto que tratei no Conselho e, creio, nem carece de maiores explicações. Se o Santos é um produto, seu consumidor é o seu torcedor. Em um momento em que o marketing do clube engatinha, o método mais rápido e eficiente de se conseguir o apoio financeiro dos santistas é uma campanha se associação em massa. É claro que para isso é preciso passar credibilidade ao torcedor e também ciar uma estrutura para atende-lo. Não basta cativar, é preciso conquistar definitivamente.

Para entender o que digo, é preciso saber que não falo de uma relação tradicional entre quadro associativo e clubes. O Santos não é um clube normal. Não tem piscina, quadras poliesportivas, quadra de tênis, restaurante… O Santos pode ser definido por “onze camisas”. Sim, é um time de futebol, apenas. Isso é ruim? Em absoluto. É ótimo. Pois os investimentos, o marketing, tudo se torna mais dirigido. Sim, mas como os sócios serão recompensados?

Mais uma vez, não pense em sócio de um clube tradicional, pense no associado de um clube de vantagens, que receberá brindes, terá acesso a muitas promoções e verá que o valor investido no Santos será fartamente compensado por todos esses benefícios. Considero essa iniciativa também essencial, pois com o tempo, se o clube continuar em situação difícil, a tendência será a torcida diminuir. A hora de se lançar a campanha é agora, enquanto ela ainda é grande.

Sei que o momento é delicado e o presidente Modesto Roma está sendo bombardeado por sugestões e propostas de todos os lados. Só gostaria de deixar bem claro que não tenho nenhum interesse de ter um cargo no Santos, de ser um prestador de serviços do clube ou de receber algum centavo dos cofres já combalidos de nosso querido Glorioso Alvinegro Praiano. Apenas estou, como muitos de nós, bastante preocupado não só com o presente, mas com o futuro do nosso amado Santos Futebol Clube.

O Samba enredo da Torcida Jovem

Agora ouça o Samba enredo 2015 da Escola de Samba Torcida Jovem para o desfile carnavalesco deste ano. O tema é “Segura o laço que esse boi é meu”, com o intérprete Celsinho Mody.

Um sábado de Carnaval temperado pelo Feijão

Na quarta-feira, João Souza, o Feijão, jogou até de madrugada para vencer o eslovaco Martin Klizan, que vinha de uma vitória sobre Thomaz Bellucci. E nesta quinta, Feijão já estava em quadra às 17 horas, para outra partida estafante, contra o argentino Leonardo Mayer, número 30 do mundo. Empurrado pelo público de 2.500 pessoas, Feijão superou o favorito novamente em três sets e se classificou para semifinal do Brasil Open, neste sábado, quando enfrentará o italiano Luca Vanni, às 13 horas.

Para completar, depois do jogo de simples, Feijão também jogaria um de duplas, ao lado do também brasileiro Marcelo Melo. Mas deu uma entrevista feliz, apesar de exausto. Sabe que vida de tenista profissional é assim mesmo e ele está acostumado à nômade batalha diária. Uma semana aqui, outra na América do Norte, outra na Europa, Ásia, Oceania. Viagens, bagagens, hotel, treino em quadra, jogos de simples e duplas.

Alguns jogadores de futebol, que jogam domingo e na quarta-feira ainda reclamam do cansaço, deveriam acompanhar o tênis mais de perto. E Feijão, treinado pelo brasiliense Ricardo Acioly no Rio de Janeiro, nem sempre tem a companhia do técnico. Teve de aprender a se virar sozinho. Agora, aos 26 anos, com os pontos que ganhará nesse Brasil Open, ele deve entrar novamente para o grupo seleto dos 100 mais bem classificados tenistas do ranking mundial, uma colocação muito valorizada no feroz mundo do tênis masculino. Até hoje sua melhor classificação de simples foi 84°, obtida em 19 de setembro de 2011.

Em 2010,com a Suzana, vi Feijão jogar no qualifying de Roland Garros, em Paris, e fiquei decepcionado com sua irregularidade e insegurança. Agora é outro. O tempo lhe trouxe maturidade. Espero que faça um grande jogo neste sábado. Descobri que tenho simpatia pelo Feijão. Será que é porque o Santos já teve um ídolo chamado Rubens Feijão? Ou por que o tenista nasceu em Mogi das Cruzes, mesma cidade de Neymar? Sei lá, mas acho que é porque Feijão é um brasileiro que luta pelo seu sonho e merece o nosso apoio.

Veja Feijão antes do Australian Open deste ano, em que ele já fala do Brasil Open. O técnico Ricardo Acioly também participa (na Austrália, Feijão perdeu na estreia para o croata Ivan Dodig por 6/4, 7/5 e 6/4):

Agora veja Feijão contra Rafael Nadal no Brasil Open de 2013:

E, você, o que acha da criação da Liga Nacional de Clubes de Futebol?


