Encontro logo mais no Bar Santa Tereza
Logo mais espero encontrar os amigos do blog que compartilham das mesmas ideias para o futuro do Santos no encontro no Bar Santa Tereza, à rua Fradique Coutinho, 888, Vila Madalena.
chapa 1 - encontro sp

Atenção: hoje é o último dia para mudar o domicílio eleitoral
Diante da grave situação administrativo-financeira do nosso clube, é importante que José Carlos Peres, da chapa 1, a Somos todos Santos, seja eleito presidente do Santos no dia 9 de dezembro. Para isso, você que é sócio do Santos e gostaria de votar em São Paulo no dia 9 de dezembro, deve enviar um e-mail para o endereço domicilioeleitoral@santosfc.com.br avisando que pretende votar em São Paulo. O e-mail deve conter o seu nome completo, número do CPF e número de sua carteirinha de sócio do Santos. No dia da eleição, compareça à sede da Federação Paulista de Futebol, na rua de mesmo nome, Barra Funda, com sua carteirinha do Santos e um documento de identidade com foto.

QUEM MENTIU?

Peresroma

No rápido e superficial debate de segunda-feira, na TV Santa Cecília, veículo de comunicação cujo proprietário é Marcelo Teixeira, apoiador de Modesto Roma, houve um momento de total antagonismo entre Roma e o candidato de oposição José Carlos Peres, momento que teria de ser melhor esclarecido para ajudar na decisão dos associados santistas que em 9 de dezembro escolherão o presidente do clube para o triênio 2018/19/20.

Ao explanar sobre a temerária situação das finanças do Santos, Peres afirmou que a dívida total do clube está chegando a meio bilhão de reais. Roma retrucou que essa dívida não passa de 200 milhões de reais e que vem sendo reduzida na sua gestão. Diante da insistência de Peres, Roma o chamou de mentiroso. Todo homem de bem, ou todo ser humano normal sabe o quanto dói ser chamado de mentiroso.

Quem mente não tem caráter, não tem empatia pelos demais, quer levar vantagem com uma situação irreal. Por isso a lei é tão implacável com os mentirosos. Para um investigador, um advogado e um juiz, a mentira é sinal evidente de que a pessoa tem culpa e tenta fugir dela falseando os fatos. Peres ficou indignado e tentou reagir, mas o impávido mediador disse que seu tempo havia terminado.

Ora, um homem que é chamado de mentiroso tem de ter o tempo todo do mundo para de defender, para se explicar e explicar os fatos que o levaram a dizer o que disse. Porém, Modesto Roma jogava em casa e lascou um “mentiroso” certo da impunidade.

É evidente que o caso não poderia e não pode terminar assim. Convenhamos que a diferença entre meio bilhão e 200 milhões de reais é muito grande para que se passe à próxima pergunta sem o devido esclarecimento. Sinto que aqui preciso dar minha pequena contribuição.

Como conselheiro assíduo, como alguém que analisou com atenção as números e pareceres do Conselho Fiscal desde o começo dessa gestão tocada com mãos ágeis,falas sedutoras e ouvidos de mercador por Modesto Roma, devo dizer, da maneira mais isenta possível, que os débitos sempre superaram os créditos e a dívida do Santos só aumentou nos últimos três anos, apesar de tantas receitas inesperadas.

Fui um dos que votaram pela reprovação das contas de 2015, seguindo o próprio parecer do Conselho Fiscal, e também votei contra a aprovação das contas de 2016, pois incorriam nos mesmos erros e obscuridades da anterior. Como se sabe, as de 2015 foram reprovadas e jamais esclarecidas. Um conselheiro da situação entrou com uma ação na justiça para melar o processo, que continua melado até hoje. Porém, em um país sério, um presidente de clube que tivesse as contas anuais reprovadas nem sequer se candidataria novamente.

As contas de 2016 foram aprovadas com profundas ressalvas. Como eu disse, segui minha consciência e votei contra, mas senti que muitos conselheiros votaram a favor com medo de que uma nova reprovação pudesse prejudicar o clube. Roma foi mantido no poder por piedade de alguns, jamais por competência.

Bem, mas isso posto, é justo que você, leitor e leitora, queira saber quem é o mentiroso da história. Ainda mais se você votará no dia 9 de dezembro, um sábado decisivo para o futuro do Santos. Informação tão relevante não pode ser reduzida a uma troca de palavras de alguns segundos. O Santos tem dívidas de meio bilhão de reais, como disse José Carlos Peres, ou de “apenas” 200 milhões de reais, como defendeu Roma?

