Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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Considerações sobre a demissão de Enderson Moreira

Treino no CT Rei Pelé
O técnico interino Marcelo Fernandes fala com os jogadores que enfrentarão o Botafogo neste domingo (Ricardo Saibun/ SantosFC)

Santos ataca Botafogo com técnico de showbol

Um ex-zagueiro durão, que jogou no time profissional do Santos de 1991 a 1995, atua como técnico do time de showbol da Vila Belmiro e era auxiliar técnico de Enderson Moreira é quem dirigirá o Santos neste domingo, às 18h30, contra o Botafogo de Ribeirão Preto, no estádio Santa Cruz. Marcelo Fernandes, 43 anos, nascido em Santos, terá o auxílio de Serginho Chulapa para comandar o time neste domingo, e manteve a mesma escalação anunciada por Enderson Moreira: Vanderlei, Cicinho, Gustavo Henrique, Werley e Victor Ferraz; Valencia, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Ricardo Oliveira e Gabriel.

O Botafogo também terá técnico novo: Mazola Júnior estreará no lugar de Alexandre Ferreira. O tricolor de Ribeirão Preto, que ainda luta por uma vaga nas quartas-de-final, jogará com Renan Rocha, Roniery, Eli Sabiá, Bruno Costa (Carlos Henrique) e Dênis; Gimenez, André Rocha, André Santos e Rodrigo Andrade; Wesley e Giancarlo. A arbitragem será de Vinicius Gonçalves Dias Araujo, auxiliado por Daniel Luis Marques e Márcio Dias dos Santos.

Leia e comente minha coluna no jornal Metro: “Que despesas diversas são essas, afinal?”

Considerações sobre a demissão de Enderson Moreira

Sem saber exatamente o que conversaram e como foi o ânimo da conversa, fica difícil analisar a justeza ou não da demissão do técnico Enderson Moreira. Há muito boato, mas o que temos de concreto é que Enderson vinha de uma campanha invicta no Campeonato Paulista e o time, apesar das agruras extra-campo, rendia até surpreendentemente bem.

Alguns afirmam que Enderson estaria desagradando os jovens. Fala-se que episódios com Geuvânio e Gabriel o teriam desgastado com o grupo. Os dois jogadores teriam ficado melindrados com a forma ríspida com que foram tratados por Enderson e os companheiros tomaram suas dores. Desculpem-me, mas esta não engulo.

Futebol não é esporte para freiras e nem para homens, ou mulheres, muito sensíveis. Um grito, um palavrão, são normais. Zito cansou de gritar com Pelé em campo e ambos se amam. Perguntei a Pelé, quem, além dele, foi o melhor jogador do Santos, e ele não precisou de um segundo para dizer o apelido do grande José Ely de Miranda. Assisti a um jogo das Sereias da Vila ao lado de Zito e percebi que nem as garotas ele poupava. Zito jamais gostou de perder e o seu jeito de fazer o jogador se esforçar mais era mexer com seus brios.

Acho que Gustavo Henrique às vezes é meio lento mesmo, ou distraído; Geuvânio tem a mania de segurar demais a bola quando a jogada pede um toque rápido, e Gabriel realmente está se achando sem ainda ter feito nada de importante no futebol. Se o técnico não tiver o direito de dar uma dura nessa garotada, quem poderá?

Concordo que esses Meninos da Vila citados merecem atenção, apoio, mas passar a mão na cabeça nunca deu muito certo. Adianto, porém, que não considero Enderson um grande técnico, assim como não morro de amores por nenhum técnico brasileiro. Os poucos vencedores costumam ser exigentes e retranqueiros. Pedem um monte de contratações e depois colocam meia dúzia de volantes. Assim, até eu.

Quem mais entende de futebol é Vanderlei Luxemburgo, mas às vezes escorrega no relacionamento com os jogadores e também não leva tão a sério seus compromissos profissionais. Se resolvesse trabalhar como nos bons tempos, voltaria a nadar de braçada no meio dos treineiros brasileiros.

Não sou fã de Émerson Leão, que deveria agradecer até hoje pelo título brasileiro de 2002 que os Meninos da Vila lhe deram de presente. Também não admiro Dorival Junior, que substitui muito mal e foi campeão duas vezes com derrotas nos jogos decisivos. Porém, adepto da democracia por princípio, aceito o que a maioria quiser e decidir, pois, repito, no Brasil a única divisão de técnicos que existe é entre os caros e os baratos. No frigir dos ovos, são todos a mesma coisa.