O Sansão de hoje e uma noite no Conselho

Veja como foi primeira a volta de Robinho, há cinco anos:

Um portal comparou jogador por jogador de Santos e São Paulo e chegou à conclusão de que o tricolor goleará. Acho que não é assim que se analisa as possibilidades de dois times em uma partida. Basta saber pressionar um ou dois pontos fracos do adversário para uma equipe teoricamente inferior vencer. Algo me diz que hoje, na Vila Belmiro, o Santos sairá com a vitória.

O promotor Roberto Senise Lisboa chegou à conclusão de que as torcidas organizadas de Santos e São Paulo não têm um histórico tão violento como Gaviões da Fiel e Mancha Alviverde e liberou a partida para as duas torcidas. Sei não. Tomara que ele esteja certo. Domingo passado ele queria proibir a torcida corintiana de comparecer ao estádio palmeirense, a juíza Luiza Barros liberou e deu no que deu.

Sobre a partida de hoje, vejamos se o Santos consegue manter um ritmo forte por mais tempo. A sorte é que o São Paulo do Muricy também morde e assopra. Não é um time que costuma pressionar. Acho que vai ter hora que as duas equipes quererão jogar na defesa. Quem terá a iniciativa? E como se sairão os veteranos em um clássico? Boas perguntas que só serão respondidas quando a bola rolar, às 22 horas, com televisão.

O Santos deverá jogar com Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Alison, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Robinho. O São Paulo provavelmente entrará em campo com Rogério Ceni, Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denílson, Maicon e Michel Bastos; Paulo Henrique Ganso, Pato e Luís Fabiano.

Para ganhar o jogo, o Santos terá de ser mais rápido e agressivo do que tem sido. Terá de marcar o Ganso em cima, pois dele saem as jogadas mais inteligentes do adversário. Michel Bastos, Pato e Luís Fabiano são outros jogadores que merecem atenção especial. Creio que o Santos terá dificuldade para ganhar o meio-campo, mas poderá confundir a defesa são-paulina com as deslocações de Robinho, Geuvânio e Ricardo Oliveira e o apoio de Lucas Lima e dos laterais.

Como tem acontecido no futebol brasileiro, o time que fizer o primeiro gol deve se fechar na defesa e jogar no contra-ataque. Só espero que se isso acontecer o jogo não enfeie definitivamente. Acho que tem tudo para ser um jogo bonito, se os técnicos Enderson Moreira e Muricy Ramalho quiserem, mas temo que beleza é a última coisa na qual eles pensam.

Campanha de associados e fundação de um novo Clube dos Treze

A sessão do Conselho Deliberativo foi boa, ontem. Muitos dos novos conselheiros discursaram e ficou evidente que entraram com muita energia e muita vontade de ajudar o clube. Participações muito aplaudidas do historiador Guilherme Nascimento, da Neli, do Luiz Fernando de Palma, enfim, de todos que fizeram uso da tribuna. O conselheiro Celso Leite alertou para o fato de que Luis Álvaro Ribeiro, indicado para uma comissão de ex-presidentes, ainda não tinha sido julgado por impeachment, pois pediu licença médica antes do julgamento. Foi então proposto que cada nome da comissão fosse votado individualmente e o de Laor foi reprovado por unanimidade.

Acho que este Conselho não pecará por omissão. Um grupo fez um abaixo-assinado pedindo rigor nas apurações dos fatos que levaram o clube a esta situação falimentar. Constatados os responsáveis, estes serão acionados civil e criminalmente. Há rumores de que o dinheiro emprestado pela Doyen já fez gente construir casas em condomínios fechados do Brasil e do exterior. Isso tem de ser muito bem apurado, doa a quem doer.

Falei sobre uma campanha nacional para captar sócios. Antes, discorri sobre as outras formas que um clube de futebol tem para conseguir dinheiro: 1 – Vender jogadores. Só temos Thiago Ribeiro e Cicinho descartáveis. 2 – Arrecadações. Com três rodadas, o Santos já está atrás dos grandes da capital. 3 – Patrocínio. Enquanto o Santos patina, o alvinegro de Itaquera fatura 32,5 milhões e o Palmeiras, 30 milhões. 4 – Cota de tevê. Aí é brincadeira. Só no pay per view foram 10,4 milhões para o Santos, 38,4 milhões para o outro alvinegro e 45,4 milhões para o rubro-negro, uma diferença maior do que o Santos pode conseguir com o patrocínio máster. E ainda há a cota principal, que a partir de janeiro de 2016 será de 170 milhões para cada um dos dois queridinhos e cerca de um terço disso para o Santos. A única forma que depende só do Santos e dos santistas é um plano agressivo de aumentar o quadro de sócios, alternativa usada com sucesso por Internacional, Palmeiras, Cruzeiro…

