Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Didi

O futebol que temos é este…

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Perdeu, como podia empatar ou até ganhar. Bola pra frente…

O jogo foi equilibrado, a torcida compareceu desta vez e o Santos não jogou mal. A derrota por 2 a 1 para o Botafogo foi decidida em algumas jogadas. Quando o Santos era melhor, Thiago Ribeiro perdeu um gol feito e chegou atrasado em um cruzamento de Cicinho que seria outro gol. O time carioca, por sua vez, aproveitou a chance que teve para abrir o marcador, aproveitando uma jogada nas costas de Cicinho e um passe na área que caiu entre Durval e Mena.

No segundo tempo, em outra jogada pelos flancos, desta vez pela esquerda, outro cruzamento que passou entre Durval e Dracena e outro gol. Cícero diminuiu, em um belo chute de fora da área. Foi 2 a 1 para o Botafogo, uma equipe um pouco mais experiente e ajustada, mas poderia ser diferente. Faltam alguns ajustes no Santos. Torçamos para que Claudinei tenha visão e iniciativa de fazê-los.

Confira os melhores momentos de Santos 1 x Botafogo 2:
http://youtu.be/DfEe4zW2Pho

Hoje é dia do maior jogo que o futebol brasileiro já produziu

De um lado Pelé; do outro Garrincha; de um lado Zito, Pepe, Coutinho; do outro Didi, Zagalo, Amarildo; de um lado Gylmar, Mauro Ramos de Oliveira, Mengálvio e Lima; do outro Manga, Quarentinha, Rildo, Joel… Eu ia escrever que Santos e Botafogo, os melhores times do mundo em 1962 e 63, estrelavam um confronto do mesmo nível de um Barcelona e Real Madrid hoje, mas, pensando bem, eram mais do que isso. Havia mais magia em campo…

O centro do futebol era aqui e os dois alvinegros representavam o melhor futebol que o mundo tinha visto até aquele momento. Mas o Santos era ainda mais poderoso do que o rival. Nos três confrontos mais importantes que fizeram, o Santos fez 13 gols e sofreu apenas um: 4 a 1 na final do Tereza Herrera, na Espanha, em 1959, quando o mundo estava de olho no duelo dos times que tinham os astros da Copa da Suécia; 5 a 0 na final da Taça Brasil de 1962 (jogado em abril de 1963) e 4 a 0 na semifinal da Libertadores de 1963. Por isso, para a história, o Santos ficou como o grande vencedor desse desafio.

Hoje, às 18h30, na Vila Belmiro, voltam a se enfrentar em um jogo importante, no qual a vitória interessa a ambos. O carioca quer continuar perseguindo o líder Cruzeiro, o Santos anseia chegar mais perto do G4 – o que três pontos hoje e três pontos sobre o Náutico, em jogo atrasado, tornarão plenamente possível. O ingresso está barato e o santista precisa comparecer para empurrar o time.

Arouca e Montillo voltam

Arouca e Montillo, recuperados de lesões musculares, devem voltar ao time, dando ao técnico Claudinei Oliveira o privilégio de escalar o melhor que este Santos pode oferecer. O Botafogo vem com seus destaques, o veterano Seedorf e o garoto Hyuri. O ex-santista Renato também está escalado e acho que seria muito legal a torcida bater palmas para ele quando adentrar a Vila Belmiro onde jogou tantas vezes e tanto ajudou o Santos, principalmente na conquista do Brasileiro de 2002.

O Santos deve jogar com Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Durval e Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Everton Costa (Gabriel) e Thiago Ribeiro. O Botafogo, do técnico Osvaldo de Oliveira, provavelmente entrará em campo com Jefferson, Edilson, Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos e Renato; Hyuri, Seedorf Rafael Marques; Elias.

A arbitragem será de Andre Luiz de Freitas Castro (GO), auxiliado por
Cristhian Passos Sorence (GO) e Nadine Schramm Camara Bastos (SC).

Todas as circunstâncias indicam um bom jogo, disputado e com boa técnica. Os times se equivalem e o resultado natural seria o empate. Mas o fato de jogar em casa e vir de uma derrota obriga os santistas a buscarem mais a vitória. O adversário é forte e matreiro, mas o Santos tem de se impor.

Reveja o maior jogo do mundo, no maior estádio do mundo, na era do ouro do futebol, neste belo trabalho de Wesley Miranda:

E você, o que acha de Santos x Botafogo?

