Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

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O Capivariano e a Globo


Por jogos assim é que o futebol é maravilhoso!

Falarei de dois adversários do Santos: o primeiro é factual, o humilde Capivariano, que recebe o Glorioso Alvinegro Praiano neste domingo, às 18h30, pela penúltima rodada do Campeonato Paulista. Com poucas chances de se salvar do rebaixamento, o tradicional time de Capivari, a três anos de completar seu Centenário, precisa muito da vitória. O outro adversário é a Rede Globo, esse de longa data,que tem insistido em ignorar o time de história mais rica do futebol brasileiro.

Com apenas duas vitórias no Campeonato, jogando em casa o Capivariano só venceu o São Bernardo, na quinta rodada, por 2 a 0. Mas veja como são as coisas: justo esse São Bernardo dominou o Santos na Vila e quase o venceu. No final, o empate por 1 a 1 foi até bom para os santistas. O que quero dizer com essa lembrança é que o desesperado Capivariano merece cuidados e, se quiser garantir o primeiro lugar do Grupo A, neste final de semana, o Santos precisará de uma vitória, o que sempre é uma tarefa hercúlea quando se trata de jogos distantes da aconchegante Vila Belmiro.

Para quem não sabe, o Capivariano não tem nenhuma fábrica de Meninos da Vila, mas já revelou jogadores que fizeram alguma história, como o goleiro Zetti, o meio-campo Amaral, o lateral-direito Cicinho e o zagueiro Dante. Bem, do adversário de amanhã o que tinha falar era isso. Agora, vamos ao inimigo mais poderoso.

Como ficou provado agora, com a entrada triunfal do Esporte Interativo no mercado das transmissões futebolísticas nacionais, a Globo foi pouco inteligente ao criar seu plano geopolítico para o futebol brasileiro, privilegiando o alvinegro paulistano e o rubro-negro carioca. A emissora carioca apostou na inércia do mercado e na manutenção do sistema de cartéis e monopólios que dominam as relações comerciais brasileiras, e se deu mal.

Dizem que ela ainda tem um lucro monstruoso com o futebol e está pouco se lixando com as saídas dos clubes que estão assinando com o Esporte Interativo. Balela. Uma competição depende de todos os clubes participantes, e a bola dividida com o Esporte Interativo obrigará a acordos entre essas duas emissoras e os times envolvidos. Não será mais a moleza de antes.

Como esse tem sido um tema recorrente deste blog há alguns anos, sinto-me confortável para dizer que o problema da Globo pode ser resumido em suas palavras: arrogância e burrice.

Optasse pelo caminho sugerido do Mérito Esportivo, com a divisão de cotas similar às de Alemanha e Inglaterra, e não teria havido a diáspora, pois os clubes e seus torcedores estariam satisfeitos. Se há uma coisa que o torcedor respeita é o mérito do time que joga melhor. Mas a Globo esqueceu o mérito e criou um sistema de reserva de mercado que pagava muito mais aos mesmos clubes, independentemente de suas performances nas competições.

Enfim, a exemplo de tanta coisa errada que está sendo desvendada no Brasil, a Globo escolheu manter uma relação obscura e promíscua com os dirigentes de clubes, fazendo-os assinar contratos muitas vezes lesivos às suas agremiações, tudo isso com o intuito de levar adiante o maquiavélico plano geopolítico da Espanholização versão tupiniquim.

E você, o que acha disso?


CBF/Globo contra o Bahia

Esse caso, que corre a Internet, de punição ao Bahia por este ter assinado com o Esporte Interativo, é realmente lapidar e certamente será lembrado por todo aquele que um dia escrever sobre esse período negro do futebol brasileiro, em que uma rede de televisão tenta manipular o esporte e, em parceria com uma Confederação suspeitíssima, ignora as leis da livre concorrência e pressiona as agremiações para continuarem atreladas a ela, mesmo recebendo bem menos dinheiro do que oferece o Esporte Interativo.

E não é só dinheiro, é questão de filosofia. O esporte, para crescer, para se desenvolver em todos os níveis, precisa ser regido pela meritocracia. O melhor, o mais competente, o que dá os melhores espetáculos, deve ser mais valorizado. E não aquele que, simplesmente, tem um maior número de simpatizantes, como quer a Globo. Essa visão, para mim, é uma das responsáveis pela falência técnica do futebol brasileiro, pois hoje vivemos uma reserva de mercado, em que dois clubes ganham muito mais do que os outros, mesmo praticando um futebol feio, modorrento, sem brilho.