Por falar em televisão e outros clubes, sugeri que o Santos iniciasse conversações para recriar o Clube dos Treze, ou algo semelhante. Como o presidente Modesto Roma não estava presente, instei o ex-presidente Marcelo Teixeira a usar sua influência e amizades no meio para mobilizar os clubes em torno da criação de uma liga que terá poderes para mudar a forma de distribuição da cota de tevê no Brasil, tornando-se mais justa e democrática, como ocorre no futebol de Alemanha e Inglaterra. Um time que no máximo dá 20% a mais de audiência não pode ganhar o triplo dos outros. Há uma clara ingerência da política do “Pão & Circo” no futebol brasileiro e se os clubes esperarem pela Globo, isso não vai mudar nunca, pois ela é uma das interessadas nessa estratégia populista.

Veja nesta matéria da Espn que na Espanha os outros clubes pensam em fazer greve contra a desigual distribuição de cotas da tevê. Os clubes brasileiros estão esperando o que para agir?

E você, o que acha disso?


Uma proposta motivadora para a divisão das cotas da tevê

Timemania: Santos foi terceiro anteontem. E vai subir mais

Nada menos do que exatas 1.754.684 apostas foram feitas no teste 609 da Timemania, de anteontem. Além da quantidade incomparável de votos, o universo da Timemania é o maior já atingido por uma enquete de times de futebol no Brasil, pois as apostas cobrem 65% das cidades brasileiras. Pois bem: o Santos apareceu novamente em terceiro, com 2.061 votos a mais do que o São Paulo, o quarto. E veja que o Santos não tinha nenhuma grande atração no seu time. Os votos se deviam mesmo à paixão de seus torcedores. Agora, com Robinho, pode escrever aí que a pontuação vai aumentar.

Timemania – Teste 609, de 05/08/2014
1º FLAMENGO RJ 86.155 4,91
2º CORINTHIANS SP 73.774 4,2 (1,71% menos que o primeiro)
3º SANTOS SP 60.572 3,45 (0,75% menos que o segundo)
4º SAO PAULO SP 58.511 3,33
5º GREMIO RS 51.934 2,96
6º PALMEIRAS SP 50.572 2,88
7º VASCO DA GAMA RJ 47.906 2,73
8º CRUZEIRO MG 44.579 2,54
9º INTERNACIONAL RS 44.320 2,52
10º BOTAFOGO RJ 39.933 2,27

Robinho, o Rei do Drible está voltando

Não sei como ele está jogando, mas no Santos será titular absoluto. Virá só pelo salário, que não é baixo: um milhão de reais por mês, dos quais o Santos pagará 600 mil e o Milan o restante. Mas o clube já está no vermelho, que aumenta a cada mês. Para manter Robinho, terá de se desfazer de outros jogadores – Leandro Damião, principalmente -, ou conseguir pra ontem um patrocínio máster. Uma coisa é certa: a visibilidade do Santos vai aumentar. É claro que Robinho já não é o mesmo, mas mesmo assim será um dos principais jogadores em atividade no Brasil. Só de pensar que o Felipão não o levou pra Copa, dá raiva. Mas no Santos, onde é tratado com o carinho que merece, ele pode reencontrar a sua genialidade.

Tapando o sol com a peneira

A Arena Fonte Nova, estádio novíssimo, erguido para a Copa do Mundo, comporta 51.900 pessoas. Ontem, no jogo escolhido pela tevê, lá estava o time mais popular do Estado, o Esporte Clube Bahia, jogando sua sorte na Copa do Brasil diante de apenas 5.722 pagantes, em sua maioria torcedores do clube visitante, o alvinegro da zona leste paulistana.
Como não podem alertar para a péssima presença do público nos estádios, as três tevês que decidiram transmitir o jogo fecharam as imagens na torcida do time paulista e elogiaram a “grande presença” de seus torcedores. Em campo, após um jogo sofrível, o Bahia venceu por 1 a 0, com um insólito gol contra, mas foi eliminado da competição.

marcelo-campos-pinto
Este é Marcelo Campos Pinto, executivo da Rede Globo que decidiu dar as maiores cotas de tevê a apenas dois clubes e agora quer jogar a responsabilidade pela queda de audiência no futebol nos 20 clubes da Série A. Nesta quinta-feira ele pretende encostar os dirigentes dos clubes na parede. Quer que invistam mais no futebol. Quer que todos invistam para só dois saírem ganhando?

