Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Santos de Robinho em jogo decisivo hoje, às 19h30m, na Vila

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Robinho, o maior chamariz para atrair mais sócios para o Santos.
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Edu Dracena precisa confirmar que a defesa é mais segura com ele, e Leandro Damião, bom sinal, foi visto treinando chutes de esquerda (Fotos: Ricardo Saibun/ Santos FC).

Hoje é dia de revanche para Oswaldo de Oliveira. Vencido por Doriva na final do Campeonato Paulista, Oliveira pode dar o troco no jovem técnico que trocou de rubro-negro e hoje dirige o ofensivo Atlético Paranaense.

Pode parecer que não, mas o jogo de logo mais, às 19h30m, na Vila Belmiro, sem tevê, é decisivo para as perspectivas do Santos neste Campeonato Brasileiro. O Atlético Paranaense tem três pontos ganhos a mais e é, teoricamente, um rival direto na disputa por um lugar no G4. Hoje qualquer resultado diferente da vitória será muito ruim para o Alvinegro Praiano.

O técnico Oswaldo de Oliveira manterá o mesmo time que jogou domingo, com exceção da entrada de Edu Dracena no lugar de Bruno Uvini. Hoje uma esquema mais ofensivo se justifica, mas o adversário merece cuidados, pois tem feito mais gols do que o Santos.

Segunda melhor defesa do campeonato, o Santos não tinha sofrido tantos gols em uma partida até os 3 a 0 para o Cruzeiro e hoje será um teste importante para checar se a volta do experiente Edu Dracena deixa mesmo o setor mais sólido, ou não.

O time jogará novamente com três atacantes – Thiago Ribeiro, Robinho e Leandro Damião –, apoiados pelo meia Lucas Lima e os laterais Cicinho e Mena. Alison e Arouca serão os únicos do meio com a função precípuo de marcar o bom ataque do Atlético/PR.

Com 23 gols em 11 jogos, o Atlético tem o terceiro melhor ataque do Brasileiro, atrás de Cruzeiro (32) e São Paulo (25). Assim, o Santos enfrentrá os três seguidamente nesta reta final do primeiro turno. Mas o time do Paraná estará desfalcado no jogo de hoje. O jovem artilheiro Douglas Coutinho serve a Seleção Brasileira Sub-21 e na defesa o veterano Cléberson, suspenso, deixará o lugar para Dráusio. Esses desfalques podem ajudar ao Santos.

Outro detalhe favorável ao Alvinegro é que a defesa do Atlético já sofreu 20 gols e é a quinta mais vazada do Brasileiro. E como ainda não terá Cleberson, as possibilidades de gol para os atacantes santistas devem aparecer. Será que desta vez concluirão bem? Esperemos.

O técnico Doriva faz um bom trabalho no Atlético, depois de ter sido campeão paulista com o Ituano, derrotando o Santos na final. Aos 42 anos, esse paulista de Mirassol é uma das revelações da categoria. O jogo é também uma revanche entre ele e Oswaldo de Oliveira. Veremos qual dos professores se sairá melhor desta vez.

Como terá o time completo, ao contrário do adversário, e como só sofreu quatro gols jogando na Vila Belmiro, o Santos pode ser considerado favorito. Mas o Atlético é um visitante que deve ser respeitado, pois quase metade de seus gols foram feitos fora de casa e já venceu Flamengo e Figueirense jogando no campo do adversário.

Falta de tevê no jogo de hoje é reflexo da ditadura da Globo

A Globo comprou os direitos do Campeonato Brasileiro e não quer passar o jogo de hoje no Sportv e muito menos na tevê aberta. Ótimo. Mas se os clubes precisam de visibilidade para atrair patrocinadores e torcedores, por que proibir Santos e Atlético/PR de venderem o jogo para outra emissora, ou mesmo venderem as imagens pela Internet?

Como esses clubes poderão disputar de igual para igual com outros aos quais estão reservados os horários nobres das rodadas de meio e fim de semana? Esse privilégio odioso ainda é fortalecido por uma divisão leonina de cotas, o dinheiro mais importante que entra nos cofres dos clubes.

Santos e Atlético Paranaense poderiam montar rapidamente uma boa estrutura para transmitir seus jogos para seus sócios e assinantes. A SantosTV e TV Cap são embriões de emissoras próprias que no futuro certamente farão isso, com um ganho maior do que hoje é auferido com o contrato da Globo.

No Campeonato Paraense do ano passado o Atlético teve a coragem de recusar a oferta da Globo (cerca de 60 mil reais por partida) e transmitiu seus jogos pela Internet. Nas finais, a Globo teve de negociar a transmissão dos jogos.

Os clubes precisam começar a conversar sobre isso, pois deixar a questão da visibilidade sob a única responsabilidade da Globo é o mesmo, para muitos deles, que assinar o atestado de óbito como clube grande. O Atlético Paranaense, que entre 2001 e 2005 teve um dos times mais destacados do País, já percebeu isso.

Com a segunda menor dívida de tributos entre os clubes da Série A do Brasileiro – “apenas” 9,3 milhões de reais, contra 119,8 milhões do Santos –, o Atlético Paranaense tem usado criatividade e trabalho para escapar do eterno papel de coadjuvante que a Globo quer impor para ele. É um exemplo para o Santos, que tem muito mais torcedores, muito mais prestígio e história no futebol, mas não está sabendo usar isso para o seu crescimento.

Santos x Atlético/PR

Vila Belmiro, 20/08/2014, quarta-feira, às 19h30

Sem televisão aberta ou fechada. Opção é o pay per view

Santos: Aranha; Cicinho, Edu Dracena, David Braz e Mena; Alison, Arouca e Lucas Lima; Thiago Ribeiro, Robinho e Leandro Damião. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Atlético/PR: Wéverton, Sueliton, Dráusio, Léo Pereira e Natanael; Deivid, João Paulo, Bady e Marcos Guilherme; Marcelo e Cleo. Técnico: Doriva.

Árbitragem: Igor Junio Benevenuto, auxiliado por Celso Luiz da Silva e Marcus Vinicius Gomes, todos de Minas Gerais (não conheço esse trio, só espero que atuem bem e vejam tudo. Nos últimos jogos o Santos tem sido prejudicado por “descuidos” da arbitragem).

Saudades de Neymar. Neymar 4 x Atlético/PR 1. Lembra? Veja que quando o Santos e seus jogadores dão motivo, a tevê não tem para onde correr. Sucesso absoluto!

Pior derrota do Santos para o Atlético/PR. Com um jogador a mais, Santos perdeu de 3 a 2, em Curitiba, pelas quartas-de-final da Libertadores, e a derrota foi decisiva para não chegar à semifinal da competição. Também é bom aprender com os erros. Veja

E hoje, como o Santos deve fazer para vencer o Atlético Paranaense?


