Blog do Odir Cunha

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Tag: Copa Davis

Demissão de Scolari prova que salário alto não garante sucesso

A demissão de Luiz Felipe Scolari escancara o problema dos salários desproporcionais pagos aos técnicos no Brasil. Felipão, com rendimentos de 800 mil mensais – segundo matéria do site Futebol Finance – não conseguia fazer o Palmeiras sair da zona de rebaixamento, enquanto outros treinadores, bem menos afamados e remunerados, estão mantendo equipes humildes em posições mais seguras.

Enquanto o Palmeiras só ganhou 28% dos pontos que disputou no Brasileiro e é o penúltimo colocado, a Ponte Preta conquistou 44% dos pontos; a Portuguesa, 40%; Coritiba, Náutico e Bahia, 39%. E quem são esses técnicos com rendimento tão superior ao badalado Scolari?

A Ponte é dirigida por Gilson Kleina, que treina a equipe desde o Campeonato Paulista e chegou a recusar uma proposta do Fluminense para continuar o trabalho no time de Campinas. A Portuguesa está nas mãos do veterano Geninho, que tem sido auxiliado no departamento de futebol por Candinho, alguém que entende muito de Portuguesa.

O Coritiba perdeu Marcelo Oliveira, mas não perdeu o pique. O desconhecido Marquinhos Santos assumiu e tem obtido bons resultados (prova de que quando o time está bem montado, a mudança de técnico não influi tanto no rendimento da equipe). Por fim, o Náutico é treinado por Alexandre Gallo, bem conhecido dos santistas, que tem o mérito de não ser retranqueiro.

Há pouca diferença entre os técnicos

Por que um técnico dá muito certo em um clube e fracassa rotundamente em outro? Por que Gilson Kleina montou uma Ponte tão competitiva e Felipão não conseguia fazer o Palmeiras andar? A resposta correta é que se não houver química entre técnico e elenco, os resultados dificilmente aparecem. Essa imponderável combinação de personalidades é que tanto pode fazer a glória de um interino, como provocar a demissão de um professor de renome.

Por depender tanto da imponderabilidade para ser bem-sucedido, não se justifica que um técnico peça e receba tanto dinheiro no Brasil. Seus altíssimos salários abalam a já instável saúde financeira do mercado do futebol nacional. Por isso, defendo que nenhum clube pague mais do que, digamos, 250 mil reais por mês a um técnico. A não ser que ele seja realmente excepcional – o que não é o caso de nenhum que atua no futebol brasileiro, com exceção, talvez, de Abel Braga.

Quando se compara a competência e a carga de trabalho exigidas para ser técnico de um time de ponta no vôlei e no futebol brasileiros, percebemos o tamanho da inversão de valores. Se nossos técnicos de futebol se dedicassem ao ofício com a mesma disciplina e intensidade que seus colegas, nosso futebol não estaria colecionando vexames internacionais.

Ao pagar menos para os técnicos, sobrará dinheiro para quem realmente interessa: os grandes jogadores, os craques, os que atraem público e dão ibope. E sobrará também para os clubes investirem em suas categorias de base, pois a única saída para o futebol brasileiro continua sendo revelar jogadores.

Laor quer Ganso no Grêmio, mas jogador prefere o São Paulo

Dizem que hoje o caso Ganso será definido. A imprensa paulista diz que está tudo certo com o São Paulo, mas se o Grêmio realmente confirmar a oferta de 23,8 milhões de reais, deverá fechar o negócio, pois é evidente que o presidente Luis Álvaro dá preferência ao clube gaúcho. Resta saber até que ponto o jogador e a Dis já estavam acertados com o tricolor paulista.

Copa Davis: Rogerinho abre o duelo contra os russos

Nesta sexta, a partir das 15 horas, na Sociedade Harmonia de Tênis de São José do Rio Preto, o Brasil inicia o confronto com a Rússia que decidirá quem participará da chave principal da Copa Davis no ano que vem. Desde que caiu para a Segunda Divisão, devido a um boicote estúpido, o Brasil jamais voltou ao grupo dos 16 maiores do tênis. De hoje a domingo a história pode mudar.

Tenho um motivo especial para torcer pelos brasileiros. Não só porque gosto de tênis a ponto de já ter editado cinco revistas sobre o assunto, escrito um livro e comentado sobre o esporte por três canais de tevê, mas porque entre os brasileiros há um garoto pelo qual tenho enorme admiração. Trata-se de Rogério Silva, o Rogerinho, que vi crescer lá no nosso querido Clube de Campo Castelo, em Interlagos, onde seu pai sempre foi o professor mais importante.

Mestre Eulício Silva chegou a vencer Thomaz Koch em três sets quando o Campeonato Brasileiro de Tênis era jogado em melhor de cinco sets. Um cavalheiro, além de notável tenista, Eulício deu ao filho a base para se tornar um dos melhores do Brasil.

Meu filho, Thiago, jogou e treinou com Rogerinho lá no Castelo. Nunca tive dúvidas de que o filho de Eulício seria um grande tenista, com muita garra e inteliGência, como o pai. Hoje ele abrirá o confronto contra os russos. Boa sorte Rogerinho! Vamos subir Brasil!

Confira os jogos de Brasil x Rússia:

Sexta-feira, 14/9, às 15h
Rogerio Dutra Silva (BRA) vs. Igor Andreev (RUS)
Thomaz Bellucci (BRA) vs. Teymuraz Gabashvili (RUS)

Sábado, 15/9, às 15h
Marcelo Melo/Bruno Soares (BRA) vs. Alex Bogomolov Jr./Stanislav Vovk (RUS)

Domingo, 16/9, às 15h
Thomaz Bellucci (BRA) vs. Igor Andreev (RUS)
Rogerio Dutra Silva (BRA) vs. Teymuraz Gabashvili (RUS)

Os ingressos estão à venda pelo site TicketsforFun.com.br e também no Rio Preto Shopping, em São José do Rio Preto.

