Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Que ao menos a arbitragem seja neutra no Maracanã


Preciosidade histórica do pesquisador Wesley Miranda sobre a goleada de 7 a 1 que o Santos impôs ao Flamengo no Maracanã em 11 de março de 1961

O Flamengo quer lotar o Maracanã para o jogo deste domingo, às 16 horas, com tevê aberta, diante do Glorioso Alvinegro Praiano. A atração é o peruano Guerrero. Se o público alcançar 60 mil pessoas será quebrado o recorde deste Brasileiro, repetindo outras grandes audiências do confronto. O que não pode é a arbitragem vestir a camisa rubro-negra.

Digo isso porque o santista, com razão, põe as barbas de molho quando o time precisa enfrentar o Flamengo no Rio. Ele sabe que, na dúvida, o árbitro acompanhará o grito da torcida. Foi assim na final do Campeonato Brasileiro de 1983, dia 25 de maio daquele ano, quando Arnaldo César Coelho marcou obstrução numa jogada em que o zagueiro Marinho jogou Pita para fora do estádio. Daquele dia, aliás, vem o recorde de público do Brasileiro, de 155.523 pagantes.

Esse jogo sempre atrai muita gente. No Brasileiro de 2007, 87.716 pessoas (81.844 pagantes) viram a derrota do Santos por 1 a 0. Em 2013, no estádio Mané Garrincha, 63.502 pagantes testemunharam o empate sem gols, na despedida de Neymar. Mesmo no ano passado, o público não foi ruim: 37.204 pagantes assistiram à vitória santista por 1 a 0, gol de Robinho.

Para quem não sabe, eu lembro que o Santos já comemorou três títulos em jogos contra o Flamengo, no Maracanã: em 27 de março de 1963 tornou-se campeão do Torneio Rio-São Paulo ao bater o rubro-negro por 3 a 0, gols de Coutinho, Dorval e Pelé, diante de 45.988 pagantes; em 19 de dezembro de 1964 sagrou-se tetracampeão brasileiro depois de um empate sem gols assistido por 52.508 pessoas, e em 6 de fevereiro de 1997, com gols de Anderson Lima e Juari, conquistou seu quinto título do Rio-São Paulo ao empatar em 2 a 2 com o Flamengo de Sávio e Romário, para um público de 70.729 pessoas.

Porém, outros confrontos entre Santos e Flamengo atraíram públicos enormes, mesmo sem valer título. Um deles, jogado em 11 de março de 1961, pelo Torneio Rio-São Paulo, tem uma história que merece ser lembrada.

Vivia-se a era de ouro do futebol brasileiro e o Santos de Pelé fazia de cada partida uma exibição inesquecível. Na rodada anterior o time havia vencido o Fluminense por 3 a 1, no mesmo Maracanã, e Pelé tinha marcado o seu Gol de Placa. Aquele Flamengo contava com alguns de seus maiores ídolos, como Carlinhos, Dida, Joel, Gérson, Babá, e uma multidão de 90.218 pessoas foram ao maior estádio do mundo naquele sábado para ver o esperado duelo contra o Santos mágico de Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

Mal a partida começou, entretanto, e o árbitro paulista, Olten Ayres de Abreu, percebeu que um dos bandeirinhas estava de cochichos com o banco carioca. O homem estava se revelando o maior marcador do ataque santista, pois já tinha assinalado faltas e impedimentos inexistentes de Pelé e seus companheiros. Olten resolveu conversar com o homem:

“Fui lá e o admoestei. Ele me ofendeu, disse que era militar e que se eu o importunasse ele me pegava lá fora. Ele não sabia com quem estava lidando. Eu o expulsei de campo e disse que se fosse homem poderia me esperar lá fora”, contou-me Olten anos depois.

