Com o jogo-chave de hoje, Santos entra em fase decisiva

Reveja um dos bons jogos entre Santos e Inter no Beira-Rio:

O time está descansado, concentrado no jogo e poderá surpreender o Internacional no Beira-Rio, neste domingo, a partir das 18h30m, pelo Sportv. Digo surpreender porque o nível técnico é parecido, porém, jogando em casa, o time gaúcho deve ser considerado favorito. Meu palpite é o empate, mas acho que a vitória santista é bem possível.

É óbvio que o Santos não é um timaço, mas que time brasileiro é? Com aplicação, vontade e inteligência, é possível tornar todo jogo equilibrado, mesmo fora de casa e contra adversários tradicionais. Só não pode é se apavorar.

Com o jogo-chave de hoje, o Santos entra em uma fase decisiva no Brasileiro, que exprimirá suas reais intenções e possibilidades na competição. Depois do Inter, terá pela frente até o final do primeiro tempo: Corinthians (casa), Cruzeiro (fora), Atlético Paranaense (casa), São Paulo (fora), Botafogo (fora) e Vitória (casa).

Lembro-me que em 2004 o técnico Vanderlei Luxemburgo fez um pacto com os jogadores de vencerem sete jogos seguidos. E não é que as vitórias realmente vieram? Com elas o Santos passou a brigar pelo título, que finalmente conquistou em São José do Rio Preto, depois de superar todos os obstáculos possíveis e imagináveis.

O técnico Oswaldo de Oliveira deve escalar o Santos com Aranha, Cicinho, David Braz, Bruno Uvini e Eugenio Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Rildo, Thiago Ribeiro e Gabriel. Leandro Damião pode entrar no transcorrer do jogo.

O Internacional, do técnico Abel Braga, provavelmente entrará em campo com Dida, Wellington Silva, Paulão, Juan e Fabrício; Willians (ou Cláudio Winck), Wellington, Alan Patrick, D’Alessandro e Alex; Rafael Moura. A arbitragem será de Wilton Pereira Sampaio, auxiliado por Fabricio Vilarinho da Silva e Bruno Raphael Pires, todos de Goiás.

Santos e Inter perderam no meio de semana pela Copa do Brasil (o Inter caiu em casa, diante do Ceará, por 2 a 1). Mas hoje o jogo será para valer. Oswaldo aposta em uma saída rápida para o contra-ataque, mas dependerá de os atacantes marcarem a saída de bola do Inter. A formação do Santos é corajosa. Vejamos como o time se sairá.

E pra você, como o Santos deve jogar para vencer o Inter?

Atenção: Este artigo pode ser importante na luta contra a espanholização do futebol brasileiro. Se você concorda com ele, encaminhe-o aos seus amigos apreciadores do futebol. Vamos tornar nossos times mais competitivos e competentes.

Minha coluna no jornal Metro fala do crescente desinteresse do brasileiro pelo futebol:
O Brasil não precisa mais do futebol

Os clubes brasileiros já decidiram que vão se reunir para discutir a divisão de cotas recebidas da tevê, hoje o maior dinheiro que entra em seus cofres. A fórmula atual não é boa para o negócio futebol, pois afasta a competitividade que sempre estimulou o torcedor brasileiro. Sem competitividade, ou sem perspectivas de, cai o público nos estádios, o ibope das transmissões e escasseiam os patrocinadores. Enfim, não há futuro.

A Rede Globo, representada pelo executivo Marcelo Campos Pinto, tem adotado a fórmula espanhola, que reduziu gradativamente a grandeza dos demais clubes espanhóis e deu apenas a Barcelona e Real Madrid o privilégio de serem os únicos clubes realmente grandes daquele país. Imitar essa fórmula é o que chamamos adotar a Espanholização, algo extremamente prejudicial ao futebol brasileiro, cuja força sempre foi a competitividade.

Não se discute se os clubes que conseguem maior audiência devem receber um bônus da tevê. Mas esse valor não pode ser desmedido, como ocorre atualmente, ou o equilíbrio obtido há décadas se esfacelará em poucos anos.

É possível premiar os clubes de maior audiência sem causar esse abismo entre eles e os demais. Até porque um critério mais ético do que a audiência é o técnico, a classificação do time na competição, algo que os campeonatos mais prósperos de Alemanha e Inglaterra levam em conta.

