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Por que o Santos só leva sete mil pessoas à Vila Belmiro

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Conforme prometi ao leitor Scylas Santista, analisarei a questão da reduzida torcida nos jogos do Santos. O tema é relevante e preocupante. O fato de um dos times de maior torcida no Brasil (quarto na melhor das hipóteses, oitavo na pior) ter um público médio de apenas sete mil pessoas quando joga na Vila Belmiro, e, pior ainda, a insistência da direção do clube de manter seus jogos no mesmo local, é algo que em sã consciência não se pode entender ou explicar.

Ainda mais porque esta gestão assumiu o clube com a promessa de trazer para o futebol métodos de administração que alavancam empresas, aumentando-lhes o faturamento. Se é possível atrair mais público e com isso não só arrecadar mais dinheiro, mas também recrudescer a pressão sobre os visitantes, por que nada se faz para mudar esse desanimador quadro atual?

A resposta só poderia ser dada pelos dirigentes do clube, mas creio que a falta de conhecimento, aliada à arrogância, os impedem de mudar o que está dando errado. E seria muito simples resolver o problema. Para começar, eu convidaria para uma conversa o Rachid e o Douglas Aluisio, que neste blog assina @anos60fs. Ambos vivem, pensam, se preocupam com a causa do torcedor há muito tempo, e por isso tem ótimas ideias que podem resolver a questão.

Em suma, os administradores do Santos deveriam apenas seguir o be-a-bá da lei da oferta e da procura. Ela diz que o preço de algo só pode ser aumentado quando a procura é maior do que a oferta. Ora, se a Vila comporta 16 mil lugares e o público médio é de sete mil, ou menos de 50% de sua capacidade, é óbvio que para se conseguir uma lotação máxima é necessário diminuir o valor dos ingressos.

Pois a lei a que eu me referi, diz: “Quanto mais alto for o preço de um produto, menos pessoas estarão dispostas ou poderão comprá-lo… Quando o preço de um bem sobe, o poder de compra geral diminui (efeito renda) e os consumidores mudam para bens mais baratos (efeito substituição)”. Se quiser conhecer a lei a fundo, vá para http://pt.wikipedia.org/wiki/Lei_da_oferta_e_da_procura

Um membro dessa diretoria poderia responder: “Mas por que reduzir o preço do ingresso se com sete mil pessoas pagando 40 reais eu faturo mais do que com 14 mil pagando 20?”. É uma pergunta pertinente, sem dúvida, e merece uma consideração que vai além da questão financeira imediata. Vamos a ela:

Um estádio lotado tem um efeito múltiplicador que se espalha não só para o campo de jogo, motivando ainda mais o time da casa, como impregna as pessoas que assistem pela tevê, se espalha pelas cidades, chega aos ouvidos e aos olhos de crianças e adultos prestes a escolher um time para torcer, alcança, enfim, a razão e o coração dos patrocinadores.

A imagem de um estádio lotado é a imagem de um time popular e bem-sucedido. A imagem de um estádio vazio, ou semivazio, sempre será a de um time secundário, mal amado e menos importante. Não importa que o caixa mostre um lucrozinho a mais. A popularidade, mesmo às custas do ingresso barato, um dia se reverte em maior interesse da mídia e dos patrocinadores. É só olhar em volta e ver as benesses que se oferecem aos chamados times de massa – que o Santos é, mas parece não fazer questão de ser.

Não há torcida forte sem ser mobilizada

Não acredito que a torcida do Santos, de uma hora para outra, vá tirar a bunda do sofá e começar a encher estádios. Ela já fez isso várias vezes, mas sempre por um bom motivo e sempre bem mobilizada. Em 1978, um ano depois do alvinegro de Itaquera sair da sua filha de 23 anos, o Santos foi o time que levou mais público ao Campeonato Paulista, superando as hordas do rival. Mas o trabalho de mobilização era o melhor dentre as torcidas organizadas.

A Torcida Jovem, que não recebia ônibus de graça e nem ingressos da diretoria do clube, chegou a preparar em segredo a maior bandeira já vista em um estádio de futebol. Os adversários eram sempre pegos desprevenidos. O Santos dava espetáculo no campo e nas arquibancadas.

