Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Deuses do futebol

Os deuses do futebol devem estar putos

ratos

Os povos antigos achavam que os grandes infortúnios vividos por um povo eram consequência da ira dos deuses. Pois bem. O pedido de licença de um ano do presidente Luis Álvaro, a contusão do vice Odílio Rodrigues, a contratação de Zinho como gerente de futebol e a chegada anunciada do veterano Renato Abreu nos leva a crer que os deuses do futebol estão muito contrariados com o Santos.

Sem comando, sem qualquer planejamento e apelando para fórmulas gastas que já se revelaram altamente prejudiciais em outros clubes, o Santos é uma nau à deriva – e isso apenas um ano depois de ser considerado o melhor time do País. Quais as causas de uma mudança tão brusca?

Bem, o tal comitê gestor não tinha nada de incluir jogos contra o Barcelona na nebulosa venda de Neymar e o presidente santista jamais deveria transformar um importante confronto contra o melhor time do mundo, a ser transmitido para 40 países, em uma luxuosa viagem turística para a família. Isso certamente mexeu com os nervos dos deuses.

Depois a direção do clube permitiu que um jogador do elenco trouxesse patrocínio para o clube, em uma ação amadora e antiética. Como se pode pedir isenção do técnico se o seu salário é pago pelo dinheiro que seu zagueiro conseguiu? E como esse pobre técnico interino poderá escalar o time livremente, se o jogador com mais títulos depois da era Pelé decide que não jogará mais como lateral e quer disputar posição com a garotada no meio de campo?

Outra coisa que deve ter tirado muito deus do sério é a gradual ingratidão do técnico com os Meninos da Vila que são os responsáveis por sua carreira. Ninguém quer que se coloque em campo, nesse difícil Campeonato Brasileiro, um time só de Meninos. Mas entre um veterano decadente e um Menino em fase de amadurecimento, que se dê oportunidade ao mais jovem e promissor.

Um time com maioria de Meninos vai perder? Ora, que perca primeiro antes de os garotos serem encostados. O que não dá para entender é marginalizá-los depois de terem conseguido a última vitória do Santos, e fora de casa, sobre o Crac.

E quem, diante de tantas opções entre os lendários craques do passado de ouro do Santos, pode explicar a contratação de Zinho? O presidentezinho? O técnicozinho? Ou o próprio gerentezinho? Ou ainda o torcedorzinho, que não deve ficar de fora desse castigo dos céus. Como o time pode se reerguer com públicos tão diminutos que fariam vergonha ao Juventude, ao Chapecoense ou ao Criciúma?

Sim, há motivos mais do que suficientes para um castigo divino. Torçamos para que este castigo não inclua, pela primeira vez na vida do Glorioso Alvinegro Praiano, a disputa de uma segunda divisão.

Para quem quiser, minha coluna de sexta-feira no jornal Metro de Santos:
http://jornalmetro.com.br/nacional/esporte/pensao-da-dona-georgina-10865

E pra você, que mais o Santos tem feito pra merecer castigo?


Que os deuses do futebol protejam os Meninos. E os velhinhos também…

capa - neymar- messibarca-san
O jogo ainda nem começou e eles já posam com o troféu. Que ousadia, que desrespeito pelo adversário – desrespeito, aliás, que é compartilhado pela Globo e o Sportv, que anunciam o jogo sem citar o nome do Santos. Tudo bem, o futebol é cíclico. A hora deles chegará!

Sei que muitos que se dizem santistas vão torcer contra para depois cairem de pau nessa diretoria, no técnico Claudinei Oliveira ou nos jogadores veteranos que hoje meio que escalam o time, como Edu Dracena e Léo. Mas qualquer equipe do Santos, com quaisquer jogadores, qualquer técnico e diretoria que entrem em campo, eu torço a favor, e muiiito. Os jogadores, principalmente os Meninos, não têm nada a ver com a aguda incompetência dos dirigentes do clube e não merecem passar o vexame que se avizinha. Que ao menos vejamos hoje um time que lute, coisa que aquele da final do Mundial não fez.

Se Neymar, em um discurso ensaiado que não engana ninguém, diz que seu sonho de infância era jogar no Barcelona, há um sonho bem maior em jogo hoje às 16h30m (horário do Brasil), que é o de ver novamente o Alvinegro Praiano no lugar para o qual ele nasceu, que é o de reinar no mundo do futebol.

No momento este nosso sonho parece distante, e talvez pareça muito mais depois do jogo dessa tarde, que reúne um dos melhores times do mundo contra um Santos combalido, inseguro, convalescente de um período de gastança e mau planejamento. Porém, se houver uma felicíssima surpresa, não será a primeira vez que os deuses do futebol se apiedam do Alvinegro Praiano e mexem seus divinos pauzinhos para que seu orgulho sobreviva.

Sim, o único objetivo desse jogo pessimamente agendado por essa diretoria deslumbrada com a possibilidade de dirigir o Santos e, mais do que isso, “administrar” o imenso capital que o clube faz girar, o único objetivo dessa partida é manter o orgulho do santista vivo.

