Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Subdesenvolvidos

Nada é por acaso. Brasil e Argentina, tidos como os gigantes do futebol sul-americano, voltam a campo nesta terça-feira pressionados para mudar sua sorte nas Eliminatórias para a Copa. Como se sabe, os brasileiros perderam para os chilenos, em Santiago, por 2 a 0, e os argentinos foram derrotados pelo Equador, em plena Buenos Aires, também por 2 a 0. O clima aqui na Argentina, onde prossigo nas férias, é desanimador e preocupante.

O Brasil vencer a Venezuela, em Fortaleza, é a lógica absoluta; agora, o jogo em Assunção, contra o Paraguai, não tem prognóstico. Os aguerridos paraguaios podem, muito bem, infligir uma segunda derrota à Argentina, o que colocaria o time de Messi em uma situação muito delicada. Na tevê local, um Tevez pouco convincente fala em recuperação.

O que ocorre é que tanto Brasil como Argentina estão abdicando do direito de escolher seus jogadores e formar sua seleção. Estão deixando esse encargo para a Europa. Se o jogador é titular em uma equipe europeia de prestígio, então, obrigatoriamente, está sendo escalado como titular da seleção local. Isso retrata a inversão do momento histórico do futebol. Hoje estamos sendo subdesenvolvidos também nesse esporte que já dominamos.

É evidente que o Brasil não precisa jogar como uma equipe europeia, fazendo a bola passar rapidamente pelo meio-campo, anulando a figura exponencial do meia, aquele que sempre comandou o Escrete. Para o estilo vencedor do futebol brasileiro funcionar, a bola precisa parar um pouco mais naquele setor, pois a partir dali as jogadas têm de ser pensadas e executadas por especialistas.

Na Seleção Brasileira os laterais atropelam os alas e os volantes também avançam, diminuindo o espaço e o tempo dos jogadores de criação. O individualismo prepondera e todos jogam mais para o Youtube e para seus empresários do que para o time. A derrota para o Chile não me surpreendeu. Mas teve o seu lado de bom, ao mostrar que uma seleção pentacampeã não pode se desfazer da bola tão apressadamente. Por isso, estou certo de que a efetivação de Lucas Lima no meio será um bom passo inicial para melhorar o time. Ele sabe proteger a bola e esperar o momento certo do passe.

E já que falei de Lucas Lima, não deixarei de citar também Ricardo Oliveira, o outro santista da Seleção. Para mim, desde que o time jogasse para um centroavante, ele seria o titular, no lugar do forte, rápido, mas desmiolado Hulk. Oliveira se coloca melhor e cabeceia melhor. Também é mais apto para fazer uma tabela, tem mais experiência ali na chamada zona do agrião. Hulk é um tanque, que tanto pode decidir uma partida com suas trombadas e seu chute potente, como pode cometer um dilúvio de erros.

Espero que Dunga tenha coragem de fazer o que tem de ser feito e de escalar os que realmente estão jogando melhor e para o time. A Seleção virou uma vitrine para jogadores que só pensam em suas carreiras e se esquecem do óbvio: que precisam ajudar o time a vencer, pois há uma longa tradição e muita aflição popular em jogo (como sempre, não são os intelectuais ou os mais favorecidos, mas não os pobres quem mais sofrem com a Seleção).

E para você, o que está havendo com o futebol de Brasil e Argentina?


Barba e Cabelo

Este é o filme do Rachid. Mostra a torcida do Santos em Itaquera. Veja até o fim:

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Barba e Cabelo

Nos tempos idos diziam que o time fazia barba e cabelo no outro quando ganhava tanto no jogo de aspirantes, quanto no principal. Empresto essa expressão para saudar o Santos, que derrotou o líder do Campeonato Brasileiro na Vila Belmiro e no Itaquerão. E o melhor é que jogou no campo do adversário como se estivesse em casa, vencendo por 2 a 1, sem sustos, classificando-se para as quartas-de-final da Copa do Brasil e deixando algumas evidências que só não vê quem não quer:

1 – Dá para jogar fora de casa tão bem como na Vila. O técnico Dorival Junior teve mérito nisso, sem dúvida, mas contou com a colaboração dos jogadores, que se doaram na marcação sem a bola, e tocaram rápido quando a tinham. Nó tático no afamado treineiro adversário.

