Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Copa de 2014 (page 1 of 2)

O nosso jogo, e o jogo deles


Enquanto o povo do Pará pedia saúde e educação, a presidente Dilma Roussef sorria e defendia os “benefícios” de se gastar fortunas com os estádios da Copa.


Dilma discursa na inauguração do estádio Mané Garrincha, mas não fala do preço. Terceiro mais caro do mundo, o estádio foi construído em uma cidade que não tem futebol e já nasceu fadado a ser um elefante branco.


A presidente inaugurando a Arena Pantanal, que tem dado o maior prejuízo dentre todas construídas para a Copa. Dilma ressalta a “beleza” do estádio.

Sábado, às 19h30, serão dia e hora de ir ao Pacaembu e levar as crianças para ver o Santos contra o Água Santa. A semana que começou com uma vitória tranqüila contra o maior rival, pode terminar com uma bela exibição no maior estádio santista. Vamos lá. Esse é um jogo que depende da gente. Pena que haja outros, tramados nos gabinetes, dos quais não tivemos a mínima possibilidade de intervir.

Nesses dias o blog discutiu se deve abordar assuntos políticos, ou apenas se restringir ao nosso Santos. Bem, no dia em que a política não interferir no Santos, ou no esporte, ou no País em que vivemos, talvez possamos ser tão especialistas. Mas é impossível silenciar diante do que ocorre. Agora mesmo estamos às portas dos Jogos Olímpicos e é certeza que nos depararemos, assim como ocorreu com a Copa do Mundo, com casos de corrupção e malversação do dinheiro público.

Abaixo reproduzirei uma matéria escrita por Adriano Belisário e publicada portal Terra em 1º de julho de 2014 que já mostrava que as construtoras Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, todas condenadas na operação Lava Jato, se revezavam e ainda se revezam nos contratos para as grandes obras da Copa e da Olimpíada.

Portanto, há dois anos essa relação promíscua do Governo com essas empreiteiras era tão evidente que foi exposta, em detalhes, pela matéria do Adriano Belisário. Lembro, ainda, que a própria Fifa, menos gulosa do que o Governo brasileiro, sugeriu que o País reformasse estádios apenas nas maiores capitais do futebol – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre –, mas os articuladores da Copa no Brasil, entre eles Lula e Dilma Roussef, fizeram questão de que fossem erguidas arenas suntuosas e caríssimas em cidades com pouca tradição no futebol.

No longínquo abril de 2012, o repórter Rodrigo Durão Coelho, do UOL, já reproduzia uma análise do Instituto Dinamarquês de Estudos do Esporte pela qual quatro estádios construídos para a Copa do Mundo no Brasil, justamente aqueles não previstos pela Fifa, mas erguidos pela insistência do Governo brasileiro, se tornariam elefantes brancos. Dizia a matéria:

Todos os 12 estádios a serem usados na Copa do Mundo de 2014 devem ter, após o evento, público menor que as médias internacionais, e quatro deles estão condenados a se tornarem “elefantes brancos” – expressão popular usada para designar arenas esportivas quase sempre vazias. É o que diz levantamento feito pelo IDEE (Instituto Dinamarquês de Estudos do Esporte), que criou um índice mundial de estádios.

Os quatro estádios apontados pelo IDEE como os mais problemáticos da Copa 2014 são o Nacional, em Brasília, projetado para comportar mais de 70 mil pessoas, a Arena Amazônia, em Manaus, a Arena Pantanal, em Cuiabá, e o Estádio das Dunas, em Natal, todos com cerca de 42 mil lugares.

O IDEE afirma que a grande capacidade desses estádios contrasta com as médias de público das séries B, C e D do Campeonato Brasileiro, torneios habitualmente disputados pelos clubes que irão usar os candidatos a “elefante branco”. As divisões inferiores do Brasileirão têm médias que oscilam entre 2.100 mil a 4.500 mil torcedores.

Dois anos depois, em abril de 2014, Andre Carvalho, do site da Editora Abril, mostrava como, além de supérfluos, alguns estádios construídos para a Copa estavam entre os mais caros do mundo:

O custo total dos estádios (sete novos e cinco reformados) ficou orçado em R$ 8,005 bilhões, segundo a Matriz de Responsabilidades consolidada, divulgada pelo Ministério dos Esportes em setembro de 2013. Em 2007, uma semana antes de o Brasil ser confirmado como sede, a previsão era de que os gastos com obras em estádios fossem de R$ 2,2 bilhões. Houve, então, um aumento de 263% em seis anos!

