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Modesto Roma revela que fará a auditoria

Era cinco e meia da tarde quando José Carlos Peres, Nilton Ramalho e eu saímos da sede do G4 Paulista rumo a Santos, a fim de tomar posse como conselheiros do clube. No caminho ficamos sabendo que Santos estava alagada e alguns companheiros, como o historiador Guilherme Nascimento, de Mongaguá, tinham desistido de alcançar a Vila Belmiro. Seguimos em frente, porém.

Peres, ao volante, buscou sair do congestionamento na saída da Imigrantes, mas todas as opções desembocavam em um mar de carros e caminhões ilhados por verdadeiros lagos criados pela chuva. O tempo todo o celular de Peres tocava trazendo a inquietação de colegas que também passavam pela mesma dificuldade. Urubatan Helou, mais à frente, ia nos informando sobre os maiores pontos de alagamento. Foram três até chegar ao Urbano Caldeira.

Freqüentador de Santos desde os 10 anos de idade, quando começou a assistir aos jogos do time levado por seu pai, Peres revelou que jamais vira a cidade tão alagada. Eu, que freqüento Santos regularmente desde meados dos anos 70, também não tinha visto tanta água.

Chegar à Vila revelou-se uma aventura. Em vários momentos houve o risco de o carro afogar, como, infortunadamente, ocorreu com muitos automóveis que encontramos pelas margens do caminho, com seus desesperados piscas-alerta na noite escura, margeando o súbito rio. O celular não parava. Seria impossível alcançar o salão do Conselho antes das 21 horas.

Não fosse a sábia decisão de estender o horário até 22 horas, e muitos não conseguiriam assinar a ficha de presença. Chegamos a 15 minutos do prazo final. Por sorte Peres encontrou uma vaga bem diante da entrada das sociais da Vila, mas por azar saímos do carro com tanta pressa que a lanterna dianteira ficou ligada – o que arrearia a bateria do Honda e nos faria sair de Santos apenas depois da uma hora da manhã.

No salão do conselho, a placa em homenagem a Arnaldo Silveira nos dava o recado de amor ao Santos e integridade que se espera de um conselheiro do clube. Rapaz da cidade que fundou o Santos aos 17 anos, aos 19 Arnaldo já era titular da ponta-esquerda da Seleção Brasileira. Mais alguns anos e tornou-se capitão do Escrete, o que já demonstrava bem seu caráter de líder que comanda pelo exemplo.

Desapegado de bens materiais, em 1932 doou todas as suas medalhas e troféus de ouro à causa Constitucionalista, que se batia contra a ditadura de Getúlio Vargas. Autor do primeiro gol da história do Santos, é considerado o primeiro grande ídolo de nosso clube – eu completaria: ainda hoje, e para sempre, um dos maiores. Seu exemplo, repito, deve nortear a conduta de cada conselheiro.

Cheguei a comentar sobre isso com alguns colegas, que, confesso, nem sabia a que chapa pertenciam. Isso não tinha maior importância. Éramos todos Santos, procurando uma saída para o caos em que o clube se encontra. Cumprimentei a muitos com quem dividiremos o barco nos próximos três anos e fui à mesa apertar a mão do presidente Modesto Roma, de Marcelo Teixeira e de Samir Abdul Hack, presidente do clube no vice-campeonato brasileiro de 1995.

Sinto-me feliz entre santistas. Sei que, salvo algumas diferenças de opinião, estamos todos movidos pelo mesmo sentimento e interesse de que tudo dê certo. Nisso encontrei o genial Clodoaldo, o sempre afável Corró, o volante que jamais perdeu uma dividida (para um outro jogador, pois um buraco do gramado acabou com seu joelho e sua carreira).

Ao amigo Nelson Jafet, que também estreia como conselheiro, outro herói que veio de São Paulo e ultrapassou o caos, tive o raro prazer de apresentar Clodoaldo e perceber o deslumbramento das feições deste brilhante executivo paulistano ao perceber ali, na sua frente, um de seus grandes ídolos no futebol.

Passar o Santos a limpo é essencial

A eleição para presidente do Conselho deu vitória, em todas as quatro urnas, à bancada formada pelo presidente Fernando Gallotti Bonavides, o vice-presidente Florival Amado Barletta, o 2º Vice-Presidente Eduardo Ribeiro Filetti, o 1º Secretário Luiz Simões Polaco Filho e o 2º Secretário Silvio José de Abreu. Agora, em janeiro, haverá as eleições para as várias comissões, entre elas a fiscal, muito importante diante da situação financeira do clube.

