Blog do Odir Cunha

O ombudsman do Santos FC

Tag: Estádio Centenário

Ganso e Léo vão pro jogo do futebol contra o vale-tudo


Ganso e Léo estarão de volta ao Santos amanhã, na decisão da Libertadores. Neymar é a maior preocupação do Peñarol. Zé Eduardo, ao lado dos pais, chorou ao lembrar que amanhã fará sua última partida no Alvinegro Praiano (que se despeça com gols). Fotos: Comunicação Santos FC.

Os titulares Paulo Henrique Ganso e Léo, além do capitão Edu Dracena, voltam ao time do Santos amanhã, em que o Alvinegro Praiano terá todas as vantagens – melhores jogadores, mais futebol, campo e torcida – para vencer o Peñarol e conquistar seu terceiro título na Libertadores. Ao time uruguaio resta a eterna “garra” baseada em uma cultura belicista que joga a ética às favas e permite qualquer tipo de atitude, desde que resulte na vitória final.

As agressões da torcida do Peñarol aos santistas que foram ao Centenário são fichinha perto do que já se fez no Uruguai por um título no futebol. Na primeira Copa do Mundo, em 1930, os argentinos, que venciam no primeiro tempo por 2 a 1, foram ameaçados de morte no intervalo e voltaram para o segundo tempo conformados de que deveriam entregar o jogo para saírem de Montevidéu com vida.

O título mundial do Peñarol, em 1961, foi obtido em um jogo contra o Benfica em que o time português foi prejudicado de todas as maneiras. Fernando Cruz, lateral-esquerdo do Benfica, relembra: “Vencíamos por 1 a 0 e perdemos no final, com um gol de falta e um de pênalti que não existiram. E na falta o jogador Sacía encheu a mão de areia e jogou nos olhos dos nossos jogadores que estavam na barreira. Devíamos ter jogado o terceiro jogo no Brasil ou na Argentina, mas nossos dirigentes foram covardes. Lá, certamente perderíamos. Pois, se ganhássemos, não sairíamos vivos dali”.

Na final da Libertadores de 1962, Pepe, o canhão da Vila, soube que chegaram a fazer buracos no gramado do Centenário para prejudicar o toque de bola do Santos. E no segundo jogo, na Vila Belmiro, Sacía jogou terra nos olhos de Gylmar no escanteio que gerou o gol de empate do Peñarol e provocou a confusão que acabou dando os pontos da partida ao time uruguaio e obrigou à realização de uma terceira partida, em Buenos Aires, que o Santos venceu por 3 a 0.

Este Peñarol segue a tradição do jogo sujo e violento

Apesar dos novos tempos, em que a tevê, com sua núltipla visão e câmera lenta, inibe as agressões, não se iludam, pois este Peñarol segue a cultura de seus ancestrais. Assim como os jogadores brasileiros treinam novas formas de dribles e jogadas de efeito, muitos dos jogadores uruguaios experimentam formas originais de agredir o adversário sem serem vistos.

Bater em cima, quando as câmeras focalizam a bola, no chão, é uma das maneiras que encontraram para parar Neymar no jogo em Montevidéu. Por três vezes o atacante santista levou socos, tapas e empurrões enquanto seus pés tentavam controlar a bola.

A tática não poderia dar mais certo, pois os agressores não foram punidos e Neymar, além de receber cartão amarelo “por simulação”, ainda passou todo o segundo tempo inibido, com receio de ser expulso e desfalcar o Santos na grande decisão de amanhã.

Ontem à noite, quando desembarcou tranqüilamente em São Paulo e, obviamente, também pode dormir tranqüilamente no hotel Tivoli, nos Jardins, os sorridentes uruguaios admitiam que um dos pedidos que mais ouviram de sua torcida é que parassem Neymar, de qualquer maneira. O lateral-direito Alejandro González chegou a dizer que se fosse atender ao pedido dos torcedores, não faria outra coisa a não ser dar pontapés no atacante santista.

Na verdade, os novos tempos desenvolveram outras técnicas para se ferir o adversário. Chegar atrasado é uma delas. A bola já passou, a câmera já está no próximo lance, e é aí que o tornozelo é pego. Há ainda o carrinho, uma especialidade de Alejandro González, que pega a bola e as pernas do jogador ao mesmo tempo.