Sem um dos bandeirinhas, Olten teve de se virar, mas, atleta que era, conseguiu acompanhar as jogadas de perto e levar a partida até o fim sem problemas. Sem nenhuma interferência da arbitragem, o jogo seguiu seu curso normal e o Santos goleou por 7 a 1. Isso mesmo, 7 a 1!
O zagueiro Bolero, que dançou sem querer, depois contou sua amarga experiência de marcar o ataque santista:

“Eu ainda não tinha botado o pé na bola e o Santos já estava vencendo por 2 a 0. Teve um gol em que eu caí sentado com o drible que o Pelé me deu. Quando eu virei, a bola já estava na rede. O time do Santos não parava de atacar. No final, não sabia mais quem era Pelé, quem era Coutinho, na velocidade eles se pareciam. Tinha também o Dorval, que ajudava a confundir ainda mais. Só sei que eles não paravam de fazer gol”.

Guerrero, Ricardo Oliveira, ou Anderson Daronco?

A imprensa carioca está querendo transformar o Guerrero em um ídolo que ele não é. Faz gol de vez em quando – menos do que Ricardo Oliveira, o santista que lidera a artilharia do Campeonato –, mas está longe de ser um craque. De qualquer forma, o nome do jogo talvez nem seja nenhum dos dois. Pelo retrospecto dessa partida, eu não me surpreenderia se a maior atração fosse Anderson Daronco, o desconhecido árbitro escalado para comandar o espetáculo.

Árbitro Fifa da Federação Gapucha, Daronco será auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho (SP – FIFA) e Rodrigo F Henrique Correa (RJ – FIFA). Como seguidores do futebol e bons brasileiros, todos nós sabemos que em um breve apito sua senhoria e seus auxiliares podem fazer muito mais pelo Flamengo do que o Guerrero nos 90 minutos com acréscimos.

Há um interesse tão grande de que o Flamengo vença e cause alguma comoção no campeonato, que eu não me surpreenderia se o Santos fosse operado mais uma vez. Coincidentemente (?) o presidente Modesto Roma acaba de ser suspenso por 30 dias devido às suas declarações contra a arbitragem de Santos 1 x Grêmio 3, quando Geuvânio foi expulso supostamente por entrar em campo sem a autorização do árbitro.

De qualquer forma, como já preconizou o macaco velho Vanderlei Luxemburgo, há um limite até para a roubalheira. O time que quer vencer contra tudo e contra todos tem de estar disposto a marcar dois gols para valer um. Foi assim com o Santos no Brasileiro de 2004.

O técnico Dorival Junior escalou o Santos com Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, Gustavo Henrique e Zeca; Paulo Ricardo, Renato e Lucas Lima; Gabriel, Ricardo Oliveira e Geuvânio.

Há leitores do blog que sugeriram o recuo de Paulo Ricardo para a zaga, no lugar de Werley, entrando Thiago Maia no meio de campo. Acho factível. Não sei se seria a hora de experimentar essa mudança em um jogo de tanta responsabilidade, em que a falta de experiência pode pesar, mas é uma fórmula a ser testada.

O zagueiro Gustavo Henrique não foi bem na Seleção do Pan e agora volta ao ambiente que lhe é familiar. Vamos ver como se sai. No mais, acho que insistir na fórmula de três atacantes é uma ousadia que seria aplaudida em outras épocas, mas parece temerária nos tempos atuais, em que os adversários enchem o meio de campo com volantes.

O maior perigo de jogar com três atacantes e de ainda ter um meia ofensivo, como Lucas Lima, e mais dois laterais que avançam, é que se o adversário rouba uma bola em sua defesa, provavelmente armará um contra-ataque bastante perigoso.

Mas o Flamengo também jogará com três atacantes. Éverton substituirá Marcelo Cirino, formando o trio ofensivo com Guerrero e Emerson Sheik. Na defesa do time carioca devem voltar o goleiro Paulo Victor, os zagueiros Wallace e Samir, recuperados de lesão, e nosso conhecido Pará deve voltar à lateral direita, no lugar de Ayrton. Por falar em conhecido, no meio-campo Alan Patrick e Márcio Araújo disputam uma vaga para formarem ao lado de Cáceres e Canteros.

O ambiente psicológico será, em princípio, todo favorável ao Flamengo, mas isso poderá ser mudado se o Santos jogar com inteligência, determinação e coragem. A pressão pela vitória pode fazer o time carioca se expor demais, permitindo boas oportunidades aos atacantes santistas. De qualquer forma, espera-se que seja um grande jogo e que o senhor Anderson Daronco e seus auxiliares não interfiram no resultado.