Agora falta essa mobilização, que deveria ser feita não só pelas organizadas, mas pelo próprio clube. Para começar, a direção santista deveria tornar mais democrática e acessível essas “embaixadas”. Exigir 100 sócios de cada uma é uma extravagância de quem não conhece a realidade do trabalhador/consumidor brasileiro. Estou certo que se o Rachid ou o Douglas Aluísio teriam sugestões melhores para tornar essas embaixadas um ponto de encontro, lazer, conhecimento da história do Santos e discussão dos grandes temas do clube.

Aliás, a ideia do sócio+1 foi do Douglas. Ela é simples, inteligente e cristalina, e o clube só não a utilizou mais por teimosia. O Santos já é um clube que não tem absolutamente nada e nada oferece ao sócio. Custa dar a este sócio a oportunidade de, em alguns jogos, comprar o seu ingresso e comprar também, sem desconto, o ingresso para um acompanhante?

Enfim, as ideias de se mobilizar a torcida do Santos são muitas. Para colocá-las em prática basta boa vontade – o que, infelizmente, nesses três anos e meio de gestão, essa diretoria ainda não mostrou. Nem falarei que jogar no Pacaembu daria mais público, visibilidade e renda, pois acho que é impossível que alguém não perceba isso.

Enfim, há alguns dias as ruas do Brasil estavam tomadas por jovens inconformados com a corrupção e a incompetência que grassam no País e muitos diziam que finalmente a nação tinha acordado. Não vou entrar no mérito de dizer se acordou ou não, pois acho que a poeira está abaixando e tudo está como antes no quartel de Abrantes. Porém, a imagem serve para o Santos: um gigante adormecido comandado por homens sonolentos e preguiçosos, incapazes de lhe dar o que prometeram. Está passando a hora de acordar.

E pra você, por que o Santos só leva sete mil pessoas aos seus jogos?


Por que a diretoria do Santos contraria tanto o torcedor santista?

Gostaria de saber se foi o vice-presidente Odílio Rodrigues, o presidente Luís Álvaro, o influente Álvaro de Souza, o marketing dirigido pelo Armênio Neto ou o comitê gestor em peso que aceitou esse jogo humilhante em Brasília, no qual o maior ídolo do Santos depois de Pelé despediu-se do time embaixo de vaias e xingamentos. E pela bagatela de 800 mil reais… Desculpem-me a expressão, mas que merda, senhores! É esse o Santos que pode mais? Pode mais o quê? Ser subserviente?

O Santos não só vendeu o mando de campo de um jogo que poderia lhe dar três pontos, como se tornou um visitante hostilizado, acuado pela equipe limitada do Flamengo. E Neymar, que sempre despertou a ira e a inveja dos outros torcedores, foi mais uma vez servido de bandeja à sanha enraivecida dos energúmenos. Lamentável, senhores…

Cadê um pinguinho só de coragem para dizer não aos organizadores desse festival macabro em que o Santos entrou como mandante, com o astro principal, e se tornou apenas um coadjuvante inexpressivo? Seria difícil acionar os profissionais do marketing e do departamento de eventos do Santos para fazer um jogo decente no Pacaembu, que estava vazio no domingo, e poderia ter se vestido de Alvinegro Praiano para receber a despedida de Neymar em grande estilo?

De que vale o clube pagar tão altos salários a tantos profissionais, se na hora em que estes precisam demonstrar competência e capacidade de trabalho se omitem e permitem que o Santos se pareça com um timeco sem eira nem beira?

E se o clube precisava desesperadamente de dinheiro, por que fez o segundo jogo da final do Campeonato Paulista na acanhada Vila Belmiro? Jogasse no Pacaembu, ou no Morumbi. Uma hora deixa de faturar o dobro para tentar ganhar um título paulista e na outra abre mão de um evento histórico, como a despedida do melhor jogador sul-americano…

Por que, senhor Odílio, enquanto muitos santistas lutam heroicamente contra a espanholização que grassa no futebol brasileiro, o senhor dá uma entrevista dizendo que acha justo que dois times sejam privilegiados, pois têm mais torcida?