O futebol que temos é este…

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Meninos da Vila talentosos jogando pra frente: este é o sonho eterno dos santistas.

O futebol brasileiro está em crise e parece que as pessoas que vivem em torno dele também. Entre o que ele poderia ser e o que realmente é, há um abismo. Vivemos essa crise em todos os sentidos: técnico, tático, ético, de popularidade e, conseqüentemente, financeiro.

Falta fundamento aos jogadores, coragem e estratégia aos técnicos, moralidade aos organizadores e público nos estádios. Não é à toa que – sinal dos tempos – o outrora orgulhoso São Paulo está vendendo ingressos a dois reais. Daqui a pouco os clubes jogarão com portões abertos e mesmo assim os estádios não se encherão.

Uma seqüência de fatores, entre eles o espírito colonizado de nossa imprensa esportiva, tirou a credibilidade do futebol brasileiro e deixou claro para todos uma situação antes não declarada, ou seja, a subserviência do nosso jeito de jogar e fazer futebol ao decantado modelo europeu. Já fomos o centro, mas hoje somos o subúrbio, o arrabalde, a periferia do futebol.

Diante dessa dura realidade, os torcedores precisam criar fatos para alimentar sua paixão, ou ela também morrerá. Não importa que o Santos, sem dinheiro, esteja sobrevivendo graças a uma mescla de veteranos e garotos dirigidos por um técnico sem experiência. O torcedor quer esse time voando, como se uma equipe de Gylmar a Pepe estivesse em campo.

Não importa que o Corinthians venha de três jogos sem marcar um único gol e nem esteja no G4, apesar de ainda ostentar o título de campeão do mundo; não importa que o Palmeiras, por mais vitórias que consiga, dispute apenas a Série B; não importa que o São Paulo, na zona de rebaixamento, tenha de se humilhar para atrair os torcedores para o seu Morumbi. O torcedor precisa acreditar que é só uma fase passageira e que ainda há motivos para vangloriar-se de que o seu time é o maior.

Porém, nas crises surgem as teorias oportunistas que buscam jogar por terra os valores amealhados ao longo da história e, no lugar deles, inserir outros que alimentem o caos e a descrença. Até mesmo o estilo vistoso e ofensivo que caracterizou nosso futebol tem sido contestado por alguns – e como muitos leitores não têm conhecimento suficiente para raciocinar em cima do que lhe é imposto, a tese ganha adeptos.

Juro que li em algum lugar que esse negócio de DNA ofensivo é bobagem minha. Que o Santos tem de jogar feio e retrancado mesmo, pois o importante é vencer. Ora, é claro que vencer é importante, mas quem disse que jogando feio e retrancado o time terá mais chance de vencer do que se jogar bonito e com uma mentalidade ofensiva?

Perceba que escrevi “mentalidade ofensiva”, pois ela é essencial para um time marcar gols. Isso não quer dizer que tenha de jogar com cinco atacantes, como nos anos 60. Mas tem de entrar em campo com planos definidos e bem treinados de se chegar ao gol adversário, pois isso ainda é a alma do futebol.

O grande Santos dos anos 60, o melhor time que já existiu, sabia da importância da defesa e provou isso ao não tomar gols e ao mesmo tempo golear o Botafogo duas vezes, nos jogos mais importantes que fizeram. Com um ataque que começava em Garrincha e terminava em Zagalo, o alvinegro carioca também era uma máquina de fazer gols. Mas perdeu para o Santos a final da Taça Brasil por 5 a 0 e a semifinal da Copa Libertadores de 1963 por 4 a 0, ambas no Maracanã, porque o Alvinegro Praiano era mais completo: além de um ataque incomparável, tinha uma excelente defesa e, mais do que isso, uma mentalidade ofensiva que prevalecia mesmo quando se defendia.

É pra se defender? Vamos defender com tudo. Mas quando temos a bola, precisamos de estratégias concretas para atacar e marcar gols. O que não pode é um time grande treinar 40 maneiras de destruir os ataques adversários, mas não saber o que fazer com a bola quando a tem. O ataque sempre foi o forte do Santos e sem ele o time se torna um qualquer. Se utilizar um monte de volantes e se defender loucamente fosse a solução dos problemas, os times pequenos seriam grandes e vice-versa.