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E você, o que espera de Santos e Flamengo, neste domingo?


Em busca do orgulho perdido

A eliminação na Copa Libertadores abalou o orgulho do torcedor santista, que estava nas alturas nesse ano de Centenário. Mas a vida segue e hoje, às 16 horas, com o time completo, o Alvinegro Praiano enfrenta a Portuguesa, no Canindé, com a obrigação de lutar muito pela vitória, já que restou apenas o Campeonato Brasileiro para garantir uma vaga na Libertadores do ano que vem.

Um bom duelo da partida reunirá o experiente goleiro Dida, de 38 anos, contra o atacante Neymar, de 20. Outro destaque da Portuguesa é Guilherme, meio-campo, setor em que o Santos deverá ter a volta de Paulo Henrique Ganso. Se o gramado ajudar, teremos um bom clássico no Canindé.

O técnico Muricy Ramalho já disse que a Portuguesa é um adversário complicado quando joga em casa, o que é óbvio. Se um time não complicar quando joga em seu estádio, quando o fará? Mas o Santos, que tem apenas quatro pontos ganhos em seis jogos neste Brasileiro, não obteve nenhuma vitória e está na zona de rebaixamento, precisa muito desses três pontos.

É estranho que um time que tem dez laterais no elenco tenha de utilizar um jogador da base em um clássico. Sim, por falta de lateral-direito, Muricy escalará o garoto Wesley Douglas. O Santos deverá atuar com Rafael, Wesley Douglas, Edu Dracena, Durval e Léo; Adriano, Henrique, Arouca e Ganso; Neymar e Borges. Enfim, é praticamente o mesmo time que vinha atuando na Libertadores.

A Portuguesa, treinada por Geninho, está escalada com Dida, Rogério, Gustavo e Lima; Alê (Raí), Moisés, Guilherme e Léo Silva e Ivan; Diego Viana e Vandinho.

A arbitragem será de Raphael Claus, auxiliado por Marcelo Carvalho Van Gasse e Daniel Paulo Ziolli, todos de São Paulo. Claus apitou três jogos nesse Brasileiro e já marcou dois pênaltis.

Descontente com os rumos que o futebol do Santos tem tomado – sem uma política de valorização dos jogadores de base, altos salários para figurões que pouco produzem e contratação de “reforços” medíocres –, o santista acompanhará esse jogo com muita atenção e preocupação. Um novo revés e aí sim teremos uma crise na Vila Belmiro, da qual nem o técnico Muricy Ramalho será poupado.

Retrospecto de Santos x Portuguesa

Por Wesley Miranda

Santos e Portuguesa já se enfrentaram 232 vezes ao longo da História. E a vantagem é santista, com 110 vitórias contra 64 vitórias lusitanas e 58 empates. O Peixe marcou 456 gols e sofreu 329.

Em Brasileiros, o primeiro confronto aconteceu no Robertão de 1967, um empate em 2 a 2(veja abaixo). No campeonato nacional foram 26 jogos com 10 vitórias do Santos contra quatro da Lusa e 12 empates. O alvinegro marcou 33 gols e sofreu 20.

Vitórias, empates e derrotas do Santos
Brasileiro: 10, 12, 4
Paulista: 72, 48, 37
Rio-SP: 6, 2, 8
Amistosos: 22, 4, 8
e outros

Década a década
Vitórias, empates e derrotas do Santos
Anos 20: 6, 0, 3
Anos 30: 11, 4, 7
Anos 40: 6, 6, 11
Anos 50: 17, 3, 14
Anos 60: 19, 6, 9
Anos 70: 16,12,7
Anos 80: 12, 9, 4
Anos 90: 13,11,6
Séc.XXI: 8, 7, 3

O artilheiro do confronto
O Rei é o goleador máximo do confronto. Contra a Lusa, o Pelé jogou 42 partidas vencendo 22 contra 12 derrotas e 8 empates. No texto vamos contar algumas histórias do nosso artilheiro mor! Em segundo, o gênio Coutinho, o homem que dentro da área era superior ao Rei, segundo o próprio Pelé! O gênio terá biografia lançada essa semana e deve ser muito prestigiado pela sua rica história no Santos FC.