Comparando com os gastos em estádios realizados nas Copas da Alemanha, em 2006, e da África do Sul, em 2010, o Brasil tem os assentos mais caros, na média. São R$ 8,005 bilhões investidos em 664 mil lugares, o que dá um valor de R$ 12.005 para cada cadeira instalada nas arenas. Na Alemanha o valor médio de cada assento foi de R$ 6.412 e na África do Sul, R$ 7.021.

Um pouco antes da publicação da matéria do Andre Carvalho, em março de 2014, nosso polêmico Cosme Rímoli já denunciava o enorme elefante branco que seria a arena de Manaus:

A inauguração do mais puro elefante branco da Copa no Brasil. A Arena Manaus. Estádio que custará mais de R$ 670 milhões dos cofres públicos. E que não terá a menor utilidade depois do Mundial. Triste capricho dos políticos brasileiros… O estádio custou cerca de R$ 670 milhões. Todo dinheiro público. O estado do Amazonas pagará por ele. O BNDES emprestou R$ 400 milhões com taxas abaixo do mercado.

Finalmente, em 1º de julho de 2014, no portal Terra, em matéria extensa e pormenorizada de Andre Belisário, escancara-se a relação suspeitíssima entre as construtoras chamadas quatro irmãs- Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez – com a construção não só dos estádios, mas das obras todas prometidas para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Com o título “Jogo para poucos: 4 construtoras se revezam em obras da Copa”, a matéria já começava alertando: Levantamento do Reportagem Pública mostra como as “quatro irmãs”, Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, se revezam nos contratos para as grandes obras da Copa e Olimpíadas no Rio de Janeiro. E prosseguia:

Nas maiores intervenções urbanas no Rio de Janeiro em função da Copa e Olimpíadas mudam os objetivos das obras, os valores, os impactos e as suspeitas de ilegalidade na condução dos projetos. Só não mudam as empresas beneficiadas. Por meio de consórcios firmados entre si e com outras empresas, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e OAS se revezam nos dez maiores investimentos relacionados aos Jogos.

De acordo com um levantamento feito pela reportagem, chega a quase R$ 30 bilhões o valor oficial das dez maiores obras. São elas: a Linha 4 do Metrô; a construção do Porto Maravilha; a reforma do Maracanã e entorno; os corredores expressos Transcarioca, Transolímpica e Transoeste; a Vila dos Atletas e o Parque Olímpico; o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT); e a Reabilitação Ambiental da Bacia de Jacarepaguá.

A Odebrecht é a grande campeã: está presente em oito dos dez projetos. Já a OAS e a Andrade Gutierrez dividem o segundo lugar, com participação em seis projetos cada uma. Em 7 dos 10 projetos a licitação foi ganha por consórcios com presença de duas ou mais das “quatro irmãs”, como são conhecidas. Em dois destes, a concorrência pública foi feita tendo apenas um consórcio na disputa.

Nem sempre a participação das “quatro irmãs” se dá diretamente através das construtoras. Participam também empresas controladas por elas como a CCR e a Invepar. Os acionistas da primeira são Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez, aliadas ao o Grupo Soares Penido (Serveng-Civilsan), com 17% de ações cada um. No Rio de Janeiro, a CCR detém o monopólio das travessias na Baía de Guanabara, administrando ao mesmo tempo os serviços das barcas e da Ponte Rio-Niterói. (As duas concessões responderam por quase 5% da receita operacional bruta da empresa, em 2013).

A Odebrecht, que também era sócia na CCR, vendeu sua participação para criar sua própria empresa no ramo de mobilidade urbana, a Odebrecht Transport, que hoje administra o serviço de trens na região metropolitana do Rio de Janeiro através da Supervia. Já a gestão do metrô carioca fica por conta da Invepar, cujos controladores são a OAS e os fundos de pensão da Caixa Econômica (FUNCEF), Petrobras (PETROS) e o Fundo de Investimento em Ações do Banco do Brasil.