Além disso, há o aspecto ético. Assim como não se pode, em uma ópera, patrocinar apenas o tenor, já que todos os artistas – cantores, bailarinos, instrumentistas – são essenciais ao espetáculo, em uma competição de futebol todos os times dividem o mesmo trabalho, atuando no mesmo número de jogos, com o mesmo empenho e mesmas chances.

Além do patrocínio individual que cada um obtém devido ao trabalho de seu departamento de marketing, além das arrecadações que cada um consegue por seu carisma ou classificação na tabela, por que é necessário que recebam verbas tão maiores da tevê?

E se é para imitar o que existe lá fora, por que não seguir o exemplo da Alemanha, em que metade da verba da tevê é dividida igualmente entre todos os times da Bundesliga, e o restante obedece aos critérios de colocação na tabela e índice de audiência?

Ou por que não copiar a divisão de cotas da Premier League, a primeira divisão do futebol inglês, competição de futebol mais rica do planeta? Lá, 70% da receita oriunda da tevê é dividida igualmente entre os clubes, e dos 30% restantes, 15% são prize money, premiam o time de acordo com classificação no campeonato, e os últimos 15% de acordo com o número de jogos transmitidos.

NFL, a Liga mais equilibrada e também a mais rica

Quando se fala em criar uma competição esportiva altamente rentável, não se pode fugir do exemplo da NFL, a Liga Nacional de Futebol Norte-americano. Lá, os jogos do campeonato nacional, que congrega 32 times, são transmitidos nos Estados Unidos por cinco canais de televisão – CBS, NBC, Fox Sports, ESPN e NFL Network –, que, juntos, pagam aproximadamente 3,1 bilhões de dólares por ano pelos direitos de exibição, verba dividida igualmente entre todos os participantes.

Manter o equilíbrio e a competitividade em alto nível é o grande objetivo da NFL. Para isso, algumas medidas são sagradas, tais como: Draft, ou peneira, em que os piores times da última temporada são os primeiros a escolher os jovens talentos do futebol norte-americano universitário, evitando que as melhores equipes se fortaleçam ainda mais. Salary Cap, ou limite para se gastar com salários de jogadores, impedindo que alguns times usem o seu maior poder financeiro para desequilibrar a competição.

Do lado oposto da NFL, temos a MLB, ou Major League Baseball, a liga do beisebol dos Estados Unidos. Com a competição nacional baseada em um modelo no qual os ricos sempre ganham e os mais pobres não têm chance, a MLB continua com cotas televisivas desproporcionais e isso reduziu a competitividade de um esporte que já foi o mais popular dos Estados Unidos, mas hoje perde para o dinâmico futebol norte-americano. Atualmente, a audiência do Super Bowl, o grande evento do futebol norte-americano, supera em 85 milhões de pessoas a do World Series, o seu similar do beisebol.

Contradições provocadas pela “espanholização brasileira”

Em primeiro lugar, como expliquei bem em uma correspondência ao ministro dos esportes Aldo Rebelo, é contraditório que em um país cujas lideranças políticas tenham vindo do sindicalismo e das organizações de classe, os clubes de futebol não possam negociar coletivamente, como categoria, os direitos de tevê. O desmantelamento do Clube dos Treze foi um erro que deve ser reparado imediatamente. Que surja a Liga dos Clubes de Futebol do Brasil.

Por outro lado, é evidente que as transmissões de futebol no em nosso País seguem a um modelo que só interessa à própria tevê. Em suas formas aberta (TV Globo), fechada (Sportv) e pay per view (Premiére), a Rede Globo exerce o monopólio nas transmissões de futebol, com o poder não só de dividir o dinheiro das cotas da maneira que quiser, como a de dar mais visibilidade em sua programação aos clubes que lhes forem mais interessantes comercialmente, colocando o objetivo financeiro acima do esportivo.

