Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: eleição para presidente do Santos

Por que o santista não escolheu o melhor presidente

Com 1.321 votos, apenas 3%, ou 182 votos, a mais do que José Carlos Peres, que obteve 1.139, Modesto Roma Junior foi eleito presidente do Santos para o triênio 2015/16/17. A vitória coube ao candidato mais preparado para o cargo? Não. Sorriu àquele mais habilitado para lidar com a terrível situação que o clube atravessa? Absolutamente não! Então, por que ele foi eleito?

A eleição de Modesto Roma, um empresário malsucedido, a quem falta capacidade administrativa e espírito de liderança, se deve à campanha da ala bairrista da imprensa esportiva de Santos, especificamente da equipe da TV Santa Cecília, e do farto e dispendioso material de propaganda espalhado pela Baixada Santista.

Os mesmos sócios que não vão aos jogos da Vila Belmiro nem em dias de sol, foram votar embaixo de chuva para impedir que “roubassem” o Santos de sua cidade, como se isso fosse possível. Donos de cadeiras cativas que não freqüentam o Urbano Caldeira nem a pau, trocaram seus pijamas por bermudas, chinelos e guarda-chuvas e foram eleger o candidato indicado por Teixeira e seu porta-voz Armando Gomes.

A impressão que se tem é que se o poderoso Marcelo Teixeira tivesse escolhido o pipoqueiro da Santa Cecília para ser candidato a presidente do Santos, ele também seria eleito. É claro que imaginaram que votando em Roma, estariam elegendo Teixeira, pois ninguém em sã consciência acredita que Roma tenha a mínima noção de como tirar o Santos da enrascada em que se meteu, com dois meses de salários atrasados, último lugar em média de público na Série A e décimo-segundo lugar em recebimento de cotas de tevê.

Roma terá de ser humilde e chamar Teixeira para ajudá-lo a governar, ou a nau do Santos irá a pique rapidamente. Não consigo imaginar o novo presidente negociando a vultosa dívida do clube com os bancos, discutindo as cotas de tevê com a Rede Globo e se relacionando com CBF, Federação Paulista de Futebol e presidentes de outros clubes, como Peres faria com um pé nas costas. Com Roma, os sonhos de o Santos liderar a criação de uma liga de clubes, ou tentar alterar a Lei Pelé, ficam adiados por mais três anos.

Na verdade, esta eleição foi o resultado do exacerbado bairrismo do santista de Santos aliado à omissão de boa parte dos santistas da Capital. Se tivessem votado na Federação Paulista de Futebol ao menos 1.700 dos 2.019 associados que mudaram o domicílio eleitoral para São Paulo, provavelmente José Carlos Peres seria eleito, pois obteve 407 votos, ou 37,5%, dos votos registrados na FPF. Mas apenas 1.110 sócios cumpriram o seu dever.

Por outro lado, como prova evidente de sua rejeição pelo santista de São Paulo, Roma conseguiu apenas 35 votos, ou 3% do total, nas urnas da FPF, vexame que nem a presença do ídolo Léo e do chefe de torcida Cosmo Damião conseguiram amenizar. Assim, da mesma forma que na eleição para presidente do Brasil, ficou claro que a torcida do Santos rachou: a da capital ficou com Peres, enquanto a de Santos preferiu Modesto.

Isso fará com que Modesto tenha de mostrar muito jogo de cintura para governar para todos os santistas, e não apenas para os de sua cidade. Se não marcar jogos no Pacaembu, se insistir em ignorar o sócio de fora de Santos, o clube terá os seus dias contados para voltar a disputar renhidas disputas municipais com Jabaquara, Portuguesa Santista e os times de várzea com os quais o novo presidente prometer fazer intercâmbios.

De qualquer forma, a vida e o Santos seguem. Este blog continuará crítico, mas jamais torcerá contra o Glorioso Alvinegro Praiano. A partir de hoje somos fiscais da gestão de Modesto Roma, a quem desejamos sabedoria e energia para tirar o Santos do atoleiro. E se quiser começar com o pé direito, faça o que seria a primeira providência do Peres: contrate uma auditoria para esclarecer a venda de Neymar e a contratação de Leandro Damião. A gente vai se conversando…

Por fim, a eleição mostrou, ainda, que a gestão de Odílio Rodrigues, representada pela candidatura de Nabil Khaznadar, foi amplamente rejeitada, com 735 votos e a quinta e última colocação entre as cinco chapas. Orlando Rollo ficou em quarto, com 855 votos, e Fernando Silva, apoiado por Luis Álvaro Ribeiro e Celso Jatene, em terceiro, com 1.077 votos. Todos os três investiram muito mais na campanha do que José Carlos Peres, que não poluiu as ruas da Baixada Santista com um único cartaz.

Peres, o presidente eleito na Capital, nas urnas da FPF.
1° – José Carlos Peres – 407 votos
2° – Fernando Silva – 338
3° – Nabil Khaznadar – 212
4° – Orlando Rollo – 118
5° – Modesto Roma – 35

Conselho com Roma, Peres e Silva
Como é preciso ter ao menos 20% dos votos para ter representatividade no Conselho, e como o total de votos foi de 5.127, apenas as chapas de Modesto Roma, José Carlos Peres e Fernando Silva terão representantes no Conselho Deliberativo do Santos:
1° – Modesto Roma Júnior – 1.321
2° – José Carlos Peres – 1.139
3° – Fernando Silva – 1.077
4° – Orlando Rollo – 855
5° – Nabil Khaznadar – 735

E você, o que achou dessas eleições presidenciais do Santos?


