Blog do Odir Cunha

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Dar dinheiro público para estádio corintiano é burlar regras do jogo


Políticos e cartolas fazem média com a torcida corintiana, mas a maioria dos eleitores é contra.

A essência do esporte competitivo, como o nome já diz, é a competição. Times devem competir, seguindo as regras e a ética, por vitórias e títulos que lhes darão prestígio e riqueza. Qualquer outro fator que leve ao sucesso de uma equipe sem passar pelo campo de jogo é uma trapaça com o espírito do esporte.

Estádios sempre foram sonhos que, para serem concretizados, envolviam o esforço de toda a comunidade ligada ao clube. Foi assim que o valente Vasco ergueu São Januário no distante 1927 e que a Portuguesa construiu o seu Canindé. Lançavam-se campanhas “do cimento”, “do tijolo”, e assim, aos poucos, os aficionados viam surgir o resultado de seu orgulho.

Decisão é injusta, anti-desportiva e anti-democrática

A isenção de impostos, a doação de dinheiro público ao estádio corintiano é uma amoralidade que burla, flagrantemente, as regras do esporte. É uma decisão que não está embasada na justiça, no mérito esportivo e nem na democracia. É uma determinação imposta por poderes superiores que visa, claramente, beneficiar, por motivos políticos, o time tido como o mais popular de São Paulo.

Não é justa porque nenhum outro clube, antes, no Brasil, foi agraciado com tantas vantagens para construir o seu estádio. Algumas agremiações, como o São Paulo, tiveram de amargar longos anos de derrotas a fim de economizar dinheiro para erguer o seu. Outras, mesmo também muito populares, jamais receberam esse dinheirão do governo para ter uma casa maior.

No caso do São Paulo, que também não é o ideal, pois tudo indica que o clube recebeu a doação do terreno do governo do Estado, ao menos o tricolor teve de passar 13 longos anos dirigindo todos os esforços para a construção do estádio, período em que se tornou um saco de pancadas dos rivais. Nem esse incomodo terá o alvinegro da capital, que em dois anos receberá seu presente embalado, pronto para usar.

Não há, também, qualquer mérito esportivo nessa milionária doação (deixar de arrecadar é o mesmo que dar), pois o Corinthians está longe de ter conseguido, em seus 100 anos e meio de existência, as mesmas conquistas do que rivais até bem mais jovens. Não se está premiando, assim, o melhor, mas sim o que tem mais eleitores. Ou seja, trata-se de uma medida odiosamente populista.

Se o critério fosse cívico – o que combinaria mais com o uso do dinheiro público – e se, por exemplo, se decidisse que o clube que ganharia tanto dinheiro e facilidades para construir um estádio para a Copa, seria aquele que mais contribuiu para a projeção do futebol brasileiro no exterior, ainda haveria alguma lógica.

Mas preterir um clube e escolher outro apenas porque este é mais popular e porque, no momento, tem melhores relações com o poder político que governa o País, chega a ser indecente, pois gera uma situação que fere o espírito esportivo e provoca um rancor natural e duradouro nos demais.

Por fim, é ditatorial porque impõe um ônus enorme ao contribuinte sem consultá-lo. Mesmo que todos os corintianos da cidade aprovem a idéia – mesmo que considerem que um estádio para a Copa é mais importante do que usar esse dinheiro em saneamento básico, escolas e hospitais – eles não representam 40% dos habitantes de São Paulo. Portanto, a maioria dos paulistanos está sendo contrariada.

Mais do que contrariada, está sendo obrigado a pagar pela construção de um estádio que incrementará enormemente o patrimônio e o faturamento do rival. Sim, porque quando os outros clubes forem jogar lá, terão de pagar alugueis e taxas ao proprietário. Ou seja, santistas, palmeirenses e são-paulinos serão obrigados a bancar a maior parte da construção de um estádio que depois cobrará de seus clubes.

Este estádio será um monumento a uma nova ditadura

Quando foi conveniente, Lula e os dirigentes que hoje comandam o País demonizaram a ditadura militar. E foi fácil, porque não há mesmo quem possa concordar com um regime político que não esteja baseado na democracia. Hoje, porém, agem de forma ditatorial para atingir seus objetivos. Este caso do estádio corintiano é um exemplo. Até pressão e ameaças de agressão física têm acontecido.

Enquanto a Câmara Municipal se reunia para votar a isenção ou não de impostos para a construção do estádio, torcedores organizados cercavam o edifício público e, aos berros, ameaçavam os vereadores. Quantos votos não foram determinados por esta coação?

