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Tag: Coreia do Sul

Quem se classifica? Faça as suas contas…

A MÃE DE TODAS AS ZEBRAS
Coréia do Norte 1, Itália (eliminada) 0 – Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra

Quem não gosta de números deve estar sofrendo para fazer os cálculos antes desta última rodada da fase de grupos, pois a combinação de resultados pode gerar muitas dúvidas e surpresas quanto às possibilidades de classificação das equipes.

O fato de os jogos do mesmo grupo serem disputados no mesmo horário dará um toque a mais de emoção à última rodada desta fase de grupos. Todo cuidado será pouco e nem os maiores favoritos poderão jogar sossegados, pois um gol aqui ou ali poderá mudar tudo de um instante para o outro.

Estranhei quando ouvi em mais de uma emissora que após a derrota de hoje – 2 a 0 para a Espanha – a equipe de Honduras já estava desclassificada no Grupo H. Ora, matematicamente os hondurenhos ainda têm chances. Vejamos em que situações eles podem se classificar:

1 – Honduras vence a Suíça por três gols de diferença e o Chile derrota a Espanha por dois gols de vantagem. Honduras, Espanha e Suíça empatariam com três pontos ganhos, mas os hondurenhos seriam os únicos a não ter saldo negativo.
2 – Honduras vence a Suíça por dois gols de diferença e o Chile passa pela Espanha com três gols de vantagem. Mesmo com um gol de saldo negativo, Honduras ficaria à frente de Espanha e Suíça, com déficit de dois gols.
3 – Honduras vence a Suíça por três gols de diferença e a Espanha também vence o Chile por três gols de vantagem. Neste caso quem ficaria fora seria o Chile.

Por outro lado, se a Suíça vencer Honduras, que é o resultado mais lógico, a Espanha precisará vencer o Chile, pois com o empate só chegaria a quatro pontos, dois a menos do que a Suíça e três a menos do que o Chile.

França ainda pode conseguir o milagre

Poucos países estão vivendo um inferno astral tão grande nesta Copa como a França, que empatou com o Uruguai (0 a 0) e perdeu do México (2 a 0) no Grupo A. Porém, se juntar os cacos e conseguir uma goleada histórica sobre a África do Sul, os franceses ainda poderão seguir em frente. Vejamos.

1 – Se a França vencer a África do Sul por cinco gols de diferença, o único resultado da partida entre México e Uruguai que a tiraria da Copa seria o empate. E não interessaria a México e Uruguai fazerem um jogo de compadres para empatar, pois o segundo colocado do grupo pegará provavelmente a Argentina (virtual líder do Grupo B) nas oitavas-de-final.
2 – Por outro lado, se for a África do Sul quem golear a França por no mínimo cinco gols de diferença, o time de Parreira se classificará desde que haja um vencedor entre México e Uruguai.

Como a Argentina seria desclassificada

1 – Mesmo com duas vitórias, a Argentina não pode jogar tão despreocupada contra a Grécia, em seu terceiro e último jogo no Grupo B. Se for derrotada por três gols ou mais de diferença, será desclassificada se na outra partida a Coreia do Sul vencer a Nigéria por quatro gols ou mais. Na verdade, os gregos terão mesmo de lutar pela vitória, pois se empatarem com a Argentina só conseguirão o segundo lugar do grupo se a Coreia do Sul perder para a Nigéria.

Eu já tinha escrito que a Nigéria estava desclassificada, quando o leitor Guilherme Costa me alertou que não está não. Ao contrário. Tem muita chance de se classificar. Para isso, precisa vencer a Coreia do Sul e torcer para a Argentina ganhar da Grécia. Interessante que mesmo um time com duas derrotas pode conseguir a vaga vencendo uma única vez, enquanto outros com duas vitórias ainda podem cair fora…

Costa do Marfim, missão quase impossível

Com a goleada de 7 a 0 sobre a Coreia do Norte, hoje, Portugal só não ficará com uma das vagas do Grupo G se perder para o Brasil, Costa do Marfim golear a Coréia do Norte e a soma dos dois jogos der uma diferença de dez gols. Por exemplo: o Brasil venceria Portugal por dois gols de vantagem e os marfinenses imporiam uma goleada de oito gols sobre os norte-coreanos. Isso daria um gol de saldo a mais para a Costa do Marfim (há também a possibilidade de que a soma das diferenças seja nove, mas desde que os perdedores façam gols. Neste caso, Portugal e Costa do marfim ficariam empatados no saldo, mas o número de gols marcados seria favorável aos africanos).