Uma análise com a cabeça fria

O Grêmio de novo no caminho do Santos, como em 2010

O estranho e desequilibrado sorteio da Copa do Brasil, que tem o birrebaixado Vasco no pote A e o Santos no B, estabeleceu um grande clássico do futebol brasileiro logo para as oitavas-de-final: Santos e Grêmio, que também se encontraram na semifinal da Copa do Brasil de 2010, quando os Meninos da Vila jogavam o melhor futebol do Brasil. Se os santistas não gostaram do sorteio, os gremistas muito menos. Veja só a preocupação de Guilherme Mazui, que escreve o blog do torcedor do Grêmio no jornal Zero Hora:

“Havia uma equipe forte entre as oito do pote que definiria o rival do Grêmio nas oitavas na Copa do Brasil. Pois foi justamente o Santos o sorteado para cruzar o nosso caminho. Repetindo a Libertadores, o Grêmio foi pé frio no sorteio. Pegou a rota mais difícil nas oitavas, que ainda poderá ter o Cruzeiro em uma eventual semifinal. Grêmio x Santos é o único confronto sem favorito. São duas equipes de campanhas similares no Brasileirão, só que o Santos tem a Vila Belmiro, onde historicamente não vamos bem. O Santos também tem Robinho, que no Brasil ainda faz diferença. Thiago Ribeiro e Arouca são outros bons nomes. Até Damião preocupa pela motivação de enfrentar um antigo rival. O caminho é anular Robinho, marcar, morder, jogar. E não depender de qualquer resultado na Vila Belmiro.”

Bem, parece que o blogueiro gaúcho está respeitando mais o Santos do que muitos santistas o fazem. Eu já acho que o primeiro jogo do confronto será decisivo. Se o Santos perder por 2 a 0, por exemplo, como na semifinal da Libertadores de 2007, ficará muito difícil obter a classificação na Vila. A derrota por um gol é reversível; o empate, principalmente com gols, é muito bom, e uma vitória, o que considero improvável, maravilhosa.

O primeiro jogo será em Porto Alegre, dia 27 de agosto, quarta-feira à noite. O de volta terá lugar na Vila Belmiro, dia 3 de setembro, a quarta-feira seguinte (mesmo que estivesse pensando no Pacaembu, depois dessa entregada do torcedor do Grêmio demonstrando que teme a Vila, é lá mesmo que o Santos deve jogar).

Em 2010 os jogos entre Santos e Grêmio foram revestidos de grande rivalidade. No Sul, o Santos estava vencendo por 2 a 0, mas perdeu por 4 a 3. Empolgado, o folclórico locutor de rádio Pedro Ernesto achou que o Santos já estava eliminado e cantou uma música que ele chamou de “Elimination”. O técnico Silas e o presidente do Grêmio também se mostraram um tanto arrogantes, como se a classificação já estivesse garantida. Afinal, “bastava” um empate na Vila para o Grêmio ir para a final da Copa. Entretanto, com golaços de Paulo Henrique Ganso, Robinho e Wesley, o Glorioso Alvinegro Praiano venceu por 3 a 1 e os adversários tiveram de engolir as ofensas ao alegre futebol-arte dos Meninos da Vila. Veja:

Robinho não foi convocado por Dunga

O atacante Robinho não desfalcará o Santos para jogar na Seleção Brasileira. Ele não foi incluído na lista de convocados para os dois amistosos da Seleção nos Estados Unidos: dia 5 de setembro, contra a Colômbia, em Miami, e dia 9, contra o Equador, em New Jersey.

Outros quatro ex-santistas, porém, foram chamados: o goleiro Rafael, atualmente no Nápoli; os laterais Danilo e Alex Sandro, do Porto, e o atacante Neymar, do Barcelona.

Timemania – Teste 614, de 16/08/2014

Após 1.749.040 apostas, em 65% das cidades brasileiras, de todos os Estados do Brasil, o resultado do teste 614 da Timemania, do último sábado, traz o Santos em quarto lugar. Confira:

1º FLAMENGO RJ 87.452 5
2º CORINTHIANS SP 75.660 4,33
3º SAO PAULO SP 61.115 3,49
4º SANTOS SP 60.056 3,43
5º GREMIO RS 53.090 3,04
6º PALMEIRAS SP 52.305 2,99
7º VASCO DA GAMA RJ 47.609 2,72
8º INTERNACIONAL RS 47.042 2,69
9º CRUZEIRO MG 42.933 2,45
10º BOTAFOGO RJ 40.328 2,31

Petros foi punido com 180 jogos de suspensão. Mas agora a injustiça já foi feita

Petros foi punido, com justiça, o Alison não terá de cumprir mais nenhum jogo e a Vila Belmiro não será interditada. Legal, só que o mesmo árbitro que deixou em campo um jogador que o agrediu por trás, expulsou um santista que triscou no jogador adversário e definiu a sorte do jogo. Em consequência desses dois pesos e duas medidas, o Santos atuou com um jogador a menos e acabou sofrendo um gol no final – de Gil, que também deveria ter sido expulso por tentar agredir Cicinho. Agora o Petros pode ficar a vida toda sem jogar, que o estrago da arbitragem já foi feito. Da próxima vez a justiça tem de ser feita no jogo, e não no tribunal.

Leia a íntegra do site oficial do STJD:

O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu Petros com 180 dias de suspensão por agredir o árbitro Raphael Claus na partida contra o Santos. Com a decisão, o jogador não poderá atuar pelo Corinthians nos próximos seis meses. O resultado, concedido pela Primeira Comissão Disciplinar, cabe recurso e deve ter um desfecho no Pleno, última instância da justiça desportiva brasileira.

Presente no tribunal, o jogador prestou depoimento e ressaltou que, após o lance, conversou com Claus, pediu desculpas e o próprio árbitro disse que o episódio foi como um encontrão. De acordo com o jogador, é impossível dizer que houve agressão e que foi de forma intencional.

“Não há nenhuma possibilidade de agressão e nunca haverá agressão ao árbitro. Garanto honesta e sinceramente que não o agredi e se estivesse no meu pensamento teria feito de mão aberta e teria derrubado ele”, disse Petros, que completou. “Com um simples toque do Guerreiro eu sairia na cara do Aranha (goleiro do Santos). Se eu não usasse o braço teria batido de rosto e peito. O árbitro estava muito próximo a mim e tentei passar ao lado dele. Desloquei para receber um possível passe”.

O advogado do Corinthians, João Zanforlin, tratou o caso como um “processo polêmico, midiático e complexo”. Segundo o defensor, Petros foi taxado pela procuradoria como um homem que todos devem temer. Zanforlin negou que tenha ocorrido agressão e pediu a rejeição do processo. “Agressão não existe. A defesa pede justiça para que o atleta não fique seis meses sem ganhar seu suado tostão”, concluiu.

No mesmo processo, o Santos foi denunciado pelo arremesso de um copo de água na direção do goleiro Cássio e teve o atleta Alison julgado pela expulsão na partida.

De acordo com a defesa do clube santista, representada pelo advogado Carlos Theotônio Chermont, o objeto arremessado não causou nenhum dano ao andamento da partida e aos atletas. Chermont apresentou ainda o boletim de ocorrência que comprovou a identificação e detenção do infrator, além de apresentar um membro do clube para prestar depoimento sobre o episódio. Sobre a jogada que resultou na expulsão e denúncia do jogador Alison, o defensor pediu a absolvição do jogador alegando ter sido uma falta comum de jogo.