Em vez de distribuir melhor sua verba, Globo apoia rolagem de dívidas

Que eu me lembre, o jornalismo da Globo ainda tem um caderno de intenções e nele há algo como moralizar a sociedade, estimular a ética e outras coisas do gênero. Mas o Globo Esporte, dirigido por Marcelo Campos Pinto, deve ter uma orientação à parte, pois ao invés de apoiar a Lei de Responsabilidade Fiscal do Esporte (LRFE), que visa acabar com as mazelas financeiras dos clubes de futebol, está apoiando e fazendo lobby para que o Governo Federal refinancie as dívidas contraídas irresponsavelmente por esses clubes.

Isso é uma vergonha. Os clubes não precisam de mais dinheiro. Precisam de competência e honestidade. Se não pagarem as dívidas, o pior que pode acontecer é terem de vender os seus jogadores profissionais, sus comissões técnicas caríssimas e serem representados por garotos vindos das divisões de base – o que teria um lado extremamente positivo, pois depois de muito tempo veríamos atletas realmente jogando por amor à camisa.

Quem sofreria mais nesse período de transição seriam os torcedores, mas, certamente, depois da tempestade viria uma bonança de austeridade, responsabilidade e prosperidade, pois o futebol brasileiro caminharia com as próprias pernas, livre do julgo da Rede Globo e de dirigentes desonestos e incompetentes.

Abaixo estamos sugerindo uma distribuição mais racional das cotas de tevê. Se concorda com ela – mesmo que não totalmente, mas ao menos com sua filosofia de premiar também o mérito – divulgue-a em sites e blogs esportivos. Nesta quinta-feira a Rede Globo se reunirá com os clubes da Séria A do Campeonato Brasileiro e esta oportunidade pode ser importante para começar a mudar essa situação que está levando o futebol brasileiro para a falência.

Santos vence Boca Juniors nos pênaltis, depois de empate de 1 a 1, e está na final do Torneio Internacional de Durban para a categoria sub-19 anos. Decisão será contra o Benfica, revivendo a decisão do Mundial Interclubes de 1962.


Garotos bateram pênalti como gente grande

O que é bom para a Globo, tem sido ruim para o futebol brasileiro

Nesta quinta-feira a Rede Globo se reunirá com os 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro. O encontro, convocado pela Globo para a sede de sua empresa, em São Paulo, será comandada por Marcelo Campos Pinto, o executivo da TV que manda mais no futebol brasileiro do que o presidente da CBF, José Maria Marin.

A gota d’água para o encontro foi o péssimo índice de audiência de Corinthians e Coritiba, neste domingo, que só chegou a 13 pontos no ibope, o pior de todos os tempos para um jogo de domingo na tevê aberta. Campos Pinto, que usou Andrés Sanchez para acabar com o Clube dos Treze e a partir daí adotou uma política de privilégios ao clube paulista – que está se revelando catastrófica –, pretende jogar a responsabilidade pela má fase do futebol nos clubes, eximindo-se da responsabilidade.

Novamente na contramão da lógica, Campos Pinto exigirá que os clubes invistam mais nos seus elencos e apresentem um futebol melhor, mais vistoso, que atraia novamente o público. Ora, os clubes estão endividados, os patrocinadores e os torcedores estão fugindo do futebol, os salários de técnicos e jogadores já são muito altos pelo nível dos mesmos – quase todos veteranos e/ou medíocres –, e quando surge um jovem talento, como foram os casos de Neymar e Lucas, os maiores formadores de opinião da Rede Globo, como o perene Galvão Bueno, aconselham em rede nacional que o garoto se mude imediatamente para a Europa, “para aprimorar seu futebol”, no que são acompanhados pelos outros jornalistas esportivos da emissora.

Em 2010 o Campeonato Brasileiro era um dos mais valorizados do mundo. O Santos e Neymar atraiam telespectadores de todas as cores para seus jogos. Mas a Globo tinha outros planos e, ao invés de criar condições para que o Menino de Ouro ficasse por aqui, expulsou-o para a Europa. Se ele jogasse em outro time, provavelmente a atitude seria outra. A ausência de Neymar abortou um processo de crescimento que jamais foi retomado.

Ao invés de cobrar apenas dos clubes, a Globo deveria rever no que ela transformou o futebol brasileiro: em uma competição de cartas marcadas, na qual, qualquer que seja o resultado em campo, apenas dois clubes ganharão mais do que os outros. Se a Série A tem 20 clubes, todos são personagens importantes e indispensáveis do espetáculo. As cotas de tevê deveriam ser distribuídas levando-se em conta a participação do clube na Série A, sua classificação ao final do campeonato e a audiência de seus jogos. Jamais deveria ser baseada exclusivamente nos índices de audiência, e ainda mais em índices de anos atrás.