Itália: empate não basta

Já ouvi por aí que a Itália só precisa de mais um empate para se classificar no Grupo F (como em 1982). Mas não é bem assim. Caso empate com a Eslováquia, na última partida, e a Nova Zelândia ganhe do Paraguai, a Nova Zelândia seria a líder do grupo, com cinco pontos, e o Paraguai ficaria em segundo, com quatro.

Uma coisa muito curiosa neste grupo é que se Itália e Nova Zelândia vencerem seus jogos por placares idênticos, será preciso um sorteio para definir o primeiro e o segundo lugar do grupo, já que ficarão empatados em todos os critérios, até mesmo no confronto direto.

Por outro lado, se a Itália vencer a Eslováquia por dois gols de diferença e o Paraguai empatar com a Nova Zelândia, os italianos terminarão em primeiro do grupo desde que marquem dois gols a mais do que os paraguaios (Exemplo: Itália vence por 2 a 0 e Paraguai empata em 0 a 0. O saldo de ambos será de dois gols, mas a Itália terá marcado quatro vezes nos três jogos, uma vez mais que o Paraguai).

Empate pode eliminar Alemanha

A Alemanha, quem diria, que estreou tão bem, goleando a Austrália por 4 a 0, pode ficar de fora da Copa se ao menos empatar com Gana. O empate levaria os alemães a quatro pontos, um a menos do que a seleção africana. E se na outra partida a Sérvia bater a Austrália, então os sérvios iriam a seis pontos e liderariam o grupo.

O curioso é que a Austrália poderá se classificar com uma vitória mínima sobre a Sérvia, desde que na outra partida do Grupo D Gana vença a Alemanha. Mesmo com saldo negativo de três gols, os australianos teriam quatro pontos, um a mais do que alemães e sérvios.

No Grupo C, até a Argélia depende só dela

No Grupo C, como já expliquei em outro post, todos os times se classificam com vitórias. A única diferença é que a Argélia se garante com um triunfo de dois gols de diferença sobre os Estados Unidos. Se os argelinos venceram por apenas um gol, terão de torcer para a Inglaterra perder da Eslovênia.

Quanto aos Estados Unidos, talvez não baste empatar com a Argélia, pois se der este resultado o time será eliminado se a Inglaterra vencer a Eslovênia. Mas se vencer a Argélia pela mesma diferença que a Inglaterra bater a Eslovênia, os norte-americanos serão os primeiros do grupo (na verdade, com exceção da Argélia, as outras três equipes podem alcançar a liderança).

Para finalizar, o Grupo E é o menos complicado. Holanda, já classificada, enfrenta Camarões, eliminado. No outro jogo, Japão e Dinamarca decidem a outra vaga, com a vantagem do empate para os japoneses. A única surpresa que poderia acontecer é a Holanda ser derrotada por Camarões e acabar perdendo as liderança do grupo para Japão ou Dinamarca no saldo de gols.

E você, já fez as suas contas? Acha que teremos surpresas nessa reta final da fase de grupos?


Quem está decepcionando na Copa?

Há muito jornalista que se diz decepcionado com algumas seleções na Copa. Dizem que esperam mais delas, pois eram favoritas. Aí eu pergunto: favoritas para quem? Duvido que, somadas todas as propriedades que compõem um favorito, seria possível afirmar que Espanha e Inglaterra eram duas das equipes com mais probabilidades de conquistar o título.

A primeira jamais chegou sequer a uma final e a segunda só decidiu um título, em casa, em um evento com muitas irregularidades e arbitragens suspeitíssimas, todas favoráveis à Inglaterra, que acabou campeã.