Não sei quem o Santos deve contratar e, sinceramente, não estou convicto de que o time mudará muito o seu comportamento com um novo treinador. De qualquer forma, dá para montar uma equipe bem mais jovem com as entradas de Gustavo Henrique, Caju, Lucas Otávio, Lucas Crispim e Gabriel. A questão é encontrar o equilíbrio entre a experiência e a juventude. Enderson apostava mais na experiência e não se pode dizer que estava indo mal. Vejamos o próximo.

Não me peça para arriscar nomes. Acho que Argel poderia ser um dos cotados, mas é disciplinador e talvez melindre os Meninos. Provavelmente Pepinho, o filho do Canhão da Vila, dirija o time neste domingo. Se for bem, não faltarão aqueles que pedirão sua permanência. Para mim, ainda falta um pouco mais para o Pepinho treinar um time profissional.

O que fica evidente com essa demissão é que o Santos quer valorizar seus jogadores da base, provavelmente para depois vendê-los bem. Sem patrocínio máster, sem a esperada campanha de sócios, sem grandes arrecadações, com uma cota de tevê já adiantada e gasta, talvez a saída procurada por esta diretoria seja a venda dos passes fatiados desses Meninos. Aguardemos.

Reveja agora os melhores momentos de Botafogo 1 x 4 Santos, pelo Campeonato Paulista de 2012:

A despedida ao amigo Luciano

Pode-se dizer que a última grande alegria do amigo José Luciano Carvalho foi ser eleito conselheiro do Santos e comparecer a duas reuniões do Conselho. Era um sonho antigo dele viver de perto o clube que amava e contribuir, como fosse possível, para o seu querido Santos.

Luciano era o proprietário da Fator 5, empresa de cosméticos que patrocinou o programa Santos Vivo, apresentado por José Calil, na Rádio Trianon. Com um entusiasmo empolgante, apoiou José Carlos Peres na última eleição do clube. Vítima de câncer, Luciano faleceu na quarta-feira e seu corpo foi velado no dia seguinte, no Cemitério do Carmo, na zona Leste de São Paulo.

Acompanhei os amigos e conselheiros José Carlos Peres e Nilton Ramalho no adeus ao Luciano e no consolo aos seus familiares. Seus filhos, mesmo sem serem santistas, puxaram o coro do hino do Santos, um pedido do eterno menino Luciano. Mais tarde, na reunião do Conselho, em Santos, respeitamos um minuto de silêncio pelas mortes de José Luciano Carvalho e do também conselheiro Leão Vidal Sion.

Permuta do CT Meninos da Vila recusada

Em reunião extraordinária, o Conselho Deliberativo do Santos reprovou a permuta do imóvel onde se localiza o CT Meninos da Vila por uma área a ser cedida pela Leroy Merlin em uma região distante e não urbanizada de Santos. O documento, assinado pelo presidente Odílio Rodrigues no apagar das luzes de seu mandato, estava cheio de buracos e não parecia nada seguro para o clube, que corria o risco de perder um imóvel mais valioso em troca de outro de menor valor e muito mal localizado.

O ideal talvez seja o Santos construir um hotelzinho vertical para os Meninos, a exemplo do hotel dos profissionais, e manter o CT da base no mesmo lugar privilegiado em que está. Já é muito difícil para esses jovens ficarem longe de suas casas, de suas famílias, tentando a sorte no mundo duro e complexo do futebol. Isolá-los no meio do mato aumentaria a sensação de tristeza e lhes diminuiria o ânimo – algo, aliás, que os dirigentes do São Paulo já detectaram nos meninos que treinam em Cotia.

O que você achou da demissão de Enderson Moreira e quem deve ser o novo técnico do Santos?


Árbitro e Enderson complicam, mas Robinho garante a festa

voo de robinhoRobinho voou no Pacaembu. Aqui, no primeiro gol (Ivan Storti/ Santos FC).

Acabo de chegar do Pacaembu. Que festa! Quantas crianças! Que noite gloriosa! A vitória foi boa e o Santos poderia ter vencido o Linense com mais tranquilidade não fossem os erros da arbitragem e a má substituição de Valencia por Elano, quando o time ganhava por 3 a 0. O público foi bom e melhor do que o noticiado. Tem gato na tuba nesse negócio de renda e arrecadação no Pacaembu. Mas primeiro vamos falar do jogo.

Robinho mais uma vez desequilibrou, com dois belos gols – um no começo e um no final do jogo – e o passe para Ricardo Oliveira participar do terceiro (que a arbitragem deu para o goleiro Anderson, contra). Mas o melhor e mais habilidoso jogador do time continua sendo Lucas Lima, um armador que já merece chance na Seleção Brasileira.