Não creio que uma Copa, com duração de apenas um mês, mereça tanto investimento de um país que ainda tem tanta coisa a resolver. O mundo já tem uma opinião formada do Brasil – que, felizmente, tem melhorado a cada dia –, não será uma Copa que mudará isso.

Não creio também que o Mundial de 2014 vá mudar muito o panorama do futebol brasileiro, que continua sendo um fornecedor de mão de obra barata e talentosa para a o exterior, principalmente para a Europa, sem que haja um movimento – das autoridades e da opinião pública – para mudar isso.

Por fim, já que decidiram, inexplicavelmente, não reformar o Morumbi e o Pacaembu, o que seria mais racional e viável, que fizessem um estádio público, sem privilégios a clube algum. Do jeito que o negócio está sendo encaminhado, perpetua-se uma trapaça histórica contra as regras do jogo. Isso gerará um dívida moral que, mais dia, menos dia, será cobrada.

E você, o que acha da doação de dinheiro público para a construção do estádio corintiano?


Estádio em Cubatão é economicamente inviável

Soube que a assessoria de imprensa do Santos programa uma entrevista coletiva do presidente Luis Álvaro em que ele anunciará o projeto – com orçamento inicial de R$ 650 milhões – de se construir o novo estádio do Santos em Cubatão.

Acho que o presidente deveria ouvir mais os santistas antes de fazer este anúncio, que corre o risco de entrar no rol das frases vazias, como aquela de que o Santos venderia o espetáculo e não os artistas. Estudos sérios comprovam que investir em um estádio grande e moderno na Baixada Santista corem um risco enorme de fracassar.

Estudos de quem? Estudos da construtora que faria o estádio em Diadema, projeto dos mesmos empresários alemães que construíram o Amsterdam Arena. Antes de anunciar ao mundo a proposta, os alemães encomendaram uma minuciosa pesquisa de mercado, que chegou às seguintes conclusões:

A Grande São Paulo tem 1,5 milhão de santistas, e a Baixada tem 500 mil. Um estádio como estes só se paga com a venda antecipada de camarotes. Um pouco mais de oitenta por cento dos compradores potenciais de camarotes do estádio do Santos moram na Grande São Paulo. Portanto, um estádio na Baixada Santista corre o risco de se tornar uma obra inacabada.

E mesmo que seja concluída, qual seria sua ocupação média? O que leva a crer que terá muito mais do que os sete mil pagantes da Vila Belmiro? Sua beleza? Sua proximidade com São Paulo? Bem, a verdade é que os obstáculos que reduzem o público na Vila Belmiro poderão ser até maiores em Cubatão.

Pedágio, transporte coletivo…

Além da distância, um fator que impede maior afluxo de torcedores da Grande São Paulo à Vila Belmiro é a despesa – com combustível, alimentação e, principalmente pedágio. Em Cubatão o problema continuará a existir, com o agravante de que o torcedor de fora estará distante das opções de um centro mais urbanizado, como é Santos.

Outro fator que atrapalha as rendas do Urbano Caldeira é o menor poder aquisitivo dos santistas de Santos. Se mesmo podendo ir a pé ao estádio, muitos preferem assistir aos jogos dos botecos, por que esperar que os torcedores gastarão tempo e dinheiro com transporte para deslocar-se até Cubatão?

Cadê a pesquisa?

É inadmissível que a diretoria do Santos ainda não tenha uma idéia exata do perfil de seus torcedores. A pesquisa seria simplíssima: é só perguntar aos santistas que comparecem à Vila Belmiro em que cidade eles moram. Isso feito por uns 10 jogos e já se saberia a real estratificação dos torcedores no Urbano Caldeira.

A mesma pesquisa em jogos do Santos no Pacaembu traria informações importantes que, cruzadas, mostrariam onde é melhor para o clube e, principalmente, para a maioria de seus torcedores, construir o seu estádio permanente.

Não se pode admitir que depois de assumir o clube prometendo uma gestão moderna, científica etc etc, essa diretoria, Luis Álvaro à frente, anuncie um estádio em Cubatão apenas para aproveitar a sofreguidão da Copa. De elefantes brancos o Brasil já está cheio. O Engenhão é um exemplo. Não se pode erguer uma obra gigantesca apenas por uma questão de oportunismo, sem analisar todos os prós e contras.