Em 1998 a arbitragem não deu um gol de Claudiomiro a dois minutos para o final (ele cabeceou e a bola entrou, mas o gol não foi anotado). A partida terminou empatada e o time catalão levou o trofêu na disputa de pênaltis. Veja:

E você, o que espera de Barcelona x Santos?


Tudo sobre o encontro desta manhã entre o Senhor e os deuses do futebol

Na manhã desta sexta-feira, no imaculado refeitório dos deuses, ecoou um aviso celestial com a voz feminina mais bonita que você jamais ouvirá:

“Após o café, os senhores Técnica, Disciplina, Talento e Arte estão sendo esperados no gabinete do Mestre!”.

E depois de seus sucos de laranja, cafés com leite, croissants, pães com manteiga na chapa e brioches, os quatro deuses do futebol, os mais alegres e eternamente jovens do Céu, dirigiram-se à Sala Branca, onde o Todo-Poderoso os aguardava.

“Senhores”, iniciou Deus, “gostaria que me explicassem essas diabruras no futebol brasileiro. Não me venham culpar o acaso, por favor. São Jorge e São Paulo estão preocupados e já fizeram uma reclamação formal contra os senhores”.

Os deuses entreolharam-se e, incapazes de mentir, explicaram.

“Tivemos de intervir para reparar uma injustiça, Senhor”, iniciou Técnica.

“Sim? Qual é ela”, inquiriu Deus.

“Muitos de nossos escolhidos, pessoas simples, que não podem pagar por tevê por assinatura, estão sendo impedidos de acompanhar os jogos do Time dos Céus, pois a rede de tevê do Brasil transmite partidas de todos os outros times, menos os dele”, respondeu Disciplina.

“Essa tevê dos demônios prefere jogos da Copa do Brasil, uma competição nacional secundária, aos confrontos da Libertadores da América, o maior campeonato do continente. E quando passa os da Libertadores, esquece o nosso time”, prosseguiu Talento.

“E os escolhidos pediam, em suas preces, que fizéssemos alguma coisa. Não podíamos ser omissos, Senhor. O nome da instituição estava em jogo”, completou Arte.

Deus pensou. Coçou o queixo. Lisinho, pois não usa barba. Remexeu-se na poltrona grande e macia, toda branca, e quis saber:

“Quer dizer que milhões de escolhidos estão impedidos de ver o jogo divino dos Meninos, de serem tocados por nossa mensagem de arte, beleza e amor através do futebol?”.

“Isso mesmo, Mestre”, respondeu Técnica.

“E o que os senhores fizeram?”, perguntou Deus, fazendo ares sérios.

“Bem… na quarta-feira os outros quatro times brasileiros na Libertadores perderam, Senhor, e o Santos se tornou o único representante do país do futebol nas quartas-de-final…”, balbuciou Disciplina, respeitoso.

“Perderam, perderam, ou…”, interessou-se Deus.

“Alguns perderam mesmo, outros a gente…”, subentendeu Talento.

“E ontem, na quinta, encaminhamos bem as coisas para que os verdes e rubro-negros se afundem na Copa do Brasil”, interrompeu Talento, decidido.

Antes, uma explicação do redator: vermelho é a cor que Deus detesta mesmo, sempre detestou. E começou a pegar bode do verde depois de assistir Exorcista…

“Sei, sei…”, fez o Senhor, escondendo um sorrisinho maroto. “Agora entendo porque o gordinho, ou melhor, o São Paulo, está tão inquieto. Disse foi muito estranha a forma como a bola não entrou no gol do Avaí no primeiro jogo e teme o que possa acontecer em Florianópolis”.

Os quatro deuses colocaram as mãos nas bocas para esconder o riso, enquanto batiam os ombros de contentamento. “E São Jorge, por que se queixou da gente?”, perguntou Disciplina.

“Disse, e estas foram suas palavras, que está ficando muito ‘na cara’ a proteção que vocês dão ao Time dos Céus. Depois de Pelé, Pagão, Coutinho, Edu, Robinho, Diego, agora Neymar e Ganso? Pra ele, ‘é demais’. Então, como compensação, pediu uma ajudazinha na final do Paulistão”.

“Que tipo de ajuda?”, preocupou-se Arte.

“Quer que o Time dos Céus jogue só com reservas e que o árbitro do primeiro jogo seja o Cléber Wellington Abade”, informou Deus.

“Aí tem coisa”, resmungou Talento.

“O Abade a gente dá um jeito no sorteio, mas reservas ou não é com o professor Muricy”, explicou Arte.

“Está bem. Vejam como fazem. Mas não dêem muito na vista. Estes 6 a 0 nos verdes foram demais. O que houve?”, quis saber o Senhor, bem-humorado.

“Problema na tecla, Mestre. Está repetindo o sinal. Era para ser três… Vou pedir para a manutenção consertar”, prometeu Técnica.

“Está bem, está bem…”, concordou Deus, bonachão, e recomendou antes de dar a reunião por terminada: “E depois me digam se aquela tevê começou a transmitir os meus Meninos. Não podemos desamparar os escolhidos”.