Logo após, o relator do processo, auditor Felipe Bevilacqua absolveu o Santos e o atleta Alison e justificou o voto com relação ao atleta Petros. “Pelo contexto da jogada, apesar de toda logística que se fez, vi e revi várias vezes essa jogada e tenho muitas dificuldades em punir com agressões e violência. Tento preservar o máximo os atletas e sei que são atores principais e dependem disso. Tive um cuidado muito grande e não consegui me convencer que não foi proposital”, disse o relator, que logo após aplicou 180 dias de suspensão. Bevilacqua ainda ressaltou a possibilidade de redução da pena pela metade no Pleno.

O auditor Washington Rodrigues divergiu quanto a pena a Petros e desclassificou o artigo aplicando quatro jogos de suspensão. Vinicius Sá acompanhou a absolvição ao Santos, votaou para advertir Alison e também desclassificou o artigo aplicando um jogo de suspensão a Petros. Já o auditor Douglas Balckhman acompanhou integralmente o relator, enquanto o presidente da comissão, Paulo Valed Perry decidiu pela multa de R$ 10 mil ao Santos, advertência a Alison e suspensão de 180 dias a Petros.

robinho, dracena e arouca
Robinho, Edu Dracena e Arouca, a reserva de técnica e experiência que embala o Santos neste Campeonato Brasileiro (Foto: Ricardo Saibun/Santos FC).

Uma análise com a cabeça fria

Logo depois de uma derrota de 3 a 0 é normal surgirem comentários irritados e até desrespeitosos. Faz parte da reação do torcedor. Há que se dar um desconto. De qualquer forma, nós que somos santistas para sempre e não apenas nas boas fases, temos a obrigação de analisar com calma a situação do time e vislumbrar realisticamente o que pode vir pela frente.

Às vezes um bom exercício é se colocar no lugar do presidente ou do diretor de futebol do Santos. Se você tivesse o poder de demitir ou contratar pessoas, de tomar decisões importantes para o clube, o que faria nesse momento? Bem, eu darei minhas opiniões e o convido a fazer o mesmo. Vamos aos tópicos:

Oswaldo de Oliveira – Acho que ele escolheu a estratégia errada contra o Cruzeiro, mas jamais o demitiria antes do final do Campeonato Brasileiro. A não ser que o time estivesse jogando muito mal e na zona de rebaixamento. O Santos perdeu quatro jogos dos últimos cinco que fez na competição, mas perdeu jogando com coragem, para times fortes e em três dessas partidas atuou fora de casa. Não é desculpa, mas em mais de um jogo acabou prejudicado pela arbitragem. A verdade é que faltam ovos para fazer a omelete, o elenco do Santos é limitado, mas mesmo assim o time não está jogando todo encolhido lá atrás e morrendo de preguiça, como nos Brasileiros anteriores. Não creio que outro técnico brasileiro faria muito melhor. Dos que passaram pelo Santos, o único que poderia fazer esse elenco render bem mais é o velho e matreiro Vanderlei Luxemburgo, que pode ser meio malaco, mas entende muito de futebol e de boleiro.

Leandro Damião – É um bom moço, bom marido e bom pai. Também deve ser bom filho e bom neto. Mas jogar futebol não é bem a sua praia. Damião jamais jogou futebol na vida. O que ele sempre fez, ou fazia, era colocar a bola para dentro do gol. Isso costuma valer muito no futebol internacional. Está aí o Fernando Torres que não nos deixa mentir. É o tipo de jogador para ser contratado por clubes muito ricos, que só precisam de um artilheiro e já têm craques nas outras posições. Não era o caso do Santos, que estava montando um time modesto, mas eficiente, usando bem a alegria e a velocidade dos meninos da base. Até aqui foi o pior negócio já feito pelo clube em toda a sua história – pelo valor absurdo e pelo retorno que está dando, ou seja, nenhum. Mas agora não adianta gelar o cara. O Santos paga parcelas altíssimas pelo empréstimo que fez da Doyen e se Damião não jogar, o clube morrerá com o mico. Ele precisa jogar e fazer gols, ou jamais interessará a outro clube. Por isso, é mais do que necessário contratar um atacante veterano para dar treinos específicos de domínio de bola, cabeceio e arremate ao Damião.

Oswaldo x Damião – Pelas circunstâncias, Oswaldo Oliveira está sendo obrigado a escalar Damião. Não que alguém da diretoria o esteja pressionando a isso, creio que não. Porém, consciente como é, o técnico sabe que o clube precisa vender o atacante, e para isso ele tem de estar na vitrine. Com a venda do Damião vários problemas financeiros serão solucionados e, provavelmente, um outro centroavante venha a ser contratado. Ou, ainda, o que é mais difícil, Stéfano Yuri ou Diego Cardoso mostrem que podem vestir a camisa 9. A expectativa ingênua de que Damião pudesse ser convocado para a Copa e ter o seu passe valorizado mergulhou o clube em uma dívida que não poderia ter feito. Ela está engessando novas possibilidades de contratações. O que eu experimentaria fazer é colocar Damião no segundo tempo, quando os defensores estão mais cansados. Primeiro eu colocaria um ataque mais ágil para cansar a defesa contrária e depois o Damião. Não custa nada tentar.

Thiago Ribeiro, Cicinho, Mena – Esses três são outros casos de jogadores caros, que precisam jogar. Ao menos enquanto não tiverem reservas realmente mais experientes e de melhor rendimento. Creio que os três têm potencial para jogar bem e às vezes o fazem. O mais irritante do trio tem sido Thiago Ribeiro, o artilheiro que não consegue nem acertar o gol. Se ele tiver humildade, passará esses dias treinando arremate. Não dá para um atacante profissional ter um pé tão descalibrado. No mais, ele tem se apresentado para o jogo e mesmo sem jogar tão bem no todo, ainda é melhor do que Geuvânio e Stéfano Yuri. Só pode perder a posição para Gabriel.

Aranha, Edu Dracena, outros zagueiros – Aranha falhou no primeiro gol do Cruzeiro, mas foi muito atrapalhado por Moreno. Para mim foi um absurdo o árbitro não marcar impedimento, já que o atacante tentou tocar na bola e fez uma espécie de corta-luz, atrapalhando o goleiro santista. Mas Aranha tem crédito. Quanto a Edu Dracena, mesmo veterano e voltando de contusão, é um zagueiro que dá outra personalidade à defesa do Santos, que estava sem nenhuma. Bruno Uvini é um bom garoto e tem se esforçado. Ontem recebeu de Moreno uma cotovelada no rosto que deveria ter sido punida com o amarelo. Aliás, esse Moreno pintou e bordou. Como o Cruzeiro teve uma arbitragem bem favorável depois de fazer uma manifestação contra arbitragens na CBF, o Santos deveria fazer o mesmo juntando os lances de ontem. Bem, mas quanto aos demais zagueiros do Santos – David Braz, Jubal – acho que Oswaldo está tirando leite de pedra. Mas são jovens e terão até o fim do Brasileiro para melhorar.