Há, ainda, o “encontrão casual” nas cabeçadas, os empurrões e até golpes inusitados, como o praticado pelo veterano lateral-esquerdo Darío Rodrigues, que na partida contra a LDU, em Montevidéu, se aproveitou de um lance em que caiu embolado com o atacante Hernan Barcos para espremer-lhe o pênis. Sim, isso mesmo, patolou o equatoriano com vontade. Que Neymar fique bem esperto com essa novidade uruguaia…

Hoje, às 19 horas, o time do Peñarol fará o reconhecimento do campo do Pacaembu. Que fiquem em paz. Mas é importante que os funcionários do estádio prestem atenção para ver se não farão buracos no gramado de propósito. Eu não duvido nada…

Árbitro argentino já teria sido subornado pela federação uruguaia

O árbitro argentino Sergio Pezzota, que atuará na partida, auxiliado por seus compatriotas Ricardo Casas e Hernán Maidana, também merece mnuita atenção, pois já foi acusado de aceitar suborno da Federação Uruguaia, com quem mantém ótimas relações.

Segundo o diário uruguaio La República, Sergio Pezzota serviu-se de uma “dama de companhia” contratada pela Federação Uruguaia para satisfaze-lo antes do jogo entre Uruguai e Chile, em 18 de novembro de 2007, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Pezzota, que havia chegado com três dias de antecedência a Montevidéu, recebeu a visita da formosa dama que, para despistar os funcionários do hotel onde o árbitro estava hospedado, estava devidamente trajada com uniforme da Federação Uruguaia.

Segundo a jornalista argentina Yosselem Rocamora, que é amiga íntima de Pezzota, a garota de programa foi muito bem paga pelos dirigentes uruguaios. O jogo terminou empatado em 2 a 2, mas o resultado foi considerado bom pela Seleção Uruguaia, que perdia por 2 a 1 até 36 minutos do segundo tempo.

Santos não pode baixar a guarda

Se esta final fosse em Montevidéu, o Santos teria incríveis dificuldades para ser campeão, pois seria cercado de agressões e ameaças dentro e fora do campo. Esta é a cultura de se ganhar a qualquer custo que prevalece na maioria dos países da América do Sul – Uruguai e Argentina, principalmente.

Estimulados por governantes que usam o esporte para desviar o foco de seguidas administrações corruptas, os uruguaios levam muito a sério esta coisa de serem um pequeno país contra o mundo e têm a ilusão de vencer o planeta a cada título inesperado no futebol.

Como se vê nas relações complicadas entre a direção do Santos e a do clube uruguaio, o anti-fair play começa no presidente e vai até o último aficionado do Peñarol – cuja torcida representa o que a América do Sul quer deixar de ser: um continente dominado pela barbárie. Vencer a qualquer custo é a sua norma, como se um título pudesse fazer com que um time medíocre e violento passasse a ser um exemplo de como se praticar o futebol. Não mesmo…

Por isso, por ter sempre uma carta na manga que pode provocar uma confusão e desnortear os adversários, esse Peñarol merece extremos cuidados. Não se imagine que aceitará pacificamente a derrota amanhã. Haverá provocação e bagunça. Isso é quase certo. Que o Santos esteja preparado.

Uma palavra à torcida santista

A forma animalesca como os santistas foram recebidos no Estádio Centenário – agredidos diante da atitude cínica dos policiais locais – é de revoltar mesmo os mais tranqüilos, como eu. Porém, que nada se faça contra os uruguaios que vierem torcer para o seu time no Pacaembu. Um erro não justifica o outro.

Sei que é duro apanhar e virar a outra face. E mais duro ainda pedir isso aos santistas recebidos como inimigos mortais no estádio Centenário. Mas peço que não hajam com a mesma selvageria, ou perderão a razão e tirarão a razão do Santos.

Que haja reação, sim, mas no grito, no incentivo e na comemoração final. Nada dói mais ao torcedor do que ver seu time derrotado e assistir ao rival erguendo a taça. Que os uruguaios que venham ao Pacaembu possam sentir isso, na pele.

Tomara que aprendam que futebol não é guerra, que um título, mesmo em condições heróicas, não transformará o Uruguai em maior do que é, ou fará do futebol do Peñarol mais bonito. Após a Libertadores, as coisas continuarão do jeito que estão. O Santos seguirá sendo o melhor time de todos os tempos e Neymar e Ganso continuarão sendo os melhores jogadores da América.

