Sei que é preciso ser paciente com garotos. Vivem uma fase da vida e da carreira em que a instabilidade emocional pode influir decisivamente no rendimento. Mas, aqui entre nós, dá pra ficar tão nervoso contra o Confiança, de Sergipe?

Com todo respeito ao Confiança, que além de confiança, mostrou muita garra. E muitas cãibras… Nunca vi um time tão vitimado pelas cãibras. Uma verdadeira epidemia… Houve momento em que dois ou três jogadores do Confiança caíam gemendo de dor ao mesmo tempo.

E o árbitro? Um banana – justamente o que faltou aos bravos jogadores de Sergipe, que se tivessem comido mais a referida fruta, teriam ingerido mais potássio e se livrado das caretas e do estica-estica. Com tantas paralisações, cinco minutos de acréscimo foi muito pouco. Tinha de ser, no mínimo, dez. O técnico Narciso estava certo de reclamar.

Por falar em Narciso, ficou difícil ver uma estrutura tática neste Santos. Ficou difícil ver jogadas, ensaiadas ou não. O gol-relâmpago aos cinco segundos, de Giovane, deu a impressão de uma goleada que virou drama.

E virou drama porque o Santos que estreou ontem na Copa São Paulo e empatou em 2 a 2 com o humílimo Confiança, revelou-se um time de fominhas. O jogador que pega a bola quer resolver tudo sozinho.

Será influência do Youtube? Se sai o gol e o lance passa a ser visto neste site globalizado, o jogador se destaca, mesmo que no resto da partida não tenha jogado bem.

Faltou inteligência e sobrou afobação

Às vezes não gosto de ser crítico, ainda mais com garotos que estão cheios de sonhos, buscando vencer na vida. Mas, se continuar jogando assim, esse time do Santos não revelará ninguém.

O jogo solidário teria passado confiança para vencer o Confiança com facilidade. O individualismo, em um campo pesado, tornou os santistas mais facilmente marcáveis.

Decepcionei-me com Tiago Alves. Fez algumas coisas, mas confirmou o que me disseram dele: que pega a bola, abaixa a cabeça e vai em frente, sem olhar para o companheiro do lado. Esse comportamento não leva o jogador, mesmo talentoso, a lugar algum.

Uma arrancada de Tiago Alves proporcionou o gol de Giovane, logo no início. Mas, depois de um primeiro tempo regular, Tiago sumiu na segunda etapa, reaparecendo só no final, quando acertou a trave.

O goleiro, os zagueiros de área e o meio-campo santistas também me decepcionaram. Não dá para jogar com dois zagueiros grandes, lentos e sem habilidade. Os gols do Confiança saíram por aí.

Sou obrigado a admitir, apesar de considerá-lo um dos mais individualistas do time, que o lateral-direito Crystian foi o destaque técnico do jogo. Prendeu demais a bola, mas perdeu-a muito pouco e criou o lance do gol de empate, de Pedro Castro, aos 40 minutos do segundo tempo, quando a derrota era iminente.

Esse Pedro Castro tecnicamente está longe de ser um primor, mas lutou tanto que mereceu o gol que ao menos deixou o Santos dependendo só dele para se classificar para a próxima fase da Copa. Agora, precisará vencer seus dois próximos jogos, o último deles contra o São Carlos, o time da casa.

Bem, na verdade fui injusto quando escrevi que este Santos é feito de fominhas, nem todos são. O centroavante Dimba, por exemplo, penetrou livre e poderia ter feito 2 a 0, mas preferiu passar para Tiago Alves e errou o passe.

Ou seja, justo o centroavante, que pode e às vezes deve ser fominha, não é. Assim, será mesmo difícil os torcedores comemorarem um gol de Dimba. Aliás, Dimba me lembra Pimpa. Pimpa na gorduchinha, garoto!

E você, o que achou do Santos contra o Confiança?