Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Comitê gestor do Santos

Comitê Gestor dá desculpa esfarrapada e tenta se segurar

O site oficial do Santos publica uma desculpa esfarrapada oficial para tentar colocar panos quentes em um dos maiores vexames da história do clube. A nota é assinada pelo comitê gestor, o mesmo que se mostrou arrogante e insensível à vontade dos santistas e marcou esse amistoso-suicídio contra o Barcelona, em Camp Nou, que terminou 8 a 0 para o time catalão. Abaixo reproduzo a desculpa do tal comitê e faço, em negrito, as minhas observações. Fique à vontade para fazer as suas:

Derrota para o Barcelona será tratada como lição para voltarmos mais fortes

Este é o título da nota, mas quem pode acreditar no que ele diz? O Santos está mais fraco a cada ano, tem perdido todos os seus melhores jogadores e mesmo assim está endividado, não consegue um patrocinador master, tem sofrido decepções históricas, como a goleada de 4 a 0 na final do Mundial, a desclassificação na semifinal da Libertadores de 2011, a derrota no final do Paulista e agora esse vexame monstruoso contra o Barça. O que esse comitê gestor tem feito para o Santos ficar mais forte, se não consegue planejar e faz tudo na base do improviso?

O Comitê de Gestão do FC vem a público, diante de seus mais de 65 mil sócios e milhões de torcedores e fãs, assumir total responsabilidade pela derrota sofrida diante do Barcelona, na Espanha, nesta sexta-feira (2).

Assumir a responsabilidade pelo crime monstruoso é muito pouco. Em qualquer empresa um erro colossal desses geraria demissão imediata. E só agora se lembraram dos 65 mil sócios e dos milhões de fãs? Por que não os ouviram quando quase todos diziam – este blog insistentemente – que era loucura levar o time em formação do Santos para enfrentar a máquina de jogar futebol do Barcelona?

Temos consciência dos prejuízos na imagem do Clube, no e no exterior, e sabemos que nenhuma explicação, neste momento, vai apagar a tristeza dos que amam o Santos.

Se têm mesmo consciência, sabem que não serão mais palavras vazias que remendarão o grande mal que fizeram à história do Santos. Como pesquisador e historiador do clube, não perdôo vocês por esta mancha na história mais rica de um time de futebol. Peguem seus bonés e vão cantar em outra freguesia.

Nosso Clube é grande demais para se conformar com um resultado de 8 x 0, seja para quem for, independente da expressão do nosso adversário.

É grande demais para perder de 4 a 0 em uma final de Mundial, e já tinha perdido há um ano e meio. O que vocês fizeram para compensar aquela vergonha? É grande demais para perder a semifinal da Libertadores andando em campo, é grande demais para perder de 8 a 0 de qualquer time ou seleção do mundo e, finalmente, é grande demais para ser dirigido por incompetentes como vocês. Não é questão de se conformar ou não, é questão de saber como tornar o Santos maior, livre desses vexames, e vocês não têm a mínima idéia de como fazer isso, pois não entendem absolutamente nada de futebol.
E o certo é independentemente e não “independente”.

Por isso, mais do que uma derrota dura, temos que tratar o episódio como uma lição dolorosa.

Mais uma lição dolorosa, aliás, que o santista tem de engolir devido à negligência, à arrogância e à idiotice dos senhores. Errar é humano, mas vocês estão cometendo um erro a cada semana – na formação do elenco, na política de contratações, na administração do dinheiro do clube. Vocês têm sido uma lástima e estão enfraquecendo o Santos a cada temporada e colocando em risco sua permanência entre as grandes equipes do País. A melhor lição aprendida é que vocês não servem para o Santos.

O Santos FC teve capítulos igualmente negativos em seus 101 anos de vida, mas sempre conseguiu ressurgir com mais força. Assim é nossa história de superação. Desta forma nos tornamos bicampeões mundiais, o Clube mais vencedor das Américas no século passado e um dos mais vencedores de 2001 para cá, com cinco Paulistas, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, uma Recopa e uma Libertadores da América.

O Santos já teve capítulos negativos, mas nunca havia sofrido duas humilhações internacionais como nos últimos jogos contra o Barcelona, sob a gestão dos senhores. 40 países viram o time que reinou no futebol sofrer um 8 a 0 acachapante. Os senhores marcaram negativamente a história do clube. Tenham vergonha na cara e peçam para sair. E mesmo quando tinha à disposição uma verba bem inferior a essa que os senhores administram, o Santos era competitivo, valente, e não um time sem técnica e sem alma como este que estamos vendo. Deixem o futebol para quem entende. Vão trabalhar!

O resultado de ontem foi um golpe em nossa auto-estima, mas não apaga e nem condena a nossa história gloriosa e vencedora. Nosso desafio, a partir de agora, passa pela reconstrução da auto-estima do Clube e de nossos torcedores e fãs. Pela recuperação de nossa imagem aqui e no exterior.

Se vocês estivessem realmente preocupados com a auto-estima dos santistas, jamais teriam marcado esse amistoso. Vocês foram amadores e irresponsáveis. Ou talvez gananciosos, o tempo dirá… Cometeram um crime contra a história do Santos. Tenham a hombridade de admitir que não têm competência para dirigir um clube de futebol. Nenhum clube de futebol, quanto mais o Santos. Arrumem um emprego, deixem o Santos em paz!

Essa reconstrução vai acontecer dia após dia, jogo após jogo. Será difícil e encontrará obstáculos, mas não pode estar dissociada de nosso maior poder: o amor dos milhões de torcedores que temos ao redor do mundo e a simpatia de outros milhões de fãs.