E você, o que acha dessa “garra uruguaia”? É garra mesmo, ou é desculpa jogar sujo e agredir os adversários? E o árbitro argentino Sergio Pezzota?


Santos pode requerer pontos do jogo no Uruguai. Vitória seria de 3 a 0

Está no regulamento da Libertadores no site oficial da Conmebol, para quem quiser ver. Os graves incidentes que aconteceram nas arquibancadas do Estádio Centenário, quarta-feira passada, quando a torcida do Santos foi agredida o tempo todo por pedras e rojões enviados pela torcida do Peñarol sem que nenhum torcedor do clube local fosse detido pela polícia, dão ao Santos o direito de reivindicar o ganho dos pontos da partida, que, para todo o efeito, constaria como uma vitória por 3 a 0 para o Alvinegro Praiano.

A responsabilidade do Peñarol pelos incidentes é clara, pois a segurança de jogadores, árbitros, delegados, dirigentes e do público é uma das obrigações do clube mandante. Diz o regulamento:

9.2 Todas lãs cuestiones vinculadas a la Seguridad de los espectadores y protagonistas (jugadores, árbitros, delegados, dirigentes y representantes de los patrocinadores) será responsabilidad de la Asociación Nacional correspondiente al club que actúe de local, así como del club mismo.

O regulamento também deixa claro, em seu artigo 16.6, que “atos graves cometidos pelo público, antes ou durante a partida, que afetem os princípios de ética e possam ser considerados lesivos ao prestígio esportivo do país a que pertencem os infratores”, dão ao clube prejudicado o direito de, em até 15 dias após o fato, enviar um requerimento à Conmebol exigindo a aplicação das determinações previstas na lei.

Quanto à sanção ao clube infrator, no caso o Peñarol, ela é clara no artigo 19, que diz: “Para los casos previstos em Artículo 15 e em Artículo 18 de este reglamento, se tomará como resultado final 3 a 0 a favor del equipo declarado ganador”.

Veja o filme que mostra os santistas agredidos e acuados no Centenário:

Idosos, mulheres e crianças entre os torcedores

Um jogo internacional dessa importância não atrai só jovens fortes e vigorosos das torcidas organizadas. Idosos, mulheres e crianças foram também para Montevidéu torcer pelo Santos. E, no Estádio Centenário, ocuparam o mesmo lugar nas arquibancadas.

Não se trata, portanto, de “apenas” uma briga entre “barras bravas”, como querem alguns jornalistas uruguaios. Trata-se, sim, de uma agressão a um grupo indefeso de brasileiros que foi torcer pelo Santos, no qual se encontravam pessoas preocupadas apenas em ver futebol.

Pelas imagens do filme se vê que a torcida do Santos chegou animada a Montevidéu. Até entrar no Estádio Centenário, só cantou e gritou palavras de incentivo ao time. Não levou para o jogo pedras, rojões, ou qualquer objeto que pudesse ferir os torcedores contrários. Enfim, foi só para torcer pelo Santos. Só passou a xingar os adversários depois de agredida.

Pedras e rojões foram atirados sistematicamente pela torcida do Peñarol sobre a do Santos, causando pânico e ferimentos entre os santistas. As imagens mostram que havia mulheres, crianças e idosos entre os torcedores do Santos.

Os policiais uruguaios nada fizeram para impedir que a chuva de pedras e rojões prosseguisse por toda a partida e o intervalo, em um período superior a uma hora e meia de bombardeio.

Só no final do jogo, quando alguns santistas reagiram, atirando pedras de volta para o lado uruguaio, é que a polícia resolveu agir, para impedir e deter os santistas.

Ficou caracterizada, assim, uma agressão continuada, que mais do que infringir a ética, feriu e colocou em risco a integridade física de centenas de pessoas por cerca de uma hora e meia, sem que a hostilidade fosse contida pela polícia local.

É evidente que a responsabilidade pelas agressões que vemos neste filme é do Clube Peñarol, o enfitrião da partida, da Federação Uruguaia de Futebol, além da própria Conmebol, todos encarregados da segurança do evento e da competição.

O jogo só não foi interrompido porque os torcedores santistas se mantiveram, firmes, em seus lugares. Mas, caso corressem para o campo, por exemplo, ou para outros locais do estádio, a situação se tornaria insustentável, com riscos de uma grande tragédia.