Outros destaques positivos do Santos foram Geuvânio, autor de algumas boas arrancadas; Renato, que fez, de cabeça, um de seus raros gols com a camisa do Santos; Ricardo Oliveira, que enquanto teve fôlego se apresentou mais para o jogo e fez grande jogada no terceiro gol; Valencia, que fez uma boa estreia; Lucas Otávio, que deu mais segurança ao meio-campo quando a vitória corria perigo, e Gabriel, que entrou nos últimos 10 minutos, mas puxou contra-ataques, criou jogadas e sacudiu a inércia ofensiva do time.

Mas há críticas a serem feitas. Desta vez a defesa dormiu no ponto. Werley e David Braz deram algumas pisadas de bola. Muitos torcedores com os quais conversei querem Gustavo Henrique de volta na zaga. Elano, como eu já disse, tem sido um jogador figurativo. Sua contratação está se revelando um grande erro. Por mais que Ricardo Oliveira tenha melhorado, é difícil saber que um jogador rápido e artilheiro como Gabriel está no banco de reservas.

O técnico Enderson Moreira tem de encontrar o meio termo ideal entre a experiência e a juventude. Em alguns momentos da partida parece que o time recua para ganhar fôlego, e justo nesses momentos passa a ser pressionado pelo adversário. A entrada de mais dois ou três meninos pode dar ao time uma configuração mais equilibrada.

O Santos vencia por 3 a 0 até metade do segundo tempo e tudo estava tranquilo quando Enderson Moreira cismou de tirar Valencia e colocar Elano. Não há nenhuma dúvida sobre a categoria de Elano com a bola no pé, mas se ele nunca foi um jogador de grande mobilidade, agora está estático. Não marca ninguém e não tem mais fôlego para ajudar o ataque e voltar para fechar o meio-campo. Consequência: o Linense dominou o setor central e passou a apertar a defesa santista.

O árbitro Douglas Marques das Fores viu um pênalti contra o Santos aos 23 minutos, em jogada na qual o santista atinge primeiro a bola. Na Europa não dariam. Cinco minutos depois ele deu escanteio em uma bola chutada por Werley que não parece ter ultrapassado totalmente a linha de fundo. O Linense, que já estava entregue, aproveitou os presentes e diminuiu para 2 a 3, tornando o jogo quase dramático.

Confesso que esse tal senhor Flores não estava me cheirando bem desde o primeiro tempo. Como sempre tem acontecido nos jogos do Santos, o adversário pode cometer faltas duras, parar jogadas intencionalmente, e nada de cartões. Mas para os santistas, a tolerância é zero. Não sei se é recomendação dar cartão amarelo a quem comemora gol no alambrado, mas só posso dizer que o cartão a Robinho, logo aos 7 minutos de jogo, é o tipo de coisa brochante para o espetáculo futebol.

Creio que seja tudo uma questão de bom senso. Admito que em alguns estádios há o risco de o alambrado vir abaixo, como ocorreu quando Ronaldo comemorou o seu primeiro gol ao voltar ao Brasil. Mas é só comparar o peso de Ronaldo e o de Robinho para constatar que o reforçado alambrado do Pacaembu jamais sofreria algum risco com a rápida comemoração do atacante santista. Punir o artilheiro, o ídolo, aquele que dá espetáculo e atrai pessoas ao estádio, justamente no seu momento de maior alegria, é sacanagem.

Público maior do que o anunciado

Lá pelos 35 minutos do segundo tempo, eu, meu irmão Marcos e o Iai, primo da Suzana, olhamos com atenção todos os departamentos do Pacaembu e fizemos projeções de quanto daria o público. Veja bem que eram três pessoas, que conhecem bem o estádio, analisando a porcentagem de lugares ocupados em cada departamento do Pacaembu que, segundo dados oficiais, tem uma capacidade de 38 mil pessoas.

Chegamos à conclusão de que o estádio tinha cerca de metade de seus lugares tomados. Mas, em dúvida, para não dizer que fomos otimistas, concordamos que 40% da lotação seria o mínimo possível. Então, teríamos 15.200 pessoas, certo? Errado. O placar eletrônico anunciou o público e lá estavam 10.954 pagantes, com 13.118 no total, dois mil a menos do que nossos cálculos. Com renda de R$ 324.680,00

De qualquer forma, pelas informações que peguei com santistas de Santos, ontem foi um domingo que deu praia, e como enfrentar o humilde Linense não motivaria o torcedor, na Vila Belmiro o jogo não teria atraído mais do que seis mil pessoas. A escolha do Pacaembu foi super acertada e é evidente que se os jogos na capital passarem a ser menos esporádicos, a tendência é de que o público cresça progressivamente.