Vocês são um obstáculo a esse amor de milhões pelo Santos. Vocês estão atrapalhando o Santos Futebol Clube. E como diz o Carlinhos da padaria: “Muito faz quem não atrapalha”. Vocês não são amados pelos santistas, podem ter certeza disso. De nada vale o pacto que compraram com meia dúzia de representantes de torcidas organizadas. Amor e respeito não se compram. E depois desse resultado vocês jamais serão respeitados. Ninguém acredita que vocês sejam capazes de reconstruir o Santos, clube que administram sem nenhuma transparência e sem nenhuma humildade. Pois, repito: não sabem nada de futebol e não ouvem quem sabe, além de terem afastado do clube os ídolos que fizeram a história do Santos. Se querem mesmo reconstruir, antes de irem embora tragam de volta para o clube mestres do futebol como Zito, Clodoaldo, Pepe, Edu, Manoel Maria, Coutinho, Mengálvio, Dorval…

Aprenderemos com a lição e voltaremos ainda mais fortes, como mostra nossa história e em respeito ao sentimento de tristeza que todos nós sentimos, hoje. Esse sentimento não será em vão.

O Santos certamente voltará a ser forte um dia, mas não com vocês no comando, pois vocês são mentirosos, arrogantes e incompetentes.

Santos Futebol Clube

E você, o que achou dessa nota do comitê gestor?


Alvaro de Souza respondeu às perguntas! Há revelações importantes!

Importante membro do Comitê Gestor do Santos FC, Alvaro de Souza finalmente e gentilmente respondeu às 25 perguntas feitas a ele por leitores deste blog. Alvaro me explicou que demorou porque, além de seus muitos afazeres, estava viajando com a mulher em comemoração a 40 anos de casado (eu que só consegui me manter 17 anos no primeiro casamento, admito que completar quatro décadas com a mesma mulher merece uma grande comemoração).

Li as respostas e fiquei com a impressão de que Alvaro de Souza foi o mais sincero que poderia. Mas quem manda neste blog não sou eu, e sim você, amigo leitor e leitora. Peço-lhe, então, que leia as respostas e as comente.

Grupo ainda vai investir 23 milhões no clube

1 – O São Paulo vai cobrar a CBF pela liberação de seus jogadores por servir a Seleção nos últimos 5 anos. O Santos FC vai seguir o exemplo e cobrar aquela entidade também? Alias, li que é um direito dos clubes serem ressarcidos pela convocação de seus jogadores. Se é um direito do clube, o fato de não exercê-lo não configura um prejuízo que deveria ser cobrado dos administradores do clube pelos conselheiros?
Alberto Tavares

O Santos já realizou uma análise destes valores, mas conduzirá este assunto dentro de um cenário de diálogo com a Confederação Brasileira de Futebol. O próprio estudo pela racionalização do calendário do futebol brasileiro, que contratamos no final de 2012 junto ao renomado consultor Amir Somoggi, deve ser visto como mais uma prova de tentativa de diálogo do Santos a favor da melhoria do esporte nacional e em proteção a nossos direitos. Ao mesmo tempo, como dirigentes, temos a responsabilidade de saber que o Clube está inserido em um cenário político importante e que quebras de paradigma, por mais necessárias que sejam, devem ser guiadas de maneira proativa, sem choques. Não temos o direito de sermos irresponsáveis.

2 – Por que o Santos negociou o Ibson um mês antes do fim da Libertadores? Pagamos uma fortuna por ele e o trocamos por dois jogadores meia boca, os quais o SFC não tem mais que 70% de cada. Qual o mistério dessa negociação? Por que não esperar ao menos mais um mês para liberar o jogador?
Marcos Cardoso

Foi uma decisão de consenso entre o Comitê de Gestão e a comissão técnica. A troca aconteceu não apenas por dois atletas, mas por parte considerável do pagamento dos direitos econômicos do Ibson ao Dínamo de Moscou. Na visão da Comissão Técnica, o custo-benefício do atleta era questionável, o negócio surgiu e a decisão precisou ser tomada naquele momento. O Galhardo sempre foi destaque nas categorias de base da Seleção Brasileira e desde 2010 vem sendo observado pelo nosso Clube. Seu desempenho nos jogos que atuou, inclusive este ano contra o Barueri, e nos últimos treinos mostram que adquirimos uma ótima opção para a lateral-direita, que também tem o Bruno Peres.

3 – Durante a campanha, foi amplamente noticiado entre a torcida a intenção de se montar um fundo de investimento que aportaria 40 milhões que seriam utilizados para contratações. Esse projeto realmente existe? Se sim, qual a probabilidade de ele virar realidade num curto espaço de tempo?
Cleidson Rodrigues

O projeto existe e está a poucas semanas de ser efetivamente anunciado, dependendo apenas da aprovação formal da Comissão de Valores Mobiliários(CVM). Mas vale ressaltar que destes R$ 40 milhões, R$ 17 milhões já foram utilizados via Teísa, o que ajudou na manutenção de Neymar e do Rafael, na contratação de Arouca e na vinda do Jonathan, que ajudou bastante na conquista do tri da Libertadores, entre outros atletas.

4 – Sr. Alvaro de Souza, quando teremos, efetivamente, o PELÉ como nosso embaixador, a fim de trazer patrocínios que estejam à altura de nosso sagrado manto?
Marcello Pagliuso

Neste momento estamos negociando a renovação contratual com o Rei. O primeiro contrato, assinado em 2011, previa sua participação na campanha Sócio-Rei e em outras situações pontuais. O novo acordo deve ser mais amplo, mas só poderemos falar mais assim que a negociação estiver concluída.