O barato pode sair caro

Confesso que não sei, mas, convenhamos, que esses R$ 650 milhões sejam dados de graça para o Santos e que o clube só terá de ceder seu nome para a exploração do espaço comercial e publicitário do estádio. Parecerá a todos um negócio da China, não?

Mas, mesmo que o Santos não invista um tostão, o que acho difícil, ninguém dá R$ 650 milhões sem pedir nada em troca. Assim, o Santos terá de se comprometer a realizar um certo número de jogos no estádio, mesmo que este se transforme em um ponto micado. E aí, como ficarão as opções de se jogar na cidade de Santos e em São Paulo?

Pacaembu, hoje, é a melhor opção

Superstições à parte, o Pacaembu é, hoje, o estádio de maior rentabilidade para o Santos. E será ainda mais interessante com a construção do estádio do Corinthians em Itaquera, pois os outros três grandes clubes da capital terão os seus estádios e o Paulo Machado de Carvalho poderá receber apenas jogos do Peixe, aumentando sua identidade com o torcedor santista.

Hoje a prefeitura de São Paulo está disposta a um belo acordo para ter o Santos jogando no seu estádio municipal. O aluguel que era de 12% ao dia e 15% à noite pode cair para 6% e 7%, respectivamente. O Santos também poderá fazer ações de marketing e explorar espaços do estádio durante os jogos.

O que o torcedor quer

Até o momento em que escrevo este artigo, 960 pessoas votaram na pesquisa deste blog, que pergunta “Como você gostaria que fosse o estádio do Santos”. É uma boa amostragem, já que os votos são únicos e institutos de pesquisa já fizeram enquetes ouvindo até menos pessoas.

Somando-se os que gostariam de ver a Vila Belmiro ampliada (34%), um estádio maior e moderno em Santos (27%) e a Vila Belmiro do jeito que está (3%), temos 64% dos votantes. Portanto, a maioria quer que a casa do Santos continue sendo a cidade de Santos. Eu disse Santos, e não Itanhaén, Mongaguá, Praia Grande, Cubatão…

Porém, 16% quer um estádio maior e moderno em São Paulo, 10% prefere o estádio em Diadema e 10% gosta do rodízio entre a Vila e o Pacaembu, o que dá 36%.

Se a questão envolvesse um estádio em Cubabão, qual seria a porcentagem? É uma pergunta que deveria ser inserida no site oficial do Santos, nos boletos de cobrança, na TV e na Rádio Santos, enfim, deveria ser feita exaustivamente antes de anunciar publicamente o projeto de um estádio.

Já que não será em Santos, qual a diferença de o estádio ser em Diadema, também às margens da Imigrantes, mas bem mais perto do público consumidor do Santos, que fica na Zona Sul de São Paulo e no ABCD?

Será que, além deste público, não deveria ser feita uma pesquisa com empresários e potenciais patrocinadores? Afinal, serão eles que irão viabilizar economicamente o estádio. De que adianta lançar um balão de ensaio sem ter a certeza de que ele vingará? Por que essa precipitação?

Bem, mas esta é apenas a minha opinião. Agora quero saber a sua. Você é a favor ou contra um estádio do Santos em Cubatão?


Vale a pena continuar jogando na Vila Belmiro?

Ontem foram só 7.000 pagantes. Até quando?

Os sete mil pagantes do jogo de ontem, contra o Avaí, trouxeram de novo à tona um dilema ainda não resolvido. Vale a pena para o Santos continuar jogando na Vila Belmiro para públicos que estão aquém do seu prestígio e de suas necessidades mercadológicas?

É inegável que o Santos atrai mais público em seus jogos em São Paulo, onde tem 1,5 milhão de torcedores, do que na Baixada Santista, onde possui 500 mil aficionados e de menor poder aquisitivo.

Mas a questão não é tão simples e mexe com a paixão dos santistas, chegando a dividir os torcedores em dois grandes blocos: os adeptos dos jogos na Vila Belmiro e aqueles que preferem que o time atue mais em São Paulo. Vejamos os aspectos positivos de cada opção.

O lado bom de se jogar na Vila Belmiro

É menos desgastante para os jogadores, que saem do CT, ali do lado, direto para o estádio.
A pressão sobre o time e a torcida adversária é maior.
O time costuma ter um índice de vitórias excelente quando joga na Vila, principalmente nos clássicos contra outros grandes de São Paulo.

O lado bom de se jogar no Pacaembu

As rendas são maiores. O clube fatura mais.
A exposição na mídia é um pouco maior, já que há uma cobertura mais completa dos veículos de comunicação.
O Pacaembu lotado por um time que não tem sede em São Paulo sempre causa uma impressão muito boa, ótima para o marketing.
Nos últimos anos o time vem mantendo um índice de vitórias tão alto ou maior do que na Vila Belmiro.

