O Rei e Neymar. É, o Santos desperta inveja em muita gente…

Queridos leitores e leitoras, a inveja é o pior sentimento que uma pessoa pode sentir, pois engrandece quem é invejado e diminui aquele que a sente. Como diz a sabedoria popular, “a inveja mata”. Eu completo: mata o invejoso. Percebo, em muitos companheiros de profissão, custosos exercícios verbais para esconder a imensa dor de cotovelo que estão sentindo pelo momento do Alvinegro Praiano, que dividirá com o Barcelona o centro das atenções do mundo neste domingo.

Na pior das hipóteses, dois bilhões de pessoas assistirão ao jogo (acho que serão muitas mais). Como todo telespectador escolhe um time para torcer, o Santos terá, no mínimo, um bilhão de torcedores neste domingo – e destes uma boa parte o seguirá para sempre. Pois é nos grandes momentos, de alegria ou sofrimento, que se solidificam as paixões.

O estranho é que no Brasil, sua terra, o Santos terá muita gente torcendo contra. A possibilidade de conquistar sua terceira estrela está tirando o sono de muito torcedor rival, principalmente dos outros times paulistas. E o pior é que os invejosos não se restringem apenas ao típico torcedor de bar, de discussões sem sentido e sem argumentos. Muitos dos torcedores enrustidos se escondem atrás da profissão de jornalista esportivo e estão deixando cair a máscara.

Outro dia li um artigo “explicando” porque o Santos não será o Brasil no Mundial. Era evidente que, por meio do post no seu blog, o jornalista reconhecia que ele próprio, torcedor do São Paulo, torceria para o Barcelona na decisão. Bem, pelo menos este foi sincero…

Em um programa de tevê por assinatura ouvi de um velho cronista – que apesar de 80 anos de Brasil ainda não perdeu o sotaque – que o Santos só fará gol por um “milagre”. Ora, se um time que tem o artilheiro do Campeonato Brasileiro, o melhor jogador do Brasil e um craque como o Ganso precisará de um milagre para marcar um gol, então o futebol brasileiro deve ser a porcaria das porcarias e o Barcelona é um time de extraterrestres. Para qualquer meio entendedor, ficou evidente que o decano dos jornalistas esportivos nutre um rancor antigo pelo Peixe. Trauma de infância, talvez.

Fórmulas mágicas para desmerecer a conquista

Não satisfeitos em dizer que o Santos não tem qualquer chance de ser campeão do mundo, os especialistas de meia tigela ainda se previnem contra uma “surpresa”. Dizem que mesmo que o Santos ganhe a partida, o Barcelona continuará sendo o melhor time do mundo. Ora, que bobagem descomunal…

De que interessa ter o título moral de campeão do mundo e pipocar justo no jogo decisivo? Digam para o torcedor brasileiro se conformar com a derrota em 1982, pois a Itália foi campeã, mas o Brasil era o melhor do mundo. Ora, senhores, até parece que não conhecem o espírito do futebol, a alma do torcedor. O futebol despreza campeões morais e glorifica os que erguem a taça.

Outros doutores em futebol – que certamente jamais chutaram uma bola na vida – afirmam que se fosse uma série de 10 partidas, o Barcelona ganharia a maioria, mas como é um jogo só, tudo pode acontecer. Ora, que pensamento mais idiota. Em primeiro lugar, a decisão é em um jogo só. Quaisquer suposições aleatórias são dispensáveis. Ou querem que Barcelona e Santos arrumem dez datas no ano para um super playoff? Eu iria adorar, mas é um devaneio digno de quem não está em seu juízo perfeito.

O que é mais odioso nessa atitude de alguns metidos a entender de futebol é que além de não considerarem a mínima possibilidade de o Santos vencer, já arrumam uma desculpa para a “zebra”. Ora, será que não respeitam ao menos a imponderabilidade do futebol? Vão catar coquinho…

Brasileiro torcer contra o Santos é torcer contra si mesmo

Campeão da Libertadores, melhor time do País dos últimos anos, o Santos, com suas qualidades e defeitos, é um digno representante do futebol brasileiro. Se ele não tem qualquer possibilidade de vencer o campeão da Europa, como alguns insistem em dizer, esse não é um problema só do Santos, mas do futebol sul-americano e brasileiro, no qual militam esses mesmos jornalistas que babam ovo para o Barcelona e desprezam o Alvinegro Praiano.

Se o nosso futebol não produz um time capaz de jogar em igualdade de condições com o campeão europeu, então toda a comunidade futebolística brasileira é um lixo, não só o Santos. E se o Santos é o mais fraco ou o menos forte dos dois que decidirão o Mundial, por que tem tanto brasileiro torcendo contra o time de Neymar? O normal não seria torcer pelo mais fraco?

Das duas, uma: ou porque são masoquistas, ou porque, no fundo, não consideram o Santos o mais fraco dos dois e temem que ele possa vencer o Barcelona, o que desmoralizaria suas teses de que o time catalão é a oitava maravilha da Terra.

Admitir a teórica superioridade do Barcelona é normal, mas arrumar desculpas antecipadas para uma vitória do Santos é agir de forma odiosa e insensata. Pois um título do Alvinegro Praiano virá valorizar o futebol brasileiro em um momento crucial, em que o País se prepara para sediar a Copa do Mundo.

Mas a vitória deixará o currículo do Santos tão mais relevante do que os dos clubes brasileiros, que muitos não poderão suportar. Se o time de Muricy for campeão, que os hospitais preparem os balões de oxigênio e os desfribiladores, que os atendentes do CVV fiquem de plantão. Muito torcedor rival sucumbirá diante de tamanha dor.

Porém, como o Santos está acostumado a jogar contra tudo e contra todos, esta má vontade de boa parte da crônica esportiva brasileira e esse olho gordo dos adversários são até estimulantes. Nada como ganhar o título mais cobiçado do futebol e fazer os babacas engolirem sua inveja.

E você, o que acha dos jornalistas que estão torcendo contra?