Meio-campo – Entra ano, sai ano, e Arouca continua sendo o mais regular do meio-campo do Santos. O velho ídolo Renatinho veio, jogou mal e já está no estaleiro. Outra contratação equivocada. Dos garotos da base, nenhum se firmou ainda. Alison tem jogado pela garra, mas seu futebol é pequenininho. Leandrinho e Alan Santos, que são mais técnicos, precisam de mais sangue nas veias. Não para fazer faltas bobas, como Alan Santos fez ontem, mas para se mostrarem mais ágeis, participativos, ligados no jogo. O mais técnico da meiúca é Lucas Lima. A bola não queima no seu pé. Ontem até deu umas boas enfiadas para o Mena. Mas precisa treinar mais chute a gol. Não dá para passar o jogo todo rondando a área adversária sem tentar nenhum chute.

Robinho – Muito bem marcado pela ótima defesa do Cruzeiro, Robinho se cansou no segundo tempo e pouco fez, mas é a referência e o melhor – ou seria o único? – atacante do Santos. Ele tem de ter liberdade para atuar no lugar do ataque que quiser, como no time campeão brasileiro de 2002, em que fez jogadas de gol nos dois extremos do campo. E seus companheiros têm de jogar para ele, sim. E dar graças a Deus de ter um Robinho no mesmo time. A presença de Robinho já inibe o adversário, que não se solta tanto ao ataque.

O que esperar dos próximos compromissos – Diante das circunstâncias, vencer o Atlético Paranaense, quarta-feira, na Vila Belmiro, passa a ser obrigação. A diferença do Santos para o líder (13 pontos) já é maior do que a diferença para o último colocado (12) e o time está os mesmos seis pontos tanto abaixo do G4 como acima da zona de rebaixamento. Mais dois resultados ruins e a situação ficará crítica. Depois, virá o clássico contra o São Paulo, no Morumbi, no domingo, um jogo difícil, mas menos difícil do que Cruzeiro, Fluminense e Inter fora. O São Paulo é treinado pelo Muricy. Daí se vê que dá para conseguir alguma coisa. Em seguida vem o Botafogo, no Maracanã, partida que exige muita atenção, principalmente com a arbitragem, e por fim o Santos encerrará o turno jogando contra o Vitória, dia 6 de setembro, sábado, em jogo marcado para o Pacaembu. Espero que não mudem o local a pedido de Oswaldo e dos jogadores e que ao menos a última impressão causada no primeiro turno seja boa. Se der menos de 15 mil pessoas podem me cobrar. Acho que os santistas da capital e do Interior estão com saudades de ver o time jogar. E Robinho será um chamariz.

Dá pra sonhar com a Libertadores – Mesmo sem ser muito otimista, a verdade é que dá para sonhar com uma classificação para a Libertadores, sim. Veja que apesar de ter perdido quatro jogos nas últimas cinco rodadas, o Santos só está a seis pontos do G4. E agora os adversários, teoricamente, não serão tão difíceis. Ajustando algumas coisas, dá para esperar um rendimento melhor, sim.

E você, com a cabeça mais fria, como analisa as chances do Santos?


O Cruzeiro tem um time campeão, o Santos tem Robinho

Cruzeiro 3 x 0 Santos

O jogo analisado lance a lance

Em uma experiência nova, tentarei ver o jogo e comentar aqui. Vamos la..

Estádio cheio, legal, clima de grande jogo, clássico do futebol brasileiro. Vamos as análises dividindo o jogo por minutos…

6 – Cruzeiro vai ao ataque, cria mais. O Santos só pode se segurar e esperar a chance. Por enquanto, o time mineiro domina o meio-campo. Damiao acaba de ter uma chance, mas se enrolou e fez falta.

10 – Edu Dracena e Dedé estavam caídos e o Vuaden deixou o jogo seguir. Quase gol. Nas poucas chances de contra-ataque, Santos não pode errar passes bobos. Aliás, nunca pode.

11 – Muita bola pipocando na área do Santos, uma dessas pode sobrar pra um adversário.

13 – Cicinho não pode perder a bola com todo mundo na área do Cruzeiro.

15 – A pressão inicial do Cruzeiro diminuiu. Santos já consegue trocar passes.

16 – Moreno acerta o cotovelo no Bruno Uvini. Sem querer? Não sei, só sei que o Santos já está sem zagueiros. Uvini terá de jogar com curativo.

18 – Alan Santos olhou, olhou e entregou no pé do adversário. Aranha salvou.

19 – Everton Ribeiro ajeita com a mão e faz o gol. Bem anulado. Amarelo pra ele.

21 – Bom cruzamento de Cicinho, Damião fura a cabeçada. Bola fora.

24 – Alan Santos pega a bola, mas faz a tesoura com a outra perna e Vuaden da falta. Na cobrança, Marcelo Moreno cabeceia e Aranha aceita. 1 a 0. Água mole em pedra dura…

Com um gol atrás, a chance de o Santos ao menos sair com um empate no Mineirão diminui bastante. Agora o Cruzeiro não precisa se expor mais. Seu time já pode esperar e explorar os buracos na defesa do Santos. De que adiantou ter mais atacantes no papel, se o Santos foi pressionado desde o começo? A vantagem no meio-campo deu o domínio ao time de casa.

34 – Maior chance do Santos. Robinho briga, ganha no jogo de ombro e toca para Lucas Lima, que não consegue chutar por não ter pé direito. E prensado e a bola sai pela lateral.

36 -Robinho cai pela direita, toca para Damião e penetra, mas a bola volta longa demais.

38 – Oswaldo pediu para Rildo e Leandrinho se aquecerem. Creio que Alan Santos deve sair no intervalo. Eu não tiraria o Lucas Lima, mas acho que Oswaldo vai.

39 – Mena chuta forte e a bola cai no pé de Damião, livre, na pequena área, a bola bate nele e sai.

Em seguida, ótimo ataque e a bola cai pra Thiago Ribeiro, livre. Ele corta pra dentro e chuta. Pra fora…

43 – Santos ataca mais. Cruzeiro recua e fica na espreita de contra-ataques. Robinho tem liberdade para jogar em qualquer posição do ataque.

Análise do primeiro tempo

O Cruzeiro foi melhor e pressionou até fazer o gol, aos 24 minutos. Depois, deu mais espaço ao Santos e isso permitiu ao Alvinegro algumas boas chances, com Lucas Lima, Damião e Thiago Ribeiro. Quando pressionado, o Santos mostrou falhas na marcação, principalmente com Alan Santos e Mena. Aranha desta vez falhou no gol.

Mas árbitros europeus não dariam falta de Alan Santos no lance que gerou o gol. Ele trava a bola com o pé direito e depois há o contato da outra.