A reunião será mais uma boa oportunidade de descobrirmos quais clubes são dirigidos por homens realmente comprometidos com o desenvolvimento do futebol e quais apenas ocupam o lugar e abanam a cabeça às ordens da credora Globo. Esses dirigentes não podem se esquecer de que sem a Globo o futebol brasileiro continuará existindo, mas sem os clubes, ele morrerá.

Para o futebol, esse monopólio da Globo definitivamente não é interessante. Seria muito melhor que outros canais também tivessem o direito de transmitir as partidas. A verba para os clubes seria maior, assim como a visibilidade de cada um e, consequentemente, a possibilidade de fechar bons contratos de patrocínio e merchandising. Isso tudo sem falar do horário dos jogos noturnos, uma verdadeira aberração. Enfim, que nessa reunião os clubes também falem e pressionem a Globo, e não ajam como cordeirinhos.

Uma proposta motivadora para a divisão das cotas da tevê

Pelo contrato vigente até 2015 entre a Rede Globo e os clubes brasileiros, a emissora paga cerca de 986 milhões de reais por ano aos clubes da Série A, incluindo-se aí o Vasco, que mesmo na Série B recebe 70 milhões de reais por ano. A distribuição da verba funciona assim:

1) Flamengo e Corinthians: R$ 110 milhões
2) São Paulo: R$ 80 milhões
3) Vasco e Palmeiras: R$ 70 milhões
4) Santos: R$ 60 milhões
5) Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo: R$ 45 milhões
6) Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Goiás, Sport e Vitória: R$ 27 milhões
7) Chapecoense, Criciúma e Figueirense: entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões para cada.

Veja que os últimos recebem apenas 13,6% dos primeiros. E que mesmo o quarto só fica com aproximadamente a metade dos mais favorecidos. É óbvio que essa fórmula tira completamente a competitividade da competição e incentiva o comodismo, pois não premia os clubes mais eficientes, já que não há prêmios para os mais bem colocados. Enfim, a meritocracia é solenemente ignorada.

A divisão que eu proponho leva em conta o mérito da equipe de fazer parte da Série A, já que também fará parte do espetáculo e disputará o mesmo número de jogos dos outros participantes; a sua colocação na tabela e também a média de audiência que tiver na transmissão de seus jogos.

Proponho que metade da verba total destinada à Série A seja dividida igualmente entre todos os clubes, 25% do valor total seja distribuído segundo a colocação do time no campeonato e os últimos 25% de acordo com a audiência de cada equipe.

Então, para começar, neste ano de 2014 teríamos a metade de 986 milhões, ou 493 milhões, divididos entre os 20 participantes, o que daria R$ 24,650 milhões para cada um. Esta seria a verba inicial, básica. A ela seriam acrescentadas as verbas pela colocação no campeonato e também pelo índice de audiência.

Teríamos, então, 25% do total, ou 246,5 milhões, para serem divididos tanto pela colocação do time no campeonato, como pela sua posição na audiência*. Para esses dois casos, eu sugiro que as porcentagens sejam as seguintes:

1 – 20%
2 – 10%
3 – 8%
4 – 7%
5 – 6%
6 – 6%
7 – 6%
8 – 5%
9 – 5%
10 – 5%
11 – 4%
12 – 4%
13 – 3%
14 – 3%
15 – 2%
16 – 2%
17 – 1%
18 – 1%
19 – 1%
20 – 1%

*É claro que os critérios para se medir a audiência teriam de ser bem estudados. Cada clube teria de ter um mínimo de jogos na tevê aberta e por assinatura. Os índices do pay per view também entrariam na conta. Isso seria fiscalizado por uma comissão com integrantes da TV e dos clubes.

Assim, o campeão receberia 20% de 246,5 milhões, ou seja: 49,3 milhões. Somando-se à sua verba pela participação no campeonato, que é de 24,650 milhões, este clube já alcançaria 73,950 milhões.

E ainda haveria a cota pela posição no ranking de audiência. Se o campeão também desse o maior índice, receberia mais 49,3 milhões de reais, resultando em um total de 129,250 milhões de reais.

Perceba que este total – 129,250 milhões de reais – é até maior do que hoje se paga aos dois privilegiados, só que adotando a meritocracia, pois o clube teria de vencer o campeonato e ainda ser o líder em audiência para adquiri-la. Estaria, assim, sendo estimulada a competência. Não haveria uma reserva de mercado, como ocorre hoje.