É evidente que os jogos noturnos às 22 horas são totalmente inadequados para o cidadão brasileiro, mas não para a Globo, que assim não vê prejudicado o seu sagrado horário da novela. É óbvio também que ao menos os torcedores dos times que fazem parte da primeira divisão do futebol brasileiro gostariam de ser igualmente informados, mas a Globo prioriza os times a quem paga mais, enquanto os outros ficam com as sobras, os minutos ou segundos finais de um programa esportivo. A seguir, outras questões a serem analisadas:

Ser campeão não vale um centavo a mais da tevê
Do jeito que a verba da tevê é distribuída, uma equipe como o Cruzeiro, que tem jogado o melhor futebol do País, pode ser campeã, bicampeã, tricampeã brasileira e mesmo assim continuará recebendo cerca da metade do valor dos dois privilegiados pela tevê, que poderão terminar essas mesmas competições em último e penúltimo lugar e ainda assim terão suas milionárias cotas garantidas. Essa reserva de mercado é odiosa. Onde está o incentivo à competência, único caminho que pode mudar o futebol brasileiro?

Quem ganha mais dinheiro, ainda tem mais visibilidade
A desigual distribuição de cotas provoca também uma visibilidade desproporcional, pois os dois times privilegiados também são aqueles que acabam tendo mais espaço na programação esportiva da tevê. Para garantir a melhor audiência nos jogos dos dois escolhidos, a tevê os promove bem mais do que os outros. Essa maior visibilidade torna bem mais fácil obter patrocínios, merchandising e atrair mais público para seus jogos. Ou seja: todos os ovos são colocados em apenas duas cestas.

Meritocracia jogada no lixo
Todos os grandes clubes brasileiros têm mais de 100 anos de existência, ou estão perto disso. Correto. Se nesses anos todos, dois clubes, mesmo tendo mais torcida do que outros, não conseguiram conquistar mais títulos, revelar mais jogadores ou contribuir mais para as conquistas da Seleção Brasileira do que alguns outros, por que deveriam ser regiamente premiados agora, com um valor desproporcional pago pela televisão? Porque angariaram mais torcedores? Mas onde está o mérito em ter mais torcedores? Não há o mérito técnico e muito menos o administrativo, pois se sempre tiveram mais torcida, por que não souberam utilizar esse mercado de torcedores para se tornarem mais prósperos e montar melhores times? Em outras palavras, foram menos competentes do que outros times que, mesmo não tendo tanta torcida, obtiveram resultados melhores ao longo de um século de vida. Resumindo, pagar tanto mais a esses dois clubes é um prêmio à incompetência.

Assim, o torcedor cairá fora do futebol
Creio que há um equívoco aí quando se analisa o comportamento do torcedor brasileiro diante dessa leonina distribuição de cotas. Creio que o responsável por esta estratégia tenha imaginado que o futebol brasileiro ficará dividido em dois blocos: os torcedores dos dois clubes privilegiados e os demais, e que lá no futuro esses outros acabarão se tornando mais anti-torcedores dos dois escolhidos do que propriamente torcedores de seus times. Porém, o cidadão-consumidor brasileiro não perderá tempo com o futebol – fenômeno que já vem ocorrendo, aliás – se perceber que o sistema vigente designou ao seu time um papel eternamente secundário. Ele simplesmente desviará sua atenção para outros esportes ou outras formas de lazer. Para quem duvida disso, eu lembrei um fato indiscutível em minha coluna desta sexta-feira no jornal Metro:
em 1942, quando a cidade de São Paulo tinha cerca de 1,5 milhão de pessoas, Palmeiras e São Paulo levaram 61 mil torcedores ao Pacaembu. Hoje, que São Paulo tem 11,5 milhões de pessoas, ou seja, dez vezes mais do que em 1942, Corinthians e Palmeiras só atraíram 31 mil pessoas ao jogo no recém-inaugurado Itaquerão, ocupando apenas metade da capacidade do estádio. A falta de competitividade matará o interesse que ainda sobrevive pelo futebol.

O jornalista deve pensar no futebol e não no seu clube
Certamente não faltarão colegas para afirmar que defendo outra forma de distribuição da verba da tevê porque meu time favorito não está entre os dois privilegiados. Eu também poderei responder que eles defendem esse sistema porque seus times estão levando vantagem. Mas a verdade é que defendo um futebol brasileiro com clubes grandes igualmente ricos, ou ao menos equilibrados, competitivos e eficientes. E para isso é essencial uma divisão de cotas de tevê mais justa. Talvez o Santos venha a ganhar menos com a nova fórmula do que ganha hoje. Paciência. Terá de ter competência para se sobressair, pois a competência será o grande diferencial entre os clubes brasileiros. Só quem tem medo dela pode defender a odiosa reserva de mercado que temos hoje.

E pra você, como as cotas de tevê deveriam ser distribuídas?