Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Datafolha

Análise da micro pesquisa

pesquisa no largo Treze
DataOdir: eu e o flamenguista Laercio Mattos no Largo Treze

Como sabem, convoquei voluntários e nessa terça-feira, 7 de março, às 10 horas da manhã, marquei de fazermos uma pesquisa sobre torcidas de futebol na Zona Sul de São Paulo, ouvindo transeuntes adultos do sexo masculino que passassem pelo Largo Treze, em Santo Amaro, mais propriamente no calçadão da rua Capitão Tiago Luz, que dá no Largo Treze. Como oito voluntários confirmaram, imaginei que conseguiríamos ouvir no mínimo 100 torcedores, o que daria uma ideia das preferências dos habitantes adultos e masculinos da Zona Sul da cidade.

É claro que ouvir apenas 100 pessoas de um universo dos 2.252.000 habitantes que compõem a população da Zona Sul da cidade é muito pouco e, acredito, está longe de se aproximar da “pesquisa científica”. Diante de tema tão diversificado, creio que uma pesquisa fidedigna deveria consultar, no mínimo, 1% do público total. No caso da cidade de São Paulo, que tem um pouco mais de 12 milhões de habitantes, o ideal seria saber a opinião de, no mínimo, 120 mil pessoas e, no caso da Zona Sul da cidade, de 22.500.

Porém, todas as “pesquisas científicas” das quais tomamos conhecimento passam muito longe dessa margem mínima. E mesmo que não se pense em míseros 1%, mas em 0,1%, ainda precisaríamos ouvir 12 mil pessoas para ter uma ideia mais precisa da divisão de torcidas na cidade e 2.250 pessoas na Zona Sul.

Sabemos que no começo de fevereiro o Instituto Datafolha divulgou uma pesquisa de torcidas que mereceu amplo destaque de um conhecido blogueiro corintiano do UOL. Porém, abaixo do gráfico, em letras minúsculas, é possível ler que foram ouvidas apenas 1.092 pessoas. Ora, em uma cidade de mais de 12 milhões de habitantes, com nichos de torcedores espalhados por centenas, milhares de focos diferentes, consultar o correspondente ao número de pessoas de uma rua e sair alardeando o resultado em manchetes garrafais só pode ser coisa de maluco, ou de muito fanático. E não desconfiar do resultado absurdo de alguns números não é coisa de profissional sério.

Pois bem. Não sou o Datafolha, mas sou honesto e não aceito receber para fazer pesquisas. Então, às 9h50 estava lá no ponto combinado. Quase todos que disseram que iriam, não foram. O Tiago Maestre foi, mas se desencontrou. Então, 15 minutos depois que eu havia começado a enquete, surgiu o Laercio Mattos, que é flamenguista e tinha de ir embora às 11 horas, mas veio dar uma força e ganhar um exemplar do Time dos Sonhos de presente.

O plano foi só ouvir adultos masculinos, os que compõem a maior parte do público que vai ao estádio e acompanha o futebol. E também era essencial que o entrevistado morasse na Zona Sul. Também não era para ouvir gente parada, que trabalha nas lojas ou na rua. Só transeuntes. Foi o que fizemos.

As perguntas eram simples e rápidas, pois ninguém quer perder tempo com enquetes. Pensei em distribuir balas ou chocolates aos entrevistados, mas acabei não comprando as guloseimas e nem sei se daria resultado, pois muitos nem olham para você quando percebem que há uma prancheta na sua mão. Muitas respostas só consegui acompanhando a pessoa, andando ao seu lado para que não perdesse tempo.

As perguntas foram pensadas para serem respondidas em 30 segundos: nome (só o primeiro), idade, bairro em que mora, gosta de futebol, se gosta para que time torce, quantas vezes vai ao estádio. Pronto. Só com essas informações dá para se chegar a conclusões interessantes.

São Paulo lidera, Santos e Palmeiras estão empatados

Com 26,4% do total o São Paulo foi o time mais votado por homens adultos moradores da Zona Sul . Em segundo lugar, com 20,5% ficaram os que não gostam de futebol e não torcem para time algum. O Corinthians apareceu em terceiro, com 17,6%, e Santos e Palmeiras ficaram empatados em quarto, com 14,7% cada. Flamengo e Ceará ficaram com 2,9% cada um.