Por falar em situação financeira, eu não poderia perder a oportunidade de insistir sobre a importância da auditoria para passar o Santos a limpo e dar uma mensagem de credibilidade ao mercado. Sem ela, não haverá confiança dos patrocinadores, dos parceiros e nem dos sócios e torcedores do Santos.

Falei sobre isso, durante o caminho, com Peres e Nilton. Continuei falando no salão do Conselho e, ao final da cerimônia, aproveitei a proximidade de Marcelo Teixeira para tocar no assunto. Atencioso e educado, como sempre, Teixeira concordou com a necessidade da auditoria e pediu que eu falasse sobre isso com Modesto Roma.

Encontrei o presidente tomando um cafezinho antes de enfrentar o mau tempo, lá fora, e destaquei-lhe a inquietação dos santistas, que não podem compreender como um clube que há dois anos era considerado um dos mais ricos do País – principalmente pelo patrimônio gerado pelos vultosos passes de seus jogadores –, hoje vive esta situação crítica de ter três meses de salário atrasados, correndo o risco, de, da noite para o dia, perder boa parte de seu elenco.

Roma respondeu com um sorriso e abriu a mão mostrando os dedos, informando-me que não eram três, mas cinco meses de atraso. E quando tentei reforçar a necessidade de uma auditoria, providência pedida por boa parte dos santistas, ele me interrompeu dizendo que não haveria mesmo outra saída e que já estava providenciando isso. O Santos será, sim, passado a limpo.

Como o rombo começou? Como se deram as negociações de compra e venda de tantos jogadores? Keirrison, Elano, Borges, Possebon, Ibson, Ganso, Neymar, Leandro Damião, Thiago Ribeiro… Quanto se gastou com “extras” e que “extras” foram esses? O santista quer saber e o novo presidente demonstra sensibilidade para procurar essa resposta.

Ganhei a noite com a afirmação de Roma. A auditoria, tão prometida, mas pouquíssimo praticada pelos clubes de futebol brasileiros, deixará evidente que o Santos aprendeu a lição e, ao menos, quer ser administrado de forma responsável a partir de 2015.

Ano que será difícil, pois medidas radicais serão necessárias para se equilibrar as finanças do clube. Alguns jogadores recebem salários irreais e têm contratos longos. A irresponsabilidade da última gestão empurrou com a barriga várias bombas-relógio para a gestão atual. Roma está recorrendo a pessoas de sua confiança para lidar com os muitos problemas.

Chapas à parte, José Carlos Peres tem ajudado o novo presidente nessa hora difícil. Intercedeu para que a Doyen Sports fizesse o empréstimo de seis milhões de reais e está a postos para ajudar no que for preciso. Só não quer cargos e nem salários. Quer apenas ajudar, como eu, Nilton e tantos outros, de todas as chapas. Quando a floresta pega fogo, os bichos não se atacam. O piores sentimentos que podem aflorar entre os santistas, neste momento, são a vaidade e a ganância. Há algo bem maior em jogo, que é a sobrevivência do nosso time, do nosso clube, dos nossos sonhos.

Falar das coisas que discutimos aqui, neste blog, é sempre prazeroso. Estávamos, Peres, Nilton e eu, entre os últimos a sair e, quando comentávamos como estaria o caminho de volta, nos deparamos com o carro sem bateria. Um pedido a um serviço local demorou quase uma hora para ser atendido. Não fosse a ajuda do Alemão, aquele com distintivo na testa, e teríamos passado a noite na Vila. Ele saiu na chuva para nos ajudar.

Enquanto esperávamos, um garoto alto e magro desceu pelo elevador social. Adivinhei que seria um dos garotos da base que moram na concentração na Vila Belmiro. Brinquei: “Quarto-zagueiro?”. “Não, goleiro”, respondeu. Perguntei se jogaria a Copa São Paulo, disse que sim. Desejei-lhe sorte. No íntimo sei que o clube dependerá muito de seus Meninos em 2015.

Subimos a serra lentamente. Na outra pista vimos a interminável fila de carros e caminhões rumo à Baixada Santista. Aquelas pessoas devem ter passado boa parte da madrugada sem chegar aos seus destinos. Em São Paulo, pedi para ficar na Nove de Julho deserta. Pela janela do táxi percebi que a cidade também tinha sofrido uma borrasca. Cheguei em casa além das três horas da manhã e eram quase três e meia quando me aninhei com a Suzana, em busca de sonhos bons. Todas as tempestades passam.

E você, não acha que a auditoria é essencial neste momento do Santos?