Na história recente dessas empresas acumulam-se obras que mereceram a atenção das autoridades – dentro e fora do pacote da Copa. Executivos da Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez já foram investigadas pelo Ministério Público de São Paulo no chamado “cartel do metrô”, que envolveria o acerto de preços para licitações de obras, fornecimento de carros e manutenção de trens e do metrô em São Paulo. O órgão exige uma indenização aos cofres públicos de R$ 2,5 bilhões. Empresa da Camargo Corrêa, a Intercement também aparece em investigações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) sobre cartel no setor de cimentos.

Clique aqui para ler a matéria completa sobre o monopólio das “quatro irmãs” nas obras da Copa e da Olimpíada.

O que se depreende dessas matérias? Que já se previa que esses estádios da Copa dariam um prejuízo imenso à nação, que o dinheiro estava sendo usado de forma irresponsável. Constate que o sagrado dinheirinho dos fundos de pensão da Caixa Econômica (FUNCEF), Petrobras (PETROS) e o Fundo de Investimento em Ações do Banco do Brasil entraram no rolo. Por isso hoje o Governo fala em recriar o IPMF e diminuir a pensão de milhões de aposentados. Isso é zelar, é cuidar da vida do povo brasileiro?

Tudo isso prova que além dos casos da Petrobras, que está sendo esmiuçado, e de outros, que logo estourarão, é evidente que a insistência do Governo brasileiro para fazer a Copa do Mundo e a Olimpíada em nosso País não tinha qualquer interesse no desenvolvimento do esporte nacional. Esses dois megaeventos serviram e ainda servirão para se gastar um dinheiro que os cofres do tesouro não suportam mais e para enriquecer pessoas que superfaturaram em cima das obras.

Como conseqüência, haverá menos dinheiro para saúde, educação, moradia, transporte, geração de empregos. E depois esse governo ainda se diz popular e preocupado com o trabalhador. Mentira das mentiras! Fico espantado de perceber como ainda tem gente que acredita nessa demagogia populista e criminosa.

Por isso é que o esporte, o futebol, e o nosso Santos não podem ser analisados separadamente da conjuntura política do Brasil, hoje imerso na maior onda de corrupção que já o afligiu. Corrupção que sempre existiu, concordo, que não é privilégio do PT, nem do PMDB ou do PSDB. Na verdade, é difícil citar um único partido que não esteja ligado a ela. Corrupção que muita vez nem chegou a ser investigada, mas que agora ganhou proporções gigantescas e contamina todas as áreas da vida nacional. Ou o Brasil acaba com ela, ou ela acabará com o Brasil.

Garanta o seu ingresso. E leve seu filho

Quer saber os valores e onde comprar os ingressos para o jogo de sábado, entre Santos e Água Santa, no Pacaembu? Está bem. Dessa vez está mais barato do que contra o Mogi Mirim. As arquibancadas amarela, verde e lilás (portão 21) custarão 40 reais a inteira e 20 a meia. O tobogã custará 20 reais a inteira e 10 reais a meia. Idosos com 60 anos ou mais e crianças até 12 anos não pagam. E é muito importante levar as crianças santistas nesses jogos! Há ainda a cadeira especial laranja (80 a inteira, 40 a meia), a cadeira descoberta manga (100 e 50) e a cadeira coberta azul, a mais cara (120 e 60).

Percebe-se que o Santos ouviu os reclamos da torcida e diminuiu o preço dos ingressos. Ótimo. Mas ainda não solucionou a questão dos raros postos de venda em São Paulo. São apenas três e só funcionam em dias úteis e das 11 às 17 horas: Estádio do Pacaembu: Praça Charles Miller s/n – São Paulo – Bilheteria principal (próxima do portão principal). Ginásio do Ibirapuera – Av. Manoel da Nóbrega, 1361 – Guichê 1. Sub-sede do Santos FC/SP – Av. Indianópolis, 1.772 – Planalto Paulista – São Paulo – Tel.: (13) 3257-4000 / Ramal 5000.

Para quem mora no ABCD, o posto de venda de ingressos mais próximos é o do Estádio Anacleto Campanella (São Caetano) – Av. Thomé, 64 – São Caetano do Sul. O curioso é que a maioria dos lugares de venda estão em Santos, onde até chaveiro e loja de calçados vendem as entradas para os jogos do Santos, enquanto na Capital regiões enormes, como as Zona Leste, Norte e Extremo Sul, não têm um posto sequer (já falei que se venderem ingressos na Cidade Dutra vão ter uma surpresa bem agradável. Lá tem mais santistas do que são-paulinos e palmeirenses).