Valho-me de gráfico produzidos pelo companheiro Renato Goulart que dá uma boa ideia de como anda a situação do clube, ou ao menos como ela era em setembro deste ano. Perceba que há dívidas de curto e de longo prazos, estas últimas a perder de vista, mas o correto é somar as duas, pois se tratam de encargos que, mais dia, menos dia, o clube terá saldar.

dividas do santos 2

Note que de dezembro de 2016 a setembro de 2017 a dívida aumentou em 82,361 milhões de reais, o que dá uma média de 9,151 milhões por mês. Como estamos no final de novembro, teríamos de somar dois meses, ou 18,202 milhões, a esse total, chegando a uma dívida de 473,761 milhões de reais. Com o acréscimo de multas e encargos fica fácil deduzir que a dívida do Santos é mesmo de meio bilhão de reais e parece inexplicável insistir que ela é de “apenas 200 milhões”.

Bem, a essa altura você já deve saber quem realmente mentiu no debate de segunda-feira e deve estar se perguntando por que alguém mentiria sobre assuntos tão relevantes do clube que ele pretende presidir? Será que não é perigoso deixar o Santos e a sorte de mais de sete milhões de santistas nas mãos, lábios e olhos de alguém que nega as evidências e passa por cima das mais rasteiras convenções morais para manter o poder?

Confesso que não tenho sabedoria suficiente para entender certas atitudes humanas. O que sei é que nada sei. Por isso, como acredito que o hábito de dizer a verdade está na raiz de todas as coisas boas, fui pesquisar um pouco mais sobre o seu oposto, a mentira, sobre a personalidade e o caráter das pessoas que mentem, e me deparei com um artigo muito interessante e esclarecedor do doutor Sergio Senna. É um pouco longo, mas vale a pena.

Psicopatia e a mentira

Por Sergio Senna

Quando ministro aulas sobre a mentira, muitas pessoas me perguntam sobre os psicopatas e suas artimanhas para enganar.

Nesse artigo, apresentarei algumas características da psicopatia e introduzirei aspectos sobre a mentira que ocorrem nesse contexto. Em outra postagem veremos a mentira com mais detalhes.

Veremos, ainda, alguns aspectos sobre a psicopatia que podem nos interessar no que diz respeito à mentira e à análise do comportamento não verbal.

Percebo que a preocupação excessiva das pessoas com a psicopatia e com a mentira está relacionada à repercussão das barbaridades cometidas por serial killers. Entretanto, estudos mostram que, na população em geral, as taxas dos transtornos de personalidade podem variar de 0,5% a 3% (APA, 2000; Assadi et al., 2006; Dembo et al., 2007; Elonheimo et al., 2007), lembrando que nem todos os assim chamados sociopatas matam pessoas ou trazem grandes prejuízos para os que os cercam.

Como se define a psicopatia?

Psicopatia ou sociopatia é a forma popular para denominar o Transtorno de Personalidade Dissocial.

É um transtorno de personalidade descrito no DSM-IV-TR, caracterizado pelo comportamento impulsivo do indivíduo afetado, desprezo por normas sociais, e indiferença aos direitos e sentimentos dos outros.

Na Classificação Internacional de Doenças, recebe a denominação de Transtorno de Personalidade Dissocial (Código: F60.2).

É um transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais, falta de empatia para com os outros. Há um desvio considerável entre o comportamento e as normas sociais estabelecidas.

Existe uma baixa tolerância à frustração e um baixo limiar de descarga da agressividade, inclusive da violência. Existe uma tendência a culpar os outros ou a fornecer racionalizações plausíveis (usando ou não a mentira) para explicar um comportamento que leva o sujeito a entrar em conflito com a sociedade.

Nos casos extremos, o Transtorno de Personalidade Dissocial é caracterizado principalmente pela ausência de empatia com outros seres vivos, resultando em descaso com o bem estar do outro e sérios prejuízos aos que convivem com eles.

São comuns os relatos de sociopatas que dão conta de uma infância difícil ou de testemunhas que observaram comportamentos excessivamente agressivos e mentira patológica na adolescência. É igualmente comum que essas pessoas não tenham recebido o adequado cuidado familiar, geralmente repetindo os comportamentos violentos e abusivos a que foram submetidos. Com a passagem do tempo, o transtorno tende a se cronificar e pode causar grandes prejuízos à vida do próprio indivíduo e especialmente de quem convive com ele (Kaplan, Sadock & Grebb, 1997).