Neutralidade nem sempre é a melhor opção do jornalista

Pronunciamento de José Carlos Peres em São Paulo:

Entre nesse enquete (no final da página) e vote em José Carlos Peres:
Diário do Litoral

Minha coluna desta sexta-feira, na página 11 do jornal Metro:
O grande desafio de Pelé

Agora leia esta entrevista de José Carlos Peres ao site A Gazeta Esportiva e diga se este não é o presidente que o Santos precisa eleger no dia 6 de dezembro!

Se você fosse jornalista na época da ascensão de Adolf Hitler na Alemanha, seria totalmente neutro, como manda as regras do jornalismo, ou infringiria essas regras para tentar cortar o mal pela raiz?

E se fosse jornalista nos tempos da Ditadura no Brasil, como eu fui, no saudoso e atrevido Jornal da Tarde? Abanaria a cabeça como uma dócil vaquinha de presépio, ou ao menos cutucaria o poder com matérias instigantes, que talvez virassem receitas de bolo ou versos de Camões, mas ao menos deixariam o protesto no ar, mostrariam para as pessoas que havia denúncia, e censura?

Dei dois exemplos radicais apenas para mostrar que nem sempre a melhor alternativa para um jornalista é a coluna do meio, a neutralidade, ou o popular ficar em cima do muro.

Se vivo o Santos, ou ao menos a história do Santos, há tantos anos (em dezembro completa 11 anos que lancei o Time dos Sonhos), se cheguei a trabalhar pelo clube e conhecer pessoalmente as pessoas que hoje querem dirigi-lo, eu estaria me omitindo se não tivesse opinião e se não dissesse qual dos candidatos é o melhor para o Santos nessa fase aguda que o clube atravessa.

Se tudo estivesse indo bem, se confiássemos que uma nova chapa apenas manteria um caminho de crescimento, sucesso e prosperidade, garanto que não me meteria nessas eleições. Mas o momento é delicado e não permite mais que pessoas sem afinidade com o mundo do futebol, sem contato com os outros presidentes de clubes, federações e confederações, continuem lançando mão do poder no Santos. Nosso clube não aguentará mais três anos de incompetência.

A situação exige um estadista, pois o Santos, sozinho, não conseguirá mudar a Lei Pelé ou criar uma Liga para negociar os direitos de tevê, e outros direitos dos clubes, de maneira coletiva, como ocorre nos países de futebol de primeiro mundo.

Além disso, há muita coisa a ser feita pelo Santos que só depende de boas ideias e muito trabalho. E essas qualidades, tanto a diplomacia para lidar com os cartolas do futebol, como a inteligência para escolher as melhores metas e trabalhar duro para alcançá-las, sei que o Peres tem, pois durante dois anos dividi tarefas e objetivos com ele.

Peres não é o tipo carreirista, não quer se perpetuar na presidência. Quer dar o Norte ao clube e depois deixá-lo para o seu sucessor. Qual dos outros candidatos se contenta em ficar no poder apenas uma gestão? E o Peres está muito bem, obrigado, como CO do G4 Paulista, cujo escritório fica a dois quarteirões de sua casa. Entretanto, ele é um homem movido por um sonho.

Desde que conheço o Peres, pela sua postura, pela afabilidade com que recebe todos os santistas, pelo entusiasmo com que comenta novas ações para o clube, sempre soube que ele só se realizaria no dia em que pudesse dirigir o nosso Glorioso Alvinegro Praiano. E aproveitar essa direção para dar um exemplo único no futebol de competência, honestidade e transparência.

Por isso, que me desculpem aqueles que prefeririam que eu me mantivesse neutro nesta eleição para presidente do Santos Futebol Clube, mas faço o que minha consciência manda e o que a fará tranquila. Talvez em outro momento o Santos pudesse ter outro presidente, mas agora não há o que pensar. Se temos a sorte de ter um Peres como presidente, o voto tem de ser dele.

Não é hora de novatos, nem de interesseiros. É hora de o clube ser dirigido por um homem que é respeitado no meio do futebol e pode conseguir para o Santos vitórias e progressos impensados, como já demonstrou na Unificação dos títulos brasileiros.

A dor de Pelé

Nesta quarta-feira, estávamos todos nós da Editora Magma Cultural no Museu Pelé, para o evento de lançamento do livro Restauração e Legado, dos irmãos arquitetos Gino e Ney Caldatto e de Marjorie Medeiros, quando recebemos a notícia de que Pelé não compareceria, pois estava sentindo dores no estômago e seria levado ao hospital Albert Einstein.

O lançamento do livro – que conta a história da excelente obra de restauro do Museu, assinada pelos irmãos Caldatto – acabará esperando pela recuperação do Rei. Torçamos para que na próxima quarta-feira, dia 19, Pelé esteja cem por cento para comemorar os 45 anos do seu Milésimo Gol. Patrimônio do futebol e do Brasil, o Rei merece o nosso carinho.

Nessas horas de dor e convalescença, o apoio de quem nos ama é muito importante. Por isso, se quiser enviar uma mensagem a Pelé, fique à vontade para usar a caixa de comentários deste blog. Farei com que ela chegue ao maior ídolo – ídolo não, ao maior mito do esporte mundial.


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