Conforme notícia muito comentada, e que pode ser melhor analisada no link abaixo, do site Torcedores.com, para poder realizar um amistoso em Orlando City, o Bahia solicitou que o seu jogo contra o Galícia, pelo Campeonato Baiano, fosse transferido do dia 9 para o dia 16 de março. Com isso, sua estréia na Copa do Brasil seria transferida de 16 de março para outro dia.

A CBF, entretanto, estabeleceu que no dia 9 o Bahia terá de cumprir dois compromissos: contra o Galícia, pelo Estadual, e também contra o Juazeirense, pelo Campeonato do Nordeste. Como fazer dois jogos no mesmo dia? Será que a CBF imporia a mesma condição se o clube fosse um dos dois queridinhos? Obviamente, não.

Como o Bahia tem sido parceiro do Esporte Interativo e já anunciou que assinou contrato com a emissora para o período a partir de 2019, não há qualquer dúvida entre a direção do clube, seus sócios e torcedores, de que essa imposição da CBF para que faça duas partidas no mesmo dia – o que, aliás, é proibido pelo Conselho Nacional de Desportos – é uma retaliação pelo fato de o clube estar fugindo da área de influência da Globo.

Ué, mas por que a CBF tomaria as dores da Globo?, perguntariam os incautos. Ora, se a tabela dos campeonatos passa pelo crivo da Globo, que escolhe as datas e horários dos jogos que quer transmitir, e se as áreas comerciais da Globo e da CBF andam de mãos dadas, é óbvio que ambas têm interesses e afinidades comuns.

Como diz o site Torcedores.com, “Em nota oficial divulgada anteriormente, o clube assegurava contar com o aval das emissoras Esporte Interativo e Rede Globo para transferir o seu compromisso pelo Campeonato Baiano para o dia 16 de março. Faltava apenas o aval da CBF, que citou em sua resposta inicial “precedente indesejável” para não realizar a mudança.”

Ainda segundo o site, mesmo com outras datas disponíveis, a CBF confirmou a estreia do time na Copa do Brasil para o mesmo dia 16. Pois bem, agora vem o fecho da história, tão sintomático como tudo o mais que a envolve. Sabe o leitor, ou a leitora, qual o nome do time que enfrentará o Bahia no dia 16 de março, pela primeira rodada da Copa do Brasil, e que poderá levar vantagem nessa confusão envolvendo o Bahia? Não?!

Pois ele é do Rio Grande do Norte, se chama Globo Futebol Clube e foi criado em março de 2013 pelo empresário Marconi Barretto para homenagear o jornalista Roberto Marinho, fundador da decantada rede. Parece brincadeira, mas o Bahia terá de medir forças com a Globo dentro e fora do campo. E, é claro, não contará com nenhuma complacência da CBF. Mas terá a nossa torcida, pois, assim como o Santos, está tendo coragem de lutar contra o nocivo status quo do futebol brasileiro.

Como santistas, creio que devemos demonstrar nossa solidariedade ao Bahia e alertar seus sócios e torcedores para que não assistam a programação da emissora que quer fazê-los de capacho. A única linguagem que respeitam é menos dinheiro no bolso.

Clique aqui para ler matéria do site Torcedores.com sobre o assunto.

Clique aqui para saber que o Bahia já assumiu parceria com o Esporte Interativo e até já oferece ingressos gratuitos para os seus jogos.

Primeiro campeão brasileiro, em 1959, rival do Santos em três finais que definiram o título nacional, o Bahia – companheiro de luta pela Unificação dos Títulos Brasileiros – merece o nosso apoio. Se puder, entre no site do Bahia, cujo link está abaixo, e mande seu apoio aos diretores, sócios e torcedores do clube. Você pode ajudar, e muito, a abortar esse satânico projeto de Espanholização do futebol brasileiro.

Clique aqui para falar e dar um apoio à diretoria do Bahia

E então, o que acha do caso da CBF/Globo contra o Bahia?


As amputações da Globo

Duas palavras a Robinho pela sua contratação pelo Atlético Mineiro: Seja feliz!

As amputações da Globo


Ouça a gravação até o fim (há um trecho em branco).