O futebol inglês tradicionalmente é feio, sem dribles ou lances de feito. De seus atacantes o máximo que se pode esperar são fortes chutes de fora da área e boas cabeçadas. No mais, têm menos habilidade do que qualquer atacante brasileiro, mesmo de times menores.

Quanto à Espanha, é uma eterna perdedora em Copas. Está certo que também é das seleções que mais foram prejudicadas por arbitragens na competição. Em 1962, como já provei neste blog, foi roubada contra o Brasil, e em 2002 sofreu um assalto à mão armada contra a Coréia do Sul. Mesmo assim, considera-la favorita é, no mínimo, atirar no escuro.

Acho que tem muita gente confundindo a força de alguns campeonatos regionais com o poder da seleção destes países. Inglaterra e Espanha certamente têm, ao lado de Itália e Alemanha, as melhores competições internas, mas não conseguem traduzir esse prestígio na Copa. Por que? Ora, porque os melhores jogadores de seus times são estrangeiros, que debandam durante o Mundial e vão reforçar as suas seleções.

Ordem do futebol é mutável

Outro comentário que li outro dia e que também me desconcertou é de que o jornalista torceria para que duas seleções tradicionais se classificassem, pois, perguntava ele, que graça teria se outras duas, menos conceituadas, passassem para as oitavas?

Ora, numa competição limpa, em que as regras não são burladas, que vença o melhor – e isso inclui defender-se bem e atacar com eficiência. O futebol mundial não tem reserva de mercado. Pode parecer que não, mas a todo momento há o futebol de um país em ascensão e de outro em queda.

Quem acompanha ou estuda o futebol há pouco tempo tende a ter uma visão imediatista, vê só os que estão bem no momento, mas a história das Copas deixa claro que nenhuma nação tem lugar cativo entre as maiores praticantes do futebol. Se bobear, cai mesmo. Por outro lado, toda nação que ama praticar este esporte, deve continuar acreditando, pois sua hora pode chegar.

A hora chegou para a Holanda em 1974, por exemplo. Até ali, sabe que os holandeses tinham feito nas sete Copas anteriores? Nada. No máximo tinham conseguido um décimo-primeiro lugar em 1938, na Copa da França. Eram o chamado zero à esquerda, enquanto o Brasil acabara de conquistar o tricampeonato no México.

Quando lhe perguntaram se conhecia a Holanda, Mário Zagallo, com a empáfia de sempre, respondeu que eles é que deveriam conhecer o Brasil. Bem, na Copa a gente sabe o que deu. A Laranja Mecânica botou os sul-americanos pra dançar e só não foi campeã porque pegou a Alemanha de Beckenbauer na final.

De lá pra cá a Holanda repetiu o vice em 1978, chegou em quarto em 1998 e foi a sétima colocada em 1994. Enfim, firmou presença entre os melhores (apesar de não ter se classificado para o Mundial de 2002 e ter ficado apenas em décimo-primeiro em 2006).

Mas dá para garantir que a Holanda, um país de apenas 16,8 milhões de habitantes, figurará eternamente entre os grandes de uma Copa? Não, positivamente não dá. Um bom time se faz de tradição e infraestrutura, mas também há o imponderável. Não há fórmula para se formar uma geração de craques, como a da Holanda de 1974/78. Estes heróis aparecem de vez em quando por algum canto da Terra, e nem sempre onde são mais prováveis.

Quem se lembra de Hungria e Tchecoslováquia?

Hoje a Seleção da Hungria seria considerada carta fora do baralho pelos experts que acompanham o evento na África do Sul, mas é interessante3 lembrar que nas primeiras cinco Copas disputadas, os húngaros foram vice-campeões em duas delas (1938 e 1954). Em 1966 ainda eram fortes, tanto que contribuíram para a eliminação do Brasil na Copa da Inglaterra, ao vencer o time dirigido por Vicente Feola por 3 a 1.

Outra equipe que perdeu a força com o tempo foi a Tchecoslováquia, hoje dividida em República Tcheca e Eslováquia. Vice-campeões em 1934 e 1962, os tchecos eram presença constante entre os mais bem-classificados dos Mundiais. Tanto, que a estréia do Brasil na Copa do México, contra os tchecos, foi cercada de muito nervosismo, que aumentou quando Petras inaugurou o marcador (depois, como sabemos, o Brasil virou para 4 a 1).

