Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Daniel Alves

Só sei de uma coisa: hoje alguém vai chorar

Amigos, hoje a Colômbia pode aprontar um Fortalezazzo diante do Brasil. Tem time pra isso, e dois jogadores de encher os olhos – o versátil Cuadrado que, por supuesto, bate uma bola redondinha – e o artilheiro James Rodríguez. Sim, pode, tem tudo para dar o passo mais largo de sua história nas Copas. Mas o Brasil ainda tem os seus trunfos…

Acha que vou falar de Neymar porque este blog é de santistas? Sim. E não. É óbvio que hoje Neymar será muito marcado e, sozinho, creio que pouco ou nada fará. O tempo dos espaços já foi. Nesse futebol corrido e pegado, o craque ainda decide, mas suas oportunidades são menores e dependem da generosidade dos companheiros.

Se Hulk, e mesmo Oscar, cismarem de resolver as coisas sozinhos, muito provavelmente as chances de gol terminarão naquele tradicional “ahhh…” de decepção. O melhor finalizador é Neymar e, por isso, como um cestinha no basquete, deverá ser dele a oportunidade da conclusão. O garoto agora também está cabeceando muito!

Mas a recíproca é verdadeira. Cercado, bloqueado, fustigado, o Menino de Ouro da Vila em muitas jogadas terá de encarnar o Pelé da Copa de 70 e chamar a marcação sobre si, para então servir aos companheiros. Artilheria é boa, mas o título é melhor.

Aprovo a volta de Paulinho, mas espero que não tenha medo de aparecer na área adversária, como fazia antes de desaprender na Europa. Gostaria de ver Maicon no lugar de Daniel Alves e acho que, por mais que não seja nenhum Vavá, Fred ainda é menos deficiente do que Jô. No mais, por que não uma chance para o inteligente Hernanes no meio?

A torcida pode até influenciar a favor do Brasil, mas depois do que vi contra o Chile, em que os brasileiros pareciam mais pressionados do que os adversários, prefiro me abster deste quesito. O certo é que o jogo será equilibrado, mais para o empate. Apostei no Brasil – assim como na Costa Rica, Bélgica e França – apenas porque torcerei por eles.

E pra você, quem chorará nesta sexta-feira?

Amigos, em primeiro lugar, peço desculpas pelo espaçamento entre os posts. Os afazeres no Museu Pelé têm tomado todo o meu tempo e encurtado minhas horas de sono. Mas prometo que o blog aos poucos voltará ao normal. Abraços!


Hoje, só o talento salva

Logo mais o Brasil poderá ser eliminado da Copa. Enfrentará um pequeno país de menos de 17 milhões de habitantes que desde 1974 está entre os melhores do futebol. Um time sólido na defesa e com um ataque rápido e eficiente, com ótimo jogo de conjunto, mas também com jogadores que, no mundo pouco exigente de hoje, podem ser chamados de craques.

Nesta hora, diante de um adversário formidável e um risco real de voltar pra casa mais cedo, caem as máscaras e mesmo os muitos que se diziam contra a Seleção de Dunga, torcerão para que o país siga em frente em busca do seu sexto título em Copas do Mundo.

Eu já estou de camisa amarela. Minha mulher teve a idéia de estender uma bandeira na janela do nosso 13º andar no jogo contra Portugal e ela continua lá, tremulando para testemunhar nosso apoio aos rapazes que, de uma forma ou outra, representam a pátria.

Nem precisam me lembrar de todas as negociatas da CBF ou da olímpica antipatia de seu presidente, o paraquedista Ricardo Teixeira. Não torço por eles, claro. Torço pelo torcedor brasileiro, que quer apenas viver mais um sonho, mais uma grande alegria para guardar e se lembrar dela sempre que puder. São esses momentos que, para muitos, dão sentido à vida.

De novo, a individualidade poderá nos salvar

Pelos conceitos do football association, esta Holanda é melhor do que o Brasil. Joga com harmonia e solidariedade. Passou pelas eliminatórias ao vencer todos os oito jogos, marcar 17 gols e só sofrer dois. Continua jogando com a mesma eficiência nesta Copa.