Museu, Show e a volta dos legítimos Baleiinha e Baleião

Dois estandes montados em caminhões – um com exposição do museu itinerante do Santos, e outro que serviu de palco para um show da dupla Brothers of Brazil, de Supla e seu irmão João Suplicy – divertiram os santistas que chegaram mais cedo à Praça Charles Miller. As novidades foram muito bem recebidas. O evento, batizado de “Santos Truck – O Peixe na Estrada”, ocorreu devido a uma parceria com a empresa Truck Van. O clube está tentando tirar o alvará para vender produtos oficiais em um desses caminhões.

Outra novidade que alegrou os torcedores foi a volta das originais Baleiinha e Baleião. Crianças se apertaram nos alambrados para vê-los de perto. Aqueles personagens murchos que inexplicavelmente os substituíram saíram com a última gestão.

Santos 4 X 2 Linense
Pacaembu, 18h30, domingo, 1º de março de 2015
Público pagante: 10.954. Total: 13.118. Renda: R$ 324.680,00.
Santos: Vanderlei, Cicinho, David Braz, Werley, Victor Ferraz; Valencia (Elano), Renato e Lucas Lima; Geuvânio (Lucas Otávio), Robinho e Ricardo Oliveira (Gabriel). Técnico: Enderson Moreira.
Linense: Anderson, Bruno Moura, Adalberto, Álvaro e Igor; Memo, Moisés Ribeiro, Gilsinho (Felipe Augusto) e Clébson; William Pottker e Diego (Gabriel). Técnico: Luciano Quadros.
Gols: Robinho aos 7 e Renato, aos 38 minutos do primeiro tempo; Anderson (contra) aos 4, Diego (pênalti) aos 24, William Pottker aos 28 e Robinho aos 45 minutos do segundo tempo.
Arbitragem: Douglas Marques das Flores (ruim, prejudicou o Santos), auxiliado por Emerson Augusto de Carvalho e Fernando Afonso Gonçalves de Melo.
Cartões amarelos: Robinho e David Braz (Santos) Moisés Ribeiro (Linense).

E você, o que achou de Santos 4 x 2 Linense?


A generosa Portuguesa e o Santos, um jogo para refletir

babatinha
VAI QUE É SUA BATATINHA! – Com a contusão de Alison, que deverá ficar seis meses sem jogar, Lucas Otávio, o “Batatinha”, terá sua grande chance no meio de campo do Santos. Enderson Moreira acha que com ele o time ganhará na saída de bola (Foto: Ivan Storti/ Santos FC).

O medo da extinção bateu na Portuguesa. As dívidas profundas, a queda para a Série C do Brasileiro e a possibilidade de fechar suas portas abriram a cabeça de muita gente na tradicional Lusa do Canindé. Neste jogo contra o Santos, às 16 horas de domingo, no Pacaembu, a direção do clube está agindo de forma profissional e dando prioridade ao que realmente interessa.

Os torcedores da Portuguesa ficarão, humildemente, apenas com o tobogã, e cederão todo o restante do Pacaembu aos santistas. Isso pode atrapalhar um pouco o ânimo do time rubro-verde, mas a renda, que é o que mais interessa à Portuguesa no momento, será toda dela. E ao saber que assim terão mais possibilidades de receber os salários, certamente seus jogadores nem se importarão tanto com a maior parte da torcida contra.

Na mídia social, as vozes oficiais da Portuguesa têm sido elogiosas ao Santos e aos santistas, em uma clara intenção de valorizar o espetáculo e relembrar a rica história do confronto. Antes da partida, em iniciativa admirável, os times homenagearão o zagueiro Marinho Peres, ídolo nas duas equipes.

Depois daquela mal explicada queda para a Série B do Brasileiro, a Portuguesa tenta desesperadamente sobreviver e percebeu que certas vaidades não levam a nada. Espero que o presidente do Santos, Modesto Roma, alcance a mesma percepção sem que o clube precise passar por um trauma parecido.

“Vamos também ajudar a nossa coirmã a ter uma boa renda”, afirmou Roma em uma entrevista. Ótimo. Mas também é necessário que o Santos tenha a mesma humildade e visão do adversário e se ajude a ter boas rendas.