5 – Sr. Álvaro de Souza, o sr. acha correto o sr. ser conselheiro da CSU (contratada pelo Santos para cuidar dos ingressos dos jogos) e também do Grupo Guia? E procede a informação de que há uma multa a ser pago pelo Santos a CSU caso o clube não chegue a 100 mil sócios em julho/201? Multa por tratar o sócio muito mal não tem?
Gostaria também de saber se o sr. não fosse sócio e quisesse comprar ingressos pra um jogo do Santos na capital, se ficaria 3 horas na fila? Por que tratar o torcedor (cliente) tão mal? Por que apenas 2 pontos de venda funcionando só das 11 as 17 hs? A venda é sempre somente no Pacaembu e Ibirapuera, apenas 1 ou 2 guichês, com imensas filas. Será que a CSU trata os clientes que querem comprar passagens da GOL assim também? Por que é tão dificil implementar a venda antecipada em diversos pontos da cidade, de preferência redes de loja em shoppings, que poderiam vender ingressos até as 22 hs? E pela internet pra quem mora no interior? É difícil? Por que?
Rachid Bourdoukan

É bastante comum no Brasil e no exterior que profissionais de consultoria, como eu, façam parte de vários conselhos de administração. Neste momento, além do Santos FC, sou também conselheiro de administração da Ambev, da Gol e da Duratex. O que o IBGV (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), pelo qual sou certificado como conselheiro independente, recomenda é que ao serem colocados na pauta de reuniões temas que possam causar eventuais conflitos de interesse, o conselheiro que tenha um possível impedimento se ausente da reunião. No caso da CSU e do Santos FC, este foi sempre o meu procedimento. Aproveito para informar que estou acionando judicialmente o conselheiro do Santos que, em uma reunião do Conselho Deliberativo deste ano, foi além de formular uma pergunta absolutamente natural como a sua entrou pelo terreno das ofensas pessoais.
Sobre a venda de ingressos em São Paulo e em outras praças, primeiro é interessante enfatizar que o associado compra pela Internet. E, dependendo do jogo e do estádio, ele é maioria absoluta, o que faz sobrarem menos ingressos para quem não é sócio. E como a procura sempre é intensa para jogos importantes, muitos saem frustrados por não conseguir sua entrada. Mas o objetivo de qualquer Clube é evitar filas e tentar realizar o máximo de venda de ingressos pela Internet. Neste cenário, não se engane: também haverá reclamações daquela parcela de torcedores que possui menos acesso à Internet – acredite, existe ainda muita gente com este perfil. Mas é a tendência e vamos buscar isso.

6 – Com relação ao processo democrático no Santos FC, questiono:
a) Como democratizar a escolha dos membros do comitê de gestão?
b) Como inserir a opinião do torcedor nos processos decisórios do clube?
Fabrício Godoi

Temos um estatuto aprovado em 2011 por mais de 90% dos sócios, considerado um dos mais modernos do Brasil. Restabeleceu um ano de associação para voto, reeleições limitadas a uma e facilitou os critérios para a candidatura de sócios ao Conselho e à Presidência. O sócio continua votando em uma das chapas inscritas. De acordo com este novo estatuto, o presidente e o vice, uma vez eleitos, escolhem entre os conselheiros, também eleitos pelos sócios, a sua equipe de trabalho, que é o Comitê de Gestão. Creio ser esse modelo uma realidade bem democrática, especialmente em comparação com a maioria dos clubes brasileiros.

7 – Quem realiza a contratação de um jogador é o Grupo Gestor? Caso sim, quantos do grupo gestor já praticaram futebol em nível profissional? Por que não consultar os craques da casa e com conhecimento da profissão na aprovação de uma contratação?
O Santos trocou o Elano pelo Miralles ou apenas emprestou? Se apenas emprestou, é verdade que o Santos paga parte dos salários do Elano? Se sim, quanto é?
Quem aprovou a contratação de Patito Rodriguez, Bernardo, David Braz, João Pedro, Ewerton Pascoa, Bill, André, Gerson Magrão, Juan, Henrique e Miralles?
Bruno Guedes

Os atletas são indicados ou contam com a concordância da comissão técnica. O Departamento de Futebol centraliza este trabalho, naturalmente, mas conta com o suporte e a discussão do Comitê de Gestão, que analisa questões pontuais e financeiras. Que eu me lembre, ninguém do Comitê de Gestão já jogou futebol profissional, embora tenhamos alguns bons jogadores amadores no grupo. No entanto, da mesma forma que nenhum dos diretores da Ambev é mestre cervejeiro, que o presidente da Gol não é piloto comercial e que o presidente da Duratex não é engenheiro florestal, em minha opinião é absolutamente natural que nenhum de nós do Comitê de Gestão não tenha sido um craque de bola. Ainda assim, foram seis títulos conquistados em três anos, sem contar o da Copa São Paulo, no início deste ano, com vários atletas jovens contratados ao longo dos três últimos anos – e nenhum de nós, dirigentes, somos ex-atletas.
Sobre Elano, o Santos não paga mais nada a ele ou ao Grêmio. A troca ocorreu e o Clube não tem mais participação nos direitos do atleta.