Para o segundo tempo, duas substituições prováveis seriam as entradas de Rildo e Leandrinho nos lugares, respectivamente, de Damião e Alan Santos. Creio que a segunda será feita, mas tenho dúvidas com relação a saída de Damião, pois mesmo sem estar em boa fase, ele preocupa a defesa do Cruzeiro e segura dois zagueiros lá atrás. Sem ele, o Santos tanto pode se tornar mais rápido e perigoso nos contra-ataques, como pode voltar a ser esmagado na sua defesa pela pressão do Cruzeiro.

Segundo tempo

Saíram Bruno Uvini e Leandro Damião, entraram Nailson, zagueiro da base, e Rildo. Trabalho da defesa será mais complicado. Dracena está voltando e jogará ao lado de um garoto. Alan Santos continua. Caso se acalme, ainda pode jogar bem.

2 – Santos perde a bola na saída da defesa, com Cicinho, o Cruzeiro penetra pelo meio e Ricardo Goulart bate cruzado para fazer 2 a 0. Bola foi forte, mas passou perto de Aranha.

Agora, creio que o estrago já está feito. Mas o Santos tem a obrigação de lutar ate o fim. Quem sabe o Cruzeiro se acomoda com a vantagem…

8 – Alan Santos faz uma falta idiota em Henrique e leva amarelo. Santista continua descontrolado.

Algo me diz que Marcelo Oliveira armou uma armadilha para Oswaldo. Fingiu que se preocupava com o ataque do Santos e induziu o técnico santista a escalar três atacantes no Mineirão. O que poderia colocar o Cruzeiro em dificuldade era o Santos fechar o meio-campo. Enfim, Santos começou a perder o jogo na prancheta.

15 – Cicinho dribla, vai a frente, cruza bem para trás. De frente para o gol, Rildo chuta pra fora. Santos ainda não acertou um único chute no gol.

22 – Cruzeiro permite que o Santos ataque.

23 – Thiago Ribeiro fica com a bola diante do goleiro, mas chuta em cima do mesmo. Era driblar para a direita e estufar as redes.

26 -Robinho caiu muito. Não está conseguindo segurar a bola.

27 – Bela tabela entre Júnior Batista e Willian. O segundo chuta pra fora.

Essa e aquela hora que o torcedor Santista espera por um milagre. Até o Robinho sumiu, parece cansado. Depender do Rildo e dose. Mas vamos lá…

Vuaden e caseiro mesmo. Deu uma falta do Nailson que nenhum árbitro europeu daria. Bola centrada na área, perderemos, mas no fim foi pra fora.

34 – Robinho ajeita para a canhota e chuta de fora da área, mas também não acerta o gol. A chance era boa.

Entra Leandrinho e sai Alan Santos. Agora? O que vai mudar?

38 – Bom passe do Lucas Lima para o Mena, que cruzou pra trás, mas ninguém aproveitou. O mesmo lance ocorreu em seguida, e novamente não havia ninguém do Santos para aproveitar.

Ao menos parece que a preparação física do Santos vai bem. Time mostra mais fôlego ronque o Cruzeiro neste final.

42 – Thiago Ribeiro erra o passe e da o contra-ataque para o Cruzeiro. Gol de Júnior Batista. Thiago Ribeiro não fez gol pelo Santos, mas participou de dois do Cruzeiro.

Fim de jogo. Análise final.

E óbvio que Oswaldo Oliveira escalou mal o time. E óbvio também que Leandro Damião e Thiago Ribeiro vivem péssima fase, principalmente o primeiro. Mas, o que o técnico pode fazer se e obrigado a escalar esses jogadores – que foram um investimento equivocado da diretoria de futebol e da presidência do Santos?

Portanto, tudo começou a piorar com a vinda de Damião. O maior responsável pelo futebol perdedor do Santos e aquele que decidiu contratar Damião e com isso mexeu em toda a estrutura tática do time. Porém, não e só isso que fez o Santos perder para o Cruzeiro.

Perdeu, e com justiça, porque tem menos time, menos elenco, menos técnico e menos direção de futebol. Hoje, infelizmente, não da para comparar Santos e Cruzeiro.

Mas, mesmo assim, poderia ter tido melhor sorte neste domingo? Sim, claro, o futebol permite essas alternâncias. Teremos de recorrer ao indefectível “se” para lembrar que Damião teve uma chance, Thiago teve duas e Rildo mais uma. Então, até daria para esperar outros números, mas a derrota foi justa.

O Santos tem de ser humilde e adotar um estilo de jogo de acordo com suas possibilidades do momento. Não da para enfrentar o melhor time do Pais, na casa deste, com três atacantes, sendo que dois vivem momentos muito ruins. Enfim, desta vez concordarei com as críticas a Oswaldo de Oliveira. Ele começou a perder o jogo na escalação.

Mesmo reconhecendo a justiça da vitória do Cruzeiro, tenho de criticar a arbitragem. No primeiro gol, além de não ser falta do Alan Santos, Leandro Vuaden deveria ter marcado impedimento de Moreno, pois este atrapalhou Aranha, ao tentar e quase tocar na bola. E no terceiro gol, Junior Batista estava impedido.

E você, o que achou de Cruzeiro 3 x 0 Santos?

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Robinho, o craque solitário do Santos (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC)

Vejo e não acredito. O técnico Oswaldo de Oliveira parece que vai mesmo escalar três atacantes contra o Cruzeiro, neste domingo, às 16 horas, no Mineirão, com tevê aberta. Até o momento em que escrevo este post, Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Robinho estão confirmados. Se somarmos Lucas Lima, que é um meia ofensivo, teremos um time voltado para o ataque. Teoricamente, está certo. Time que precisa vencer tem de marcar gols. Mas há um problema.

O Cruzeiro, do precavido técnico Marcelo Oliveira, deverá fechar o meio de campo com cinco jogadores – Henrique, Lucas silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian – e deixará apenas Marcelo Moreno mais à frente. Esta formação obviamente se modificará quando o time tiver a bola, e aí sim chegará a ter quatro jogadores no ataque. O que pode ocorrer é que o Santos ficará dando murro em ponta de faca, enquanto o adversário, quando retomar a bola, penetrará na defesa alvinegra como faca quente na manteiga.

Em princípio, porém, os números na prancheta não seriam nenhum empecilho se os atacantes do Santos também voltassem para ajudar o meio-campo. Em 2002 Robinho fazia isso muito bem, agora Thiago Ribeiro está tentando. De qualquer forma, será difícil para o Santos vencer a batalha pela área central e vital da partida sem mais um reforço por ali. Mais uma vez acho que Damião deveria dar lugar a um jogador mais versátil, que possa atacar e também recuar rapidamente quando o time está sem a bola. Mas estou louco para queimar a língua, claro.

De qualquer forma, o Santos precisa vencer e há a possibilidade de esta formação inicial ser modificada se o time fizer o primeiro gol. Nono colocado, com 20 pontos, 10 a menos do que o adversário, o Alvinegro Praiano precisa muito da vitória. E quem sabe conseguirá, repetindo o que fez nos Brasileiros de 2002 e 1012, por exemplo (ver vídeos abaixo).