Por falar nisso, é curioso lembrar que o clássico deste domingo (sempre considerarei o jogo contra a Portuguesa um clássico) já deteve o recorde de público e renda no Estado de São Paulo. A partida final do Campeonato Paulista de 1973 levou ao Morumbi 116.156 pagantes, que com mais 412 menores resultaram no público total de 116.568 pessoas, com renda de Cr$ 1.502.255,00. Esses recordes foram significativos, pois o Morumbi já tinha recebido dois jogos decisivos entre São Paulo e Palmeiras.

Um dos melhores, se não o melhor, time do Brasil na primeira metade da década de 1950, quando venceu os Torneios Rio-São Paulo de 1952 e 1955, a Associação Portuguesa de Desportos, fundada em 1920, tem três títulos paulistas, foi vice-campeã brasileira de 1996 e já revelou grandes nomes do nosso futebol, como Djalma Santos, Julinho Botelho, Leivinha, Marinho Peres, Enéas, Dener, Ivair, Jair Marinho, Félix, entre outros.

Clube preferido da colônia lusitana da Capital, a Portuguesa reformou o seu estádio nos anos de 1972 e 73, contanto apenas com a ajuda de sócios e torcedores. Hoje o Canindé tem capacidade para 21 mil pessoas. O clube tem demonstrado interesse de demolir o estádio e construir outro. Será que não seria o caso de Portuguesa e Santos unirem forças para ter um estádio conjunto em São Paulo? Bem, é só uma idéia a ser discutida…

O rico passado dos Américas

Falar da história da Portuguesa é meio como ouvir um fado nostálgico narrando a época dourada das grandes navegações. Tudo indica que a falta de maior apelo popular, aliada a uma sequência de más administrações, tenha levado o clube para esta encruzilhada. Mas não foi o primeiro, nem será o último a relembrar o passado com saudade e tristeza.

O América do Rio, ou America Football Club, que faz questão de manter a grafia original inglesa de seu nome, fundado em 18/09/1904, portanto com 110 anos de existência, tinha seis títulos cariocas em 1935, ano em que o Santos conquistou seu primeiro título estadual. Aquela altura o América se igualava ao Flamengo em número de campeonatos cariocas e tinha dois a mais do que o Vasco.

Primeira campeão do Estado da Guanabara, em 1960, o América foi semifinalista da Taça Brasil (Campeonato Brasileiro) de 1961, só perdendo para o Santos na terceira partida, depois de ser goleado no Rio, mas vencer na Vila Belmiro. Com mais de 50 jogadores convocados para a Seleção Brasileira ao longo de sua história, o América teve torcedores famosos, como o comediante Chico Anysio, o cantor Altemar Dutra e o compositor Lamartine Babo, autor dos hinos dos grandes clubes do Rio. Hoje seu torcedor mais conhecido é o jornalista José Trajano. Seu estádio comporta 13.544 pessoas. Tudo indica que a falta de maior apelo popular, aliada a uma sequência de más administrações, tenha levado o clube para esta encruzilhada em que vive hoje.

Um outro América, o América Futebol Clube, de Minas Gerais, conseguiu a façanha de ser decacampeão estadual, de 1916 a 1925 – época em que, obviamente, Atlético (fundado em 1908) e Cruzeiro (fundado em 1921) – não passavam de meros coadjuvantes. Dizem que a derrocada do América começou em 1965, quando o clube dissolveu sua categoria juvenil e isso acabou reforçando o Cruzeiro, que recebeu de mão beijada jogadores que fariam nome no futebol, entre eles o centroavante Tostão. O início do Mineirão teria coincidido com a queda do América. Tudo indica, porém, que a falta de maior apelo popular, aliada a uma sequência de más administrações, tenha levado o clube para esta encruzilhada em que vive hoje.

Sem conhecer a história, é impossível entender o presente. Nas ciências exatas, basta aplicar a última fórmula, pois todas as anteriores, superadas, deixam de ter valor. Na história não é assim. A origem tem a mesma importância do momento atual, pois fazem parte da mesma matéria, são passos do mesmo caminho.

Santos vai de Batatinha

Para o jogo deste domingo, sem o volante Alison, que poderá ficar seis meses afastado dos campos, o garoto Lucas Otávio, popular “Batatinha”, terá mais uma boa chance de se firmar entre os profissionais do Santos. No mais, para o jogo deste domingo, às 16 horas, no Pacaembu, contra a portuguesa, o técnico Enderson Moreira manterá a mesma equipe que vem jogando. Gustavo Henrique e Gabriel ficam no banco de reservas e Thiago Ribeiro, machucado, continua fora dos planos.