8 – A GOL passa por um momento dificil. Constantemente apresenta balanços negativos, mesmo sendo a aviação aérea brasileira uma das mais cobiçadas pelo mundo. Recentemente a GOL comprou a Webjet e de cara mandou 850 funcionarios para casa. No Santos, ao contrário, o numero de funcionários cresce a cada dia. Como o senhor explica esse paradoxo? E qual seria o número ideal de funcionários para a estrutura que o Santos tem hoje?
Álvaro Celli

O Santos passa por um momento de profissionalização de suas bases. O número de funcionários aumentou, como aumentou, e muito, a arrecadação e a exposição na mídia. E ela tem aumentado mais à medida em que profissionalizamos mais os Departamentos, o que não significa inchá-los. Como qualquer empresa, faremos constantemente a revisão deste cenário para eventuais adequações, mas este processo de profissionalização do Santos é uma realidade e um processo irreversível. Prova desse processo é, também, o novo estatuto, que extinguiu quase cinquenta cargos não-remunerados de diretoria e os resumiu a sete, que são os membros do Comitê de Gestão.

9 – A diretoria atual lançou à mídia o jargão de “DNA Ofensivo”, “DNA do Santos”. E mesmo assim, mantém um treinador caríssimo, incapaz de motivar o time a disputar o Brasileirão com dignidade, e que não tem NADA de DNA do Santos.
O Santos é um time ofensivo, atrevido. Muricy é retranqueiro, conservador.
O Santos prima por revelar garotos da base. Muricy não usa jogadores da base. Prefere um Bill do que um garoto promissor.
Portanto, a pergunta é simples: como, em sã consciência, o Santos consegue ser tão contraditório e manter este treinador que faz tanto mal para as tradições do Santos Futebol Clube?
Ivan Pereira

Respeitamos sempre as preferências de cada torcedor. Na nossa ótica, Muricy Ramalho tem qualidades e defeitos como nós e como qualquer profissional de qualquer área, mas seu custo-benefício ao Santos tem sido positivo. Com ele, conquistamos dois Paulistas, a tão sonhada Libertadores, após 48 anos de espera, e mais a Recopa. Em quase dois anos, ele tornou-se um dos técnicos mais vencedores de nossa história. Em 2013, temos um ano importante, similar a 2010, e sua experiência será importante para mantermos esta média de, pelo menos, dois títulos a cada ano.

10 – O que faz com que um grupo gestor, composto por pessoas de comprovada inteligência e competência, apoie uma figura como Andrés Sanchez, no episódio da implosão do Clube dos Treze e posteriormente na aceitação dos termos da Rede Globo no que diz respeito as verbas de televisionamento, mesmo sabendo que a aceitação desse contrato signifique a “espanholização” do futebol brasileiro e o “rebaixamento” financeiro definitivo do Santos FC em relação aos “queridinhos” da mídia?
Renato Magrini

As ações estratégicas do Santos FC não são tomadas de acordo com este critério citado por você, Renato. Conforme o mandato outorgado ao Comitê de Gestão, quem traça as estratégias do nosso Clube somos exclusivamente nós, com o apoio do Conselho Deliberativo. Ao contrário de sua afirmação, Flamengo e Corinthians sempre estiveram no primeiro nível dos contratos de televisionamento em função do número de torcedores que têm. Nós estamos, pela primeira vez desde que esses contratos existem, no nível imediatamente a seguir, ao lado de São Paulo, Palmeiras e Vasco. Note que antes de 2011, o Santos estava no terceiro grupo. Mas este é um cenário recente, passível de readequações nas próximas temporadas e, por isso, apostamos fortemente em nosso aumento de torcida, cada vez mais latente com a presença do Neymar no time. Quanto mais santistas nós formos, mais poder de negociação teremos em função do natural aumento do nível de audiência de nossos jogos.

11 – Sou sócio do Santos, n.74896, e gostaria muito de perguntar:
Porque houve aumento brutal do número de funcionários do Santos, sendo criados cargos de luxo?
– Ainda gostaria de pedir mais transparência, tão falada em campanha, e saber o salário dos gerentes do clube e dos membros do comitê de gestão, que, diga-se de passagem, gastam duas a três horas semanalmente em uma reunião.
Marcos Lúcio de Sousa

Não temos ‘cargos de luxo’. O que temos, hoje, é um cenário de profissionalização, como já explicado anteriormente. Sobre salários, é óbvio que não existe possibilidade de informarmos quanto ganha um gerente, atleta ou qualquer funcionário publicamente. Não seria ético e nem juridicamente responsável de nossa parte revelar. Sobre o Comitê de Gestão, fica fácil responder: nada. Presidente, vice e membros do Comitê de Gestão são atividades não remuneradas no Clube. Além disso, por experiência própria, posso garantir-lhes que os membros do Comitê de Gestão não ‘gastam apenas duas ou três horas semanalmente em uma reunião’. Todos nós dedicamos muito mais tempo ao Santos em reuniões externas com patrocinadores, dirigentes esportivos, bancos, fornecedores, etc. Em tempos de Internet, telefones celulares e vídeos-conferências, é impossível concluir quantas horas nos dedicamos sem custo e por absoluta paixão à causa e transformar o Santos em um clube maior e melhor em todos os sentidos.

12 – Por que diretoria praticamente escorraçou ídolos do passado, como Zito e Clodoaldo? Apenas por terem colaborado com a diretoria anterior?
Shigueyuki Motoki

Acredito que o nobre santista esteja bastante mal informado. Zito e Clodoaldo são ídolos eternos do Santos, com presença frequente na Vila Belmiro e no CT Rei Pelé em festividades, homenagens e eventos. Ambos foram homenageados diversas vezes nos últimos anos, especialmente em 2012, época do Centenário. Zito, recentemente, recebeu uma homenagem especial pelos seus 60 anos de Santos FC. Uma coisa é não trabalharem mais no Clube; outra coisa é serem desrespeitados. Há uma distância tremenda e não aceitamos, de modo algum, esta acusação. O Santos FC tem o privilégio de ter uma série de ídolos eternos que respeitamos profundamente e que nos inspiram na busca de vitórias, tanto dentro do campo como fora dele.