Cena 1: Durante a transmissão de Valencia e Barcelona ficamos sabendo que aquele horário inusitado foi escolhido pelos clubes para que o jogo pudesse ser visto na Ásia. Calculavam que um público de 60 milhões de pessoas, em todo o mundo, acompanhava a partida.

Cena 2: A Rede Globo, que impôs o futebol noturno para o horário impraticável das 22 horas, ou seja, apenas depois da novela, corta o início do desfile das escolas de samba do Rio para que a transmissão caiba em sua grade. Azar da Vila Isabel e das escolas amputadas.

Comprar os direitos de transmissão de um evento tão tradicional como o desfile nas escolas de samba, dá à emissora o direito de descaracterizá-lo, transmitindo apenas o que se quer? Será que o desfile todo tem de estar sujeito aos interesses do departamento comercial da Globo?

E se a Globo é a dona do espetáculo, será que ela não influi na ordem e nos horários dos desfiles das escolas? Se, por exemplo, a Mangueira fosse a primeira a desfilar, também teria sua transmissão amputada?

Ficou evidente, ainda, a má vontade com a Grande Rio, que homenageava a cidade e o time do Santos. É claro que a ordem era para dar menos tempo e menos elogios para o clube que já tinha anunciado que assinará com o Esporte Interativo, fazendo um belo furo no dique que a emissora carioca imaginava intransponível.

A obsessão da Globo por interferir nos eventos pelos quais paga para transmitir é antiga. Lembro-me do grande mal estar que provocou sua decisão de transferir a tradicional corrida de São Silvestre, que encerrava o ano de São Paulo, do horário do réveillon para o meio da tarde, o que mudou a programação dos atletas e do público, tirou todo o charme da prova, mas garantiu à Globo mostrar o foguetório das praias cariocas.

Sem encontrar limites para sua ingerência, hoje a Globo tenta criar uma geopolítica própria no futebol brasileiro, definindo os clubes que devem ser ricos e os que viverão na eterna coadjuvância. E os que não rezam a sua cartilha, como o Santos, são punidos com o ostracismo. Bem, ao menos é o que ela quer. Na prática, hoje o maior poder de divulgação passou das tevês para a Internet. A tevê tradicional está com os dias contados, felizmente.

De qualquer forma, manipular os eventos, amputá-los, para que caibam em sua programação, só pode ser possível para a Globo por ela estar instalada em um país com leis flexíveis, em que uma empresa que domine a comunicação tem o direito de fazer o que quer, sem dar satisfações a ninguém.

Vai somando: mais dois pontos. Já são quatro em três jogos!

Enquanto isso, no Rio:

E você, o que acha disso?


Só atos políticos impedem a Espanholização


Essa garotada do Sub-13 é infernal. Joga muito e põe o adversário na roda!


Meninada do Sub-11 jogou melhor e merecia o título, mas nessa idade títulos não importam, o que vale é saber jogar futebol, e isso eles sabem.

Os campeões de 1935 nos braços do povo

Por Guilherme Gomez Guarche

O amigo Guilherme Gomez Guarche é o responsável pelo Departamento de Memória e Estatística do Santos e autor de vários livros que abordam a história do clube. Por um erro imperdoável meu, deixei de publicar, ontem, um texto que o Guarche já havia me enviado há dias sobre a chegada da delegação santista à cidade, depois de conquistar o título paulista de 1935.

O emocionante texto está no livro publicado por Guarche em 2002: “O Melhor do Século nas Américas”, e foi extraído do jornal A Tribuna, edição de 18 de novembro de 1935.A matéria aborda a chegada da delegação santista, que chegou à noite na estação do Valongo, em frente onde está situado o Museu Pelé. Segue o texto:

“O feito brilhante do Santos, no campeonato da Liga Paulista, este anno encheu de justo contentamento a população esportiva da cidade. Nunca se constataram no terreno do esporte tantas e tão vivas demonstrações de enthusiasmo. Logo que os radios annunciaram a victoria final, as ruas começaram a movimentar-se, como se qualquer coisa de anormal e estranho houvesse acontecido.

Em pouco tempo, a praça Ruy Barbosa, em frente ao “Café Paulista”, estava repleta de pessoas, e à medida que se aproximava a hora da chegada da delegação, o publico ia aumentando. Tomaram-se preparativos para que a recepção fosse condigna. Duas bandas de musica esperavam os campeões.