Quanto ao técnico Marcelo Oliveira, vive a melhor fase de sua carreira e neste domingo completará 100 jogos à frente do time que ele levou ao título brasileiro de 2013. Depois de uma vantagem folgada na liderança, o Cruzeiro teve dois empates seguidos e agora precisa vencer para não ser alcançado pelo Internacional. Mesmo focado na vitória, o técnico se mostrou preocupado com a boa fase de Robinho e não teve vergonha de dizer que vai preparar uma marcação especial sobre o melhor atacante do Santos. Mas não será uma marcação individual. quando estiver na esquerda, Robinho será marcado por Mayke, e quando cair pelo meio, por Henrique.

“O Santos confirmou o que a gente já sabe: se propõe a jogar sempre ofensivamente e vai trazer muita dificuldade para a gente. Robinho acrescenta muito, é muito criativo e técnico. Volta empolgado ao Santos, onde cresceu e se tornou ídolo. Merece toda a atenção pela qualidade técnica e o poder de decisão” – disse o técnico, demonstrando humildade e respeito ao adversário.

“Ele tem muito recurso. Para marcá-lo, tem de estar sempre ligado. Se marca a esquerda, ele vira para a direita. Se marca a direita, ele sai pela esquerda. Tem um drible muito bom e faz a diferença em pequenos espaços. Pode desequilibrar, fazer gols e dar passes” – concordou Henrique, que vive tão boa fase no clube mineiro que já está renovando seu contrato.

Entram Edu Dracena e Alan Santos

Com a suspensão de Alison, Arouca jogará ao lado de Alan Santos, que é mais técnico e tem mais potencial do que Alison e só precisa se aprimorar um pouco mais na marcação e pensar um pouco mais rápido para passar a um outro nível de jogador. No time de Minas, Henrique, aquele que não deu certo no Santos, volta ao jogo depois de cumprir suspensão. Ele formará a dupla de volantes ao lado de Nilton Silva.

Outro fato de destaque é que o capitão Edu Dracena voltará a jogar uma partida desde o começo, após seis meses recuperando-se de uma lesão. É preciso ter muita força de vontade para voltar ao futebol depois de duas lesões graves, mas Edu Dracena tem personalidade e isso pode ser um fator positivo para a defesa do Santos, que anda precisando de um mentor. Ele também é muito querido pelos torcedores do Cruzeiro, pois foi o capitão do time campeão brasileiro de 2003.

Meu palpite? Acho que se o Santos equilibrar a disputa pelo domínio do meio-campo, terá chances até de vitória. Do contrário, será dominado, pressionado, e acabará tomando aqueles gols que a gente conhece e perderá a partida. Como em um jogo de xadrez, a batalha pelo meio decidirá a sorte do duelo. De qualquer forma, apesar da dura marcação que deverá sofrer, tenho esperanças no talento de Robinho.

Mas há outro detalhe a favor do time mineiro: o banco de reservas, que conta com jogadores de bom nível e experientes, como Marquinhos, Júlio Baptista, Dagoberto e Tinga, enquanto Oswaldo de Oliveira, sem o volante Renato, machucado, e o atacante Gabriel na Seleção Sub-20, só terá mesmo a opção de arriscar com algum jogador da base.

A arbitragem será de Leandro Pedro Vuaden, auxiliado por Rafael da Silva Alves e Alexandre Kleiniche, todos do Rio Grande do Sul. Acho que o Vuaden é um árbitro okay, mas foi ele quem não deu um pênalti para o Santos no final do jogo contra o Flamengo, em 2010, no Maracanã. Se novamente atuar como “caseiro”, a coisa ficará ainda mais difícil para o Alvinegro.

Cruzeiro x Santos

Campeonato Brasileiro – 15ª rodada
Mineirão, 16 horas
Cruzeiro: Fábio, Mayke, Dedé, Leo e Egídio; Henrique, Lucas Silva, Everton Ribeiro, Ricardo Goulart e Willian; Marcelo Moreno. Técnico: Marcelo Oliveira.
Santos: Aranha, Cicinho, Edu Dracena, Bruno Uvini e Eugenio Mena; Alan Santos, Arouca e Lucas Lima; Thiago Ribeiro, Leandro Damião e Robinho. Técnico: Oswaldo de Oliveira.

Os Meninos da Vila, a caminho do título brasileiro de 2002, goleiam o Cruzeiro em BH:

Cruzeiro 0 x 4 Santos, no Brasileiro de 2012, com coro da torcida saudando Neymar:

Esbarrões no árbitro: dois pesos e duas medidas

Enquanto o jogo do Santos não vem, um aperitivo para a diversão dos leitores do blog. Para quem não se lembra, trago imagens da até então mais famosa esbarrada de um jogador em um árbitro. Só que no caso creio que tenha sido apenas um esbarrão mesmo. Ocorre que o jogador era Éder, do Atlético Mineiro, e o árbitro José Roberto Wright, que parecia totalmente empenhado em ajudar o Flamengo a ir em frente na Copa Libertadores da América de 1981.

O jogo-desempate, em Goiânia, definiria que time brasileiro seguiria na competição. A partida era difícil e equilibrada. Aos 37 minutos, Wright deu cartão vermelho direto para Reinaldo por uma falta em Zico. Exagero. O amarelo era suficiente. Minutos depois – como se poderá ver no vídeo abaixo, a partir da marca de 55 segundos -, Wright dá um pisão na bola que seria tocada por Éder e faz o jogador do Atlético tropeçar. Na volta, Éder pega a bola e dá um leve esbarrão no árbitro, o suficiente, porém, para também ser expulso. Como os jogadores do time mineiro protestaram, Wright expulsou também Chicão, Palhinha e Cerezo, definindo o jogo mais difícil que o Flamengo teria na sua caminhada para a Libertadores e, em seguida, para o Mundial Interclubes.

Por isso é que se diz: Por mais que tivesse um grande time e o craque Zico, não fossem as arbitragens e aquele Flamengo não teria ganhado tantos títulos. Foi um período tenebroso das mutretas no futebol brasileiro, bem maior até do que vemos hoje. E o interessante a notar nesses dois casos – esse antigo, de Éder, e o atual, de Petros – são os critérios: se o contato no árbitro é feito por um adversário de um dos dois queridinhos, a expulsão é imediata, mesmo levando-se em conta a importância do jogo. Porém, se o empurrão, pelas costas e deliberado, é de um jogador de um dos dois protegidos, o árbitro finge que não foi nada e nem procura saber como a jogada aconteceu. Só tomou providências depois que o mundo todo chiou. Veja você mesmo e tire suas conclusões (o gramado está meio estranho porque resolveram fazer uns desenhos geométricos na grama, mas dá para ver bem):

Viu como para alguns é bem mais fácil ser campeão da Libertadores?

E pra você, como será o jogaço entre Cruzeiro e Santos?


Por que tanta gente ganha fortunas no Santos?

Se jogasse sempre assim, seria campeão brasileiro!