13 – Quanto Neymar onera os cofres do Santos? Dos três milhões por mês que Neymar ganha, quanto sai dos cofres do Santos?
Dionisio Rodrigues Martins

Como já afirmei anteriormente, não podemos comentar quanto o Santos paga para cada atleta. Não se trata de falta de transparência, mas de um preceito básico que rege a relação entre empregador e empregado no Brasil. Ainda assim, creio que o termo ‘onera’ não é correto. Ou alguém acredita que o investimento e o esforço do Santos em manter este craque é oneroso, que o custo-benefício não é positivo?

14 – Por que foi abandonada a política de pagar salários seguindo o teto máximo estipulado pela diretoria?
Reginaldo Evaristo

Porque ganhamos muitos títulos. Quando isso acontece, o elenco se valoriza e o padrão de salários e de direitos de imagem aumenta. Este é um fato curioso: ano passado, o próprio Odir Cunha nos criticou porque nossa folha de pagamento, em sua ótica, era baixa para quem queria ser campeão brasileiro. Ele se baseava em informações de um veículo de Comunicação, que, aliás, não estavam corretas. Por outro lado, somos criticados por quem acha a folha alta demais. Como gestores, temos que respeitar as condições do mercado de atletas profissionais e procurar o equilíbrio. Há um limite de responsabilidade fiscal que precisamos seguir para manter o Clube equilibrado no longo prazo.

15 – Por que, justamente em um momento tão importante de aprovação de contas e orçamento para o ano seguinte, somente o sr. corintiano Henrique Schintler estava lá na reunião do Conselho e nenhum membro do grupo de gestão do Santos, presidente, vice, ou o responsável pelo futebol Felipe Faro estavam presentes? Seria medo de encarar as perguntas dos conselheiros? Esse fato não demonstrou um descaso dos senhores com relação à administração do clube?
Luis Pereira

O Conselho Deliberativo é um órgão soberano e independente e para a presença dos membros do Comitê de Gestão nas reuniões do Conselho, é necessário que haja um convite formal da Mesa Diretora. Na reunião a que o senhor se refere, a pauta exigia apenas o parecer do Conselho Fiscal para três assuntos de natureza financeira e, por consequência, nenhum membro do Comitê foi convidado a estar presente. Já fomos convidados e estivemos presentes a inúmeras reuniões do Conselho, inclusive na primeira de 2013. Pode estar certo que falta de coragem, com todo o respeito, não é uma característica pessoal, muito menos coletiva do Comitê de Gestão. Estar voluntariamente à frente de um Clube que herdou gravíssimos problemas de toda ordem de gestões passadas é, inclusive, um exemplo de coragem. Aproveito para citar, novamente, o novo estatuto e o processo de redemocratização do Clube nestes últimos anos, uma vez que é difícil recordar quantas vezes nos últimos 12 anos o Conselho Deliberativo teve uma atuação tão calorosa e de cobrança junto à diretoria executiva, algo que, na essência, sempre deveria ter acontecido.

16 – Sr. Alvaro, pelos números amplamente divulgados pela imprensa, o SFC avança em números de torcedores em quase todo país (principalmente mulheres e crianças). Ainda assim não percebemos ações agressivas de marketing para manter esse torcedor ativo no quadro associativo do clube. A GOL invadiu o mercado de viagens aéreas com promoções e estratégia de “conquista de clientes em fidelidade”. Por que com a marca Santos não se consegue fazer a mesma coisa?
Aladio de Souza

O Santos não teria nenhuma condição de avançar em número de torcedores se as ações de Marketing e Comunicação fossem ruins. Elas podem e devem avançar, concordo, mas hoje poucos Clubes no Brasil ativam tanto a marca quanto o Santos. Claro que a campanha irregular no Campeonato Brasileiro do ano passado diminuiu nossa exposição após um primeiro semestre com título paulista e semifinal de Libertadores, mas, se você lembrar, a própria imprensa classificou o Centenário do Santos FC como o mais marcante dos últimos anos no Brasil.
Além disso, embora seja muito claro que o esforço enorme que fizemos em manter o Neymar no Clube nos dá uma grande vantagem competitiva no terreno esportivo, é inegável que, do ponto de vista de Marketing, a permanência da nossa Joia atrai para a marca Santos um nível de exposição e atração de novos torcedores/sócios de gigantesca dimensão. Hoje ele é uma fonte valiosíssima de incremente de torcida santista, como mostra recente pesquisa realizada pela Stochos, mostrando que temos 20% mais torcedores do que tínhamos em 2010.

17 – Sr. Álvaro de Souza, qual é a atual relação entre Santos e DIS? Sei que Neymar ainda é vinculado a eles. Ouvi dizer que, apesar de todo o litígio, tem jogador recém-chegado na base que pertence a DIS. Continuaremos a negociar com quem demonstrou ser danoso aos interesses do Santos FC?
Sergio Pacheco

A DIS, hoje, detém direitos econômicos de alguns atletas da base e outros que já estão no profissional. Importante ressaltar que em muitos casos esta empresa é representante do atleta e é com ela que teremos que sentar e negociar a renovação de um contrato ou aumento salarial. Quem determina qual pessoa ou qual empresa será sua representante legal é o atleta, não o Santos. Na antiga gestão, a DIS adquiriu 40% dos direitos econômicos de Neymar junto à família do jogador. Mas estes direitos não significam gestão da carreira ou qualquer tipo de força ou pressão no atleta. Atualmente, não temos mais negociações com este grupo.