E você, o que acha disso tudo?


Brasil sofre mais uma decepção na Copa Davis

O brasileiro Ricardo Mello, 75º no ranking mundial, perdeu hoje em três sets seguidos para o indiano Rohan Bopama, 479º do ranking, e com este resultado o Brasil permitiu uma virada que parecia impossível para a Índia. O confronto, disputado em Chennai, terminou 3 a 2 para a Índia, que sobe para o grupo de elite da Copa Davis, deixando o Brasil na segunda divisão, da qual não sai desde 2003, quando Guga, Flávio Saretta, Fernando Meligeni e os melhores tenistas brasileiros da época resolveram boicotar o comando de Nelson Nastás na Confederação Brasileira de Tênis.

Assim como está acontecendo agora com o imbróglio entre Dorival Junior e Neymar, quem perdeu com o boicote dos tenistas à CBT em 2003 foram os torcedores e o próprio esporte, pois o Brasil terminou rebaixado e nunca mais se recuperou na principal competição por equipes do tênis.

Desta vez, ao final do primeiro dia, com duas vitórias de simples obtidas por Thomaz Bellucci e Ricardo Mello, parecia que a promoção já estava assegurada. Faltava só mais um ponto. Mesmo que não viesse nas duplas, certamente viria nas duas últimas partidas de simples, pois Bellucci e Mello jogariam contra adversários cruzados, que já tinham sido derrotados na sexta-feira.

Porém, atuando de forma decepcionante, o Brasil não ganhou mais nenhum set. Nas duplas, os indianos Mahesh Buphathi e Leander Paes venceram Marcelo Melo e Bruno Soares por 6/4, 7/6(5) e 6/1. Depois, Bellucci desistiu no segundo set da partida que perdia para Somdev Devvarman por 7/6 (3) e 4/0. E no quinto e último jogo, Mello caiu diante de Rohan Bopanna por 6/3, 7/6 (2) e 6/3.

Não estava lá, não posso analisar com precisão o que houve, mas, a não ser que problemas clínicos e psicológicos tenham se manifestado, não dá para aceitar que os mesmos jogadores que tinham vencido seus jogos no primeiro dia, tenham perdido dois dias depois sem ganhar ao menos um set para dois tenistas com ranking bem inferior e que já tinham sido vencidos.

É estranho que só os brasileiros Bellucci e Mello tenham se cansado tanto. Afinal, seus adversários também tinham ficado na quadra o mesmo tempo que eles nos jogos que abriram o confronto. Um deles, o tal de Bopanna, só joga duplas, nem é acostumado a jogar simples.

Para Fernando Itokzu, que cobriu o evento para a Folha.com, o Brasil sente a falta de “um tenista que faça a diferença”. Bellucci, o melhor brasileiro no ranking (27º), ainda não tem sido decisivo na Copa Davis. A expectativa é que melhore com o tempo, pois ainda é bem jovem (22 anos) para uma competição que exige nervos de aço.

Além da Índia, outros sete países garantiram vaga na elite da Copa Davis: a Áustria, que venceu Israel, em Telavive, 3 a 2; os EUA, que ganharam da Colômbia, em Bogotá, por 3 a 1; a Alemanha, que jogou em casa e fez 5 a 0 na África do Sul; a Suécia, que, com apoio da torcida, ganhou da Itália por 3 a 2; o Cazaquistão, que com um time de jogadores estrangeiros naturalizados venceu a Suíça, por 5 a 0; a Romênia, que fez 5 a 0 sobre o Equador, em casa, e a Bélgica, que surpreendeu a Austrália e, mesmo fora de casa, a venceu por 3 a 2, em confronto que terminou há pouco.

NÃO CHORE POR MIM, ARGENTINA. Mas não foi só o Brasil que decepcionou. Nas semifinais do grupo principal da Copa Davis, a Argentina de David Nalbandian (foto), foi goleada pela França por 5 a 0. Deu dó dos nossos tão simpáticos vizinhos

No grupo principal, também chamado de elite, a Sérvia se classificou pela primeira vez à final da Davis ao virar o confronto contra a República Tcheca, ontem, em Belgrado, e fazer 3 a 2. Na França, a Argentina sofreu uma sonora goleada de 5 a 0. Agora, Sérvia e França disputarão o título de 3 a 5 de dezembro, em Belgrado.

Esta derrota do Brasil, mais uma em seis tentativas seguidas de voltar ao seleto time dos 16 países do Grupo A do tênis masculino, tem muito a ver com a punição a Neymar. É mais um exemplo de atitudes que só punem o esporte. Em 2003 o que se queria era destituir Nelson Nastás, presidente da CBT, para eleger Jorge Lacerda Rosa, que assumiu o cargo. No entanto, o tênis brasileiro nunca mais teve o prestígio de antes.

A suspensão de Neymar só conseguirá prejudicar o Santos, seus torcedores e os amantes do bom futebol. Não trará nada de positivo para nenhum dos envolvidos, a não ser para os adversários do Santos. Da mesma forma, o boicote dos tenistas nacionais, comandado por Gustavo Kuerten e Flávio Saretta, e apoiado por Fernando Meligeni e muitos outros nomes importantes do tênis, só ajudou aos países que enfrentaram o Brasil, que puderam deitar e rolar sobre as improvisadas equipes brasileiras.

O que você pensa de mais essa derrota do Brail na Copa Davis? Acha que o boicote de 2003 ainda está influindo negativamente na equipe?


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