Santistas são mais fanáticos

Todos os santistas afirmaram que gostam de futebol e 60% deles costumam ir ao estádio ao menos uma vez por ano.

Por outro lado, nada menos do que 33% dos são-paulinos disseram que “não gostam muito” de futebol e não vão ao estádio. Porém, 44% dos que se disseram tricolores vão ao estádio e 22% costumam ir mais de cinco vezes por ano.

Dos que se declararam corintianos, nenhum costuma ir ao estádio e 16,6% disseram que não gostam muito de futebol. No caso dos palmeirenses, 20% não gostam muito de futebol e só 20% costumam ir ao estádio.

Análise dos resultados

O Brasil tem dezenas de times com um bom contingente de torcedores. O que se percebe, participando de uma enquete dessas, é que em uma cidade cosmopolita como São Paulo as variáveis são enormes. Percebam que por essa micro pesquisa o Ceará teria a mesma quantidade de torcedores que o Flamengo na Zona Sul de São Paulo, o que sabemos que não é verdade. Porém, até quantos torcedores devem ser ouvidos para que a pesquisa se torne realmente abrangente e fidedigna? Essa é a grande questão.

Creio que se usarmos a mesma metodologia, com uma dezena de voluntários em cada ponto movimentado das quatro regiões da cidade, mais o centro, teremos uma pesquisa que talvez não seja tão científica quanto outras, mas talvez seja mais honesta e menos dirigida.

Números de votos da Micro Pesquisa
São Paulo – 9 votos
Não gostam de futebol – 7 votos
Corinthians – 6 votos
Santos – 5 votos
Palmeiras – 5 votos
Ceará – 1 voto
Flamengo – 1 voto

Não gostam muito de futebol
São-paulinos – 3 votos
Corintianos – 1 voto
Palmeirenses – 1 voto

Vão ao estádio de uma a cinco vezes ao ano
Santistas – 3 votos
São-paulinos – 2 votos
Palmeirenses – 1 voto

Vão ao estádio de cinco a dez vezes ao ano
São-paulinos – 2 votos

E você, o que acha disso?

Liquidação Total dos livros em 60 dias de aniversário!

Como prometi, este blog comemorará o aniversário de 105 anos do nosso amado Santos Futebol Clube nos meses de março e abril. E nessa comemoração, para tornar a rica história santista mais acessível a todos, reduzi ainda mais os preços dos livros oferecidos na livraria do blog e ainda mantive o frete grátis e a dedicatória, claro.

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O pay-per-view já te ouviu?

Veja como o Santos se sai fora de casa e comente aqui

Depois de ótima estreia contra o Ituano, em que venceu por 3 a 0, na Vila Belmiro, o Santos/2015 sai pela primeira vez neste Campeonato Paulista. A partida, hoje, às 22 horas, deve marcar a estreia do goleiro Vanderlei. O jogo requer cuidados. O Mogi, presidido pelo craque Rivaldo, estreou com vitória sobre o XV de Piracicaba e jogará em seu campo, onde dificilmente é batido. Assista pela Band (se quiser, abaixe o som) e depois comente aqui. Hoje o blog só fecha no último freguês.

Veja como foi no ano passado:

São Bernardo 2 X 1 XV de Piracicaba, 19h30
Botafogo-SP 1 X 1 Audax, 19h30
Ituano 2 X 0 Bragantino, 17 horas
Portuguesa 2 X 1 São Bento, 17 horas
São Paulo 3 X 0 Capivariano, 19h30
Red Bull Brasil 1 X 2 Penapolense, 19h30
Marília 2 X 1 Rio Claro, 19h30
Mogi Mirim 1 X 2 Santos, 22h00

naufrago
Mais um santista falando sozinho…

Leitores do blog estão furiosos com a lista de pagamentos do pay-per-view aos clubes brasileiros. Não se conformam com o Santos estar em 13º, atrás de Botafogo e Bahia, entre outros, e de receber apenas R$ 10.469.180,00, metade do Vasco, o sétimo, que jogou a Série B, e sete milhões a menos do que o Palmeiras, que o Santos salvou da B em 2014.

O canal do pay-per-view é o Premiere, mais um filhote da Globo. Muitos santistas têm certeza de que a TV carioca está sacaneando o Santos, pois ainda não engoliu aqueles gritos de “Chupa Rede Globo, é o meu Santos campeão de novo!”, muito entoados de 2010 a 2012.