Estenderam-se cartazes na rua do Commercio, por onde deveriam passar os jogadores. De tudo se cuidou com carinho. Todos se interessavam pelo brilhantismo da chegada do alvi-negro. Não havia clubismo. Elementos de todos os gremios se faziam representar na estação da inglesa. Era uma victoria do Santos e da cidade de Santos.

Innenarravel o que se passou quando o comboio que conduzia o Santos deu entrada na “gare”. Os jogadores campeões foram como que arrancados dos carros e trazidos para a rua. aos hombros dos aficionados. Flôres cobriam os defensores do Santos. A satisfação era indisfarçavel. Abraços e mais abraços. Vivas e hurras. Contentamento geral.

As bandas de musica executaram as primeiras marchas e ahi o enthusiasmo attingiu o auge. Espectaculo indescriptivel. E a multidão começou a caminhar vagarosamente, em demanda da cidade, engrossando cada vez mais, vivando sempre os campeões.

Na praça Ruy Barbosa subiram ao ar muitos foguetes. Os jogadores conduzidos nos hombros dos torcedores, e assim vieram até a redação desta folha. Ahi fizeram uma parada e foram saudados.

Os milhares de manifestantes dispersaram-se sómente depois que os jogadores deram entrada na séde do clube, onde se repetiram, com a mesma intensidade, as grandes manisfestações de enthusiasmo.

Em todo esse enthusiasmo pela victoria do Santos não se póde esquecer a figura dedicada de Virgílio Pinto de Oliveira (Bilu), a quem coube, nesta temporada, o difficil encargo de tudo prover technicamente na turma do Santos.

Foi elle quem, com acertadas medidas, óra modificando, óra incluindo novos elementos, incentivando-os e animando-os, conduziu o time do Santos à victoria final.

Dentre os elementos por elle “descobertos” destacam-se Mario Pereira, que, ainda militante no quadro juvenil, no anno passado, se tornou em curto espaço de tempo campeão paulista. Os progressos do “mignon” futebolista foram rapidos e hoje póde ser considerado um dos titulares da equipe.

São campeões paulistas de 1935 os seguintes jogadores: Cyro, Neves, Meira, Agostinho, Ferreira, A. Figueira, Marteletti, Jango, Sacy, Mario Pereira, Biruta, Delso, Raul, Araken, Sandro, Logu e Junqueirinha.

Raul também é campeão secundario da cidade”.

SÓ ATOS POLÍTICOS IMPEDEM A ESPANHOLIZAÇÃO

Não há argumentos de mercado para justificar a Espanholização que a Rede Globo quer implantar no futebol brasileiro. Como todos já sabem, a diferença dos números do Ibope não justificam a enorme discrepância nas cotas que a Globo oferece a seus dois clubes escolhidos e aos demais grandes do futebol brasileiro. A Espanholização tem sido movida por interesses políticos e só poderá ser freada por atos políticos dos clubes e dos torcedores prejudicados.

Não procure nos méritos técnicos os motivos que fizeram de um clube rebaixado em 2007 um dos mais ricos do País em apenas oito anos. Também não procure só na boa administração as causas da ainda tênue recuperação financeira do Flamengo. Há um claro interesse político por trás desses fenômenos – perfeitamente compatíveis com a filosofia do populismo e do assistencialismo que vive o País.

Todo especialista em marketing esportivo sabe que os modelos mais bem sucedidos de campeonatos nacionais de futebol são os de Alemanha e Inglaterra, nos quais o dinheiro da tevê é dividido irmanamente entre os participantes. Todos sabem ainda que o equilíbrio entre os rivais é o segredo das grandes competições do esporte norte-americano. Em nenhum país em que o esporte é tratado de forma profissional e responsável estimula-se o desequilíbrio de forças, pois qualquer hegemonia acaba se tornando improdutiva para o espetáculo.

No Brasil, percebe-se claramente o uso de dois pesos e duas medidas. A mesma Globo que mandou esconder o nome do estádio do Palmeiras, o Allianz Parque, agora se oferece para ser parceira no estádio do alvinegro de Itaquera. Essa parcialidade, de um canal de tevê que detém os direitos de transmissão do futebol nacional e deveria tomar uma atitude neutra na cobertura dos eventos, é decepcionante, revoltante e sem precedentes na história do jornalismo brasileiro.