Chapa “O Santos pode mais” prometia mais jogos em São Paulo

Uma das promessas da chapa “O Santos Pode mais”, eleita no final do ano passado, é a de que o Santos jogaria mais vezes em São Paulo, onde tem uma torcida maior e, naturalmente, atrai mais público aos seus jogos.

Estudava-se até a possibilidade de o time atuar em regiões onde mantém um número expressivo de torcedores, como o Interior de São Paulo e o Norte do Paraná. Era consenso que o clube deveria evitar os prejuízos causados pelos jogos na Vila Belmiro, onde manteve uma das piores médias de público nas últimas edições do Campeonato Brasileiro.

Porém, há uma resistência muito grande de boa parte dos santistas de Santos com relação ao time trocar a Vila Belmiro pelo Pacaembu, ou outro estádio paulistano. Em suas últimas campanhas para presidente do clube, Marcelo Teixeira disseminou a idéia de que a oposição queria tirar o Santos de Santos, e com isso obteve o apoio geral dos santistas da cidade.

Na verdade, bairrismos à parte, o que se quer é que o Santos jogue para públicos compatíveis com sua grandeza. Se tiver de escolher, a maioria dos santistas parece preferir que o time continue mandando seus jogos em Santos.

Enquete pede estádio em Santos

Veja que o resultado parcial da enquete sobre o estádio do Santos, mostra que mais da metade dos internautas (54%) prefere que o Santos tenha um estádio maior e moderno em Santos ou que a Vila Belmiro seja ampliada. Apenas 31% preferem um estádio santista em São Paulo ou em Diadema, enquanto 14% quer que se mantenha o rodízio entre Vila e Pacaembu.

Uma coisa, porém, é amar a Vila Belmiro e reconhecer sua importância para a história do Santos. Outra é querer que ela continue sendo o eterno estádio do clube, mesmo ultrapassada e deficitária.

Menor que o Parque São Jorge

Com as últimas mudanças para a construção dos camarotes, a Vila Belmiro teve sua capacidade diminuída para 15 mil pessoas. Ou seja, ela se tornou ainda menor do que o obsoleto Parque São Jorge, que comporta 17.900 pessoas.

Grandeza veio em ganhar fora

É muito importante ter um bom índice de vitórias em casa, mas isso até times médios e pequenos conseguem. O grande diferencial, que fez do Santos um dos melhores do mundo, foi sua incrível capacidade de vencer no campo do adversário, ou longe de sua cidade.

Quase todos os títulos importantes do Santos foram obtidos longe da Vila Belmiro. Vejamos:

Libertadores de 1962: Buenos Aires.
Libertadores de 1963: Buenos Aires.
Mundial de 1962: Lisboa.
Mundial de 1963: Rio de Janeiro.
Recopa Mundial, em 1969: Milão.
Taça Brasil de 1962: Rio de Janeiro.
Taça Brasil de 1963: Salvador.
Taça Brasil de 1964: Rio de Janeiro.
Taça Brasil de 1965: Rio de Janeiro.
Roberto Gomes Pedrosa/ Taça de Prata de 1968: Rio de Janeiro.
Campeonato Brasileiro de 2002: São Paulo.
Campeonato Brasileiro de 2004: São José do Rio Preto.
Copa Brasil de 2010: Salvador.

A única conquista relevante na Vila Belmiro foi a Taça Brasil de 1961, ganha com uma goleada de 5 a 1 sobre o Bahia.

Indecisão atrapalha o marketing

Esta indecisão do Santos com relação ao seu estádio certamente atrapalha vôos mais altos de seu marketing. Daqui a dois anos o Corinthians terá um estádio grande e moderno, o Palmeiras a sua arena, o São Paulo continuará com o maior estádio do Estado. E o Santos? Continuará jogando para sete mil pessoas em uma Vila Belmiro acanhada e ultrapassada?

O Pacaembu é uma opção pronta, barata, tradicional e bem localizada. O santista gosta de ir ao Pacaembu e o considera a sua casa em São Paulo. Mas para ser uma alternativa permanente o Santos teria de assinar uma parceria com a prefeitura de São Paulo, pois um estádio só pode ser um grande negócio se o clube puder explorá-lo mercadologicamente, com publicidade, eventos, merchandising.