Roma pedirá o adiamento de três jogos do Santos

Como o Santos tem cinco jogadores, todos titulares, convocados para as Seleções nacionais: Lucas Lima e Ricardo Oliveira para a principal, e Gabriel, Zeca e Thiago Maia para a Olímpica, o presidente Modesto Roma solicitará à presidência da Federação Paulista de Futebol que três dos jogos do time sejam adiados. Muito justo.

Time reserva uma ova
Para desmerecer a vitória santista, tem jornalista escrevendo que o alvinegro perdedor do clássico usou um time reserva na Vila Belmiro. É mentira. Nada menos do que oito jogadores atuaram contra o Santos e também contra o Santa Fé, da Colômbia, em jogo pela Copa Libertadores. Foram eles: Cássio, Fágner, Yago, Bruno Henrique, Lucca, Willians, André, Edilson (Danilo, Luciano e Romero).

E você, o que acha disso?


Eu vi o que vocês fizeram em 1978

O Campeonato Brasileiro vai recomeçar e está na hora de voltarmos às nossas paixões particulares. Antes, uma palavra sobre a ensaiada decepção argentina pela euforia brasileira com a vitória alemã. Ora, que reação esperavam nossos vizinhos?

De apoio, carinho, afeto? Sim, seria ideal. Vivemos lado a lado, compartilhamos parte de nossas histórias, dividimos o mesmo pedaço do mundo. Eu, particularmente, adoraria ter motivos para preferir a Argentina, no futebol, a qualquer nação européia.

Mas o amor, para ser sincero e duradouro, exige reciprocidade. Quando a brincadeira, mais do que ironia, se torna um desrespeito crônico apoiado por seus principais jornais esportivos; quando os costumes, o povo e os ídolos brasileiros são insultados regularmente e boa parte dos argentinos confunde rivalidade com desprezo e ódio, fica muito difícil dar a outra face.

No meu caso, é mais difícil, pois ainda me lembro bem do que fizeram na Copa de 1978, uma Copa armada para que os donos da casa vencessem, burlando as regras do jogo e a ética, destratando os visitantes com o único objetivo da vitória a todo custo, como se isso fosse transformar a Argentina em um país melhor.

Agora, no Brasil tivemos, sim, contato com povos, com civilizações melhores. Nada mais justo e alentador, para o futebol, do que apreciar uma dessas nações vencer a Copa.

Alegrar-se com o título da Alemanha, mesma equipe que goleou o Brasil, mostra, simplesmente, que o brasileiro começa a colocar o mérito esportivo acima do rancor, da inveja e do jogo sujo que sempre caracterizou o futebol sul-americano.

A Copa ficou com os que praticaram o futebol mais vistoso e eficiente e, além disso, se mostraram mais amigáveis, educados e respeitosos. Os jogadores alemães demonstraram carinho com a gente simples do Brasil e seus torcedores não deixaram um rastro de destruição por onde passaram.

O Brasil já tinha provado, por cinco vezes, que sabe ganhar uma Copa. Agora, repetindo 1950, prova que também sabe perde-la; que apesar de amar tanto o futebol, não comete a estupidez de colocar a vitória ou a derrota no mesmo patamar da vida e da morte. Vejo isso como um mérito, uma qualidade que o vizinho sul-americano ainda não tem.

E você, acha que havia motivo para torcer para a Argentina?


Os prós e os contras da participação de Neymar no Faustão

Foi muito bom ouvir de Fausto Silva que Neymar é hoje o maior ídolo do Brasil. É uma verdade, mas às vezes as verdades – quando se trata do Santos ou de jogadores do Santos – nem sempre são ditas.

Foi péssimo ver o redondo Ronaldo Macário usar o seu tempo para fazer lobby pela ida de Neymar ao Real Madrid. Todos sabem que Ronaldo ganhará alguns milhões de euros se o negócio se concretizar. A maneira como ele coloca o Brasil, o povo brasileiro e a felicidade de Neymar de lado para pensar apenas no seu bolso chega a ser vergonhosa. Onde foi parar aquele garoto magrelo e talentoso revelado pelo São Cristovão? Virou o quê? Um ganhador de dinheiro sem nenhum escrúpulo? Desculpem-me meus amigos da produção do programa, mas colocar a fala de Ronaldo logo no início pegou mal.