Temos de analisar a situação com calma antes de tudo. Em primeiro lugar, o estranhamento do santista tem a sua razão de ser, pois em todas as pesquisas de torcida, mesmo as mais desfavoráveis ao Santos, o alvinegro Praiano jamais tem aparecido abaixo da oitava posição na preferência dos brasileiros. Justo na hora de receber um dinheirinho, ele cai para 13º?!

Em segundo lugar, é realmente inexplicável o método de aferição da torcida praticado pelo pay-per-view. Se o assinante pode dizer para qual time torce no exato momento em que faz a assinatura, o que daria uma amostragem com 100% de acerto, por que não se aceita essa informação? Por que contratar depois os manjados Ibope e Datafolha para fazer a pesquisa ouvindo apenas uma pequena amostragem do universo total de assinantes?

Vários amigos santistas contam a mesma história, entre eles o prezadíssimo Adriano Riesemberg: ao assinar o pay-per-view, tentam dizer que são santistas, mas não são ouvidos e recebem como resposta a informação de que o procedimento é outro.

Fico sabendo que 1.825 mil domicílios foram consultados pelos tais institutos de pesquisa. Quem foi ouvido aí, levanta a mão! Ora, se ainda fossem mensurar a audiência do pay-per-view para distribuir a grana, eu ficaria quieto, pois não tenho como obter essa informação, mas se há uma pesquisa em domicílios para se saber para quem as pessoas torcem, ou qual jogo estão assistindo, então porque essa pergunta não pode ser feita pelo assinante da PQP do PPW?

Ocorre ainda que tudo indica que a maioria dos assinantes do ppw são adultos, muitos deles idosos. Pois bem. Recentemente uma pesquisa mostrou que o Santos era o quarto do País nessa faixa etária. A Timemania está aí para não nos deixar mentir: há cinco anos o Alvinegro se reveza entre a terceira e a quarta posições entre as milhões de apostas no país inteiro..

Bem, agora que todas as situações foram expostas, eu lhes adianto que não direi que houve má fé com o Santos, porque se dissesse não poderia provar. O que eu digo é que a diretoria santista, que está aceitando sem pestanejar qualquer dinheiro que venha tapar os buracos, precisa pedir para conferir com atenção a pesquisa do Ibope e da Datafolha sobre as torcidas no pay-per-view. Algo me diz que tem PP nesse W.

E pra você, a divisão do pay-per-view está certa?


Para o Datafolha, torcidas de Fluminense e Lusa têm o mesmo tamanho

Sou Cunha, portanto tenho um pé lá na terrinha e nutro alguma simpatia pela Portuguesa, mas até os torcedores mais fanáticos da Lusa estão a rir desta última pesquisa do Datafolha que coloca empatadas, no 12º lugar, as torcidas do campeão brasileiro Fluminense; do popularíssimo Bahia e dela, a humilde e batalhadora Portuguesa, as três com 1% dos torcedores do Brasil.

A divulgação da pesquisa gerou até uma resposta – muito bem educada, por sinal – do jovem e competente presidente do Bahia, Marcelo Guimarães Filho, que depois de expor fatos e argumentos irrefutáveis a respeito da grandiosidade da torcida bahiana, terminou com o parágrafo lapidar:

“O Esporte Clube Bahia espera que o Datafolha aprofunde os seus métodos de pesquisa na próxima vez em que for abordar este tema, para que o resultado não fique tão longe da realidade, o que acaba arranhando a imagem e credibilidade desta nobre instituição”.

Sim, vamos torcer, presidente, para que as próximas pesquisas tenham resultados menos absurdos, mas não estou nada otimista. Não se vê nenhuma pesquisa repetir o resultado de outra, ou ao menos ser coerente com outra. A cada uma realizada por estes institutos, grandes surpresas nos esperam.

Falta muito mais abrangência nessas pesquisas

Nesta última pesquisa a Datafolha diz ter consultado 2.588 pessoas, de 160 cidades brasileiras. Isso quer dizer que ouviu 0,001% dos habitantes do País, que moram em 2,7% das cidades brasileiras. Ou seja: das 5.565 cidades do território nacional, 5.405 não tiveram uma viva alma ouvida nessa pesquisa.