2 – Dá para mandar jogos em um estádio da capital e ser tão bem-sucedido como na Vila. Se com a grande maioria da torcida contra, o time se impôs, é fácil imaginar o que não faria se tivesse 95% dos torcedores a favor. É preciso negociar com a Prefeitura de São Paulo a parceria com o Pacaembu. Se quiser, mesmo, sai negócio, e muito bom para o Santos.

3 – No futebol, o Santos sempre vai equilibrar com os melhores do Brasil. No dia em que também fora de campo for melhor administrado, com mais ousadia, competência e visão, voltará a produzir grandes façanhas.

4 – Boa parte da imprensa esportiva deve ficar triste ao constatar que o Santos é que tem jogado o melhor futebol nos últimos dias. Os dois queridinhos da mídia foram eliminados ontem da Copa do Brasil. O time do Guerrero caiu diante do Vasco. E o pior, para eles, é que o Corinthians não tem um craque. Um dos poucos que trata bem a bola é Renato Augusto. Mas não dá para engraxar as chuteiras de Lucas Lima.

5 – Esta vitória, no campo do adversário, é uma amostra do que o Santos pode fazer. Comecemos a associar o Alvinegro Praiano com grandes estádios, grandes platéias, patrocinadores poderosos, dezenas de milhares de associados e dinheiro para dar e vender. Este é o Santos Gigante que o santista não pode deixar morrer nos seus sonhos. Nada de se apequenar, de se restringir ao seu bairro. O Santos é do mundo!

Atuações dos santistas

Vanderlei – Não foi muito exigido, mas quando o foi, se saiu bem. 7.
Victor Ferraz – Atento, com ótimo controle de bola, rápido, fez uma de suas grandes partidas. 7,5.
David Braz – Discreto, mas seguro. Não bobeou. 7.
Gustavo Henrique – Formou uma dupla eficiente com David Braz. 7.
Zeca – Boa atuação. Só se descuidou das costas no gol corintiano. 6,5.
Renato – Sua experiência valeu. Organizou a marcação no meio. Sabe o que faz com a bola. Mas de uma cruzada de bola sua saiu o gol do adversário. 6,5.
Thiago Maia – O que ainda lhe falta de experiência, sobra de garra e vontade. Deu o passe para Marquinhos Gabriel no segundo gol. 7.
Lucas Lima – O maestro do time. Se Dunga viu bem o jogo, LL saiu da partida como titular da Seleção Brasileira. 8.
Gabriel – Gol de grande oportunismo. Vinha mujito bem até se machucar. 7,5.
Ricardo Oliveira – Experiência, presença de área e um golaço. 7,5.
Geuvânio – Caiu no segundo tempo, mas enquanto teve fôlego, criou muitas jogadas. Deu lindo passe para o gol de Gabriel. 7,5.
Dos jogadores que entraram, o melhor foi Marquinhos Gabriel, que se apresentou para o jogo e deu passe perfeito para o gol de Ricardo Oliveira. 7,5. Leandrinho entrou meio sonado, mas merece um 6. Pior foi Chiquinho, sem ritmo, que cismou de dar um calcanhar no meio-campo e quase ajuda o adversário a empatar a partida.
Dorival Junior – Está amadurecendo como técnico. Derrotou o decantado Tite duas vezes. Ontem, fatiou o rival. Não caiu na cômoda armadilha de colocar o time na defesa. Botou seus rapazes para comandar no Itaquerão. Merece um 8.