Quando dominou o mundo o Santos tinha sempre o ataque mais positivo e nem sempre a defesa menos vazada. Em 1964 ele foi campeão paulista com 95 gols marcados e 47 sofridos. O segundo time com mais gols feitos, o Palmeiras, marcou 70. Porém, veja só quantas equipes sofreram menos gols do que o Santos: Portuguesa e Corinthians (34), América de São José do Rio Preto (35), Palmeiras (36), São Bento (38), São Paulo (40), Ferroviária (41), Guarani (44) e Comercial (45). Notou que o América sofreu 12 gols a menos do que o Santos no campeonato inteiro? Eu lhe pergunto: e daí?

O que nos resta

Sem craques notáveis; sem ídolos; sem técnicos mirabolantes capazes de formar times fantásticos, como foram Lula, Bella Guttmann e Telê Santana; o que resta ao torcedor brasileiro é transformar o pouco em muito. Ele sabe que, mesmo no campeonato de pior nível técnico, ainda assim haverá um campeão, haverá classificados para a Libertadores e equipes rebaixadas, e se apega a essas funcionalidades para viver o futebol do que jeito que dá.

Cada time tem sua cultura, seu DNA, que resiste, sobrevive e se sobrepõe ao longo do tempo. Descobri o do Santos estudando a história do clube desde o princípio, e usei esse termo – DNA – no livro Time dos Sonhos, lido e repercutido por outros santistas. Há expressões que são marqueteiras, forjadas, oportunistas, mas esta é o resultado de um longo estudo.

A reverência aos Meninos da Vila também não é uma invenção gratuita. Eles escreveram os capítulos mais brilhantes da história santista, pois estiveram majoritariamente presentes nos times formados em 1912, 1927, 1955, 1964, 1978, 1995, 2002 e 2010. Extirpe essas etapas da vida do Santos e pouco sobrará.

Portanto, se apesar do precário panorama geral do futebol brasileiro, o santista ainda tem no que acreditar, por que não fazê-lo? Se ainda temos uma história baseada no jogo ofensivo e na revelação de grandes jogadores – quase todos atacantes –, por que trocar essa vocação por desempenhos feios e medrosos?

Se o clube não tem dinheiro para grandes contratações, por que não preparar esses Meninos com carinho e dar-lhes reais oportunidades de se tornarem ótimos profissionais? O que não se pode é deixá-los ao Deus-dará. Nessa fase da carreira o que mais precisam é de um acompanhamento pessoal, de alguém que os dirija ao caminho do sucesso. O trabalho com as divisões de base é a melhor opção e a grande esperança para esse futebol brasileiro obrigado a se reinventar.

E pra você, o que deve ser feito para o futebol brasileiro voltar a ser grande?


O que é eterno – e está nos livros – e o que é passageiro no futebol

O Santos que goleou o Benfica no Estádio da Luz por 5 a 2, tornou-se campeão mundial e confirmou a supremacia do Brasil sobre a Europa na era de ouro do futebol.

Como em todo ano há e haverá campeões, qualquer que seja o nível técnico ou a relevância dos times, o torcedor muitas vezes fica em dúvida sobre o que é mais importante no futebol, sobre o que ficará para a história e o que passará, esquecido entre números e fatos similares. Bem, para se avaliar com propriedade um evento, é preciso notar o contexto histórico em que ele está inserido.

Se o Brasil, ainda hoje, mesmo sem ocupar as melhores posições no ranking de seleções, ou de times, da Fifa, ainda é respeitado como o país do futebol, é porque construiu essa imagem ao longo dos anos.

Costumo chamar o período de 1958 a 1970 a era de ouro do futebol-arte e, simultaneamente, a era de ouro do futebol brasileiro, porque foram naqueles 12 anos que o Brasil ganhou três das quatro Copas disputadas e revelou ao mundo um futebol vistoso, ofensivo, repleto de craques habilidosos, irreverentes, inesquecíveis, como Pelé, Garrincha, Didi, Coutinho, Pepe, Tostão, Rivelino, Gérson, Carlos Alberto Torres…

O bicampeonato de 1958 e 62 deu ao Escrete o status de melhor seleção do mundo. E o fato de o Santos se tornar o primeiro bicampeão mundial de clubes em 1962/63 confirmou que também entre os times o mais técnico futebol do planeta era praticado em terras brasileiras.