Foi bom saber que Neymar se emocionou ao ouvir o povo do Pará cantando o Hino Nacional. Há coisas que não têm preço. O amor ao país em que nascemos é uma delas. Neymar aprendeu isso na pele.

Não foi legal Fausto Silva pegar a deixa de Ronaldo e dizer que Neymar precisa pensar no “lado profissional”, insinuando que Ronaldo estava certo em sugerir que o garoto vá jogar na Europa. Eu perguntaria a Fausto, que conheço bem: “Você não pensou no seu lado profissional ao fazer a carreira no Brasil, Fausto? E hoje você não ganha por mês duas vezes mais do que Neymar poderá ganhar no Real Madrid? Se você fatura tanto com sem sair do País, por que Neymar também não pode? Como santista, você poderia ter sido mais convincente. Nenhum torcedor do Santos quer que Neymar vá embora.

Excelente a matéria com o rapaz de Belém que vai comprar uma casa com o leilão de uma única bola autografa por Neymar. O jovem craque, que também é religioso, deve ter ficado emocionado e percebido que aqui no Brasil ele será muito mais útil aos pobres do que na Europa. Já pensou quanto gente ele poderá ajudar com bolas e camisas autografadas? Mais um motivo incomensurável para Neymar ficar.

Faltou alguém para defender a permanência de Neymar no Brasil, e há muitos que poderiam ter falado sobre isso, como Sócrates e Romário. Não sei se foi falha da produção, ou a intenção não era mesmo defender esse ponto de vista. Uma pena, pois o programa teria sido muito mais relevante se mostrasse que há plenas condições de Neymar continuar jogando no Brasil ao menos até a Copa de 2014.

Gostei de ouvir de Fausto Silva que ele é santista. O Fausto hoje está em um nível que pode admitir para que time torce sem problemas. Mas gostaria que ele agisse como um grande santista e usasse sua influência para conseguir mais patrocinadores para Neymar e garantir que o garoto continuará fazendo a alegria do povo brasileiro, e não irá para um time como o gelado Real Madrid, que não o ama e no qual será, no máximo, a terceira estrela, atrás de Cristiano Ronaldo e Kaká.

E você, o que achou da participação de Neymar no Domingão do Faustão?


Nizan Guanaes quer fazer campanha para segurar Neymar no Brasil


Nizan Guanaes quer fazer uma campanha de doações por telefone para convencer Neymar e seu pai de que o melhor lugar do mundo para um jovem craque do futebol brasileiro é aqui mesmo

O publicitário Nizan Guanes, escolhido pelo Financial Times como um dos cinco brasileiros mais influentes, chairman do poderoso Grupo ABC de Comunicação, está fascinado pelo plano de motivar as pessoas a contribuir para que Neymar continue no Brasil. Se as empresas privadas ou estatais não garantirem dinheiro suficiente para superar a proposta do Real Madrid, Guanaes está disposto a fazer, pela agência África, uma campanha tipo “Criança Esperança”, com doações por telefone.

Apreciador do Carnaval e do Futebol, o baiano Nizan Guanaes, considerado um dos gênios da publicidade brasileira, não vê sentido em deixar Neymar ir para a Espanha às portas de uma Copa do Mundo no Brasil. A ausência do ídolo prejudicaria o teaser para o maior evento do futebol.

Nizan conversou com o presidente Luis Álvaro Ribeiro e disse que ficou fascinado com a idéia. Para o publicitário, ela é viável e contribuirá para começar a mudar o eixo do futebol mundial.

Os leitores deste blog sabem que há alguns dias estamos batendo nessa tecla. No fim de semana passado tive uma longa conversa com Eduardo Musa, o Duda, escalado pelo marketing do Santos para seguir os passos de Neymar. Ele sugeriu que eu falasse com o Luis Álvaro, o que já fiz.

Os entraves jurídicos não seriam problema. Doações são previstas por lei. E a causa poucas vezes foi tão nobre. O objetivo é impedir que um jovem craque e ídolo brasileiro vá para um poderoso clube da Europa e, ao invés disso, recomece aqui no Brasil a era de ouro que terminou em meados dos anos 70, em que os melhores jogadores e times atuavam em nosso País.