Corinthians 1 x 2 Santos
Itaquerão, 26/08/2015, 22 horas
Jogo de volta das Oitavas-de-final da Copa do Brasil
Público e renda: 37.338 pagantes e R$ 2.353.824,50.
Corinthians: Cássio; Edílson, Felipe (Edu Dracena), Gil e Uendel; Ralf e Bruno Henrique (Cristian); Matheus Pereira (Romero), Renato Augusto e Malcom; Vagner Love. Treinador: Tite
Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, David Braz, Gustavo Henrique e Zeca; Renato e Thiago Maia (Leandrinho); Gabriel (Marquinhos Gabriel), Lucas Lima e Geuvânio (Chiquinho); Ricardo Oliveira. Treinador: Dorival Júnior.
Gols: Gabriel aos 14 minutos do primeiro tempo; Ricardo Oliveira aos 18 e Romero aos 28 do segundo.
Arbitragem: Ricardo Marques Ribeiro (Fifa-MG), auxiliado por Bruno Boschilia (Fifa-PR) e Márcio Eustáquio S Santiago (Especial 1 – MG).
Cartões Amarelos: Bruno Henrique, Felipe, Vagner Love, Ricardo Oliveira e Lucas Lima.

E você, o que achou de Santos 2 x 1 Corinthians?

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Nosso superclássico é contra o Criciúma, neste domingo, às 18h30

enderson moreira
Enderson Moreira com três de suas apostas: Lucas Lima, Patito e Caju. Santos faz a melhor campanha no segundo turno, mas terá jogo dificílimo neste domingo, em Criciúma (Foto: Ricardo Saibun).

Robinho ia tocar pela primeira vez na bola quando o complicado árbitro chinês Fan Qi (em chinês, “Fan Chi) apitou o final do jogo. Levar o grande atacante do Santos, e uma das raras atrações do Campeonato Brasileiro, para assistir, do banco de reservas, esse tal de Superclássico das Américas, foi sacanagem. Mas há muito a CBF está totalmente dissociada dos clubes brasileiros. Ela usa os melhores jogadores que os clubes conseguem contratar, ou revelar, e se nega a pagar seus salários enquanto estes servem a Seleção.

Se, não só no caso de Robinho, mas também no de Kaká, fossem jogadores jovens, cujos passes pertencessem aos clubes, ainda se poderia entender. Estariam sendo testados para a próxima Copa e ainda valorizados com a convocação para a Seleção Brasileira. Mas os passes de Robinho e Kaká não pertencem a Santos e São Paulo, que os emprestaram por apenas seis meses. A cada viagem destas com a Seleção, os dois clubes têm grande prejuízo.

Em campo, um desafio que mais pareceu jogo de casados e solteiros. Mas o Brasil ganhou e Diego Tardelli fez os dois gols. Enfim, a Seleção tem um centroavante que não mata de canela. Messi não conseguiu marcar nem no pênalti inventado pelo árbitro chinês. Neymar só fez firula. Se a convocação de Robinho fosse para valer, ele deveria ter voltado para o segundo tempo no lugar do filho do pai.

Superclássico mesmo estava sendo jogado também na China, mas em Xangai, e transmitido pelo outro canal do Sportv, em que o melhor narrador da casa, Eusébio da Silva Resende – nome em homenagem ao Eusébio, craque de Portugal – descrevia, ponto a ponto, o duelo em que o suíço Roger Federer quebrou a invencibilidade do sérvio Novak Djokovic na China, que vinha desde 2010. 6/4 e 6/4, com direito a matar o jogo com um voleio. Agora Federer decide o título do Masters 1000 de Xangai com o francês Giles Simon, que na outra semi derrotou o espanhol Feliciano Lopez.

Superclássico em Criciúma

Para o santista, superclássico de verdade – ao menos em emoção – será o deste domingo, às 18h30m, contra o Criciúma, no estádio Heriberto Hülse, certamente lotado para este jogo decisivo para o futuro dos dois times no campeonato. A campanha do Santos é bem melhor e o time parece ter entrado em uma fase muito boa, mas não podemos nos iludir. Será um confronto disputado em clima nervoso, com muita correria, e se entrar com o pé mole o Santos pode ter a mesma sorte do Atlético Mineiro, derrotado na semana passada, em Criciúma, por 3 a 1.