O Mundial de 1962, conquistado com duas vitórias sobre o Benfica, por 3 a 2, no Maracanã, e 5 a 2 no Estádio da Luz, em Lisboa, gerou frases de admiração e espanto dos mais respeitados especialistas do esporte. O francês Gabriel Hanot, editor do L’Équipe, ex-jogador e jornalista que criou a Liga dos Campeões, disse: “Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved”.

Honved era uma equipe húngara que fez furor na década de 1940. O depoimento de Gabriel Hanot, que nasceu no século XIX e viveu o surgimento e o crescimento do futebol na Europa, tinha uma importância fundamental ao designar o Santos como o melhor time de todos os tempos.

Em 1963, quando se sagrou o primeiro bicampeão do mundo mesmo sem Pelé, Calvet e Zito, e uniu técnica e garra para derrotar o Milan, promissor campeão europeu, o Santos ratificou sua supremacia, e a supremacia do futebol brasileiro. Enviado ao Rio para cobrir os jogos, o jornalista argentino Bernardo Neustadt escreveu: “Ainda que hoje envelhecido, o Santos é mais do que o Milan no aspecto técnico. Entendo que mesmo com problemas na última noite, ganhou bem. Que o título está nas mãos mais aptas”.

O craque Gianni Rivera, que se tornaria um dos grandes ídolos do futebol italiano, na época um atacante promissor do Milan de apenas 20 anos, concordou com o jornalista argentino: “O Santos é uma equipe madura, com jogadores veteranos, mas, tecnicamente, muito superior à nossa. A chuva nos freou e, então, morta a velocidade, sem a circunstância física, nos superaram”.

Assim, para as estatísticas do futebol, todo ano há campeões, números, porcentagens etc, mas, para a história, obviamente alguns campeões e algumas circunstâncias serão mais relevantes. As conquistas do Santos venceram as últimas resistências e consolidaram um domínio do futebol brasileiro que só foi rigorosamente questionado com o sucesso da Holanda e da Alemanha Ocidental na Copa de 1974.

Hoje, a supremacia da Europa – tanto em seleções, como em clubes – é inquestionável, e o máximo que uma vitória brasileira poderá conseguir no Mundial de Clubes é ser olhada como um gesto de resistência, como foram os títulos de Internacional e São Paulo, que nada mudaram no panorama global do esporte.

Continuamos vendo os europeus recebendo as maiores cotas de tevê para vender seus campeonatos; escolhendo os melhores jogadores do ano apenas entre os que jogam lá; elegendo suas equipes e competições como as mais bem organizadas do planeta e forçando a barra para que todos os jogadores de destaque se mudem para seus times. Ou seja: querem ser vistos como os únicos fornecedores do espetáculo futebol – e acabam conseguindo isso com a cumplicidade da própria crônica esportiva sul-americana, que deveria se apor a essa dominação.

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O que é relevante fica para a história, para os livros. Talvez por isso o Santos tenha tantos livros sobre ele. E para facilitar a difusão dessa rica história, neste Natal o Blog do Odir fará uma promoção geral que envolverá todos os títulos, incluindo o luxuoso Livro do Centenário. Aproveite! É só clicar no banner superior do blog e será direcionado aos livros, com preços beeeem promocionais!

Percebeu a diferença entre o eterno e o passageiro no futebol?


Santos contribuiu mais para a conquista da Jules Rimet

Os 5 a 0 de ontem pela melhor TV do mundo: a SantosTV:

Bastidores do “Nós contra Rapa”:


O santista Carlos Alberto Torres ergue a Jules Rimet

Participei ontem, domingo à noite, do programa Esporte Visão, da TV Brasil, e em determinado momento afirmei que o Santos foi o time que mais contribuiu para a conquista da Taça Jules Rimet. Ao que fui agressivamente contestado pelo companheiro Márcio Guedes, que participava do programa do estúdio no Rio de Janeiro.

Acho que expliquei que, somados titulares e reservas, o Santos teve mais jogadores nas três Copas que deram ao País a posse definitiva da Taça. Foram três jogadores em 1958 (Pelé, Zito e Pepe), sete em 1962 (Pelé, Zito, Pepe, Gylmar, Mauro, Mengálvio e Coutinho) e cinco em 1970 (Pelé, Clodoaldo, Carlos Alberto, Joel e Edu), completando 15. Nenhum outro time cedeu tantos jogadores. O segundo é o Botafogo, com nove, ou seis a menos.