Portanto, como exemplo para manter a ordem e a disciplina nos confrontos da Copa Libertadores da América, a Conmebol deveria punir o Peñarol com a perda dos pontos, computando-se, como diz o regulamento da Copa, uma vitória de 3 a 0 para o Santos.

A punição, além de justa, seria uma lição inesquecível

Uma punição dessas seria exemplar e muito contribuiria para colocar ordem e trazer um pouco de paz a uma competição que tem sido uma bagunça, um verdadeiro caos, com as torcidas locais massacrando os visitantes como se pertencessem a um país em guerra.

E essa impunidade que se vê em outros países sul-americanos, além de absurda, acaba provocando protecionismos odiosos. É impossível imaginar que em um estádio brasileiro os torcedores de um time estrangeiro serão alvejados, com pedras e bombas, sem que nada seja feito.

Por mais que o Brasil ainda tenha de evoluir em muitos aspectos da educação, essa violência contra uma torcida estrangeira seria punida com severidade por aqui. Porém, em outros países que participam da Libertadores, parece que ferir os torcedores adversários faz parte do espetáculo.

Assim, aplicar a lei e punir o Peñarol com a perde dos pontos – em uma partida que, para todos os efeitos, constaria como uma vitória do Santos por 3 a 0 – seria a melhor forma de dar um exemplo de moralização à desacreditada Copa Libertadores.

O que você achou da agressão aos santistas no Uruguai? Acha que a Conmebol deveria punir o Peñarol, o responsável pela segurança dos brasileiros no Centenário?


Vai meu irmão… Garanta esse caneco!

O Santos chegou ao meio-dia em Montevidéu, onde amanhã, às 21h50m, enfrenta o Peñarol, no estádio Centenário, pelo primeiro jogo da decisão da Copa Libertadores de 2011.

Nunca, desde o título de 1963, o Alvinegro Praiano esteve tão próximo de tornar-se campeão sul-americano. Apesar dos desfalques de Léo, Jonathan, Paulo Henrique Ganso e Edu Dracena, os santistas acreditam em um bom resultado. Afinal de contas, Neymar e Elano estarão em campo, e a equipe não perdeu mais na Libertadores desde que o técnico Muricy Ramalho assumiu o comando da equipe.

Aos guerreiros que vão para a batalha, uma doce homenagem na voz de um admirador do futebol-arte, o mestre Chico Buarque de Holanda:

E se puderem, Pará, Alex Sandro & Cia, nos mandem uma notícia boa


Peñarol conta com as botinadas de Alejandro González em Neymar


Alejandro González, lateral-direito do Peñarol, é o tipo de jogador que joga mais deitado do que de pé e visa, preferencialmente, as canelas do adversário. Contra Neymar, seguindo o estilo intimidador do futebol uruguaio, ele pretende “marcar o território” desde o início, repetindo o que fez contra o Internacional.

Que o árbitro paraguaio Carlos Amarilla e seus auxiliares, os compatriotas Nicolás Yegros e Rodney Aquino, fiquem bem espertos no início do jogo entre Peñarol e Santos, na quarta-feira, em Montevidéu, pois o time da casa pretende adotar a velha tática uruguaia de bater e tentar intimidar os brasileiros nos primeiros lances do jogo. Alejandro González, o marcador de Neymar, admitiu isso em uma entrevista para o jornal Diário El País.

Quando o jornalista Diego Pérez lhe perguntou se contra o Internacional de Porto Alegre ele conseguiu intimidar algum jogador logo de início, González admitiu:

“É muito bom “marcar o território”, porque este tipo de jogador se sente motivado quando se sai bem nas primeiras jogadas. Mas às vezes eles não lhes dão uma oportunidade… Contra o Inter, elas aconteceram, mas isso não quer dizer que se possa sempre…”

O marcador de Neymar, de 23 anos e 1,83m de altura, acha que o primeiro combate ao habilidoso jogador brasileiro deva ser feita pelos volantes, em um sistema de rodízio:

“Estes jogadores, além de habilidosos, você pode marcar bem, castigar, e seguem jogando igual. Mas tenho visto jogos em que, “escalonándolo” (marcando-o por escalas), se conseguiu anula-lo. Terei muitos duelos individuais com ele, mas será fundamental a ajuda de um volante”.

