Clique aqui para ler minha coluna no jornal Metro: “Só os santistas salvam o Santos”

sonhadores
James Lane Allen, escritor norte-americano que viveu de 1849 a 1925 e reproduziu nos livros a cultura e os dialetos de sua terra natal, o Kentucky.

Aumentar o faturamento é o grande dilema do Santos. Um patrocínio máster depende de contatos, fatos, argumentos e propostas bem feitas, mas segue variáveis que às vezes fogem à lógica. A cota de tevê obedece às idiossincrasias da Globo, uma emissora sedenta por Ibope em um país regido pelo populismo. Sabe quando o Santos ganhará o mesmo que os queridinhos? Então, o que nos resta? Ora, nos resta o essencial: o sagrado torcedor, em forma de público no estádio e de sócio pagante.

De público no estádio temos falado nos últimos dias e, se não esgotamos o assunto, ao menos abrimos várias perspectivas de discussão. Um dirigente atento tem a obrigação de perscrutar o que sente o torcedor, e esperamos que o façam. Mas agora vamos falar de sócios, ou melhor, da possibilidade de o Santos aumentar sobremaneira o seu quadro associativo, a ponto de se tornar independente e próspero apenas com o montante arrecadado com essas contribuições.

O amigo Adriano Riesemberg, suplente do Conselho do Santos, me avisa que o clube está anunciando em seu site oficial que os sócios inadimplentes podem renegociar sua dívida. Adriano diz que é uma boa medida, mas é necessário que os sócios recebam esta mensagem por e-mail ou carta, pois nem todos acessam o portal. Lembra também que o cadastro dos sócios está muito desatualizado e por isso muitos podem ficar sem saber da promoção. Concordo e por isso estou divulgando esta informação com destaque.

Porém, perdoar os inadimplentes é uma medida apenas paliativa. Vemos as pesquisas de torcida e constatamos que o Santos deve ter, no mínimo, quatro milhões de torcedores no Brasil. Estou sendo realista. Se formos nos basear em certo clube que anuncia ter 30 milhões, então teríamos 20. Mas eles estão mentindo. A realidade é bem outra.

Agora mesmo acabei de ver a lista dos times mais votados na Timemania neste ano e o Santos está em terceiro, com 3,29%, à frente de São Paulo (3,24%), Palmeiras (3,09%), Grêmio (2,86%), Internacional (2,6%), Vasco (2,6%), Cruzeiro (2,59%) e Botafogo (2,35).

Pois é. Entra ano, sai ano e desde 2010 o Santos se reveza entre o terceiro e o quarto lugares em uma loteria que consulta milhões de brasileiros adultos, que gostam de futebol, de cerca de 70% das cidades brasileiras. Se esta enquete não é significativa, então não sei qual é.

Bem, mas voltando ao universo de torcedores do Santos, digamos que sejam quatro milhões espalhados pelo Brasil inteiro – sim, porque o Santos é um time nacional, com torcedores em todas as regiões do País, e por isso se sai tão bem em uma enquete abrangente como a Timemania, na qual supera com ampla margem as equipes mais regionais.

Sabendo-se que a questão principal relacionada às torcidas de futebol não é a quantidade, mas a capacidade de mobilização, eu afirmo, com plena convicção, que se os santistas se mobilizarem suficientemente poderão elevar o time e o clube a patamares jamais alcançados antes. O que quer dizer isso? Vamos lá…

20% de 4 milhões x 20 = 192 milhões reais/ano

Pode dizer que sou um sonhador. Gosto de sonhar. E nesse devaneio imagino que se 20% dos torcedores do Santos estivessem dispostos a pagar 20 reais por mês para serem sócios do clube, teríamos 800 mil pessoas gerando uma renda de 16 milhões mensais, ou 192 milhões de reais por ano aos cofres do Glorioso Alvinegro Praiano.

Claro que isso não representaria uma renda líquida. A logística para manter esses torcedores seria dispendiosa, pois um batalhão de funcionários teria de atuar nessa área e não poderiam faltar brindes e promoções aos sócios. Sim, porque não se pode apenas conquistar o sócio e depois abandoná-lo à própria sorte. O associado do Santos jamais poderia ter motivo para se desassociar. Pois bem. Digamos, então, que fosse preciso subtrair 20% deste valor para as despesas do departamento, ou 38,4 milhões de reais. Nesse caso, ainda sobrariam 153,6 milhões.

Com este valor por ano as dívidas seriam logo sanadas. Haveria consequências lógicas. O time teria de jogar em estádios enormes, que viveriam cheios, pois só os sócios poderiam tomá-lo inteiro. E onde há público, há o interesse de patrocinadores. Com mais dinheiro, a equipe teria astros de nível internacional e, obviamente, seria uma atração dificilmente recusada pela tevê. Estaria fechado o círculo virtuoso.

É impossível? É um sonho maluco de um cara que não desiste de seus sonhos? Não acho. Prefiro defini-lo como o único caminho para os grandes clubes brasileiros que não são bafejados pela proteção do status quo. Olhe para o lado e veja o Palmeiras, que está conseguindo com o seu plano de sócio-torcedor arrecadar o mesmo valor que poderia obter com um patrocínio máster. Perceba, ainda, que outros clubes, como Cruzeiro, Atlético, Grêmio e Internacional estão indo na mesma direção.

Mente aberta é essencial

Por que este plano parece impraticável? Por que 800 mil santistas jamais pagariam 20 reais por mês para serem sócios do clube, mesmo que recebessem benefícios em troca e tivessem a satisfação de ver seu time no topo? Não creio. Desde que sejam bem informados sobre o projeto e confiem na direção santista, dezenas, centenas de milhares de santistas estariam dispostos a participar dessa arrancada história e definitiva. Então, o que pode pegar?

O maior obstáculo que pode existir é a intenção de Modesto Roma e sua equipe de governo. Se tiverem medo de aumentar desmesuradamente o quadro associativo, a ponto de perder o controle que a cidade de Santos tem sobre o clube, então pouco ou nada farão para que este salto seja dado.

Porém, se amarem o Santos e o quiserem realmente gigante, então não permitirão que nenhuma barreira se interponha entre a atual dura realidade do clube e o que ele ainda pode vir a ser. E agindo assim, com visão e grandeza, sem preconceitos ou regionalismos, quem sabe não consigam manter-se mais tempo à frente dos destinos do clube?

Este é o Vanderlei. Alto e magro. Os pessimistas dirão que não tem corpo para pular com atacantes troncudos. Os otimistas dirão que é um novo Gylmar dos Santos Neves. Força garoto!

E pra você, o Santos pode chegar a quantos sócios?