18 – Em que está baseado o planejamento do clube para 2013? Ainda haverá comemorações pelo Centenário, já que neste ano, que seria o mais importante, não se viu nem a metade do foi prometido?
Olivar de Souza Cunha

O que prometemos para o Centenário cumprimos. Fizemos uma série de eventos: um jogo contra 100 crianças na Vila Belmiro, um show para 50 mil pessoas na praia de Santos, ‘paramos’ a Câmara Federal por um dia, em Brasília, na maior audiência da história da TV Câmara, lançamos longa metragem premiado, vários livros – sendo que o 100 anos de futebol arte, assinado pelo Odir Cunha, vendeu mais do que o livro do nosso arquirrival Corinthians -, obras de arte, incentivamos e apoiamos uma série de encontros ao redor do Brasil, sem contar a repercussão na imprensa – nunca houve tantos cadernos especiais em jornais e revistas em homenagem a um Centenário como neste. Não ter vencido a Libertadores frustrou um pouco o nosso torcedor, é natural. Mas ainda teremos outras ações, sim, focando o Centenário. Além disso, uma questão muito importante: em 2012, fundamos algumas bases que vão possibilitar um Santos forte e competitivo nos próximos 100 anos. Refiro-me ao processo de profissionalização do Clube, ao novo modelo de gestão que estamos empregando este ano, ao novo estatuto. Alguns sacrifícios financeiros que fizemos e estamos fazendo, renegociando dívidas, vão trazer grandes notícias para sócios e torcedores em breve e possibilitar um Santos perene, que é o nosso grande objetivo. Não podemos viver de altos e baixos.

19 – O presidente e o vice do Santos são remunerados? Os membros do Comitê Gestor também recebem cachês para participar das reuniões? Se a resposta for positiva, quem os paga?
Odir Cunha

Resposta já fornecida. Não há qualquer cachê.

20 – Por que não há um estudo sério para se traçar um plano de trabalho – técnico, tático, físico – da base ate o profissional? Por que os profissionais da área não são contratados para seguir o que o clube impõe e não para cada um trabalhar de acordo com seus métodos pessoais? Não é possível criar etapas a serem concluídas em cada divisão, podendo assim, desde cedo, trabalhar as características essenciais do que chamamos de DNA santista?
Rafael Vassão

Atualmente, metade de nosso elenco profissional é composto por atletas da nossa base. No fim de 2012, fomos campeões sub-20 paulista, vencendo o São Paulo por duas vezes, campeões do sub-13 e acabamos de conquistar a Copa São Paulo jogando um futebol ofensivo, sem volantes com características apenas de marcação, por exemplo. Esta característica está cada vez mais clara em nossas categorias de base e as pessoas que as acompanham podem atestar este fato. Isso não significa que não precisamos avançar. Em termos de estrutura, tão logo tenhamos a Certidão Negativa de Débitos (CND), que estamos na eminência de conseguir, buscaremos fontes alternativas de recursos para um novo CT para a base, que já está em nossos planos.

21 – Por que o comitê gestor não se preparou, sabendo que o Santos perderia o Neymar em convocações na Seleção e este não reforçaria o time para se classificar para a Libertadores em 2013? Por que de tanta falta de planejamento no segundo semestre de 2012?
Clayton Silvestre

O Santos FC contratou uma série de atletas este ano. Alguns desempenharam um bom futebol. Outros, não. Outros se machucaram. Trouxemos Fucile, Galhardo, David Braz, Bernardo e todos estes, por exemplo, se machucaram a serviço do Santos, demorando um longo tempo para voltar. Sem contar a contusão do Edu Dracena, que é nosso líder dentro de campo, e outras contusões menores de outros atletas, mas que também atrapalharam a nossa temporada. Adiciono aí as convocações seguidas não apenas do Neymar, mas do Ganso, enquanto estava aqui, Arouca e Rafael. Não são desculpas, são fatos. Não à toa estamos trabalhando proativamente pela racionalização do calendário do Futebol Brasileiro. É inadmissível que um time que faz o sacrifício que fizemos seja penalizado, sem poder contar com seus craques principais em boa parte do principal campeonato nacional do País. Para 2013, nosso elenco já se mostra mais forte, mais preparado para a temporada inteira.

22 – Quais promessas de campanha chegou-se à conclusão de que não poderão ser cumpridas?
Qual é a real política de contratação possível se a base não for suficiente: craques de ponta ou jovens promessas que podem render dividendos no futuro?
Claudio S. M. Simões

A grande maioria das promessas de campanha foram cumpridas, até porque não fizemos muitas. O nosso slogan era ‘O Santos pode mais’. Nos 10 anos anteriores, havíamos conquistado quatro títulos. Nos últimos 3 anos de nossa gestão, conquistamos seis. Aí já é uma demonstração de que estávamos certos. Mas, como afirmei, queremos um Santos perene por mais 100 anos, não apenas um time forte por uma temporada. É o que estamos buscando e construindo. A política de contratações é a mescla de jogadores consagrados, como Montillo e Marcos Assunção, com promessas como o Renê Junior, que encaixou muito bem no time já neste início de ano.

23 – Sr. Alvaro de Souza, o que o sr. acha do superintendente de esportes do SFC tirar férias p/ viajar até o Japão ver o seu time de coração disputar o mundial de clubes em uma época onde mais se trabalha no futebol brasileiro, devido a contratações e dispensa de jogadores p/ composição do elenco 2013?
Francisco Passos

Acharia um absurdo se fosse verdade. É uma mentira deslavada. Sugiro, Francisco, que você tome cuidado com quem publica esse tipo de coisa, pois pode estar interessado em qualquer coisa, menos no bem do Santos. Sempre é importante relembrar que dentro do processo de profissionalização do Santos, os superintendentes são os dois cargos executivos mais importantes, portanto muito cobiçados, o que acaba gerando intrigas e mentiras. Foram contratadas pessoas do mercado, sem nenhum vínculo político com o Clube.