Japão, Estados Unidos, México, Coréia do Sul, Gana e outros emergentes

Nada impede que, a exemplo da Holanda, outros países passem a ter seleções fortes e competitivas. O potencial de Japão, México e Estados Unidos é enorme. São nações nas quais o futebol é, ou está ficando muito popular (17 milhões de norte-americanos, a população da Holanda, assistiram à estréia dos Estados Unidos na Copa).

A liga do México é a mais organizada e a que melhor paga na América e o Japão tem tudo para se firmar como o grande centro do futebol asiático. Até rivalidade não faltará, pois as duas Coreias têm evoluído a cada competição e a China, esperem, logo também será competitiva.

Quanto à África, bem, a África é um universo. É muito limitado imaginar que países imensos, de povos cheios de ginga, alegria e malícia, cujas crianças e jovens adoram o futebol, permanecerão para sempre como coadjuvantes no grande espetáculo da Terra.

O futebol está em constante mutação – este é o olhar que se deve ter sobre a Copa do Mundo. Qualquer outra tentativa de classificação peca por desconhecer o passado e desprezar o futuro.


Por enquanto, a Alemanha é o melhor time. E hoje tem Itália e Paraguai com cheiro de zebra no ar

Confira a luta do Paraguai contra a França nas oitavas-de-final de 1998 (os franceses só venceram com o “gol de ouro”)

Tudo bem, a Austrália está para o futebol assim como o Brasil está para o rugby, mas mesmo assim a vitória de 4 a 0, o preciso toque de bola e as muitas oportunidades de gols fizeram da Alemanha o melhor time da Copa até aqui. O segundo melhor que eu vi foi a Coreia do Sul, depois Gana e Inglaterra, França e África do Sul. Quanto à Argentina, pode ter um bom elenco, mas não é um time.

Aliás, não é à toa que o futebol é chamado de “association”. É um esporte coletivo, que necessita harmonia e equilíbrio entre os seotres de uma equipe. E além de Messi, o que mais a Argentina mostrou em sua magérrima vitória sobre a Nigéria? Uma defesa errática e insegura, um meio-campo e um ataque desencontrados. Se continuar jogando assim, perderá da Coréia do Sul, empatará com a Grécia (e olhe que será preciso fazer muita força para empatar com o fraquíssimo time grego) e voltará para casa.

Como time, coeso, com uma proposta comum de jogo, talvez o Paraguai consiga se sair melhor. Sua estréia, nesta segunda-feira, às 15h30m, não poderia ser mais complicada: enfrentará a Itália, equipe quatro vezes campeã do mundo. Entretanto, se confiar em suas possibilidades, como fez com 1998, quando realizou grande partida contra a França campeã (só perdeu de 1 a 0, na prorrogação) poderá provocar a grande surpresa da Copa.

A Itália tem muita tradição, além dos quatro títulos, mas volta e meia costuma ser eliminada de uma Copa por uma equipe bem menos gabaritada: em 1962 caiu diante do Chile ainda na fase de grupos; repetiu o vexame em 1966, perdendo da Coreia do Norte, e em 2002 caiu nas oitavas diante da Coreia do Sul. Perder para o Paraguai não seria novidade.

No jogo das 8h30m não dá para não considerar a Holanda ampla favorita contra a Dinamarca. Vou torcer pelos dinamarqueses, mas sei que a tarefa será das mais ingratas. A Holanda é dos times que, desde 1974, tem merecido um título mundial no seu currículo.

Quanto a Japão e Camarões, jogo das 11 horas, bem que eu preferiria uma vitória dos japoneses, povo tão próximo de nós, paulistanos. Porém, o ambiente será totalmente favorável ao time africano e é evidente que isso deverá ter influência no resultado.

E você, o que acha que dará nos jogos de hoje? Será que o Paraguai terá forças de ao menos arrancar um empate dos campeões do mundo?


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