A volta de Feitiço e a maior goleada do Santos
Depois que Feitiço foi suspenso pelo rigoroso presidente Guilherme Gonçalves no famoso episódio com Washington Luis no fim de 1927, foi contra a Portuguesa em 08/07/1928 que ele voltou. A anistia de sua suspensão veio por conta da CBD que contava com o jogador para o amistoso contra o time escocês do Motherweel. Feitiço jogou e marcou “só” quatro gols na vitória do Brasil por 5 a 0.
No segundo turno do Paulista de 1928 na Vila Belmiro aconteceu a maior goleada do confronto, 10 a 0 para o Santos. Quem brilhou foi o atacante Wolf,com 5 gols. Feitiço (2), Camarão (2) e Evangelista completaram a goleada!

Dois campeões no mesmo ano
Quando o Santos conquistou o seu primeiro Paulistão em 1935 pela Liga Paulista de Futebol (LPF) ao bater o Corinthians no Parque São Jorge por 2 a 0 com gols de Raul Cabral e Araken Patusca, a Lusa conquistava no mesmo ano o Paulista com menos brilho, a da Associação Paulista de Esportes Atléticos (APEA) ao bater o Ypiranga.
A Apea organizou o Paulista entre 1913 até 1936, mas perdeu forças com o profissionalismo e com a ascensão da LPF, que era apoiada pela CBD.

O troco lusitano e uma lição
Demorou 28 anos para a Portuguesa aplicar a sua maior goleada em cima do Santos, um sonoro 8 a 0 no estádio do Pacaembu. O time do Canindé era um timaço com Djalma Santos, Julinho, Edmur… e o jogo foi apenas três meses após a conquista do seu segundo Rio-SP, quando o time também ganhou do Santos por 5 a 1 durante a conquista.
Depois dessa goleada de 8 a 0, os jogadores santistas temiam que a direção tomasse uma medida de punição no grupo. Mas Athiê teve a calma para deixar o trabalho fluir. No jogo seguinte, o Santos goleou o Guarani por 5 a 0 e manteve o foco no título que conquistaria dois meses depois, quebrando um jejum de 20 anos! E se tivesse mandando o Lula embora? E com ele o Pepe, o Urubatão, o Formiga, o Manga…..

Começo da Era Pelé
Santos e Portuguesa se encontraram no mesmo Pacaembu no dia 15 de dezembro de 1957 pelo Campeonato Paulista. O Santos já vinha sendo a sensação do campeonato por suas belas apresentações e elevado número de gols. Confirmando o melhor ataque do campeonato, Dorval abriu o marcador aos quatro minutos; Jair o homem bomba, aumentou aos 5 minutos, e Pelé marcou seu primeiro gol contra a Lusa aos 18 minutos. Antes do termino da primeira etapa, Afonsinho fez o quarto gol.
Na segunda etapa, Dorval ampliou a goleada aos 5 minutos e Pelé chegou ao seu 16º gol no campeonato aos 29 minutos! Santos 6 a 0. Apesar da goleada, o jogo foi considerado “só” bom pelo que o atual bicampeão paulista vinha apresentando no certame. O Peixe chegava ao 56º gol no campeonato.

Reparem que no gol santista houve um revezamento de goleiros em 1957. Nesse jogo, Veludo foi o arqueiro. Ele jogou até 1958 em 24 oportunidades. As outras opções na meta santista eram Agenor Gomes, o magnífico Manga, que estreou contra a Lusa em 1951 e foi o goleiro que mais atuou na meta santista, com 404 jogos até 1959. E o fundamental Laércio Milani que chegou junto com o veterano Jair Rosa Pinto do Palmeiras em 1957 em uma troca com o zagueiro Formiga, e foi o terceiro goleiro que mais atuou na meta santista, 335 jogos até 1969.
Até o jogo contra a Lusa a defesa santista havia sofrido 28 gols, Veludo (15) Manga (7) e Laércio (6).