24 – Sr. Álvaro, será que já não passou da hora de discutir-se profundamente a construção de uma nova arena para o nosso glorioso? Tudo o que ouvimos atéhoje não passou de breves comentários, boatos e tal… E já vou dando a minha sugestão de local: Diadema, pois fica no meio do caminho entre a Capital e a Baixada Santista, além de estar próxima do Rodoanel, o que facilita também a vida dos santistas do interior.
Anderson Leandro de Oliveira

Posso afirmar que este é um dos assuntos mais discutidos pela nossa gestão. É um negócio de grandes proporções que, por isso mesmo, não irá acontecer da noite para o dia. O presidente Luis Alvaro quer, até o fim de sua gestão, deixar este assunto encaminhado. Temos alguns estudos de viabilidade financeira sendo conduzidos e temos noção de que precisamos de uma alternativa à nossa sagrada Vila Belmiro.

25 – Qual é a quantidade exata de funcionários do clube na área administrativa hoje? E quantos funcionários o Santos tinha quando a Resgate assumiu?
Carlos Laureano

Quando a atual gestão, eleita com o apoio de alguns grupos – entre eles, a Resgate – assumiu o Clube, eram 103 funcionários, incluindo terceirizados, para um faturamento de R$ 60 milhões/ano. Hoje, temos 131 funcionários para um faturamento previsto para 2012 de R$ 204 milhões. Explica-se esse aumento de funcionários, por exemplo, pela existência, hoje, de uma área de Gestão de Carreira com quatro funcionários, que não existia em 2009 (vejam quantos patrocinadores conseguimos para o Neymar); um crescimento de seis pessoas na área de Marketing e Comunicação, que correspondem ao aumento de Receitas mencionado acima; a reestruturação da área de TI, entre outros.

Como você analisa as respostas de Alvaro de Souza?


Como ter um time e um clube sem crises?

O santista, que em um mês deixou de sonhar com o título mundial, no Japão, e vê o seu time, pelo quinto ano seguido, capengando no Campeonato Brasileiro, deve estar se perguntando se há uma fórmula contra esses altos e baixos que acometem as grandes equipes brasileiras.

Por que clubes como Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique, não passam por situações assim? Por que, entra anbo, sai ano, estão sempre no topo? A resposta não é tão simples, mas inclui, certamente, organização, planejamento e trabalho.

Não vou dizer que “acho” que essas três exigências básicas não estão sendo cumpridas no Santos. Eu tenho certeza de que não. Há um pouco de cada? Sim. Há quem organiza, planeja e trabalha no Alvinegro Praiano? Sim, claro. Nunca se pode generalizar. Mas, no todo, porém, a começar pela cúpula, hoje formada pelos sete elementos do “comitê gestor”, o clube não é regido por essas diretrizes básicas.

Nunca se gastou tanto. E tão mal

O fato de o Santos estar sem dinheiro para contratar jogadores só mostra como tem gastado muito e mal. Além dos profissionais ligados diretamente ao futebol, o setor administrativo nunca foi tão oneroso. Muitos amigos que colaboraram na campanha foram premiados com cargos e salários em niveis bem acima do mercado da cidade de Santos. A bomba estourará na mão dos sucessores do Cirque du Soleil, que terão de se equilibrar no arame e fazer contorcionismos para evitar a falência.

Era possível ter sido mais comedido e responsável. Não o foram e agora, com as dívidas aumentando, querem cortar jogadores ou contratar “de graça”, ao invés de fazer o que é óbvio: racionalizar a folha de pagamentos da área administrativa, que está super inchada.

Falta política para os jogadores de base

Leio que Geuvânio foi vendido. Vendido? Mas é um garoto da base que começava a dar sinais de futebol e mostrava muita vontade. Não seria ideal emprestá-lo, com a possibilidade de traze-lo de volta mais experiente? Não foi assim que Wesley se revelou um grande jogador?

Percebe-se claramente que aquilo que era um pesadelo nos tempos de Vanderlei Luxemburgo, está acontecendo de novo. Há jogadores atuando por acordo com empresários ou grupos econômicos. Investe-se e depois é preciso que o jogador jogue para ser visto, valorizado e negociado. Essa política é contraproducente, pois impede o lançamento dos garotos. Por que nenhum garoto tem oportunidade de jogar no meio-campo, mesmo diante da eterna má fase de Henrique?

É claro que eu sei que nem todos os meninos revelados no Santos têm possibilidade de serem titulares no time profissional. Talvez não tenham nível sequer para serem reservas. Mas merecem oportunidades, atenção, orientação e carinho. Ficaram anos ralando nas categorias de base e agora estão perto do sonho. Precisam ser motivados e não tratados com desdém. Um bom técnico corrige os “defeitos de fábrica”.

O Santos deve ser tratado como uma grande empresa

Pelo que movimenta de capital todos os anos, o Santos tem o porte de uma grande empresa e deveria ser administrado ao menos com o mesmo profissionalismo e competência. Com todo o respeito ao Luis Álvaro, a quem me simpatizo como pessoa, não dá para achar que presidir o Alvinegro Praiano é só ter algumas frases de efeito preparadas para as entrevistas. É preciso planejar e comandar pessoalmente os projetos mais importantes, estar presente nos bons e maus momentos, falar com os funcionários, ir às categorias de base, reunir-se com políticos e empresários e, algo tão frugal que nem deveria ser citado, mas que no Santos é vital: dar expediente.