Ouvia os convidados do Rio pelo “ponto”, aquele aparelhinho que a gente põe no ouvido. Se mais de uma pessoa fala ao mesmo tempo, você não consegue distinguir bem. Só sei que ouvi o Márcio dizer que reservas não valem, que os titulares é que jogam. Claro que concordo com essa afirmação. Percebi que ele deve ter entendido que eu disse que o Santos teve mais reservas. Se eu disse isso, me embananei, pois queria dizer que o Santos teve mais jogadores somando-se titulares e reservas.

Como o Márcio Guedes deve ter uns 413 anos de crônica esportiva e como reagiu de maneira tão confiante e até um tanto brusca, preferi não estender a discussão, até porque não há como comparar os resultados do Santos de Pelé e do Botafogo de Garrincha, por mais boa vontade que se tenha. Um foi seis vezes campeão brasileiro, duas vezes da Libertadores e duas Mundial; o outro só ganhou um brasileiro, o da Taça Brasil de 1968, direito que defendi galhardamente no Dossiê da Unificação.

Santos também teve mais titulares na Jules Rimet

A vida é um constante aprendizado e não tenho nenhum problema de aprender uma nova lição a cada dia. Assim, humildemente, ao chegar em casa, fui consultar meus livros para checar a informação que Márcio Guedes anunciou com tanta certeza. Confira junto comigo, caro leitor e cara leitora:

Copa de 1958 – O Santos colaborou com os titulares Pelé e Zito; enquanto o Botafogo cedeu Garrincha, Didi e Nilton Santos. O Santos ainda teve um reserva, Pepe, enquanto o alvinegro carioca não teve nenhum reserva.
Detalhes – Em 1958, Zagalo do Flamengo, assim como Gylmar ainda era do Corinthians e Mauro do São Paulo.

Copa de 1962 – O Alvinegro Praiano teve quatro titulares: Pelé, Gylmar, Mauro e Zito. O Botafogo, outros quatro: Nilton Santos, Didi, Garrincha e Zagalo. Entre os reservas ainda havia três santistas: Mengálvio, Coutinho e Pepe. O Botafogo tinha um reserva: Amarildo.
Detalhes – Pelé se machucou no segundo jogo e foi substituído pelo botafoguense Amarildo. Coutinho e Pepe foram inscritos na Copa como titulares, mas, devido a contusões nos últimos jogos preparatórios, Coutinho foi substituído pelo palmeirense Vavá e Pepe pelo botafoguense Zagalo.

Copa de 1970 – O Santos teve três titulares no México: Pelé, Clodoaldo e Carlos Alberto Torres. E ainda mais dois reservas: Joel Camargo e Edu. O Botafogo só teve Jairzinho como titular. Roberto e Paulo Cezar Lima, ou “Caju”, foram reservas.
Detalhes – Gérson foi inscrito na Copa como jogador do São Paulo. Nas Eliminatórias, quando o time foi denominado “As Feras do Saldanha”, por ser dirigido pelo jornalista João Saldanha, o Brasil fez todos os jogos com seis titulares do Santos: Carlos Alberto, Djalma Dias, Joel, Rildo, Pelé e Edu.

Portanto, em que pese a ênfase dada pelo companheiro Márcio Guedes, a realidade é que além de ter mais jogadores nas três Copas, somando-se titulares e reservas, o Santos também teve mais titulares do que o alvinegro carioca nas Copas que deram ao Brasil a Jules Rimet.

Mesmo que se divida a titularidade entre Pelé e Amarildo em 1962, o fato de ter dois titulares a mais em 1970 ainda daria ao Santos o mesmo número de titulares do que o Botafogo, com nove titulares nas três Copas. Isto sem contar os reservas, que proporcionam uma vantagem absoluta ao melhor time de todos os tempos. E ainda sem contr o time nas Eliminatórias de 1970.

E pra você, que time contribuiu mais para a conquista da Jules Rimet?


A real dimensão de Ronaldo. E o Pacaembu na final da Libertadores

Logo mais Ronaldo faz sua despedida da Seleção em uma partida contra a Romênia, no Pacaembu, em que os torcedores santistas também estarão torcendo… para que Neymar e Elano não se machuquem, claro, pois uma final da Libertadores, ao contrário do que pensa o técnico Mano Menezes, é muito mais importante do que esse joguinho caça-níquel contra a seleção da terra do Conde Drácula.