Como se chega à conclusão de que alguém é um psicopata?

Pela descrição das características do Transtorno de Personalidade Dissocial, é possível notar a dificuldade de identificar tal transtorno, pois existem muitas situações que são “socialmente” aceitas e que se assemelham ao padrão de comportamento em que há quebra de normas sociais ou algum nível de violência. Além disso, existem outros critérios a considerar como a idade, comorbidades, entre outros que fogem ao propósito informativo desse artigo.

O instrumento auxiliar mais utilizado como guia para um diagnóstico foi desenvolvido por Robert Hare (2003). Vem sendo utilizado no Brasil e foi classificado como teste psicológico (mas, caracteriza-se como uma escala), em 2005, pelo Conselho Federal de Psicologia. Seus critérios diagnósticos abrangem aspectos afetivos, interpessoais e comportamentais em relação ao estilo de vida e às ações antissociais. Cada item é avaliado em uma nota de zero (ausente ou leve), um (moderada) ou dois (grave). Essa avaliação é realizada por um especialista (não é um questionário respondido pelo próprio sujeito) e se baseia em entrevistas e no histórico disponível sobre a pessoa. A soma total determina o grau de psicopatia de uma pessoa.

Veja alguns dos critérios da escala Hare (PCL-R): Narcisismo agressivo, sedutor ou charme superficial; Grandioso senso de auto-estima; Mentira patológica; Esperteza e Manipulação; Falta de remorso ou culpa; Superficialidade emocional; Insensibilidade / Falta de empatia; Falha em aceitar a responsabilidade por ações próprias; Agressão a animais; Impulsividade; Irresponsabilidade.

Em que o Transtorno de Personalidade Dissocial interessa à análise da mentira e do comportamento não verbal?

Um dos principais aspectos que pode interessar a quem estuda a análise do comportamento não verbal é que o sociopata não apresenta o padrão de ansiedade e depressão que costuma estar presente nos demais indivíduos quando do cometimento de atitudes violentas e da utilização da mentira para enganar ou esconder seus atos socialmente reprováveis.

É importante ressaltar que os indivíduos que desenvolvem esse transtorno não apresentam um déficit em termos de processamento das informações sociais, conseguindo entender e manipular os estados mentais de outras pessoas (e seus comportamentos), ainda que se mostrem indiferentes às emoções que percebem nos outros.

Eles aprendem e desenvolvem técnicas sofisticadas para realizar manipulações voltadas à obtenção de vantagens exclusivamente pessoais e não raras vezes perversas.

Considerando tudo isso, a mentira faz parte da vida (e pode ser uma de suas principais técnicas) de uma pessoa que desenvolve esse transtorno, bem como outros aspectos como a elevada capacidade de manipulação e a deficiência em sentir remorso ou empatia pelas pessoas habilita esses indivíduos a serem mentirosos eficientes.

Tomando em conta que os métodos de detecção de mentiras se baseiam, em grande parte, nas alterações comportamentais observáveis advindas:
De estados emocionais de culpa, medo ou satisfação em enganar;
Do nervosismo ou desconforto que a mentira pode provocar;
Do aumento da carga cognitiva subjecente à criação de versões fictícias.

A alteração na forma como essas pessoas experimentam as emoções como medo ou culpa e sua incapacidade de sentir empatia pelas pessoas fazem da detecção da mentira pelos métodos tradicionais um desafio para profissionais de elevada capacitação técnica.

Um elemento distintivo em relação à mentira é a ocorrência do Duping Delight (uma demonstração de satisfação quando o mentiroso percebe que suas artimanhas funcionaram). Acredito que isso se dê pela excessiva carga de narcisismo desses indivíduos. Você pode saber mais sobre o duping delight no artigo de minha autoria intitulado: Expressões faciais fingidas são eficazes?

Então, quando diante de mentirosos tão eficientes quanto esses, você precisa tomar medidas protetivas adicionais sobre as quais trataremos em outra postagem.

Enfim, descobrimos pelo doutor Sergio Sena que há pessoas que mentem com tanta naturalidade que é mais fácil o seu interlocutor ficar nervoso e perder a linha do que o próprio mentiroso, já que é mestre em seu ofício.

E você, o que pensa sobre isso?

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