Um santista de verdade sabe que a história do Alvinegro Praiano, suas conquistas, seus ídolos, seu impacto no futebol mundial, sua contribuição decisiva para a Seleção Brasileira que conquistou a Jules Rimet, sua fortuna de ter revelado Pelé, Coutinho, Pagão, Pepe, Robinho, Neymar, vale muito mais do que arrebanhar uma multidão vítima da lavagem cerebral de uma mídia manipuladora.

Jamais um dirigente do Santos pode concordar com a divisão de cotas de tevê. Aquele que quiser ter essa opinião, que deixe claro que ela não representa a opinião dos santistas. Nós somos pelo mérito esportivo, pela cota maior a quem proporciona melhor espetáculo. Se for o adversário, ótimo, mas que o número de torcedores nunca seja o motivo determinante. Esse modo de pensar faz parte de um populismo barato que abominamos. Gostaríamos que nossos dirigentes não babassem o ovo do poder, por favor.

Por que, depois de ter escolhido como slogan do Centenário a frase “Meninos para Sempre”, o Santos continua priorizando jogadores veteranos e um técnico que tem dificuldades crônicas de lidar com os mais jovens? Muricy Ramalho conseguiu convencê-los de que nossa base é fraca? Então perguntem a ele por que dispensou Oscar do São Paulo e hoje o rapaz é titular do Chelsea e da Seleção Brasileira…

O torcedor quer ver os meninos da Sub-20 em campo. Vão perder, vão ser dominados? Paciência. Os que estão jogando não estão fazendo nada melhor. Ao menos os jovens têm pernas, sonhos e coração. E não é preciso mudar todo mundo, claro. Deixe cinco ou seis do quadro titular atual e mude o resto. O santista quer sangue novo nesse time.

O torcedor já percebeu que neste Campeonato Brasileiro o nosso Santos, na melhor das hipóteses, ficará lá pelo meio da tabela, entre o décimo e o décimo-segundo lugares, como nos últimos anos, aliás. Qual o grande risco de se começar a dar espaço para os garotos? Sinto dizer-lhes, mas Edu Dracena, Durval e Léo não são imortais. Ao contrário. Logo mais terão dificuldade até para andar em campo. Poupe-nos de testemunhar essa agonia.

E, finalmente, por que, mesmo contra a opinião da maioria dos santistas, vocês querem trazer Robinho e Diego, que já estão em fim de carreira e viriam aqui apenas para enrolar um pouco até pendurar as chuteiras? E ainda com salários de um milhão de reais por mês… Brincadeira!!!

Há grandes times do Brasil, hoje mais competitivos do que o Santos, que foram formados com jogadores de equipes menores e garotos revelados da base. Por que o Santos não segue a mesma receita, que é a preferida do seu torcedor? Dá trabalho? Sim, claro. É preciso entender de futebol para selecionar os jogadores certos e também para preparar e motivar os jovens. Mas por que um técnico recebe 700 mil reais por mês e tem uma comissão técnica igualmente cara? Não é para saber selecionar jogadores e montar um time? Ou é para apenas fazer uma lista de medalhões a serem contratados e sair chorando pelos cantos quando eles não vêm?

Parem de se apegar ao passado, senhores. Até agora estão fazendo o Santos viver das sobras do passado. Vocês já trouxeram de volta Elano, André, e adiantou alguma coisa? O time campeão brasileiro de 2002 já era, ponham isso na cabeça. O time que encantou o Brasil em 2010 também já era. O tempo não para no porto, não apita na curva, não espera ninguém… Mostrem que são capazes de montar o seu próprio time, o grande time que represente tudo o que o Santos pode e não conseguiu. Os senhores não defendem a idéia de que o Santos pode mais? Chegou a hora de provar isso.

Os torcedores da Torcida Jovem que viajaram para Brasília foram barrados pela Polícia Militar e não puderam ver a despedida de Neymar no Estádio Mané Garrincha. Depois do jogo ficou constatado que nos vestiários os chuveiros não tinham água quente e os pontos de Internet não funcionavam. Este é mais um estádio superfaturado para a Copa de 2014.
http://youtu.be/ZitXbfwyuS0

Por que será que a diretoria do Santos não respeita a voz do torcedor santista?


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