Dizem que o grande obstáculo para uma pesquisa de torcidas mais abrangente é o investimento necessário, pois para se consultar moradores de mil cidades seria necessário mais de um milhão de reais. Mas, se é para fazer de uma maneira precária, como tem sido, é melhor não fazer nada – até porque esses resultados distorcidos acabam sendo utilizados espertamente pelos clubes beneficiados.

Os que defendem essas pesquisas dizem que são “científicas” e por isso conseguem, de um microscópico estrato da população e dos municípios, traçar com perfeição o quadro geral de um país continental como o Brasil. Porém, só o fato de chegar à conclusão de que as torcidas de Fluminense e Bahia têm o mesmo tamanho dos aficionados da Portuguesa já mostra que há algo de muito errado nesse método.

Para mim, devido às particularidades do povo de cada região deste País, das características próprias de cada cidade, é impossível dar uma idéia geral das preferências do brasileiro consultando um universo tão pequeno de pessoas. Muitos fatores podem fazer com que habitantes de cidades próximas, de mesma classe social, idade e poder econômico, tenham preferências diversas.

Para melhor elucidar o que estou dizendo, lembrarei uma recente pesquisa da própria Datafolha, sobre a mesma questão das torcidas de futebol, desta vez nos bairros de São Paulo: divulgada este ano, a pesquisa mostra que no bairro de Ermelino Matarazzo, na Zona Leste da Capital, o Santos tem 11% dos torcedores (1% a mais do que o Palmeiras, 1% a menos do que o São Paulo), e em dois bairros contíguos, Penha e São Miguel, têm 7%. Ora, como explicar uma queda de 36,3% em uma região com as mesmas características de população? Ou, como explicar que haja tantos mais santistas em Ermelino Matarazzo?

Bem, cada cidade, bairro, vila ou aldeia deste País, como eu disse, tem um comportamento e uma história que nem sempre é similar ao comportamento e à história de seus vizinhos. Que fato, que situação, fez com que o número de santistas fosse maior em Ermelino Matarazzo não se sabe, mas o fato é que essa foi a constatação da pesquisa do Datafolha, que ouviu 25.534 moradores da cidade de 11.316.000 habitantes entre 5 de maio e 10 de agosto.

A importância da Timemania como pesquisa de torcidas

Em 2012 a Timemania teve, até o sábado passado, dia 15 de dezembro, 125.217.741 apostas. Cada apostador, como se sabe, marcou no volante o seu “time do coração”.

Não se sabe quantas pessoas participaram da Timemania em 2012, mas em um único teste, o de número 376, de sábado, jogaram 776 mil pessoas.

Pesquisas da Caixa Econômica Federal com relação à Mega Sena demonstram que mais de 98% dos apostadores preenchem apenas um cartão. Acredito que a porcentagem de apostadores únicos da Timemania seja a mesma, ou maior.

Há dois anos, 62,8% das 5.565 cidades brasileiras tinham casas lotéricas. Tudo indica que essa abrangência aumentou, pois o número de casas lotéricas saltou de 9.000 para 11.321 no período.

Em 2010 e 2011 a ordem dos seis times mais votados na Timemania continuou a mesma. Em 2012 houve duas mudanças – sobre as quais falarei a seguir – mas o grupo continuou o mesmo.

Dentre os argumentos de quem teima em negar a importância da Timemania como termômetro do real tamanho das torcidas nesse continental Brasil, há o de que boa parte das apostas é decidida por pela “surpresinha”, na qual o apostador deixa o computador escolher seus números. Sim, mas antes o apostador já escolheu o seu “time do coração” e isso explica porque a ordem dos clubes mais votados não tem sofrido alteração, ano após ano.

Outro argumento dos opositores é que a Timemania revela apenas o percentual de apostadores entre os idosos, pois, segundo eles, esta faixa de público é a que mais se utiliza de jogos lotéricos. Bem, esta é apenas uma meia verdade, pois, segundo a Caixa, 25,4% dos apostadores brasileiros têm 55 anos ou mais, ou seja, apenas um quarto do total.

Por outro lado, só mesmo pessoas ignorantes e preconceituosas podem considerar brasileiros com mais de 55 anos inferiores, ou afastados dos destinos das instituições. É nesta fase da vida que as pessoas são mais cultas, ponderadas, civilizadas e, geralmente, ocupam cargos mais importantes na sociedade. Para quem não sabe, a média de idade do brasileiro acaba de alcançar 74 anos e 29 dias e é entre os chamados idosos que estão os líderes e as pessoas mais relevantes deste País.