A grande qualidade da Holanda está no seu ataque, com Wesley Sneijder começando as jogadas, com Robben e Robin van Persie e mais à frente. Aliás, prevê-se grande duelo entre Lúcio e Robin. Hoje, entretanto, não creio que a Holanda tomará tanto a iniciativa do jogo. O técnico Bert van Marwijk sabe que o Brasil gosta de contra-atacar e deverá tomar cuidado.

Do nosso lado, penso, principalmente, em Robinho e Kaká, que poderão despedirem-se da Copa hoje sem terem jogado em Mundiais o que se esperava deles. Por isso, por esta motivação que deverão levar a campo, é que tenho esperanças de que o Brasil se supere mais uma vez contra os holandeses.

Os três jogos que a Seleção fez contra a Holanda em Copas do Mundo foram extremamente equilibrados, com exceção do primeiro, vencido até com alguma facilidade pelos holandeses, por 2 a 0, eles que precisavam apenas do empate para se classificarem para a final.

A Holanda era a inacreditável Laranja Mecânica, que vinha arrasando todos os adversários (Argentina e Uruguai, entre eles) e entrou naquela partida contra o Brasil como franco favorita. Em 1994, a esperteza de Romário e Bebeto e, principalmente, aquela cobrança de falta enviesada de Branco nos salvou. E em 1998 a salvação veio das mãos de Taffarel, após um empate de 1 a 1.

E, com exceção de 1974, nas outras duas oportunidades o Brasil era um time mais forte do que hoje. Portanto, se apenas a lógica servir como parâmetro para uma previsão para hoje, será impossível não admitir que os holandeses levam vantagem e poderão eliminar a Seleção Brasileira.

Entretanto, a alma, o talento e a rebeldia do jogador brasileiro – que luta como um leão contra a dor das derrotas – é que podem decidir o jogo mais uma vez. Como? Não sei. Provavelmente em uma cabeçada de Juan ou Lúcio, uma arrancada de Kaká ou Robinho, uma forçada de barra de Luís Fabiano, um chute de Daniel Alves, ou alguma coisa que nunca foi feita, mas acontecerá hoje, só porque os deuses do futebol querem.

REVEJA AS TRÊS VEZES QUE BRASIL E HOLANDA JOGARAM NA COPA

Em 1998, 1 a 1. Vitória só veio nos pênaltis. Ronaldo e Taffarel decidiram.

1994, 3 a 2, Romário, Bebeto e, principalmente, Branco, acabaram com o drama.

1974, 2 a 0 para a Laranja Mecânica. Eles tinham Cruijf, Neeskens e Van Hanegem.


Elano é imprescindível? Como o time deverá ficar sem ele, Ramires e Felipe Mello contra a forte Holanda?

Um gol de direita que parece feito no videogame.

Agora um gol de esquerda, também de fora da área.

Mais do que uma afirmação, este post é uma pergunta. Sim, gostaria de ouvir mais pessoas sobre este tema tão relevante no momento. Elano era até questionado como titular, mas bastou fazer dois jogos mais ou menos bons e sua falta parece preocupar a todos. Sem ele, Felipe Mello, que também se recupera de contusão, e Ramires, suspenso, como Dunga deverá armar o meio-campo da Seleção contra a Holanda?

Olha, qualquer que seja a opção do técnico, não há dúvida de que o time deverá se enfraquecer neste setor, e justo contra a melhor equipe que o Brasil enfrentará até agora. Não vejo nos substitutos a mesma capacidade dos três citados.

Felipe Mello é violento e passa mal? Sim, mas é um marcador implacável. Elano às vezes parece apagado, limitado à ala direita? Sim, mas vinha tendo participação importante nos gols brasileiros, servindo ou marcando, além de ter um excelente passe. E Ramires entrou muito bem contra o Chile. Creio até que mesmo com a recuperação de Felipe Mello ou Elano, Ramires poderia ser o titular.