Portanto, não adianta recorrer à história, aos índices de audiência, aos títulos e às verdadeiras dimensões de cada torcida. O poder do futebol, capitaneado pela Globo, que há muito deixou de ser uma empresa jornalística neutra para se tornar uma sócia manipuladora do futebol nacional, já definiu suas próximas cartadas. Nada do que se disser, nenhum fato ou argumento, mesmo incontestáveis, demoverá essa organização de seguir no seu plano de criar profundos contrastes no antes competitivo futebol nacional.


Placas do Allianz Parque cobertas por ordem da Globo.

Se os clubes espanhóis pudessem voltar no tempo…

Imagine se os clubes espanhóis, que hoje vivem das migalhas de Real Madrid e Barcelona, pudessem voltar ao tempo em que se intensificou o processo que os marginalizou das disputas dos títulos mais importantes. Certamente teriam feito algo mais radical, como criar uma liga e ameaçar excluir os dois privilegiados, caso não concordassem com uma divisão mais justa do dinheiro da tevê.

Seria um gesto extremo, polêmico, talvez prejudicial a todos durante algum tempo, mas que depois se revelaria fundamental para salvar o futebol espanhol e devolver a clubes como Sevilha, Atlético de Madrid, Athletic Bilbao, Valencia, La Coruña e outros o direito de continuar sonhando com vitórias e títulos hoje inacessíveis.

Sabemos que hoje a Espanholização restringe de tal maneira as alternativas do futebol espanhol, que até os dois clubes beneficiados estão preocupados com a fraqueza de seus concorrentes e a consequente falta de competitividade interna. Para que o futebol brasileiro não mergulhe rapidamente nessa mesma armadilha, alguma coisa tem de ser feita. Já!


Deportivo La Coruña campeão há 15 anos: uma foto que deve ser guardada com carinho, pois dificilmente se repetirá.

O que os clubes devem fazer para brecar a Espanholização?


Sportv: quero assistir dez vezes Coritiba 2 x 0 Flamengo

O Sportv, como filhote da Rede Globo, segue a mesma política de lavagem cerebral de sua mentora. Um dos pilares dessa política é transmitir, até a exaustão, os jogos e os reprises dos jogos dos dois queridinhos da emissora, o alvinegro paulistano e o rubro-negro carioca, aqueles que a Globo elegeu como os futuros Barcelona e Real Madrid do Brasil. Se o Flamengo vencesse o Coritiba, pode estar certo que teríamos dez oportunidades de ver o teipe dessa partida.

Porém, em uma jornada espetacular do Coxa, este simpático time de Curitiba venceu o decantado rubro-negro por 2 a 0, com direito a gol de Kléber, o Gladiador. Pois agora eu quero ver o teipe dessa partida dez vezes, o mesmo número de vezes que vocês, do Sportv, programariam o reprise do jogo caso a vitória fosse do time carioca. Afinal de contas, a maioria dos torcedores brasileiros ficou feliz com esse resultado.

E já que toquei no assunto, aproveito para dizer que essa bajulação dos dois queridinhos pega mal, é mau jornalismo e só aumenta a antipatia da maioria dos amantes do futebol com relação a esta dupla. A índole do torcedor brasileiro jamais aceitará os privilégios advindos dessa tentativa grotesca de espanholização. Parem com a mania de querer repetir a Rádio Nacional dos anos 40 e forçar a barra para que o Brasil ame esses dois times. Amar um time de futebol é algo natural, não pode ser imposto. Quanto mais tentam, mais rejeição conseguem.

Por falar nisso, domingo, pela manhã, a maior parte dos brasileiros que amam o futebol estarão, mais uma vez, torcendo por uma vitória do time que não tem um grande estádio, não tem a maior torcida, não tem mais espaço na tevê, mas tem muito mais história e costuma jogar mais bonito dos que todos os outros brasileiros. O Brasil estará com o Santos, domingo, às 11 horas, no Itaquerão. Ah, mas enquanto o domingo não chega, gostaria de ver, mais uma vez, ou melhor, mais duas vezes, ou três vezes, a grande vitória do Coritiba sobre o time do Pará e do Alan Patrick, orientado pelo professor OO.

Você também não quer ver de novo Coritiba 2 x 0 Flamengo?


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