Pela tabela, o favoritismo do Santos parece ampla, já que é o sétimo colocado, com 42 pontos e duas vitórias, contra a penúltima posição do adversário, que tem 27 pontos ganhos e apenas seis vitórias, mas é aquele tipo de jogo que se o Santos entrar desconcentrado, quando acordar, será tarde.

Sem Robinho, que está viajando com a turma do Dunga pela Ásia, o Santos deverá manter o mesmo time que vem atuando. O técnico Enderson Moeira deve escalar novamente Caju, Patito, Geuvânio e Leandro Damião entre os titulares. O garoto Gabriel, de quem esperamos tanto, precisa se orientar melhor. No último jogo entrou muito mal.

O Criciúma, também chamado de Tigre, ou Carvoeiro, deve ser escalado pelo técnico Gilmar Dal Pozzo com Bruno, Eduardo, Ronaldo Alves, Joílson e Giovanni; Rodrigo Souza, João Vitor e o nosso conhecido Cléber Santana; Lucca, Bruno Lopes e Souza.

Santos terá uniforme em homenagem ao Dia Das Crianças

Notícia do site do Santos: Para comemorar o Dia das Crianças, o Santos FC entrará em campo neste domingo, contra o Criciúma, vestindo um uniforme um pouco diferente do tradicional. A mudança estará nos números, desenhados por atletas mirins da equipe de futsal do Peixe, e estampados na cor azul, do Unicef. A ideia, criada pelos departamentos de Marketing e Comunicação do Peixe, é estimular os torcedores a se tornarem doadores do órgão da ONU, contribuindo para o desenvolvimento de milhares de crianças nos mais de 190 países em que o Unicef está presente, como Brasil, Etiópia e Síria.

Acho legal ajudar, de vez em quando, essas entidades. Eu mesmo dou uma forcinha à Abrinq aqui no blog. No entanto, o marketing do clube deveria estar mais empenhado em criar ideias para atrair patrocinadores que podem ajudar o Santos a pagar suas dívidas.

Enderson não tem medo do Pacaembu

Gostei muito de saber que Enderson Moreira não tem qualquer complexo de jogar no Pacaembu, que ele considera também uma casa do Santos. É bom ouvir uma declaração racional sobre o assunto. Se o gramado é bom, quase toda a torcida é do Santos e se o clube já ganhou tantos títulos jogando lá, por que haveria algum problema de o Santos jogar no Pacaembu? Mais um ponto a favor de Enderson em comparação ao seu comodista antecessor.

Hoje tem festança lá na quadra da Torcida Jovem

Hoje a Torcida Jovem, que acompanhei desde seu nascimento, completa 45 anos. Para comemorar, haverá uma festa de arromba lá na quadra da Jovem. Segue o convite para todos os interessados:

O Grêmio Recreativo Cultural Torcida Jovem do Santos vem através deste convidar vossa senhoria e família para juntos comemorarmos o nosso aniversário de 45 anos que será realizado no dia 11/10/2014, a partir das 22 horas em nossa sede, à rua Doutor Luiz Carlos, 03, São Paulo/SP, pois para nós será um momento precioso.

Para abrilhantar ainda mais a nossa festa, convidamos Emicida, Art Popular, Mc Frank, Mc Bó, DJ Luisinho, com participação especial da Ala Musical e Bateria Nota 10 da Escola de Samba Torcida Jovem.

No primeiro turno Santos x Criciúma foi assim:

E você, o que espera de Criciúma e Santos, neste domingo?


Há 26 anos o Santos era campeão em cima do Corinthians e ainda impedia o tri do rival!


De canela é mais gostoso…

Passei o dia 2 de dezembro de 1982 fechado na técnica central da Rádio Globo de São Paulo. Como coordenador da jornada esportiva, distribuía a bola para repórteres, locutores, comentaristas e fazia o meio-campo dos homens da latinha com os operadores de mesa e técnicos de som. Só tínhamos uma tevê, sem som, para vislumbrar o jogo, quando dava. E meu coração, é claro, estava apertado.