Números coerentes com a realidade do nosso futebol

O que faz com que muitos desconfiem dos resultados das pesquisas dos institutos é que, mesmo adotando, supostamente, os mesmos métodos científicos, jamais chegam a resultados similares, quase sempre apresentando discrepâncias inexplicáveis, como este empate entre as torcidas de Fluminense e Portuguesa.

Na Timemania, ao contrário, as evoluções são quase imperceptíveis e obedecem a fatores mais palpáveis, que parecem se basear na popularidade anterior de cada agremiação, mas também leva em conta a fase que o time atravessa. Você não verá, na Timemania, um time em ascensão, com títulos e ídolos, ver o seu percentual de torcedores diminuir, assim como não será surpreendido por porcentagens exageradas para equipes que andam brigando contra o ostracismo.

Revelarei, agora, o resultado do teste de sábado. Antes, porém, gostaria de checar o seu feeling, prezado leitor e prezada leitora: você acha que diante dos últimos acontecimentos, o Corinthians, segundo colocado, estaria mais perto do Flamengo, o líder, mesmo um dia antes na final do Mundial de Clubes? E quanto à briga de Santos e São Paulo pelo terceiro lugar, você acredita que com o título da Copa Sul-americana e as últimas boas exibições do Tricolor, ele superou definitivamente o Santos? E com relação a Palmeiras e Grêmio, que disputam o quinto lugar, quem será que ficou na frente no teste de sábado?

Bem, você já sabe as respostas, porque são lógicas. O Corinthians teve 43.664 apostas como o time do coração e ficou com 5,62% das apostas, apenas 0,13% abaixo do Flamengo, com 44.686 apostas. O São Paulo assumiu o terceiro posto, com 3,77%; o Santos está em quarto, com 3,60%, seguido por Grêmio, com 3,35% e Palmeiras, com 3,20%. Depois, até o décimo, seguem, pela ordem: Vasco da Gama, 3,10%; Internacional, 3,02%; Fluminense, 2,76% e Botafogo, 2,62%.

Note, porém, que o resultado de um único teste é o instantâneo do momento, que pode ser influenciado pela euforia dos vencedores e a depressão dos vencidos. Por isso, prefiro valorizar mais o resultado que mostra a posição dos times ao longo de todo o ano, ou, como define a Timemania, o “acumulado”.

Pelo retrospecto geral em 2012 só há uma mudança de posição com relação ao último teste: o Palmeiras ocupa o lugar do Grêmio na quinta posição, e o clube gaúcho cai para sexto. Não há qualquer surpresa desde que se analise o ano todo e não apenas o resultado final do Campeonato Brasileiro. Não se pode esquecer que neste ano o Palmeiras foi campeão invicto da Copa do Brasil, conquistando o seu primeiro título nacional após uma década de infortúnios.

Confira os times preferidos dos apostadores da Timemania em 2012

1º FLAMENGO 5,80% 6.624.991 votos
2º CORINTHIANS 5,60% 5.969.075
3º SAO PAULO 3,80% 4.493.437
4º SANTOS 3,60% 4.397.880
5º PALMEIRAS 3,20% 4.052.811
6º GREMIO 3,40% 3.914.036
7º VASCO DA GAMA 3,10% 3.788.776
8º INTERNACIONAL 3,00% 3.564.018
9º FLUMINENSE 2,80% 3.262.373
10º BOTAFOGO 2,60% 3.236.101
11º CRUZEIRO 2,20% 2.910.504
12º ATLETICO 2,30% 2.853.302
13º BAHIA 2,20% 2.553.664
14º FORTALEZA 1,80% 2.268.664
15º GOIAS 1,50% 1.845.687
16º VITORIA 1,50% 1.845.581
17º CORITIBA 1,20% 1.724.565
18º CEARA 1,30% 1.722.566
19º ABC 1,60% 1.663.901
20º AMERICA 2,50% 1.552.700

E você, acha que as torcidas de Fluminense e Portuguesa têm o mesmo tamanho?


Torcida do Palmeiras cai e a do Santos aumenta. Timemania acumulada deste ano traz o Santos em quarto lugar no Brasil, superando o rival

Com 647.069 apostas em 2010, o que representa 3,97% do total, o Santos acaba de ultrapassar o Palmeiras e é o quarto mais citado como o “time do coração” na Timemania. Em primeiro segue o Flamengo (1.198.744 apostas, 7.24%), seguido por Corinthians (922.753 apostas, 5,57%), São Paulo (657.953 apostas, 3,91%) e o Santos. O Palmeiras caiu para quinto, seguido de Grêmio, Vasco da Gama, Internacional, Botafogo e Cruzeiro (veja tabela completa abaixo).