Se o Santos tem os dois pés fincados na cidade mais progressista da América Latina, para muitos fica difícil entender porque não toma posse logo desta conquista e ergue seu estádio na metrópole.

Mas há a questão das raízes, e com o crescimento da cidade de Santos – acelerado pelo Pré-Sal e as obras de modernização do Porto – provavelmente o poder aquisitivo e, consequentemente, a média de público em um estádio na cidade também tenderá a crescer.

A prefeitura de Santos deveria apoiar mais o time

Não há dúvida de que o time do Santos é a entidade que mais divulga a cidade pelo mundo.Assim, não entendo por que a prefeitura santista e o clube não se aproximam em uma parceria duradoura, benéfica para ambas.

Já ouvi que a prefeitura não ajudava o Santos porque o prefeito era palmeirense. Recusei-me a acreditar em tal sandice. Em primeiro lugar, mesmo que isso fosse verdade, o Palmeiras não tem sede na cidade, não paga impostos em Santos e o número de palmeirenses no município não deve chegar a 10%.

Se eu fosse o presidente do Santos e tivesse dificuldades com um prefeito que torcesse por um clube de São Paulo, eu simplesmente lhe diria: está bem, você não vai nos ajudar porque torce para outro time, ok. Mas então vamos pedir aos santistas da cidade – e há 54% de torcedores do Santos em Santos, segundo pesquisa de A Tribuna – que não votem no senhor.

O Santos pode ser decisivo em qualquer eleição na cidade, e deveria usar essa força política para conseguir bons acordos para o clube. Esta é a forma de o Santos continuar em Santos e usar a ser favor todo o potencial da cidade.

Outra desculpa que ouvi é que o prefeito não poderia ajudar o Santos, pois na cidade também há outros clubes tradicionais, como a Portuguesa Santista e o Jabaquara. Ora, mas quanto representam os torcedores de cada clube? Novamente o Santos deveria ter uma posição política e usar a força esmagadora de seus torcedores para influir na política da cidade.

Até porque o que impediria que a prefeitura e os clubes da cidade se unissem para a construção de uma grande e moderna arena municipal, que poderia ser usada tanto pelo Santos, como por outros clubes que disputassem divisões principais do futebol brasileiro?

O espaço imobiliário em Santos se valoriza rapidamente, mas ainda há muito clube abandonado, há muito terreno que poderia ser usado para consolidar esta parceria que tornaria o Santos o maior time – também em patrimônio – do litoral brasileiro. Se ainda não pensaram, que a diretoria do clube e o prefeito pensem seriamente sobre isso.

Se uma decisão não for tomada rapidamente, só restará ao Santos dois caminhos: sair da cidade, em busca de campos mais férteis e de públicos mais reconhecidos ao seu futebol, ou apequenar-se agarrado à sua tímida e romântica Vila Belmiro.

E você, o que acha que o Santos deve fazer a curto e médio prazo para resolver seu problema de falta de público na Vila?


O toma lá dá cá entre o Corinthians e Lula

O Corinthians está comemorando o seu Centenário e merece os parabéns, mesmo dos rivais. É um clube com uma história rica e uma torcida tão apaixonada e maluca que às vezes parece sofrer na alegria e sentir prazer no sofrimento. Como parte das festividades, o clube dará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva o título de “Torcedor Símbolo do Centenário”. Aí eu já acho que é pisar na bola…

Para um clube que quer manter a imagem de popular, de ligado às classes humildes do país, escolher como torcedor símbolo um político milionário é extremamente contraditório. Melhor seria ter premiado alguém do povo, de vida simples, que trabalha, recebe um pequeno salário e luta para superar as dificuldades da vida como a maior parte da população. Dar o título a um político poderoso, que vive nababescamente, é um erro.

Até fica parecendo que o Corinthians quer recompensar Lula por alguma coisa, ou quer bajulá-lo para ter o direito de pedir algo depois. Alguns podem até imaginar que a decisão de abrir a Copa de 2014, em um estádio a ser construído em Itaquera, também faz parte desta troca de favores…

O astuto presidente continua com seu discurso contra as elites, como se fosse ainda um migrante semi-analfabeto que ganhasse salário mínimo. Outro dia, neste mesmo blog, vimos Lula censurando um garoto que queria jogar tênis. “Tênis é esporte de burguês, porra!”, disse sua excelência ao jovem de uma favela carioca.