O técnico explicou que com Lucas Otávio o Santos não terá uma marcação tão dura no meio, mas melhorará sua saída de bola. O time para enfrentar a Portuguesa será Vanderlei, Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Lucas Otávio, Renato e Lucas Lima; Geuvânio, Robinho e Ricardo Oliveira.

Segundo o site oficial do Santos, o clássico deste domingo já foi realizado 239 vezes, com 113 vitórias santistas, 67 da Portuguesa e 59 empates. O Santos marcou 468 gols e sofreu 339. Se forem computados apenas jogos no Pacaembu, porém, a vantagem, mínima, é da Portuguesa, que em 44 partidas venceu 17 e perdeu 16, com 11 empates. Nessas partidas, o Santos marcou 70 gols e sofreu 67. Portanto, se vencer desta vez, o Santos empatará o confronto com a Lusa no Pacaembu.

O primeiro jogo entre ambos, realizado em 1º de maio de 1921, na Vila Belmiro, foi vencido pelo Santos por 3 a 0, com gols de Constantino, Millon e Ary Patuska. A Portuguesa formava um combinado com o Mackenzie College. O Santos jogou com Randolpho, Cícero e Paulino; Pereira, Jarbas e Ricardo; Millon, Constantino, Ary Patuska, Marba e Arnaldo Silveira.

Três grandes jogos entre Santos e Portuguesa:

Na Vila, sardinhas

Não sei se o marketing do Santos sabe, mas “sardinha” é um termo pejorativo com que os torcedores adversários da Capital Paulista tratam os santistas. Bem, mas na Vila Belmiro o clube resolveu criar uma atração extra para quem preferir assistir ao jogo de amanhã em um telão no salão de mármore do estádio Urbano Caldeira: como atrativo, os primeiros que chegarem terão direito a uma porção de sardinhas fritas. Porém, como o jogo começa às 16 horas e a entrada para os sócios estará liberada a partir das 14 horas, é bem provável que quando a bola começar a rolar não haja mais sardinhas.

Veja Enderson explicando o time para o clássico contra a Lusa:

E você, o que acha da generosidade da Portuguesa?


Em campo, o Santos sempre se vira. O difícil é fora dele

Minha coluna no jornal Metro: “Quando o Santos era rico”


Santos criou mais chances. Repare na jogada de Geuvânio, de 47s a 54s, em que deixou Reinaldo sentado só com a ginga, driblou mais dois e quase marca.

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Não, Reinaldo não está assistindo ao jogo de dentro de campo. É que ele acaba de levar uma entortada de Geuvânio e caiu sentado. O atacante santista vai driblar mais dois e acertar um belo chute cruzado, mas Rogério Ceni fará uma grande defesa (Foto: Ricardo Saibun/ Santos FC).

Não me surpreendi com o bom clássico na Vila e o maior número de chances de gol para o Santos. Mesmo vivendo sob a sombra da imensa crise financeira que assola o clube, o time foi valente e poderia ter vencido o São Paulo – que, tirando o futebol, está na frente do Santos em todos os quesitos.

Estádio, marketing, cota de tevê, valorização do elenco, torcida – o tricolor do Morumbi supera o alvinegro Praiano em todos esses aspectos. Mas, quando a bola rola, o jogo sempre é parelho, e tem sido até mais favorável ao Santos desde o título brasileiro de 2002.

É como alguns jogadores falam da Seleção Brasileira, até com algum exagero: se equilibrar na raça, deverá ganhar, porque tem melhor técnica. Eu diria que, se mesmo tão bagunçado, o Santos continua entre os grandes de São Paulo e do Brasil, imagine no dia em que for um clube moderno, eficiente e organizado.

Sobre o jogo, gostei. Como todos os torcedores presentes à Vila Belmiro, não entendi a substituição de Lucas Lima por Elano. O veterano entrou para jogar os últimos 10 minutos e já pareceu entrar cansado, paradão. Sem Lucas Lima o Santos perdeu a ligação entre defesa e ataque e foi dominado.

O técnico Enderson Moreira explicou que colocou Elano para ver se ele acertava o último passe, ou um bom chute a gol. Beleza. Mas por que tirar justo o único articulador do Santos, o único que consegue levar a bola da defesa ao ataque com alguma eficiência?