Neste ano, 27.468.839 pessoas já apostaram na Timemania, que considero a pesquisa de torcidas de futebol mais fidedigna do Brasil. Como todos sabem, na cartela desta loteria há um campo no qual você indica o seu time do coração. Todos os grandes clubes do Brasil participam da Timemania (os 40 participantes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro, entre outros). Portanto, o torcedor sempre encontra o seu time na cartela e pode anota-lo.

A Timemania a pesquisa mais democrática já feita sobre torcidas no Brasil, pois em cada canto do território nacional há uma casa lotérica. Todos os nichos de torcedores são contemplados.

Também é a mais representativa, pois nela apostam milhões de pessoas, ao contrário de pesquisas da Datafolha, do Ibope e da revista Placar, que já chegaram a ouvir menos de mil pessoas.

Em 2004 o Ibope ouviu 7.300 pessoas. Em 2008 o Instituto Datafolha resolveu consultar crianças de 4 a 12 anos sobre suas preferências clubísticas. Quantas foram consultadas? Apenas 852!

Em 2008 a TNS Sports ouviu 3.503 pessoas, e ninguém do interior do Rio Grande do Sul. Em 2009 e 2010 o Datafolha consultou 11.258 pessoas em cada uma das duas enquetes.

Portanto, se só em 2010 a Timemania teve 27,4 milhões de apostas, deduz-se que mesmo que haja um grande número de apostadores repetidos, ainda assim milhões de pessoas diferentes assinalaram o seu time do coração. Calculemos friamente…

Mesmo que 60% do total de apostas da Timemania este ano tenham sido feitas por apostadores repetidos, ainda assim restariam 40%, ou 10.960.000 apostadores diferentes. Ou seja, na melhor das hipótetes, nenhuma enquete das outras citadas (Ibope, DataFolha, TNS Sports) consultou mais do que 0,1% das pessoas que apostaram na Timemania neste primeiro semestre.

Assim, considero os números da Timemania incontestáveis para definir o volume de torcedores de cada time no País. Se muitíssimo mais pessoas são ouvidas e de um número infinitamente maior de lugares do Brasil, não há como, racionalmente, considerar as pesquisas de Ibope, Datafolha e TNS – todas contraditórias, diga-se de passagem – mais eficientes do que a da Timemania.

Argumentos pró e contra

Torcedores de clubes que têm caído na preferência popular costumam se apegar a pesquisas ultrapassadas, que apontam seus times entre os preferidos. É normal e compreensível esta paixão do torcedor, pois para muitos deles o único orgulho que lhes restou foi o de torcer para um time considerado “de massa”.

Não tenho a pretensão de ser o dono da verdade. Por isso, me apoio em números, e em milhões deles, que representam o universo de apostadores da Timemania. Porém, já conhecendo os argumentos contrários, tomo a liberdade de discuti-los.

Recentemente, torcedores do Vasco invadiram este blog contra a informação – baseada na Timemania – de que a torcida do Santos já era maior do que a vascaína. Ouvi, pacientemente, todas as críticas e liberei quase todos os comentários.

A queixa mais freqüente era de que a Timemania não poderia valer porque muitos dos torcedores nunca apostaram nela. Ora, mas milhões apostaram – no mínimo 10,9 milhões só neste ano, como vimos. E quantas pessoas que você conhece foram consultadas pela Datafolha ou o Ibope sobre sua preferência no futebol?

Outra crítica é a de que você pode apontar um time do coração mesmo que não seja o seu. Bem, se os times recebem dividendos de acordo com o seu percentual de apostas, por que um torcedor daria milho ao bode do adversário? Dá pra acreditar que um torcedor do Vasco ou do Palmeiras assinalariam Flamengo ou Corinthians como o seu time do coração?

Mas, alguns insistem, pode acontecer de times menores, de nomes curiosos, receberem apostas de torcedores de times grandes. Concordo com esse argumento. Mas assim como o vascaíno pode votar no Roraima, por exemplo, o santista, o botafoguense e o corintiano também podem, o que anula a questão dos “votos aleatórios”.