Os deuses saíram, formais, mas fora da Sala Branca abraçaram-se efusivamente. Lá no seu sofá branco, imerso em sua imensa sabedoria, o Senhor esfregou as mãos e consultou a tabela da Libertadores.

E você, também percebeu a interferência dos deuses do futebol nesses últimos resultados, ou acha que é tudo coincidência?


Os deuses do futebol fizeram plantão no Pacaembu

Por Fernando Ortega

Há muito tempo não se via uma final de campeonato tão disputada quanto a deste domingo, no Pacaembu. Os pontos corridos, fórmula do Brasileirão, premia o melhor time, mas, como bem lembra meu amigo Onofre Pinheiro, afasta a emoção de um grande mata-mata, como o de ontem!

O acolhedor Paulo Machado de Carvalho – enigmático e magnético – recebeu os dois melhores times de São Paulo de 2010: Santos e Santo André. Santos do futebol moleque e atrevido; Santo André do elenco entrosado e de futebol vistoso.

Os Meninos da Vila vestiram a faixa que tanto mereciam: a faixa de campeão! Seria imperdoável que este Santos entrasse para o rol dos times que deram espetáculo e não foram campeões. Rol formado por Hungria de 54, Holanda de 74, Brasil de 82 e do próprio Santos de 1995.

Naquele 17 de dezembro de 1995 os deuses do futebol tinham certeza de que o Santos seria campeão. Talvez, por isso, não foram ao Pacaembu naquela noite. Deu no que deu! Tristeza e revolta à torcida santista e aos admiradores do futebol arte.

Ontem, no entanto, alguns desses deuses fizeram plantão no Pacaembu. Eles estavam ao lado do Felipe nas importantes defesas que o arqueiro fez; ao lado de Edu Dracena, que se redimiu de más atuações e jogou muito no segundo tempo; junto de Arouca ao chutar para escanteio a bola que iria para o gol; e, por fim, ao pé da trave, quando a bola caprichosamente esbarrou-a e não decretou a perda do título do melhor time do futebol brasileiro da atualidade.

O Santo André valorizou por demais o título do Santos. Jogou com os brios à flor da pele. É uma pena que a equipe que foi vice-campeã paulista de 2010 sofrerá um grande desmanche. O Santo André de ontem poderia ter o mesmo brilho do Santos de hoje, eis que naquele elenco tem jogadores habilidosos e de garra.

A torcida santista que assistiu à grande final quase enfartou. Também pudera: três vezes atrás do placar, três jogadores expulsos e cada herói alvinegro tentando superar o cansaço físico e mental, que atormentavam o time tal qual a boa equipe do Santo André.

Além da falta do suspenso Wesley (como ele fez falta ontem!), nosso grande técnico falhou (em minha opinião) ao não escalar o André. O Santos jogou sem sua identidade e sua vocação: o ataque. Talvez por isso tenha permitido que o Santo André fosse tão ferozmente em busca de seus gols.

Arouca, Neymar e Paulo Henrique foram gladiadores. Seguro como sempre, Arouca evitou uma pressão ainda maior do adversário, além do possível gol que nos tiraria o título – tanto guardando a defesa quanto guardando o gol que ele salvou quase que em baixo das traves.

Os gols de Neymar mostraram o tamanho de seu talento e o futuro que o futebol reserva a este garoto. Não adianta dizerem que ele faz firulas. A firula faz parte do futebol e toda vez que ele parte com a bola dominada contra a zaga adversária, instala-se o “deus nos acuda”. Gols de craque, atuação de homem, choro de menino após o apito final!

Falar do Paulo Henrique é literalmente chover no molhado. O passe magistral no segundo gol do Santos, a armação das jogadas, a retenção da bola no ataque, a falta do meio de campo que quase encobriu o goleiro, o escanteio batido a si mesmo, a recusa a ser substituído… Enfim, foi o grande jogador da final. O melhor homem em campo, o herói de um título, o craque que um técnico teimoso inventa desculpas para não levá-lo à Copa do Mundo!

Este time de garotos que o Santos formou e que, segundo nosso presidente Luís Álvaro Oliveira Ribeiro, será mantido, redescobriu, reinventou e reescreveu o futebol. É a prova de que é possível dar espetáculo e ser campeão. É possível jogar bonito e ganhar títulos. Este time prova que a tese do ‘futebol de resultados’ é uma falácia de medíocres e daqueles que não têm coragem de tentar. Telê Santana sempre esteve certo em 1982…

O título paulista do Santos confirma tudo isso e dá muita tranqüilidade para afirmar que os deuses do futebol, esses mesmos que fizeram plantão no Pacaembu neste dia 2 de maio de 2010, certamente, após a partida, foram para a Vila Belmiro comemorar o título com os Meninos, com Dorival Júnior, a torcida Santista e aqueles que amam o futebol bem jogado!

 Fernando Ortega (advogado e jornalista) – fernandoferf@hotmail.com


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