Eu já achava estranho Marcelo Teixeira trabalhar apenas meio período no clube. Mas agora temos um presidente que some por dias seguidos, semanas inteiras… Uma organização se torna uma nau sem rumo sem o seu comandante. Não dá para tirar férias quando o circo está pegando fogo, não dá para encarar a presidência do Santos como um bico.

Um time de futebol é paixão, sim, mas não pode ser apenas movido pelas paixões. Estas, devem ser motivadoras, claro, mas o que determinará o ponto a que este clube deve chegar é a capacidade de criar projetos, encontrar soluções para os eternos dilemas que o afligem e trabalhar arduamente para concretizá-los. Isso é o que se vê nos grandes clubes europeus citados no início deste post.

O presidente tem dito que o Santos não está gastando mais do que arrecada. Admitindo-se que ele não esteja enganado ou mal informado, eu diria que o problemna, no momento, não é esse. Pela fortuna que arrecadou em 2011, era para o clube ter saudado boa parte de suas dívidas – que continuam aumentando – e reforçado o elenco. Permitir que a dívide cresça em proporção geométrica e manter e contratar jogadores medíocres é a receita pronta do fracasso que o sucessor assumirá.

Talvez eu esteja pedindo demais dessas pessoas que hoje dirigem o Santos, pois cada um dá apenas o que pode dar e provavelmente eles achem que estão fazendo o máximo e que eu é estou sendo chato e injusto. Porém, se estão fazendo o máximo que podem, sinto dizer-lhes, mas o máximo deles não chega a ser o mínimo do que o Santos precisa. E se encararem essas críticas apenas pelo lado construtivo, verão que ela encerra grandes verdades e, talvez, tenham a humildade de rever o caminho temerário que estão traçando para o nosso clube do coração.

E para você, por que o Santos não se livra das crises?


Aconteceu o que a gente já esperava. Infelizmente…

Quem acompanha este blog não ficou surpreso com a derrota do Santos para o Atlético Mineiro, por 2 a 0. Não estranhou as tropicadas do estreante Bill – de quem o Santos, em um lance ousado dos sete gênios do comitê gestor, comprou 100% do passe –, das caneladas de João Pedro, que veio da Traffic, e do desarranjo total do time, que parecia reunido pela primeira vez para um jogo entre casados e solteiros. Muito menos se admirou com as explicações de Muricy Ramalho, o técnico mais bem pago da América do Sul, que novamente não conseguiu fazer seu time jogar futebol e ao menos marcar um golzinho fora de casa, e no fim alegou que “esse não é o Santos”.

Talvez, se Muricy tomasse o soro da verdade, pudesse ter dito: “Esse não é o Santos e eu não sou o técnico do Santos. Depois de fazer até aqui a campanha mais vexatória do Santos em um Campeonato Brasileiro, pego o meu boné e vou embora. Não cobrarei multa alguma, pois acho que o clube já vem me pagando muito pelo trabalho precário que venho realizando. Aos santistas, peço desculpas pela vergonha que tenho feito vocês passarem. Sem o Neymar eu não tenho tática alguma. Nem o chuveirinho está dando certo dessa vez. Foi bom enquanto durou. Adeus”.

Para completar, o presidente Luis Álvaro Ribeiro, depois de tomar o mesmo soro, poderia confessar: “Não tenho mais saco para presidir um time que só perde. Como vou soltar minhas frases de efeito? Reconheço que não entendo bulhufas de futebol, mas contratei um monte de gente a peso de ouro, todos registrados pela CLT, e o time e o clube continuam cheios de problemas. O dinheirão que entrou já foi todo pelo ralo. Pensei que o Muricy fosse resolver, mas já vi que sem o Neymar ele não sabe como armar o time. Para falar a verdade, já estou pensando nas minhas próximas férias. Acho que vou para Curaçao ou para a Riviera Francesa. Esse negócio de futebol fica muito chato quando a gente tem de explicar as derrotas”.

Bem, eles não disseram isso. E, pelo que conhecemos deles, jamais dirão. Não têm humildade para reconhecer que a culpa de o Santos estar nessa situação é, principalmente, deles dois. Se queriam os méritos nos títulos, se bateram no peito para dizer “eu fiz isso, eu fiz aquilo, eu fui campeão, eu tenho sorte”, agora precisam ser honestos e reconhecer que são os grandes culpados por esses vexames seguidos que o Santos tem dado nesse Brasileiro.

Os jogadores? Não vou culpar nenhum deles. Não pediram para serem contratados, não pediram para serem escalados e não pediram para entrar em campo sem um treinamento adequado e sem uma orientação tática decente. São um bando, voluntarioso, mas sem qualquer planejamento ou liderança.

Com essa campanha horrenda o Santos está repetindo o retrospecto de 2008, quando namorou o rebaixamento durante todo o campeonato. É evidente que faltam jogadores de qualidade e não dá para esperar mais. Está na hora de aparecer ao menos uma parte daqueles 40 milhões de reais prometidos na campanha (lembram-se, senhores?). Sem um atacante decente e um meia minimamente eficaz, talvez nem Neymar e Paulo Henrique Ganso consigam salvar o Alvinegro Praiano do destino sombrio que se avizinha – e justo no ano de seu centenário.

Tirem os traseiros das cadeiras e trabalhem, senhores. Quem avisa, amigo é.

E você, o que acha da situação do Santos neste Brasileiro?


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