Depois de muitos anos no sistema eliminatório (mata-mata), a Federação Paulista de Futebol resolvera voltar o Campeonato Paulista à fórmula dos pontos corridos, e o Santos se mantivera à frente o tempo todo. Nas últimas rodadas, entretanto, o Corinthians se aproximara perigosamente. Se vencesse aquela última partida – coincidentemente contra o Santos, líder do campeonato – o alvinegro da capital seria tricampeão paulista, repetindo o feito do Santos em 1967/68/69.

Estavam construindo o metrô na Rua das Palmeiras e, naqueles tempos, o que não faltava na Rádio Globo eram baratas e corintianos. Eu estava cercado por elas e eles. Conversei com o Osmar Santos antes da transmissão. Geralmente ele me pedia alguma frase para dizer na hora do gol. Naquele dia, só me lembro de ter passado a ele que o gol, em uma final como aquela, seria o momento da verdade que se eterniza. Ele improvisava em cima das minhas sugestões e percebo, ouvindo agora, que deu uma acoxambrada no que eu lhe disse.

Feios, sujos e malvados

Esta é uma expressão que o escritor José Roberto Torero utilizou para definir o time do Santos campeão em 1984 e concordo com ela. Aqueles jogadores fugiam do padrão santista. Depois de ver seus Meninos da Vila caçados em campo e roubados pela arbitragem – revolta que chegou ao clímax em 1983, quando Arnaldo César Coelho garfou o Alvinegro na final do Brasileiro, no Maracanã –, o torcedor queria um time menos ingênuo, com jogadores mais durões, malandros e até violentos.

E aquele Santos, com jogadores da estirpe de Rodolfo Rodríguez, Márcio, Toninho Carlos, Dema, Humberto e Serginho não era mesmo de levar desaforos para casa. Podia até perder na bola, mas no pau, nunca…

Debate de “O Grande Jogo”

No livro que fiz com Celso Unzelte sobre aquela que chamamos a maior rivalidade alvinegra do futebol, Celso e eu falamos desta final de 1984, claro. Reproduzo aqui o que cada um disse sobre ela:

Celso Unzelte
1984 era para ser o ano do tri, e só não foi porque apareceu justamente o Santos, e Serginho Chulapa, no meio do caminho. Reforçado pelo dinheiro da venda de Sócrates para a Fiorentina, da Itália, o Corinthians montou um time quase todo novo, com o goleiro Carlos e o lateral-direito Édson, que eram da Ponte; o volante Dunga, jovem revelação do Inter; o meia Arturzinho, o centroavante Lima, o ponta-direita Paulo César (ex-São Paulo) e até um ex-santista histórico, o ponta-esquerda João Paulo. Mesmo atrapalhado pela Seleção Olímpica, que durante um bom tempo nos tirou o volante Dunga e o técnico Jair Picerni, o Timão reagiu espetacularmente naquele campeonato, ganhando 22 dos últimos 24 pontos disputados, em uma época em que vitória valia só dois pontos. Bastava, na última rodada, vencer o Santos, que só precisava do empate para ser campeão.

O Santos era um time baseado principalmente nas defesas de Rodolfo Rodríguez e nos gols de Serginho. Passou o ano inteiro jogando como se deve jogar em um campeonato de pontos corridos, como foi aquele: empatando fora e ganhando em casa. Confiantes como sempre, os corintianos foram ao estádio plageando um sucesso da época, cantado pelo grupo de garotas Sempre Livre: “Eu sou tri, sempre tri, eu sou tri demais…” Eu poderia aqui choramingar um pênalti claro sobre o Zenon não marcado pelo árbitro José de Assis Aragão quando estava 0 a 0, mas não vou fazer isso porque não gosto de desmerecer as conquistas dos outros. É a sua vez de detalhar um pouco mais aquela vitória do Santos.