Uma campanha sem limites

Com a utilização da mídia de massa e com o talento dos criativos da África, a campanha certamente seria um sucesso. Em um ano, até que chegue a nova janela de transferências, o valor arrecadado poderia ser suficiente até para comprar o passe de Neymar em definitivo, garantindo sua carreira no Brasil.

Imagine um milhão de pessoas doando apenas 10 reais por mês. Seriam 10 milhões de reais, salário que tornaria o Menino de Ouro do Santos o jogador mais bem pago do mundo. A campanha teria enorme repercussão e alavancaria o futebol brasileiro, sul-americano e, é claro, a Copa do Mundo.

De que vale investir bilhões de reais em estádios, se o artista do espetáculo vai embora? Segurar Neymar, e talvez Ganso – aos quais Nizan chama de “Os Meninos” – é uma boa causa, uma missão que dá prazer ao destacado publicitário, que os conheceu na campanha para a Seara, no ano passado.

Transparência total e contagem diária

Infelizmente, sempre que se fala em arrecadar dinheiro em nosso País, a desconfiança aparece. E é normal, devido a inúmeros antecedentes. Por isso, sugeri a Luis Álvaro que se faça uma contagem diária do saldo da conta pró Neymar. Além da transparência, acompanhar a evolução das doações motivaria as pessoas. Números redondos, como um milhão, dois milhões, manteriam a campanha em evidência.

Neymar e seu pai

Claro que tudo dependerá da compreensão de Neymar e seu pai. Talvez o garoto tenha um sonho de jogar no Real Madrid. Mas a realidade mudou. A Europa e o Real não são os mesmos. Hoje Neymar pode ganhar mais e ser mais feliz no Santos e no Brasil. Por que trocar o certo pelo duvidoso? Por que abandonar um país onde é amado, idolatrado, para jogar por um clube em que será testado a cada minuto?

Nesta semana uma assembléia de conselheiros do Real Madrid foi interrompida pelos gritos de “Neymar No”, Neymar No”. Ou seja, antes mesmo de se mudar para lá, há uma forte oposição à sua presença no time madrilenho. Por que Neymar precisa pisar na casca de banana que está à vista? Por que correr esse risco? O sonho pode se transformar em pesadelo e interromper sua ascensão, talvez até comprometer definitivamente sua carreira, como já aconteceu com tantos brasileiros antes dele.

Confio no sucesso de uma campanha regida pelo talento e a competência da agência África, confio na colaboração dos santistas e dos amantes do futebol arte. Minha única dúvida é quanto ao que se passa na cabeça de Neymar pai. Mas se ele quer o bem do filho, se quer ver o garoto feliz, que é o desejo de todo pai, não creio que o tirará do Éden tropical para levá-lo à rubra e conturbada Espanha.

Reveja agora o anúncio genial produzido pela África para a Seara, com as participações de Neymar, Paulo Henrique Ganso e Robinho.

Com Nizan Guanaes no comando da campanha, você ainda acha que é um sonho Neymar continuar no Brasil, ou já está virando realidade?


Dar dinheiro público para estádio corintiano é burlar regras do jogo


Políticos e cartolas fazem média com a torcida corintiana, mas a maioria dos eleitores é contra.

A essência do esporte competitivo, como o nome já diz, é a competição. Times devem competir, seguindo as regras e a ética, por vitórias e títulos que lhes darão prestígio e riqueza. Qualquer outro fator que leve ao sucesso de uma equipe sem passar pelo campo de jogo é uma trapaça com o espírito do esporte.

Estádios sempre foram sonhos que, para serem concretizados, envolviam o esforço de toda a comunidade ligada ao clube. Foi assim que o valente Vasco ergueu São Januário no distante 1927 e que a Portuguesa construiu o seu Canindé. Lançavam-se campanhas “do cimento”, “do tijolo”, e assim, aos poucos, os aficionados viam surgir o resultado de seu orgulho.

Decisão é injusta, anti-desportiva e anti-democrática

A isenção de impostos, a doação de dinheiro público ao estádio corintiano é uma amoralidade que burla, flagrantemente, as regras do esporte. É uma decisão que não está embasada na justiça, no mérito esportivo e nem na democracia. É uma determinação imposta por poderes superiores que visa, claramente, beneficiar, por motivos políticos, o time tido como o mais popular de São Paulo.