Por último, li que muitos que apostam na Timemania não são fanáticos e colocam como “do coração” o time que está mais em evidência na mídia. Ora, mas este também não é o motivo que faz as pessoas ouvidas pelo Ibope e Datafolha se definirem por uma equipe?

O que faz alguém dizer que torce por um time e qual o nível desse envolvimento? É torcedor de tevê, de ouvir falar, de nem saber quem joga no time, ou de ir ao estádio, comprar camisa oficial e filiar-se ao clube? Essa qualificação do torcedor ainda não foi realizada por nenhum instituto de pesquisa.

O que se tem até agora é a pesquisa por números absolutos, colocando no mesmo nível o torcedor fanático e o apenas simpatizante. Por este critério de torcida, quem assinala na cartela da Timemania que o seu time do coração é este ou aquele já faz o suficiente para qualificar-se como torcedor, pois é baseado nesse mesmo critério que foram feitas as enquetes dos institutos citados (com a exceção, já citada, dos que arriscam apostar em times menores e pouco conhecidos).

Vitórias, títulos, visualização e imagem – isto é que faz uma torcida crescer

Há quem acredite na inércia das torcidas, como se o volume de torcedores não mudasse apesar dos resultados do time. Isto é falso. As massas de torcedores estão em constante mutação, para cima ou para baixo. A cada dia milhares de brasileiros decidem para qual time torcerão e os critérios mais relevantes a serem levados em conta são a fase da equipe, suas vitórias e títulos, além de sua visualização e imagem.

Como os “Menudos do Morumbi” em 1992 e 93, que catapultaram o São Paulo de quarta torcida de São Paulo para a terceira do Brasil, os “Meninos da Vila” fizeram mais pela imagem de um clube neste primeiro semestre do que muitos títulos fizeram para outros em épocas mais obscuras, de futebol mais feio e de muito menos espaço para o futebol na mídia.

O ano da Copa, o anseio do torcedor por um futebol mais bonito e ofensivo – que, diga-se de passagem, já se julgava morto – e a combinação de alegria, talento, juventude e sucesso somaram-se para fazer do Santos o grande fenômeno do futebol neste primeiro semestre, tornando-se, para a imprensa internacional, a versão sul-americana do Barcelona de Messi.

Em outros tempos esta mudança na quantidade de torcedores de uma equipe poderia ser mais lenta, menos perceptível, mas hoje vários fatores se unem para multiplicar este efeito: o primeiro, como já foi dito, é a mídia, maior e mais qualificada, dedicada ao futebol.

Um outro, que não pode ser esquecido, é que a população brasileira. Entre os censos de 1940 e 2000 ela cresceu quatro vezes. E a cada ano o ritmo de crescimento populacional aumenta. Só por este fator chega-se facilmente à conclusão de que torcidas brasileiras podem aumentar ou diminuir em uma velocidade no mínimo quatro vezes maior do que nos tempos em que a Rádio Nacional do Rio impunha o jeito e os times cariocas para todo o País (de onde vem a herança de tantos vascaínos e flamenguistas no Norte e no Nordeste).

Somando-se a tudo isso há o poder avassalador da mídia, hoje acrescida de tevês por assinatura e a irressitível Internet, que eterniza gols e jogadas pelo Youtube. A exposição do Santos foi tão grande que em dois meses o Brasil não só conheceu Ganso e Neymar, como se mobilizou em uma campanha para leva-los à Copa do Mundo. O Brasil passou a amar os Meninos da Vila, sem dúvida. Quem já tinha o seu time, não deve ter mudado, mas quem ainda estava escolhendo, certamente acabou se decidindo…

Outro detalhe que explica a rápida mudança da massa de torcedores é comportamental. No auge do patriarcado, a “paixão” por um time passava de pai para filho, mas agora a coisa mudou. Cada criança e adolescente, quando chega a hora de se decidir por uma equipe, prefere, geralmente, a mais vitoriosa, a que tem melhor imagem, a que aparece mais na mídia de forma positiva.

Assim como no supermercado, não há mais fidelidade a marcas. Times que apostam apenas na tradição para se manterem entre os mais populares, perderão terreno. Isso fica claro nos números da Timemania, que lhes passo a seguir, diretos da Caixa Econômica Federal (http://www1.caixa.gov.br/loterias/loterias/timemania/colocacao_acumulado_2010.asp)

Colocação dos Times – Acumulado 2010
Confira a colocação do seu time no acumulado da Timemania no ano de 2010.