Em um jogo em homenagem a Garrincha, no Maracanã, Pelé roubou a cena, com um golaço. Espero que Neymar faça o mesmo hoje. Mas eu queria falar um pouco mais sobre o “Fenômeno”…

Jogador que se despede é como defunto fresco: todo mundo fala bem. Já ouvi os elogios mais desmedidos a Ronaldo. Um locutor o colocou entre os cinco melhores de todos os tempos. Opa, devagar com o andor…

Craque foi, sem dúvida – pelo drible, pelo arranque, pelo arremate e visão de gol – e mereceu ser escolhido o melhor do mundo ao menos em duas das três vezes em que isso aconteceu. Agora, existe futebol de bom nível há mais de 90 anos e cada ano teve um melhor do mundo, escolhido ou não pela Fifa. Então, vamos lá…

No Brasil, de onde saiu aos 19 anos e voltou apenas com 32, Ronaldo figuraria atrás de Pelé, Garrincha, Zizinho, Leônidas da Silva, Friedenreich, Romário, Rivelino e Zico. Para mim, viria, portanto, em nono, à frente de Sócrates e Falcão. Não conto Neymar e Paulo Henrique Ganso porque ainda estão escrevendo a sua história. E não sei dizer, ao certo, se Jairzinho, Gérson, Didi, Tostão, Pagão, Canhoteiro,Coutinho e Ademir da Guia foram menos craques do que Ronaldo.

No mundo, além dos brasileiros citados, eu diria que Maradona, Di Stéfano, Cruiff, Zidane, Eusébio e Beckenbauer foram mais completos do que o recém-aposentado. Messi também caminha para superá-lo.

Só foi decisivo em uma Copa, e ao lado de Rivaldo

Tem gente enchendo a boca para dizer que Ronaldo foi duas vezes campeão do mundo e uma vez vice. Ora, ele não jogou em 1994. Naquele Mundial, Viola, que entrou nos últimos 15 minutos, fez mais do que ele. Na final de 1998 ele teve aquele piripaque e em 2002 dividiu com Rivaldo a condição de melhor jogador brasileiro (se bem que pouco fez no jogo contra a Inglaterra, o mais difícil que o Brasil fez).

Aliciador de jogadores para a Europa

Não vejo nobreza alguma na nova profissão de Ronaldo, que na prática está atuando como agente de clubes europeus interessados em surrupiar os talentos do nosso futebol. Seria bem mais digno de sua parte se usasse sua empresa de representações para tentar algo inédito, que o faria bem mais respeitado, ou seja: usar sua imagem e seus contatos para manter no Brasil jogadores como Neymar, Ganso, Lucas…

Daria mais trabalho, pois estaria remando contra a corrente, mas seria bem mais digno. O que o futebol brasileiro ganha de ter muitos jogadores de destaque na Europa? Isso, qualquer país tem. Lá está cheio de atletas da África, Ásia, Caribe, América do Sul… O grande mérito seria criar condições para segurar nossos craques por aqui. O torcedor brasileiro merece…

E a diretoria do Santos escolheu o Pacaembu…

O Santos pode ser campeão da Libertadores em qualquer campo e estádio. Na Rua Javari ou no Maracanã. Só que o Morumbi comporta mais santistas. Não acredito que o Santos não jogará lá por superstição. Seria uma bobagem absoluta. Se o motivo foi político, a bobagem foi ainda maior. De qualquer forma, talvez nunca saibamos ao certo os motivos reais…

Se a maioria dos torcedores queria o Morumbi, acho que é o caso de a diretoria explicar porque escolheu o Pacaembu, que deixará de fora milhares de sócios que gostariam de ver esta final. Parece que o São Paulo não reduziu muito a taxa de aluguel (só baixou de 15% para 12%) e não abriu mão das cadeiras cativas. Azar do Juvenal. Ficará mais um ano sem ver uma final de Libertadores no Morumbi.

Telão na Praça Charles Miller

O leitor Pedro Rodrigues Gomes Simão dá uma ótima ideia: como o Pacaembu não comportará todos os santistas que quererão ver a final, o Santos poderia colocar um telão na Praça Charles Miller, o que estenderia o clima de decisão para fora do estádio, daria a mais torcedores a sensação de acompanhar o jogo histórico e passaria mais energia aos jogadores. Que tal?

O que Ronaldo representou para o futebol? E o que você achou da escolha do Pacaembu para a final da Copa Libertadores?


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