Odir Cunha
Como você bem disse, Celso, o Corinthians vinha de grande reação e precisava da vitória para chegar ao tricampeonato, repetindo o feito do Santos em 1967/68/69. Mais de 100 mil pessoas (101.587) pagaram para ver o jogo e no final tiveram de aplaudir os campeões Rodolfo Rodríguez, Chiquinho, Márcio, Toninho Carlos e Toninho Oliveira; Dema, Lino, Paulo Isidoro e Humberto; Serginho e Zé Sérgio, comandados pelo técnico: Castilho.

Você disse que aquele Santos vivia das defesas do uruguaio Rodolfo Rodríguez, um dos melhores goleiros que já atuou no Brasil, e dos gols de Serginho. Realmente, eram excelentes em suas posições, tanto que Serginho foi o artilheiro daquele campeonato, com 16 gols, repetindo o feito do ano anterior, quando havia marcado 22. Mas o Santos tinha muito mais.

Os zagueiros Márcio e Toninho Carlos chegaram a atuar pela Seleção Brasileira, assim como os meio-campistas Dema e Paulo Isidoro e o atacante Zé Sérgio. O time era melhor do que o Corinthians do técnico Jair Vicerni, ou melhor, Picerni.

As imagens do jogão

Trago três vídeos sobre a partida. No primeiro, logo abaixo, perceba que o Morumbi está dividido ao meio. Mesmo tendo o mando de jogo, o Santos jamais marcaria um clássico final do Campeonato Paulista para a Vila Belmiro, ou para o Pacaembu. Só o Morumbi comportava essa grande rivalidade. Portanto, trata-se de mais um título vencido longe da Vila. Note, ainda, que bandeiras e fogos eram permitidos.

Reveja agora os principais momentos do jogo. Costumo dizer que Serginho fez o gol de canela. Note bem que foi mesmo. Repare ainda que João Paulo, um dos Meninos da Vila de 1978, jogava pelo Corinthians e teve boa chance, defendida magistralmente por Rodolfo Rodríguez. Por fim, perceba que o gol do Santos começou com um passe errado de um corintiano, que cai no pé do santista Paulo Isidoro. Quem foi o corintiano? Ora, ninguém menos do que Dunga, este mesmo que não levou Ganso e Neymar pra Copa.

Por fim, termino com a narração do gol por Osmar Santos. Perceba como ele pega o lance em cima, narrando cada detalhe com precisão. Para mim, foi o grande nome da narração esportiva do Brasil. Claro que sou suspeito, pois além de ser seu redator por quatro anos, também fui e sou seu amigo.

E pra você, que recordações o título de 1984 traz?


Nós já sabíamos…

Dunga, por que você não me escutou?

Eu sempre disse que o futebol é uma prova de que a voz do povo é a voz de Deus. Assim, o que aconteceu ontem em Nova Jersey, com o show da Nova Seleção Brasileira sobre os Estados Unidos, não me surpreendeu nem um pouco. As ótimas exibições dos Meninos da Vila Paulo Henrique Ganso, Robinho e Neymar apenas repetiram o que eles têm jogado no Santos.

Dunga disse que não levou Ganso e Neymar para a Copa porque eles nunca tinham sido testados antes na Seleção Brasileira principal. Pois espero que ele tenha visto o jogo de ontem e percebido a burrada que fez. Não acho que ele seja o tipo de sujeito que irá admitir um erro, pois é preciso ser muito sábio e ter muita personalidade para reconhecer isso. Uma pena. Como eu disse no sambinha “Dunga me escuta”, que compus e está no Youtube, “Dunga, a Seleção Brasileira não é só sua, meu irmão”.

Ouvi de alguns companheiros de imprensa a crítica de que apoiei com tanto entusiasmo as convocações de Ganso e Neymar para a Copa apenas porque sou santista. Ora, é uma maneira terrivelmente simplista de ver as coisas. Até porque já acompanho Copas do Mundo, como jornalista, desde 1978, e jamais fiz campanha para ninguém ser convocado. Fiz desta vez, ao lado dos amigos do twitter, porque realmente vi nos dois garotos, principalmente em Ganso, uma clarividência aguda para o futebol, um talento extraordinário.