Ficar entre os primeiros seria uma condição imprescindível para angariar um bom faturamento no final. Na maior parte das vezes, porém, o time campeão não será também o de maior audiência, o que servirá para dividir a verba de maneira ainda mais democrática.

Uma equipe que se coloque em uma posição intermediária, entre o oitavo e o décimo lugares, tanto no índice técnico, como no de audiência, receberia duas vezes 5% de 246,5 milhões, ou seja, 24,64 milhões. Somando-se à sua verba de participação, sairia com um total de 49,29 milhões de reais, 4,29 milhões a mais do que hoje faturam Cruzeiro, Atlético-MG, Grêmio, Internacional, Fluminense e Botafogo.

E mesmo um time que se colocasse em sétimo lugar tanto no índice técnico, como na audiência, ainda ganharia uma boa bolada, pois ficaria com duas parcelas de 6% de 246,5 milhões de reais, ou 29,580 milhões, que somados à sua verba de participação (24,650 milhões) daria R$ 54,230 milhões, bem perto do que o Santos recebe atualmente.

Na outra ponta da tabela, digamos que uma das equipes fique na zona de rebaixamento e ainda seja uma das últimas em índices de audiência. Receberá 1% de 246,5 milhões pelos dois critérios, ou duas parcelas de 2,465 milhões, somando então mais 4,930 milhões de reais ao seu ganho inicial, o que resultaria em um total de 29,580 milhões de reais, o que é mais do que o que recebem hoje nove equipes que disputam a Série A do Brasileiro.

Note que incluir o mérito esportivo na divisão de cotas não tirará nada significativo dos clubes mais populares, desde que tenham competência para se manter ao menos na parte superior da tabela. Esse desafio pela competência cada vez maior será um agente motivador que poderá mudar o futebol brasileiro.

E você, o que achou dessa divisão de cotas? Que mudanças sugere?

O exemplo de Lucas Peschke, ou como você também pode ajudar mais

O jovem Lucas Peschke é um executivo que não é jornalista e nem trabalha com o futebol. Mas se sentiu na obrigação de escrever ao jornalista José Roberto Malia, que recentemente produziu artigo no site da ESPN sobre a divisão de cotas de tevê, assunto que também tem preocupado Lucas.

Com um texto claro, colorido, digno de um bom jornalista, Lucas expõe de forma precisa o quadro desanimador que esperará o futebol brasileiro caso a espanholização pretendida pela rede Globo efetivamente se concretize. Reproduzo seu e-mail aqui para que sirva de exemplo e modelo a todos que quiserem agir contra a malfadada espanholização que ameaça nosso futebol:

Caro José Roberto,

Parabéns por abordar esse tema. Apesar de ser bastante comentado entre os torcedores que tem informação, esse assunto é pouco tratado na imprensa, quase nada, o que é de se lamentar dada sua extrema importância. Sabe-se e discute-se sobre vários problemas do futebol brasileiro, ainda mais agora depois dos 7×1, mas a distribuição das cotas de TV tem sido ignorado, parece até assunto vetado. As razões para isso são de se deduzir, afinal quem irá bater de frente com a Rede Globo e seu poder imperial ? Por isso, vai aqui mais um parabéns pela sua coragem.

Seria muito produtivo se outros jornalistas escrevessem sobre o assunto, analisando profundamente suas raízes e suas consequências. Do jeito que está, a dita e em curso “espanholização” de nosso futebol, jogará no lixo a história de disputas antológicas entre os outros 10 grandes clubes do País e, pior que isso, escancarará que o futebol é só, e somente só, business. Virará um grande teatro onde saberemos invariavelmente qual será o final. A alma do esporte, que nos levou a ser um dos torcedores mais apaixonados do mundo, morrerá, pois ninguém mais torcerá com o mesmo fervor sabendo que seu time não tem a menor chance de vencer, rebaixado a um papel de mero figurante, um sparring nascido apenas para apanhar. Querer esse comportamento do torcedor dos outros 10 grandes clubes do Brasil é pedir o impossível.

Dia após dia, vejo que a consciência do problema aumenta. A indignação, revolta e sentimento de impotência para solucioná-lo também.

Impressiona-me o silêncio sobre o assunto. Até o CADE, que existe para regular o mercado e impedir monopólios, se omite. Pois é evidente que se trata de um monopólio. A CBF vende os direitos de transmissão com exclusividade para a Globo e a Globo negocia como quer com cada clube seguindo apenas um único critério: audiência, que deriva do tamanho de torcida. No grande jogo pelas receitas que acontece antes dos times entrarem em campo, os outros clubes ficam impedidos pela exclusividade, de vender seu produto partida de futebol, para um ou mais compradores talvez dispostos a pagar mais. Ou será que Record, Bandeirantes, Fox Sports e ESPN não pagariam mais para transmitir as partidas dos outros clubes ? Impedir a livre concorrência e impedir a prerrogativa de escolher o comprador é cercear o direito econômico !