González também dá a receita de como evitar ser expulso, apesar das faltas constantes: “É preciso associar-se com o juiz e faze-lo entender que muitas vezes seu rival está simulando ou exagerando”.

Como todo jogador uruguaio, Alejandro González acha que os brasileiros se sentem intimidados quando os enfrentam. “Nenhum brasileiro gosta de enfrentar um uruguaio”, diz ele. “Digamos que vivam o futebol de uma maneira diferente. Neymar é seu máximo expoente e suponho que o que mais lhe deve molestar é que seja marcado por jogadores como nós”, acredita.

Mas Neymar não deverá ter marcação individual

Mesmo respeitando muito Neymar, o técnico do Peãrol, Diego Aguirre, diz que não pensa em submete-lo a uma marcação individual. Aguirre acredita que Neymar “jogará mais atirado à esquerda, junto à linha lateral” e assim será marcado, naturalmente, pelo lateral-direito Alejandro González.

Porém, se Neymar se deslocar para a direita, o técnico quer que sua marcação seja feita pelo lateral-esquerdo Freitas, para não mudar a estrutura da defesa. Isso poderá propiciar boas oportunidades ao Santos, pois Elano e Danilo também costumam se deslocar pela direita.

O que você acha dessa tática uruguaia de usar a violência para intimidar os santistas? Como Neymar deve reagir? E o que esperar do árbitro?


Santos e Peñarol escreverão novamente a história da Libertadores


Em 1962, depois de ganhar em Montevidéu, sem Pelé, por 2 a 1, e perder na Vila Belmiro, em jogo polêmico, por 3 a 2, o Santos decidiu o título com o Peñarol na neutra Buenos Aires. E venceu por 3 a 0, conquistando sua primeira Copa Libertadores da América.

Em um jogo dramático, em que o Vélez Sarsfield, mesmo com um jogador a menos, pressionou intensamente na última meia hora e chegou a perder o pênalti que lhe daria a classificação, o Peñarol do Uruguai perdeu de 2 a 1, em Buenos Aires, e se classificou para decidir a Copa Libertadores com o Santos, provavelmente nas quartas-feiras 15 e 22 deste mês.

Pelo retrospecto nesta edição da Libertadores, é impossível não dar algum favoritismo ao Santos. Mas o próprio fato de dois segundos colocados na fase de grupos terem chegado à final, à frente de outros que ganharam quase o dobro de pontos, mostra que o retrospecto não pode ser levado muito a sério nesta competição sul-americana.

Assim como o Santos, o Peñarol não começou muito bem, mas foi se aprumando aos poucos. Na fase de grupos, perdeu três partidas e ganhou três. Fora de casa foi goleado pela LDU por 5 a 0 e pelo Independiente, da Argentina, por 3 a 0, e em casa perdeu de novo para o Independiente por 1 a 0. Só se classificou porque o Independiente conseguiu apenas dois pontos nos outros quatro jogos que fez contra LDU e Godoy Cruz.

Nas oitavas, em uma das maiores surpresas desta Libertadores, o Peñarol empatou em casa com o Internacional (1 a 1) e foi buscar a classificação, de virada, no Beira-Rio (2 a 1). Nas quartas, enfrentou outro time teoricamente superior, o Universidad Católica, ao qual derrotou por 2 a 0 em Montevidéu e perdeu por 2 a 1 no Chile.

Ontem, em um jogo dramático, saiu vencendo por 1 a 0, tomou a virada do Vélez Sarsfield, e só não foi eliminado porque o atacante Santiago Silva, uruguaio que joga no Vélez, escorregou na hora de bater o pênalti e jogou, literalmente, a classificação para o espaço.

Desta forma, enquanto o Santos chega à final com apenas uma derrota e seis vitórias, além de cinco empates; o Peñarol alcança o direito de lutar pelo título após cinco derrotas, seis vitórias e apenas um empate. Detalhe: o Santos marcou 18 gols e sofreu 12, tem saldo positivo de seis; e o Peñarol marcou 14, sofreu 17 e tem saldo negativo de três.

Morumbi pode ser o estádio escolhido

O Peñarol é um time que gosta de jogar na defesa, mas não se pode dizer que tenha uma boa defesa. Nos 12 jogos que fez até agora nesta Libertadores, só não sofreu gols em duas partidas. O time todo recua, quando preciso, e tenta destruir as jogadas adversárias de qualquer jeito, mas não tem grande organização e nem planejamento defensivo.