Sem mala branca, que a última impressão do ano seja boa

Se Edu Dracena não joga e se este último jogo – contra o Goiás, neste domingo, às 17 horas – não vale absolutamente nada, por que Claudinei Oliveira não escalou a zaga com a dupla de garotos Gustavo Henrique e Jubal? Não sei, não sabe ninguém, como diria Amália Rodrigues. Durval jogará no lugar de Dracena e o medo do torcedor do Santos aumenta. E se Durval joga mais ou menos e a diretoria resolve renovar com ele, como fez com o Léo? Não, não, nem quero pensar nisso.

O Santos tem de ter coragem de se renovar, se reciclar, rejuvenescer, criar uma nova filosofia, sacudir o marasmo, dar a volta por cima. Isso é o óbvio dos óbvios. A campanha vexatória de 2013 pede mudança, trabalho, imaginação. Talvez isso ocorra no Campeonato Paulista. Porém, neste domingo, não queira novidades. O time vai de Aranha, Cicinho, Gustavo Henrique, Durval e Eugenio Mena; Alison, Arouca, Cícero e Montillo; Geuvânio e Thiago Ribeiro.

Para o Santos não vale nada, mas para o Goiás é um duelo de vida ou morte. O clube até abaixou o preço dos ingressos e espera 37 mil torcedores no Serra Dourada. Uma vitória e o Goiás pode se garantir no G4 e se candidatar a uma vaga para a Libertadores de 2014. Para isso, o artilheiro Walter deve ser escalado, mesmo ainda não estando cem por cento de uma entorse no tornozelo.

O time será dirigido pelo auxiliar Luis Fernando Flores, já que o técnico Anderson Moreira se submetará a uma cirurgia cardíaca. E Flores escalará o Goiás com Renan, Vítor, Rodrigo, Ernando e William Matheus; Amaral, Dudu Cearense, Renan Oliveira, Hugo e Eduardo Sasha; Walter.

Meus amigos e amigas, a perspectiva para o Santos não é boa, visto que o adversário lutará renhidamente pela vitória e não deverá haver nenhuma mala branca de incentivo aos santistas. Terão de jogar mesmo pela honra, pela camisa, pela vergonha na cara. Será que esses motivos são suficientes para garantir um time correndo em campo o tempo todo?

Lanterna sai invicto contra o campeão do mundo

Com a vitória, neste sábado, sobre o Corinthians, por 1 a 0, em Recife, o Náutico, orientado pelo ex-santista Marcelo Martelotte, disse um honroso adeus à Série A do Campeonato Brasileiro. Mesmo lanterna da competição, o time não perdeu em nenhum dos dois turnos e nem sofreu gol do atual campeão do mundo. Veja o gol:

Por que tanta gente ganha fortunas no Santos?

Será que os dirigentes do Santos tentam negociar os contratos com os jogadores e técnicos que contratam, ou esvaziam os cofres do clube sem discutir? Se o dinheiro estivesse saindo do bolso deles, será que seriam tão perdulários?

Digo isso porque leio que o técnico Oswaldo de Oliveira receberá um salário de 400 mil reais; que o jogador Cícero, que recebe 350 mil, quer arredondar pra 400; que Montillo embolsa meio milhão a cada 30 dias; Arouca e Edu Dracena também ganham 350 mil cada um…

Agora fico sabendo que Léo, que está para se aposentar, terá seu contrato renovado para jogar o Campeonato Paulista. Detalhe: o Santos já tem os laterais-direitos Émerson e Mena e mais um monte de gente no meio-campo, posições nas quais Léo pode atuar.

Por outro lado, o Palmeiras manteve o salário do Gilson Kleina em 300 mil reais e ofereceu um contrato de produtividade, e ele aceitou. O São Paulo ofereceu só 300 mil para o mesmo Muricy Ramalho que no Santos ganhava 750 mil para trabalhar muito pouco. Será que só o Santos não consegue reduzir o salário de alguém, e ainda dá aumento? Cadê o catso de gestão corporativa?

Um time que fatura menos e é boicotado pela tevê, como é o caso do Santos, tem de trabalhar mais, ser mais criativo e usar o dinheiro com uma precisão cirúrgica. Não pode continuar com essa farra do boi. Escrevi em 2011, quando era coordenador do Centenário do Santos (em troca de uma ajuda de custo), que a alta folha de pagamentos do clube era uma bomba relógio. Tentaram me convencer de que estava errado. Vejam no que deu…

Não sou contra uma remuneração condizente com a capacidade e responsabilidade do profissional. Acho, por exemplo, que um dirigente esportivo precisa receber mesmo um salário de mercado, mas em contrapartida tem de dar expediente e realmente trabalhar pelo clube. Esse negócio de não ganhar nada, mas se envolver em todo negócio milionário na compra e venda de jogadores, nunca deu e não pode dar certo. Um dirigente esportivo tem de abrir sua conta antes e depois de assumir função em um clube. Isso é transparência. Mas estou falando de jogadores e técnicos, não de dirigentes…

Já disse mais de uma vez que considero os 80 mil que Claudinei Oliveira recebe como o teto salarial condizente com o nível e o conhecimento dos técnicos brasileiros de futebol. Está bem que um ou outro mereça ganhar mais, porém essas coisas de 700, 800 mil são loucuras que cobram seu preço rapidamente.

Felipão ganhou 750 mil do Palmeiras para levar o time para a… Série B – mesmo lugar para o qual Muricy Ramalho levaria o Santos se não tivesse sido defenestrado antes. Vanderley Luxemburgo e Dorival Junior fizeram papeis ainda piores em 2013. Repare que os técnicos mais famosos fracassaram no Campeonato Brasileiro, e muitos dos menos badalados, de salários menores, renderam bem mais.

Está mais do que evidente que, em se tratando de técnicos brasileiros, pagar muito é bobagem. Prova disso é que Muricy aceitou rapidinho os 300 mil do São Paulo. Mais um pouco e ninguém iria se lembrar de que ele existia, como não lembramos hoje de Émerson Leão, Joel Santana, Geninho e tantos outros.

Teto salarial é uma necessidade do futebol brasileiro

No caso dos técnicos, os clubes não estabelecem um teto salarial porque não querem, ou porque o dinheiro não é de quem o administra. Tudo bem, abro mão dos 80 mil e aceito um teto de 150 mil reais. Não está ótimo? Beleza. Este deve ser o máximo que um clube brasileiro poderia pagar a um técnico.

Eles vão chiar? Vão trabalhar em outro país? Ótimo, façam isso. Sempre haverá outros para as vagas deixadas. E, quem sabe, jovens estudiosos, mais bem preparados e educados, ocupem os lugares dos mesmos de sempre.

Agora, não espere que nossos técnicos sigam para a Europa, a fim de aprender no continente que hoje pratica o melhor e mais profissional futebol do planeta. Vão é tirar dinheiro dos árabes, dos asiáticos, dos africanos, pois lá ainda é possível ganhar dinheiro com a fama e o blá-blá-blá.