Em um País como o nosso, onde se briga há décadas pela democratização de oportunidades e redução da desigualdade de renda, no futebol ocorre o contrário, há o estímulo para o fosso e a distância econômica entre os clubes.

Quem sabe atitudes como a sua, não abrem o caminho para, no mínimo, existir um debate sobre esse tema e assim permitir àqueles que amam o futebol e seus clubes, sonhar por uma disputa justa.

Atenciosamente,

Lucas Peschke

Repito: o que você achou dessa minha divisão de cotas? Que mudanças sugere?


Globo transmitirá mais jogos do Santos do que do São Paulo. Mas…

Há santistas comemorando o fato de a Globo ter anunciado que o Santos terá 13 jogos transmitidos no Campeonato Brasileiro de 2011, dois a mais do que o São Paulo. Não vejo qualquer motivo para comemoração nisso, já que a divisão dos jogos foi feita por motivos políticos.

Se o critério de maior torcida já não é ético, usar a pressão política para aumentar ou diminuir a visibilidade dos clubes é abominável. A única forma legítima e moralmente aceita seria adotar o mérito, mas este está sendo solenemente ignorado.

Dá para se justificar o fato de o Palmeiras – que só ganhou um título paulista nos últimos dez anos e vê sua torcida estagnar – ter 12 jogos transmitidos pela tevê aberta, enquanto o São Paulo, time mais vitorioso da década, com uma torcida reconhecidamente maior do que o rival, ter apenas cinco?

É claro que este rebaixamento do São Paulo é uma retaliação da Globo, uma forma de pressionar o clube paulista para que deixe de lutar pela manutanção do Clube dos Treze e assine em separado com ela.

Por outro lado, credito às íntimas relações entre Ricardo Teixeira, Rede Globo e J. Hawilla, dono da Trafifc, esta vantagem desmesurada ao pouco atrativo Palmeiras, que terá dois jogos a mais na tevê do que o Flamengo, indiscutivelmente dono da maior torcida no País.

O torcedor santista poderá dizer: mas o que nós temos com São Paulo e Palmeiras? Eles que explodam. Porém, diz a sabedoria popular que o que não se quer para nós, não podemos desejar aos outros. A mesma sacanagem que estão fazendo com o São Paulo agora, certamente farão com o Santos se ele tiver uma posição contrária aos interesses de quem detém o poder do futebol brasileiro.

De time do povo, Corinthians virou o time do poder

Para confirmar que foi o critério político que definiu a grade de transmissão de jogos do Brasileiro deste ano, o clube mais assistido – adivinhe –, obviamente, será o Corinthians, o queridinho do poder, com 14 partidas pela tevê aberta e uma na fechada.

Com 13 jogos no total aparecem Palmeiras, Flamengo, Vasco e Santos. Só que pela tevê aberta, além do Palmeiras, que terá 12 transmissões, Flamengo e Vasco terão 10 e o Santos ficará com seis.

O São Paulo caiu para uma espécie de terceiro escalão, ao lado do Fluminense, com 11 jogos transmitidos. Só que o tricolor paulista terá cinco pela tevê aberta e seis pela fechada, enquanto o carioca terá quatro e sete, respectivamente.

Depois, com 10 jogos no total, surgem Internacional (quatro na aberta e seis na fechada), Botafogo (quatro e seis) e Atlético Mineiro (três e sete).

Por fim, com nove jogos – cinco deles na aberta e quatro na fechada – temos Cruzeiro e Grêmio.

O que você acha dessa grade de transmissões da Globo para o Brasileiro de 2011?


Começou a batalha pelos direitos de tevê. Que o Santos saiba se valorizar!

Os clubes estão como recheio de sanduíche na briga entre as TVs Globo e Record pelos direitos de transmissão dos Campeonatos Brasileiros de 2012 a 1014. A maior disputa é pela tevê aberta, cujo lance mínimo deverá ser de R$ 500 milhões (hoje são pagos R$ 280 milhões).

Ainda estão em jogo os direitos da tevê fechada, pay-per-view, celular, internet e transmissão internacional. O edital de concorrência está para sair, mas fontes seguras dão conta de que a Globo está tentando negociar diretamente com os clubes.

O momento é delicado e exige estudos e muita atenção. Fechar em separado com a Globo, como quer o Corinthians, pode trazer prejuízos futuros caso a empresa vencedora seja a Record. Por outro lado, a Globo pode dar uma visibilidade que a emissora do bispo ficará devendo.