E a Lusa quase atrapalhou
Santos e Portuguesa travaram um duelo particular pela conquista do estadual de 1960. Peixe e Lusa empataram a primeira partida no Canindé por 1 a 1. No segundo turno a Portuguesa venceu o timaço do Santos por 4 a 3 em plena Vila Belmiro. E o equilíbrio seguiu na tábua de classificação, sendo decidido apenas na última rodada, quando o Santos ganhou do então campeão Palmeiras por 2 a 1. A Portuguesa torcia por uma vitória alviverde, o que deixaria Santos e Portuguesa com 48 pontos e a necessidade de um jogo decisivo.
Esse foi o quinto título paulista do Santos e o passaporte para a disputa e conquista da Taça Brasil de 1961, consequentemente Libertadores e Mundial de 62. E a Lusa poderia ter atrapalhado.

O primeiro confronto em Brasileiro e a estreia de Corró
Um dia após completar 55 anos, o Santos FC entrou para o confronto contra a Lusa no Pacaembu. O duelo válido pelo Roberto Gomes Pedrosa foi o primeiro encontro na história válido por campeonatos brasileiros. O jogo marcou também a estreia de Clodoaldo Tavares Santana como titular em jogos de competição. Segundo Corró, foi nesse jogo que outro grande ídolo, o capitão Zito, lhe entregou a consagrada camisa 5. Que geração de volantes!
O jogo
Logo com um minuto de jogo, Lorico, da Portuguesa, abriu o marcador. Pelé, aos 23 minutos marcou um golaço, que poderia até gerar dúvida se foi um chute ou um cruzamento, mas vindo do melhor jogador de todos os tempos….. Antes do fim da primeira etapa, aos 44 minutos, Basílio, da Portuguesa, marcava 2 a 1. Quando a derrota parecia inevitável, o árbitro Anacleto Pietrobon, o Valussi (faleceu ontem (29) aos 89 anos) anotou penalidade máxima para o Santos. Na cobrança, o Rei bateu, o goleiro Félix espalmou e no rebote Pelé empatou. Santos 2 x 2 Portuguesa.

O último título Paulista do Rei Pelé
Ao invés de ser lembrado como uma das maiores lambaças da arbitragem no futebol mundial, por que não contar que a conquista dividida em 1973 representou o último de uma série de 10 títulos estaduais de Pelé e, com 11 gols, sua última artilharia do estadual de uma série de 11 – sendo 9 seguidas, de 1957 a 1965?
De resto, deixamos o vídeo punir o erro histórico de Armando Marques:

O tira-teima
Os dois times já haviam se enfrentado três vezes em 1973. Uma vitória do Santos, uma da Lusa e o categórico empate na disputa do título. E pouco mais de dois meses depois, em 04/11/1973, pelo Brasileirão, o tira-teima. Era mais do que um simples jogo, era questão de honra mostrar que a divisão do título não era tinha sido justa! Mas foi a Portuguesa que abriu o marcador com Tatá e ampliou com Enéas ainda antes do fim do primeiro tempo. Na volta do intervalo, com outro ânimo, o Santos diminuiu aos 4 minutos. O suficiente para despertar Pelé, que um minuto depois empatou e aos 19 minutos do segundo tempo deixou mais uma de suas pinturas, ao receber belo passe do magnífico Clodoaldo. Os dois tentos anotados pelo Rei foram os de número 79 e 80 em Brasileiros. De 1959 na Taça Brasil até o Campeonato Brasileiro de 1974, Pelé marcou 101 gols só em nacionais.
Vale a pena rever!

Meninos da Vila: A definição
Quem se esquece ou nunca ouviu falar das arrancadas de Juary e suas finalizações “mortais”, os passes milimétricos de Ailton Lyra, os arremates precisos de Pita e a explosão do papinha João Paulo? A Portuguesa nunca se esquecerá do jogo do dia 17/09/78. E esse vídeo tem uma pequena amostra disso.