Arrisco dizer que Paulo Henrique Ganso caminha para se tornar o maior jogador de meio-campo na história do futebol brasileiro – pela visão, pela habilidade, pela inteligência e pela personalidade. Talvez, só mesmo Gérson, Falcão e Ademir da Guia – dos que eu vi jogar – poderão ser comparados a ele no futuro, mas Ganso tem apenas 20 anos e ainda está em evolução. Se bem que, sinceramente, eu não consiga ver o que mais ele precise aprimorar.

Para não dizer que não me surpreendi com nada, farei apenas uma ressalva quanto a Neymar. Não imaginei que o garoto já estreasse tão à vontade com a amarelinha. Mas, como eu também imaginava, confirmou-se que é menos difícil enfrentar uma equipe anglo-saxônica que marca duro, mas sem maldade, do que encarar os beques brasileiros que batem por trás, dão carrinho, cotovelada, ameaçam e depois pedem cartão para o atacante dizendo que este simula faltas.

Sobre isso, abro um parêntese para lembrar uma frase de Mano Menezes na entrevista após a partida: “Personalidade não se dá a ninguém. Ou se tem, ou não se tem”. E Ganso e Neymar provaram que têm de sobra.

Neymar jogou como um craque maduro e foi premiado com o gol, em um ótimo cruzamento de André Santos – outro que deveria estar na Copa, pois é o lateral-esquerdo brasileiro com mais habilidade e o que melhor bate na bola.

Robinho voltou a jogar como nos bons tempos, e o ataque com ele, Neymar e Pato está perfeito. Claro que torci muito para André, mas admito que Pato está um pouco à frente do ex-santista como centroavante desta Nova Seleção.

2 a 0 foi pouco. Robinho merecia um gol, assim como Ganso, que acertaram o mesmo pé esquerdo da trave norte-americana. O Brasil colocou a emergente Seleção dos Estados Unidos na roda. Um show. A melhor exibição da Seleção Brasileira dos últimos cinco, seis anos.

Reconheço que Mano Menezes foi muito feliz na convocação, na escalação do time e na decisão de dar aos titulares tempo suficiente para mostrar seu futebol. O ex-técnico corintiano deve ter aprendido hoje que contra-ataque, sua tática preferida, só é a melhor opção quando não se tem jogadores tão habilidosos, que mantêm a posse de bola o tempo todo.

O Brasil tocou a bola no campo dos Estados Unidos e mesmo assim ficou com ela cerca de 80% do tempo. Após os 10 minutos iniciais, os norte-americanos não conseguiram nada no ataque. Mal passaram do meio-campo, aliás.

Este estilo de jogo já é uma clara influência da Copa, em que os dois finalistas – Espanha e Holanda – jogavam assim, priorizando a posse de bola. A diferença é que o Brasil parece tocar tão bem como os espanhóis, mas tem mais opções para chegar ao gol adversário.

Enfim, ontem se viveu mais uma noite de sonho para o futebol brasileiro no geral e para os santistas em particular. Uma noite tão boa que há torcedor alvinegro certo de que Wesley e Arouca serão os novos convocados de Mano Menezes. Ouvi até quem, diante das inseguranças de Daniel Alves, tenha pedido Pará na lateral-direita. Bem, não duvido mais de nada…

O único lado preocupante é que com Neymar e Ganso jogando assim, as ofertas pelos garotos chegarão à Vila Belmiro na mesma proporção das cartas dos fãs. Que grande clube do mundo não gostaria de ter dois craques como eles? Bem, que fiquem querendo. Os dois Meninos são da Vila.

O que você achou das estreias de Ganso e Neymar na Seleção Brasileira? Acha que o Santos conseguirá resistir às propostas dos clubes europeus que querem contrata-los? Tem mais algum Menino da Vila que merece ser chamado para a Nova Seleção Brasileira?


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