O que será um “burguês” para nosso presidente? Seria um representante da classe média? Pois em nosso país a classe média designa pessoas com renda mensal entre R$ 2.800,00 e R$ 4.200,00. Ora, fora todos os benefícios, Lula tem um salário oficial de R$ 11.420,00. E não deve precisar gastar quase nada do que recebe, pois em 2006 declarou que tinha uma aplicação bancária de um milhão de reais (que renderiam cerca de mais R$ 9 mil por mês).

Os familiares de Lula também não vivem como os proletários que fundaram o Corinthians. Um segurança da filha de Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, gastou R$ 55 mil com o cartão corporativo entre abril e dezembro de 2007, provocando a denúncia que gerou a abertura de CPI no Congresso para acabar com a farra do dito cartão.

E um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, que até dezembro de 2003 vivia de subempregos, tornou-se sócio de três empresas, sem investir um tostão, e passou a ter, da noite para o dia, R$ 625.000 reais em ações. O interessante é que o negócio foi bancado pela Telemar, a maior companhia de telefonia do país.

Assim, depois de se fingir de inocente no acordo com a MSI que trouxe a máfia russa para participar ativamente do futebol brasileiro e influir decididamente no Campeonato Brasileiro de 2005, o Corinthians se enche de mesuras para com o seu torcedor mais poderoso.

Na linguagem do povo, que não é bobo, isso tudo é babação de ovo, puxa-saquismo que tem muitos interesses por trás. Para o corintiano, desde que ajude seu clube a construir o tão sonhado estádio, tudo bem. O fanatismo por um clube torna a ética e honestidade supérfluas.

Mas a história é implacável. Ele não se esquecerá de que no dia sagrado do seu Centenário, o time amado por milhões de pessoas simples, que se sacrificam por esse amor, resolveu escolher como torcedor símbolo um milionário extremamente demagogo, que ainda finge ser pobre. Um homem que alcançou o cargo mais importante do país sem ter se dedicado, ao estudo e ao trabalho, metade do tempo que os outros brasileiros, que ele chama de “burgueses”, precisam se dedicar.

Você acha que o Corinthians fez bem de escolher Lula como seu torcedor símbolo?


Para os amigos, estádios e rolagem de dívidas. Para os inimigos, a lei…

Some vésperas de eleições, acrescente os milhões de torcedores corintianos, junte ainda o apoio de Andrés Sanches à política de Ricardo Teixeira e compreenderá, sem grande esforço, por que a mesma CBF que não aprovou o estádio do Morumbi, ofereceu a abertura do Mundial de 2014 a um hipotético estádio do Corinthians que ainda não tem nenhum tijolo assentado.

Era esperado que o São Paulo fosse punido pela CBF por ter apoiado a permanência de Fábio Koff no Clube dos Treze, em detrimento de Kléber Leite, candidato de Ricardo Teixeira. Todo mundo sabe que o presidente da CBF passa por cima da ética e das leis para prejudicar os adversários e ajudar os parceiros.

Em um país dominado pelo populismo, não é de se admirar que os dois clubes com mais torcedores sejam tratados com privilégios. Enquanto o Corinthians, sem dinheiro, quer erguer um estádio para 50, 60, 80 mil pessoas, no Rio o Flamengo continua contratando jogadores de renome, apesar de uma dívida que é a maior entre os clubes brasileiros e aumenta a cada mês.

Há dois anos o ex-jogador Leonardo, recentemente técnico do Milan, disse em um programa do Sportv que a dívida do Flamengo era impagável. Algumas fontes falavam em um valor aproximado de um bilhão de reais, que aumentava dezenas de milhões a cada mês, devido aos altos juros bancários.

Fiquei esperando, mas não li e nem assisti a nenhuma reportagem sobre o assunto. Será que não é relevante saber quanto deve o clube mais popular do país? Por que deve, não paga e ainda contrai mais dívidas ao contratar jogadores famosos? Como é possível um milagre desses?

Bem, há perguntas que nunca terão respostas baseadas na lógica e no bom senso. A única explicação é a de que Flamengo e Corinthians, clubes que, juntos, têm torcedores suficientes para eleger um presidente da república, recebem um tratamento especial não pelo que representam para o esporte, mas pelo que significam como escada para o poder político.

Em um país em que tudo é transformado em cifrões e índices de popularidade, o mérito esportivo é o que menos conta para um clube de futebol. Os amigos do rei, os freqüentadores da corte, sempre terão uma vida mais fácil. A dureza da lei só existe para os outros.

Você achou justa a maneira como o Governo e a CBF decidiram dar ao imaginário estádio do Corinthians a abertura da Copa de 2014?


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