Rodolfo Rodrigues do outro lado
No Campeonato Brasileiro de 1992, em jogo válido pela primeira fase, Santos e Portuguesa se enfrentaram na Vila Belmiro. No gol lusitano, um velho conhecido nosso e muito importante na história santista: Dom Rodolfo Rodriguez. No comando da Lusa, outra figura importante na história do Santos, só que dez anos depois: Emerson Leão!
O jogo
O ponta Almir abriu o marcador aos 14 minutos do primeiro tempo e o atacante Cilinho ampliou aos 41 do segundo tempo, dando números finais.
Em jogo contra o herói de 1984, o Santos tinha em campo o zagueiro Pedro Paulo e outro herói da história do Santos, esse de 1978, que entrou no lugar do jovem Sérgio Manoel, o veterano João Paulo, o papinha da Vila!

O primeiro gol de Robert
Ninguém fazia ideia do que seria o Santos na campanha do Brasileiro de 1995. Mas a vitória por 2 a 0 no Canindé em cima da Portuguesa já dava sinais de que aquele time já não era mais o mesmo que tinha perdido os dois jogos contra a Lusa pela fase final do Paulistão daquele mesmo ano. Os gols da partida foram de Robert (seu primeiro gol oficial com a camisa do Santos) e do Messias G10vanni. Robert jogou 251 partidas pelo Peixe e marcou 47 gols. Giovanni jogou 138 partidas e marcou a expressiva quantidade de 73 gols. Só em 1995 o ídolo paraense fez 40 gols!

Fim do jejum e rebaixamento rubro-verde
Em 2006, pela última rodada do Paulistão, os dois times se enfrentaram com objetivos bem distintos. O Alvinegro tentava quebrar um jejum de 22 anos sem o título estadual. O rubro-verde lutava para não descer de divisão. E o segundo pior ataque da competição não superou a defesa menos vazada. Sorte dos quase 20 mil santistas que estavam presentes na Vila Belmiro e viram Cléber Santana abrir o marcador aos 23 minutos e Leonardo, contra, ampliar aos 29 minutos do primeiro tempo. Santos, 16º título Paulista e a Portuguesa amargando o rebaixamento!

Em 2011, dois de Neymar
Depois de quatro jogos sem vitória e sem marcar, Neymar escolheu a Portuguesa para enfim desjejuar pelo Santos em 2011. O confronto válido pela 12ª rodada, terminou 3 a 0 para o Peixe, com dois de Neymar e um de Léo. O ídolo Neymar foi artilheiro do ano junto com Borges ambos com 24 gols!

O último confronto
De olho no confronto contra o Internacional no Beira Rio no meio de semana, válido pela Libertadores e, “confortável” na tabela do Campeonato Paulista, o técnico Muricy decidiu mandar a campo um time reserva para jogar contra a ameaçada Portuguesa.
Depois de um primeiro tempo fraco, os reservas voltaram para o segundo tempo com mais força e logo aos 4 minutos o zagueiro Rafael Caldeira abriu o marcador. Dimba ampliou aos 14 e decretou a vitória santista por 2 a 0. O resultado colocou o Santos na terceira posição do campeonato e complicou ainda mais a vida da Portuguesa, que fez uma grande campanha no Brasileiro da Série B de 2011, mas terminou rebaixada no Paulista 2012.

E você, o que espera do Santos contra a Portuguesa?


O dia em que não conseguiram roubar para o Flamengo

Desde 20 de agosto de 1919, quando a Confederação Brasileira de Desportos foi mais rápida e conseguiu a autorização da Fifa para ser a única entidade oficial representativa do futebol brasileiro, começou a roubalheira a favor dos times cariocas. O gol do Santos, anulado ontem pelo tal de Leandro Vuaden, não é nada perto do que já fizeram para prejudicar os paulistas, que ao longo da história, salvo alguns lapsos de tempo, sempre tiveram um futebol mais eficiente do que as festivas peladas rio-janeirenses.

Bem, os casos de roubos, fraudes e falcatruas em prol dos times do Rio dariam um livro de milhares de páginas. A começar pela arbitragem, passando pelo manjado tribunal de justiça desportiva, até a CBF, há uma teia de manipulações que levam, sempre, ao mesmo caminho: favorecer os representantes da cidade maravilhosa.