Não gosto de pegar em pé de técnico, porque considero todos os treinadores brasileiros de um nível abaixo da média, e se a chance começar a pegar no pé, vai que a diretoria traz um pior ganhando três vezes mais. Mas o Enderson deveria fazer substituições só quando o jogador não puder mais andar, casos de Robinho e Ricardo Oliveira. Ele tem complicado o time nos minutos finais. Tirar Lucas Lima para colocar Elano foi uma temeridade.

A defesa suportou bem a maior passe de bola do São Paulo e só permitiu chutes de longa distância. David Braz deu uns tropeções, mas no todo não foi mal. Werley melhorou bem se comparado à sua estreia. Victor Ferraz e Chiquinho não comprometeram. Vanderlei fez boas defesas e mostrou tranqüilidade.

Alison e Renato brigaram muito pela bola e até tentaram construir alguma coisa. Renato teve a chance de decidir a partida. Lucas Lima, novamente, foi o melhor do Santos. Ricardo Oliveira batalhou, Robinho construiu alguma coisa e Geuvânio fez as melhores jogadas individuais. Em um lance driblou três e arrematou com força e cruzado. Se não fosse Rogério Ceni, em noite iluminada, o jovem atacante santista teria feito o gol mais bonito do campeonato. Bem orientado e preparado, Geuvânio pode ser o novo diamante santista.

Mesmo reunindo duas equipes invictas do campeonato, em um clássico tradicional, apenas 8.867 pessoas pagaram ingresso para ver o jogo na Vila Belmiro, com uma renda de R$ 269.545,00. Enquanto isso, no Allianz Parque, onde havia perdido seus dois últimos jogos, o Palmeiras venceu o Rio Claro por 3 a 0 diante de um público pagante de 17.528 pessoas e renda de R$ 1.134.780,00.

Em todos os quesitos o Santos está ganhando menos dinheiro do que seus concorrentes. Uma hora ficará impossível manter um time competitivo, por mais que, em campo, as coisas se equilibrem. Ontem, por exemplo, mesmo ficando menos tempo com a bola, o Santos criou mais oportunidades e só não venceu porque Rogério Ceni fechou o gol. E também porque o árbitro Leandro Bizzio Marinho não quis dar um pênalti em Ricardo Oliveira.

Enfim, o time tem potencial para fazer uma temporada de média para boa. Mas o campeonato que mais me preocupa, confesso, é o famoso Fluxo de Caixa. Sem criar novas formas de receita, essa competitividade que o Santos ainda tem, acabará se perdendo. Por isso é urgente, para começar, uma campanha nacional para aumentar o número de associados.

Santos 0 X 0 São Paulo
Vila Belmiro, 11/02/2014, 22 horas
Público: 8.867 pagantes. Renda: R$ 269.545,00
Santos: Vanderlei; Victor Ferraz, Werley, David Braz e Chiquinho; Alison, Renato e Lucas Lima (Elano); Geuvânio, Robinho (Lucas Crispim) e Ricardo Oliveira (Marquinhos Gabriel). Técnico: Enderson Moreira.
São Paulo: Rogério Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denilson, Souza, Ganso e Michel Bastos; Ewandro (Pato) e Luis Fabiano
Técnico: Muricy Ramalho.
Arbitragem: Leandro Bizzio Marinho, auxiliado por Daniel Paulo Ziolli e Rafael Tadeu Alves de Souza, todos de São Paulo.
Cartões amarelos: David Braz e Robinho (Santos); Rafael Tolói, Reinaldo e Luis Fabiano (São Paulo).

E você, o que você achou de Santos e São Paulo?


O Santos recua porque o adversário ataca, ou o adversário ataca porque o Santos recua?


Repare que no primeiro gol santista havia seis jogadores do Santos na área e nove do adversário. Isso é que é ir pra cima pra decidir a partida.

Nos jogos contra Mogi Mirim e Red Bull foi a mesma coisa: o Santos atacou para valer apenas no início dos tempos, e depois recuou, abdicou da posse de bola e ficou especulando contra-ataques ou bolas espirradas após chutões para a frente.

O time não perdeu, mas o torcedor se sentiu frustrado. O santista se acostumou a ver o Santos no ataque, principalmente quando enfrenta times pequenos. Essa postura intencionalmente defensiva parece um tipo de trapaça com o espectador, como se o Santos não tivesse nenhuma responsabilidade com a chamada qualidade do espetáculo.

Já analisamos aqui a difícil situação financeira do clube e suas possibilidades de faturamento. Confirmo minha opinião – abalizada por tantos leitores deste blog – de que só mesmo uma grande campanha para turbinar o seu quadro de associados pode tornar o Santos competitivo, já que nos outros quesitos, como cotas de tevê, patrocínio máster e arrecadações ele está bem atrás de seus principais concorrentes.