Time UF Nº de apostas Percentual
1º FLAMENGO RJ 1.198.744 7,24%
2º CORINTHIANS SP 922.753 5,57%
3º SAO PAULO SP 657.069 3,97%
4º SANTOS SP 647.953 3,91%
5º PALMEIRAS SP 646.906 3,91%
6º GREMIO RS 641.264 3,87%
7º VASCO DA GAMA RJ 563.720 3,40%
8º INTERNACIONAL RS 543.619 3,28%
9º BOTAFOGO RJ 487.831 2,94%
10º CRUZEIRO MG 466.231 2,81%
11º FLUMINENSE RJ 414.077 2,50%
12º ATLETICO MG 399.829 2,41%
13º BAHIA BA 365.027 2,20%
14º FORTALEZA CE 289.916 1,75%
15º VITORIA BA 261.961 1,58%
16º GOIAS GO 253.796 1,53%
17º CEARA CE 232.107 1,40%
18º ABC RN 207.912 1,26%
19º ATLETICO PR 198.984 1,20%
20º CORITIBA PR 192.346 1,16%
21º SANTA CRUZ PE 186.659 1,13%
22º SPORT PE 185.712 1,12%
23º AVAI SC 185.421 1,12%
24º JUVENTUDE RS 179.626 1,08%
25º TREZE PB 166.610 1,01%
26º GUARANI SP 166.532 1,01%
27º LONDRINA PR 152.144 0,92%
28º JOINVILLE SC 148.115 0,89%
29º PORT DESPORT SP 147.104 0,89%
30º REMO PA 146.459 0,88%
31º NAUTICO PE 144.803 0,87%
32º ATLETICO GO 140.480 0,85%
33º PONTE PRETA SP 138.914 0,84%
34º UBERLANDIA MG 138.658 0,84%
35º IPATINGA MG 138.071 0,83%
36º GAMA DF 137.846 0,83%
37º BOTAFOGO PB 133.982 0,81%
38º ITUANO SP 133.204 0,80%
39º BANGU RJ 127.335 0,77%
40º PAYSANDU PA 126.564 0,76%
41º AMERICA RJ 124.654 0,75%
42º MARILIA SP 123.339 0,74%
43º INTER LIMEIRA SP 121.476 0,73%
44º AMERICA MG 121.251 0,73%
45º JI-PARANA RO 121.229 0,73%
46º MIXTO MT 120.739 0,73%
47º SANTO ANDRE SP 120.151 0,73%
48º RIVER PI 119.252 0,72%
49º FIGUEIRENSE SC 118.583 0,72%
50º JUVENTUS SP 114.859 0,69%
51º MOTO CLUBE MA 112.483 0,68%
52º VILA NOVA GO 112.339 0,68%
53º SAO CAETANO SP 110.806 0,67%
54º PALMAS TO 109.701 0,66%
55º PARANA PR 107.763 0,65%
56º AMERICA RN 107.079 0,63%
57º SERGIPE SE 105.331 0,64%
58º BRASILIENSE DF 101.969 0,62%
59º OLARIA RJ 101.520 0,61%
60º BARUERI SP 100.989 0,61%
61º CRICIUMA SC 100.440 0,61%
62º S RAIMUNDO AM 99.607 0,60%
63º CRB AL 96.584 0,58%
64º BRAGANTINO SP 96.540 0,58%
65º SAMP CORREA MA 93.232 0,56%
66º YPIRANGA AP 92.103 0,56%
67º NACIONAL AM 91.710 0,55%
68º OPERARIO MS 88.390 0,53%
69º AMERICANO RJ 87.995 0,53%
70º CSA AL 86.690 0,52%
71º RIO BRANCO ES 85.489 0,52%
72º TUNA LUSO PA 81.370 0,49%
73º RORAIMA RR 76.280 0,46%
74º RIO BRANCO AC 76.161 0,46%
75º XV PIRACICABA RR 75.887 0,46%
76º PAULISTA SP 75.395 0,46%
77º DESPORTIVA ES 72.541 0,44%
78º UNIAO S JOAO SP 68.742 0,41%
79º VILLA NOVA MG 64.878 0,39%
80º U BARBARENSE SP 64.204 0,39%

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