Como evitam fazer faltas próximas à área, os defensores do Peñarol podem permitir que um jogador fique muito tempo com a bola, ciscando, driblando lateralmente e mesmo tentando penetrar. Isso me parece bom para os atacantes do Santos.

Acredito que o time dirigido por Diego Aguirre prefira campos de dimensões menores, nos quais possa aglutinar os jogadores e assim tapar os buracos da defesa, o que é mais complicado quando o adversário tem muito espaço para criar as jogadas.

Na pesquisa que fiz, descobri que o campo do Morumbi tem 100 x 75 metros. O Pacaembu, por sua vez, tem, segundo algumas fontes, 105 x 68 metros, mas segundo outras têm as mesmas dimensões do Morumbi. Só medindo mesmo. Porém, no olhômetro, acho que o do Morumbi é maior.

Dimensões do campo, somadas à capacidade de público e à facilidade de se ter mais sócios presentes à decisão da Libertadores, creio que somarão para que a diretoria do Santos se decida pelo Cícero Pompeu de Toledo, palco de tantos títulos importantes do Alvinegro Praiano, como o Brasileiro de 2002 e os Paulistas de 1969, 1973, 1978, 1984 e 2007.

Um duelo dos tempos do futebol-arte

Santos e Peñarol reviverão a final de uma Libertadores de 49 anos atrás, quando ambos figuravam entre os melhores times do mundo. Com Pelé e um ataque demolidor, o Santos era um rei sem reino e buscava no título sul-americano a oficialização de sua superioridade no continente.

Bicampeão da Libertadores e campeão mundial em 1961, o Peñarol, orientado pelo lendário húngaro Bela Gutman, era um time de muita garra, mas também tinha jogadores de grande categoria, entre os quais Pedro Rocha, que depois jogaria no São Paulo.

Para chegar à final, o Peñarol superou seu compatriota Nacional em uma equilibrada melhor de três partidas, e o Santos passou pelo Universidad Católica, depois de um empate de 1 a 1 no Chile (gol de Lima) e vitória por 1 a 0 (Zito) na Vila Belmiro.

Na primeira partida da decisão, em 28/07/1962, no Estádio Centenário, em Montevidéu, diante de 55 mil pessoas, o Santos ganhou, de virada, por 2 a 1, com dois gols de Coutinho. Um detalhe: Pelé, machucado, não participou da partida.

No jogo de volta, em 02/08/1962, quando a Vila Belmiro se apertou para receber 30 mil pessoas, o Santos jogou por um empate para comemorar o título, mas, em partida bastante tumultuada, acabou perdendo por 3 a 2, o que provocou um jogo-desempate.

Na verdade, os torcedores chegaram a comemorar o título na Vila Belmiro, pois após longa paralisação, provocada por uma garrafada no bandeirinha Domingo Massaro, do Chile, o jogo foi reiniciado e Pagão fez o gol de empate. Só depois da festa é que se soube que o árbitro Carlos Robles, também chileno, havia colocado na súmula que terminara o jogo com a vantagem do Peñarol por 3 a 2 e só continuou a partida por motivos de segurança.

Então, uma partida-desempate foi marcada para a neutra Buenos Aires, no Estádio de Nuñes, em 30/08/1962. Nesse dia, já contando com a volta de Pelé, o Santos jogou com Gilmar, Lima, Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Mangálvio; Dorval, Coutinho, Pelé e Pepe e venceu por 3 a 0, com dois gols de Pelé um de Caetano, contra.

A vitória sobre o Peñarol marcou o início de um predomínio santista que durou dois anos e incluiu mais uma Libertadores e dois títulos Intercontinentais, ou Mundiais. O Peñarol, por sua vez, voltaria ser campeão da Libertadores em 1966, 1982 e 1987, além de conquistar os títulos Mundiais de 1966 e 1982. Currículo não faltará nesta decisão da Libertadores de 2011. Somando as maiores conquistas dos dois clubes, sete Libertadores e cinco Mundiais se encontrarão.

Veja este belo filme sobre as conquistas do Santos na Libertadores:

http://youtu.be/sKX7nuPYHI0

O que você achou da classificação do Peñarol? Preferia o Vélez?


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