Mas uma campanha para atrair associados, assim como a busca por maiores arrecadações e melhores possibilidades de se obter patrocínio passa pelo fascínio que o time exerce em seu torcedor e no universo do futebol. Mesmo perdendo, o Santos já foi muito mais empolgante quando jogava pra frente e parecia tocado pela vontade irresistível de fazer gols.

Nem é preciso pensar muito para se lembrar qual o último jogo que fez o santista ir pra casa com a alma lavada. Sim, a goleada de 5 a 1, fora o baile, sobre o time que pouco mais de um ano antes tinha sido campeão do mundo. No final do Paulista, perdeu para o Ituano, mas aquela goleada marcou mais do que a decisão do título.

Se há um torcedor que adora ver goleada é o santista. Por isso, ele se amofina, se exaspera e perde a razão quando vê o seu time, preguiçosamente, voltar para a defesa depois de marcar um mísero gol. Tudo bem que outros times ganhem até títulos mundiais assim jogando assim, por uma bola, mas o Santos sempre foi diferente, sempre quis mais, por que se mediocrizar agora?

É o técnico que manda, ou os jogadores que decidem?

Será que é o Enderson Moreira que manda o time recuar? Será que foi ele que pediu isso domingo, em São José do Rio Preto, diante do regular, mas limitado Red Bull? Não acredito.

Como este filme nós já vimos várias vezes antes, temo que esse comportamento, mais do que uma decisão tática do treinador, seja adotado pelos jogadores do Santos como uma forma de obter a vitória, ou segurar o empate, sem correr maiores riscos físicos.

Sabe-se que o jogador que sofre mais faltas e se machuca mais é o que tem a bola. Ele também se expõe mais do ponto de vista técnico, pois precisa criar jogadas, enquanto seu adversário receberá urras da platéia se simplesmente chutar a bola para fora. Destruir é bem mais fácil do que construir, obviamente.

Mas o Santos só tem alguma fama até hoje e só impõe respeito porque se especializou em construir jogadas de ataque. E isso começa com a organização que vem desde a defesa, a troca precisa dos passes, as deslocações, dribles, tabelas e os bons arremates a gol. Tudo isso está faltando ao time, porém.

Diante do Mogi Mirim o ataque santista nada fez. Diante do Red Bull, venceu com um gol contra e um pênalti que caiu do céu. Não dá para se contentar com um rendimento ofensivo desses. E não dá para esperar que o Santos só jogue como um Leão do Mar na Vila Belmiro. O campo, a grama, as dimensões, são as mesmas. E domingo quase a totalidade da torcida era santista. Ficar atrás contra o Red Bull chega a ser constrangedor.

Nesta quarta-feira, às 22 horas, provavelmente diante apenas de sua torcida – como quer o promotor de justiça Roberto Senise Lisboa –, em um clássico com tevê aberta, provavelmente o rendimento do time será outro. Mas por que os jogadores só deixam para jogar futebol de verdade em casa e nos grandes jogos?

Enderson tem de ter coragem mexer no e com o time

Com tantos jogadores jovens para serem testados neste Campeonato Paulista, encher o time com veteranos não é inteligente e diminui a velocidade da equipe. Talvez esta seja a razão do precavido comportamento tático do time, pois a mesma velocidade que se usa para atacar, é necessária para recompor a defesa. Pode ser também o decantado cansaço de início de temporada. Mas será que só os santistas estão cansados?

Como muitos leitores deste blog têm dito insistentemente, e com razão, o Santos é o tipo de time em que se há dois jogadores de nível técnico equivalente para uma posição, e um deles é um Menino da Vila, então não há o que pensar. O garoto deve ter a preferência. Até porque costuma ser patrimônio do clube.

É evidente que Daniel Guedes na lateral-direita, Caju na lateral-esquerda, Gustavo Henrique na zaga, Alison no meio, Geuvânio e Gabriel no ataque são imprescindíveis para remoçar e dar vitalidade e velocidade ao time. Eu ainda testaria Lucas Crispim no meio, pois acho que o garoto vai emplacar.

Está mais do que na hora de escolher um jogo e botar a molecada em campo. Se der errado, paciência, mas é isso que o torcedor quer ver. Essa impotência ofensiva do time, com jogadores dispersos na frente à espera de um chutão do David Braz, é muito pouco para o time que mais gols marcou na história do futebol.

E para você: o Santos recua porque o adversário ataca, ou o adversário ataca porque o Santos recua?


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