É hora do time de empresários entrar em ação

Esta diretoria santista, como se sabe, está sendo apoiada por um grupo de empresários experientes em negociações financeiras. Chegou a hora de usarem este seu conhecimento em benefício do clube.

Os fatos e argumentos para que o Santos passe a receber bem mais da tevê são muitos e irrefutáveis. Neste mesmo período, times que ainda figuram no grupo de elite não conseguiram nem a metade do espaço dos santistas na mídia. Ou seja, a estrutura anterior não condiz mais com a nova relação de forças do futebol brasileiro, ou com o interesse que os clubes despertam no público.

E esta visibilidade tente a aumentar este ano, já que o Santos tem estrelas como Neymar e Paulo Henrique Ganso, além de Elano; é o único representante do Estado mais rico da Federação na Copa Libertadores da América e será uma atração sempre que entrar em campo.

Se fosse só uma questão científica, estou certo de que não haveria dúvidas de que o Santos passaria a ser recompensado regiamente pela tevê. Mas, sabemos que a política do futebol tem movimentos indecifráveis, que nem sempre premiam quem faz por merecer.

Por isso, espero que o Santos se prepare adequadamente para estas discussões e use os profissionais que têm de melhor para chegar a este acordo que pode ditar a vida do clube nos próximos três anos.

Ter mais ou menos torcedores não deve ser o motivo único e primário de uma divisão de cotas. Estamos falando de espetáculo, de investimento, de futebol bonito, de craques. Quais os clubes que nos últimos anos mais investiram para que o telespectador tivesse um bom espetáculo? Esta é a questão.

Em 2004, uma campanha que deu certo

Em 2004, após conversa com um repórter da TV Globo, fiquei sabendo que o Santos de Robinho, Diego & Cia, campeão brasileiro de 2002 e vice da Libertadores de 2003, passava a ter a segunda audiência de futebol do Brasil. Isso gerou uma campanha do site Santista Roxo, dirigido pelo jornalista Arnaldo Hase, intitulada “Ao Santos o que é do Santos”.

Na mesma época, o presidente Marcelo Teixeira brigou junto ao Clube dos Treze para que o Alvinegro Praiano tivesse sua cota de tevê aumentada. Afinal, por que ganharia menos do que Vasco, Palmeiras, São Paulo e Flamengo, se àquela altura seus jogos davam mais ibope do que os desses rivais? Só as partidas do Corinthians, em média, tinha uma audiência um pouco maior.

Infelizmente naquela oportunidade não se conseguiu igualar a cota do Santos, mas o esforço não foi em vão. O valor destinado ao clube foi aumentado e o Santos passou a ocupar uma posição intermediária, entre o chamado grupo de elite e os demais.

De lá para cá, o Santos conquistou mais um título Brasileiro, três Paulistas, uma Copa do Brasil, obteve dois vice-campeonatos Brasileiros e mais um Paulista, participou de cinco Copas Libertadores – chegando no mínimo às quartas-de-final de todas elas –, revelou astros como Neymar, Ganso, André, repatriou Robinho, Zé Roberto, Léo, Elano, bateu recordes, encantou platéias e foi considerado o melhor do País várias vezes. Aliás, para muitos críticos, é o melhor do país novamente este ano.

Isso tudo sem contar que o Santos foi o primeiro clube a resistir às investidas dos grandes clubes europeus e manter Robinho no futebol brasileiro por mais três anos; exemplo que repete agora com Neymar e Paulo Henrique Ganso.

Desta forma, esse prestígio só foi conquistado porque o Santos investiu pesado no time, montou ótimas equipes, chamou a atenção, enfim fez a sua parte como atração de mídia. Com tudo isso, obviamente, sua popularidade cresceu. No ano passado ficou em segundo lugar entre os clubes de mais visibilidade no País.

Na Timemania, em que milhões de pessoas apontam “o seu time do coração”, o Santos ocupa o terceiro lugar, acima de três clubes que, pela divisão antiga, ainda figuram entre os cinco que mais recebem direitos de tevê.

Portanto, é mais do que hora de se rever isso. É claro que se depender só de política, os mesmos clubes de sempre quererão ficar com a parte do leão. Mas, como o futebol brasileiro dá sinais de que está começando a entrar em uma era mais profissional e científica, vale a pena esperar que, finalmente, o Santos passe a receber o valor justo por tudo que tem feito para valorizar o horário nobre da tevê.

Você acha que o Santos deve continuar recebendo menos da tevê do que Vasco, Palmeiras, São Paulo, Flamengo e Corinthians? Ou está na hora de rever isso?


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