Não é justa porque nenhum outro clube, antes, no Brasil, foi agraciado com tantas vantagens para construir o seu estádio. Algumas agremiações, como o São Paulo, tiveram de amargar longos anos de derrotas a fim de economizar dinheiro para erguer o seu. Outras, mesmo também muito populares, jamais receberam esse dinheirão do governo para ter uma casa maior.

No caso do São Paulo, que também não é o ideal, pois tudo indica que o clube recebeu a doação do terreno do governo do Estado, ao menos o tricolor teve de passar 13 longos anos dirigindo todos os esforços para a construção do estádio, período em que se tornou um saco de pancadas dos rivais. Nem esse incomodo terá o alvinegro da capital, que em dois anos receberá seu presente embalado, pronto para usar.

Não há, também, qualquer mérito esportivo nessa milionária doação (deixar de arrecadar é o mesmo que dar), pois o Corinthians está longe de ter conseguido, em seus 100 anos e meio de existência, as mesmas conquistas do que rivais até bem mais jovens. Não se está premiando, assim, o melhor, mas sim o que tem mais eleitores. Ou seja, trata-se de uma medida odiosamente populista.

Se o critério fosse cívico – o que combinaria mais com o uso do dinheiro público – e se, por exemplo, se decidisse que o clube que ganharia tanto dinheiro e facilidades para construir um estádio para a Copa, seria aquele que mais contribuiu para a projeção do futebol brasileiro no exterior, ainda haveria alguma lógica.

Mas preterir um clube e escolher outro apenas porque este é mais popular e porque, no momento, tem melhores relações com o poder político que governa o País, chega a ser indecente, pois gera uma situação que fere o espírito esportivo e provoca um rancor natural e duradouro nos demais.

Por fim, é ditatorial porque impõe um ônus enorme ao contribuinte sem consultá-lo. Mesmo que todos os corintianos da cidade aprovem a idéia – mesmo que considerem que um estádio para a Copa é mais importante do que usar esse dinheiro em saneamento básico, escolas e hospitais – eles não representam 40% dos habitantes de São Paulo. Portanto, a maioria dos paulistanos está sendo contrariada.

Mais do que contrariada, está sendo obrigado a pagar pela construção de um estádio que incrementará enormemente o patrimônio e o faturamento do rival. Sim, porque quando os outros clubes forem jogar lá, terão de pagar alugueis e taxas ao proprietário. Ou seja, santistas, palmeirenses e são-paulinos serão obrigados a bancar a maior parte da construção de um estádio que depois cobrará de seus clubes.

Este estádio será um monumento a uma nova ditadura

Quando foi conveniente, Lula e os dirigentes que hoje comandam o País demonizaram a ditadura militar. E foi fácil, porque não há mesmo quem possa concordar com um regime político que não esteja baseado na democracia. Hoje, porém, agem de forma ditatorial para atingir seus objetivos. Este caso do estádio corintiano é um exemplo. Até pressão e ameaças de agressão física têm acontecido.

Enquanto a Câmara Municipal se reunia para votar a isenção ou não de impostos para a construção do estádio, torcedores organizados cercavam o edifício público e, aos berros, ameaçavam os vereadores. Quantos votos não foram determinados por esta coação?

Não creio que uma Copa, com duração de apenas um mês, mereça tanto investimento de um país que ainda tem tanta coisa a resolver. O mundo já tem uma opinião formada do Brasil – que, felizmente, tem melhorado a cada dia –, não será uma Copa que mudará isso.

Não creio também que o Mundial de 2014 vá mudar muito o panorama do futebol brasileiro, que continua sendo um fornecedor de mão de obra barata e talentosa para a o exterior, principalmente para a Europa, sem que haja um movimento – das autoridades e da opinião pública – para mudar isso.

Por fim, já que decidiram, inexplicavelmente, não reformar o Morumbi e o Pacaembu, o que seria mais racional e viável, que fizessem um estádio público, sem privilégios a clube algum. Do jeito que o negócio está sendo encaminhado, perpetua-se uma trapaça histórica contra as regras do jogo. Isso gerará um dívida moral que, mais dia, menos dia, será cobrada.

E você, o que acha da doação de dinheiro público para a construção do estádio corintiano?


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