Quanto a um teto salarial para os jogadores, sei que é mais difícil. Não é só a qualidade do jogador que conta, mas também seu apelo midiático. O chamado carisma também tem seu preço, pois atrai torcedores, visibilidade e patrocinadores. Tudo bem. O Santos não poderá competir com os clubes que hoje ganham mais dinheiro da tevê, e por isso mesmo não pode entrar na orgia financeira que eles praticam.

E se o jogador quiser ir embora? Ora, que vá. Que seu passe seja bem negociado e se transforme em dinheiro que possa ser utilizado para contratar outro mais afinado com a política salarial do clube. Sei que no Santos a competência para gerir essa operação não existe. Os últimos bons negócios que o clube fez foram a troca de Arouca por Rodrigo Souto e as contratações de Danilo e Alex Sandro, há quase três anos.

Como vocês sabem, defendo a vida simples e já escrevi alguns livros sobre isso. Estudos comprovam que 25 mil dólares por ano dão a um ser humano as condições suficientes para viver dignamente e feliz. Acha pouco? Está bem, multiplique por dois. Ainda é pouco? Está bem. Multiplique por dez! Teremos 250 mil dólares por ano. Isso dá cerca de 84 mil reais por mês. Vai dizer que isso é pouco para um jogador brasileiro?! E ainda um jogador que, ou é um refugo na Europa, ou está em fim ou começo de carreira…

Sei lá, meu amigo, mas gostaria de ver esses contratos, saber se realmente os valores informados vão direto para a conta do contratado, ou boa parte fica no caminho, nas mãos dos atravessadores. É uma curiosidade que, acho, todo mundo que acompanha o futebol e lé essas notícias tem. Como a propalada transparência prometida por essa diretoria ficou no papel e na garganta, espero que a próxima gestão tenha como ponto de honra informar aos sócios e torcedores os valores exatos dos negócios do clube.

Às vezes fico com a impressão de que os dirigentes do Santos não fazem a mínima questão de pechinchar, de conseguir um contrato menos dispendioso. Deveriam ter uma responsabilidade maior com um dinheiro que não é deles, dinheiro que só entra nos cofres do clube devido à história, ao prestígio, aos milhões de torcedores e à influência que o Santos ainda exerce no futebol.

Você também não acha que o Santos paga demais para jogadores e técnicos?


Quem fica e quem sai do Santos? Veja o resultado da enquete

A enquete sobre quem fica e quem sai do Santos terminou. Como você deve ter percebido, não votei e nem dei minha opinião sobre os jogadores. Procurei não influenciar na decisão dos leitores deste blog. E confesso que me surpreendi com alguns resultados, como a quase total aprovação dos meninos Gustavo Henrique, Jubal, Alison e Alan Santos.

Basicamente percebe-se que desta vez a diretoria acompanhou o pensamento do torcedor, pois da lista anunciada de jogadores que não estarão no time em 2014, os leitores deste blog concordam com todos. Dos que devem sair, tiveram 100% de rejeição os jogadores Léo, Renato Abreu, Marcos Assunção, Durval, Galhardo e Everton Costa. Willian José também quase atingiu a unanimidade. 85% dos votantes não o querem mais no clube.

Mas há algumas surpresas, ao menos para mim: o garoto Lucas Otávio teve um índice de aprovação bem maior do que Arouca, e o zagueiro Neto, mesmo jogando pouco, também foi mais votado para ficar do que o capitão Edu Dracena.

Nos casos de Léo e Durval há um reconhecimento pelo que fizeram pelo time. Alguns sugerem uma despedida honrosa. Marcos Assunção foi indicado por alguns como olheiro, ou como alguém que pode trabalhar na comissão técnica.

Além destes, a maioria dos santistas também quer que o goleiro Vladimir (68%), o volante Renê Junior (64%) e o atacante Neilton (67%) deixem o clube, assim como os zagueiros reservas Rafael Caldeira (80%) e Wallace (75%) e o lateral Douglas (75%).

Com relação aos experientes Arouca e Edu Dracena, a questão parece mais relacionada à relação custo x benefício para o clube, pois não parecem mais justificar o alto salário que recebem. Arouca teve 50% de votos pedindo sua permanência no clube, enquanto o jovem Lucas Otávio atingiu 86%. Dracena teve 66% de votos para que fique, 10% a menos do que Neto, que mesmo citado como um jogador com crônicos problemas físicos, atingiu 76%.

No caso de Arouca, muitos lembraram que ele pode ser vendido ou trocado por jogadores de posições mais carentes para o Santos, pois o time já tem volantes mais jovens e tão bons tecnicamente quando ele. Quem não quer mais Edu Dracena no Santos geralmente também lembra que ele pode ser uma boa moeda de troca (parece que o São Paulo está interessado).

Tolerância e preferência pelos jovens

O santista tem mesmo maior tolerância – e esperança – com jogadores vindos da base do clube. Destes, além de Neilton, rejeitado mais pela sua atitude do que por seu futebol, um dos poucos que tem jogado, mas não foi aprovado para o elenco do ano que vem foi Pedro Castro, com 60% de votos pela sua saída.

Outros garotos que devem ficar no time em 2014, segundo a maioria dos opinantes: Geuvânio (87%), Gabriel (86%), Leandrinho (74%), Léo Cittadini (73%), Giva e Victor Andrade (66%), Misael (60%).

Os garotos mais votados foram Gustavo Henrique (100%), Jubal (90%), Alison (95%), Alan Santos (94%) e Gabriel Gasparotto (88%). Diogo Cardoso, ainda dos juvenis, foi citado seis vezes.

Titulares e reservas

Oito titulares do time conseguiram ampla aceitação, como o goleiro Aranha (95%), os laterais Cicinho (93%), Mena (88%) e Émerson Palmieri (91%), os meias Cícero (80%) e Montillo (88%) e os atacantes Thiago Ribeiro (88%) e Geuvânio (86%), o que prova que, apesar das críticas, o santista gostou da atuação da maioria dos jogadores do time em 2013, ou ao menos acredita que eles evoluam em 2014.

Levando-se em conta essa enquete, os times titular e reserva do Santos em 2014 seriam:

Aranha (95%) e o reserva Gabriel Gasparotto (88%).
Cicinho (93%) e Bruno Peres (por exclusão, já que 53% querem que saia do clube).
Gustavo Henrique (100%) e Edu Dracena (66%).
Jubal (90%) e Neto (76%).
Émerson Palmieri (91%) e Mena (88%).
Alison (95%) e Arouca (50%).
Alan Santos (94%) e Lucas Otávio (86%).
Cícero (80%) e Leandrinho (73%)..
Montillo (89%) e Léo Cittadini (73%).
Thiago Ribeiro (88%) e Giva (66%)
Geuvânio (86%) e Gabriel (86%).

Creio que Aranha, Cicinho, Gustavo Henrique, Jubal e Émerson Palmieri; Alison, Alan Santos , Cícero e Montillo; Thiago Ribeiro e Geuvânio é um bom time para ser utilizado nessas duas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Como o Santos, infelizmente, nada aspira na competição, O atrativo seria colocar em campo uma equipe em harmonia com a vontade do torcedor.

E você, o que achou das preferências do torcedor do Santos?


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