Elano, na verdade, é o tipo que joga para o time. Aparece pouco, toca de primeira, não desperdiça energias. Eu também não o tinha em tão alta conta antes de rever os principais jogos do Santos nos anos de 2002, 2003 e 2004. Incrível como Elano aparecia em momentos decisivos, ora marcando gols, ou dando outros de bandeja aos companheiros.

Na final do Brasileiro de 2002, todos se lembram, foi ele quem apareceu de surpresa na pequena área para, com uma tranqüilidade maluca, tocar para dentro do gol de Doni a bola passada por Robinho, empatando o jogo e decidindo o campeonato.

Dois anos depois, em São José do Rio Preto, ele também se infiltrou para tocar, de cabeça, no cruzamento de Preto Casagrande, fazendo o segundo gol contra o Vasco, gol que seria o da vitória (pois o time carioca diminuiria depois para 2 a 1) e também do título.

Elano, com esse jeito simples de caipira do interior de São Paulo, é capaz de grandes ousadias. Pesquisando seus melhores momentos no youtube, encontrei estes gols – que divido com vocês – que mostra uma potência e precisão no chute inacreditáveis (ambos endereçados, de fora da área, ao mesmo ângulo, mas executados com pés diferentes).

Se o Brasil passar pela Holanda – no jogo mais difícil que a Seleção terá nesta Copa antes de uma provável final –, Elano deverá voltar a ser titular, mas eu não deixaria mais Ramires no banco. Mais criativo, habilidoso e com muito mais mobilidade do que Felipe Mello, Ramires também deverá voltar na semifinal.

O meio-campo ficaria, então, com Elano, Gilberto Silva e Ramires. Quanto a Daniel Alves, continua sendo uma boa opção. Teve sua maior oportunidade contra o Chile, pegou muito na bola e pouco fez. Pode entrar se Dunga precisar de um time mais ofensivo, mas não creio que o professor inicie a partida sem um meio-campo um pouco mais protegido.

E você, quem escalaria para o meio-campo da Seleção sem Elano, Felipe Mello e Ramires? E será que o Brasil passa pela Holanda?


Jogo medíocre (que falta fez o Ganso!). Agora é fazer as contas para não pegar a Espanha. Melhor: torcer para a Espanha ser eliminada

O 0 a 0 sem inspiração de Brasil e Portugal escancararam a importância de Kaká, Robinho e Elano nesta Seleção Brasileira. Sem eles, falta criatividade, ousadia, inteligência e sangue-frio ao time do Dunga. O jogo também mostrou que eu e a maioria dos brasileiros estávamos certos quando pedíamos Ganso e Neymar na Copa. O previsível e inseguro Júlio Batista, que não acerta um passe de cinco metros, não pode ser substituto de Kaká, enquanto Ganso, que deixa atacantes na cara do gol mais de uma vez na mesma partida, nem é convocado.

Mesmo assim, é claro que torcemos e queremos ver o Brasil campeão mundial pela sexta vez. Mas está difícil. Outras equipes, como a Espanha, estão jogando de maneira mais alegre e fluente, como o futebol brasileiro dos bons tempos – que nesta primeiro semestre só vimos ser praticado pelos Meninos da Vila Belmiro.

O problema é que o 0 a 0 que deu à Seleção o primeiro lugar do grupo, pode não ter evitado o temido confronto com a Espanha nas oitavas de final. Sim, porque se der a lógica nos jogos de logo mais, e a Espanha vencer o Chile, ao mesmo tempo em que a Suíça derrotar Honduras por três gols ou mais de diferença, os próximos adversários do Brasil serão os espanhóis.

O jeito, meu amigo e minha amiga, é torcer para o Chile segurar o empate com a Espanha e a Suíça vencer Honduras. Se isto acontecer, o Brasil enfrentará a Suíça nas oitavas – que, mesmo muito eficiente no jogo defensivo, não deixa de ser chocolate se comparada à indigesta paeja espanhola.

Na verdade, como eu gosto de zebras espetaculares, torcerei mesmo para que o Chile derrote a Espanha e Honduras goleie a Suíça. Assim, os adversários dos brasileiros nas oitavas seriam os heróicos e já satisfeitos hondurenhos, nuestros queridos hermanos del America Central.


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