Todo time carioca já se beneficiou dessas desonestidades. Alguns mais, outros menos. Vasco (1974), Flamengo (1983) e Botafogo (1995) devem títulos brasileiros espúrios a esta política de levar vantagem a todo custo. Mas nem sempre a coisa deu certo para os malfeitores. Houve um dia, aliás, em que deu muito, mas muiiiiito errado…

O bandeirinha era rubro-negro

Era 11 de março de 1961, um sábado, e o Maracanã recebeu um ótimo público de 87.868 pessoas para ver o Flamengo contra o Santos. O Flamengo jogou com Fernando, Joubert, Bolero, Nelinho (Jadir) e Jordan; Carlinhos e Gérson; Joel, Henrique (Luís Carlos) Dida e Babá (Germano).

Perceba, caro leitor, que este Flamengo tinha alguns dos melhores jogadores que já passaram pelo clube, como Carlinhos, hoje técnico, Gérson, o canhotinha de ouro, e Dida, o ídolo do Zico.

O Santos, que para muitos já era o melhor time do mundo, entrou em campo com Laércio, Dalmo, Mauro (Formiga) e Fiote (Feijó); Zito (Urubatão) e Calvet; Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

O árbitro era o paulista, hoje conselheiro do São Paulo, Olten Ayres de Abreu. Considerado o melhor árbitro brasileiro da época –indicado para ser o representante da arbitragem brasileira na Copa de 1962 –, Olten tinha fama de durão e não era de apitar à moda da casa. Ex-atleta, alto e forte, ele não se intimidava facilmente.

Mal o jogo começou e Olten percebeu que um dos bandeirinhas insistia em marcar o ataque santista, dando impedimentos inexistentes e indicando falta dos jogadores do Santos a cada dividida. Ao prestar atenção no auxiliar, com quem nunca havia trabalhado antes, Olten viu que este se colocava ao lado do banco do Flamengo e ficava de cochichos com o técnico do time carioca.

“Fui lá e o admoestei. Ele me ofendeu, disse que era militar e que se eu o importunasse ele me pegava lá fora. Ele não sabia com quem estava lidando. Eu o expulsei de campo e disse que se fosse homem poderia me esperar lá fora”, contou-me Olten anos depois.

A expulsão inusitada do bandeirinha fez com que o jogo prosseguisse com apenas um auxiliar, mas não houve mais nenhum lance duvidoso. O jogo pôde seguir sem favorecimentos a nenhum time. Que vencesse o melhor…

A maior goleada

E o melhor… bem, era até covardia comparar os dois times. Mesmo sendo uma boa equipe para os padrões cariocas, e mesmo com alguns dos seus ídolos eternos no elenco, em um jogo normal, sem interferência da arbitragem, o Flamengo não era páreo para um time cujo ataque soava como um verso parnasiano: Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe.

E assim, apesar do gol de Henrique para o popular time do Rio, o Santos ganhou por 7 a 1, com três gols de Pelé, dois de Pepe, um de Coutinho e um de Dorval. O zagueiro Bolero contou depois sua amarga experiência de marcar o ataque santista:

“Eu ainda não tinha botado o pé na bola e o Santos já estava vencendo por 2 a 0. Teve um gol em que eu caí sentado com o drible que o Pelé me deu. Quando eu virei, a bola já estava na rede. O time do Santos não parava de atacar. No final, não sabia mais quem era Pelé, quem era Coutinho, na velocidade eles se pareciam. Tinha também o Dorval, que ajudava a confundir ainda mais. Só sei que eles não paravam de fazer gol”.

E assim o time de Gérson, aquele que disse que “a gente tem de levar vantagem em tudo” levou uma entubada histórica em um dia de Maracanã cheio em que não foi possível roubar para o Flamengo.

Não digo que ontem Zezinho, Zé Love & Cia goleariam o rubro-negro no Maracanã novamente. Mas fizeram ao menos um gol válido e por isso mereciam a vitória e os três preciosos pontos. Pena que ninguém expulsou o Vuaden antes.

Você tem alguma sugestão para evitar que o Santos seja roubado quando enfrenta times cariocas no Rio?


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